(Artista desconhecido)
Órbita da Terra,
30 de novembro de 2460 e.C, ou 511 pós revolução maoísta.
Da cabine do
Wénzi, Yang contempla o planeta Terra. Estando a 30 km acima da superfície, o
piloto vê aeronaves arrojadas deixando o planeta; eram os veículos oficiais das
Nações Unidas.
Após a fuga dos
diplomatas, Yang vê massivas aeronaves entrando em órbita; eram as aeronaves
tripuladas transportando os civis.
A aeronave
presidencial se junta à frota do alto escalão de Shangai e Pequim. Mais tarde
se aproxima a nave do Ministério da Defesa. Naves de políticos e de diplomatas
também se juntam à frota. Enquanto isso, chefes de Estado de todo o mundo ainda
estão deixando o planeta; a fuga da Terra estava longe de acabar.
Na frota, taikonautas
fazem a manutenção da nave principal; ela também sofreu danos durante a fuga.
Yang se dirige à doca e aporta, o alto escalão chinês o aguada.
O piloto veste
suas botas magnéticas e caminha pelo deck principal, com passos precisos
simulando a gravidade. Os tripulantes acenam e o cumprimentam alegremente,
agradecendo-o por seus esforços combatendo o inimigo.
Mas aquele não
era momento para celebrações. Todos lamentam a morte de Junlong. Wénzi era
eficaz ao combater os enxames, mas a guerra já cobrava o seu preço.
Li Fen estava de
luto. Isolada em seu dormitório, ela chorava a perda de seu pai. Suas próprias
lágrimas flutuavam na gravidade zero.
- Li Fen? – chama
ele – Posso entrar?
- Vá embora. – responde
ela.
Yang não se move.
Ele percebe que ela estava abatida e não tinha ninguém para consola-la.
Não sabendo o que
responder e não querendo parecer o culpado, Yang comenta:
- Ele não quis
minha ajuda, Li Fen. Ele quis cumprir a missão.
O piloto falava a
verdade. A tenente-coronel, porém, não demonstra reação. Nenhuma palavra,
nenhuma grosseria, nenhum olhar irritado típico de sua personalidade.
Passados alguns
segundos em silêncio, Yang decide se afastar. Mas de repente ela diz:
- Lü Dongbin.
Yang se confunde.
- O quê...?
- Meu pai sempre
me contava a história de Lü Dongbin. – responde ela, de cabeça baixa – Como na
história, meu pai queria que eu compreendesse que todas as coisas na vida são
transitórias, e que eu deveria buscar algo mais duradouro na minha existência,
como a espiritualidade e a eternidade. – e então ela amargamente sorri – E hoje
é o espírito do meu pai que parte para a eternidade.
Li fen chora. Preocupado,
Yang tenta consola-la quando alguém os interrompe.
- Piloto Haisheng!
O senhor deve se apresentar à sala de guerra imediatamente, sem atrasos.
Contrariado, Yang
olha para Li Fen, mas ela simplesmente desvia o olhar em silêncio. Assentindo,
o piloto respira fundo e responde:
- Afirmativo,
soldado.
§
Na sala de
guerra, Yang se apresenta. O ministro da defesa, o almirante da marinha, o
marechal do exército e o almirante da aeronáutica se reúnem, juntamente com
outras autoridades do alto escalão chinês.
Primeiramente
eles lamentam a perda de Junlong e lhe desejam condolências. O alto escalão
sabia da amizade entre Yang e o general.
O ministro da
defesa inicia a reunião. Ele informa que a situação com o Yiqún está muito má.
A invasão abrange escala global, mas não é isso o que o preocupa. Os enxames
estão tomando todas as grandes cidades da China. Pontos estratégicos, vitais
para a sobrevivência de seu país, também estão sendo tomados. Se o inimigo
continuar avançando, a segurança nacional se desfalecerá.
Yang entende o
que o ministro quer dizer. Apesar da invasão alienígena afetar todo o mundo, a
China tem muitos inimigos pelo planeta. Um sinal de fraqueza e toda a ordem
chinesa cai.
O almirante da
aeronáutica e o marechal do exército tomam a palavra. Eles expõem as
implicações de um ataque nuclear em solo chinês. A radiação contaminará o meio
ambiente e, com a invasão vindo do espaço, eles ainda não podem garantir a
segurança do presidente dentro do planeta. O almirante da marinha concorda. Após
a missão em Pequim, eles puderam constatar que o inimigo também tinha veículos
militares capazes de navegar e mergulhar na água.
Yang percebe.
Nenhum lugar na Terra era seguro. Apenas o espaço se tornara uma opção.
Com a anuência do
ministro, o alto escalão decide adiar o lançamento dos mísseis Dongfeng. Eles
pretendem garantir a segurança do presidente primeiro.
Tiangong
permanecia a primeira opção. Ao consultar o setor de comunicações da nave, o operador
retorna com uma resposta desconfortável; a estação espacial Tiangong não
responde. Eles insistem por um tempo, mas a estação só devolve a estática e o
silêncio. A angústia pesa sobre o alto escalão.
Falhando as
tentativas de contato, eles acessam remotamente o setor de segurança da
estação. As imagens das câmeras não são boas.
Tiangong estava
sendo atacada ferozmente pelos enxames. Mesmo no espaço, as naves humanas não
eram páreas para o ágil inimigo. Os sistemas de defesa também não repelem o invasor;
elas foram projetadas para uma ameaça terráquea; nenhum engenheiro ou cientista
previu que a invasão seria alienígena.
O ataque é rápido
e contundente. O sistema de suporte à vida é destruído. O gerador de energia e
as câmaras hidropônicas em seguida são arrasadas. O sistema de segurança e as
naves humanas são meticulosamente neutralizados pelos enxames. Durante a operação,
os enxames bombardeiam prédios inteiros dentro de Tiangong. Pesaroso, Yang vê a
estação sucumbir.
- Já vimos o suficiente!
– interrompe o ministro, ordenando o fim da reprodução do vídeo.
Yang é convocado
para averiguar a estação. Ocupados, nenhum deles teve tempo de solicita-lo um
relatório sobre o sucesso da missão em Pequim.
Li Fen também é
convocada. Escondida atrás dos militares, Yang nem mesmo viu que ela estava
ali. O alto escalão quer que ela prossiga para a missão, auxiliando e
fornecendo informação necessária ao piloto. Ousadamente ela protesta.
- Por que eu
deveria auxilia-lo? A nave do meu pai – ela se referia ao Shenzhou Wénzi – não
precisa de auxiliar de comunicação; ela já tem a IA.
Todos se espantam
com sua ousadia. Não era comum na cultura militar chinesa questionar ordens. O
ministro sente seu rosto corar.
Os oficiais do
Exército esclarecem dizendo que Li Fen é filha do falecido Junlong, e que agora
passava por um difícil momento de luto. O ministro da defesa então se contém,
mas ainda assim a ignora. Ela continuava escalada para missão.
A reunião estava
encerrada. Yang teria apenas três horas para descansar e se preparar para a
missão. Ele precisava se apressar.
§
No espaço, a
aeronave de reabastecimento se acopla ao Wénzi. Yang averigua o sistema de
navegação e o equipamento; tudo parecia estar em ordem. Em silêncio, ele
aguarda ser reabastecido com combustível, munições e ter seu escudo
recarregado. No lado de fora, a fuselagem brilhava com a barreira Kinect.
Terminado o
serviço, uma mensagem de voz robótica surge na cabine.
“Instalações de
armas concluída. Boa sorte”.
Então a aeronave
de reabastecimento se afasta.
Avançando pelo
espaço, Yang se dirige à Estação Espacial Tiangong.
Tiangong, ou
“Palácio Celestial” em chinês mandarim, foi um programa espacial com diversas
etapas em sua história. Inicialmente lançando um módulo menor em 2013, o Tiangong-1,
ele foi seguido de módulos maiores capazes de hospedar equipes de taikonautas
inteiras no espaço.
Em 29 de abril de
2021, a estação teve seu primeiro módulo lançado, chamando-se Tianhe, ou “Harmonia dos Céus”. Ele foi
seguido por mais dois módulos, o primeiro de nome Wentian, ou “A Busca pelos Céus”, lançado em 24 de julho de 2022, e
o segundo de nome Mengtian, ou
“Sonhando com os Céus”, lançado em 31 de outubro de 2022.
A partir de
então, a estação aumentou de tamanho continuamente até o final do século XX,
principalmente após o fim da guerra entre a China e os Estados Unidos em
2041.
Com o mundo então
pacificado sob a nova ordem chinesa, a China pôde se concentrar na exploração espacial.
Tiangong era frequentada apenas por taikonautas, mas com seu rápido
crescimento, Pequim iniciou um projeto de colonização espacial em larga escala,
o primeiro da humanidade.
Tiangong
acarretou dezenas de outros projetos ambiciosos da humanidade. Seu crescimento
ocasionou a criação do primeiro elevador Terra-Espaço, ligando a superfície à
órbita por cabos ultra resistentes. O elevador fornecia recursos e
matéria-prima para a estação em expansão, sem a necessidade de foguetes.
Em pouco mais de
vinte anos, a estação aumentou 50 mil vezes de tamanho. O que antes era um
posto de pesquisa para taikonautas, hoje se tornava o lar de milhares de
pessoas. Compartimentos residenciais, pontos de comércio e áreas de lazer foram
construídos, assim como jardins hidropônicos, instalações sanitárias e sistemas
de suporte à vida, garantindo a sobrevivência de seus residentes.
Cientistas
chineses desenvolveram máquinas capazes de simular a gravidade, mantendo sua
estabilidade através da centrifugação e do magnetismo.
Chamar Tiangong
de estação é apenas um detalhe, um nome oficial de sua origem. Hoje Tiangong é
uma verdadeira colônia, abrigando dezenas de milhares de habitantes e tendo seu
número estimado em 60 mil.
Entretanto
Tiangong abrigava um segredo. Apesar de pacífica, ela também abriga uma arma
letal capaz de destruir a humanidade. O colossal canhão responsável pela
vitória sobre os Estados Unidos se encontra em Tiangong. Yu Huang Shang-ti[1],
nome do deus mais importante do taoísmo, dá seu nome ao poderoso canhão, uma
forma política de dizer que o deus mais poderoso do mundo é chinês.
Yu Huang, porém,
encontra-se adormecido em sua tumba no espaço, aguardando o momento em que será
ressuscitado para defender a humanidade.
A estação se
aproxima. Yang se impressiona; Tiangong é gigantesca. Semelhante a um cilindro
aberto, a estação é considerada a maior obra da humanidade, superando a
hegemonia histórica da Muralha da China.
Chegando na
estação, Yang vê satélites de comunicação destruídos pelo caminho. Adiante se
encontram as docas de aterrisagem. Luzes vermelhas conectadas por cabos guiam
seu caminho, como uma pista de pouso. Os portões para o interior estão
destruídos, evidenciando a impetuosa invasão.
Ao atravessar os
portões da primeira doca, eles se movem com dificuldade, tentando se fechar
inutilmente. A passagem a seguir era escura e quadricular. Sistemas de
segurança com defeito o detectam e o atacam, identificando o Shenzhou Wénzi
como um intruso. Canhões lasers se desacoplam das paredes e atiram contra Yang,
assustando-o. Com manobras evasivas, ele ordena:
- Navcom, selecionar
o canhão Estrela da Manhã!
- Afirmativo,
senhor.
Apertando os
gatilhos, os lasers ricocheteiam pelas paredes e destroem os canhões.
Em seguida uma
voz surge no comunicador; era Li Fen. Ela diz:
“Piloto Haisheng,
prossiga com cuidado. A invasão inimiga pode ter danificado os sistemas de
segurança”.
Sorrindo, o
piloto responde:
- Percebi...!
Sensores no
segundo e último portão da passagem detectam o Wénzi e começam a se fechar.
Preocupado, Yang acelera e tenta atravessa-lo a tempo. Wénzi ativa seus propulsores
e atravessa por um triz. E assim a doca de entrada era deixada para trás.
O interior da
colossal estação se revela. Tiangong era clara e iluminada por dentro, como um
salão luminoso. Entretanto, Yang a encontra abandonada e devastada. Não havia sinal
de vida nas instalações, e detritos diversos flutuavam pela gravidade zero.
Nas paredes da
estação Yang pode ver o quanto Tiangong era grande. Prédios residenciais
compunham quarteirões inteiros, interligados com vias de trânsito. Ferrovias de
metrô interligavam áreas residenciais e comerciais. Nas zonas comerciais, os
prédios eram mais belos e arrojados, tendo fachadas luminosas e letreiros de
neon.
Zonas industriais
estavam mais adiante; Tiangong produzia componentes eletrônicos e energia solar
captada diretamente do espaço. As instalações de suporte à vida estavam ao lado
das zonas industriais. Essenciais para o funcionamento da estação, elas
forneciam água e alimentos para seus residentes.
Yang mais uma vez
se impressiona. Toda aquela estrutura era sustentada sobre si mesma, formando
uma circunferência tão enorme que seus habitantes mal sentiam sua
curvatura.
A missão do
piloto era averiguar a estação e contatar seus dirigentes. Os prédios
administrativos se localizavam mais no interior de Tiangong, mas ele não
conseguia vê-los.
- Li Fen, você
pode me passar as coordenadas da Ponte de Comando, por favor?
“Navcom não pode
fazer isso para você?”, ironiza ela. “‘Herói...’?”.
Com a inesperada
resposta, o piloto se desconcentra.
De repente uma
plataforma se eleva e Yang grita, puxando rapidamente os lemes. E assim ele
salva o Wénzi de ter sua cabine espatifada contra o aço.
- Mas por que
você está...
“Piloto Haisheng,
prossiga com cuidado. O sistema de infraestrutura automatizado também pode ter
sofrido avarias”, diz ela.
Yang olha para
baixo e vê plataformas subindo e descendo, indo de uma extremidade a outra na
estação. Aquelas plataformas transportavam bens e mercadorias, passando pelo
centro do círculo sem a necessidade de percorrer toda a circunferência de
Tiangong.
As plataformas
estavam transportando canhões e veículos de guerra, mas não eram do inimigo
alienígena; era do próprio exército chinês. E agora as plataformas vinham
diretamente para ele.
Ao avista-lo, os
veículos apontam seus canhões e atiram, atingindo o Wénzi. Navcom informa:
- Escudos a 91%.
Sistemas de
segurança, plataformas automatizadas, veículo militares hostis... Ao ver
aquilo, Yang só consegue pensar em uma coisa. Ele diz:
- Li Fen, isso
não é apenas um mal funcionamento. O inimigo hackeou os sistemas. Ele está
usando cyber warfare!
Cyber warfare é um termo em inglês usado para
identificar guerra cibernética, ou seja, quando o inimigo se infiltra nos
sistemas de segurança com vírus, reprogramação e espionagem.
Mais plataformas
sobem e, ao mesmo tempo, outras descem, como se fosse um sistema de cabeamento
funicular. As plataformas trazem veículos e canhões militares, que atiram
impiedosamente contra o Wénzi. O piloto se defende bravamente, atirando com seu
canhão Estrela de Manhã e devastando os inimigos.
Mas a luta era
intensa. Esquivar-se dos tiros, contra-atacar e, enquanto isso, acautelar-se
para não se espatifar nas plataformas era uma tarefa que exigia o máximo de
suas habilidades. De fato, ele se sentia lutando entre as engrenagens de uma
máquina.
Yang avança. As
plataformas subiam e desciam adiante dele. De repente ele vê outra aeronave se
aproximando. Como uma colmeia, a aeronave abre sua comporta e libera dezenas de
drones, que imediatamente voam em sua direção e o atacam. Ele se surpreende
novamente; aqueles eram drones chineses.
Mais aeronaves do
tipo colmeia aparecem, liberando seus drones. Yang lutava contra forças de seu
próprio país. Os tiros vêm de todos os lados e ele é atingido algumas vezes,
mas com poucos danos.
As plataformas
ficam para trás, mas o piloto ainda é obrigado a se desviar das paredes e
pilares da própria estação para prosseguir. Apesar de seu colossal tamanho,
Tiangong otimizava seus espaços por dentro.
Das zonas
residenciais abaixo, projéteis de energia são disparados. Yang se esquiva, e então
ele consegue ver. Ele se aproxima das zonas habitacionais abaixo. Os prédios
estão em chamas e os quarteirões estão sendo devastados pelo inimigo.
Eram os enxames.
Os enxames
destruíam sistematicamente habitações humanas, embriagados em sua sede de
destruição. Quarteirões eram devastados, as vias eram obstruídas pelos detritos
e toda a infraestrutura desfalecia, impossibilitando os sobreviventes de
fugirem.
Yang sobrevoa as
zonas residenciais. O fogo e a fumaça em gravidade zero eram densos e se moviam
vagarosamente. A colônia era devastada abaixo. Quem ficasse ia morrer.
Tristemente o
piloto percebe; Tiangong estava dominada pelo inimigo. Com os sistemas de
segurança hackeados, nem mesmo as aeronaves humanas estavam imunes para combate-los.
A cada minuto que se passava, eles perdiam Tiangong.
De repente Yang é
severamente atacado. Enxames se elevam dos prédios e as aeronaves colmeias
aparecem, vindo do eixo da estação. Wénzi é atingido várias vezes, perdendo a
carga de seu escudo. O piloto aperta o gatilho e dispara o Estrela da Manhã,
fazendo o ricochete aniquilar tudo em seu caminho, tanto os enxames quanto as
colmeias.
Yang percebe que
era melhor abater as colmeias antes delas abrirem as comportas, pois a
liberação dos drones ameaçavam sublevar seus reflexos. Selecionando seus
mísseis, o piloto atira. Por serem lentas, as colmeias não conseguem se
esquivar e são abatidas facilmente.
Abaixo, Yang vê
sobreviventes fugindo dos prédios. Os enxames atiram nas vias públicas e o
rompimento do casco causa despressurização, lançando pessoas à deriva pelo
espaço. O piloto se horroriza ao vê-las sufocar até a morte.
Os mais
privilegiados conseguem fugir em seus aerocarros. Eles deixam suas residências,
mas são abatidos pelos enxames durante a fuga. Alguns escapam do impiedoso
inimigo, mas estarão sozinhos no exterior da estação; não há nenhum socorro
vindo da Terra.
Os prédios
administrativos ainda estão distantes. Yang sobrevoa zonas industriais e é
atacado por um novo inimigo. Máquinas de vários braços retráteis, semelhantes a
polvos, tentam golpeá-lo; elas esticam seus braços e o piloto se esquiva a
tempo. Yang reconhece máquinas humanas. Como gruas e robôs comuns, os chineses
as utilizavam para construir e expandir Tiangong.
- Li Fen, os
enxames hackearam inclusive máquinas e utilitários industriais! Aqui não é
seguro para os humanos! – informa ele.
“Entendido”.
A automatização
cobrara seu preço. O que antes foi criado para auxiliar os seres humanos, agora
são facilmente hackeados pelos alienígenas. A tecnologia inimiga abrangia a
realidade virtual, e códigos de programação eram interpretados e reescritos por
eles. Entre um momento e outro, equipamentos com Inteligência Artificial
tornavam-se hostis.
Yang atravessa as
zonas industriais destruindo gruas e robôs de construção civil.
Uma gigantesca
fenda aparece na lateral estação. Ele vê o exterior lá fora, a Terra podia ser
vista. Contemplando o planeta, ele nota seu tom azulado e pacífico em contraste
com toda a violência e destruição lá embaixo. Seu mundo era conquistado e destruído.
Milhões estava morrendo. Impotente, ele se sente incapaz de fazer nada. Seu
coração se emociona.
- Escudos a 81%.
O Wénzi é
atingido. Ele precisa se concentrar.
Ao passar pelas
zonas industriais, ele avista os prédios administrativos de Tiangong.
A Ponte de Comando
está mais a frente; era um prédio branco com bandeiras da China pintadas em
suas fachadas. No topo há uma vasta sala com janelas ao longo de seu
comprimento.
Na praça central
ele vê uma réplica do primeiro módulo do Tiangong, o Tiangong-1, lançado em 29
de setembro de 2011, ainda com os painéis solares nas laterais.
De repente uma
voz surge em seu comunicador.
“Aqui é o
almirante Yaping! Estamos sendo atacados! Perdemos o contato com Pequim há três
dias! Se você pode me ouvir, responda-me!”.
Abrindo o canal
de comunicação, Yang responde:
- Aqui é o Piloto
Haisheng do Shenzhou Wénzi! Estou na escuta! Câmbio!
“Shenzhou
Wénzi...?”, confunde-se ele. Por ser um projeto ultrassecreto, poucas pessoas
ouviram falar dele. Nem mesmo a alta patente tinha conhecimento de sua
existência.
O almirante continua:
“Ouça! Estamos
sendo atacados por um inimigo desconhecido! Ele hackeou nossos sistemas de
segurança e pretende usar o canhão Yu Huang! Precisamos detê-lo enquanto há
tempo!”.
Yang se espanta.
O lendário canhão seria usado novamente, e desta vez não por mãos humanas.
- Preciso chegar
à `Ponte de Comando – responde ele – Minha missão é averiguar a estação e contatar
seus dirigentes! Câmbio!”.
Um minuto depois
o almirante responde:
“Entendido,
Piloto Haisheng! Enviaremos a nossa posição, mas não posso garantir a segurança
do espaço aéreo! Os sistemas de segurança atacarão todos que tentarem se
aproximar do setor administrativo! Ou mesmo sair! Prossiga com cuidado!
Câmbio!”.
Assentindo, Yang
responde:
- Entendido,
almirante Yaping! Nos vemos aí embaixo! Câmbio!”.
E então ele
manobra o Shenzhou Wénzi e se dirige à Ponte de Comando.
