Precisando se
descontrair e se esquecer do rumo ilógico que tomou sua vida, Gunther procura
por um bar em Berlim Oriental. Ele esteve andando sem rumo pela cidade desde o
dia anterior e, lembrando-se dos alegres bares alemães, decide visitar um e
tentar conversar um pouco. No outro lado da rua, ele avista uma porta com um
modesto letreiro na fachada, era um pequeno bar no distrito de Prenzlauer Berg.
Adentrando-o, ele
vê o balcão com suas banquetas circundando-o. Atrás do balcão há uma estante de
vidro com várias garrafas de bebidas alcoólicas, a maioria de marcas que ele
nunca ouviu falar. Há mais mesas ao lado da parede, todas com a luminária bem
próxima dos clientes. Os frequentadores estão espalhados pelo local, bebendo e
fumando tranquilamente sem se importarem com a chegada do novo visitante.
Caminhando até o
balcão, ele se senta em uma banqueta e pede por uma cerveja.
- Ein Bier, bitte![1]
O balconista, que
também era o dono do bar, estava parado, de braços cruzados, assistindo à
televisão no alto da parede. Ao vê-lo, Gunther observa seu volumoso bigode
loiro e seus lisos cabelos caindo próximo aos olhos. Pegando um guardanapo em
seu ombro, ele limpa um copo, se dirige a uma torneira e o enche com a
espumante cerveja. Trazendo-a ao rapaz, ele bebe um gole e imediatamente
reconhece o adorável sabor. Ele bebia a Radeberger Pilsner, a famosa cerveja
criada na Saxônia.
“E eu pensando
que ia me esquecer de Anneliese por um instante, e aqui estou eu bebendo uma
cerveja criada na terra dela...”, ironiza-se ele, um pouco jocoso consigo
mesmo.
Atrás dele, os
fregueses bebem e conversam em voz alta, já embriagados pelo efeito do álcool.
Gunther nota como seus rostos avermelhados riem alegremente, exibindo seus
dentes amarelados por anos de tabagismo. “Se parecem com os cervejeiros bávaros
do sul. Não é à toa que os americanos jamais tirarão esse estereótipo ridículo
de que todos os alemães são assim”.
Ouvindo a
conversa, já que era impossível não ouvi-la devido à voz alta, ele fica sabendo
que muitos ali pertenciam à diversas organizações, como clubes de artesãos,
jogadores de xadrez e até de futebol de botão. Realmente era notável a cultura
organizacional alemã.
Meia hora se
passa e o bar fica mais cheio. As pessoas entram e não encontram lugar para se
sentarem, ficando em pé ao lado e atrás de Gunther. Então um freguês entra e,
ao ver um homem sentado ao seu lado, o cumprimenta dizendo:
- Ei, Wolfgang!
Como vai você?
O tal Wolfgang
olha para o lado e se vira. Sua aparência era de um homem mais velho, de longos
cabelos castanhos e bigodes. O rapaz também nota como havia uma discreta
calvície sob os cabelos.
- Boa tarde,
Klaus. Eu vou bem, e você?
Klaus era um
homem alto, loiro e de olhos azuis. Seus cabelos lisos caíam na lateral de seus
olhos, semelhante ao dono do bar.
- Não esperava
encontra-lo aqui. Está de folga no trabalho?
- Na verdade não.
Eu me aposentei há alguns dias.
O homem se
felicita.
- Ora, mas isso é
ótimo! Meus parabéns!
Ele lhe aperta a
mão.
- Obrigado,
Klaus. – virando-se rapidamente para o balcão, ele lhe pergunta – Desculpe meus
maus modos. Você quer uma cerveja?
- Quero sim, mas
hoje eu pago, para comemorar sua aposentadoria.
Os dois começam a
beber. Passados alguns minutos, Gunther nota como o homem alto, Klaus, é mais
alegre e conversador. O mais velho, Wolfgang, por sua vez, é mais reativo e
sorri discretamente. O efeito do álcool fica notável aos poucos, pois ambos
começam a discursar e filosofar sobre os detalhes da vida.
- “La buona
fortuna!”, como diria Machiavel. O que é a fortuna, da qual nós, aqui na
Alemanha, chamamos de Glück[2]?
É sorte receber o que é de obrigação do Estado dar de volta a você?
- Do que está
falando, velho amigo?
- Me refiro ao
sofrimento de esperar que nos deem o que é nosso por direito. Do jeito que
nossa economia é gerida, uns recebem, mas outros podem não ter a mesma sorte.
Sem querer, o
rapaz vai se interessando pela conversa dos dois amigos.
- Você quer mais
uma, meu jovem?
Gunther se
assusta. Olhando para o balcão, o balconista está parado diante dele. Apontando
para o seu copo, ele se referia à cerveja. Um pouco confuso, o rapaz assente e
ele lhe traz mais. Arrumando seus cabelos, Gunther se debruça e volta a beber
mais um pouco.
Os dois amigos
continuam:
- Não sei se
concordo. Temos casa, emprego e, apesar de pouco, alimento em nossas mesas. Se
eu tivesse que medir pela qualidade de vida, não criticaria nossa Wirtschaft[3].
- Não se trata
apenas de economia, mas da vida em si. Lebensqualität[4] você diz, mas você pode me dizer qual é o sentido da vida?
- Posso, é claro!
Empenhar-se na Revolução! Como diria Karl Marx, “as revoluções são a locomotiva
da história”.
Wolfgang sorri.
- Não estou me
referindo à vida sob a ótica marxista, mas a algo mais pessoal e profundo. Por
exemplo, o que é sobreviver?
Ao ouvir a
pergunta, Klaus interrompe o gole de sua cerveja e parece se desanimar, embora
bem-humoradamente.
- E lá vamos nós
para mais uma dose de filosofia prussiana e pessimista. – percebendo como
Gunther prestava atenção em sua conversa, o homem alto diz – Ei, meu jovem,
veja meu amigo Wolfgang. Ele trabalhou trinta anos como ferramenteiro em uma
grande indústria metalúrgica estatal. Apenas há alguns instantes eu fiquei
sabendo que ele se aposentou, uma grande sorte já que a escassa mão de obra
extingue nossa minguada economia. Ainda assim há algo que perturba seu velho
coração alemão. – voltando-se para seu amigo, Klaus lhe pergunta – Pois nos
diga, herr Wolfgang. O que é
sobreviver?
Enxugando seu
bigode, o velho responde:
- Sobreviver é
viver em função do fantasma da fome.
Franzindo a
testa, Klaus pergunta:
- O fantasma da
fome...?
- Sim. É viver
sob a ameaça dela. Ou melhor ainda, é controlar e reduzir sua constante presença.
É manter-se vivo!
Então ele bebe um
longo gole de sua cerveja. Em seguida ele discursa.
“Vejam essa
condição de vida. Vivemos em função da ameaça da fome. A Revolução girou em
torno dela, quando prometeram expropriar os bens da burguesia e distribuir o
pão para todos. E para afastarmos a fome, o que fazemos? Nos submetemos a
humilhações, moléstias e degradações, assim conquistando nosso alimento e
sobrevivendo mais um dia. E eu vou dizer do que se trata essa degradação
física, mental e emocional de que eu estou falando: o trabalho. Trabalhar é a
forma mais conveniente que o explorador encontra de explorar o necessitado.
Para que trabalhamos se não para não morrermos de fome? Os ocidentais, em sua
sociedade egoísta e capitalista, o romantizam, simbolizando o trabalho como uma
forma de ascensão social, carreira bem-sucedida e enriquecimento financeiro.
Nós, porém, do leste, não temos essas máscaras do ocidente. Aqui nós
trabalhamos, única e exclusivamente, pelo nosso próprio pão”.
- Está dizendo
que, em nosso sistema tão baseado na foice da agricultura, e no martelo da
indústria, você não gosta de trabalhar?
- E por acaso o
trabalho é um prazer? – retruca Wolfgang – Ora, não me faça esse olhar. Você me
acha um vagabundo, não é? Se esqueceu de que eu tenho trinta anos de profissão
na indústria? Não, meu amigo, eu não sou um vagabundo, mas tampouco gosto de
trabalhar. Não foi o próprio Karl Marx que disse: “O trabalhador só se sente à
vontade no seu tempo de folga, porque o seu trabalho não é voluntário, é
imposto, é forçado?”.
“Marx, o pai da
ideologia comunista, esteve atento às necessidades do povo, pois este estava
explorado, oprimido e assombrando pela ameaça da fome. E a burguesia estava
ciente disso, aproveitando-se e mantendo essa situação. ‘O trabalho não é a
satisfação de uma necessidade, mas apenas um meio para satisfazer outras
necessidades’, também disse Marx. A burguesia, junto de seu aparato industrial
capitalista, explorava o trabalhador, aprisionando-o pelo estômago. E
continuaria assim se não fosse por Lênin, o pai da Revolução, nos livrando dos
grilhões dos quais os burgueses nos prendiam. Mas, lições de história à parte,
a fome sempre esteve por trás da sobrevivência do homem, pois na miséria
cometemos os atos mais terríveis”.
Klaus, não tão
alegre quanto antes, parece discordar de seu amigo.
- De fato, a
Revolução teve por objetivo destruir a velha ordem autocrática e conservadora
do czarismo, mas não creio que ela possa ser reduzida a uma visão simplista
baseada ultimamente na fome. Do jeito que fala, me parece que está insinuando
que a heroica causa comunista se aproveitou cinicamente da miséria operária
para destituir o governo e conquistar o poder.
- E como estava a
classe operária nos tempos do czarismo? Se estivessem bem alimentados, nem com
seus melhores discursos Lênin os convenceria a segui-lo. Ou mesmo aqui, na
famigerada Alemanha. Como estava a classe operária na República de Weimar?
Hitler conseguiria arregimentar tantos seguidores se houvesse fartura de bens antes
do nazismo?
“A fome é a arma
do explorador e a prisão do explorado. Ou pior ainda, é uma ferramenta na mão
dos mal intencionados. Todos a temem, e quem não a teme a usa para fazê-lo
temer. Eis a raiz do totalitarismo. A promessa da fartura é mantida pelo
ditador, enquanto o povo famélico morre aos milhões. A fome deve ser combatida
em um ciclo de produção incessante, onde os produtores alimentam a si mesmos e
aqueles não produzem. Ironicamente, quem não produz tem mais fartura em suas
mesas, e eu me refiro aos nobres, clérigos, burocratas e burgueses. De fato,
essa foi a razão por trás da Revolução Francesa. Para que o mundo sobreviva, a
ameaça da fome deve ser controlada e reduzida, mas para isso os poderosos devem
forçar, através do estômago, a maioria pobre e ignorante a trabalhar”.
Enxugando sua
testa, Klaus argumenta sacudindo o copo de cerveja em sua mão:
- O trabalho
dignifica o Homem, mesmo os parasitas do ocidente perceberam isso. Não é apenas
uma questão de eliminar a fome, mas de contribuir para a evolução e sobrevivência
da sociedade. Você não concorda, jovem rapaz?
Klaus olha para
Gunther, praticamente convidando-o para a conversa. O rapaz disfarça,
assentindo com a cabeça e bebendo mais um gole de sua cerveja, assim evitando
falar.
- Então voltamos
à nossa questão inicial, meu amigo. – responde Wolfgang – “O que é sobreviver?”
eu perguntei. Não é se não a necessidade permanente de trabalhar, já que não
existe a eliminação permanente da fome?
Com a pergunta, o
alto homem parece entender.
“Os ocidentais
romantizaram o trabalho, promovendo a meritocracia como uma forma de
enriquecimento pessoal. Nós, os comunistas, também o romantizamos, promovendo a
ideia de expropriação dos ricos e a distribuição de sua riqueza a todos. O
nazismo não fez diferente, subjugando e escravizando as raças inferiores em
favorecimento da raça ariana. Trabalhe para si mesmo, para o Estado ou para a
raça. De qualquer forma, alguém tem de trabalhar para alimentar seus senhores,
e nós somos aqueles que, através do trabalho forçado, alimentamos.
Klaus sorri.
- Trabalho forçado?
Acho que no ocidente eles não são forçados a trabalhar.
- Você não me
entendeu. A condição da vida em si nos força a trabalhar, se não morreremos de
fome. A própria Bíblia atesta isso. “No suor do teu rosto comerás o pão, até
que te tornes à terra, porque dela foste tomado, porquanto és pó e em pó te
tornarás”[5].
Onde há fome não há vida.
Wolfgang olha
para Gunther, também convidando-o à conversa. O rapaz, porém, novamente assente
e bebe mais um pouco de cerveja.
- Mas há
recompensa para alguém que se esforça e trabalha. Como o minerador soviético
Alexey Stakhanov, condecorado com a Ordem de Lênin e a Ordem da Bandeira
Vermelha do Trabalho na União Soviética.
- Pura
propaganda. – discorda Wolfgang, balançando a cabeça – O Estado quer que você se
mate trabalhando com um único propósito: o de sustenta-lo. E nada mais.
“O Estado ilude
você, fazendo-o trabalhar para não morrer de fome quando na verdade você
trabalha para que o regime não morra da mesma maneira. Como pode um regime que
promete a fartura matar de fome seu próprio povo aos milhões? A Rússia
leninista viveu isso, a stalinista também, mas nós, os alemães orientais,
tivemos sorte de nascermos anos mais tarde. Trabalhamos a vida inteira para
sustentar os iluminados ideólogos do partido em sua sagrada cruzada contra o
sistema financeiro internacional e os banqueiros. E para quê? Para ganharmos
uma semana de férias em um resort de trabalhadores na Romênia? Eu que não quero
me matar só para nadar em uma bela piscina de um belo hotel no bloco soviético.
Trabalhamos incessantemente para o regime, mas a revolução mundial não
aconteceu. A Komintern[6] fracassou na libertação dos trabalhadores. E agora do que se trata a produção
de bens? Na farta alimentação do proletariado? Não, mas na indústria bélica
para a defesa e sobrevivência do próprio regime. Estamos desnutridos e fracos,
mas armados até os dentes”.
Desta vez é
Gunther quem passa a entender o velho. Mas antes que eles olhem para ele,
novamente ele bebe um gole de cerveja.
Um pouco zonzo,
Klaus responde:
- Apesar de sua
visão pessimista de tudo, eu ainda acredito que, com um pouco de esforço e
trabalho, chegaremos lá.
A resposta de
Klaus foi abrangente e vaga. Wolfgang parece se surpreender.
- O que quis
dizer com chegar lá? – pergunta ele, quase afrontando-o – Chegar lá onde? A
aposentadoria? Ora, assim você novamente dá razão a minhas palavras! Não há
prêmio nenhum a alguém que trabalha, apenas a expectativa de que, em sua
terceira idade, você não trabalhará mais.
“Nisso consiste a
moléstia do trabalho, na expectativa de não ter de trabalhar mais, seja na
aposentadoria ou mesmo nos fins de semana, da qual a sexta-feira é o dia mais
esperado dos trabalhadores. Queremos muito o dinheiro, queremos muito o
alimento, mas, sinceramente, não queremos trabalhar para obtê-los. Por isso
flertamos com a falsa ilusão de ganharmos muito dinheiro e ficarmos ricos um
dia. Quão sortudos são os ocidentais por terem a loteria para sonharem com
isso. Aqui nem isso temos. Aqui só temos o trabalho árduo, o alimento escasso,
o entretenimento limitado e as benditas férias na porcaria do bloco soviético.
Eu trabalhei trinta anos na metalurgia, minhas mãos calejadas comprovam isso,
mas se eu pudesse trocar por não ter trabalhado nenhum, como os
secretários-gerais do partido comunista, eu trocaria”.
A tontura do
efeito do álcool estava bem forte e Gunther tinha de se conter para não rir
involuntariamente. Klaus bebe sua cerveja e pergunta:
- Então está
dizendo que preferiria sim ser um vagabundo? Viver ociosamente em um país que
preza o trabalho árduo e o socialismo?
- Mesmo Marx
defendia a ociosidade, da qual os filósofos chamavam de ócio criativo. – explica
Wolfgang.
“Marx dizia que o
trabalhador só pode ter cultura e descanso quando a produção atingir um
excedente, ou seja, quando a produção de um dia for o suficiente para alimentar
as pessoas por dois dias. O segundo dia seria reservado para as pessoas
pensarem, amarem, descansarem e inovarem. Para ele, o intelectual, o artista e
o burocrata só podem existir porque o sistema produz excedentes. Em seu livro ‘O
Capital’, Marx escreveu que ‘quanto mais o operário se esgota no trabalho, mais
poderoso se torna o mundo estranho e objetivo que ele cria perante si. Mais ele
se torna pobre e menos o mundo interior lhe pertence’. Por esta razão, ele usou
o termo ‘alienação’ para se referir ao processo de estranhamento do trabalhador
em relação ao sentido da atividade produtiva, quando o trabalho deixa de ser a
satisfação de uma necessidade para se tornar apenas um meio de satisfazer as
necessidades externas a ele. Não sou diferente do pai de nossa ideologia, pois
acredito que se tivéssemos mais tempo livre, teríamos mais qualidade de vida”.
Gunther e Klaus
se entreolham. As palavras de Wolfgang eram seríssimas, ele já havia criticado
Marx, Lênin, o regime e o partido. Apesar do profundo conhecimento em Karl
Marx, ele soava claramente um contrarrevolucionário.
O rapaz desvia o
olhar. Estava ficando arriscado demais para ele permanecer ali. Querendo
encerrar aquela perigosa conversa, Klaus diz:
- De qualquer
forma, eu fico feliz por você, velho amigo. – responde ele, abraçando o ombro
de Wolfgang – Após anos de trabalho, agora você poderá realizar seu desejo de
finalmente descansar.
O velho sorri e os
dois se distraem por um momento. Gunther aproveita para pagar a conta e deixar
o bar. Mas, ao se levantar, a tontura o domina e ele cambaleia um pouco.
- Ei, meu jovem!
Parece que o álcool fez efeito, hein? – brinca Klaus.
- Acho que sim...
– responde ele, sorrindo timidamente.
Gunther caminha
com muito esforço para a porta e, ao sair, nota que havia anoitecido em Berlim.
O vento frio soprava por sua jaqueta e ele sentia o cheiro de carvão saindo dos
apartamentos.
Zonzo e
embriagado, ele abruptamente se encosta na parede e espera o efeito passar um
pouco. Ele se felicita, afinal não estava mais na companhia de duas pessoas de
assuntos tão perigosos como Wolfgang e Klaus.
Minutos se
passam. O vento sopra pelas árvores e ele vê os apertados carros soviéticos
percorrendo a avenida. De repente a porta do bar se abre e alguém sai. Para sua
surpresa, era Wolfgang saindo.
Vestindo uma
boina em sua cabeça, Wolfgang olha para ele e, levantando-a, lhe diz:
- Guten Nacht, mein Jugend. Auf Wiedersehen![7]
Então o velho lhe
dá as costas e vai embora, caminhando tranquilamente pela calçada com suas mãos
enfiadas nos bolsos. Para sua sorte, o velho desaparece à distância, Gunther
não queria ouvi-lo mais.
Recuperando as
forças, o rapaz caminha na direção oposta e também deixa o local. Enquanto
avança pelas ruas, ele observa a paisagem. Apesar da tontura, ele nota como o
bairro era frio e monótono devido à idêntica arquitetura comunista, seus
prédios cúbicos e retilíneos o provocavam isso. Bêbado demais para manter em
sua mente seus pensamentos, ele diz:
- Prenzlauer
Berg...! – saúda ele – Espero que no futuro você seja mais alegre do que é
hoje, velho amigo...!
Gunther manda um
beijo para os prédios e então continua sua caminhada, finalmente indo embora
para casa.
[1]
Uma cerveja, por favor
[2]
Sorte
[3]
Economia
[4]
Qualidade de vida
[5]
Gênesis 3:19
[6]
Internacional Comunista, uma organização fundada em 1919 por Vladimir Lênin e
os bolcheviques para a implantação do socialismo ao redor do mundo.
[7]
Boa noite, meu jovem. Até a vista!

