Os seres
vivos têm diferentes tipos de respiração. Existe a respiração celular, a
traqueal, a branquial, a cutânea e a pulmonar, sendo a última a dos seres
humanos. Na ventilação pulmonar ocorre a inspiração, quando se puxa o ar, e a
expiração, quando se expele. Os humanos inspiram o oxigênio e o difundem pelo
sangue, expirando em seguida o gás carbônico. Este processo chama-se Hematose,
quando o sangue venoso torna-se sangue arterial.
Da porta
de seu quarto, Gunther olha para seu apartamento e tem a impressão de vê-lo
respirar. As paredes incham e o piso inclina-se, fazendo os móveis se
deslocarem de um lado ao outro. “Não é possível”, pensa ele. “Será que eu estou
bêbado?”.
As
janelas estão abertas, e com o ritmo respiratório, as cortinas são arrastadas para
dentro e para fora. O rapaz nota algo estranho naquele já estranho momento. O
ar torna-se desgastante e pesado, a visão se embaça e ele mal consegue
respirar. É então que ele percebe, o apartamento transformava o oxigênio,
enchendo os cômodos de gás carbônico.
Preocupado,
ele fecha sua porta.
Caminhando
até a janela, ele olha a paisagem lá fora. Além do extenso muro, Berlim
Ocidental parecia ser mais alegre, colorida e divertida, tão diferente de sua
parte da cidade, toda austera, cinzenta e fria no lado oriental. “É totalmente
compreensível as pessoas decidirem abandonar tudo e se mudarem para lá”, pensa
ele, ainda olhando para o oeste. “Ao abandonarem o leste, elas deixam tudo para
trás, como se estivessem escapando do inferno”.
Gunther
sente um arrepio ao pensar nisso. “Então é nisso que eu me tornei? Um rapaz
preso e perdido entre a dimensão dos vivos, e meu apartamento sendo a
antecâmara do próprio inferno?”.
Com as
mãos na nuca, ele admira o oeste. Não é pelo desejo materialista que ele deseja
partir, mas para reencontrar sua mãe. “E quanto a Anneliese?”, pergunta-se ele.
Apesar de amar sua mãe, ele ama ardentemente a outra mulher. É um amor tão
repentino e forte que supera até o desejo de se reencontrar com quem lhe deu a vida.
Mas
poderia ele afirmar que ama mais Anneliese do que sua própria mãe? “São
diferentes tipos de amor”, pensa ele. “Como diziam os gregos, amor Storge para
a família e o Eros para os cônjuges...”. Ocupado demais para pensar no assunto,
ele decide pensar nisso mais tarde.
- Anneliese...
– sussurra ele – Sem você eu jamais poderei partir.
Entretanto,
ele se lembra de algo incômodo. A moça era muito doutrinada politicamente,
quase uma radical ideológica. Ela jamais partiria para o ocidente, do qual ela
considera o antro podre da sociedade capitalista-fascista.
Preocupado,
seu coração se divide.
Então
ele ouve sons vindos da sala. Assustado, ele atravessa o quarto e encosta sua
orelha na porta. Passos são ouvidos, parece haver alguém caminhando no
apartamento. Ajuntando coragem, ele repentinamente abre a porta e pergunta:
- Quem
está aí?
Não há
resposta. Aquela impressão de respiração havia passado, agora as paredes
exibiam uma tonalidade lúgubre e preta. Desistindo, Gunther fecha a porta em
seguida.
Deitando-se,
ele tira o relógio de seu bolso e vê que horas são. Uma e meia da tarde. Ao
virar-se de lado, ele vê o telefone em sua mesinha. “Estranhamente ele ainda
não tocou hoje”, reconhece ele. Enquanto pensa a respeito, ele ouve outro som,
desta vez mais nítido e mais forte.
Levantando-se
em um pulo, ele abre novamente a porta.
- Wer ist da?![1]
Novamente
não há resposta.
Ainda
olhando para aquele macabro apartamento, ele pensa estar na dimensão dos
espíritos. Porém, ele se lembra de algo. Em seu país vigorava o regime
socialista, e no socialismo o ateísmo é oficial e as divindades, Deus ou
deuses, não existem. Portanto as religiões, tão firmemente baseadas nos
espíritos, não tinham importância alguma para o governo.
Estufando
o seu peito, ele então grita:
-
Espíritos não existem!
Então
ele fecha violentamente a porta.
Sentando-se,
ele sente um objeto em seu bolso. “O relógio”, lembra-se ele. Vendo novamente
que horas eram, ele tem outro susto. Três e meia da tarde.
- Ora,
essa! Não era uma e meia da tarde um minuto atrás?!
E então
ele ouve o som de um tiro. Gunther se empalidece. “Há atiradores na sala!”.
Paralisado
pelo medo, ele pensa haver agentes da Stasi em seu apartamento. Com as mãos
trêmulas, ele abre a porta de seu quarto e caminha lentamente pelo hall, já
intentando se render. Mas ao chegar na sala ele tem uma chocante surpresa.
Alguém
está de pé em frente à janela. Arregalando os olhos, o rapaz nota que o
desconhecido veste um casaco e está encurvado com os braços cruzados sob ele,
como se estivesse assustado ou com frio.
-
Olá...? – cumprimenta-o Gunther.
O
desconhecido lentamente se vira e revela seu inconfundível rosto. O rapaz
exclama:
- Adolf
Hitler?!
Encurvado
sob seu casaco, Hitler mira seus olhos azuis para ele. Gunther nota como o homem
estava pálido, velho e profundamente abatido. Seus lisos cabelos caíam sobre
seu rosto e seu icônico bigode estava intacto. Não haviam dúvidas, era
definitivamente o Führer[2] diante de seus olhos.
Ofegando
fortemente, Hitler pergunta:
- Mein Junge[3]...
Onde é que eu estou?
Gunther
se confunde. Na escola, ele estudou exaustivamente sobre o führer e o terrível
Terceiro Reich. Ensinado contundentemente a odiar toda e qualquer forma de
fascismo, os soviéticos quiseram ter certeza de que o nazismo jamais se ergueria
na Alemanha novamente.
- Não
está reconhecendo? É Berlim, a cidade que você destruiu. – responde ele, com
rancor em sua voz.
Hitler
olha novamente para a janela. Voltando, ele faz outra pergunta:
- Como é
que eu vim parar aqui?
- Eu
esperava que o senhor pudesse me responder. Aliás – prossegue ele –, o
senhor tem muito o que responder ao povo alemão.
- Povo
alemão?
- Sim, o
povo alemão. – responde ele, irritado – Por sua culpa a Alemanha foi arrasada,
violada e repartida pelo inimigo. Nos tornamos uma nação humilhada,
envergonhada e mutilada pelos aliados.
-
Aliados...? – pergunta ele.
- Sim!
Por sua culpa os russos trouxeram o socialismo para o centro da Europa e hoje
nos governam, explorando nossas riquezas, empobrecendo nossa terra e regendo
nossas vidas diretamente de Moscou.
- Os
russos...?
- Por
sua culpa perdemos a Silésia, a Pomerânia, parte de Brandemburgo e
principalmente a Prússia Oriental. Oh, a Prússia... – lamenta-se Gunther –
Königsberg, o santuário dos maiores filósofos alemães, agora tomada por
revolucionários doutrinados, assassinos do intelecto. Pobre Prússia...
- A
Prússia...?
- Sem
falar da Alsácia-Lorena, da qual você arrogantemente tomou dos franceses, mas nos
foi novamente tomada e reanexada à França. Pelo menos os aliados do ocidente
foram misericordiosos conosco. Mas não posso dizer o mesmo dos russos, que por
sua culpa estupraram brutalmente dois
milhões de mulheres alemãs...
Gunther
cobre seu rosto, chorando de ódio e indignação contra Hitler. Prevendo que ele
ia fazer outra pergunta estúpida, o rapaz aponta para a janela e diz:
- Olhe
para fora! Veja esse hediondo muro dividindo e mutilando Berlim. Os
capitalistas governam o outro lado enquanto essa parte é governada pelos
soviéticos, os mesmos que você acusava de serem subumanos anos atrás. Ironicamente
não fomos nós e sim eles que conquistaram o lebensraum[4]...
Aparentando
estar traumatizado, o führer repentinamente diz:
- Me
ajude!
Gunther
se intriga.
- O quê?
- Me
ajude! – repete ele.
- Do que
está falando?
Avançando
repentinamente contra o rapaz, Hitler agarra suas roupas e o chacoalha,
dizendo:
-
Escute, meu jovem, você precisa me ajudar! Eles estão vindo atrás de mim, eles
jamais me deixarão partir!
Gunther
tenta se desvencilhar, mas o führer o segura ainda mais forte.
- De
quem você está falando?
- Você
não entende. Eu não conseguiria sequer descrever o que fazem comigo, o suplício
e a tortura...
Hitler
parece estar apavorado. Enquanto está perto, o rapaz tem a impressão de sentir
o odor de gasolina e enxofre nele.
- Afaste-se
de mim!
- Me
esconda ou me aponte uma direção para eu fugir, mas eu te imploro. Não me
entregue à eles!
- Eu
mandei se afastar!
Então o
rapaz o empurra, lançando-o contra o sofá. Hitler cai sentado, mas aturdido
pelo impacto. O velho agoniza e faz expressões agudas de dor, demonstrando
aflição. Nesse momento Gunther sente compaixão dele, pois apesar de ser quem
ele era, ainda assim era só mais um velho cansado e doente.
Enquanto
agonizava, o rapaz nota como sua mão esquerda tremia involuntariamente. “Então
é verdade”, pensa ele. “Hitler realmente sofria do mal de Parkinson”.
- Por
favor... – pede ofegantemente o velho – Me ajude...
Vê-lo
sofrer partia o seu coração, entretanto ele tinha de ser justo. As milhões de
famílias judias que foram expropriadas, deportadas e separadas tiverem
compaixão do poderoso líder nazista em seu tempo? As mesmas famílias, tendo
seus maridos escravizados, seus filhos eliminados e suas esposas estupradas
tiveram alguma clemência nos campos de concentração?
“Auschwitz...!”,
lembra-se ele. Os médicos fizeram experiências cirúrgicas em pacientes ainda
vivos. Em horror Gunther se lembra que as cobaias de vivissecção eram ainda...
-
Crianças... – sussurra ele, em devaneio – Meu Deus... Como pudemos ter feito
isso?!
Com
lágrimas nos olhos, ele caminha até a porta e diz:
- Você é
um monstro assassino e suas atrocidades merecem ser pagas no inferno. Saia da minha casa agora!
Mas, ao
pegar a maçaneta, ele ouve um ruído sinistro vindo do lado de fora. O rapaz tem
a impressão de ouvir correntes sendo arrastadas pelo hall, e algum tipo de tecido
molhado sendo arrastado junto. Então alguém ou alguma coisa geme, fazendo o seu
sangue congelar.
Em um
salto, Gunther se afasta da porta. Hitler novamente pede socorro, dizendo:
- Por
favor, não me entregue a eles...
Ao se virar
para trás, o apartamento muda de aspecto por alguns segundos, mas o suficiente
para o rapaz ver. As paredes se mostram velhas e apodrecidas, e em suas
fissuras caminhavam enormes insetos imundos. Gritos são ouvidos por todos os
lados, como se fosse o coro desarmônico dos condenados. A cortina balançava
incessantemente com o vento, que parecia carregar o vírus e a doença. Mas lá
fora algo realmente lhe fascina. O céu era vermelho e se revirava com
frenéticas nuvens negras. Criaturas desconhecidas voavam pelos ares,
semelhantes a vespas ou morcegos gigantes. Aproximando-se da janela, ele tenta
encontrar algum prédio em volta, mas não encontra nenhum. Em espanto ele
percebe, Gunther não estava mais em Berlim.
Hitler
segura seu braço e diz:
- Meu
jovem, não deixe que eles levem a mim.
Nesse
instante tudo volta ao normal. O rapaz balança sua cabeça e olha para baixo, recompondo
a si mesmo. O führer, entretanto, ainda estava ali.
- Aquele
era o lugar...? – pergunta ele – De onde o senhor veio?
O führer
faz um olhar de quem não sabe do que ele está falando. Ele segura o seu braço
mais firmemente e diz:
- Eu te
imploro...
- Está
bem! – responde Gunther, puxando seu braço de volta – Eu não vou
ajuda-lo, mas também não vou expulsa-lo daqui.
-
Obrigado, muito obrigado...
Hitler
então beija várias vezes a sua mão, agradecendo-o. O rapaz consegue sentir
inclusive os pelos de seu bigode pinicando a sua pele. O führer era real, não
podia ser uma alucinação.
Constrangido,
ele responde:
- Eu não
devia deixa-lo me tocar. O senhor destruiu tudo o que pôs a mão. Como Eva
Braun, que realmente o amava.
-
Eva...?
Hitler
estava fora de si, ou a amnésia o havia degenerado. Tudo o que Gunther falava
ele se perguntava, como se não se lembrasse de sua própria vida. Desistindo, o
rapaz lhe dá as costas e retorna ao seu quarto, fechando a porta em seguida.
- Mãe,
se a senhora soubesse que eu recebi Adolf Hitler em nossa casa... – comenta ele
enquanto se deita.
Ao pegar
o relógio, ele vê que horas eram. Três e trinta e um. Então tudo faz sentido.
“É claro!”, admira-se ele. “Essa foi a hora em que Hitler cometeu suicídio”.
Então o
telefone toca, assustando-o.
- Alô?
- Ela
não iria acreditar.
- O quê?
- A sua
mãe, ela não iria acreditar se soubesse. Na verdade, ele iria achar
que você está ficando louco. Se é que ela já não acha isso, não é mesmo?
O rapaz
ri.
- Guten tag[5]
para você também, moça.
- Boa
tarde, Gunther. E então? Gostou de conhecer Adolf Hitler?
- É
claro que não!
- E como
foi conhece-lo? Tenha certeza de que muitas, mas muitas pessoas mesmo gostariam
de estar no seu lugar. Ele realmente é o monstro que descrevem?
- Na
verdade não. É só um velho doente e assustado, eu até tive pena dele.
- Vamos
supor que fosse 1945 e você estivesse fugindo dos bolcheviques com Anneliese, mas durante a fuga vocês infelizmente são capturados. Você sabe que os russos vão
estupra-la. Então eu te pergunto: o que você faria?
Surpreso
com a pergunta, ele responde:
- O que
eu faria? Eu vou dizer o que eu faria. Eu a mataria e, se houvesse tempo, me
mataria em seguida.
- Está
dizendo que você mataria a mulher da sua vida para protege-la?
- Se ela
estivesse a ponto de ser estuprada por dezenas de homens cruéis e violentos,
com certeza.
A voz
parece concordar com ele.
- Então,
nesse caso, você não é tão diferente de Hitler. Ele também matou Eva Braun, sua
esposa, e a si mesmo para protege-la. De modo diferente, é claro, já que ela
mesmo se matou por envenenamento. Mas ainda assim ambos partiram juntos para
evitar horrores maiores na mão dos bolcheviques. Genocidas ou não, os homens se
assemelham muito nessa situação, não é mesmo?
Gunther nunca
pensou por esse lado.
-
Talvez. Mas Hitler foi um covarde, pois sacrificou a vida de velhos e crianças
somente para se proteger.
Responde
ele, referindo-se à Volksturm[6].
- É
claro que sim. Ele realmente foi um assassino covarde, esse monstro.
Segundos
depois a voz se silencia e ele só ouve estática.
Desligando
o telefone, o rapaz se aconchega e dorme um pouco.
§
Na manhã
seguinte, Gunther caminha normalmente por seu apartamento quando um cachorro
passa rapidamente por suas pernas. Assustado, ele ouve risos e então caminha
até a sala.
O rapaz
se espanta ao ver Hitler rindo e acariciando uma bela cachorra da raça pastor
alemão. A cachorra late e lhe dá a pata, recebendo alegremente as carícias de
seu antigo dono. Gunther está atônito e não pode fazer nada a não ser se
afeiçoar com a divertida cachorra também.
- Bom
dia, meu jovem! Quero que você conheça minha bela cachorra, a Blondi.
A
cachorra se senta e então dá um latido, respirando com a língua para fora em
seguida. O rapaz sorri, alegrando-se também.
- Olá,
Blondi! Eu sou Gunther, prazer em conhece-la.
Ele lhe
dá a mão e ela lhe dá a pata, fazendo os dois rirem como crianças.
- Você
devia ver como ela adorava a minha casa em Berghof. Corria sem parar pela
varanda.
O führer
falava do complexo de bunkers que servia de quartel-general nazista nas
montanhas de Taunus. De lá Hitler emitiu ordens para arrasar a Europa e
populações inteiras, especialmente os judeus escondidos nos quatro cantos do reich[7].
Gunther o ignora e continua brincando com a cachorra.
Hitler
adorava os animais e se empolgava ao falar deles. Gunther se surpreende ao
ouvir que o führer tampava os olhos quando passava cenas de violência animal
nos filmes. É incrível como até as pessoas mais cruéis têm mais compaixão dos
animais do que dos seres humanos.
O rapaz
acende um cigarro e vê uma reação reprobatória do führer. Ele odiava o cigarro
e o tabagismo. Por alguma razão, o rapaz o respeita e decidi apaga-lo, assim
continuando a agradável conversa.
Surpreso,
ele reconhece que Hitler era um senhor muito amigável, afinal. E de fato o
seria se não fosse o racismo, a guerra e o genocídio. Mas, por alguma razão,
nada daquilo parecia afeta-lo naquele momento. O ódio do dia anterior havia
passado e sequer passava por sua cabeça. Era como se os dois fossem bons amigos
tendo uma boa conversa sobre animais.
Então os
dois passam o resto do dia conversando e brincando com Blondi.
Ao anoitecer,
Gunther se despede de Blondi e vai se deitar. O telefone não toca essa noite,
mas ele não se importa. Suas roupas estavam cheias de pelos, mas ele prefere
lava-las e tomar banho no dia seguinte. E assim se encerrava mais um dia em seu bizarro apartamento.
No dia
seguinte, ele se levanta e caminha até a sala. Assoviando para a cachorra, ela
não vem ao seu encontro.
-
Blondi?
Procurando
por seus hóspedes, o rapaz não os encontra em lugar algum.
-
Blondi, vem!
Mas a
cachorra não vem. Mesmo Hitler estava ausente. “Onde é que eles estão?”,
pergunta-se ele.
Passados
alguns minutos, ele se senta no sofá, apoia o queixo em sua mão e tristemente reconhece.
Hitler e Blondi haviam partido.
[1]
“Quem está aí?” em alemão
[2]
Líder em alemão
[3]
Meu jovem
[4]
Espaço vital
[5]
Boa tarde
[6]
Milícia de homens e mulheres de 16 a 60 anos criada em 1944 por Adolf Hitler
para conter o avanço das tropas aliadas.
[7]
Império

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