- A hora é agora!
Não devemos desperdiçar o momento! Devemos aproveitar que a moral da tropa está
alta!
Tokugawa
exclamava no monitor. Database responde:
- Você tem
certeza, Tokugawa-san? Um ataque agora que eles acabaram de perder sua primeira
batalha? Isso pode ser desastroso. As forças de segurança podem ter se retraído
e fortificado suas defesas.
- Eles não estão
fortificando seus ministérios; eles estão fortificando as corporações! Eles são
sustentados por elas e, por este motivo, as priorizam!
- Seu arsenal se
encontra no Ministério de Segurança Pública. Ataca-lo seria o mesmo que atacar
precocemente seu quartel-general.
- Mais um motivo
para ataca-los! – insiste ele – O coração podre de Sonata bate devido ao
comando de seus generais. Se desarmarmos suas tropas, eles não subsistirão.
Database pondera.
- A Bushido
encabeçará o ataque no ministério sozinha? Vocês precisarão da ajuda de outras
facções?
Tokugawa
gargalha, exibindo seus dentes amarelados devido a tantos cigarros.
- Meus samurais
são orgulhosos e honrados. Se eles dividirem sua vitória ao derrubar o império
corporativo, que glória eles terão?
O xogum fala de
maneira antiga, como se a metrópole fosse o Japão feudal. Nos outros monitores,
os líderes riem discretamente.
- Pois, bem. O
conselho decidirá por votação.
- Não será
necessário. – interrompe o General Washington – Deixe-os atacar o ministério
sozinhos. Eu adorarei ver esses porcos saudosistas queimarem sob o arsenal da
polícia.
Insultado, o
líder da Bushido diz:
- Como vocês
estavam sendo até o Inimigo de Estado aparecer e salvar as suas vidas?
Então os líderes
riem.
- Você julga que
a 4 de Julho perdeu o respeito e o prestígio com os ataques da polícia, mas
também não perdeu o seu país quando o vencemos e o humilhamos no fim da Segunda
Guerra Mundial?
A discussão se
acalora. Database intervém.
- Senhores, temos
uma rebelião em andamento. Todos concordam que a Bushido deve atacar o
Ministério de Segurança Pública?
O conselho é
unânime em decidir. Os japoneses irão sozinhos.
- Temos o nosso
próximo alvo, então.
Apontando o dedo
para a câmera, Tokugawa diz:
- Não se esqueça
do Inimigo de Estado. Esse rato sorrateiro deve vir comigo.
Levar Nathan era
sua única exigência.
Todos concordam. Desligando
os monitores, o conselho é encerrado.
Sentando-se em
sua poltrona, Database descansa e bebe um gole de seu uísque. Olhando para o
lado, o chefe encontra o rapaz sentado em silêncio no sofá. Ele pergunta:
- Algum problema,
Nathan?
De mãos dadas e
inquieto, o rapaz parecia perturbado.
- Database, os
Trans-humanistas...
Nathan hesita em
falar. Database pergunta:
- O que tem os
Trans-humanistas?
- Eles não são
apenas fanáticos. Eles são cruéis e assassinos...!
O chefe não
compreende.
- Por que fala
assim? Eles foram valorosos em combate ontem à noite. Pensei que estivesse
feliz com a vitória.
- Eles são uns
monstros! – exclama ele – Quando chegamos ao terminal, eles o bombardearam com
os civis ainda dentro.
Sem demonstrar
reação, Database responde:
- Eram, na maioria,
operários das corporações.
- Podia ter
mulheres e crianças no meio.
- Improvável. As
escolas foram fechadas devido a rebelião.
- E as mulheres?
Muitas também são operárias.
- Não. – insiste
ele – O governo as aconselhou a permanecerem em casa com suas famílias.
O rapaz
desconfia. Todavia, ele continua.
- Huxley me
obrigou a matar!
Ainda sem reação,
Database pergunta:
- Mas você matou?
- Não, mas eu
tive sorte. – explica ele – O laboratório da Bio Prótesis explodiu antes. Do contrário,
ele teria me obrigado.
- Obrigado?
- Sim, se não ele
mataria um runner.
Respirando fundo,
o chefe discursa:
- Nathan, a
metrópole o vê como um salvador, o corajoso Inimigo de Estado ousado o bastante
para expor os segredos corporativos e iniciar a Rebelião. Há uma guerra lá em
cima e foi você quem a declarou. Não existem meios pacíficos para vencê-la, a
população foi oprimida demais. Ora, eles temem o risco de extermínio! – refere-se
ele ao Projeto Gemini – Na sua pessoa, eles enxergam o único que pode salva-las
do fim. Não há convivência com um governo genocida. Eles querem destruí-lo, eles
querem sangue e você é o herói quem irá derrama-lo.
O rapaz se
assusta.
- Mesmo que o
herói tenha de matar?
Dando de ombros, ele
responde:
- Heróis matam.
Os dois ficam em
silêncio por um tempo. Estranhando a tranquilidade de seu chefe, Nathan
pergunta:
- Database, por
acaso você sabia das ações dos mecanicistas?
Ele bebe seu
uísque.
- Não. – mente
ele – Eu não sabia.
O rapaz ainda
desconfia. Database não apenas sabe como também aprova as ações dos
Trans-humanistas. Ele não era diferente das facções; ele era igual.
De repente o
vidphone toca. Atendendo-o, ele volta a tratar de seus assuntos.
Antes de sair
pela porta, o chefe o interrompe, dizendo:
- Vá dormir,
Nathan. Descanse. Hoje à noite você tem outra festa para ir.
§
Em um furgão com
outros runners, Nathan sobrevoa o distrito Orion, Setor F. Desta vez ele se
precaveu, decidindo não entrar no mesmo aerocarro com os terroristas.
- Ei, olha só
isso. – cutuca um runner – Veja só os aerocarros desses japoneses.
Os samurais
viajavam em carros coloridos, brilhantes e cheios de enfeites.
- Não parece um
carnaval? – ri ele.
- Sim. – responde
ele, apático.
- Algum problema,
cara?
Nathan estava
preocupado. Desde o início da Rebelião, aquela era a primeira vez que ele
partia em uma missão sem Vertigo. Ao perguntar para o Database, ele responde
que já está investigando seu paradeiro.
- Estou
preocupado com o Vertigo. Você teve notícias dele?
- Nenhuma. –
responde o runner – Achei que ele tivesse se ferido na Bio Prótesis.
- Ou tivesse
morrido. – responde uma runner de jaqueta amarela e cabelos azuis – O
laboratório se explodiu aquela noite. Pelo o que eu soube, ele estava lá dentro
quando explodiu.
Intrigado, o
rapaz pergunta:
- Mas por que ele
estaria lá dentro? Para quê?
A garota sacode
os ombros, assoprando uma bola de chiclete e estourando-a em seguida.
O motorista diz:
- Ministério da
Segurança Pública à frente! É o seguinte: eu quero todo mundo com o documento
de identidade em mãos. Não preciso lembrar que menores não podem beber, certo? Ah, e
menores só na presença dos pais ou responsáveis.
Ao ouvir as
brincadeiras, a runner diz:
- Cale a boca,
Trent! Aqui é o Ministério de Segurança Pública e não uma delegacia de polícia!
- Ah, mas polícia
é o que mais teremos aqui... – se espanta ele.
Pela janela,
Nathan vê um batalhão policial inteiro protegendo o ministério.
- Vejam quantas
viaturas! – sussurra o motorista ao ver o brilho de seus giroflexes.
- Parece até uma
árvore de natal...
Minutos depois
eles se posicionam sobre as megatorres. O prédio do ministério tinha um
arquitetura interessante. Era um monólito de concreto semelhante à arquitetura
brutalista do século XX. “O século das ideologias humanistas mais genocidas da
história da humanidade”, lembra-se ele.
Um carro preto
com vidros filmados se estaciona ao seu lado. De seu interior sai um homem
robusto vestindo quimono e duas espadas em sua cintura. Nathan o reconhece; é o
Xogum Tokugawa.
Mais aerocarros
se estacionam. Os samurais se desembarcam e preparam suas armas. Suas armaduras
eram lindas e brilhavam com as luzes. De fato, aquelas eram as indumentárias
mais lindas que ele já viu.
Vendo aquele
homem carrancudo se aproximar com meia dúzia de samurais ao seu lado, o rapaz
se intimida.
- Nathan-san,
espero que você e seus runners combatam com honra esta noite.
- Faremos o que
for preciso, Xogum Tokugawa.
Observando
aqueles moleques mal vestidos com cabelos pintados e óculos coloridos, o xogum
pergunta:
- Tem certeza que
sua gente pode te proteger?
Apesar de suas
táticas inusitadas, os runners eram um bando de delinquentes e maltrapilhos
perto dos samurais disciplinados e bem armados da Bushido.
- Não se
preocupe. Quando os confrontos começarem, eu manterei a distância.
Tokugawa sorri.
- E perderá a
chance de se tornar um guerreiro de verdade? Pensei que os Trans-humanistas
tivessem dado um jeito nisso.
Intrigado, o
rapaz pergunta:
- O que quer
dizer?
- Você vem com a
gente.
Puxando-o, os
runners apontam suas armas. Como consequência, os samurais as apontam também. O
rapaz intervém:
- Esperem! Está
tudo bem! – recompondo-se ele diz – Eu me comprometi a acompanhar as facções
durante os ataques. Hoje eu irei com a Bushido.
Tokugawa assente.
- Escolheu bem.
Então o xogum
veste sua armadura. Nathan se surpreende. Tokugawa usava uma armadura negra,
vermelha e com chifres no capacete. A aparência o desconforta. Era como se o
rapaz estivesse na presença de um demônio.
Colocando um
comunicador, Nathan ouve os samurais conversando. Uma voz familiar fala ao seu
ouvido. Ele a reconhece.
“Xogum Tokugawa,
solicito permissão para atacar”.
- Entendido. Pode
começar, kyaputen Yamada.
Então uma
aeronave passa rapidamente sobre eles. Aproximando-se do ministério, os
policiais detectam sua presença e respondem atirando com canhões antiaéreos. A
aeronave é alvejada, mas, antes de sucumbir, ela consegue soltar sua bomba. A
explosão é tão forte que sopra uma onda de ar quente ao redor, estilhaçando as
vidraças e derrubando os aerocarros próximos.
Exasperado, o
xogum ordena:
- Destruam
aqueles canhões!
- Hai! –
respondem os samurais.
Os coloridos
aerocarros levantam voo e partem em direção ao ministério. Ao mesmo tempo,
viaturas policiais saem do interior do prédio. Uma batalha aérea estava prestes
a começar.
“Não é um simples
prédio, senhor! É um vasto abrigo de viaturas policiais!”, alerta Yamada.
Tokugawa pondera.
Olhando para Nathan, ele diz:
- Venha, Inimigo
de Estado. Vamos afundar esse porta-aviões!
- O quê? –
confunde-se ele.
Colocando-o no
aerocarro, o motorista levanta voo e parte para o confronto. O rapaz sente
forte cheiro de incenso lá dentro, fazendo-o se enjoar. Enquanto voam, asas se
formam sob o assoalho, turbinas surgem no porta-malas e metralhadoras se
levantam do capô. Nathan se impressiona.
- Posicionem os
Zeros! Formação de ataque! – ordena o xogum.
“Zeros?”,
pergunta-se ele. Tokugawa apelidara seus aerocarros modificados com o nome dos
antigos caças do Império Japonês.
Com uma
metralhadora em sua mão, Tokugawa abre a janela e atira contra as viaturas
próximas.
- Aqui,
Nathan-san. Me ajude a abatê-los.
O rapaz vê uma
belíssima metralhadora japonesa em seu colo. Ele diz:
- Senhor
Tokugawa, eu não sei atirar.
- Apenas aperte o
maldito gatilho, droga! – exclama ele – E depressa! Esses vidros não são a prova
de balas.
O motorista olha
pelo retrovisor. Tokugawa estava mentindo.
Uma viatura atira
contra o aerocarro, pipocando sua lataria. Eufórico, o xogum gargalha.
Olhando para
baixo, Nathan vê a frota de viaturas e Zeros se atacando. Era como ver um
enxame de aviões de guerra voando em combate.
Posicionados nas
laterais do Ministério de Segurança Pública, os canhões atiram contra as
aeronaves da Bushido. Uma é atingida e mergulha entre as megatorres, engolida
pelas chamas.
- Kyaputen
Yamada, recue as aeronaves tripuladas! Devemos destruir as viaturas e os
canhões primeiro!
“Hai!”.
As viaturas
combatem firmemente, mas são apenas aerocarros comparados aos Zeros japoneses.
Tiros atingem o teto, assustando Nathan. Uma viatura os seguia. Ativando as
turbinas, o Zero acelera e o afunda em seu banco. Nunca antes em sua vida ele
viu manobras tão arriscadas quanto aquelas. O motorista não era um samurai de
combate a pé, mas um legítimo piloto de aviação.
Piruetas e
loopings o jogam de um lado ao outro. Enquanto fuma um cigarro, o xogum atira
com sua metralhadora, gargalhando com o inimigo abatido.
“Loucos...!”,
pensa Nathan. “Eles são todos loucos!”.
O piloto sobrevoa
tão rápido a lateral dos edifícios que o rapaz poderia toca-las com as suas
mãos. Com os tiros e os aerocarros desgovernados caindo por toda parte, o
distrito se torna um sangrento campo de batalha.
“Eles também não
tem apreço pelos inocentes!”, pensa ele. “Centenas estão se ferindo lá embaixo
e eles não se importam!”.
Fogos de
artifício se estouram no céu, atrapalhando os policiais. Intrigado, Nathan olha
para baixo e se surpreende. Próximo ao ministério, ele vê uma manifestação em
andamento.
- Mas que
diabos...!
Pessoas carregam
cartazes e gritam o nome de Nathan. Eles apoiavam seu salvador e herói, o Inimigo
de Estado.
- Parece que eles
vieram apoia-lo, Nathan-san!
Assentindo, ele
diz:
- Mas quem os
convocou?
Uma rajada atinge
sua janela, assustando-o.
- Use sua arma! –
ordena o xogum.
Atirando de
volta, os motores de uma viatura pegam fogo e ela se explode, matando os policiais.
- Meu Deus! –
espanta-se ele.
- Não pare! Os
seus amigos runners estão morrendo lá embaixo.
Atirando nos
edifícios próximos, os canhões pulverizam a posição dos runners. Nathan ativa
seu comunicador e diz:
- Atenção,
runners! Não ataquem o prédio frontalmente! Adotem táticas sorrateiras! Os
canhões devem ser neutralizados imediatamente!”.
Tokugawa se
surpreende.
- Ora, ora, temos
um comandante aqui?
O rapaz vê os
runners deixarem os terraços e pularem sobre as tubulações e plataformas
adjacentes. Ágeis e habilidosos, os policias não os veem chegando, pois estavam
ocupados abatendo os Zeros.
Dividindo-se em
equipes, os runners se dirigem aos canhões espalhados pelas aberturas das
fachadas. Enquanto atiram, os policiais olham para trás e veem jovens de roupas
coloridas apontando armas para eles.
- Boa noite! –
diz uma runner.
E então ela e sua
equipe atiram, eliminando os atiradores e o grupo de apoio.
“Nathan! Tomamos
um canhão. Devemos seguir a outro?”.
- Não. Se tiverem
explosivos, destruam-no! Destruam todos se possível. E não fiquem próximos
deles, os japoneses estão atacando-os agora.
“Entendido”.
A batalha aérea
parecia vencida. Então o xogum se preocupa. Ao longe, ele vê mais viaturas
policiais chegando; a polícia havia chamado reforços.
- Tokugawa-san,
reforço inimigo a caminho!
Muitos Zeros
foram abatidos em combate. Com o reforço se aproximando, eles não poderiam mais
vencê-los. Falando ao comunicador, o xogum diz:
- Kyaputen
Yamada, mantenham a posição. Não recuem!
Nathan se
atemoriza. Permanecer significava uma batalha perdida.
Uma explosão é
vista na fachada do Ministério de Segurança Pública. Os runners destruíram um
canhão. Infelizmente os outros continuavam a atirar, abatendo-os.
“Nathan, os
policiais nos encurralaram no prédio. Tem gente morrendo aqui!”.
- Os runners
estão morrendo! – espanta-se ele – Vou pedi-los para recuar.
- Não! – ordena
Tokugawa – Ninguém recuará aqui. Ou venceremos esta batalha ou todos morreremos
juntos.
- Xogum Tokugawa,
não estamos no Japão feudal! Não há honra na morte! Se ficarmos, nós vamos
morrer!
O xogum ri.
- Ao contrário,
Inimigo de Estado. É na derrota que não há honra e meus samurais não serão
desonrados se acovardando perante o inimigo.
O rapaz insiste.
- Devemos partir
antes que seja tarde demais!
- Vocês devem? –
desconfia ele – Eu sei o que está pensando. Você quer reagrupar seu séquito e
deixar o distrito. Não, isso não vai acontecer.
- Tokugawa, isso
não é sobre mim, é sobre os runners! Aqui eles não poderão sobreviver!
Ignorando-o, ele
diz:
- Os
Trans-humanistas não te tornaram um guerreiro. Na verdade, você ainda não passa
de um agitador das massas... – menospreza ele – Mas eu te tornarei um. Você fica.
Nathan não
consegue acreditar no que ouve.
- Kyaputen
Yamada, este porta-aviões está testando a nossa meta. Só há um meio de
afunda-lo. Chame os Kamikazes!
Mas não haviam
Kamikazes para chamar. O xogum falava deles mesmos.
O reforço chega
metralhando impiedosamente os Zeros. Em menor número, eles são facilmente
abatidos no ar. Os canhões ainda estão operacionais no prédio, os runners não
conseguiram neutralizar todos.
Voando em um
rasante, um Zero atravessa o céu. Estarrecido, Nathan assiste o veículo
mergulhar em chamas entre as viaturas e se chocar contra o edifício. A explosão se reverbera pelo ar, abafando o som das sirenes.
- Tokugawa, isso
foi suicídio...!
- Não! – contesta
ele – Isso foi morrer com honra! A maior de todas as honras é morrer em
batalha!
O rapaz ouve
outro rasante. Passando próximo ao seu aerocarro, um Zero atravessa as viaturas
e se explode contra os canhões, neutralizando-os.
- Isso é loucura!
Nós temos que recuar!
O líder se
irrita.
- A Bushido odeia e despreza os covardes! Controle-se, homem! Endireite-se! Você é o
Inimigo de Estado. Prefira morrer em pé ao viver de joelhos.
Lembrando-se dos
seguranças da Bio Prótesis, ele pondera. Todos se renderam ao fim da batalha e,
como recompensa, foram executados um por um. E eles estavam ajoelhados.
- De que servirá
a Rebelião se morrermos aqui?
- Vida e morte são
dois lados da mesma moeda, garoto. Dois extremos de uma mesma vela que se apagará. Você
valoriza demais a vida. Entenda que, para uma semente germinar, o fruto externo
deve morrer.
O xogum falava filosoficamente
como se suas palavras procedessem de uma sabedoria oriental.
Tiros perfuram o
aerocarro e atingem o motorista. Ele grita.
- Xogum Tokugawa!
Fui comprometido...!
- Consegue
suportar?
Tocando seu
peito, suas mãos se sujam de sangue.
- Eu não sei...!
- Então sabemos o
que devemos fazer. Samurai, foi uma honra!
Tokugawa segura
seu ombro, agradecendo-o. Ofegante, o motorista responde:
- Foi uma honra,
senhor...!
Nathan observa no
banco de trás e não entende o que está acontecendo. De repente o motorista alinha
o volante e ativa a turbina, potência máxima.
- O que ele está
fazendo?
O xogum
seriamente responde:
- Cumprindo a missão.
O aerocarro
avança em direção ao ministério. Os projéteis atingem a lataria, atravessando o
estofado e desestabilizando a direção. O painel brilha em vermelho, soando
alarmes e emitindo os alertas críticos. Vendo o enorme prédio se aproximando, o
rapaz se desespera e grita.
Em uma abertura,
um canhão aparece às suas frentes. O veículo voa tão rápido que Nathan consegue
ver os policiais operando-o. De repente eles fogem, temendo o ataque suicida. Então,
vindo de outra direção, uma viatura se choca contra o Zero e ele muda de direção,
voando pela passagem e caindo dentro do edifício.
Faíscas e estalos
aparecem a cada impacto. O rapaz é lançado de um lado ao outro, como um boneco
de pano inerte. Se arrastando pelo piso, o Zero se desliza até se chocar contra os pilares,
encerrando seu pouso forçado.
Policiais se
aproximam. Sentindo o cheiro de fumaça e de combustível, eles temem uma explosão.
Em seu interior eles veem três homens desacordados. Nathan havia desmaiado na colisão.


