Levado pelos corredores da prisão, Gunther tenta desvencilhar-se inutilmente enquanto grita por inocência. Dois homens altos, louros e vestidos de uniformes pretos o levam pelos braços. Nas lapelas de suas fardas, ele lê “SS”. O rapaz segue para o seu derradeiro minuto, ele foi condenado à execução por fuzilamento. Ele clama:
- Não! Eu sou
inocente!
Um dos guardas o
responde:
- Então por que está
usando esse uniforme?
- Eu não sei! Eu
juro!
Os guardas riem.
- Não importa. O
seu tempo acabou.
- Para onde estão
me levando?
- Você logo
saberá.
§
Alguns dias antes.
Acordando de repente, o rapaz se vê em pé em uma alegre cervejaria. Ao seu redor haviam dúzias de rapazes de uniformes
pardos rindo e cantando alegremente. Abraçados uns aos outros, a cerveja se derrama de suas canecas, mas nenhum deles se importava.
Em passos desnorteados e zonzos,
alguém se aproxima de Gunther e lhe oferece uma caneca cheia.
- Ei! Como é que você entrou aqui e eu
não te vi? Tome aqui, rapaz! Venha beber conosco!
O homem estava completamente bêbado,
mas apesar da embriaguez, Gunther pode identificar seu sotaque bávaro.
- Me desculpe, senhor, mas acho que
não beberei hoje.
- O quê?! – exclama o homem – Não seja
tímido! É o partido que está pagando! Tome logo!
Gunther insiste.
- Não, obrigado. Eu estou bem.
- Ora, pare de frescura! O que é você?
Um dos namoradinhos do Röhm? Tome logo!
“Röhm?!” pergunta-se ele. Antes que
pudesse pensar mais a respeito, o homem estica seu braço e lhe oferece a bebida. Devido à embriaguez, o homem se desatenta e deixa a cerveja cair nas
roupas de Gunther, ensopando-o. O homem não pede desculpas, ao invés ele ri
alto, divertindo-se. Então o rapaz tem uma estranha surpresa. Ele estava usando
um uniforme pardo, braçadeira, quepe e botas de cavalaria. Observando melhor a
braçadeira, ele reconhece o inconfundível símbolo. “Uma suástica?!” espanta-se
ele. “Mas que diabos...?”.
- Viva a Sturmabteilung![1]
– brada o homem.
Então todos os “camisas pardas” erguem
suas canecas, repetindo-o. Alguém entre eles grita:
- Viva a Alemanha!
A tropa repete. Outro camisa parda se
levanta e grita:
- Viva o Führer!
Estufando os seus peitos, os jovens
esticam seus braços e erguem as mãos direitas para cima.
“Heil Hitler!” bradam todos em
sincronia, como em um coro. Sinistramente todos viram suas cabeças para o
rapaz, encarando-o. Gunther se manteve imóvel durante a saudação e isso os
intrigou. Empalidecendo-se como a neve, ele se apavora.
- Camisas pardas! Atenção, por favor!
– ao lado do balcão, alguém segura um telefone e pede a atenção geral – Acabo
de receber a notícia de que nosso Führer vem amanhã para a Baviera. O partido
organizou uma reunião com os dirigentes da SA e deverá ocorrer amanhã em um hotel de Bad
Wiessee.
- Bad Wiesse?! – indaga alguém – Por
que nesse lugar tão longínquo?
- Eu não sei, mas deve ser importante.
Os camisas pardas concordam, ficando
calados por alguns segundos. Levantando-se, alguém quebra o silêncio e grita:
- Vamos comemorar!
Nisso, todos riem e voltam a beber
suas cervejas normalmente, esquecendo-se de Gunther. Ele estava a salvo.
Então um homem mais velho entra na
cervejaria e, ao verem-no, as pessoas interrompem bruscamente suas festividades. O
rapaz nota que ele usa medalhas e insígnias em seu uniforme e parece ter muita
autoridade. Ele diz:
- Senhores, eu tive uma ideia melhor
para hoje à noite.
Falando à tropa ao longe, Gunther não
consegue entende-lo, mas finada a sua fala os camisas pardas soltam um “Heil Hitler” e
dirigem-se para fora. O rapaz mantém-se imóvel, até alguém puxá-lo pelas roupas
e leva-lo também.
- O que está acontecendo? – pergunta
ele.
- Você não ouviu o Obergruppenführer[2]
? Vamos comemorar a visita do Führer!
O rapaz não entende. “Não era isso o
que eles já estavam fazendo?” pensa ele.
- Como?
O homem o responde:
- Com uma bela briga de rua!
Então o homem ri maliciosamente.
No lado de fora, os camisas pardas
marcham orgulhosamente pelas ruas. Altivos, eles pensam ser os protetores da
nação alemã. Alguém entoa o hino nacional e então todos cantam fanaticamente o
primeiro verso “Deutschland, Deutschland über alles[3]”.
Devido à escuridão noturna, Gunther
demora a perceber, mas logo ele reconhece as belas ruas da cidade de Munique.
Extasiado, ele sussurra para si mesmo:
- Então foi aqui que aconteceu o
famoso Putsch[4]
da Cervejaria...
Ao longe, uma tropa avista um bêbado
e, irando-se, atiram-se contra ele. O homem é surpreendido por uma gangue de
jovens em uniformes pardos que, subitamente, o agridem com socos, pauladas e
pontapés. Horrorizado, Gunther põe sua mão na boca e pergunta:
- Mas o que vocês estão fazendo?!
Um jovem bávaro e baderneiro olha para
ele e responde:
- O que uma milícia deve fazer. Espancando
vagabundos, judeus e comunistas!
Acompanhando-os, ele vê os camisas
pardas aplicarem sua violência a todo aquele desafortunado o bastante para estarem em seu caminho. A gangue espanca bêbados, mendigos, vagabundos, judeus e
aterrorizam prostitutas.
O Obergruppenführer também estava lá,
mas apenas observando-os. Um assistente se aproxima dele e sussurra algo em seu
ouvido. O homem parece se alegrar.
- Tropa! – interrompe ele,
chamando-lhes a atenção – Acabo de receber informações de que os comunistas
estão reunidos no centro da cidade. O que acham de acabarmos com eles?
Então todos riem, sabendo o que devem
fazer.
O rapaz não consegue entender a razão
de tanta violência. Ele se pergunta onde estava a polícia de Munique.
- Vocês ouviram o chefe de polícia!
Vamos!
“Chefe de polícia?!” surpreende-se
Gunther. “A polícia compactua com esses nazistas?!”.
Chegando ao centro da cidade, o rapaz
vê uma facção inteira de jovens vestindo boinas de operário e carregando
bandeiras vermelhas. Gunther se assusta, os comunistas estavam em maior número
que a SA.
- Não vamos nos acovardar. – declara
alguém – Hora de limparmos a cidade dessa escória vermelha!
O rapaz olha para trás, mas não
encontra o chefe de polícia. Gunther não tinha a intenção de ataca-los, mas
dois camisas pardas o seguram pelos braços e então avançam contra os comunistas.
Gunther não era valente. Desde a
infância, ele nunca mais havia brigado. Na verdade, ele nunca deu um soco na
face de alguém. Mas ali o confronto era inevitável e iminente, e com toda
certeza, doloroso. Com uma bandeira em sua mão, o comunista avança contra ele
com um olhar feroz. Saltando, o comunista brada “Viva Lênin” e então chuta seu rosto, fazendo-o desmaiar imediatamente.
O tempo parece avançar. Assustado, o
rapaz acorda de repente e vê a luz do dia no céu de Munique. As pessoas olham
intrigadas para ele, curiosas para saber o que aconteceu. Gunther se levanta e
se vê ainda vestido naquele uniforme pardo. Limpando-se, ele procura pela SA, mas
não os encontra em lugar algum.
O rapaz caminha pela cidade, mas não
fazia ideia para onde estava indo. Ele não conhecia Munique, essa cidade ficava
na Alemanha Ocidental, mas nem que a conhecesse, a paisagem era radicalmente
diferente na década de 30.
Enquanto anda sem direção pelas ruas,
Gunther se sente observado. Pessoas abaixam os jornais para vê-lo, mas ao serem
flagradas, os levantam novamente. Os carros passam ao seu lado, aqueles belos
carros antigos que ele só viu nos livros de História. Duas mulheres passam ao
seu lado e conversam entre si:
- Você ficou sabendo? O Fuhrer estava
em Munique ontem.
- É mesmo? E o que ele veio fazer
aqui?
- Eu não sei, mas não ficou muito. Ele
seguiu viagem para uma cidade na fronteira com a Áustria.
- Minha nossa! Devia ser algo muito
importante para ele ir tão longe.
- É verdade.
Então as duas se afastam e vão embora.
Homens de sobretudos e chapéus se
aproximam atrás de Gunther. Distraído com a notícia do Führer, ele não percebe
sua presença. Então, segurando-o pelos braços, os homens o enfiam em um carro estacionado ao lado. Antes que pudesse gritar, os homens colocam um capuz preto em sua
cabeça e o levam dali.
Gunther sente que é conduzido em alta
velocidade por Munique. Ao pararem o carro, o rapaz apenas ouve os homens o
levarem por um longo corredor. Os sons de passos são altos, a temperatura cai e
Gunther pensa estar em um vasto porão.
Ao tirarem o capuz, os homens o lançam
dentro de uma cela. O rapaz cai, mas rapidamente se levanta, tentando agarrar as
grades. À sua frente ele vê dois homens vestidos com roupas comuns. Assustado,
ele os pergunta:
- Por que me prenderam aqui? O que foi
que eu fiz?
Os homens não o respondem.
Atrás deles aparece outra pessoa.
Caminhando elegantemente, Gunther vê um homem de uniforme preto, botas de
cavalaria e um quepe militar. O rapaz nota que, assim como ele, o homem veste uma
braçadeira com uma suástica.
- Boa tarde, herr Gunther. Me chamo
Theodor Eicke, sou um Obergruppenführer da Schutzstaffel[5].
“A infame SS!” pensa ele, horrorizado.
- Por que me prenderam aqui?!
- Você está preso por traição.
- Traição?! – pergunta ele – Mas quem
foi que eu traí?
- Você e sua milícia conspiraram
contra o Reich e o Führer, fomentando uma segunda revolução.
Gunther não sabe do que ele está
falando.
- Eu juro que nunca participei de
nenhuma conspiração contra o Führer ou contra ninguém!
- Mas você faz parte desses paramilitares. – Eicke aponta para seu uniforme. É indelével o fato de que
Gunther vestia a farda da SA – Estávamos de olho em vocês e sabíamos quem eram
os principais membros. O seu nome estava na lista e pacientemente esperamos o
momento certo para o pegar. Felizmente a Gestapo[6]
conseguiu captura-lo a tempo.
Eicke aponta para os seus dois
agentes. O rapaz apela:
- Como o meu nome estava na lista? Eu
ainda nem sou nascido!
Então os homens olham uns para os
outros.
- Por acaso a embriaguez ainda sonda a
sua cabeça?
- Mas eu não fiz nada! Vocês têm que acreditar
em mim!
- Não precisamos. – responde o
Obergruppenführer – Logo você será julgado por seus crimes e tudo será
resolvido. Até breve, sr. Gunther.
Eicke e os dois agentes se viram e vão
embora. O rapaz é deixado ali, protestando e clamando por liberdade.
Um dia se passa. Pela janela no alto
da cela, Gunther pode ver que o dia amanhecia. Passando esporadicamente pelo
corredor, ele nota que os guardas vestiam os famosos uniformes pretos da SS.
Parando próximo à sua cela, os guardas conversam:
- Prenderam o
Röhm. Em breve ele será trazido para cá.
- Para Stadelheim? O que acha que
acontecerá com ele?
- O Führer não tolera a alta traição.
O guarda parece concordar.
- Que Deus tenha piedade daquele
beberrão e baderneiro... Por que Hitler não terá.
Mais um dia se passa. A prisão parece
estar agitada com a chegada de Röhm. Deixado sozinho em sua cela, o rapaz ouve
tiros. Um guarda conversa com seu colega:
- Mas que audácia! Röhm mandou o Eicke
chamar Hitler para que o executasse pessoalmente!
- Deboche. Atitude típica desse
pervertido.
- E o pior é que ele estava
completamente nu quando o executaram. Dá para acreditar? O poderoso Ernst Röhm se despindo para ser executado? Por quê?
- Ora, você sabe o porquê. Röhm
gostava de se despir para homens.
O guarda se referia à sua suposta
homossexualidade.
- Isso são rumores.
- Mas foi o caso com o deputado Edmund
Heines. Ele foi flagrado na cama com um jovem. Enojante!
- Isso é grave. O que aconteceu com
Heines e o garoto depois?
- O que você acha?
- Foram presos?
O guarda meneia negativamente a
cabeça.
- Fuzilados.
Uma longa e excruciante semana se
passa. Agora as celas continham milhares de presos, a maioria membros da SA.
Espremido contra a parede, Gunther é acordado com o ruído irritante do rádio. Os
guardas ligaram o aparelho e ouvem um pronunciamento de Adolf Hitler. O
Führer se justifica pelos atos do fim de junho e começo de julho. Ele os trata
como uma autodefesa do Estado, uma repressão necessária contra um movimento
dedicado a acabar com o nazismo, controlar o exército e o povo alemão.
Um guarda comenta:
- Uma repressão necessária?
“Expurgo?” pergunta-se Gunther.
- Relações públicas. – responde o
outro guarda, sem se importar – De qualquer forma, o que interessa é que os
principais inimigos políticos e subversivos foram detidos nessa operação.
- Sim, a operação foi um
sucesso. Você ficou sabendo quem morreu?
- Vários traidores. Entre eles estão o
ex-nazista Gregor Strasse, o deputado Edmund Heines, o ex-chanceler Franz von
Papen, o jornalista Herbert von Bose, o ex-chanceler Kurt von Schleicher e o
ex-comissário Gustav Ritter von Kahr, além do próprio líder da SA, Ernst Röhm.
- O reich estará melhor sem eles,
principalmente o Röhm, do qual Reinhard Heydrich acusou de receber dinheiro da
França para depor Hitler.
- E você acreditou?
O guarda sorri.
- Quer acabar atrás das grades igual a eles?
Então os dois riem.
Na manhã do dia seguinte, Theodore
Eicke retorna à sua cela. Apontando seu dedo para Gunther, os guardas abrem as
portas e o puxam para fora. Comandados por Eicke, o grupo se dirige a uma sala
dentro da prisão.
- Bom dia, herr Gunther. – cumprimenta
ele.
O rapaz estava cheio de dores por dormir
vários dias desajeitado em uma pequena cela com dezenas de outros detentos. Ele
encara aquele cumprimento como uma ironia.
- Bom dia, se é que posso chama-lo de
bom.
- Mas você vai, se quiser. –
o Obergruppenführer se senta e então diz – Primeiro eu devo dizer que o senhor
é um mistério. Seus arquivos da Gestapo são curiosos. Você não tem residência,
não tem documentos, não tem ocupação, não tem filiação e, por incrível que
pareça, nem mesmo um sobrenome. Eu não faço ideia de quem seja mas, ao olhar a
lista de procurados, o seu nome simplesmente... – ele hesita por um segundo –
estava lá. Quem é o senhor, herr Gunther?
O rapaz sorri.
- Você quer dizer quando, de quando eu
sou. Eu não sou desse tempo.
Eicke e os guardas não compreendem.
- Logo vejo que fizemos um favor
erradicando essa milícia, pois ela aceitava qualquer um, desde os degenerados –
ele refere-se a Röhm – até os doidos varridos...
Os guardas riem.
- Eu...
- Mas – interrompe Eicke – eu tenho uma
proposta a lhe fazer. Uma guerra vem aí, sr. Gunther, e Himmler quer aumentar o contingente da
SS para combate-la. Para isso estamos convidando os
antigos membros da SA para se juntarem a nós. Eu não o alistaria, mas a
circunstância nos obriga. Então... – continua ele – eu estou convidando-o a se alistar à SS.
Assustando-se, Gunther se enoja. A
Schutzstaffel foi responsável pelos piores crimes contra a humanidade ocorridos
no século 20, e o rapaz deparava-se com três de seus membros convidando-o a participar dessa barbárie. Gunther é enérgico ao responder, ele jamais se juntaria aos genocidas.
- Não! – vocifera ele.
- O que disse? - o homem se recusa a entender.
- Eu disse que não!
Enervando-se, os guardas se sentem ultrajados.
Eicke também se irrita, mas, contendo-se, apenas respira fundo em lamentação.
- Fico desapontado ao ouvir sua
rejeição quando tantos outros a aceitaram. Muito bem, sr. Gunther. Fique com o
que decidiu. – levantando-se, o Obergruppenführer diz – O senhor cometeu alta
traição e por isso eu o condeno a execução por fuzilamento. Podem leva-lo!
Aproximando-se, um dos guardas ergue a
cauda de seu rifle e o golpeia na cabeça.
§
Ao acordar, o rapaz se vê sendo levado
pelos guardas. Sua cabeça dói. Algo se escorre de sua testa e, ao chegar ao seu
lábio, ele experimenta sangue.
Gunther tenta se desvencilhar
inutilmente. Ele alega inocência, mas os guardas o acusam de estar vestindo o
uniforme dos camisas pardas. Em um último ato de desespero, o rapaz suplica:
- Esperem! Eu tenho um último direito!
- Um direito?! – intriga-se um deles,
sorrindo.
- E qual é? – pergunta o outro guarda.
- Exijo que me deixem fazer um último
telefonema.
Os guardas se entreolham.
- Mas do que é que você está falando?
- Sim! Me deixem fazer um último
telefonema! É tudo o que eu peço.
Intrigado com sua estranha
petição, o guarda o pergunta:
- Direito a um telefonema? Mas de onde
é que você tirou isso? Por acaso pensa que ainda estamos em uma
democracia?
Gunther reconhece que os direitos eram
desprezados ou abolidos naquela terrível ditadura.
- É tudo o que eu peço.
Sacudindo os ombros, o guarda olha
para seu companheiro e não vê problema algum. Na verdade, ele parecia estar se
divertindo por dentro.
Conduzindo-o a uma sala separada, o
rapaz vê um aparelho de telefone sobre a mesa. Gunther esperava que, ao
atende-lo, a misteriosa voz interdimensional pudesse transporta-lo dali como
aconteceu na Torre de Televisão.
Observando o telefone, o rapaz nota o
peculiar teclado onde a discagem era feita girando-o com a ponta dos dedos.
Suando, suas mãos tremem ao pegar o receptor. Imediatamente ele diz:
- Me tire daqui!
Mas não parecia haver ninguém no outro
lado da linha. O rapaz insiste.
- Por favor, atenda!
Atrás dele, os guardas cruzam os
braços, rindo da estranha situação.
- Por favor! Fale alguma coisa!
Então, para o alívio de Gunther,
alguém o responde.
- Telefonista de Stadelheim, em que
posso ajuda-lo?
- O quê? – ele não compreende – Por
favor, você tem que me tirar daqui agora!
- Senhor, eu não consigo entende-lo.
Pode me informar a quem eu devo redirecionar sua ligação?
- Você não entende! Eles vão me matar!
- Senhor, eu sou a assistente
telefonista da prisão de Stadelheim. Meu trabalho é redirecionar ligações. Eu não
posso ajuda-lo.
- Não faça isso comigo. É apenas você
quem pode me ajudar!
- Eu não sei do que está falando.
Atrás dele os guardas gargalham.
Aproximando-se, um deles tira o receptor de suas mãos e diz:
- A brincadeira acabou.
Puxando-o, os guardas o levam para o
pátio da prisão. Colocando-o contra um paredão, eles amarram suas mãos e
carregam seus rifles. Gunther nota que há buracos de bala na parede e enormes
manchas de sangue no chão. Eicke aparece atrás deles e, tranquilamente, diz:
- A Operação Colibri foi um sucesso.
Não há mais adversários políticos de Hitler. Os principais opositores se foram.
Maliciosamente, um guarda o responde:
- Ainda falta esse aqui.
Eicke não se importa de olhar para Gunther.
Ele continua:
- Vida longa ao Terceiro Reich!
Então Gunther arregala os olhos.
Confuso demais para perceber, ele participara da famosa Noite das Facas Longas,
um expurgo extrajudicial na Alemanha nazista que iniciou o diabólico Terceiro
Reich.
- Esperem! Não atirem!
Os guardas o ignoram. Apontando suas
armas para o rapaz, eles bradam simultaneamente:
- Heil Hitler!
[Bang!]
[1]
Destacamento Tempestade ou Tropas de Assalto em alemão, mais conhecida como a
SA.
[2]
Líder de grupo sênior
[3]
Alemanha, Alemanha sobre todos
[4]
Golpe em alemão, nesse caso referindo-se a um golpe de Estado
[5]
Tropa de Proteção em alemão
[6]
Polícia secreta nazista


