- Ei,
garoto.
Alguém
cutuca o rapaz com uma vara e ele desperta em um pulo. Olhando assustado para
os lados, ele se vê em uma frondosa floresta no meio de um vale. Um homem
permanece parado à sua frente, observando-o com bizarra atenção.
- Onde é
que eu estou? – pergunta ele.
O homem
olha para trás. Gunther percebe que havia uma carruagem ali, e uma senhora com
duas crianças também olhavam para ele. O rapaz percebe que eram uma família.
- Bem...
– começa ele, um pouco confuso – Estamos na Renânia, a caminho de Worms. O que
você está fazendo aí?
“Worms?!”,
se pergunta o rapaz. “Esta cidade não fica na Alemanha Ocidental?”.
- Como
eu vim parar aqui?
O homem
e sua família parecem não entendê-lo.
-
Esperava que você nos dissesse.
- Eu...
– nesse momento ele nota que a família vestia os peculiares trajes medievais do
século XIV – Por que vocês estão vestidos assim?
Então o
homem suspira. Entediando-se, ele olha para sua esposa e diz:
- Vamos,
vamos embora. Ele é só mais um bêbado perdido na floresta.
Dando-lhe
as costas, o homem se afasta. Assustado, Gunther se levanta e o interrompe.
-
Espere! Me levem com vocês!
O homem
desconfia.
- Levar
um estranho com minha família? Está me tomando por um tolo?
Subindo
em sua carruagem, o homem pega as rédeas dos cavalos.
-
Espere! Eu não sei onde estou! Eu preciso de ajuda!
- Como
não sabe onde está? Por acaso você apareceu do ar?
“Sim!”,
pensa o rapaz, mas ninguém entenderia.
- Por
favor, me ajude! – apela ele.
O homem
o ignora e, preparando-se para seguir viagem, sua esposa intervém.
-
Querido, eu te peço, ajude esse moço.
- Nós
não o conhecemos. Pode ser um desses ladrões da floresta.
- Mas
ele parece estar perdido. Um ladrão não demonstraria tamanha inocência.
- E se
for uma armadilha?
-
Querido, é nossa obrigação cristã. Lembre-se da parábola do bom samaritano.
O homem
pondera. Pegando seu colar, ele beija o crucifixo em sua ponta. Aparentemente,
ele era um fiel muito fervoroso.
- Está
bem. Você pode vir conosco.
-
Obrigado! Muitíssimo obrigado!
Gunther
os agradece intensamente. Em seguida ele sobe na carruagem e eles seguem
viagem.
§
Chegando
em Worms, o rapaz vê uma incrível cidade medieval diante de seus olhos.
Passando sobre a antiga ponte, ele contempla boquiaberto a belíssima Torre dos
Nibelungos. Observando atentamente seus detalhes arquitetônicos, ele reconhece
que aquela era uma das edificações mais belas que ele já viu.
O casal
olha para Gunther e o estranham. O rapaz olhava fixamente para cima onde não
havia nada. Ele parecia admirar emotivamente algo invisível, impossível de
se ver. Em sua existência dimensional paradoxal, Gunther olhava para uma torre
que somente seria construída em 1897, quatrocentos anos no futuro.
- Ele é
louco? – pergunta uma das crianças.
- Deve
estar possuído por demônios. – responde o pai.
Diante
do enorme muro que rodeia a cidade, ele atravessa o portão e nota as igrejas
cinzentas, as ruas estreitas e as arcaicas carruagens em toda parte. Gunther se
extasia ao ver a impressionante Catedral de São Pedro ao longe, a famosa igreja
de estilo romanesco. Sentindo o forte odor de estrume de cavalo, ele se
pergunta como os medievais conseguiam suporta-lo.
-
Bem-vindo à Worms. – diz o homem.
O rapaz
está perdido em admiração. A mulher olha para ele e pergunta:
- Então
você não sabe como veio parar aqui?
Interrompendo-se, ele responde:
- Eu
simplesmente não sei.
- Não
sabe? O que aconteceu para estar desmaiado no meio da floresta horas atrás?
Gunther não
sabe o que responder. Então um som alto de trombeta é ouvido próximo ao
mercado principal.
- O que
está havendo? – pergunta o homem.
A mulher
também está confusa e olha intrigada.
Enxergando
um cartaz na parede, o rapaz lê as complicadas palavras em um alemão antigo.
- Ali
diz que hoje haverá uma reunião de nobres em Worms.
O casal
olha intrigado para ele.
- Como você
sabe? – pergunta o homem.
- É o
que diz ali. Veja.
Então todos
se constrangem. Gunther não entende. Em seguida o homem esclarece:
- Nós não
sabemos ler.
Dessa vez
é Gunther quem se sente constrangido.
Descendo
da carruagem, a família o deixa no mercado principal. O rapaz os agradece e
eles vão embora. “Louco!”, sussurra uma das crianças, mostrando-lhe a língua em
seguida.
- Ora, essa... – irrita-se ele.
Em um estalar de dedos, Gunther se vê no meio de uma reunião de nobres e clérigos em um suntuoso salão. Perplexo, ele olha para os lados e vê garçons e músicos encantando os presentes com seus aperitivos e músicas. Por alguma razão desconhecida, o rapaz segura uma taça de champanhe em sua mão, mas ele não fazia ideia de como veio parar ali.
Abordando
um garçom, o rapaz pergunta:
- Com
licença. Onde estamos?
O garçom
arregala os olhos, como se não esperasse que os presentes fossem falar com ele.
Nervoso e com as mãos tremendo, ele responde:
- Em
Worms, meu senhor.
Gunther
caminha até a janela e vê a paisagem lá fora. Ele ainda estava naquela cidade.
Confuso,
ele retorna ao garçom e exasperadamente pergunta:
- Como é
que eu vim parar aqui?!
Ainda
tenso, o garçom não compreende. Ao invés, ele educadamente responde:
-
Perdoe-me, meu senhor. Eu preciso voltar ao trabalho.
Então
ele apressadamente vai embora, se esforçando para que não o notassem.
Naquela
reunião as pessoas vestiam exuberantes trajes medievais, coloridos e
requintados, típicos da alta nobreza. Algumas pessoas olham para ele de longe e
riem, parecendo zomba-lo.
Um homem,
vestindo belas roupas e um chapéu com uma pena, se aproxima e elegantemente o
pergunta:
- Boa
tarde, vossa alteza. De onde és?
Gunther
rapidamente responde:
-
Berlim.
- Oh, de
Berlim? – surpreende-se ele – Não esperava que fossem enviar um emissário para
o Reichstag[1].
-
Reichstag...?
- Por
certo que sim! Esse é o primeiro em que o rei comparecerá pessoalmente para
prestigia-lo. Pelo menos esperamos que seja o rei, já que seu pai, Frederico
III, morreu há apenas dois anos sem nunca ter comparecido. Velho teimoso e
cabeça dura. Que Deus o tenha...
Gunther
não faz ideia do que ele está falando.
- A
propósito, eu sou o Conde de Hohenzollern. Muito prazer.
- Eu sou
Gunther.
O rapaz
ia lhe estender a mão, mas o conde se curva e, afastando os braços, dobra
levemente as pernas. Confuso, o rapaz o imita.
Em
seguida, mais pessoas se aproximam para conversar também.
- Boa
tarde, vossa alteza! Como está o senhor?
Gunther
vê um homem mais velho falar com o duque. Ele responde:
- Eu
estou bem, vossa alteza. Quero que conheça o nosso novo convidado, o Gunther de
Berlim.
- De
Berlim?! – surpreende-se igualmente ele – Por acaso és o príncipe de Brandemburgo?
- Não,
senhor.
- E por
falar nisso, como está a região? Fiquei sabendo que seus vizinhos da Pomerânia
estão lhe dando trabalho.
O rapaz
não sabe o que lhe responder.
- Na
verdade eu não posso falar no assunto.
- Ah,
uma situação diplomática delicada, não?
O rapaz
sorri, sem entender coisa alguma.
- Muito
prazer, vossa alteza. Eu sou o Conde de Wertheim.
O homem
se curva e, em seguida, Gunther o imita.
Um terceiro
homem se aproxima e pergunta:
- E que
trajes são esses, alteza? Estão mudando os costumes no norte?
Gunther
vê um homem com um longo bigode sorrindo para ele. Então o rapaz percebe que
ainda usava as típicas roupas da Alemanha Oriental, jaqueta, camisa, calça
jeans e tênis. Arrumando-as, ele responde:
- Sim...
Nossa política mudou radicalmente nos últimos anos.
Ele
improvisa uma resposta, mas para seu azar, todos imediatamente se interessam.
- É
mesmo? E como foram essas mudanças? Deixaram de ser um principado para se unir
a reinos maiores? Isso está ficando cada vez mais comum hoje em dia. Diga-me,
alteza. O que mudou?
- Bem...
– suspira ele – Meu país se tornou socialista.
Franzindo
a testa, os três nobres se entreolham. Ninguém sabia do que ele estava falando.
Quebrando
o silêncio, o conde de Wertheim diz:
- Onde
estão os seus modos, vossa alteza? O senhor já se apresentou ao nosso novo
amigo?
- Oh, é
claro! – sorri ele – Perdoe-me, meu senhor. Eu sou o Conde de Hesse.
Então
ambos se curvam um ao outro.
Os três
condes conversam sobre os assuntos políticos de seus respectivos condados. Gunther
timidamente os acompanha, apesar de não comentar uma palavra. Conforme o conde
de Hohenzollern havia citado minutos antes, o falecido Rei Frederico III não
havia comparecido a nenhuma reunião do Reichstag durante todo o seu reinado. De
fato, seu filho, o herdeiro real do trono, ainda não havia assumido a coroa do
reino, mas se tornara o Arquiduque da Áustria naquele mesmo ano. Então o rapaz
se intriga. Em que anos eles estavam?
- Com
licença, meus senhores. – interrompe ele, fazendo-os o encararem com olhares
altivos – Poderiam me dizer em que ano estamos? Sabem como é, com todos esses
reis, principados e condados eu acabo me perdendo, entenderam?
O conde
de Hesse ri, admirando-se.
- Ora,
vossa alteza. Estamos em 1495.
Gunther
arregala os olhos. Controlando-se rapidamente, ele não deixa os nobres
perceberem sua surpresa.
- É
claro. Perdoem minha desatenção.
O rapaz
disfarça e logo os condes voltam a conversar entre si.
“1495?!”,
pensa Gunther. “Eu voltei no tempo! Meu Deus, como isso é possível?!”.
Um homem
vestido com roupas clericais passa pelo grupo. O conde de Wertheim o avista e
diz:
- Abade
de Hersfeld! Que prazer vê-lo aqui!
Parando,
o abade sorri e então responde:
- Que a
paz do nosso Senhor esteja com vocês.
- Abade,
quero que conheça o nosso novo convidado, o Príncipe Gunther, o socialista de
Berlim.
“Socialista
de Berlim?!”, surpreende-se ele.
- Muito
prazer, vossa alteza.
Gunther
se curva como anteriormente, mas o abade o abençoa com o sinal da cruz.
Então um
arauto entra no salão e, chamando a atenção de todos, diz:
- Todos
recebam a presença do nosso regente, o Arquiduque Maximiliano I da Áustria e
futuro rei do Sacro Império Romano!
Músicos
portando trombetas se enfileiram na porta e tocam seus instrumentos, anunciando
a chegada do rei. Os presentes se encurvam em silêncio, aguardando o monarca
passar. Gunther se surpreende. Ele, crescido em um país em que o Partido
Socialista pregava a ideia de igualdade, se via encurvando-se para um nobre,
o maior dos nobres, um rei em sua figura mais autêntica. Nobres, clérigos e
vassalos o seguiam. Impressionado com tamanha pompa, o rapaz se pergunta. “Isso
realmente é necessário?”.
O rei
adentra o salão e caminha em direção ao seu trono. Os demais nobres o saúdam e o rapaz o observa à distância. Maximiliano ainda não era rei, para isso era
necessário passar por um processo eletivo, mas já carregava consigo a
responsabilidade do cargo.
Os três
condes e o abade vão à presença do rei e o saúdam. Gunther não entende. O
antigo império era descentralizado e fragilmente unido. Portanto, por que os nobres
ainda se reuniam?
Aproveitando
o momento sozinho, o rapaz reflete sobre o assunto. O antigo Império Romano foi
dividido em duas partes em 395 a.C. A parte ocidental caiu em 476, deixando de
existir formalmente. Entretanto, com a formidável expansão territorial
empreendida por Carlos Magno nos séculos XVIII e IX, o papa Leão III tentou
resgatar a glória do finado império coroando Carlos como o “Rei dos Romanos”. E
muitos acreditam que foi nesse momento que nasceu o Sacro Império Romano.
O termo
“sacro” se popularizou devido ao fato de que os imperadores desse novo império
eram tradicionalmente coroados pelo Papa. Funcionando no “eixo” Roma,
bastião do catolicismo, e Viena, capital do reino, a ideia de império defensor
da fé cristã permaneceu.
O termo
“romano” carrega controvérsias. Gunther se lembra que, ao estudar o assunto na
escola, o império oriental nunca reconheceu os ocidentais como seus pares. Os
orientais eram os legítimos herdeiros de Roma, pois descendiam diretamente de
seu reinado, mas no momento da coroação de Carlos Magno, o papa Leão III não se
importou de consulta-los antes do grandioso ato.
A
história é enfática ao afirmar que o papa Leão III estava, na verdade, tramando
contra o recém coroado imperador. O papa intentou recuperar os territórios de
Roma, utilizando-se de um documento falso onde Constantino, o primeiro
imperador cristão da História, concedia o poder do império à autoridade papal.
Ao que
lhe parece, o papado tinha duas opções: pedir a anuência dos orientais na
coroação ou arrogar-se o direito de governar Roma, utilizando-se do documento
falso conhecido como Doação de Constantino. Gunther reconhece que o papa tramou
usurpar não apenas as conquistas de Carlos Magno, mas a porção ocidental
inteira, desejando transforma-la no bastião de toda a cristandade.
Por
outro lado, o papa não estava de todo errado em suas escolhas. No ano de 800,
ao coroar Carlos Magno, o império oriental era governado por Irene de Bizâncio,
que além de ser uma mulher, era suspeita de matar seu próprio filho para subir
ao trono.
“Não
importa qual período da História eu estude”, pensa Gunther, “ela sempre estará
escrita com sangue”.
Mas
chamar o império de império é mergulhar em outra complexidade histórica. Apesar
dos sucessos militares de Carlos Magno, o recém-nascido império ainda não
estava pronto para se afirmar. Seus herdeiros o dividiram e, após inúmeras
disputas internas, o legado de Carlos se desfaleceu. Foram necessários mais 136
anos para que as sementes do império, sob Otão I, pudessem florescer. Mais
tarde conhecido como Otão, o Grande, o rei consolidou o Sacro Império Romano e
o tornou um dos impérios mais longevos da humanidade, durando mais de mil anos.
A sessão
se inicia. Observando como os nobres discutiam suas reivindicações políticas, o
rapaz nota sua fragilidade. Apesar de seu imenso território, os duques,
príncipes e senhores das cidades-livres demonstram resistência em acatar à
autoridade do rei. Gunther reconhece que a liberdade e o espírito indomável
estiveram sempre presente no coração dos alemães.
O rei se
mantém em silêncio e raramente fala aos presentes. Ao tomar uma decisão importante,
alguns nobres imediatamente protestam, acusando-o de ainda não ser o imperador.
Outros pedem moderação, pois sabem que um trono vago os enfraquecerá perante os
inimigos. Assim, o Reichstag se divide.
- O império
é o bastião da cristandade e de Roma. Devemos resguarda-lo e fortalecer suas
fronteiras! – declara um conde.
- Como é
possível fortalecermos o império ao custo de perdermos nossa soberania? Isso é um absurdo! – protesta um príncipe.
- E de
que adianta soberania em um império que não pode se defender? – pergunta um
abade.
-
Exatamente! – concorda um bispo – Devemos sufocar o desejo egoísta de soberania
e nos proteger dos inimigos. Lembrem-se dos turcos!
Então os
nobres desfalecem, lembrando-se das invasões turcas.
- Meus irmãos,
vossas altezas bem sabem da ameaça dos otomanos. Entretanto, a liberdade é um
direito cristão dado pelo próprio Deus! Se não a guardarmos nesse império, quem
garantirá que os infiéis a mantenham depois? – pergunta outro príncipe.
Ao ouvi-lo,
os nobres ponderam.
- Mas como manteremos o império e nossa soberania? – pergunta um duque.
Do fundo
da sala, uma ilustre e improvável voz responde:
- Protegendo povo!
Intrigados,
os nobres viram suas cabeças, procurando aquele que lhes falou.
- O que vossa
alteza disse, meu senhor? – pergunta o abade de Hersfeld.
Os
nobres abrem espaço, querendo avista-lo também.
- Protegendo o nosso povo. – repete Gunther.
A sala
se silencia.
O futuro
imperador se reluta ao perguntar:
- Quem é
esse homem?
- Vossa
alteza, esse é o Príncipe Gunther, o socialista de Berlim. – responde o conde
de Hoherzollern.
Franzindo
a testa, todos se perguntam: “o que é socialismo?”.
Intrigado,
o rei olha para ele e pergunta:
- O que
quer dizer, Príncipe Gunther?
O rapaz
se enche de ousadia para responder:
- No
regime socialista onde cresci, existe o ideal de que todos são iguais. Não há
nobres, plebeus, ricos, pobres ou qualquer distinção de classes, apenas a
Igualdade. Sim, o socialismo tem muitas falhas, mas também muitas vitórias e
conquistas. Portanto eu vos rogo, meus nobres senhores. Fortaleçam o império ou
o enfraqueçam em prol de vossas soberanias, eu não me oporei. Mas em nome de
Deus eu vos peço: protejam o nosso povo!
Ao proferir
sua admirável declaração, o Reichstag se silencia. O silêncio incômodo paira no
ar e todos esperam uma resposta do rei. Finalmente ele diz:
- O império
é o bastião do cristianismo, mas também é o lar dos nobres soberanos. Juntos somos
mais fortes, mas o povo é sua base e verdadeira força. Garantirei vossas soberanias –
declara ele, agradando os nobres – Mas também exigirei a minha. Altezas, ouçam
o que eu tenho a propor.
Então o
rei faz suas propostas ao Reichstag. Os nobres analisam, debatem e ponderam e
em seguida tomam as importantes decisões que prolongariam a existência do vasto império. Eles assinam o histórico Reichsreform[2],
um conjunto de decretos que instituíam os círculos imperiais, o
Reichskammergericht[3] e
a manutenção da corte particular do rei, funcionando paralelamente com a corte
imperial. Nisso, o território imperial se manteria, mas ao custo da autoridade do
próprio rei, que gradualmente diminuía. Satisfeitos, os nobres concordam com as
reformas.
Curvando-se, os nobres saúdam o rei e então o aplaudem, se confraternizando no
Reichstag.
Gunther não
apenas testemunha, mas influencia um evento histórico em seu país. Ele
presencia uma mudança na organização política e jurídica da Alemanha que se
manteria por gerações. Sentindo-se satisfeito, ele sorri.
Essas reformas
na estrutura imperial sobreviveriam até sua dissolução, em 1806.
Estudante dedicado como sempre foi, o rapaz sabe que não naquele ano, mas
somente em 1512, o rei Maximiliano I seria coroado imperador. Observando o
jovem rei agora, ele lhe deseja sorte.
E por
falar em 1512, nesse mesmo ano o império receberia seu novo título, o Heiliges
Römisches Reich Deutscher Nation[4],
ou em sua forma mais resumida, o Sacro Império Romano-Germânico. “Um império alemão?”,
se pergunta ele. É nesse momento que o rapaz percebe.
Gunther
havia conhecido o Primeiro Reich.
[1]
Parlamento em alemão
[2]
Reforma imperial
[3]
Câmara da corte imperial
[4] Sacro
Império Romano da Nação Germânica

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