sábado, 21 de março de 2026

Shenzhou Wénzi - 17 - O Nascimento de Uma Estrela Morta


(Artista desconhecido)

Dias se passam. Yang é mantido em um recinto com sofá, mesa e televisão. Não era bem uma cela, mas uma confortável sala preparada para sua estadia.

Agentes da CIA[1] aparecem e o conduzem novamente para a sala de interrogatório. Desta vez havia uma televisão na parede. Os agentes então exibem imagens e vídeos do Shenzhou Wénzi em combate pelos céus de Shangai e Pequim. Em seguida ele vê o Wénzi sobrevoando o interior de Tiangong e, por fim, entre os prédios da capital marciana de Zhurong. Assim eles comprovam os relatos do piloto; Yang falava a verdade.

Jones o congratula por seu heroísmo. Ele diz:

- Você é um jovem muito corajoso, Tenente Haisheng. Meus parabéns.

Yang percebe que todos na sala assentem, congratulando-o em silêncio.  

- Eu agradeço o reconhecimento – começa ele –, mas eu preciso voltar ao combate.

 Os agentes da CIA lhe lançam um olhar sério. O almirante também muda de semblante, e então ele lhe explica a situação.

- Tenente Haisheng, você não é apenas um cidadão do governo mundial chinês, mas um próprio chinês. Você sabe da existência e da localização secreta de Belerofonte. Não podemos deixa-lo ir.

Yang protesta.

- Mas eu preciso ir! O planeta Terra precisa de mim!

Um agente da CIA olha para o almirante, meneia negativamente a cabeça e diz:

- Ele sabe demais.

Temendo, o piloto pensa:

“Vou ficar aqui para sempre?”.

- Eu perderei meus direitos e minha liberdade aqui?

- Não, exatamente. – nega o almirante – Você está livre para andar pela estação, se quiser. A sua estadia será paga pelo governo dos Estados Unidos. Quanto aos seus direitos, você terá todos eles garantidos pela lei de exílio.

- Exílio...?

- Considere um exílio compulsório. Se tentar fugir ou for pego fornecendo informação ao inimigo, você perderá todos os seus direitos e será tratado como um criminoso, sujeito às penas mais rígidas previstas na lei.

- Penas mais rígidas? Vocês vão me executar?

O almirante o corrige.

- Prisão perpétua. Em regime fechado.

- Vocês não podem fazer isso comigo! Há uma guerra acontecendo lá fora!

- Me desculpe, tenente. Foi o máximo que eu puder fazer.

E então os guardas entram e o levam de volta para a cela.

 

§

 

A notícia se espalha. Após uma semana cativo em Belerofonte, algo inusitado acontece. Yang é tratado como uma celebridade. Pessoas o abordam nas ruas e o cumprimentam, apertando-lhe a mão e tirando fotos.

O piloto aprecia o tratamento. Os americanos não são como ele pensava. Eles nunca o hostilizam tratando-o como inimigo. Ao contrário, eles são calorosos e alegres, o que o deixa muito acanhado.

Os americanos conversam e brincam, e alguns o convidam para beber. Ele vê famílias inteiras aproximando-se para conhece-lo, trazendo crianças de todas as idades. Os americanos tentam conversar em chinês, o que deixa a interação muito divertida.

Um homem diz:

- Não faça como em Taipei!

Yang entende a brincadeira. O homem se referia ao Tratado de Taipei, assinado entre a República Popular da China e os Estados Unidos da América em 2041. 

Naquele ano, a derrota americana finalmente fora assinada na capital da disputada ilha de Taiwan. Por quase cem anos a ilha esteve sob a proteção dos Estados Unidos. Anos antes, a China revolucionária intentava retoma-la para si, nunca reconhecendo-a como um Estado soberano.

Oficialmente a ilha de Taiwan também se chamava China, o que era inaceitável para o governo da China continental. “Só pode haver uma China!” diziam os representantes do governo. Entretanto, o nome foi mantido por motivos políticos. Após o fim da guerra civil, a ilha foi o destino de fuga dos nacionalistas liderados pelo General Chiang Kai-shek. Os revolucionários comunistas não quiseram atravessar o Estreito de Taiwan para, ultimamente, derrota-los, e por isso o nome foi mantido.

No final do século 20, os taiwaneses tentaram trocar o nome para República de Taiwan através de um plebiscito, mas o governo continental os impediram, ameaçando-os militarmente com sua poderosa marinha.

Mas o impasse finalmente se encerrou em 2040, com a derrota dos Estados Unidos, a perda da ilha para a China comunista e a humilhante assinatura do Tratado de Taipei.

E assim Yang passeava livremente pelas vias de Belerofonte, conhecendo mais um pouco do povo que ele foi ensinado a evitar.   

 

§

 

A preocupação o atormenta. Ele se pergunta onde estava o Wénzi e Li Fen. Os militares se recusavam a lhe passar qualquer informação, mas Jones prometera lhe informar se algo acontecesse.

Presumidamente, a frota do Alto Comando estava próxima do planeta rochoso de Mercúrio. Tiangong e Zhurong, por sua vez, deviam estar resistindo bravamente ao inimigo.

“Mas e quanto à Terra?”, pergunta-se Yang.

Ele se lamenta ao pensar que seu planeta já havia caído. O exército da China e as demais forças do mundo sucumbiam à agressão alienígena. A esta altura, os cidadãos do mundo padeciam com a escravidão ou, pior ainda, o extermínio.

O piloto se levanta, sacudindo sua cabeça e livrando sua mente desses pensamentos.

Yang ouve uma explosão lá fora. Em seguida o alarme no quartel-general soa. Assustado, ele abre a porta e vê soldados armados correndo de um lado ao outro pelos salões. Ele se intriga.

O almirante Jones está na sala de comunicações. Parando ao seu lado, os dois olham fixamente para o monitor na parede.

Avançando com toda força, uma frota inteira de cruzadores invade a zona de segurança de Belerofonte. Canhões e satélites espiões são destruídos. Esquadras são repelidas e abatidas. Então Yang nota algo; aqueles eram cruzadores diferentes. Na Terra, em Marte e em Tiangong os cruzadores eram enormes encouraçados longitudinais e pontiagudos. Em Belerofonte, eles eram altos e poligonais, como gigantescos prismas. O piloto se intimida.

Um cruzador mira seu poderoso canhão de energia e atira. A estação se estremece e eles veem o setor de Los Angeles ser pulverizado pelo espaço.

Unidades de combate são enviadas para defender Belerofonte. Elas disparam bombas e mísseis no assustador inimigo, mas mal podem causar danos em sua enorme fuselagem.

De repente escotilhas são abertas e os cruzadores liberam suas espaçonaves. Yang reconhece os infames enxames voando em espiral em direção à estação. As pessoas nas passarelas e vias virtuais assistem passivas os enxames se aproximarem, parecendo hipnotizadas por seu voo espiralado. O piloto se desespera.

- Diga-os para saírem de lá!

Mas o aviso veio tarde. Bombas de energia são lançadas e explosões tiram centenas de vidas instantaneamente. Em horror, Yang via se repetindo a tomada de Shangai.

O caos se espalha nas vias públicas. O quartel-general tenta manter a ordem, mas não havia tempo. Os monitores exibem imagens estarrecedoras de aeronaves tripuladas pousando sobre os prédios. Rupturas são feitas e tropas de assalto invadem a estação. Yang se surpreende; pela primeira vez ele via tropas alienígenas combatendo.

- Mas o que é isso...?! – intriga-se Jones.

As tropas vestiam armaduras marrom escura. Para a surpresa de Yang, os alienígenas tinham aparência humana, com corpo humanoide de dois braços e duas pernas. Suas faces, porém, estavam ocultas em seus capacetes.

Naves pousam próximas ao quartel-general. Fazendo brechas nas paredes, as tropas invadem os edifícios e trazem a guerra de volta para Yang.

Um tiroteio se forma. Desarmado e sozinho, o piloto se confunde. Desta vez ele não estava no Wénzi; agora ele não sabia o que fazer.

Os americanos lhe empurram um fuzil, obrigando-o a pegar, e então ordenam:

- Move! Move! Move![2]  

Levado pelo quartel-general, Yang se vê obrigado a lutar a pé pela primeira vez.

Há caos nas vias aéreas. Espaçonaves alienígenas se misturam com os hovercars, provocando acidentes ao redor. As brechas causadas pelos estragos provocam descompressão e pessoas são lançadas pelo espaço.

Enxames bombardeiam o hub da Times Square. Agora as forças inimigas estavam no coração da estação. Telões e letreiros são estilhaçados e destruídos. Naves adaga cruzam o ar, metralhando passarelas de civis. Naves americanas as perseguem, mas não são velozes o bastante para alcança-las. 

Bombas se explodem em toda parte. A Times Square fica escura, apavorando os civis. Ali eles experimentavam o terror psicológico da escuridão. Protegendo-se atrás de um balcão, Yang espia pela beirada e contempla o caótico ambiente; ele era iluminado pelos lasers dos fuzis humanos e alienígenas.

Lasers de cor vermelha, azul e verde cruzam o ar. Explosões amarelas formam clarões repentinos. Yang se sentia em um espetáculo pirotécnico de fogos de artifício de ano novo.

O almirante combate mais ao longe. Experiente e bem treinado, ele atira habilmente com seu fuzil. Muitos inimigos são alvejados por ele. Mas naquela escuridão, algo o atrapalhava. Devido ao seu uniforme branco, ele era um alvo fácil. Os inimigos pareciam se concentrar nele. 

Jones ordena que seus homens tomem posições defensivas e se protejam. Então algo acontece.

Um soldado inimigo se aproxima e o ataca. Jones estava distraído e é pego de surpresa. O inimigo o golpeia com a cauda de seu fuzil e o almirante cai. Prestes a ser atacado novamente, Jones se levanta e, com um golpe de artes marciais, derruba o soldado, desarmando-o também. Jones entra em luta corporal. Seu histórico de lutador profissional é novamente posto à prova. Os dois trocam socos e chutes, mas o almirante é um lutador experiente. O inimigo usa armadura e seus golpes são absorvidos no impacto, causando-lhe frustração. Assim Jones é obrigado a mudar de estratégia.

Agarrando o inimigo, o almirante o derruba. Subindo em seu peito, Jones o põe em completa submissão. Ele pega um pedaço de ferro e golpeia sua cabeça, ao ponto do inimigo se atordoar. E assim o almirante prevalece.

Sendo ele mesmo um homem forte, Jones agarra firmemente o capacete do inimigo e diz:

- Agora vamos ver do que vocês são feitos!

Ele finalmente arranca o capacete. Mas algo inesperado acontece. Ao contemplar a face do inimigo, seu corpo alienígena se dissolve. Então Jones se senta no chão, confuso.

Uma explosão é ouvida e então Yang aparece.

- Almirante! Temos que ir!

O piloto o ajuda a se levantar e ambos avançam pela estação.

Apesar de militar, Yang é inexperiente em combate a pé. Seu fuzil não era chinês e sim americano; ele se abaixa e atira, mas seus tiros erram o alvo constantemente. Ele tenta entender o armamento, distraindo-se. Então Jones o puxa para segurança.

Lutar ao lado do almirante era algo admirável. Jones atirava, se protegia e abatia vários inimigos. Yang seguia logo atrás, sempre protegido por ele.

A estação se estremece. Em seguida sirenes se acendem e um alerta ensurdecedor percorre todos os setores.

Um soldado americano se aproxima e diz:

- Senhor! Os reatores nucleares foram atingidos! Precisamos evacuar Belerofonte!

O almirante arregala os olhos.

- Evacuar?! Negativo, major!

Outro tremor é sentido. Recebendo uma mensagem no comunicador, o major informa:

- Senhor, o setor São Francisco foi gravemente danificado e está em gravidade zero!

Jones sabe o que aquilo significa. Os habitantes estão indefesos e logo estarão sem oxigênio devido às rupturas no casco.

Por fim ele responde:

- Minha família! Eu preciso evacuar minha família!

Ouvindo-o, o major se comunica no aparelho e então o informa:

- Senhor, sua família está no outro lado da Time Square. – e então ele aponta o caminho.

Yang vê uma passarela de pedestres conectando os dois lados do hub. A visão é desanimadora. Naves adaga atravessam o ar, metralhando os pedestres que correm de um lado ao outro tentando sobreviver. Acima, os cruzadores prismáticos pairavam no espaço, como sinistros monólitos da morte.

- Então o que estamos esperando? Vamos logo! – responde o corajoso almirante.

Yang e Jones iniciam a travessia. Um grupo de soldados vai logo atrás, protegendo-os. Mas sua proteção era de pouca importância. Carros em chamas avançam contra a passarela e se colidem, assustando-os. As adagas os sobrevoam e atiram, metralhando os pedestres. De repente um amarelo incomum ilumina suas cabeças e eles se intrigam. Olhando para cima, um cruzador carregava seu laser, preparando-se para atirar.

- Protejam-se!

O laser é disparado e atravessa o casco, rasgando os prédios e partindo a passarela em dois. Alguns soldados são queimados vivos, evaporando-se ao nível de partículas. O grupo se paralisa.

- O que estão fazendo?! Movam-se, homens! Movam-se!

Após a ordem, Yang sai de seu transe e volta a se mexer. Mas o casco estava rompido e logo a descompressão iria suga-los para fora. Eles precisavam se apressar.

Atravessando os escombros, eles entram em um edifício e fecham a porta de segurança, livrando-se de serem lançados no espaço.

A estação se estremecia. Em minutos ela ia se despedaçar por dentro, queimando a todos no fogo nuclear. Ficar e lutar já não era mais uma opção. Jones olha pela janela e vê sua querida Belerofonte sucumbir. Fechando os olhos, ele tem uma decisão difícil a fazer.

- Major, onde minha família está? – pergunta ele.

- Nos quarteirões residenciais, senhor. Não muito longe daqui.

- Entendido. Mudança de rumo, major. Nós vamos para o espaçoporto.

O major e os soldados se intrigam.

- Senhor?

- É isso mesmo, major. Há naves inimigas por toda parte e nossa força aérea não é capaz de detê-los. Mas conheço uma nave e um piloto que podem.

Então os soldados olham para Yang.

- Wénzi... – sussurra ele.

- Vá, Tenente Haisheng. Torne o espaço seguro para podermos fugir. – pede Jones.

Novamente Yang sente o peso da responsabilidade recair sobre os seus ombros, mas dessa vez ele não teme. Ele estava ansioso para voar.

O caminho para o espaçoporto estava tomado pelo inimigo. Jones e os soldados lutavam bravamente em formação militar rígida e disciplinada. Pessoas corriam de um lado ao outro, dificultando o combate. Mesmo Yang combate com bravura, desajeitado e desacostumado ao combate a pé.

O vácuo do espaço os ameaçava. O casco é rompido e portas de segurança são ativadas automaticamente, selando passagens inteiras. Acima, os enxames prosseguiam com sua tática brutal, atacando e destruindo prédios residenciais e espalhando o pânico. Naves do tipo adaga passavam rápidas como um raio, metralhando passarelas de civis. O perigo estava no solo e no espaço.

Eles finalmente chegam ao espaçoporto. Na pista, espaçonaves americanas eram atacadas e destruídas pelos enxames. Os americanos perdiam suas defesas a cada minuto. Ao longe, as barreiras Kinect mantinham a pista a salvo do vácuo, mas não podiam ser fechadas. Naves inimigas entravam e causavam danos, e os americanos as repeliam com seus canhões antiaéreos.  

Dirigindo-se a à entrada de um hangar, o grupo para em posição de defesa. Jones aciona um painel que faz a sua leitura facial. Yang reconhece que aquele hangar era protegido por segurança máxima e que apenas pessoas estritamente autorizadas podiam acessa-lo.

A porta se abre e o grupo entra. Alguns soldados são atingidos e caem, mas seus companheiros os arrastam para dentro. “Ninguém fica para trás”, lembra-se Yang do lema do Exército Americano.

Mantido em observação, Wénzi se encontrava rodeado de cabos e monitores. Engenheiros e cientistas tentavam decifra-lo, estudando-o e assimilando sua tecnologia. O almirante dá a ordem e os cabos são desconectados da espaçonave, liberando-o para uso.

A estação treme novamente. O tremor se reverbera e outro alarme é acionado. O major diz:

- Senhor, as paredes dos reatores nucleares foram rompidas! Se os reatores forem atacados, começará uma reação em cadeia e...

- Eu sei, major!

O almirante o interrompe. Ele sabe o que aquilo significa. Belerofonte estava condenada. Não havia mais nada que se podia fazer.

Olhando para Yang, ele diz:

- Yang! As naves de fuga estão sendo tripuladas neste momento! Preciso do espaço seguro! Você tem cinco minutos! Faça o seu melhor, tenente! Te daremos cobertura daqui!

O piloto arregala os olhos.

Subindo pela fuselagem, Yang liga a espaçonave e vê os painéis ligando pela primeira vez em um mês.

Enquanto a cabine se fecha, uma voz diz:

- Olá, Piloto Haisheng.

- Navcom! – exclama ele – Que bom ouvi-lo novamente!

Yang estava tão feliz que nem mesmo o corrige por falar formalmente de novo.

As portas do hangar estavam abertas. Os americanos acenam, pedindo-o para se apressar. Levantando o trem de pouso, Yang aciona os propulsores e o deixa rapidamente.   

Os enxames dominavam o espaçoporto. Apesar dos canhões antiaéreos, a quantidade excessiva dos inimigos os sobrecarregava. A batalha parecia ganha para os alienígenas, mas então algo acontece. Shenzhou Wénzi entra em combate.

Os soldados na pista de pouso ganham esperança. O caos de outrora é substituído por um aliado aéreo que se misturava ao inimigo e os abatia na mesma agilidade. Atônitos, eles viam aquela nave de aparência bizarra voando de um lado ao outro, leve como um balão de gás hélio e ágil como um mosquito.

Algo se explode na fuselagem do Wénzi. Navcom imediatamente acusa o dano.

- Escudos a 85%.

Yang se confunde. Ele não viu nenhuma bomba de energia vindo dos enxames. Olhando para baixo, ele vê um grupo de soldados alienígenas portando lançadores de foguetes em uma plataforma.    

O grupo se preparava para atirar de novo. O piloto estava vulnerável; ele não podia usar a metralhadora Vulcan ar-solo, os americanos seriam atingidos. Então os alienígenas são alvejados e caem abatidos. Yang se intriga.

O almirante Jones surge na plataforma, acompanhado por seus soldados. Olhando para Yang lá em cima, ele fuma seu charuto e acena com a cabeça. Sorrindo, o piloto acena de volta.

O espaçoporto é um local confinado, mas Yang não tem dificuldade em manobrar. Além da alta velocidade, o Propulsor Luciferino Hyperdrive lhe garantia manobrabilidade formidável, mesmo em espaços curtos.

Com a presença do Wénzi, os americanos evacuam o espaçoporto e se dirigem para defender o hub central da estação. Aproveitando a chance, Yang seleciona o laser Estrela da Manhã e aperta o gatilho. O que ocorre a seguir é um espetáculo mortal de luzes. O laser se ricocheteia várias vezes pelas paredes, destruindo os inimigos e tornando o espaçoporto uma caixa infernal de lasers azulados em todas as direções.

Navcom informa:

- Mensagem a caminho, senhor.

“Piloto Haisheng, pode me ouvir?”.

Yang responde:

- Sim, almirante Jones.

“Estamos indo para a ponte. Vá para o espaço exterior. As naves tripuladas já estão nas docas. Proteja-as!”.

- Sim, senhor!

Deixando o espaçoporto, Yang sobrevoa a colossal estação. Explosões ocorriam por toda parte e detritos se espalhavam pelo espaço. A visibilidade era prejudicada; lutar na gravidade zero seria árduo. As naves adaga percorriam a estação em todas as direções, cansando as naves americanas e dominando o combate. Ao longe, os enxames subiam e desciam dos outros setores, em seu voo espiralado e hipnótico.

Como em Zhurong, os cruzadores pairavam sobre Belerofonte, liberando enxames e disparando lasers. A estação naufragava no horror.

As docas estavam mais adiante. Grandes e lentas, as naves tripuladas portavam apenas civis. Canhões antiaéreos defendiam as docas, mas não eram suficientes para conter o ímpeto do inimigo. Alguns canhões são destruídos e as naves sofrem danos leves. Yang precisava se apressar.

Com seu poderoso arsenal, o piloto repele facilmente os enxames. As adagas tentam sobrepuja-lo, mas com o propulsor israelense eles são alcançados e abatidos. Ao seu lado a frota americana lutava bravamente, oferecendo-lhe suporte.

Os cruzadores se aproximam. Destruí-los seria perda de tempo e de recurso. Puxando os manches, Yang alcança o topo dos cruzadores e seleciona o canhão Yu Huang. O amarelado laser é disparado e atinge as escotilhas de suas docas. O que Yang pode fazer é apenas danificar as docas de saída, evitando a liberação dos enxames. 

O cruzador dispara seu laser. Yang assiste perplexo o laser causar uma ruptura no casco e o vácuo sugar pessoas ainda vivas para fora.

Yang não podia se distrair; as naves tripuladas ainda precisavam fugir.

Sobrevoando as docas, o piloto destrói o inimigo sem dificuldade. Mas os cruzadores que causavam destruição em outros setores se aproximam. Eles pareciam sentir que um inimigo contundente os ameaçava.

Aproximando-se da ponte, Yang vê o almirante e seus subordinados atrás de uma imensa janela.

- Almirante Jones, peça para os pilotos se apressarem! Eu não posso segura-los por muito tempo!

Ouvindo-o, o almirante olha para o major e pergunta:

- Major, minha família já está a bordo?

Informando-se no comunicador, o major responde:

- Afirmativo, senhor! Sua esposa e suas filhas já estão a bordo, senhor!

Enquanto conversam, algo acontece. Explosões nucleares são vistas ao longe. O clarão ofusca a vista de todos e os obrigam a se protegerem. O casco dos setores se rompe, formando uma reação em cadeia catastrófica.

- Devemos evacuar a estação, senhor!

- Não! – responde ele – Eu não vou a lugar algum.

Os soldados se espantam. Eles podem ver que lágrimas se formavam nos olhos do almirante.  

- Senhor...?

Jones está em silêncio. Contemplando a estação, ele vê sua vida e seu sonho sendo destruídos diante de seus olhos. Nada mais podia ser feito; Belerofonte estava condenada.

- Vocês podem partir se quiserem. Eu ficarei aqui.

Os soldados se entreolham.

- Negativo, senhor! Nós também vamos ficar!

- Isso é uma ordem!

Os soldados se mantém firmes.

- Nós não iremos deixa-lo, senhor!

Jones sorri.

“Ninguém fica para trás”, pensa ele.

As naves tripuladas levantam voo e se afastam lentamente. Graças a Yang, o espaço estava seguro para partirem.

Outra explosão é ouvida, balançando a ponte.

Do espaço, Yang vê o almirante parado e se intriga. As explosões estavam perto demais, já não havia mais tempo para fugir.           

Atrás do Wénzi, Jones vê as naves tripuladas ativando seus propulsores e se afastando rapidamente. Yang havia salvado sua família. Ele reconhece; graças a Yang, sua família estava bem. 

Então algo inacreditável acontece.

Vendo que sua família estava a salvo e que sua missão estava cumprida, o almirante presta continência a Yang. Os soldados se espantam. Aquilo era algo impensável de se fazer para um militar chinês. Mesmo o piloto se espanta.

Então, cheio de orgulho e lágrimas, Yang estufa o peito e bate continência também, correspondendo-o. Ambos sorriem.

Alguns segundos depois, o casco se rompe e uma explosão devastadora engole a todos na ponte, fazendo Jones e seus soldados desaparecem atrás de uma tenebrosa bola de fogo. O vidro da janela se estoura e fragmentos voam em direção ao espaço. Recebendo danos, o piloto é obrigado a se retirar.

E assim Yang permanece, impotente diante da explosão final que tirou a vida de seu breve amigo.

Evadindo os cruzadores, Yang ativa o Propulsor Luciferino e se afasta. Em seguida Belerofonte se explode logo atrás, em uma explosão nuclear tão imensa que é capaz de iluminar o espaço como o nascimento de uma nova estrela.

Mas, no caso de Belerofonte, uma estrela morta.

  

 


[1] “Central Intelligence Agency”, ou Agência Central de Inteligência em inglês.

[2][2] “Mova-se! Mova-se! Mova-se!” em inglês.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Shenzhou Wénzi - 16 - Almirante Jones

 


Escoltado pelos soldados, Yang avança pela imensa estação. Mas aquela era uma estação diferente. Tiangong era mais funcional, tinha poucos detalhes estéticos e funcionava como um entreposto humano entre a Terra e o espaço. Belerofonte era mais viva, pois nela pulsava em vida e energia.

Yang vê hubs que levavam a diferentes alas da estação. Em um interessante cruzamento, ele vê telões e propagandas semelhantes à Times Square. Naves civis trafegavam pelo cruzamento, sobrevoando em diferentes níveis como se fossem vias públicas. Mas diferentes das avenidas da Terra, com faixas de rolamento ao lado uma das outras, ali as faixas estavam acima e abaixo.

O tenente se distrai. Aquelas luzes brilhantes lhe fascinavam. Na China também haviam cidades pulsantes, mas em Belerofonte era diferente. Ali haviam fast-foods, marcas de roupas e grifes famosas, um comércio próspero que rivalizava com o de Tiangong. A estação era como um porta-aviões do século 21; uma verdadeira cidade flutuante com restaurantes, hospitais, alojamentos e centros de recreação para a tripulação. De fato, Yang se sentia em uma Nova Iorque adaptada e escondida no espaço.

- Andando!

Um soldado empurra suas costas, fazendo-o retomar a caminhada.

Eles chegam ao quartel-general da estação. Yang vê dezenas daqueles paramilitares armados pelo local, e todos saúdam o almirante prontamente. O almirante Jones aparenta ter muito respeito.

Yang é colocado em um elevador e todos sobem para os andares superiores. O almirante conduz o grupo por um requintado corredor, com longos tapetes e luminárias nas paredes. Ao abrir uma porta dupla, ele revela sua sala. Yang vê uma bela mesa e três confortáveis poltronas. Atrás da mesa há uma belíssima janela com uma vista panorâmica da estação. Mas o que mais lhe chama a atenção é a decoração; retratos, medalhas e troféus nas paredes. O almirante era um ex-lutador de MMA[1]. Em sua sala ele colecionava títulos e mais títulos de torneios e campeonatos. Aparentemente ele foi um excelente lutador, pois Yang vê muitos troféus de campeão.

“Realmente, é um homem muito forte”, pensa ele.

- Sente-se. – pede o almirante.

Ao sentar-se, o piloto se intriga. Ele esperava ser levado a uma sala de interrogatório, e não à sala pessoal do almirante.

Pegando um copo de uísque, o almirante lhe serve e lhe oferece um charuto. Jones pega um isqueiro e, ao abri-lo, imediatamente a chama se forma.

Com a boca soltando fumaça, o almirante diz:

- Fique à vontade.

Yang acha isso muito difícil, pois aqueles soldados ainda estavam atrás dele, portando seus fuzis e prontos para alveja-lo sem aviso.

- Perdoe meus maneirismos. Prefiro tratar bem os meus hóspedes.

- Hóspedes? – intriga-se Yang – Acredito que eu seja um prisioneiro.

Tirando o charuto de sua boca, ele responde com olhar sério.

- Estamos em guerra, tenente. Nossa derrota é passageira, não permanente.

Yang não entende.

- Do que está falando?

Virando-se, ele olha junta as mãos atrás das costas e olha pela janela.

- Meu avô estava lá quando aconteceu. Ele era da Marinha, mas estava em Washington quando começou. O canhão chinês Yu Huang Shang-ti, ou o Imperador de Jade para os ocidentais, dizimou nossa capital. O laser desceu como um raio do céu e torrou a cidade. O calor intenso provocou a explosão dos tanques de combustível dos carros e da tubulação de gás propano nos edifícios. Meu avô viu pessoas sendo queimadas vivas, derretidas até os ossos, fulminadas pelo laser mortífero.

Yang arregala os olhos.

- Isso é horrível...

- Washington pegou fogo. Carros, árvores, pessoas... Mesmo a Casa Branca ardeu em chamas. O calor foi tanto que estourou o vidro das janelas, alguns até derreteram. Nunca se viu uma devastação tão trágica assim nos Estados Unidos. Todos acreditaram ser um ataque nuclear.

O almirante bebe um gole de seu uísque e depois fuma seu charuto.

- A imponente frota americana, com sua poderosa esquadra e seus porta-aviões, também foram queimados pelo laser repentino. O ataque viera do espaço, então não pudemos nos defender; a China havia violado o tratado internacional de não utilizar o espaço para fins militares.

Fumando mais um pouco, ele continua:

- Nosso submarinos nucleares foram detectados pela inovadora tecnologia subaquática e espacial chinesa. A China monitorava tanto a terra, quanto o espaço e o fundo do mar com seus sonares, radares e satélites. Suas bases se encontravam nas ilhas artificiais construídas no Mar do Sul da China. – afirma ele e em seguida ele lamenta – Não devíamos tê-los deixado ocupar o mar próximo das Filipinas.

Yang sabe do que ele está falando. No começo, era apenas ilhas artificiais, mas depois a China havia construído um verdadeiro arquipélago militar marítimo.

- Graças a essa tecnologia, os ataques de submarino foram previamente detectados, assim minimizando os estragos em solo chinês.

Algum tempo se passa e um silêncio pesado paira na sala. O almirante ainda está de costas, olhando pela janela. De repente ele esmurra o vidro e conclui:

- Aquilo foi um ataque traiçoeiro e covarde, como um segundo Pearl Harbor!

O piloto se sente ofendido.

- Almirante, eu não tenho os detalhes históricos, mas ambos os países estavam em guerra nos séculos passados, primeiro econômica e depois militarmente. Venceu quem teve a maior vantagem.                   

Jones sorri em desprezo.

- Mas a que custo, tenente Haisheng? Nossos mísseis contra-atacaram cidades chinesas, mas mísseis chineses, russos, iranianos, norte-coreanos e de todos os outros inimigos da América nos atacaram de volta. Meu país foi varrido do mapa, e o que sobrou foi um solo calcinado de cinzas, ocupado por forças estrangeiras. A China se reconstruiu com a vitória, mas meu país jamais pôde ser reconstruído. Pelo menos... – e então ele hesita – não no planeta Terra.

O piloto reconhece.

“Belerofonte...”, pensa ele.

- Após a derrota, os Estados Unidos construíram uma estação à sombra do imperialismo chinês. E hoje o que você vê... – diz ele, indicando a estação atrás de si – é o orgulho americano que jamais morreu com a rendição.

Sentando-se, o almirante põe o charuto no cinzeiro e diz:

- Mas vamos deixar o passado de lado e tratar do presente. – cruzando os dedos, ele pergunta – E então, tenente? O que realmente te aconteceu?

Yang respira fundo e abaixa a cabeça. Cativo em uma estação espacial de uma nação inimiga, ele não vê outra opção senão cooperar.

O piloto relata o que aconteceu desde a invasão da Terra até sua fuga de Zhurong. Ele comenta que desde então as Forças Armadas chinesas vêm sofrendo apenas derrotas. A Terra estava exposta e o inimigo atacava na terra, no céu e até no fundo do mar. A tecnologia alienígena liberava unidades capazes de se adaptar a todos os ambientes, subjugando as exaustas forças de defesa. Em tom obscuro, Yang afirma que o destino do mundo e o futuro da raça humana estavam por um fio.

O almirante escuta tudo com atenção e não ousa interrompe-lo em nenhum momento. Quando o piloto conclui seu relato, Jones fica apenas pensativo, sem responde-lo.

Um minuto se passa. De repente o almirante quebra o silêncio e diz:

- Vamos, tenente. Vamos caminhar um pouco.

Dez minutos depois, Yang e Jones caminham pela estação. Para a surpresa do piloto, eles parecem caminhar como dois conhecidos, ou como o almirante parece dizer, dois amigos pegos em lados opostos da guerra tentando entender um ao outro.

Eles conversavam normalmente. Apesar do sotaque, o almirante entende e fala bem o chinês. Yang, por sua vez, tenta pronunciar algumas palavras em inglês também, o que deixa a conversa bastante descontraída. Em dado momento, Yang vê pessoas de aparência asiática na estação. Ao entrar em uma rua, ele vê portais taoístas, lanternas nos postes e letreiros em chinês. Ele se espanta.

- Sim, também existe uma Chinatown em Belerofonte. – comenta o almirante ao ver seu espanto – Ela é composta por asiáticos de várias nacionalidades, mas em sua maioria chineses.

- Eu não entendo. Apesar da China ter vencido a guerra e ter instaurado um governo mundial, ainda há chineses leais aos Estados Unidos?

- Sino-americanos. – corrige Jones – Sua descendência é chinesa, mas são legítimos cidadãos americanos aqui.

- Eles não foram postos em vigilância, assim como o foram os japoneses durante a Segunda Guerra Mundial?

- Não. Estes chineses são naturais americanos há gerações. A imigração chinesa começou no século 19, focada no trabalho manual no oeste americano. Os trabalhadores foram trazidos para trabalhar na construção de ferrovias e minas. Mais tarde, houve uma segunda onda de imigração, mas os imigrantes vinham de centros urbanos e falavam mandarim, diferente da primeira onda em que a maioria falava cantonês.

Yang assente. Apesar de ser no mesmo país, ele não falava cantonês.  

- No começo do século 21, estimava-se que haviam mais de 4 milhões de descendentes vivendo nos Estados Unidos. Dos que imigraram, 56% pediu naturalização. Os demais atravessavam a fronteira e permaneciam ilegais.

Interessando-se, o piloto pergunta:

- Por que a imigração foi tão massiva?

- As motivações variam. Estabilidade econômica, educação, liberdade para os negócios e, para alguns, asilo político devido as repressões políticas na China.

Yang se incomoda.

- A China é uma nação poderosa e próspera. Acredito que muitos desses imigrantes foram iludidos pela tal liberdade na América.

- A liberdade é um dos pilares inabaláveis da América. – afirma ele – “A terra dos livres”. A cultura greco-romana influenciou fundamentalmente o Ocidente. Seus ideais como República, democracia, liberdade, direito e ética ainda compõem o orgulho americano até hoje.      

Enquanto conversam, Yang ouve vozes e três mulheres se aproximam correndo. Ele vê uma mulher loira e suas duas filhas adolescentes parecidas com o pai; era a família do almirante. As filhas usavam roupas esportivas e o piloto reconhece uniformes de vôlei.     

Jones fica alguns minutos conversando com sua família. Yang os observa logo atrás. O piloto também tinha família, mas os deixou cedo para ingressar na Força Aérea. O Tenente General Junlong foi sua família por um tempo, assim como sua ambiciosa filha. Lin Fei sempre foi indiferente e até hostil a Yang, mas Junlong lhe foi uma figura paterna que o conduziu por sua juventude e sua carreira militar. Tragicamente o general se sacrificou para que ele e o Alto Comando pudessem fugir de Pequim, mas seu sacrifício foi heroico e hoje Yang luta para que não tenha sido em vão.    

A esposa e as filhas do almirante vão embora. Ele então comenta:

- Como dever ter visto, no passado eu fui um lutador de MMA. Eu me ingressei, competi e ganhei vários campeonatos. Ganhei medalhas, troféus e cinturões. Muitas vezes eu defendi meu título, vencendo meus oponentes inclusive em revanches. Eu era imbatível, ninguém conseguia tomar o cinturão de mim. Desta forma, eu me tornei uma celebridade em meu país. – orgulha-se ele – Minhas filhas gostam de esportes por minha causa. Elas jogam vôlei e gostam muito. Apesar de toda essa guerra, eu, como pai e almirante desta estação, me esforço para que elas tenham um vida normal e digna como eu tive.

Yang assente em concordância.

O piloto não tem esposa e nem filhos, mas percebe que, além de forte, o almirante era um homem muito dedicado e amoroso quanto as suas filhas.

 

§

 

Uma hora depois, Yang está de volta no quartel-general de Belerofonte. A escolta o conduz para a sala de interrogatório e ele permanece sozinho. Na sala há um espelho falso e ele sabe que há pessoas no outro lado registrando tudo o que está acontecendo.

Alguns minutos depois, Jones entra e permanece em silêncio em um canto. Dois homens e uma mulher entram. Yang nota que eles vestem paletós e crachás com a sigla FBI[2]; eram os investigadores ou detetives, como eram chamados nos Estados Unidos.  

O interrogatório começa e Yang novamente relata o que aconteceu desde Zhurong. Ao terminar, os detetives lhe lançam olhares desconfiados; o piloto omitia o destino do Alto Comando por questões de segurança pessoal e política.

O interrogatório prosseguia de maneira redundante. Yang se recusa a dar detalhes, omitindo e se silenciando em alguns momentos. Então Jones dá um passo à frente e, encarando-o, pergunta:

- O que aconteceu com o presidente e a cúpula do governo mundial chinês?

Sorrindo, o piloto responde de maneira perspicaz:

- Almirante, nós somos soldados. O senhor sabe que eu não posso falar.    

Então todos assentem em silêncio.

Dando a ordem, Jones chama sua escolta e Yang é levado pelo quartel-general, onde permanece sob custódia por mais alguns dias.

 

 



[1] “Mixed Martial Arts”, ou Artes Marciais Mistas em português.

[2] “Federal Bureau of Investigation”, ou Departamento Federal de Investigação em português.  

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