quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Sonata - 25 - Resistência Purista

 


(Arte de Klaus Pillon, Reddit.com)

Connaissance, um antigo distrito industrial localizado no Setor P, já foi um local movimentado e cheio de pessoas. Torres residenciais foram construídas próximas das fábricas e de suas máquinas que nunca paravam de funcionar. A população trouxe o comércio local e o governo dedicou muitos andares ao serviço público, tornando-os em escolas, creches e hospitais. Porém, com a rápida expansão metropolitana, o velho distrito de Connaissance perdeu muito de sua glória e hoje mantém apenas suas fábricas e usinas, não passando de mais um distrito industrial nos arredores de Sonata.

Atualmente, muitos desses andares públicos permanecem abandonados. Para prevenir focos de atividade criminal, a Polícia interditou sua entrada, mas, após anos de abandono, outros moradores passaram a habitá-los. Oferecendo a infraestrutura e o espaço necessário, criminosos políticos e paramilitares montaram suas bases nesses andares e, de lá, comandam seus atos terroristas frequentemente sangrentos.

Em um hospital abandonado encontra-se a sede da Resistência Purista, a famosa facção defensora da pureza física humana. O hospital opera clandestinamente e ocupa um andar inteiro da megatorre. Na lateral do edifício, eles mantém um enorme símbolo da cruz vermelha.

Alguém vestido de branco desce as escadas. Com uma máscara de ar pendurada em seu pescoço, ele usa touca e luvas cirúrgicas até a metade dos braços. Entrando no hospital, ele passa pelos pacientes, os militantes da facção feridos em combate. Enfermeiros andam apressados pelos corredores, telefones tocam sobre os balcões e os pacientes preenchem os formulários. No fim de um corredor há uma porta fortificada. Passando seu olho no leitor de retina, a porta se abre e ele prossegue em seu caminho.

Um vasto salão se revela. Nele há pessoas vestidas de branco, verde e prata. Tanques de formol com corpos humanos se estendem pelas paredes. Os cientistas os examinam, acompanhando os dados nos computadores. Médicos fazem autópsias nos corpos, averiguando-os e estudando os efeitos de seus experimentos ilegais.

Adiante, o homem vê os hackers nos computadores e os soldados patrulhando o local com armas em mãos. Naquele lugar não há nenhum robô ou prótese robótica nas pessoas. Os cirurgiões, cientistas e enfermeiros não são iguais aos ciborgues maculados pelas máquinas que habitam a metrópole. Na facção da Resistência Purista, todos são puramente humanos.

Em uma porta há um desenho simples de um homem com os braços para o alto, aparentemente feliz. Abrindo-a, o homem tira suas roupas cirúrgicas e veste roupas pretas e requintadas. Então ele finalmente se senta.

Em uma plaqueta sobre a mesa está escrito: “Frank Nasier, líder da Resistência Purista”. De todas as facções que aterrorizam a metrópole, a Purista é a mais temida. Espalharam-se boatos de que eles são os cruéis carrascos que, em seu delírio fundamentalista de pureza física, arrancam violentamente as próteses biomecânicas dos cidadãos pegos em túneis escuros pela cidade.

Um homem entra em sua sala. Ele veste o típico uniforme branco, verde e prata, usado pelos soldados da facção.

- Sr. Nasier. Tenho boas notícias. Obtivemos sucesso em nossas pesquisas.

Injetando em sua veia uma droga polivitamínica capaz de fortalecer suas capacidades físicas e mentais, o líder olha para o homem e responde:

- O que é tão importante?

- O experimento nanotecnológico. As células se reproduziram!

Arregalando os olhos, o líder se levanta e rapidamente deixa a sala.

Aproximando-se dos tanques de experimentos, Nasier vê um homem imerso em um líquido azulado com um respirador em seu rosto. Em seu corpo há vários tubos conectados ao seu tórax, injetando-o líquidos com propriedades mutagênicas.

Um cientista acompanha os resultados em um monitor. O espécime ainda está vivo, ele conseguiu resistir aos ousados experimentos praticados pelos puristas.

- Quais foram os resultados? – pergunta o líder.

O cientista não consegue conter a euforia.

- Os espécimes sobreviveram aos estágios finais. A potência da droga genética não precisou ser diminuída dessa vez. Estamos perto de criar um novo ser humano!

Nasier pondera. Durante anos ele tenta substituir o uso das máquinas na evolução físico-psíquica do Homem. Mesmo tomando drogas genéticas capazes de equipará-los com as máquinas, eles não conseguiriam vencer a guerra contra seus arqui-inimigos, os Trans-humanistas. Para sua frustração, as máquinas ainda eram superiores.

O ódio cresce em seu peito. As duas facções são ferozes inimigas, antagonizando fundamentalmente na ideologia. Os Trans-humanistas são evolucionistas, acreditando na evolução da raça humana através dos avanços tecnológicos. A Resistência Purista acredita na evolução pela seleção natural, baseando-se em estudos genéticos e teorias darwinistas.

Muitos dos espécimes eram voluntários, homens fanáticos por aquele ideal. O radicalismo tirou-lhes a razão, guiando suas mentes. Acreditando travar uma guerra pela libertação da humanidade, eles doaram a si mesmos para os testes genéticos capazes de tirar vidas. Mas Frank não se importa com quem vive ou morre, desde que ele saia vitorioso.

- Os espécimes alcançaram o nível desejado?

- Com base nos relatórios, a capacidade de raciocínio alcançou uma marca impressionante, dez vezes acima o de uma pessoa normal. Pode-se dizer que eles pensam pelo método binário... – conclui o cientista.

- Então estamos criando um gênio?

- É difícil dizer. Porém, creio que os espécimes sejam capazes de calcular com velocidade impressionante.

- E quanto às suas capacidades físicas?

- Aparentemente sua força física alcançou nível hercúleo.

Nasier se espanta. Não são homens dentro dos tanques, são monstros.

Um soldado aparece atrás do líder. Segurando um relatório em suas mãos, ele diz:

- Sr. Nasier. Há outro assunto que necessita de sua atenção.

- O que foi, tenente?

- O Inimigo de Estado. Nossos espiões o encontraram, ele foi capturado pelos Trans-humanistas.

Ao ouvi-lo, o líder redobra sua atenção.

- Você tem certeza?

- Sim, os trans-humanistas o mantiveram cativo em sua sede. Ele não foi mais visto desde então.

Nasier se enfurece. Nathan, o mesmo Nathan que hoje é caçado pela polícia foi o responsável pelo fracasso do atentado a bomba na sede dos Trans-humanistas.

- Ache-o. Mate-o. O Inimigo de Estado não tem valor algum para mim.

- Mas senhor, Nathan é mais importante para nós vivo. E mata-lo nos colocaria em guerra com a superfície.

Nasier pondera. A superfície é um lugar perigoso. Matar Nathan causaria uma guerra dispendiosa com os runners, enfraquecendo a facção e tirando-lhes o prestígio. Os runners são uma força necessária, renovável e barata. Quando os serviços de espionagem são arriscados demais, as facções os contratam, geralmente obtendo sucesso. Afinal, não se pode infiltrar um ocidental no meio de asiáticos como a Bushido.

- Se o que os espiões dizem é verdade, então apenas os Trans-humanistas sabem onde Nathan está. Precisamos de uma missão de infiltração, uma equipe habilidosa e experiente que consiga essa informação entre os nossos inimigos. Devemos nos infiltrar secretamente, indetectáveis, ou a missão será um fracasso.

O tenente concorda.

- Precisaremos de armas potentes, porém silenciosas, capazes de estraçalhar ligas metálicas. Infelizmente nossas armas não são silenciosas assim.

O líder compreende. Os Trans-humanistas usam armaduras, biopróteses e exoesqueletos em seus corpos. Apenas as armas mais potentes podem derrubá-los, e essas armas são pesadas e barulhentas. Nasier precisa de discrição, alguém que derrube um ciborgue sem chamar atenção desnecessária. Então ele tem uma ideia.

Chamando o cientista, o líder pergunta:

- Quantos espécimes temos para utilizarmos em combate?

O cientista responde:

- Cinquenta... Mas todos estão em estágio inicial e não tenho previsão para...

Ótimo. – interrompe ele – Preciso que prepare três.

- Mas senhor, eles ainda não estão prontos! Talvez precise de mais quatro meses!

- Quatro meses? – pergunta ele. – Acelere o processo, não temos tanto tempo.

Preocupado, o cientista pergunta:

- Mas para quando o senhor precisa deles? Daqui a um mês? Dois, talvez?

O líder sorri. Antes de dar as costas ele responde:

- Esta noite.

 

§

 

A chuva cai sobre Sonata. Relâmpagos atravessam o céu e iluminam a tenebrosa metrópole. O horário de rush se atenua e a noite fica mais tranquila, mas esta noite não será nada tranquila para os Trans-humanistas.

Nasier olha para o para-brisa do furgão. A chuva cai contra o vidro e deixa as luzes da metrópole ainda mais brilhantes. Ao seu lado, o tenente dirige o veículo em silêncio. Ao olhar para trás, o líder vê os três espécimes, agora libertos dos tanques e prontos para o combate. Ou deveriam estar.

Os espécimes estão sentados no escuro, encarando o vazio. Eles não dizem nada ou mesmo olham ao redor. Os espécimes são de estatura elevada e seus músculos parecem exceder a estrutura física de seus corpos. Apesar de não demonstrarem dor ou desconforto, eles respiram e seus peitos se estufam, pulsando as horríveis veias sobressalientes em suas peles. Apesar de dedicar sua vida à proteção da humanidade, o líder reconhece que aqueles espécimes eram qualquer coisa, exceto humanos.

Nasier se distrai olhando para as aberrações atrás de si. Então o tenente o chama, assustando-o.

- O que foi, tenente?

Estamos nos aproximando do território dos Trans-humanistas.

- Certo. – o líder olha para trás e diz – Atenção! Daqui a pouco vamos descer. Preparem-se para a missão.

Então os três lentamente viram suas cabeças. Eles miram seus olhos azuis para o líder, uma coloração antinatural e modificada, alterada quimicamente pelas drogas genéticas. Novamente Nasier sente medo. Ele sente como se estivesse falando com mortos-vivos.

O tenente estaciona o furgão e todos saem pela noite. As passarelas estão movimentadas e as pessoas vestem capas de chuva, protegendo-se dos pingos. A chuva molha as passagens e umidifica o ambiente, tornando feio o que antes se esforçava para ser bonito.

Os espécimes caminham entre eles. Vestindo capas com capuzes, aqueles homens de estatura elevada se sobressaem entre a multidão. Eles se movem aos poucos e dão a impressão de serem a própria personificação da Morte.

O líder cobre seu rosto e olha atentamente ao redor. Em uma cidade dividida entre o domínio corporativo e os conflitos ideológicos, todos são potenciais suspeitos. A passarela chega a um imenso túnel entre uma megatorre. Os neons brilham em centenas de luzes, formando diversos desenhos. Entre as lojas há as escadarias para os andares e algumas pessoas se sentam para conversar. 

Um comerciante grita no túnel, chamando clientes para sua loja. Ao ver os imensos espécimes, ele sente seu coração disparar. Os espécimes lentamente viram suas cabeças, encarando-o de volta. Os olhos do comerciante se arregalam. Emudecendo-se e tremendo de medo, o homem se paralisa.

- Ei, cara! Não estamos interessados em suas porcarias! – diz o tenente.

O comerciante sai de seu transe e olha para ele. O tenente o encara de cima a baixo e vê pernas bioprotéticas em seu corpo. Pegando-o pela camisa, o tenente o empurra, dizendo:

- Maldito mecanicista!

Na saída do túnel, a passarela se divide em várias ramificações. Acima, nos terraços, o líder vê a silhueta dos homens vigiando o movimento abaixo. Observando melhor, Nasier nota que eles estão com armas em mãos. Olhando para o tenente, os dois assentem, ele os viu também. Ali era o coração do território controlado pelos Trans-humanistas.

Ao lado há um ponto de ônibus onde as pessoas aguardam calmamente. As vias virtuais estão movimentadas e os aerocarros passam frequentemente. Misturando-se à multidão, os puristas fingem esperar pelos ônibus e observam em silêncio.

Sobre um terraço, onde as luzes não alcançam, um homem conversa com os Trans-humanistas. Aquele homem é diferente, não tem seu corpo alterado por tubos e ligas metálicas. Deixando o terraço, o homem desce por um elevador panorâmico na lateral do edifício. Saindo em um túnel à frente, o homem caminha entre as pessoas e some entre a multidão. Nasier diz:

- Vamos.

Caminhando discretamente, os puristas o seguem. Então o homem entra em um corredor com tubos de aço na parede. Os tubos têm pequenas fissuras e sopram vapor, enchendo o ambiente com uma fina neblina. Os passos ecoam e o homem tem a impressão de que alguém está seguindo-o.

- Quem está aí? – pergunta ele.

Olhando para trás, ele não vê ninguém. À frente ele vê apenas o vapor e as lâmpadas piscando. Acalmando-se, ele continua seu caminho. De repente um homem enorme aparece e ele imediatamente se intimida. Ao tentar voltar, ele se esbarra em outro gigante, apavorando-se. Antes que pudesse fazer algo, alguém põe um saco em sua cabeça e ele desmaia, não se lembrando de mais nada desde então.

O homem acorda. Sentindo fortes dores de cabeça, ele olha ao redor e se vê em uma sala apertada. Cinco homens estão à sua frente, mas três deles são de aparência monstruosa.

- Quem são vocês?

O líder retira seu capuz e responde:

- Acho que você já sabe quem somos.

Então ele os reconhece, são a famigerada Resistência Purista. Em pânico, ele pergunta:

- O que vocês querem de mim?

- Você sabe o que queremos.

- Não sei do que está falando.

Nasier olha para o tenente. Tirando a calça do homem, o líder vê que suas pernas são próteses metálicas.

- Ora, ora, ora... O que temos aqui? – diz Nasier – Vejo que você é mais um mecanicista impuro que profana seu corpo com a imundície industrial... Escória! Receba o castigo merecido para aquele que macula o sagrado corpo.

Um dos espécimes se aproxima.

- O que vão fazer? – pergunta ele, desesperando-se.

O espécime segura sua perna e, com as próprias mãos,  a arranca. Sangue e óleo se espirram da nauseante ferida, puxando os cabos enrolados entre os nervos e tendões.

O homem grita sem parar. O líder não demonstra compaixão, ao contrário, ele exibe apenas desprezo. O tenente também sente ódio dos impuros, não demonstrando nenhuma compaixão. Certificando-se de que o homem sentiu bastante dor, o líder pergunta:

- E então? Vai nos dar o que queremos?

- Sim! Mas não me machuquem mais, eu imploro!

- Onde está o Inimigo de Estado?

- Quem...?

Então o espécime se aproxima novamente. Interrompendo-o, o homem responde:

- Ele está com os Trans-humanistas! Mas não está aqui, está bem longe e escondido. Muita gente quer ele, as corporações, as facções, a polícia... Não é seguro deixá-lo nos distritos populosos.

- Por que vocês o capturaram?

- Não o capturamos. Ele veio até nós.

O líder se intriga.

- Está me achando com cara de idiota?

- É verdade! Ele veio com outros runners... Ele disse que queria algo absurdo, uma aliança, talvez... Nós o prendemos e o mantivemos conosco desde então.

Ao ouvi-lo, o líder e o tenente se entreolham. Seus informantes estavam certos, afinal.

- Vocês o mantém em cativeiro? Por quê?

- Ora, isso não é óbvio? – sorri ele, com dificuldade – Queremos vencer a Revolução. Todos queremos, até vocês! Com o Inimigo de Estado vamos enfraquecer o poder das corporações. Eles não poderão lutar contra o povo se ele estiver unido...

O homem está certo. Nathan é uma ameaça à estabilidade social. Sua rebelião abalou as fundações da sociedade corporativa inteira.

- E onde vocês o escondem?

O homem hesita.

- Eu não posso dizer. Eles me matariam... – ele respira fundo e continua – Ouça, cara. Eu sou apenas um informante. Não sou como os Trans-humanistas, eu nem mesmo tive meu corpo aprimorado para o combate! Tenho certeza que metade dos habitantes desse distrito tem pelo menos uma prótese em seus corpos... É isso o que vocês querem com a revolução de vocês? Exterminar noventa por cento da metrópole por acompanharem a tecnologia?

Insultado, Nasier sente o ódio fanático crescer em seu peito. Controlando-se, ele responde:

- Diga-me onde ele está e o deixaremos viver.

Minutos depois, passos são ouvidos no corredor. Não são passos comuns, mas passos metálicos como se fossem pernas robóticas. Nasier e os outros deixam a sala, então alguém grita:

- Lá estão eles!

O tenente vê seus perseguidores. Um deles ergue seu braço e o aponta para ele. O tenente se confunde. "A ponta de seu braço é a própria arma!".

Lasers são disparados. Os espécimes são atingidos e cambaleiam. Conhecendo as fraquezas dos Puristas, os perseguidores pensam ter abatido três deles. Ninguém feito de carne e osso resistiria ao poder pulverizador do laser. Mas os espécimes se erguem e os encaram de volta, cheios de ódio em seus estáticos semblantes.

O tiroteio recomeça. Nasier e o tenente fogem, protegidos pelos espécimes atrás de si. Alcançando as movimentadas passarelas, os cinco correm sob a chuva, assustando as pessoas ao redor.

Ao chegarem no furgão, o tenente rapidamente levanta voo. Tiros atravessam a lataria, uma mensagem no painel indica que a porta traseira ainda está aberta. Ao olhar para trás, Nasier vê um dos espécimes agarrado na beirada da carroceria enquanto o veículo sobe ao ar. Pulando o banco, ele tenta puxá-lo de volta.

Os perseguidores estão logo abaixo e atiram no furgão. Um deles agarrou a perna do espécime e tenta fazê-lo se soltar. De repente ele vê o rosto de Nasier aparecer mais acima.

- Desculpe... – diz ele, apontando uma arma para sua cabeça. – Nós não andamos com impuros.

O líder atira e o perseguidor cai livremente sem vida.

Abaixo, os Trans-humanistas assistem impotentes o furgão ir embora sob as infindáveis gotas de chuva.

 

§

 

Voltando ao corredor, os Trans-humanistas encontram a apertada sala com sangue por toda parte. Na parede eles veem um homem pregado de braços abertos e sem as pernas, formando um “Y”. Era o informante. Ao seu redor eles veem um círculo desenhado com o sangue da vítima. Eles entenderam a mensagem, reconhecendo aquela exibição macabra de horror. Os assassinos queriam deixar um recado.

O homem na parede representava o símbolo da Resistência Purista.

 

 

 

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