quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Tiergarten - 14 - O Primeiro Reich

 


- Ei, garoto.

Alguém cutuca o rapaz com uma vara e ele desperta em um pulo. Olhando assustado para os lados, ele se vê em uma frondosa floresta no meio de um vale. Um homem permanece parado à sua frente, observando-o com bizarra atenção.

- Onde é que eu estou? – pergunta ele.

O homem olha para trás. Gunther percebe que havia uma carruagem ali, e uma senhora com duas crianças também olhavam para ele. O rapaz percebe que eram uma família.

- Bem... – começa ele, um pouco confuso – Estamos na Renânia, a caminho de Worms. O que você está fazendo aí?

“Worms?!”, se pergunta o rapaz. “Esta cidade não fica na Alemanha Ocidental?”.

- Como eu vim parar aqui?

O homem e sua família parecem não entendê-lo.

- Esperava que você nos dissesse.

- Eu... – nesse momento ele nota que a família vestia os peculiares trajes medievais do século XIV – Por que vocês estão vestidos assim?

Então o homem suspira. Entediando-se, ele olha para sua esposa e diz:

- Vamos, vamos embora. Ele é só mais um bêbado perdido na floresta.

Dando-lhe as costas, o homem se afasta. Assustado, Gunther se levanta e o interrompe.

- Espere! Me levem com vocês!

O homem desconfia.

- Levar um estranho com minha família? Está me tomando por um tolo?

Subindo em sua carruagem, o homem pega as rédeas dos cavalos.

- Espere! Eu não sei onde estou! Eu preciso de ajuda!

- Como não sabe onde está? Por acaso você apareceu do ar?

“Sim!”, pensa o rapaz, mas ninguém entenderia.

- Por favor, me ajude! – apela ele.

O homem o ignora e, preparando-se para seguir viagem, sua esposa intervém.

- Querido, eu te peço, ajude esse moço.

- Nós não o conhecemos. Pode ser um desses ladrões da floresta.

- Mas ele parece estar perdido. Um ladrão não demonstraria tamanha inocência.

- E se for uma armadilha?

- Querido, é nossa obrigação cristã. Lembre-se da parábola do bom samaritano.

O homem pondera. Pegando seu colar, ele beija o crucifixo em sua ponta. Aparentemente, ele era um fiel muito fervoroso.

- Está bem. Você pode vir conosco.

- Obrigado! Muitíssimo obrigado!

Gunther os agradece intensamente. Em seguida ele sobe na carruagem e eles seguem viagem.

 

§

  

Chegando em Worms, o rapaz vê uma incrível cidade medieval diante de seus olhos. Passando sobre a antiga ponte, ele contempla boquiaberto a belíssima Torre dos Nibelungos. Observando atentamente seus detalhes arquitetônicos, ele reconhece que aquela era uma das edificações mais belas que ele já viu.

O casal olha para Gunther e o estranham. O rapaz olhava fixamente para cima onde não havia nada. Ele parecia admirar emotivamente algo invisível, impossível de se ver. Em sua existência dimensional paradoxal, Gunther olhava para uma torre que somente seria construída em 1897, quatrocentos anos no futuro.

- Ele é louco? – pergunta uma das crianças.

- Deve estar possuído por demônios. – responde o pai.

Diante do enorme muro que rodeia a cidade, ele atravessa o portão e nota as igrejas cinzentas, as ruas estreitas e as arcaicas carruagens em toda parte. Gunther se extasia ao ver a impressionante Catedral de São Pedro ao longe, a famosa igreja de estilo romanesco. Sentindo o forte odor de estrume de cavalo, ele se pergunta como os medievais conseguiam suporta-lo.

- Bem-vindo à Worms. – diz o homem.

O rapaz está perdido em admiração. A mulher olha para ele e pergunta:  

- Então você não sabe como veio parar aqui?

Interrompendo-se, ele responde:

- Eu simplesmente não sei.

- Não sabe? O que aconteceu para estar desmaiado no meio da floresta horas atrás?

Gunther não sabe o que responder. Então um som alto de trombeta é ouvido próximo ao mercado principal.

- O que está havendo? – pergunta o homem.

A mulher também está confusa e olha intrigada.

Enxergando um cartaz na parede, o rapaz lê as complicadas palavras em um alemão antigo.

- Ali diz que hoje haverá uma reunião de nobres em Worms.

O casal olha intrigado para ele.

- Como você sabe? – pergunta o homem.

- É o que diz ali. Veja.

Então todos se constrangem. Gunther não entende. Em seguida o homem esclarece:

- Nós não sabemos ler.

Dessa vez é Gunther quem se sente constrangido.

Descendo da carruagem, a família o deixa no mercado principal. O rapaz os agradece e eles vão embora. “Louco!”, sussurra uma das crianças, mostrando-lhe a língua em seguida.

- Ora, essa... – irrita-se ele.

Em um estalar de dedos, Gunther se vê no meio de uma reunião de nobres e clérigos em um suntuoso salão. Perplexo, ele olha para os lados e vê garçons e músicos encantando os presentes com seus aperitivos e músicas. Por alguma razão desconhecida, o rapaz segura uma taça de champanhe em sua mão, mas ele não fazia ideia de como veio parar ali.

Abordando um garçom, o rapaz pergunta:

- Com licença. Onde estamos?

O garçom arregala os olhos, como se não esperasse que os presentes fossem falar com ele. Nervoso e com as mãos tremendo, ele responde:

- Em Worms, meu senhor.

Gunther caminha até a janela e vê a paisagem lá fora. Ele ainda estava naquela cidade.

Confuso, ele retorna ao garçom e exasperadamente pergunta:

- Como é que eu vim parar aqui?!

Ainda tenso, o garçom não compreende. Ao invés, ele educadamente responde:

- Perdoe-me, meu senhor. Eu preciso voltar ao trabalho.   

Então ele apressadamente vai embora, se esforçando para que não o notassem.

Naquela reunião as pessoas vestiam exuberantes trajes medievais, coloridos e requintados, típicos da alta nobreza. Algumas pessoas olham para ele de longe e riem, parecendo zomba-lo.

Um homem, vestindo belas roupas e um chapéu com uma pena, se aproxima e elegantemente o pergunta:

- Boa tarde, vossa alteza. De onde és?

Gunther rapidamente responde:

- Berlim.

- Oh, de Berlim? – surpreende-se ele – Não esperava que fossem enviar um emissário para o Reichstag[1].

- Reichstag...?

- Por certo que sim! Esse é o primeiro em que o rei comparecerá pessoalmente para prestigia-lo. Pelo menos esperamos que seja o rei, já que seu pai, Frederico III, morreu há apenas dois anos sem nunca ter comparecido. Velho teimoso e cabeça dura. Que Deus o tenha...

Gunther não faz ideia do que ele está falando.

- A propósito, eu sou o Conde de Hohenzollern. Muito prazer.

- Eu sou Gunther.

O rapaz ia lhe estender a mão, mas o conde se curva e, afastando os braços, dobra levemente as pernas. Confuso, o rapaz o imita.

Em seguida, mais pessoas se aproximam para conversar também.

- Boa tarde, vossa alteza! Como está o senhor?

Gunther vê um homem mais velho falar com o duque. Ele responde:

- Eu estou bem, vossa alteza. Quero que conheça o nosso novo convidado, o Gunther de Berlim.

- De Berlim?! – surpreende-se igualmente ele – Por acaso és o príncipe de Brandemburgo?

- Não, senhor.

- E por falar nisso, como está a região? Fiquei sabendo que seus vizinhos da Pomerânia estão lhe dando trabalho.

O rapaz não sabe o que lhe responder.

- Na verdade eu não posso falar no assunto.

- Ah, uma situação diplomática delicada, não?

O rapaz sorri, sem entender coisa alguma.

- Muito prazer, vossa alteza. Eu sou o Conde de Wertheim.

O homem se curva e, em seguida, Gunther o imita.

Um terceiro homem se aproxima e pergunta:

- E que trajes são esses, alteza? Estão mudando os costumes no norte?

Gunther vê um homem com um longo bigode sorrindo para ele. Então o rapaz percebe que ainda usava as típicas roupas da Alemanha Oriental, jaqueta, camisa, calça jeans e tênis. Arrumando-as, ele responde:

- Sim... Nossa política mudou radicalmente nos últimos anos.

Ele improvisa uma resposta, mas para seu azar, todos imediatamente se interessam.

- É mesmo? E como foram essas mudanças? Deixaram de ser um principado para se unir a reinos maiores? Isso está ficando cada vez mais comum hoje em dia. Diga-me, alteza. O que mudou?

- Bem... – suspira ele – Meu país se tornou socialista.

Franzindo a testa, os três nobres se entreolham. Ninguém sabia do que ele estava falando.

Quebrando o silêncio, o conde de Wertheim diz:

- Onde estão os seus modos, vossa alteza? O senhor já se apresentou ao nosso novo amigo?

- Oh, é claro! – sorri ele – Perdoe-me, meu senhor. Eu sou o Conde de Hesse.

Então ambos se curvam um ao outro.

Os três condes conversam sobre os assuntos políticos de seus respectivos condados. Gunther timidamente os acompanha, apesar de não comentar uma palavra. Conforme o conde de Hohenzollern havia citado minutos antes, o falecido Rei Frederico III não havia comparecido a nenhuma reunião do Reichstag durante todo o seu reinado. De fato, seu filho, o herdeiro real do trono, ainda não havia assumido a coroa do reino, mas se tornara o Arquiduque da Áustria naquele mesmo ano. Então o rapaz se intriga. Em que anos eles estavam?

- Com licença, meus senhores. – interrompe ele, fazendo-os o encararem com olhares altivos – Poderiam me dizer em que ano estamos? Sabem como é, com todos esses reis, principados e condados eu acabo me perdendo, entenderam?

O conde de Hesse ri, admirando-se.

- Ora, vossa alteza. Estamos em 1495.

Gunther arregala os olhos. Controlando-se rapidamente, ele não deixa os nobres perceberem sua surpresa.

- É claro. Perdoem minha desatenção.

O rapaz disfarça e logo os condes voltam a conversar entre si.

“1495?!”, pensa Gunther. “Eu voltei no tempo! Meu Deus, como isso é possível?!”.

Um homem vestido com roupas clericais passa pelo grupo. O conde de Wertheim o avista e diz:

- Abade de Hersfeld! Que prazer vê-lo aqui!

Parando, o abade sorri e então responde:

- Que a paz do nosso Senhor esteja com vocês.

- Abade, quero que conheça o nosso novo convidado, o Príncipe Gunther, o socialista de Berlim.

“Socialista de Berlim?!”, surpreende-se ele.

- Muito prazer, vossa alteza.

Gunther se curva como anteriormente, mas o abade o abençoa com o sinal da cruz.

Então um arauto entra no salão e, chamando a atenção de todos, diz:

- Todos recebam a presença do nosso regente, o Arquiduque Maximiliano I da Áustria e futuro rei do Sacro Império Romano!

Músicos portando trombetas se enfileiram na porta e tocam seus instrumentos, anunciando a chegada do rei. Os presentes se encurvam em silêncio, aguardando o monarca passar. Gunther se surpreende. Ele, crescido em um país em que o Partido Socialista pregava a ideia de igualdade, se via encurvando-se para um nobre, o maior dos nobres, um rei em sua figura mais autêntica. Nobres, clérigos e vassalos o seguiam. Impressionado com tamanha pompa, o rapaz se pergunta. “Isso realmente é necessário?”.

O rei adentra o salão e caminha em direção ao seu trono. Os demais nobres o saúdam e o rapaz  o observa à distância. Maximiliano ainda não era rei, para isso era necessário passar por um processo eletivo, mas já carregava consigo a responsabilidade do cargo.

Os três condes e o abade vão à presença do rei e o saúdam. Gunther não entende. O antigo império era descentralizado e fragilmente unido. Portanto, por que os nobres ainda se reuniam?

Aproveitando o momento sozinho, o rapaz reflete sobre o assunto. O antigo Império Romano foi dividido em duas partes em 395 a.C. A parte ocidental caiu em 476, deixando de existir formalmente. Entretanto, com a formidável expansão territorial empreendida por Carlos Magno nos séculos XVIII e IX, o papa Leão III tentou resgatar a glória do finado império coroando Carlos como o “Rei dos Romanos”. E muitos acreditam que foi nesse momento que nasceu o Sacro Império Romano.

O termo “sacro” se popularizou devido ao fato de que os imperadores desse novo império eram tradicionalmente coroados pelo Papa. Funcionando no “eixo” Roma, bastião do catolicismo, e Viena, capital do reino, a ideia de império defensor da fé cristã permaneceu.

O termo “romano” carrega controvérsias. Gunther se lembra que, ao estudar o assunto na escola, o império oriental nunca reconheceu os ocidentais como seus pares. Os orientais eram os legítimos herdeiros de Roma, pois descendiam diretamente de seu reinado, mas no momento da coroação de Carlos Magno, o papa Leão III não se importou de consulta-los antes do grandioso ato.

A história é enfática ao afirmar que o papa Leão III estava, na verdade, tramando contra o recém coroado imperador. O papa intentou recuperar os territórios de Roma, utilizando-se de um documento falso onde Constantino, o primeiro imperador cristão da História, concedia o poder do império à autoridade papal.

Ao que lhe parece, o papado tinha duas opções: pedir a anuência dos orientais na coroação ou arrogar-se o direito de governar Roma, utilizando-se do documento falso conhecido como Doação de Constantino. Gunther reconhece que o papa tramou usurpar não apenas as conquistas de Carlos Magno, mas a porção ocidental inteira, desejando transforma-la no bastião de toda a cristandade.

Por outro lado, o papa não estava de todo errado em suas escolhas. No ano de 800, ao coroar Carlos Magno, o império oriental era governado por Irene de Bizâncio, que além de ser uma mulher, era suspeita de matar seu próprio filho para subir ao trono.

“Não importa qual período da História eu estude”, pensa Gunther, “ela sempre estará escrita com sangue”.

Mas chamar o império de império é mergulhar em outra complexidade histórica. Apesar dos sucessos militares de Carlos Magno, o recém-nascido império ainda não estava pronto para se afirmar. Seus herdeiros o dividiram e, após inúmeras disputas internas, o legado de Carlos se desfaleceu. Foram necessários mais 136 anos para que as sementes do império, sob Otão I, pudessem florescer. Mais tarde conhecido como Otão, o Grande, o rei consolidou o Sacro Império Romano e o tornou um dos impérios mais longevos da humanidade, durando mais de mil anos. 

A sessão se inicia. Observando como os nobres discutiam suas reivindicações políticas, o rapaz nota sua fragilidade. Apesar de seu imenso território, os duques, príncipes e senhores das cidades-livres demonstram resistência em acatar à autoridade do rei. Gunther reconhece que a liberdade e o espírito indomável estiveram sempre presente no coração dos alemães.

O rei se mantém em silêncio e raramente fala aos presentes. Ao tomar uma decisão importante, alguns nobres imediatamente protestam, acusando-o de ainda não ser o imperador. Outros pedem moderação, pois sabem que um trono vago os enfraquecerá perante os inimigos. Assim, o Reichstag se divide.

- O império é o bastião da cristandade e de Roma. Devemos resguarda-lo e fortalecer suas fronteiras! – declara um conde.

- Como é possível fortalecermos o império ao custo de perdermos nossa soberania? Isso é um absurdo! – protesta um príncipe.

- E de que adianta soberania em um império que não pode se defender? – pergunta um abade.

- Exatamente! – concorda um bispo – Devemos sufocar o desejo egoísta de soberania e nos proteger dos inimigos. Lembrem-se dos turcos!

Então os nobres desfalecem, lembrando-se das invasões turcas.

- Meus irmãos, vossas altezas bem sabem da ameaça dos otomanos. Entretanto, a liberdade é um direito cristão dado pelo próprio Deus! Se não a guardarmos nesse império, quem garantirá que os infiéis a mantenham depois? – pergunta outro príncipe.

Ao ouvi-lo, os nobres ponderam.

- Mas como manteremos o império e nossa soberania? – pergunta um duque.

Do fundo da sala, uma ilustre e improvável voz responde:

- Protegendo povo!

Intrigados, os nobres viram suas cabeças, procurando aquele que lhes falou.

- O que vossa alteza disse, meu senhor? – pergunta o abade de Hersfeld.

Os nobres abrem espaço, querendo avista-lo também.

- Protegendo o nosso povo. – repete Gunther.

A sala se silencia.

O futuro imperador se reluta ao perguntar:

- Quem é esse homem?

- Vossa alteza, esse é o Príncipe Gunther, o socialista de Berlim. – responde o conde de Hoherzollern.

Franzindo a testa, todos se perguntam: “o que é socialismo?”.

Intrigado, o rei olha para ele e pergunta:

- O que quer dizer, Príncipe Gunther?

O rapaz se enche de ousadia para responder:

- No regime socialista onde cresci, existe o ideal de que todos são iguais. Não há nobres, plebeus, ricos, pobres ou qualquer distinção de classes, apenas a Igualdade. Sim, o socialismo tem muitas falhas, mas também muitas vitórias e conquistas. Portanto eu vos rogo, meus nobres senhores. Fortaleçam o império ou o enfraqueçam em prol de vossas soberanias, eu não me oporei. Mas em nome de Deus eu vos peço: protejam o nosso povo!

Ao proferir sua admirável declaração, o Reichstag se silencia. O silêncio incômodo paira no ar e todos esperam uma resposta do rei. Finalmente ele diz:

- O império é o bastião do cristianismo, mas também é o lar dos nobres soberanos. Juntos somos mais fortes, mas o povo é sua base e verdadeira força. Garantirei vossas soberanias – declara ele, agradando os nobres – Mas também exigirei a minha. Altezas, ouçam o que eu tenho a propor.   

Então o rei faz suas propostas ao Reichstag. Os nobres analisam, debatem e ponderam e em seguida tomam as importantes decisões que prolongariam a existência do vasto império. Eles assinam o histórico Reichsreform[2], um conjunto de decretos que instituíam os círculos imperiais, o Reichskammergericht[3] e a manutenção da corte particular do rei, funcionando paralelamente com a corte imperial. Nisso, o território imperial se manteria, mas ao custo da autoridade do próprio rei, que gradualmente diminuía. Satisfeitos, os nobres concordam com as reformas.

Curvando-se, os nobres saúdam o rei e então o aplaudem, se confraternizando no Reichstag.

Gunther não apenas testemunha, mas influencia um evento histórico em seu país. Ele presencia uma mudança na organização política e jurídica da Alemanha que se manteria por gerações. Sentindo-se satisfeito, ele sorri.

Essas reformas na estrutura imperial sobreviveriam até sua dissolução, em 1806. Estudante dedicado como sempre foi, o rapaz sabe que não naquele ano, mas somente em 1512, o rei Maximiliano I seria coroado imperador. Observando o jovem rei agora, ele lhe deseja sorte.

E por falar em 1512, nesse mesmo ano o império receberia seu novo título, o Heiliges Römisches Reich Deutscher Nation[4], ou em sua forma mais resumida, o Sacro Império Romano-Germânico. “Um império alemão?”, se pergunta ele. É nesse momento que o rapaz percebe.

Gunther havia conhecido o Primeiro Reich.

 

 

 



[1] Parlamento em alemão

[2] Reforma imperial

[3] Câmara da corte imperial

[4] Sacro Império Romano da Nação Germânica 

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