domingo, 29 de agosto de 2021

Sonata - 45 - O Ministério de Segurança Pública


 

- A hora é agora! Não devemos desperdiçar o momento! Devemos aproveitar que a moral da tropa está alta!

Tokugawa exclamava no monitor. Database responde:

- Você tem certeza, Tokugawa-san? Um ataque agora que eles acabaram de perder sua primeira batalha? Isso pode ser desastroso. As forças de segurança podem ter se retraído e fortificado suas defesas.

- Eles não estão fortificando seus ministérios; eles estão fortificando as corporações! Eles são sustentados por elas e, por este motivo, as priorizam!

- Seu arsenal se encontra no Ministério de Segurança Pública. Ataca-lo seria o mesmo que atacar precocemente seu quartel-general.

- Mais um motivo para ataca-los! – insiste ele – O coração podre de Sonata bate devido ao comando de seus generais. Se desarmarmos suas tropas, eles não subsistirão.

Database pondera.

- A Bushido encabeçará o ataque no ministério sozinha? Vocês precisarão da ajuda de outras facções?

Tokugawa gargalha, exibindo seus dentes amarelados devido a tantos cigarros.

- Meus samurais são orgulhosos e honrados. Se eles dividirem sua vitória ao derrubar o império corporativo, que glória eles terão? 

O xogum fala de maneira antiga, como se a metrópole fosse o Japão feudal. Nos outros monitores, os líderes riem discretamente.   

- Pois, bem. O conselho decidirá por votação.

- Não será necessário. – interrompe o General Washington – Deixe-os atacar o ministério sozinhos. Eu adorarei ver esses porcos saudosistas queimarem sob o arsenal da polícia.

Insultado, o líder da Bushido diz:

- Como vocês estavam sendo até o Inimigo de Estado aparecer e salvar as suas vidas?

Então os líderes riem.

- Você julga que a 4 de Julho perdeu o respeito e o prestígio com os ataques da polícia, mas também não perdeu o seu país quando o vencemos e o humilhamos no fim da Segunda Guerra Mundial?

A discussão se acalora. Database intervém.

- Senhores, temos uma rebelião em andamento. Todos concordam que a Bushido deve atacar o Ministério de Segurança Pública?

O conselho é unânime em decidir. Os japoneses irão sozinhos.

- Temos o nosso próximo alvo, então.

Apontando o dedo para a câmera, Tokugawa diz:

- Não se esqueça do Inimigo de Estado. Esse rato sorrateiro deve vir comigo.

Levar Nathan era sua única exigência.

Todos concordam. Desligando os monitores, o conselho é encerrado.

Sentando-se em sua poltrona, Database descansa e bebe um gole de seu uísque. Olhando para o lado, o chefe encontra o rapaz sentado em silêncio no sofá. Ele pergunta:

- Algum problema, Nathan?

De mãos dadas e inquieto, o rapaz parecia perturbado.

- Database, os Trans-humanistas...

Nathan hesita em falar. Database pergunta:

- O que tem os Trans-humanistas?

- Eles não são apenas fanáticos. Eles são cruéis e assassinos...!

O chefe não compreende.

- Por que fala assim? Eles foram valorosos em combate ontem à noite. Pensei que estivesse feliz com a vitória.   

- Eles são uns monstros! – exclama ele – Quando chegamos ao terminal, eles o bombardearam com os civis ainda dentro.

Sem demonstrar reação, Database responde:

- Eram, na maioria, operários das corporações.

- Podia ter mulheres e crianças no meio.

- Improvável. As escolas foram fechadas devido a rebelião.

- E as mulheres? Muitas também são operárias.

- Não. – insiste ele – O governo as aconselhou a permanecerem em casa com suas famílias.    

O rapaz desconfia. Todavia, ele continua.

- Huxley me obrigou a matar!

Ainda sem reação, Database pergunta:

- Mas você matou?

- Não, mas eu tive sorte. – explica ele – O laboratório da Bio Prótesis explodiu antes. Do contrário, ele teria me obrigado.

- Obrigado?

- Sim, se não ele mataria um runner.

Respirando fundo, o chefe discursa:

- Nathan, a metrópole o vê como um salvador, o corajoso Inimigo de Estado ousado o bastante para expor os segredos corporativos e iniciar a Rebelião. Há uma guerra lá em cima e foi você quem a declarou. Não existem meios pacíficos para vencê-la, a população foi oprimida demais. Ora, eles temem o risco de extermínio! – refere-se ele ao Projeto Gemini – Na sua pessoa, eles enxergam o único que pode salva-las do fim. Não há convivência com um governo genocida. Eles querem destruí-lo, eles querem sangue e você é o herói quem irá derrama-lo.

O rapaz se assusta.

- Mesmo que o herói tenha de matar?

Dando de ombros, ele responde:

- Heróis matam.

Os dois ficam em silêncio por um tempo. Estranhando a tranquilidade de seu chefe, Nathan pergunta:

- Database, por acaso você sabia das ações dos mecanicistas?

Ele bebe seu uísque.

- Não. – mente ele – Eu não sabia.

O rapaz ainda desconfia. Database não apenas sabe como também aprova as ações dos Trans-humanistas. Ele não era diferente das facções; ele era igual.

De repente o vidphone toca. Atendendo-o, ele volta a tratar de seus assuntos.

Antes de sair pela porta, o chefe o interrompe, dizendo:

- Vá dormir, Nathan. Descanse. Hoje à noite você tem outra festa para ir.

 

§

 

Em um furgão com outros runners, Nathan sobrevoa o distrito Orion, Setor F. Desta vez ele se precaveu, decidindo não entrar no mesmo aerocarro com os terroristas.

- Ei, olha só isso. – cutuca um runner – Veja só os aerocarros desses japoneses.

Os samurais viajavam em carros coloridos, brilhantes e cheios de enfeites.

- Não parece um carnaval? – ri ele.

- Sim. – responde ele, apático.

- Algum problema, cara?

Nathan estava preocupado. Desde o início da Rebelião, aquela era a primeira vez que ele partia em uma missão sem Vertigo. Ao perguntar para o Database, ele responde que já está investigando seu paradeiro.

- Estou preocupado com o Vertigo. Você teve notícias dele?

- Nenhuma. – responde o runner – Achei que ele tivesse se ferido na Bio Prótesis.

- Ou tivesse morrido. – responde uma runner de jaqueta amarela e cabelos azuis – O laboratório se explodiu aquela noite. Pelo o que eu soube, ele estava lá dentro quando explodiu.

Intrigado, o rapaz pergunta:

- Mas por que ele estaria lá dentro? Para quê?

A garota sacode os ombros, assoprando uma bola de chiclete e estourando-a em seguida.

O motorista diz:

- Ministério da Segurança Pública à frente! É o seguinte: eu quero todo mundo com o documento de identidade em mãos. Não preciso lembrar que menores não podem beber, certo? Ah, e menores só na presença dos pais ou responsáveis.  

Ao ouvir as brincadeiras, a runner diz:

- Cale a boca, Trent! Aqui é o Ministério de Segurança Pública e não uma delegacia de polícia!

- Ah, mas polícia é o que mais teremos aqui... – se espanta ele.

Pela janela, Nathan vê um batalhão policial inteiro protegendo o ministério.

- Vejam quantas viaturas! – sussurra o motorista ao ver o brilho de seus giroflexes.

- Parece até uma árvore de natal...

Minutos depois eles se posicionam sobre as megatorres. O prédio do ministério tinha um arquitetura interessante. Era um monólito de concreto semelhante à arquitetura brutalista do século XX. “O século das ideologias humanistas mais genocidas da história da humanidade”, lembra-se ele.

Um carro preto com vidros filmados se estaciona ao seu lado. De seu interior sai um homem robusto vestindo quimono e duas espadas em sua cintura. Nathan o reconhece; é o Xogum Tokugawa.

Mais aerocarros se estacionam. Os samurais se desembarcam e preparam suas armas. Suas armaduras eram lindas e brilhavam com as luzes. De fato, aquelas eram as indumentárias mais lindas que ele já viu.

Vendo aquele homem carrancudo se aproximar com meia dúzia de samurais ao seu lado, o rapaz se intimida.

- Nathan-san, espero que você e seus runners combatam com honra esta noite.

- Faremos o que for preciso, Xogum Tokugawa.

Observando aqueles moleques mal vestidos com cabelos pintados e óculos coloridos, o xogum pergunta:

- Tem certeza que sua gente pode te proteger?

Apesar de suas táticas inusitadas, os runners eram um bando de delinquentes e maltrapilhos perto dos samurais disciplinados e bem armados da Bushido.  

- Não se preocupe. Quando os confrontos começarem, eu manterei a distância.

Tokugawa sorri.

- E perderá a chance de se tornar um guerreiro de verdade? Pensei que os Trans-humanistas tivessem dado um jeito nisso.

Intrigado, o rapaz pergunta:

- O que quer dizer?

- Você vem com a gente.

Puxando-o, os runners apontam suas armas. Como consequência, os samurais as apontam também. O rapaz intervém:

- Esperem! Está tudo bem! – recompondo-se ele diz – Eu me comprometi a acompanhar as facções durante os ataques. Hoje eu irei com a Bushido.

Tokugawa assente.

- Escolheu bem.

Então o xogum veste sua armadura. Nathan se surpreende. Tokugawa usava uma armadura negra, vermelha e com chifres no capacete. A aparência o desconforta. Era como se o rapaz estivesse na presença de um demônio.

Colocando um comunicador, Nathan ouve os samurais conversando. Uma voz familiar fala ao seu ouvido. Ele a reconhece.

“Xogum Tokugawa, solicito permissão para atacar”.

- Entendido. Pode começar, kyaputen Yamada.

Então uma aeronave passa rapidamente sobre eles. Aproximando-se do ministério, os policiais detectam sua presença e respondem atirando com canhões antiaéreos. A aeronave é alvejada, mas, antes de sucumbir, ela consegue soltar sua bomba. A explosão é tão forte que sopra uma onda de ar quente ao redor, estilhaçando as vidraças e derrubando os aerocarros próximos.

Exasperado, o xogum ordena:

- Destruam aqueles canhões!

- Hai! – respondem os samurais.

Os coloridos aerocarros levantam voo e partem em direção ao ministério. Ao mesmo tempo, viaturas policiais saem do interior do prédio. Uma batalha aérea estava prestes a começar.

“Não é um simples prédio, senhor! É um vasto abrigo de viaturas policiais!”, alerta Yamada.

Tokugawa pondera. Olhando para Nathan, ele diz:

- Venha, Inimigo de Estado. Vamos afundar esse porta-aviões!    

- O quê? – confunde-se ele.

Colocando-o no aerocarro, o motorista levanta voo e parte para o confronto. O rapaz sente forte cheiro de incenso lá dentro, fazendo-o se enjoar. Enquanto voam, asas se formam sob o assoalho, turbinas surgem no porta-malas e metralhadoras se levantam do capô. Nathan se impressiona.

- Posicionem os Zeros! Formação de ataque! – ordena o xogum.

“Zeros?”, pergunta-se ele. Tokugawa apelidara seus aerocarros modificados com o nome dos antigos caças do Império Japonês.

Com uma metralhadora em sua mão, Tokugawa abre a janela e atira contra as viaturas próximas.

- Aqui, Nathan-san. Me ajude a abatê-los.

O rapaz vê uma belíssima metralhadora japonesa em seu colo. Ele diz:

- Senhor Tokugawa, eu não sei atirar.

- Apenas aperte o maldito gatilho, droga! – exclama ele – E depressa! Esses vidros não são a prova de balas.

O motorista olha pelo retrovisor. Tokugawa estava mentindo.

Uma viatura atira contra o aerocarro, pipocando sua lataria. Eufórico, o xogum gargalha.

Olhando para baixo, Nathan vê a frota de viaturas e Zeros se atacando. Era como ver um enxame de aviões de guerra voando em combate.

Posicionados nas laterais do Ministério de Segurança Pública, os canhões atiram contra as aeronaves da Bushido. Uma é atingida e mergulha entre as megatorres, engolida pelas chamas.

- Kyaputen Yamada, recue as aeronaves tripuladas! Devemos destruir as viaturas e os canhões primeiro!

“Hai!”.

As viaturas combatem firmemente, mas são apenas aerocarros comparados aos Zeros japoneses. Tiros atingem o teto, assustando Nathan. Uma viatura os seguia. Ativando as turbinas, o Zero acelera e o afunda em seu banco. Nunca antes em sua vida ele viu manobras tão arriscadas quanto aquelas. O motorista não era um samurai de combate a pé, mas um legítimo piloto de aviação.    

Piruetas e loopings o jogam de um lado ao outro. Enquanto fuma um cigarro, o xogum atira com sua metralhadora, gargalhando com o inimigo abatido.

“Loucos...!”, pensa Nathan. “Eles são todos loucos!”.

O piloto sobrevoa tão rápido a lateral dos edifícios que o rapaz poderia toca-las com as suas mãos. Com os tiros e os aerocarros desgovernados caindo por toda parte, o distrito se torna um sangrento campo de batalha.

“Eles também não tem apreço pelos inocentes!”, pensa ele. “Centenas estão se ferindo lá embaixo e eles não se importam!”.

Fogos de artifício se estouram no céu, atrapalhando os policiais. Intrigado, Nathan olha para baixo e se surpreende. Próximo ao ministério, ele vê uma manifestação em andamento.

- Mas que diabos...!

Pessoas carregam cartazes e gritam o nome de Nathan. Eles apoiavam seu salvador e herói, o Inimigo de Estado.

- Parece que eles vieram apoia-lo, Nathan-san!

Assentindo, ele diz:

- Mas quem os convocou?

Uma rajada atinge sua janela, assustando-o.

- Use sua arma! – ordena o xogum.

Atirando de volta, os motores de uma viatura pegam fogo e ela se explode, matando os policiais.

- Meu Deus! – espanta-se ele.

- Não pare! Os seus amigos runners estão morrendo lá embaixo.

Atirando nos edifícios próximos, os canhões pulverizam a posição dos runners. Nathan ativa seu comunicador e diz:

- Atenção, runners! Não ataquem o prédio frontalmente! Adotem táticas sorrateiras! Os canhões devem ser neutralizados imediatamente!”.

Tokugawa se surpreende.

- Ora, ora, temos um comandante aqui?

O rapaz vê os runners deixarem os terraços e pularem sobre as tubulações e plataformas adjacentes. Ágeis e habilidosos, os policias não os veem chegando, pois estavam ocupados abatendo os Zeros.

Dividindo-se em equipes, os runners se dirigem aos canhões espalhados pelas aberturas das fachadas. Enquanto atiram, os policiais olham para trás e veem jovens de roupas coloridas apontando armas para eles.

- Boa noite! – diz uma runner.

E então ela e sua equipe atiram, eliminando os atiradores e o grupo de apoio.

“Nathan! Tomamos um canhão. Devemos seguir a outro?”.

- Não. Se tiverem explosivos, destruam-no! Destruam todos se possível. E não fiquem próximos deles, os japoneses estão atacando-os agora.

“Entendido”.

A batalha aérea parecia vencida. Então o xogum se preocupa. Ao longe, ele vê mais viaturas policiais chegando; a polícia havia chamado reforços.

- Tokugawa-san, reforço inimigo a caminho!

Muitos Zeros foram abatidos em combate. Com o reforço se aproximando, eles não poderiam mais vencê-los. Falando ao comunicador, o xogum diz:

- Kyaputen Yamada, mantenham a posição. Não recuem!

Nathan se atemoriza. Permanecer significava uma batalha perdida.

Uma explosão é vista na fachada do Ministério de Segurança Pública. Os runners destruíram um canhão. Infelizmente os outros continuavam a atirar, abatendo-os.

“Nathan, os policiais nos encurralaram no prédio. Tem gente morrendo aqui!”.

- Os runners estão morrendo! – espanta-se ele – Vou pedi-los para recuar.

- Não! – ordena Tokugawa – Ninguém recuará aqui. Ou venceremos esta batalha ou todos morreremos juntos.

- Xogum Tokugawa, não estamos no Japão feudal! Não há honra na morte! Se ficarmos, nós vamos morrer!

O xogum ri.

- Ao contrário, Inimigo de Estado. É na derrota que não há honra e meus samurais não serão desonrados se acovardando perante o inimigo.

O rapaz insiste.

- Devemos partir antes que seja tarde demais!

- Vocês devem? – desconfia ele – Eu sei o que está pensando. Você quer reagrupar seu séquito e deixar o distrito. Não, isso não vai acontecer.

- Tokugawa, isso não é sobre mim, é sobre os runners! Aqui eles não poderão sobreviver!

Ignorando-o, ele diz:

- Os Trans-humanistas não te tornaram um guerreiro. Na verdade, você ainda não passa de um agitador das massas... – menospreza ele – Mas eu te tornarei um. Você fica.

Nathan não consegue acreditar no que ouve.

- Kyaputen Yamada, este porta-aviões está testando a nossa meta. Só há um meio de afunda-lo. Chame os Kamikazes!

Mas não haviam Kamikazes para chamar. O xogum falava deles mesmos.

O reforço chega metralhando impiedosamente os Zeros. Em menor número, eles são facilmente abatidos no ar. Os canhões ainda estão operacionais no prédio, os runners não conseguiram neutralizar todos.

Voando em um rasante, um Zero atravessa o céu. Estarrecido, Nathan assiste o veículo mergulhar em chamas entre as viaturas e se chocar contra o edifício. A explosão se reverbera pelo ar, abafando o som das sirenes.

- Tokugawa, isso foi suicídio...!

- Não! – contesta ele – Isso foi morrer com honra! A maior de todas as honras é morrer em batalha!

O rapaz ouve outro rasante. Passando próximo ao seu aerocarro, um Zero atravessa as viaturas e se explode contra os canhões, neutralizando-os.

- Isso é loucura! Nós temos que recuar!

O líder se irrita.

- A Bushido odeia e despreza os covardes! Controle-se, homem! Endireite-se! Você é o Inimigo de Estado. Prefira morrer em pé ao viver de joelhos.

Lembrando-se dos seguranças da Bio Prótesis, ele pondera. Todos se renderam ao fim da batalha e, como recompensa, foram executados um por um. E eles estavam ajoelhados.

- De que servirá a Rebelião se morrermos aqui?

- Vida e morte são dois lados da mesma moeda, garoto. Dois extremos de uma mesma vela que se apagará. Você valoriza demais a vida. Entenda que, para uma semente germinar, o fruto externo deve morrer.

O xogum falava filosoficamente como se suas palavras procedessem de uma sabedoria oriental.

Tiros perfuram o aerocarro e atingem o motorista. Ele grita.

- Xogum Tokugawa! Fui comprometido...!

- Consegue suportar?

Tocando seu peito, suas mãos se sujam de sangue.

- Eu não sei...!

- Então sabemos o que devemos fazer. Samurai, foi uma honra!

Tokugawa segura seu ombro, agradecendo-o. Ofegante, o motorista responde:

- Foi uma honra, senhor...!

Nathan observa no banco de trás e não entende o que está acontecendo. De repente o motorista alinha o volante e ativa a turbina, potência máxima.

- O que ele está fazendo?

O xogum seriamente responde:

- Cumprindo a missão.

O aerocarro avança em direção ao ministério. Os projéteis atingem a lataria, atravessando o estofado e desestabilizando a direção. O painel brilha em vermelho, soando alarmes e emitindo os alertas críticos. Vendo o enorme prédio se aproximando, o rapaz se desespera e grita.

Em uma abertura, um canhão aparece às suas frentes. O veículo voa tão rápido que Nathan consegue ver os policiais operando-o. De repente eles fogem, temendo o ataque suicida. Então, vindo de outra direção, uma viatura se choca contra o Zero e ele muda de direção, voando pela passagem e caindo dentro do edifício.

Faíscas e estalos aparecem a cada impacto. O rapaz é lançado de um lado ao outro, como um boneco de pano inerte. Se arrastando pelo piso, o Zero se desliza até se chocar contra os pilares, encerrando seu pouso forçado.

Policiais se aproximam. Sentindo o cheiro de fumaça e de combustível, eles temem uma explosão. Em seu interior eles veem três homens desacordados. Nathan havia desmaiado na colisão.    

 

  

 

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