As luzes amarelas
e giratórias ficam para trás. Agora o túnel era iluminado unicamente pelos
faróis das aeronaves.
Pedindo ao Navcom
o status da nave, ele ouve:
- Escudos a 78%.
- Carga
energética a 82%.
- Nível de
oxigênio a 93%.
- Temperatura a
22°C.
- Canhão Xichang
pronto para uso.
O ar pesado e
frio do túnel o incomoda. No painel do Wénzi, ainda restavam 126 quilômetros. O
tempo estimado era de 47 minutos.
“Uma longa e
monótona viagem”, pensa Yang.
De repente é
emitido um alerta. Navcom detecta algo a frente.
- Piloto
Haisheng, há algo obstruindo o caminho.
- Como assim? Pensei
que fôssemos os únicos aqui.
- É algo grande,
senhor, pois obstrui toda a passagem.
Yang se assusta.
- O que pode ser
tão grande assim...? – pergunta-se ele.
- Detecto sinais
de vida inteligente. – complementa ele – Não é humano.
Ao ouvir o
Navcom, uma voz no comunicador diz:
“Piloto Haisheng,
você recebeu o alerta?”.
- Sim, senhor. O
que quer que seja, preparem-se.
Uma luz aparece
adiante no túnel. Yang e a comitiva desaceleram suas aeronaves.
A luz se
multiplica e de repente uma dezena se acendem, dando-lhes uma ideia de seu
imenso tamanho. As luzes se intensificam e ilumina toda a parede do túnel, juntamente
com o corpo do misterioso objeto.
Navcom alerta:
- Veículo inimigo
adiante! Veículo inimigo adiante!
Movendo suas
articulações, o veículo se manobra habilmente como se girasse em torno de seu
próprio eixo. Yang reconhece um enorme tanque, mas suas articulações lembravam
as de uma aranha. O suposto tanque não tinha esteiras; sob as articulações ele
enxerga uma forte luz azul, suspendendo-o alguns centímetros no ar como o
magnetismo.
Sobre a carapaça
do enorme tanque se desacopla um enorme canhão de energia. Em seguida buracos
menores se abrem, como orifícios metálicos.
O tanque se
movimenta ao som de zunidos. Yang nota que ele era movido a energia sólida e
consistente, e não a combustão, semelhante ao Shenzhou Wénzi.
O canhão sobre
sua carapaça se levanta e aponta para o alto. O piloto se confunde, pois não
apontava para eles. Lentamente, no meio do cilindro uma luz branca se forma e
de repente é disparada uma colossal carga laser. Yang se espanta; o laser se
expandiu de maneira tão inesperada, aumentando seu diâmetro vinte vezes mais do
que a saída do canhão.
A violenta
potência pulveriza o teto de concreto acima deles, formando uma densa nuvem de
poeira. É então que Yang percebe. Não era necessário mirar precisamente neles;
o laser ia se expandir tanto que abrangeria tudo em seu caminho.
O altíssimo calor
o afeta. Navcom informa.
- Perigo!
Temperatura a 57°C! Iniciando resfriamento de emergência!
Ar gelado é
expelido das saídas de ar condicionado. Yang se recupera, pois estava prestes a
desmaiar.
- Haisheng para
líder da comitiva, vocês estão bem?
Uma voz diferente
e exasperada responde:
“Piloto Haisheng!
O líder desmaiou! Tire-nos daqui, depressa!”.
Sem tempo para
pensar, Yang manobra o Wénzi e acelera, desviando-se do tanque e avançando pelo
túnel.
Olhando para o
painel, o piloto nota que todas as aeronaves da comitiva estão presentes.
Felizmente nenhuma foi destruída. O elusivo tanque fica para trás,
desaparecendo-se na imensidão do túnel. Todos se tranquilizam.
Ainda havia um
longo caminho pela frente. Confinado em um ambiente escuro e claustrofóbico, Yang
se apressa em sair dali. Ele então acelera o Wénzi, intentando a velocidade
máxima.
- Piloto Haisheng! Desviar!
Navcom o alerta
com tanto ímpeto que o assusta. Os manches viram de repente, escapando de suas
mãos. Pela primeira vez Yang percebe; Navcom lhe oferecia assistência de
direção emergencial.
- O que houve?!
Mas antes que
Navcom pudesse responde-lo, o enorme maciço luminoso passa por debaixo dele,
planando sobre a superfície sólida com aterradora velocidade.
Era o tanque
inimigo.
A pesada massa de
ar se desloca em seguida, passando por ele e desestabilizando-o no ar. Os
manches da aeronave se estremecem. O tanque, porém, continuava seguindo em
frente, diminuindo sua velocidade apenas para equiparar-se à comitiva.
Para o horror de
todos, o enorme e pesado tanque sobe pelas paredes do túnel, flutuando sobre
suas articulações mecânicas como se estas se deslizassem sobre o sabão. Então,
de seus orifícios metálicos o tanque expele bombas de energia. Yang se
empalidece. Saindo em intervalos de três em três, as bombas avançam pelo
interior do túnel, indo em sua direção.
Desta vez o
piloto não iria utilizar o assistente de direção; ele contaria com seus
próprios reflexos.
Yang se desvia
habilmente da saraivada de bombas. Acostumado, ele sabe que aqueles projéteis
eram numerosos, mas lentos no ar. As bombas não eram ultra rápidas como os
foguetes projetados na Terra.
Uma bomba atinge
a fuselagem do Wénzi. Navcom imediatamente informa:
- Escudos a 66%.
As três aeronaves
da comitiva permanecem atrás de Yang, protegendo-se. Seus veículos não eram
rápidos e ágeis como o Wénzi. Então ele percebe. Se o Wénzi caísse, a comitiva
estaria perdida.
Enquanto se
desvia das bombas, a luz branca novamente aparece sobre o tanque.
Intensificando-se, a luz se aumenta e se aumenta perigosamente, completando sua
carga dentro do canhão. Distraído como estava, Yang demora para perceber.
De repente o
canhão dispara.
- Cuidado! – exclama ele.
O largo laser
avança. Wénzi e duas aeronaves se esquivam, mas uma não consegue se desviar a
tempo.
A aeronave
imediatamente se explode, sendo fulminada até se tornar uma carcaça vermelha de
aço derretido.
Alguém na
comitiva exclama, chamando o nome de seu conhecido. Mas nada podia ser feito. A
aeronave jazia destruída sob uma nuvem densa de poeira e fumaça.
O tanque se move
novamente. As articulações se deslizam pelas paredes arredondadas e sobem mais
uma vez. Agora, para o espanto de todos, o pesado tanque estava totalmente de
ponta-cabeça.
Mais uma
saraivada de bombas se expelem dos orifícios. Yang se esquiva novamente, protegendo
o restante da comitiva atrás.
Uma voz no
comunicador diz:
“Piloto Haisheng!
Eu ordeno que faça alguma coisa!”.
Yang reconhece a
voz do presidente.
- Senhor
presidente! O espaço é muito estreito. Se eu contra-atacar, a comitiva ficará
desprotegida!
“É uma ordem!”.
Mas quase nada
podia ser feito. Para atacar, o piloto precisaria manobrar em um restrito
espaço de 50 metros de diâmetro.
Outro estrondo.
Mais uma bomba atinge sua fuselagem.
- Escudos a 58%.
- Navcom,
preparar o Canhão Xichang.
O armamento
recarrega seu laser e os canhões se desacoplam da fuselagem.
Apertando o
gatilho, o azulado laser atravessa o ar, colidindo contra as paredes e se
ricocheteando pela imensidão do túnel.
O ambiente se
torna um espetáculo de luzes, como uma festa de ano novo. O azul do Xichang, o
amarelo das bombas e o vermelho do aço quente se misturam.
O laser do
Xichang atinge os orifícios do tanque e os danifica. O inimigo, que tentava
preparar outro disparo de seu poderoso canhão, se desestabiliza, interrompendo
a carga.
Yang se anima,
seus ataques estavam sendo eficazes contra o inimigo.
O tanque
continuava seguindo em frente, de ponta-cabeça pelo túnel. Ele cessa a
liberação de bombas, parecendo retrair-se para conter os danos. Em seguida o
tanque avança em alta velocidade, zunindo pela escuridão. Yang se confunde.
“Ele está
fugindo?”, pergunta-se ele.
“Piloto Haisheng,
o que houve?”, pergunta o líder da comitiva.
- Eu não sei. Me
parece que ele fugiu.
O líder comenta:
“Me parece
improvável uma fuga a partir daqui. A única saída está na outra ponta do túnel.
Esta é uma rota emergencial”.
- Eu entendo,
senhor. Mas se há apenas dois acessos, então como ele entrou aqui em primeiro lugar?
O líder assente.
Enquanto ainda
conversam, uma luz aparece repentinamente à frente. Yang se confunde; a luz
parecia vir em sentido contrário em velocidade descomunal. E então ele se
empalidece; a luz vinha contra eles.
- É o tanque!!
No teto do túnel,
o tanque avança e se colide contra uma aeronave da comitiva, atropelando-o com
a fúria de um trem-bala.
Primeiro a
aeronave se despedaça em milhares de pedaços. Em seguida uma esfera de chamas a
engole, fazendo-a cair em pequenos intervalos de capotamentos até finalmente se
arrastar pelo chão. Yang se horroriza; com todos as aeronaves da comitiva
abatidas, ele deve proteger o presidente sozinho.
Não havia tempo
para se lamentar. Um minuto depois o tanque retorna, movendo-se sinistramente
pelas paredes do túnel em um movimento espiral.
Vendo que o
tanque subia e descia do teto, Yang é obrigado a contar com os reflexos do
líder para se esquivar. Desta vez todos devem ser rápidos.
Algo diferente
acontece. O tanque não passa por eles; ao invés ele fica atrás, perseguindo-os
como uma fera assassina. E então o inimigo libera suas bombas.
- Senhor,
dirija-se para frente do Wénzi! Rápido!
“Afirmativo!”.
- Navcom,
consegue apontar o Canhão Xichang para trás?
- Sim, senhor.
Yang ouve o
canhão abaixo do Wénzi se mover, girando-se até apontar para trás. O piloto
aperta o gatilho e atira, disparando o azulado laser.
Utilizando sua
formidável agilidade, o tanque tenta se esquivar, mas nada podia ser feito
contra o laser que se ricocheteava pelas paredes, atingindo-o em todos os
lados.
Uma das
articulações do tanque não suporta os danos e se rompe, desativando o campo
magnético de sua ponta. Outra articulação se estoura e se desprende também,
comprometendo o veículo.
Yang se anima.
Concentrando-se, ele não para de atirar, completamente ignorando os danos das
bombas que danificavam o Wénzi simultaneamente.
- Escudos a 49%.
- Escudos a 36%.
Alertas começavam
a serem emitidos dentro do Wénzi. Uma luz vermelha e giratória se acende. Se
continuasse recebendo danos, Yang estaria em perigo.
O duelo parece
favorecer Yang. As articulações do tanque têm mal funcionamento e ele se
despenca do teto, caindo de ponta-cabeça como uma tartaruga.
“Ele foi
abatido?”, pergunta o líder.
Yang também
observa. O tanque parecia não reagir.
Antes que pudesse
responde-lo, as articulações se movem novamente e ele se vira, voltando a ficar
em pé. Curtos-circuitos percorriam sua carapaça, as articulações expeliam
fumaça e os orifícios estavam destruídos. Mas apesar dos danos, ainda lhe havia
vontade de lutar.
O tanque volta a
persegui-los com fúria e vingança. Então a luz branca se forma em seu canhão e
brilha no escuro ambiente. Sabendo o que aquilo significa, Yang exclama:
- Ele vai atirar!
Prepare-se!
O canhão se
recarrega e então atira. Yang e a aeronave presidencial se esquivam, mas o
magnífico laser se alarga, torrando-os com seu altíssimo calor.
Yang e o líder
fogem, acelerando sob o teto que se desabava entre escombros e poeira. O tanque
seguia logo atrás, pronto para abate-los.
Quando o laser
perde a força, ele se diminui e se apaga lentamente. Aproveitando a chance,
Yang aperta o gatilho e dispara o canhão Xichang contra o inimigo. O laser
ricocheteia para dentro do canhão do tanque, percorrendo lá dentro. Algo
acontece e o canhão inimigo se explode, neutralizando-o completamente.
Agora o tanque
estava desarmado. Yang e o líder não comemoram, ao invés eles aceleram e
intentam fugir. Mas o inimigo não os deixaria fugir tão facilmente.
Uma reação em
cadeia parece ocorrer; rachaduras aparecem na carapaça e fachos de luz e
energia iluminam o exterior. O veículo se aproximara de seu estado crítico. Não
podendo mais atacar ou subir pelas paredes, o tanque utiliza seu último
recurso: ele se arremete contra o inimigo intentando atropela-lo.
Acelerando, ele
avança em velocidade assustadora contra Yang e o líder. O piloto exclama:
- Senhor, fuja!
Ele vai explodir!
Acompanhando-os,
o tanque intentava se autodestruir e engoli-los na poderosa explosão.
Mas Yang não ia
deixar o inimigo destruí-los assim. Fugindo em alta velocidade, ele aperta o
gatilho e dispara o canhão Xichang. O laser ricocheteia e penetra as rachaduras
da carapaça inimiga. Pedaços se soltam e caem pelo túnel, expondo o interior do
veículo e causando pequenas explosões.
Não podendo mais
suportar os danos causados pelo Wénzi, o tanque perde a força e se desacelera.
Então, precedendo seu fim, uma enorme luz branca surge em seu interior e, em um
piscar de olhos, ocorre a devastadora explosão.
O som
ensurdecedor reverbera pelo túnel e a tenebrosa onda de fogo avança contra
eles. De tão poderosa, Yang pensa ser uma pequena detonação nuclear. Ativando a
velocidade máxima, Yang e o líder fogem desesperadamente do fogo e do calor.
O fogo se
aproxima. Wénzi sente o deslocamento abrupto de ar e treme, parecendo
desfazer-se no ar. A aeronave presidencial também treme, expelindo de suas
turbinas a velocidade máxima.
A onda de fogo
estava a metros de distância. Sem direção para se propagar, o único caminho era
através deles. O calor desgasta Yang, alertas e mais alertas são emitidos na
cabine. A luz vermelha e o som alto o irritam, mas não havia tempo para distração.
Milagrosamente, o
painel indicava o fim do túnel. Dos alto-falantes, Yang ouve o presidente
ordenar desesperadamente que as comportas de aço se abram. O operador no outro
lado parece ouvir as comportas se abrem lentamente. O piloto vê a tão esperada
luz do dia, agraciando-o como se ele tivesse chegado ao Paraíso.
As aeronaves
irrompem pela saída do túnel, como se tivessem sido paridas das entranhas da
Terra. Logo atrás a violenta explosão se expande pelo ar, liberando sua fúria
em uma enorme bola de fogo.
Yang se alivia.
Ele sobreviveu a explosão.
- Essa foi por
pouco... – sussurra ele.
Mas o alívio dura
pouco também.
Ao ar livre, ele
vê a cidade portuária de Tianjin sendo devastada pela invasão. Os enxames
bombardeavam os edifícios, reduzindo-os a escombros e poeira. Incêndios se
alastravam livremente. Aviões da Força Aérea cruzavam o céu, mas não podiam
resistir ao ágil inimigo. No Rio Haihe, a icônica roda gigante Tian Jin Zhi
Yan, ponto turístico da cidade desde sua inauguração em 2017, jazia tombada e
retorcida sobre a água.
Mensagens
chegavam ininterruptamente no comunicador; eram os inúmeros pedidos de socorro
do Exército, Aeronáutica e da Marinha. Abatido, Yang percebe. As forças de
defesa chinesas estavam esgotadas com a massiva invasão.
Avançando pela
cidade, eles chegam ao Porto de Tianjin. O porto era um local movimentado e
estratégico, essencial para a economia da China. Sua vastidão o impressiona; contêineres
e gruas estavam por toda parte.
Os enxames
sobrevoavam o porto, lançando suas bombas. Algumas gruas foram tombadas pelo
ataque, derrubando pilhas inteiras de contêineres. No solo, soldados e tanques do
exército tentam abatê-los, mas são facilmente vencidos. Yang presenciava um
banho de sangue.
No mar, o piloto
vê navios da Marinha atirando com seus canhões. Eles miram os ares, mas são lentos
demais. Mesmo as imensas metralhadoras montadas não são capazes de abater os
enxames do ar. Um a um, os navios são bombardeados na costa, alguns sendo
consumidos pelo fogo e outros naufragando na água.
O porto de
Tianjin estava completamente dominado pelo inimigo.
O líder da
extinta comitiva diz:
“Piloto Haisheng,
a cidade caiu! Temos que deixar Tianjin!
- Mas para onde
vamos? – pergunta Yang.
“Há um
porta-aviões ao norte. Deixarei o presidente lá. O Alto Comando saberá o que
fazer”.
Mudando de
direção, Yang segue pela rota no Mar Bohai. A aeronave presidencial voa baixo,
passando por vários navios tombados e em chamas. Yang segue logo atrás,
presenciando a luta de marinheiros feridos e náufragos agarrando-se a botes
salva-vidas para sobreviver.
Poucos
quilômetros à frente, o piloto avista o porta-aviões na costa de Tianjin. Aviões
decolam do colossal veículo enquanto que suas torretas atiram nos enxames.
Perto do porta-aviões, mísseis surgem do mar e se ascendem ao céu, voando
contra alvos na cidade; eram os submarinos da Marinha chinesa.
Yang se anima.
Ele estava prestes a cumprir sua missão, mas ainda havia uma cidade para
defender.
Então algo
acontece.
Sob o pôr-do-sol,
sons perturbadores surgem no céu. Yang se intriga, os sons se assemelhavam ao
sopro de trombetas. As nuvens reviravam-se sinistramente, arrastadas por algo
muito grande. Todos no mar, desde os combatentes até os náufragos na água,
param para ver aquilo.
E então o
mistério se revela. Aeronaves colossais pairam sobre a cidade, sobrevoando o
céu de Tianjin. Yang não consegue acreditar nos seus olhos. Pálido de horror, ele
avista uma frota de naves com altura de um prédio de cem andares, e comprimento
e largura de bairros de inteiros. Mas sua arquitetura era mais medonha. O
piloto vê naves pontudas, com diversas asas pontiagudas e luzes verdes ao longo
de sua extensa carcaça.
A maior das
aeronaves parecia ser a nave-mãe, mas todas eram tão grandes que Yang acha
difícil diferencia-las. Para seu espanto, aquelas naves eram maiores do que o
temível cruzador sobre Shangai.
Uma das imensas
naves emite um forte brilho de sua abertura inferior. Yang sabe o que isso
significa. De repente a nave atira, disparando um devastador raio laser com
diâmetro ainda maior do que o laser do vencido tanque. O brilho ofusca seus
olhos, fazendo-o se proteger. O raio apunhala o céu e atinge o porta-aviões
onde Yang ia pousar.
O laser rasga o
convés em dois, derretendo o aço com o calor de mil sóis. Em seguida o
porta-aviões entra em colapso e se rompe, combalindo-se em uma devastadora
explosão. Yang está boquiaberto.
Como em Shangai,
enxames e mais enxames de são liberados das terríveis naves. Seu número
excessivo sublevaria o minúsculo Shenzhou Wénzi; o piloto não poderia
combatê-los e proteger a aeronave presidencial ao mesmo tempo.
Os enxames
avistam o Wénzi e então arremetem contra ele. Não havia para onde fugir, o
Wénzi estava com o escudo baixo e precisava ser reabastecido. Ele certamente
seria destruído. Naquele momento, Yang enxerga somente o seu fim.
De repente uma
aeronave estranha passa por ele, assustando-o. Yang reconhece uma aeronave
anfíbia.
“Com licença,
Piloto Haisheng! Eu preciso passar!”.
Yang reconhece a
voz.
- Tenente-General
Junlong?! – espanta-se ele – Como chegou até aqui?!
“Cale a boca e me
escute!”, interrompe ele. “Pequim foi tomada e agora também Tianjin! Não há
mais local seguro neste país! A única opção é seguir para Tiangong!”.
O piloto se
confunde.
- Tiangong...?!
Mas ela fica no espaço! E eu não sei se o Wénzi consegue chegar em órbita!”.
“Temos uma missão
a cumprir, soldado! Precisamos tirar o presidente em segurança daqui!”.
Yang olha ao
redor. Abatendo aviões e bombardeando navios, os enxames se aproximam.
- E como
subiremos ao espaço com o inimigo nos perseguindo? Temos que combatê-los
primeiro!
“Não se preocupe.
Eu vou atrai-los para longe. Você e a aeronave presidencial sigam para
Tiangong. E não ouse voltar!”.
- Mas
Junlong...!
Antes que pudesse
responde-lo, o tenente-general muda de curso e ataca os enxames, atirando com
uma ineficiente metralhadora de helicóptero. Os enxames respondem à provocação,
mudando de rumo e perseguindo Junlong. Yang vê o tenente-general sozinho sobre o
mar e então decide ajuda-lo. Mas uma voz no comunicador diz:
“Piloto Haisheng!
Devemos concluir a missão!”.
Era o líder da
extinta comitiva.
- Eu não vou
deixa-lo para trás!
“Você recebeu ordens
diretas, soldado! Obedeça!”.
Então o piloto
hesita. A extração do presidente estava sob sua responsabilidade. Se o
presidente morresse, toda a unidade militar e política da China se
desfaleceria. Yang seria preso e certamente executado pela Corte Marcial. Seu
nome seria infame e ele mancharia a honra da sua família, incluindo seus
ancestrais. Yang, sendo um homem adulto, jamais deixaria isso acontecer.
- Sim, senhor. –
responde ele, a contragosto.
Yang move os
manches e o Wénzi começa a subir.
Um minuto depois,
ele ouve um grito no comunicador. Era Junlong.
Olhando para
baixo, ele vê a aeronave anfíbia ser rodeada de inimigos. Os enxames atiram
suas bombas e as asas da aeronave se despedaçam. Agora nada mais podia salvar
Junlong.
- Não! Eu tenho que voltar!
“Negativo,
soldado! Cumpra a missão!”.
Para sua
surpresa, era Junlong no comunicador.
- Mas, senhor...!
“Ora, você não
ouviu o que eu disse hoje pela manhã?”, pergunta ele. “As águas são os
formadores de dragões, mas antes eles devem sobreviver a raios caindo do céu”,
relembra ele. “Ora, o poderoso laser inimigo não pode ser considerado esse raio
do céu?”.
Yang não entende.
- Senhor, esta não
é uma boa hora para mitologia! O senhor deve fugir!
Uma explosão é
ouvida. A aeronave de Junlong se colapsava aos poucos.
“Aqui já tem a
água...”, diz ele, referindo-se ao mar. “E também já tem o raio...”, ele se
refere ao laser da nave-mãe. “E você ainda pensa que eu perderia a chance de me
tornar um dragão?”.
E então os
enxames desferem o ataque final. A aeronave anfíbia se explode no ar, voando
alguns metros em chamas até finalmente se colidir contra as águas abaixo.
Yang se desespera,
pranteando a perda de seu velho amigo.
“Piloto Haisheng!
Aqui é Li Fen! O que aconteceu com meu pai?”.
O piloto não
consegue responder.
“Yang,
responda-me!”.
O piloto se
afunda em silêncio.
“Responda-me!!”.
Mas nada seria
dito.
Com o luto
pesando em seu coração, apenas o silêncio o acompanhava naquele momento, como
um inaudível consolador.
Wénzi e a
aeronave presidencial apenas prosseguem em seu caminho, assim concluindo a sua
fuga da Terra.
