quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Sonata - 12 - Bushido

 


Acordando lentamente, Nathan se vê sendo arrastado. Soldados o levam por uma espécie de templo, uma edificação ocupando um terraço inteiro de uma megatorre. O rapaz vê pilares vermelhos, telhados pontudos e beirais curvos. Nas paredes, há dezenas de lanternas orientais com letras japonesas. Ele vê velas, incensos e estátuas de um homem sentado de pernas cruzadas. “Será o Buda?”, pergunta-se ele.

Há pinturas exóticas pelo templo. Nathan vê tigres, carpas e dragões, sendo esse último um animal mitológico que, aparentemente, nunca existiu. Outras pinturas chamam sua atenção. Ele vê caricaturas de homens com cabelos negros, semblantes rígidos e longas espadas em suas mãos.

Em alguns lugares ele vê manequins vestindo armaduras tradicionais japonesas. Algumas são altamente tecnológicas – iguais aquelas que os soldados vestiam durante o ataque à 4 de Julho – mas outras são mais tradicionais, erigidas ali como um sinal de honra e respeito. Nathan vê portais retangulares com vigas curvas. Em uma parede ele lê a palavra “Xinto”. Então ele percebe que aquelas pessoas acreditavam no Xintoísmo.

As pessoas ali têm uma aparência peculiar. As mulheres usam longos vestidos e maquiagens pesadas em seus rostos. Os homens vestem roupas largas e portam espadas. O rapaz nota que todos são asiáticos, e todos o encaram com fascínio e desprezo.

Apesar do esforço em se reproduzir um templo japonês na metrópole, Nathan não pode deixar de notar os painéis eletrônicos, hologramas e luzes de neon espalhados pelo ambiente. Em Sonata a tecnologia é essencial e onipresente, impossível de se evitar.

Os soldados se aproximam de uma porta deslizante. Há duas sentinelas em suas extremidades, segurando lanças com lâminas curvas e lenços em seus cabos. Os soldados perguntam:

- Onde está o Xogum?

Com forte sotaque japonês, as sentinelas respondem:

- Ele está no grande salão e os aguarda.

Deslizando as folhas da porta, as sentinelas permitem a passagem.

O rapaz vê o que parece ser um julgamento. Vestindo armaduras e portando espadas, cinquenta homens assistem à duas pessoas discutirem. Um deles está ajoelhado e teve sua armadura arrancada, e o outro está em pé e o encara furiosamente. O acusador tem bigode e barba pontudos e cabelos presos no topo da cabeça. Ele também veste uma armadura mais nobre e requintada.

- Você foi acusado de trair nosso povo e a nossa nobre causa. Muitos dos nossos morreram por sua culpa. Você conspirou com o inimigo contra nós!

O homem ajoelhado responde:

- Eu não os traí, pois nunca compartilhei dessa causa. Minha honra está intacta.

O homem em pé parece ignorar sua resposta.

- Somos o futuro de Sonata, a solução para o materialismo imoral das corporações. Por que você nos traiu? Eu não consigo entender! Por favor, me diga o porquê!

- Você vive uma ilusão, Yoshinobu. O xogunato e o império não podem voltar a existir. O que deseja não passa de um simples sonho.

Os homens de armadura se ofendem.

- Sua traição nos envergonha. Essa é sua chance de manter sua honra.

O homem em pé desembainha sua espada, revelando a brilhante lâmina. Vendo que sua vida está próxima do fim, o acusado empunha uma adaga e a posiciona contra seu abdômen. Em tom profético, ele os amaldiçoa dizendo:

- Os samurais estão condenados à extinção.

Então o homem perfura a si mesmo. Corajosamente, ele empurra a adaga para o lado, cortando-se ainda mais. Vendo que sua dor é insuportável, o acusador levanta sua espada e decepa sua cabeça, decapitando-o.

Nathan se horroriza. A cabeça do acusado cai de seu corpo, produzindo sons abafados enquanto bate no chão. Sangue escorre pelo piso, formando uma poça vermelha horrível. O rapaz sente náusea.

Arrastando o corpo pelas pernas, os homens de armadura o levam dali. Então os soldados levam Nathan até a presença do líder e o jogam aos seus pés.

- Xogum Tokugawa, nós conseguimos. Capturamos o Inimigo de Estado das mãos da 4 de Julho. A missão foi um sucesso.

O rapaz vê os soldados permanecerem curvados diante de seu líder. O xogum o encara e então ordena:

- Levem-no para baixo. Nós o interrogaremos depois.

Os soldados então o levam de volta pelo templo. Enquanto avançam, o rapaz vê os demais gritando “Banzai” com grande animação. Alguns balançam enormes bandeiras em seus braços, louvando-as. Nathan as observa e vê um radiante sol vermelho em um fundo branco. Eles estão felizes e celebram mais uma vitória para a causa.

O rapaz desce por um elevador panorâmico. Enquanto desce, ele vê dezenas de letras japonesas nos prédios. Ele reconhece o lugar, é um distrito no Setor J chamado Honshu.

Levando-o pelos corredores, Nathan vê muitos enfeites orientais. Aparentemente aquele povo era muito ligado às suas raízes culturais. Nas paredes ele vê caricaturas alegres e divertidas, com bichos e pessoas com olhos grandes e bocas pequenas. “Talvez isso seja o mangá inventado pelos japoneses, séculos atrás”.

A Bushido redecorou os andares abaixo, com paredes de madeira e folhas de algo que se parece com o papel. Ao deslizar lateralmente as portas, ele vê pessoas ajoelhadas ao redor de mesas baixas. Elas se alimentam com palitos de madeira, servindo a comida em pequenas tigelas. A formidável habilidade em usar aqueles pauzinhos fascina Nathan, que se pergunta como eles conseguem manejar aquilo para comer.

O rapaz é deixado em uma pequena sala por um dia inteiro. Nathan sente medo, pois sabe que o vírus avança em seu organismo, diminuindo seu tempo de vida. Tristemente, ele começa a aceitar que não vai sobreviver.

No decorrer do dia, algumas mulheres aparecem e lhe oferecem comida. Ele logo aceita, pois estava faminto. Mas seu apetite é quebrado quando ele vê carne de peixe crua, molhos escuros e aqueles incompreensíveis pauzinhos na bandeja.

A porta se abre. Nathan vê um homem mais velho vestindo armadura vermelha. Ele o reconhece, é o mesmo que lhe falou na sede da 4 de Julho.

- Kon'nichiwa, Nathan-san. Sou o Kyaputen Yamada. Como tem passado?

- O que quer de mim?

- Vim levá-lo ao Conselho. O Xogum quer falar com você.

- Quem...? – pergunta Nathan, mas sem resposta.

Yamada o leva pelos corredores. Ao passar pelos soldados, eles estufam seus peitos e batem continência. Então o rapaz percebe que o termo kyaputen significa capitão em japonês.

Nathan chega ao salão onde os samurais se reúnem. Há uma longa mesa baixa com vários homens velhos ajoelhados ao seu redor. Alguns usam roupas longas e outros vestem suas imponentes armaduras de samurai. No canto ele vê três mulheres com rostos pintados e cabelos presos no topo da cabeça. Elas encantam o ambiente tocando os tradicionais instrumentos japoneses.

- Sente-se, Nathan-san. – Indica Yamada.

O rapaz olha para o chão e não entende o que o kyaputen quis dizer. Não há cadeiras. “Você quer que eu sente no chão?”, pensa ele. Um pouco confuso, ele se ajoelha e se senta sobre seus calcanhares, imitando os senhores ao seu redor.

O homem na ponta da mesa diz:

- Kon'nichiwa, Nathan-san. Sou o Xogum Tokugawa Yoshinobu. Estive ansioso em vê-lo.

Por quê? – pergunta ele.

- Não seja hipócrita. A 4 de Julho já deve ter te informado de sua importância. O trabalhador das corporações tornado Inimigo de Estado... O que quer que tenha visto no Setor L incomodou muito os senhores dessa metrópole.

“Senhores dessa metrópole?”. O xogum fala como se toda a cidade fosse uma nação feudal.

- Não foi minha intenção...

- Já disse para não ser hipócrita! – interrompe ele, fazendo inclusive as gueixas pararem de tocar – Estamos em guerra, Nathan-san. Chegamos a um ponto onde a vitória final não pode mais ser alcançada com o poder das armas. Precisamos de um poder ainda maior. Algo mais sutil que destrua nosso inimigo e não cause tanto derramamento de sangue. Precisamos de sua informação.

Nathan sente medo. Terroristas violentos e altamente perigosos estão se matando para conseguirem algo que ele tem. “Por que é tão importante? O que as corporações escondem e os terroristas querem revelar?”.

- Senhor Tokugawa, peço que me entenda. Não quero ser responsável pela morte de milhões. – responde ele, de modo educado na esperança de que o xogum seja complacente.

- Morte de milhões? – pergunta ele.

Tokugawa se levanta e então todos se levantam. Mas, com um aceno, ele pede que todos voltem a se sentar. Sua autoridade é incontestável.

- Você sabe por que a Bushido luta, Nathan-san?

Incomodado, ele responde:

- Não, senhor.

Lutamos por Honra, Ordem e Tradição. Está vendo esses senhores? Esses são meus conselheiros, meus daimiôs, os mais valorosos generais. Eu sou o Xogum Tokugawa, nomeado conforme o último xogum japonês antes da Restauração Meiji. Lutamos para que as vitórias no futuro corrijam os erros do passado. Acreditamos que o imperialismo japonês foi desastroso para nosso país. Acreditamos que a modernização da sociedade, a absorção dos costumes estrangeiros e a competição com as potências ocidentais culminaram na ganância de nossos líderes. A arrogância dos nossos governantes causou a humilhação do nosso povo, resultando, como você mesmo disse, na morte de milhões.

- Mas sua organização quer o retorno do imperialismo, não é mesmo?

- Como eu disse, queremos corrigir os erros do passado. O xogunato se mostrou um governo sólido, capaz de manter a ordem após tantos séculos de guerra. O imperialismo destruiu o que os honoráveis xoguns construíram, nos trazendo guerra, derrota e desonra. O Ocidente deixou nosso país submisso e enfraquecido, enquanto que nossos inimigos cresceram e se fortaleceram. Nossa nação, uma vez forte e vitoriosa, foi desarmada e humilhada por seus vencedores. O estigma da derrota foi por muito tempo carregado por nosso povo. – então o xogum muda o tom – Mas após nossa inevitável vitória, intitularei meus daimios em xoguns e eles governarão cada setor de Sonata. Todos obedecerão a um único imperador, um homem visionário e capaz de enxergar os erros do antigo império e batalhar para a construção de um novo.

- E quem será esse homem?

Nathan não se impressiona com a resposta.

- Eu.

O rapaz percebe que as duas facções são lideradas por loucos e saudosistas.

- O senhor quer tratar Sonata como uma nação feudal?

- O feudalismo é um sistema rural e ultrapassado. A nova Sonata será uma megalópole tecnológica e pacífica. Nossos cientistas são os mais brilhantes e inteligentes. O legado tecnológico do meu povo ainda sobrevive. – diz ele, apontando para alguns aparelhos na sala – A memória do antigo Japão jamais será esquecida. Ela será fortalecida nas novas gerações que virão.

A Bushido divide-se entre a tradição dos bushi e a modernidade do capitalismo.

- E o senhor acha que a população aceitará um povo “distinto” governando sobre suas vidas? – ele se refere à aparência japonesa.

- Você pensa que o Setor J é composto unicamente de japoneses? Antes de 2057, nosso povo imigrou em massa do Japão para sobreviver. Éramos minoria nesse país, mas com a construção da metrópole nossa organização cresceu e acolheu a todos os asiáticos, japoneses ou não. Prometemos dividir o poder com todo aquele que lutar por nossa causa, e ao nosso lado lutam várias outras etnias. Mas um soldado não-japonês é chamado de samurai Ronin, pois ele não tem legitimidade no sangue e nem um daimiô.

Nathan percebe certa discriminação nas palavras do xogum. Após a Segunda Guerra Mundial, os asiáticos passaram a odiar os japoneses durante anos. Então ele pergunta ao líder:

- Mas sua organização aceita os não-asiáticos?

- Bushido não é uma simples organização, é um estilo de vida, um código de honra e logo será a lei universal em Sonata. Todos são bem-vindos se assim o desejarem. Nós seguimos as sete virtudes da Bushido. GI: justiça, moralidade, atitude direta, razão correta e decidir sem hesitar; YUU: coragem e bravura heroica; JIN: compaixão e benevolência; REI: polidez, cortesia e amabilidade; MAKOTO: sinceridade e veracidade total; MEYO: honra e glória; e CHUU: dever e lealdade. Somos samurais, merecemos governar a metrópole, e quando a governarmos, nossa honra e lealdade serão notórias.

Nathan se lembra de algo que o enraivece.

- Como pode falar em honra se ontem mesmo vi o senhor decapitar um homem de joelhos?

Ao ouvi-lo, os daimiôs se ofendem, insultando-o. O xogum, porém, pede para eles se calarem.

- Aquele homem era um traidor e merecia a punição. De acordo com nossos costumes, é desonroso para um samurai não ser morto pelas próprias mãos. A decapitação é um sinal de misericórdia do captor, pois o Harakiri é doloroso e agonizante. Para tanto realizamos o ritual do Seppuku.

- Pois para mim isso se chama assassinato, e terroristas como vocês o conhecem bem. Não farei parte disso.

Nathan se levanta e lhes dá as costas. Mas antes que pudesse sair, Yamada desembainha sua espada e a aponta para seu pescoço.

- Creio que você não tem escolha, Nathan-san.

O xogum diz:

- Nós empreendemos um ousado ataque para captura-lo. A 4 de Julho jamais irá esquecer. Agora você pensa que poderá simplesmente dar as costas e ir embora, se assim o desejar?

Yamada o ameaça.

- Sugiro que se sente, senão eu pessoalmente cortarei sua cabeça e a guardarei como troféu. E o resto de seu corpo eu darei de alimento para os cães.

Apesar de velho, o kyaputen tem uma voz grave capaz de assustar o mais valente dos homens. Yamada é um legítimo guerreiro samurai. Ele provou seu valor comandando a ousada missão de invasão da 4 de Julho e captura do rapaz. Apesar do profundo temor, o rapaz o admira.

“Mas e quanto à Bushido?”, pergunta-se Nathan. “Ela era mais uma organização terrorista e xenofóbica como a 4 de Julho. Se um dia eles conquistarem o poder, tratariam eles os não-asiáticos como cidadãos de segunda classe, como a 4 de Julho faria com os não-americanos?”. A Bushido, apesar das palavras bonitas e condutas honrosas, não lutava pela libertação dos sonatenses, eles lutavam por outra opressão: a ditadura militar dos xogunatos e do imperador.

Nathan novamente se senta. Com a lâmina a um centímetro de seu pescoço, o rapaz treme.

- Comece a falar, Nathan-san. O braço de Yamada está começando a cansar.

Suor desliza de seu rosto. Assustado, ele teme acabar decapitado como aquele homem do dia anterior. Olhando ao redor, ele não vê outra forma de sair dali senão cooperando com inabalável xogum. Não havia outra opção.

Ao abrir sua boca, um objeto esférico rola sobre a mesa e gás se expele de seus orifícios. Os daimiôs se entreolham e então Tokugawa grita:

- Gás!

Mas o alerta veio tarde. O gás rapidamente se alastra e todos começam a tossir, perdendo a consciência em seguida. Yamada leva suas mãos à boca e larga sua espada. Nathan tenta segurar sua respiração, e então ele consegue ver.

Um dos daimiôs se levanta. Ele está vestindo uma armadura samurai com o rosto encoberto pela aquela máscara horrível. O daimiô se aproxima, tira um objeto de sua bolsa e diz:

- Ponha isso.

O rapaz vê uma máscara de gás. Vestindo-a rapidamente, o daimiô o levanta e o conduz para fora do salão. Enquanto caminha, alguém puxa o braço do homem e arranca sua máscara, revelando sua identidade. “É Maynard!”.

- Maldito! Como ousa invadir nosso templo sagrado? Meus samurais o farão em pedaços!

Enfurecido, Tokugawa luta para não perder a consciência. O agente aproveita para lhe responder:

- Os samurais estão condenados à extinção.

Então Maynard lhe dá um soco no rosto, fazendo-o se soltar. Vestindo novamente seu capacete, o agente continua seu caminho.

Conduzindo o rapaz pelo templo, os samurais olham para o agente disfarçado e se curvam. Eles pareciam reconhecer a armadura pessoal de seus daimiôs.

Ao chegar ao elevador, um samurai os interrompe e começa a lhe falar em japonês. Maynard não sabe o que responder e isso intriga o samurai à sua frente. O agente gesticula, pedindo para ele se afastar, mas o samurai fala ainda mais, como se estivesse perguntando-o algo. Intentando pressionar o botão do elevador, o samurai o interrompe, apertando para ele em seguida. Aparentemente ele queria apenas fazer uma gentileza. O elevador se abre e então o agente cinicamente diz:

- Arigatou gozaimasu.

O samurai não reconhece aquela voz e o estranha. Mas antes que pudesse dizer algo, a porta se fecha e eles vão embora.

- Maynard! Você veio me salvar! – comemora o rapaz.

Sem dar muita importância, o agente responde:

- É, pode-se dizer que sim. Agora fique em silêncio.

Eles chegam ao terraço onde o templo se encontra. Atravessando os salões, alguns samurais os veem e fazem suas reverências. No estacionamento, dois samurais guardam sua entrada.

- Daimiô Kumamoto, é uma honra recebê-lo. Deseja um aerocarro?

Felizmente os dois falam em inglês. O agente assente e continua caminhando. Mas o outro samurai o interrompe, dizendo:

- Não quer que eu chame um motorista?

- Isso não será necessário.

Então os guardas se intrigam. Os daimiôs nunca saem sem motoristas. Eles também não reconhecem a voz daquele homem.

- Espere um pouco. Quem é você, afinal? E aonde vai com o prisioneiro?

Um silêncio perigoso paira entre eles. Debaixo da armadura, Maynard segura sua arma. Então algo acontece. O alarme soa pelo templo e alguém fala pelo alto-falante:

“Alerta! Há um agente infiltrado no templo e ele está com o prisioneiro. Não o deixem fugir!”.

Então Maynard saca sua arma e atira. Os samurais se protegem atrás dos aerocarros e atiraram também. Nathan corre e então o agente ordena para que ele vá até seu aerocarro. O rapaz olha para trás e tropeça, caindo no exato momento em que três shurikens voavam contra seu rosto, perfurando as paredes em seguida.

- Meu Deus!

- Corra, Nathan! Corra!

Maynard o agarra pela camisa e o puxa. Chegando ao aerocarro, o agente grita:

- Computador, abra as portas! Agora!

“Comando de voz não identificado”.

A voz robótica repete a mensagem várias vezes enquanto o agente atira nos samurais. Ele ordena constantemente para que o aerocarro se abra, mas sem sucesso.

Passos são ouvidos, fazendo o chão tremer. Assustados, os dois se entreolham. Ao espiarem sobre o capô, eles veem dois samurais gigantes se aproximarem. Eles têm armas acopladas aos seus braços e carregam uma espada enorme, capaz de partir um aerocarro ao meio. Seus olhos brilham em um vermelho forte, e sua armadura é escura como a face inclemente da morte.

Dessa vez é Maynard quem diz:

- Meu Deus...!

- São robôs...? – pergunta-se Nathan.

As enormes máquinas apontam suas armas e atiram. O projétil é uma mini granada que explode os aerocarros ao redor, levantando uma onda de fogo infernal. Maynard tenta arduamente fazer seu aerocarro abrir. Mais uma granada daquelas e os dois viram churrasco.

- Maynard! A máscara! Tire sua máscara!

O agente percebe seu erro. A máscara estava abafando sua voz, tornando a identificação impossível. Ao ordenar mais uma vez, o aerocarro se abre e os dois rapidamente entram. Apertando os botões, o painel se ilumina e o veículo lentamente levanta voo. Maynard ordena:

- Computador, disparar os canhões.

Imagens se formam no para-brisa e miram os gigantescos robôs. Tiros são disparados e os projéteis se explodem em seus peitos, fazendo-os cambalearem para trás. A fumaça se dissipa, mas Nathan vê que os robôs ainda estão em pé. Eles novamente miram suas armas.

- Eles vão atirar!

- Computador, disparar bombas eletromagnéticas.

Projéteis EMP voam e atingem os robôs. Uma descarga azulada e elétrica os envolve, paralisando-os.

- Isso nos dará tempo para fugir. – comenta ele.

Então o aerocarro ganha altitude e deixa o templo da Bushido, voando em meio a centenas de tiros lasers pela noite.

 

 

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