(Imagem do game Cyberpunk 2077)
As aeronaves da
Bushido bombardeiam os canhões antiaéreos pelo distrito. Drones americanos voam
pelo céu. O ribombar das bombas é constante; toda a Cúpula Corporativa tremia
com aquele confronto. Apesar de menos intensa, a batalha prosseguia.
Acordando
lentamente, um paladino olha ao redor e vê seus companheiros mortos pelo chão.
Todos eles foram asfixiados por envenenamento a gás. Ao se levantar, ele vê a
praça tomada por esparsas nuvens de gás preto. Em um delírio religioso, ele se
ajoelha e ora por sua alma, acreditando ter sido lançada no inferno. Então ele
ouve um gemido.
Arrastando-se
pelos corpos, ele encontra o carrinho tombado de John August. O paladino se
aproxima e encontra o profeta ferido, mas consciente. Apavorado, ele rasga suas
roupas e estanca o sangramento de seu líder.
- Vossa
Santidade, o senhor está bem?!
O profeta respira
fundo e tosse um pouco. Haviam manchas negras em sua pele pálida. Ele responde:
- Não se
preocupe. Eu não morro.
Vendo os
ferimentos em seu corpo, o paladino se intriga.
- Como?
Ele altivamente
conclui:
- Deus não
permite.
A obscura facção
de indigentes atravessou suas defesas e subiu pelo edifício. Em lamentos, John
August vê sua congregação derrotada e sem vida. Mas nem todos estavam mortos.
Outros paladinos
se levantam entre os cadáveres. O terrível veneno não os asfixiou totalmente,
alguns conseguiram resistir ao ataque. Vendo seu líder parado ali, os
sobreviventes correm ao seu socorro e se ajoelham. Beijando sua mão, eles
clamam:
- Salve-nos,
Santidade!
O profeta aceita
a reverência.
- Acalmem-se,
meus filhos. Primeiro vamos cuidar de nossos feridos, e então nos vingaremos
daqueles que se atentaram contra o Senhor nosso Deus.
Mas tal vingança
jamais aconteceria.
Ouvindo passos
entre a fumaça, os clérigos se alertam. A fumaça se dissipa e eles veem
centenas de facciosos sobre os montes de entulho. Em terror eles os reconhecem.
Era a Frente Ateísta.
Com semblante
sério, Dawkins encara o profeta John August. O profeta estava caído ali,
indefeso como um porco no matadouro. O clérigo se desespera; ele sabe o que os
ateístas querem: a total aniquilação de sua falsa religião.
Dawkins está
convicto. Ele jamais tolerará o veneno da fé. Para ele, a superstição é a
expressão máxima do retrocesso e da ignorância. O líder crê que a religião
aprisiona a sociedade com o medo. Como disse Darwin, “o homem, em sua
arrogância, pensa de si mesmo como uma grande obra, merecedora da intervenção
de uma divindade”. Mas para Dawkins, não existe uma divindade. E, logo, nem
mais os fideístas.
Apontando suas
armas, os ateístas abrem fogo. Com o mesmo medo do inferno que ele próprio
tentava imputar, John August exclama:
- Protejam-me!
Vocês serão recompensados no Paraíso!
Os clérigos mal
podiam se levantar, o veneno esgotara seus organismos. Antes mesmo de
revidarem, ele são atingidos pelo ataque ateísta. Os tiros atravessam seus
corpos, matando os poucos que sobraram da facção. As freiras empunham suas
armas mas, estando muito fracas, se desabam contaminadas pelo veneno.
John August
corre. Suas longas roupas o atrapalham e ele se cansa devido a sua idade
avançada. Apesar de suas limitações, ele luta para salvar a sua vida.
Alguns ateístas
zombam dele:
- Clame ao seu
deus! Peça-o para salva-lo!
Mas o profeta não
cita o seu deus nenhuma vez, nem mesmo para clama-lo. Vendo aquela cena,
Dawkins o despreza. Nem a “Vossa Santidade” se lembrava de seu deus. Talvez
aquela fosse a prova que ele estava esperando, de saber que o próprio John
August não acreditava na divindade que ele garantia existir.
Tropeçando, o
profeta cai no chão. Cansado, ele não aguenta mais caminhar. Ele ofega
constantemente, suor se escorria de seu rosto e ele tosse. Então os ateístas o
cercam.
Virando-se, ele
encontra o olhar de Dawkins entre os homens sem fé. John August suplica:
- Piedade...!
De maneira fria,
o ateísta responde:
- Meus homens
tiveram sua piedade ao serem assassinados por você?
Dawkins se
referia ao seu hospital explodido por Nathan.
- Você não
entende...! Eu estava fazendo a obra de Deus!
Irritando-se, o
ateísta pergunta:
- Por que o
senhor se agarra tanto a essa crença vazia?
O profeta
explica:
- A fé está
presente no coração humano... A fé é intrínseca a nossa natureza! Como disse
Voltaire, “se Deus não existisse, seria preciso inventa-lo”.
Dawkins sorri.
- Mas ele também
disse: “o interesse que tenho em acreditar em uma coisa não é a prova da
existência desta mesma coisa”.
Então o profeta
se desanima. Seus melhores argumentos não poderiam convencer os ímpios. O
ateísta se despede:
- Adeus, John
August. Se realmente teme ao seu deus, sugiro que comece a rezar.
O profeta
protesta:
- Você não pode
fazer isso! Você estará matando um santo!
- Em outras
épocas o senhor receberia sua morte com alegria, pois estaria se tornando um
mártir da fé.
Sentindo-se
desmascarado, o profeta o insulta:
- Ímpio! Sua alma
jamais terá salvação!
Dawkins sorri
novamente.
- Então nos vemos
no inferno.
O ateísta aperta
o gatilho e executa John August. A bala atravessa sua cabeça e ele cai sem
vida. Vendo o sangue se espalhar pelo piso, Dawkins reconhece: os Clérigos do
Recomeço estavam acabados.
Durante milênios
a religião dominou a raça humana. No futuro projetado por Dawkins, a única
crença racional será a Ciência.
Enquanto reflete
a respeito, ele vê um facção ao longe. Soldados e ciborgues sobre-humanos
marchavam pela praça. A facção comemorava sua vitória, exterminando a pouca
resistência que restava. Dawkins os reconhece, eram os Trans-humanistas.
Huxley parecia se
empolgar com a destruição. Parando o que está fazendo, ele encontra o olhar de
Dawkins ao longe. Olhando aos seus pés, ele reconhece o cadáver de John August.
Imediatamente ele se espanta, descobrindo que os clérigos acabaram de ser
eliminados.
Dawkins e Huxley
se encaram por alguns segundos. As duas facções se encontravam em um perigoso
impasse. Naquele instante, outra guerra podia facilmente começar. Entretanto,
os ateístas e os mecanicistas não tinham nenhuma rixa, as facções eram neutras
entre si. Diante desse fato, Dawkins se vira e vai embora. Huxley entende a
mensagem, virando-se também e se afastando. E assim eles evitam um confronto
entre os mecanicistas e os ateístas.
§
Nathan pensa na
fundação de Sonata. O passado foi suprimido; sua história, suas leis, suas
ideologias e religiões... Tudo se fez novo naquele macro experimento social. O
rapaz não consegue condenar seus fundadores, pois o conhecimento de seu passado
aflorou o extremismo entre a população. Os fanáticos pela história, como a 4 de
Julho e a Bushido, lutam entre si. Os fanáticos dos Clérigos do Recomeço
inventaram uma nova religião. Fanáticos pela ciência, como os Trans-humanistas,
a Resistência Purista e a Frente Ateísta promovem a ciência antiética e
irrestrita. Sem querer admitir, Nathan reconhece que as corporações agiram
corretamente ao censurarem o acesso à informação.
“Por décadas a
informação se tornou a raiz de todo extremismo em Sonata. Quanto mais
conhecimento as pessoas tinham, mais eles encontravam motivos para se
separarem”, reflete ele.
A história da
humanidade não é bonita; ela sempre foi escrita com sangue. Ensina-la é dar
mais páginas para que essa caneta nunca pare de escrever.
“É lamentável
que, nessa jaula de culturas tão heterogêneas, a história tenha de ser
suprimida”.
E então ele se
pergunta:
“E por falar em
história, onde está o General Washington?”.
§
Abrindo a
escotilha, George se arrasta para fora do tanque. Ele olha ao redor e vê os
poderosos tanques M1 Abrams envoltos no gás preto. Suas tropas não resistiram e
morreram sufocadas. George se consterna ao ver seus homens caídos com
semblantes de agonia sobre o chão.
Caminhando ao redor,
ele sente como se estivesse no Iraque em 1988, quando o governo de Saddam
Hussein usou armas químicas contra a população curda, ou em 2017 na Síria,
quando o governo de Bashar al-Assad lançou bombas de gás sarin e cloro no norte
de Damasco. Refletindo, o general percebe que, desde a Primeira Guerra Mundial,
os Estados Unidos sempre estiveram envolvidos em guerras com ataques de gases.
George ouve
ruídos. Caminhando ao redor, ele vê que alguns americanos sobreviveram, embora
estivessem fracos e infectados pelo gás. Ele se aproxima e vê horrendas manchas
negras em suas peles.
- General
Washington, o senhor está vivo!
O general está
fraco também. Sua pele estava pálida e ele se esforçava para se manter
acordado.
- Soldado, qual é
a situação?
- Senhor, as
tropas foram dizimadas! Apenas um punhado conseguiu sobreviver...
O general se
espanta. Suas tropas tinham mais de quatrocentos homens.
- E quanto a
Força Aérea?
- Perdi o contato
pelo rádio, senhor. Não sei o que lhes aconteceu. – mudando de assunto, o
soldado pergunta – Senhor, o que eram aquelas coisas?
George pondera.
Ele nunca viu os ciborgues da Subtopia antes.
- Eu não sei,
soldado, mas prepare as defesas caso elas retornem.
O soldado ri,
desprezando a esperança de que eles sobrevivam.
Minutos depois,
os americanos se reorganizam. O general nota como não havia quase ninguém vivo.
O remédio dos soldados não tinham efeito algum sobre o veneno. Prosseguindo,
eles recarregam suas armas e montam suas defesas, mas não havia muito a ser
feito. Desanimado, o general perde seu característico carisma.
Então algo
acontece.
Aeronaves os
sobrevoam, lançando bombas sobre os tanques. As explosões se aproximam e
fulminam os veículos. Os americanos se assustam e correm para se proteger.
Devido à falta de operadores, não havia ninguém nos veículos para montar a
defesa antiaérea.
O fogo e a fumaça
se levantam. A visão se distorce, mas George consegue ver. Guerreiros com
armaduras orientais e vestindo máscaras de demônios pairam à sua frente. Ele
pensa ser a Subtopia, mas sua aparência era impossível de se confundir.
Os guerreiros
vestiam armaduras vermelhas e portavam longas espadas. Um deles,
presumivelmente seu líder, vestia uma armadura preta e o encarava ferozmente.
Ele sabe quem são. Sussurrando lentamente, ele diz:
- Bushido...!
Os americanos
abrem fogo, mas a desvantagem numérica era enorme. Os samurais os cercam e os
atacam em um ataque coordenado. Os americanos são abatidos um a um. Para a
honrosa Bushido, combate-los em tal circunstância era quase uma covardia.
Uma granada cai
ao lado do general e ele corre para se proteger. Enquanto está escondido, ele
se espanta ao ver um americano tendo seu braço decepado por um golpe de espada.
Outro americano cai no chão e é impalado pela baioneta de um samurai. Em
horror, George testemunhava um banho de sangue.
A granada
finalmente se explode e fragmentos voam contra o seu rosto. Ofuscado, o general
limpa seus olhos e tenta se recompor. Então alguém exclama:
- General Washington!
A inconfundível
voz grossa lhe era familiar. Virando-se, ele contempla o temível samurai à sua
frente.
- Xogum
Tokugawa... – responde ele.
Sujo, ferido e se
arrastando pelo chão, o general sente vergonha de si mesmo. O xogum diz:
- Sim. Arraste-se
na sujeira como um verme! E assim entenderá o que o honorável espírito japonês
sentiu na rendição de 1945.
George ri.
- Ainda vivendo
no passado, Tokugawa? Insiste em viver na fantasia do Japão feudal?
- Não é fantasia,
é vingança! – brada ele, assustando a
todos – O império japonês deveria governar a Ásia por direito, mas teve seu pedido
negado pela Liga das Nações! As potências ocidentais nos trataram como cidadãos
de segunda classe, nos rebaixando a reles lacaios do Ocidente! – citando os
eventos passados, ele continua – Após a traição covarde de Roosevelt, nosso
país mergulhou em uma guerra custosa com a América, drenando totalmente os
nossos recursos! E para quê? Para termos nossa honra esmagada por duas bombas
atômicas, para perdermos nossos territórios continentais e sermos forçados a
uma rendição incondicional humilhante!
Resistindo aos
sintomas do gás, George responde:
- Vocês atacaram
Pearl Harbor! Vocês começaram a guerra!
Tokugawa insiste:
- E quem foi o
responsável pelo fim do xogunato, apontando os canhões para Tóquio e culminando
na Restauração Meiji?
O xogum se
referia à primeira visita do comandante americano Matthew Perry em 1853. Perry forçou
o fim do isolacionismo japonês e fomentou a abertura comercial com o resto do
mundo. Devido à intervenção americana, o Japão sofreu mudanças drásticas em sua
sociedade, modernizando seu exército, desenvolvendo sua indústria e acumulando
poderes em torno do imperador. Para Tokugawa, esse evento significou o fim do
xogunato e dos samurais.
Sem argumentos, o
general se silencia. Então o xogum diz:
- Fomos
subjugados, humilhados e domesticados como cães! – exclama ele – Toda a nossa
honra foi tomada. Nos tornamos uma nação de negociantes capitalistas! – ele se
lamenta –Éramos senhores e nos tornamos lacaios dos desonrados americanos!
Tokugawa
vociferava enquanto falava. Com seu grande carisma, o general responde:
- Fale o quanto
quiser, mas ao derrotarmos o seu precioso império nós livramos o mundo de uma
das ditaduras mais sanguinárias do século 20. Ou o senhor se esqueceu das atrocidades
cometidas na guerra?
O xogum responde:
- Fabricações
propagadas pela mídia anti-japonesa!
- Como as armas
químicas e biológicas desenvolvidas na Unidade 731?
- Aquela era uma
estação de tratamento de água! – nega ele.
- Veja só esse
gás, Tokugawa. Preto como a face da morte. Quem garante que, em sua composição,
não haja indícios daquilo que os japoneses desenvolveram na Manchúria,
tornando-os os coautores dos gases mais letais criados pelo Homem?
- Seus insultos
nos desonram, general. Mas não estou aqui para te esmagar como um inseto. Te
darei uma chance de morrer com honra. – apontando-lhe sua espada, ele diz –
Execute a si mesmo com o haraquiri.
George o ouve e
então gargalha.
- Quem o senhor
pensa que eu sou? Um bárbaro feudal?
Os samurais se
insultam. Contendo-os, Tokugawa diz:
- Pois bem. Não
imaginei que um verme como você teria honra. Ajoelhem-no!
Segurando-o pelos
braços, os samurais o colocam de joelhos. Prevendo o seu fim, George diz:
- Saboreie sua
vitória, Tokugawa! Mas saiba que o espírito americano viverá novamente!
O xogum o ignora.
Levantando sua espada, ele golpeia e decapita o general, encerrando a sua vida.
Um vento frio
sopra na praça. Olhando ao redor, o xogum vê os seus arqui-inimigos mortos. Ele
venceu, finalmente. Limpando o sangue da lâmina na junta de seu braço, os
samurais o saúdam, curvando-se.
A vingança estava
consumada. As bombas atômicas, a rendição incondicional, a ocupação de seu
país... Tudo acabou. Com os americanos mortos, o xogum podia realizar seu plano
de trazer o Japão de volta ao período anterior à Restauração Meiji. Embriagado
por seu saudosismo fanático, ele sorri.
§
Na Cúpula
Corporativa, Apex diz:
- Mestre Nathan,
acabo de receber a notícia de que os Clérigos do Recomeço e a 4 de Julho foram
destruídas.
O rapaz se
intriga.
- Destruídas...?!
- Os clérigos
foram exterminados pela Frente Ateísta e os americanos pela Bushido.
Nathan se
espanta, não conseguindo acreditar no que ouve.
Database ri
maliciosamente.
- Parece que sua
Rebelião está se desfalecendo, garoto.
Dirigindo-se à
cúpula, Copérnico diz:
- Está na hora de
acabar com esse jogo. Eu tenho bombas de gás espalhadas por toda a metrópole,
cada uma com capacidade para matar meio milhão de habitantes.
O diretor da Bio
Prótesis diz:
- Você está
blefando.
- Oh, eu não
estou. Para infiltrar e armar as bombas, eu tive ajuda de um certo associado de
Nathan. – e então ele olha para Database.
Nesse momento o
rapaz sente que o seu chefe era o verdadeiro traidor.
Copérnico
continua:
- No primeiro
dia, as bombas matarão cem mil pessoas. E então o gás se espalhará. Na primeira
semana, dez milhões estarão mortos. No primeiro mês, meio milhão. Em dois meses
Sonata se tornará um vasto cemitério!
O diretor da
Cellgenesis exclama:
- Isso é
genocídio!
- Não! – objeta
ele – Não é genocídio livrar o planeta da clonagem!
- Os clones são a
humanidade, agora!
Os humanos da
Subtopia riem.
Intervindo, o
diretor da Cybersys responde:
- Você não tem o
direito de eliminar o Protótipo #8! Se esqueceu que você também é um protótipo?
Então o rapaz se
confunde. Copérnico fazia aquilo por pura vingança mesquinha.
- Direito?! O
mesmo que eu não tive para me defender? Eu fui banido sem direito de defesa por
descobrir a verdade!
O diretor da
Hoverdrive exclama:
- Milhões vão
morrer!
- Bilhões de
humanos morreram para que os seus protótipos vivessem!
- Seus planos
nunca poderão se realizar sobre uma pilha de cadáveres!
Em tom ameaçador,
o líder responde:
- Eu direi quais
são os meus planos, mestres. Eu bombardearei a cidade com o meu gás. Eu aniquilarei
o Protótipo #8 da face da Terra. Eu devolverei a cidade à verdadeira humanidade
e tomarei Sonata por direito. Com o meu exército de humanos, a tecnologia das
corporações e os robôs de Deus Ex Machina, eu governarei o mundo para
sempre!
Ultrajados, os
diretores bradam:
- Louco!
Olhando para
Nathan, o líder pergunta:
- Junte-se a mim,
Inimigo de Estado. As corporações podem ter te enganado, mas este mundo é
nosso!
Horrorizado, o
rapaz pega o rifle de Apex e grita:
- Nunca!
Nathan abre fogo
e fuzila Copérnico com os lasers. Seguindo o exemplo de seu mestre, os robôs
atiram também, eliminando os facciosos da Subtopia.
Um breve
confronto se inicia. Os facciosos tentam revidar, mas seus dardos não surtem
efeito algum contra os robôs. Os quadrúpedes atacam, mas não são páreos para a eficiência
robótica da Design Inteligente.
No meio da
confusão, Database tenta fugir e é atingido por um dardo venenoso. O veneno se
espalha por seu corpo e suas veias ficam sinistramente pretas. Apavorado, ele olha
para o seu atirador e vê Copérnico no chão, sorrindo para ele.
Alguns facciosos
tentam fugir. O mercenário bloqueia a porta, dizendo:
- Essa festa
ainda não acabou.
Maynard abre fogo
e elimina a retaguarda da facção.
Após alguns
minutos, o último quadrúpede é abatido e o confronto se encerra.
Ofegante, o rapaz
olha para o salão e contempla o massacre que acaba de cometer. Com os facciosos
da Subtopia mortos, ele havia exterminado a humanidade para sempre.
- O que eu fiz? –
sussurra ele.
Algo chama a sua
atenção. Com manchas negras espalhadas pelo corpo, Nathan reconhece a Database.
Correndo em sua direção, ele se agacha e tenta desesperadamente reanima-lo.
Interrompendo-o, Maynard diz:
- Ele está morto.
O rapaz não
consegue acreditar no que fez.
Copérnico estava
lá também, com o corpo fumegante devido ao quentíssimo laser. Ao se aproximar,
Nathan percebe que nele não havia mais vida.
Maynard checa os
corpos dos facciosos. Tirando a máscara de um soldado, ele averigua sua pele
pálida. Então ele diz:
- Eles ainda
estão infectados pelo vírus, mas uma vacina o mantém incubado em seus
organismos, impedindo de acabar com suas vidas.
Nathan percebe
que Copérnico usava indigentes e moribundos em sua vingança, liderando-os em
sua jornada pelo reerguimento da raça humana. Ele se consterna.
Em tom
condescendente, o diretor da Electro Core diz:
- Ambos perderam;
apenas Nathan ganhou. Pitágoras e Copérnico foram tragados pelo desejo egoísta
de se vingarem das corporações. E ambos acabaram mortos. Meus parabéns, Nathan.
Se aqui houve algum vitorioso, esse alguém é você.
O rapaz se
entristece.
- E quem é esse
vitorioso se não um assassino?
O mercenário
responde:
- Nathan, o Inimigo de Estado.
Maynard o
honrava. Ao ouvir suas palavras, o rapaz se conforta.
Os robôs se
aproximam e Apex pergunta:
- Mestre Nathan,
o que faremos agora?
As corporações
estavam destruídas, a população estava insurreta e a polícia não mais
existia... Olhando ao redor, o rapaz não conseguia enxergar nenhum futuro
promissor. Ele finalmente responde:
- Eu não sei.
Os diretores
discutem entre si. Um minuto depois, eles dizem:
- Nathan, nós
temos uma proposta para você.