domingo, 1 de agosto de 2021

Sonata - 05 - O Ministério da Informação


 

Em pé sobre o parapeito, Laura e Vertigo observam o distrito comercial abaixo de si. Os aerocarros voam por toda parte, as passarelas ficam mais movimentadas, a noite só está começando. De repente o comunicador da garota vibra e ela o veste em sua cabeça.

“Lótus, você está aí?”

Ela responde:

- Já disse para não me chamar assim.

Ignorando-a, o chefe pergunta:

“Onde vocês estão agora?”

- Estou no Setor N, distrito Orbital.

“Ótimo. Vertigo permanecerá à distância e hackeará os sistemas de segurança para você. Eu ficarei na linha e acompanharei o progresso daqui. Siga as instruções dele e você ficará bem”.

Laura sorri em desprezo.

- Eu sei me virar sozinha.

“Boa sorte”.

Database desliga. Vertigo se senta no terraço e abre seu notebook. Enquanto invade as redes corporativas, o hacker pergunta:

- Certo, hora de trabalhar. Consegue ver o prédio do Ministério da Informação?

Laura olha para as megatorres ao redor. À sua direita ela vê um prédio pouco decorado, com fachada mais simplista ao lado das arrojadas megatorres iluminadas por belíssimos painéis de neon. Na cobertura há um letreiro de aspecto mais frio, mas com letras imponentes iluminadas por dois holofotes. Ela reconhece aquele estilo de decoração, a placa indicava um prédio do governo. As letras informam: “Ministério da Informação”.

- Sim. – responde ela, finalmente.

- Preciso que você chegue à plataforma abaixo da entrada principal. Tome cuidado, pois o lugar é altamente guardado pela polícia corporativa.

- Ok.

Correndo pelo terraço, a runner desce pelas fachadas de vidro e pula sobre outra megatorre. Passando por tubos, dutos e telas de arame, ela encaixa um gancho em um cabo de aço e se desliza para outro terraço. Os aerocarros voam abaixo dela, deixando os motoristas fascinados ao verem uma belíssima mulher cruzando o céu noturno como se fosse um anjo.

Sobre o outro terraço, ela o atravessa pisando em pequenas pedras até chegar no outro lado. O Ministério da Informação está à sua frente, e abaixo de si há a passarela conectando os dois prédios. As pessoas transitam tranquilamente, conversando e comprando nos pequenos estantes de artigos em geral. Observando o ambiente ao redor, ela ouve um zunido à sua esquerda. Virando sua cabeça, ela vê uma câmera de segurança apontando sua lente para ela. Sorrindo, ela manda um beijo para a câmera e então a esmaga com um poderoso soco.

Um elevador panorâmico desce pela lateral do edifício. Pulando sobre ele, o súbito impacto assusta as pessoas lá dentro, fazendo-as olhar para cima. Aproximando-se da passarela, Laura pula sobre um gigantesco painel e corre passando por fios e cabos. No final do painel, ela analisa seu objetivo. A plataforma tem grandes vigas metálicas em sua parte inferior. Agarrando-se na viga, ela rapidamente se ergue e equilibra-se entre os vãos. Ela não podia demorar muito, a poluição deixou uma camada espessa de fuligem e a qualquer passo ela poderia escorregar.

Enquanto caminha habilmente, ela ouve as pessoas conversando sobre a plataforma. As pessoas riem, conversam e chamam seus clientes. Elas parecem felizes, passeando alegremente com seus amigos e famílias. “Pobres cidadãos inocentes. Em seu delírio consumista, as corporações os manipulam mais e mais”, pensa ela. Mas, pensando bem, não estariam eles melhores do que ela agora? Satisfazendo suas necessidades básicas, vivendo suas vidas simples, mas felizes por estarem confortáveis e bem? Claramente aquela não era a imagem estereotipada dos trabalhadores explorados, esgotados e oprimidos que as facções tentavam passar. Aqueles eram trabalhadores satisfeitos e felizes. Lembrando-se de sua perigosa vida, cruzando imensas altitudes e trocando tiros com a polícia, ela pensa: “Será que um dia eu serei feliz também?”

Ao olhar para baixo, ela vê a infindável frota de aerocarros. Eles passam constantemente, fazendo zunidos e expelindo ar quente. Ela sente calor, seus pingos de suor caem pela vertiginosa altura, fazendo-a se desconcentrar. Laura olha para baixo, para a escuridão protegida pelos tubos industriais e pela poluição. Ela sabe que em algum lugar lá embaixo está outra área da superfície, com outro Database e outros runners aceitando serviços insanos para roubar objetos, invadir prédios e correr pelos mais altos edifícios. Adotando uma visão pessimista de tudo, ela percebe que a vida sempre proliferou os desafortunados.

Laura finalmente chega ao outro lado da plataforma. Abaixo dela sobrevoam alguns policiais em aeromotos. Ela precisa tomar cuidado.

Chamando o hacker, ela diz:

- Vertigo, estou na plataforma.

“Excelente. Procure por uma grade metálica, é a entrada dos dutos de ventilação. Eu direi o resto quando você a abrir”.

Pendurando-se nas vigas, a runner tateia pela perigosa altura até achar a entrada. Suas mãos estão suadas e seus dedos doem. Enquanto atravessa uma pequena barra de aço, sua mão se escorrega e ela suspira de medo. Pendurada por apenas uma mão, ela balança lentamente enquanto recupera o fôlego.

A runner vê a entrada. Aproximando-se, ela usa uma ferramenta e retira a grade. Espiando o interior do duto, ela vê apenas a escuridão.

- Abri a entrada para os dutos, e agora?

“Não entre ainda, deixe-me desarmar o alarme de segurança primeiro”.

Enquanto o hacker trabalha, Laura comenta:

- Você é muito precavido, Vertigo. Eu gosto disso.

Sorrindo, ele responde:

“Faz parte do meu trabalho, Laura. Me precaver”.

Alguns minutos se passam. Viaturas policiais sobrevoam o prédio, iluminando brevemente suas laterais com o giroflex. Percebendo o risco, a runner intervém.

- Rápido, Vertigo. A situação está piorando aqui.

Segundos depois, ele responde:

“Pronto. Agora entre pelo duto e arraste-se até uma bifurcação. Vire à direita quando chegar lá”.

Amarrando uma lanterna em sua cabeça, Laura adentra o duto. Ela sente o cheiro forte de poeira e vê alguns insetos nas paredes. Incomodada, ela controla a repulsa e continua seu caminho. Viver na superfície a educou para sentir medos maiores e mais relevantes, ignorando as trivialidades.

- Odeio baratas. – diz ela para si mesma.

“Disse alguma coisa, Laura?”

- Não. – responde ela – Na verdade, cheguei na bifurcação e virei à direita. O que eu faço agora?

“Continue até o fim. Você verá outra grade. Abra-a. Você estará no fosso do elevador”.

A runner continua se arrastando. Enquanto avança, seus movimentos fazem as folhas metálicas se amassarem, provocando ruídos abafados nas laterais dos dutos. Chegando à grade, ela a desencaixa e então a chuta, fazendo-a cair livremente pelo fosso.

Colocando a cabeça para fora, ela olha brevemente para baixo quando um elevador aparece de repente, quase decepando-a.

- Droga...!

“O que foi, Laura? Está tudo bem?”

Acalmando-se, ela responde:

- Sim.

“Eu ouvi você gritar”.

- Digamos que a situação aqui está de perder a cabeça.

Sem entender a piada, o hacker continua.

“Assim que você abrir a grade, procure por uma escada de serviço. Você precisa subir até o andar 163”.

- Não posso usar o teto dos elevadores?

“Não. O sistema de segurança detectará quem estiver em cima dele”.

- Você não pode desligar o sistema?

“Infelizmente não. O sistema está protegido por uma sequência alfanumérica no padrão do próprio ministério. Você terá de usar a escada. Será uma longa subida. Boa sorte”.

Pendurando-se na lateral do fosso, ela tateia até a escada de serviço. A escada está suja de óleo, evidenciando anos de desuso. Ela começa a subida. Apesar do expediente noturno ser menos intenso, os elevadores sobem e descem intermitentemente. Os números dos andares estão escritos nas paredes do fosso. Mirando sua lanterna, ela lê “4° andar”. Vertigo tinha razão, aquela seria uma subida e tanto.

Enquanto sobe, os elevadores passam e ela consegue ouvir as pessoas em seu interior. Laura sabia quem elas eram: os espiões de Sonata. Além do Ministério de Segurança Pública, o Ministério da Informação era responsável pela vigilância de cada sonatense, violando suas privacidades e apreendendo-os em qualquer lugar. Mas, diferente dos policiais que agrediam fisicamente os cidadãos, os espiões agiam de outra maneira. Eles os aterrorizavam psicologicamente com a inquietante ameaça de estar sendo observado. Não haviam direitos, apenas deveres, e na tecnológica metrópole sonatense, a obediência era a única lei.

Após trinta minutos, Laura estava exausta. Parando na escada, ela olha para a parede e lê “76° andar”. A lenta progressão lhe causava desânimo. Abrindo sua bolsa de perna, ela pega um alimento, rasga a embalagem e come uma barra de cereais. Como todo bom atleta, ela tinha de comer somente o essencial para recompor suas energias. Excessos podiam afetar seu desempenho e, naquele tipo de trabalho, erros podem ser fatais.

Laura pensa em sua amizade com Vertigo. Androide e Laura são grandes amigos, mas cada runner pensa de uma maneira e as capacidades de Laura podem ser maiores ou menores que as dele. Laura é uma runner intensa e implacável, ela odeia rejeitar serviços. Seu histórico é longo e cheio de missões bem-sucedidas. Ela é uma mulher decidida, ávida para ser a número um. Apesar de sua fama ter crescido enormemente na superfície, seu passado, porém, não podia ser esquecido.

“Lótus”.

- Database, quantas vezes eu vou ter que repetir?

Confuso, Vertigo lhe pergunta:

“Disse alguma coisa, Laura? Está tudo bem aí?”

Percebendo que ninguém havia falado com ela, ela se intriga. “Foi apenas um devaneio”.

- Sim, Vertigo... Eu estou bem.

“Você já chegou?”

- Ainda não. Estou descansando um pouco.

“Está bem. Fiquei preocupado”.

- Muito atencioso de sua parte. – brinca ela.

Laura retoma a subida. Cada passo provoca um ruído metálico na escada vertical. Minutos se passam, a subida é muito cansativa. Sem querer parar de novo, ela se esforça até seu objetivo e, ao olhar o relógio, vê que mais de quarentas minutos se passaram.

O número na parede diz: “163° andar”.

- Vertigo, eu estou no... – ela raciocina antes de responder – Centésimo sexagésimo terceiro andar. Pelo jeito é mais difícil falar isso do que chegar até aqui.

“Certo. Procure por outra grade, será outro caminho pelos dutos de ventilação. Cuidado, pois esse duto leva diretamente para o fosso. Você deverá ficar suspensa”.

Olhando ao redor, ela encontra a grade no outro lado. Conforme Vertigo havia dito, a grade está muito longe da escada e ela deve se pendurar para abri-la. Porém, as paredes têm bordas e tubos, possibilitando a travessia.

Deixando a escada, ela espera os elevadores subirem e se pendura nas paredes. Com grande agilidade, ela tateia até o outro lado. As tubulações estão empoeiradas, mas ainda é possível segura-las. Parando em frente à grade, ela conecta seu cinto aos tubos, livrando suas mãos. Pegando suas ferramentas, ela começa a desparafusar a grade quando algo acontece.

O elevador acima começa a descer. Ao vê-lo subindo até o último andar o tempo todo, ela não previu que alguém poderia fazê-lo descer antes. Laura se apressa. Tirando todos os parafusos, ela puxa a grade quando percebe algo. A grade estava emperrada!

Seus olhos se arregalam. Olhando para cima, o elevador continuava descendo. Não dava mais tempo de voltar à escada, só para desconectar o cinto seria o tempo necessário para o elevador chegar até ela. Laura puxa a grade com toda sua força, ela a golpeia e até se machuca. O elevador se aproxima.

Gritando e vociferando de ódio, ela golpeia o máximo que pode até que, por um milagre, a grade se solta e cai pela escuridão do fosso. Sem tempo a perder, ela desabotoa seu shorts, abaixa seu zíper e o tira, enfiando-se no pequeno duto em seguida.

O elevador passa pouco antes de pegar suas pernas. Ela suspira como se seu coração fosse sair por sua boca. A tensão foi forte demais, após o choque ela não consegue sair do lugar. Minutos se passam. Parada dentro do duto, ela ainda tenta se acalmar. De repente ela ouve a voz no comunicador.

“Laura! Você está bem?”

A runner sai de seu transe.

- O quê? – apoiando-se em seu cotovelo, ela aproxima o comunicador de seu ouvido e responde – Eu estou aqui, Vertigo.

“Podemos continuar?”

- Espero um pouco, tenho que vestir o meu shorts.

“Você tem o quê...?!” – surpreende-se ele, sem entender nada.

Desconectando o cinto da parede do fosso, ela o puxa de volta e se veste.

- Pronto, Vertigo. Qual é o meu próximo passo?

A voz no comunicador diz:

“Continue pelo duto até a bifurcação. Vire à esquerda e você verá a sala de servidor abaixo de si. Tenha cuidado, não consigo suspender os sistemas de segurança por muito tempo”.

Laura então continua seu caminho. Enquanto avança, ela passa por aberturas de ar nas laterais do duto. Ao espionar entre as frestas, ela vê os escritórios do Ministério da Informação. Seus funcionários trabalham em frente aos computadores, vestem trajes sociais e aparentam estar muito empenhados em suas funções. Em outra sala, ela vê seguranças vestindo armaduras de choque, armados com avançados rifles lasers. Então ela se pergunta: “estariam os funcionários trabalhando com tanta dedicação ou são outros que, assim como os demais sonatenses, temem o súbito aprisionamento?”. Ela não entende. “E se os funcionários também são constantemente vigiados, sendo forçados a trabalhar contra sua vontade por terem uma arma apontada para suas cabeças?”.

Adiante, ela vê a bifurcação do duto. Virando à esquerda, ela continua até achar uma abertura abaixo de si. Observando a sala, ela vê luzes piscando aleatoriamente em um ambiente escuro e frio. Ela pergunta:

- Vertigo, eu achei a sala. O que eu faço agora?

“Desça e procure pelo corredor ‘N134’. Não se assuste, pois terão dúzias de corredores aí”.

Ao descer, Laura vê que a sala é muito maior do que imaginava. Há corredores extensos com altas estantes. O chão está coberto por vários cabos e as estantes contém milhares de servidores até o teto. Apesar de se tratar de um vasto galpão, aquela era a maior sala de servidores que ela já viu.

Enquanto caminha, ela ouve passos vindo de outra direção. Agachando-se, ela vê outro daqueles seguranças altamente armados. Ela não estava sozinha. Esgueirando-se pelos cantos, a runner vê mais uma dúzia deles vigiando a sala. Evadindo-os, ela continua seu caminho até encontrar seu objetivo.

A sala é escura e há centenas de estantes formando os corredores. Os seguranças rondam aleatoriamente, alguns sem muita disposição e outros com muita avidez. Laura se arrasta por debaixo das estantes e, em outros casos, é obrigada a escalá-las. Correndo sobre elas, a garota olha para a baixo e vê a seção N. Descendo, ela se esgueira até encontrar o corredor N134.

- Vertigo, estou no corredor N134. O que eu faço agora?

“Vá até a estante G e pegue o servidor escrito ‘Genoma’”.

Laura percorre o corredor. Aguardando sua chance, ela avança pelos corredores identificados com letras alfabéticas. Ao chegar na estante G, ela vasculha os servidores. Para sua surpresa, haviam mais de dez mil. Novamente escalando a estante, ela dedilha entre os cabos e as luzes brilhantes até encontrar o que estava procurando.

O servidor escrito Genoma brilhava diante de seus olhos. Ao pegá-lo, ela abruptamente o puxa, arrancando os fios conectados na parte de trás. De repente algo acontece. O alarme dispara, acendendo várias luzes vermelhas no vasto salão.

- Mas o que foi agora?

“Laura, o que houve?”

- O alarme foi disparado.

“Rápido, fuja daí! Eu disse que não conseguiria suspender o sistema de segurança por muito tempo!”

A runner já está correndo quando responde:

- Fugir é a primeira coisa que eu vou fazer, querido. Mas obrigado pela sugestão.

Um segurança aparece entre os corredores e grita:

- Parada!

Dando um salto, Laura chuta seu rosto, fazendo o próprio capacete trincar com o impacto. Mais seguranças aparecem, mas com a vantagem das luzes acesas, ela consegue ver perfeitamente para onde estava indo. Escalando uma estante, ela se desequilibra ao ouvir os tiros estourando os servidores ao lado. Alguém grita:

- Não! Não abram fogo! Não podemos danificar esse equipamentos!

A runner olha para cima e vê o duto de ventilação. Pulando sobre as estantes, ela agilmente se agarra na beirada e o adentra, finalmente deixando aquele salão. Arrastando-se, ela ouve tilintares robóticos atrás de si. Aranhas robóticas a perseguem, não deixando-a escapar.

Ela se apressa. Ao passar pelas aberturas, ela olha para as salas de trabalho e vê que os funcionários estão evacuando o edifício, alguns calmamente e outros com grande histeria.

- Ela está nos dutos! Atirem!

Os seguranças atiram e ela vê os buracos de balas aproximando-se atrás dela. A saída para o fosso está próxima, só falta mais um pouco. Pegando em sua bolsa uma bomba de concussão, ela a joga pela abertura. Caindo aos pés dos seguranças, a explosão imediatamente os atordoa.

No exato momento em que chega ao fosso, o elevador passa por ela, descendo. Aproveitando a oportunidade, ela pula sobre ele e desce rapidamente. Os seguranças abrem a porta dos andares e atiram contra ela. Laura saca sua arma e atira de volta. Um dos seguranças é atingido e cai livremente pela escuridão lá embaixo.

Nesse momento, a garota percebe que estava ficando habilidosa em empunhar uma arma. Em seu peito cresce uma mórbida satisfação.

“Laura, você pode falar?”

A runner dá três tiros para o alto e responde:

- Seja breve.

“A polícia foi alertada e viaturas se dirigem à sua localização. Eles também rastrearam a mim, então temos que fugir. E rápido”.

- Eles já estão atrás de você?

“Sim”.

Ainda trocando tiros, uma bala passa de raspão no seu braço, fazendo-a gritar.

“Laura, o que houve?! Você está bem?!”

Ignorando-o, ela responde:

- Vá na frente, se quiser. Eu me viro sozinha.

O hacker firmemente se opõe.

“E deixar você sozinha com um batalhão inteiro de agentes corporativos? Nem pensar!”.

De repente ela ouve a voz de Database no comunicador.

“Laura, espere por Vertigo. Há muita resistência aí. Vocês terão melhor chance de sobreviver se ficarem juntos”.

Ao recarregar sua arma, ela atira novamente e responde:

- Database, você sabe que eu trabalho sozinha.

“E quanto ao Vertigo?”

- Vertigo é meu amigo e foi ideia sua nos colocar no mesmo serviço.

Database demora um pouco para responder.

“Sempre durona. É por isso que eu te considero a melhor, Lótus”.

A saída pelo duto se aproxima. Pulando sobre o cabo do elevador ao lado, Laura escorrega mais alguns andares e então se agarra nas tubulações na parede. Tateando pelas laterais, ela entra no duto e então deixa o agitado fosso.

Saindo da megatorre, ela vê a parte inferior da plataforma. O vento frio da noite a refresca por um momento. Várias viaturas policiais passam ao redor, acautelando-a. O hacker fala com ela no comunicador, dizendo:

“Laura, espere pelo meu sinal”.

Vertigo tinha que se apressar, Laura podia ouvir dezenas de policiais sobre a plataforma adentrando a megatorre. Se ela tivesse que fugir por si mesma, ela podia fracassar no serviço e fracassar não estava no seu vocabulário.

De repente um curto elétrico estoura os holofotes da fachada, soltando faíscas nos policiais.

“Essa é sua chance, rápido!”

Então Laura se agarra na estrutura inferior da plataforma e foge do Ministério da Informação.

Escalando as laterais das megatorres adjacentes, ela se aproxima da posição de Vertigo. Ela o encontra escondido atrás de um parapeito, hackeando os sistemas de segurança e criando distrações para que Laura possa fugir em segurança.

Ao vê-la, o hacker pergunta:

- Você está com o pacote?

A garota ouve aquilo como se fosse uma ofensa.

- É óbvio que sim.

- Ótimo. Vamos cair fora daqui.

- Não tão rápido. – interrompe ela, intrigando o rapaz – Talvez possamos decifrar o servidor, examinar os arquivos e assim descobrir por que Database os quer tanto.

Tirando-o de sua bolsa, Laura o observa com grande curiosidade e imprudência.

“Laura, o que você pensa que está fazendo?!”

Database está irado no comunicador. A runner responde:

- Estou apenas investigando, chefe. Descobrir o que é tão valioso para quase custar nossas vidas.

Sem a menor paciência, Database grita:

“Maldita praga do inferno! Apenas dê o fora daí, droga!”.

Laura ri por dentro, ela conseguiu irrita-lo mais uma vez.

Guardando o pacote, ela sorri para Vertigo e então os dois vão embora, fugindo pela alucinante noite em Sonata.

 

 

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