No terraço do
edifício, Nathan e os trans-humanistas se reúnem no heliponto. Após o duro
combate, as forças policiais fugiram e os seguranças corporativos foram deixados
para trás, caindo nas mãos de seus inimigos. Agora capturados, os remanescentes
são postos de joelhos diante dos invasores. Huxley caminha pelo heliponto e
encara todos eles. Com uma arma em sua mão, ele tenta intimida-los e extrair
informação.
Aproximando-se do
rapaz, ele pergunta:
- Ei, garoto. Até
onde você vai para encerrar sua rebelião?
Nathan está
cansado e ferido. Chamando no comunicador, Vertigo não responde. Os runners
estão presentes, mas nenhum pode fazer nada contra os poderosos mecanicistas.
- O que quer
dizer? – confunde-se ele.
- Escolha um
deles, aponte sua arma e atire.
O líder insistia
em fazer do rapaz um assassino.
- Eu não vou
fazer isso.
- Faça. – ordena
ele – Se não você não sairá daqui.
- Huxley... Eu
não sou um assassino!
- E o que eles são?
– pergunta ele, irritado – Você se esqueceu do Projeto Gemini? As corporações
querem exterminar a população para depois substitui-la. Eles não são
assassinos, eles são genocidas!
- As corporações
são as responsáveis, mas estes homens são inocentes...
- Inocentes?! –
indigna-se ele – Mercenários contratados para matar em prol dos interesses
corporativos. Por séculos as corporações promoveram seu plano genocida,
protegidas por pessoas inescrupulosas que reprimiam quem ousasse denuncia-las.
Eles são cúmplices! Não há diferença entre eles e seus dirigentes!
O líder tinha
razão.
- Mas eu não
preciso ser igual a eles.
- Não, você
precisa ser pior. – retruca Huxley, surpreendendo-o – Operando acima da lei, as
corporações matam, roubam e destroem. Sabendo disso, as pessoas ignoram e
fecham os olhos, pois dependem delas para sobreviverem. Então eu te pergunto:
quem são os terroristas? Aqueles que praticam o terrorismo psicológico e
aprisionador ou aqueles que combatem e libertam?
Huxley
relativizava suas ações, demonizando seus inimigos e justificando a si mesmo.
- Eu não posso
fazer isso.
Irritando-se, o
líder agarra um runner e aponta uma arma para sua cabeça.
- Vamos mudar o
jogo. Se você não atirar, seu amigo delinquente da superfície morre. A vida
dele está em suas mãos. A escolha é sua.
Pressionado, o rapaz
ergue sua arma. Enquanto olha para o segurança diante de si, suor escorre de
seu rosto e suas mãos tremem. Seu coração bate tão rápido que parece que vai
sair por sua boca.
Destravando sua
arma, Huxley diz:
- O tempo está
passando, Nathan. Devo contar até três?
O rapaz põe o
dedo no gatilho. Ele está prestes a atirar.
§
Longe dali, Laura
caminha pelos salões do laboratório principal. Ao seu redor, ela vê as sofisticadas
próteses biomecânicas em desenvolvimento. Pegando seus aparelhos de
hackeamento, ela desarma os sistemas de segurança e entra em uma câmara
protegida.
Rodeada por paredes
brancas, a garota caminha por laboratórios onde eram desenvolvidos componentes
simbióticos a nível celular. Em frascos de vidro, ela sabia para que aquelas
substâncias serviam. Ao serem enxertadas no corpo, as próteses sofriam rejeição
por parte do organismo vivo. A Bio Prótesis desenvolvia uma droga capaz de driblar
as barreiras fisiológicas e adaptar o hospedeiro. Era um processo de
assimilação tecnológica e orgânica, como um simbionte.
Neblina branca
passa por suas pernas. Laura se sentia em uma bizarra nave alienígena.
Aproximando-se de seu objetivo, ele avista um monitor tão frio que cristais de
gelo se formavam em suas pontas. Prestes a toca-lo, uma voz atrás de si diz:
- Afaste-se deste
console, Laura.
Assustada, ela
reconhece a voz. Então ela se vira.
- Vertigo...?!
O hacker apontava
uma arma para ela.
- Foi por isso
que você veio, não é?
A garota não compreende.
- Do que você
está falando?
- Você não veio
para ajudar o Submundo, a Rebelião ou a mim. Você nem mesmo se importa com a
nossa causa! Você veio para roubar a Bio Prótesis.
Vendo que ele não
abaixava a arma, Laura diz:
- Vertigo, o que
você pensa que está fazendo?
- Eu? – ri ele –
Eu poderia perguntar o mesmo. Para quem você está trabalhando? Para o Database?
- Não é para o
Database.
- Então para
quem?
A garota não
responde. De fato, ela não tinha a menor obrigação de responde-lo. Ao invés,
ela faz outra pergunta.
- E você,
Vertigo? Invadindo uma área corporativa restrita... Tenho certeza de que não
foi para me seguir. Então responda-me: para quem você trabalha?
- Eu não estou
trabalhando, eu me aliei a eles.
- Quem?
Diferente dela, o
hacker não guardaria segredos.
- Os
Trans-humanistas.
Surpresa, a
garota gargalha.
- Essa é mais uma
de suas piadinhas?
Ainda sério,
Vertigo meneia negativamente a cabeça.
- Os Trans-humanistas me deram um motivo para lutar.
Rindo, Laura diz:
- Vertigo...
Essas pessoas são terroristas! Por que você se aliaria a esses assassinos?
- E o que somos
nós, Laura? – protesta ele – O que são os ousados runners da superfície? Por
dinheiro e prestígio nós roubamos e matamos aqui em cima. Você mais do que
ninguém sabe isso. Quando fugimos do Ministério da Informação, você matou
gente! Vi com meus próprios olhos você fazer isso. E agora eu te pergunto: onde
nós somos diferentes?
Laura não sabe o
que dizer. Passando alguns segundos, ela confronta:
- Então foi essa
a razão da sua mudança de comportamento, não é mesmo? Você aderiu à causa do
mecanicistas!
- Eu tentei te
dizer que não queria mais fazer parte da superfície. Eu queria algo que desse
sentido à minha vida. Muitos me chamam de habilidoso e inteligente, mas poucos
sabem da miséria onde vivemos e do que fazemos para sobreviver. Eu não quero
ser um rato dos túneis para sempre. Sou apaixonado pela tecnologia e também o
são os mecanicistas! Então, entre escolher em viver vagando pela superfície, ou
com um objetivo claro nos níveis superiores, não foi uma escolha difícil a se
fazer.
Sem acreditar no
que ouve, a garota responde:
- Mas Vertigo,
você era meu amigo! Nós crescemos juntos e passamos por muitas situações
juntos! Você é mais do que isso!
- Sim, sou! –
confirma ele – Mas não muito, afinal eu ainda sou um delinquente suburbano com
ambições de crescimento social...!
Mais palavras
criativas de seu velho amigo. Desconcertada, Laura pergunta:
- Por quê,
Vertigo? Por quê?
- Por uma série
de fatores. Minhas teorias da conspiração não são tão teorias agora que o
Projeto Gemini existe, não é? Aliás, eu amo a tecnologia e acredito
honestamente que a humanidade progredirá com seu avanço. Não é exatamente isso o
que os Trans-humanistas acreditam?
Amargurada, ela
comenta:
- Eu me arrisquei
para resgata-lo de sua sede. Eu inclusive pedi ajuda aos psicopatas da pior
espécie. E é assim que você me retribui?
Intrigado, o
hacker insiste:
- De que
psicopatas está falando?
A garota
finalmente revela.
- A Resistência
Purista.
Desta vez é
Vertigo quem se desconcerta.
- Laura...! Você
e os nazistas da pureza física? Por quê?!
- E não é óbvio?
Quem são seus arqui-inimigos?
Ponderando, o
rapaz diz:
- Você se aliou a
eles para te ajudarem a me resgatar. E é por isso você está aqui hoje, para
pagar o favor.
- Eu faria tudo
por um amigo.
- E o que eles te
pediram em troca? Espionagem industrial? Sabotagem? Uma agente dupla no
Submundo?
Interrompendo-o,
ela responde:
- Eles me pediram
para explodir a Bio Prótesis.
O hacker arregala
os olhos. Ponderando mais uma vez, ele entende o plano. Laura intentava
destruir a tecnologia corporativa para que ela não caísse nas mãos dos
Trans-humanistas. É por isso que ela estava ali. A garota estava usando Nathan
e a rebelião como uma cortina de fumaça, uma distração necessária para invadir
o laboratório da corporação e explodi-lo.
- Eu aderi à
causa Trans-humanista enquanto que você se aliou à Resistência Purista. E foi
assim que nossos caminhos se separaram. Separados por dois inimigos mortais.
Que ironia...
- Não! – protesta
ela – Eu me aliei aos puristas para te salvar. Eu não aderi à sua causa!
- Mas é irônico
ainda assim. Como um destino fatalista.
A garota sorri.
- Você está
começando a soar como o Database.
Vertigo também
sorri.
- Talvez sim. Na
verdade, eu aprendi isso com ele...
Os dois riem. Apesar de tudo, os dois ainda eram amigos. A garota diz:
- Abaixe sua
arma, por favor.
- Não posso. –
responde ele – Assim como você, eu também tenho assuntos aqui.
O hacker estava lá para roubar a tecnologia corporativa. Nasier tinha
razão. Os Trans-humanistas queriam rouba-la o tempo todo, por isso desejavam
atacar a Bio Prótesis.
Laura pega algo
em sua bolsa. Vertigo destrava sua arma. Acenando, a garota tira um objeto e o
põe sobre o console. Era uma bomba.
O hacker
pergunta:
- Você sabe que,
se destruir este lugar, você estará atrasando a tecnologia em Sonata em pelo
menos vinte anos, não é?
- Eu não me
importo.
- Cegos não
enxergarão, surdos não ouvirão, paraplégicos não andarão... Tem certeza que não
se importa?
Cheia de
desprezo, ela responde:
- Não seja cínico!
Você também não se importa! Cegos, surdos e paraplégicos morrerão igualmente em
atentados terroristas cometidos pelos Trans-humanistas e sua nova tecnologia
corporativa.
Laura tinha razão.
Vertigo não tinha o que responder.
Explosões são
ouvidas lá fora. Então o hacker comenta:
- Está ouvindo? A
população está se manifestando a favor da rebelião. Eles acreditam em Nathan e
querem derrubar as corporações também. Nos ajude a vencê-las!
Desinteressada, ela
responde:
- Eu tenho mais o
que fazer.
- Eu me aliei ao
Trans-humanistas para salva-los...
- E eu aos
puristas para te salvar. – interrompe ela, acusando-o.
A garota intenta
ativar a bomba. Vertigo intervém.
- Eu estou aqui
para roubar a tecnologia. Não posso deixar você destruí-la.
- Vertigo... –
ameaça ela – Não tente me impedir.
- Pensei que
nossa amizade fosse importante!
A garota estava
se cansando daquela conversa.
- Ela é. –
responde ela – Mas minha reputação é mais.
Outra explosão ocorre lá fora, desconcentrando-o. Rápida como um relâmpago, Laura saca sua arma e
atira no hacker, derrubando-o no meio dos frascos.
Virando-se, ela
ativa a bomba e deixa a câmara protegida. Antes de passar pela porta, ela
vislumbra Vertigo pela última vez. O hacker estava caído no chão, não
demonstrando sinal de vida. Lágrimas se escorrem de seus olhos e ela se
desanima. Ela, então, diz:
- Desculpe-me,
Vertigo. Mas fazendo-se amigo das facções, você se fez meu inimigo. Adeus, meu
amigo.
Ao sair, as
portas se fecham e ela vai embora.
§
- Qual é o
problema?! É tão difícil você fazer isso?
Então Huxley aperta
o gatilho. O segurança cai no chão, sem vida. Nathan se horroriza. As facções
eram covis de assassinos.
Agarrando
novamente um runner, o líder ameaça:
- Última chance!
Com o ultimato, o
rapaz pergunta:
- Se eu apertar o
gatilho, você deixa os runners e os seguranças viverem?
Encarando-o,
Huxley responde:
- Você tem a minha
palavra.
Enxugando o suor
de sua testa, Nathan aponta sua arma e fecha seus olhos. Então algo acontece.
Uma explosão
balança todo o prédio, estourando as janelas abaixo. Os Trans-humanistas se
desequilibram, caindo no chão do heliponto. Confuso, o líder se levanta e
pergunta:
- Mas o que foi
isso?!
O capitão da
facção responde:
- Senhor, a
explosão veio do laboratório!
- O quê?! –
exclama ele – O Vertigo está lá embaixo!
Então Nathan se
intriga. “Como ele sabia que Vertigo estava lá embaixo no laboratório?”.
- Não é possível
contatá-lo, senhor! O comunicador está desligado!
Huxley se
preocupa, ele pensava em toda a tecnologia oculta no laboratório corporativo. O
capitão pergunta:
- Será que ele
ativou algum sistema de segurança explosivo?
- Impossível! –
responde o líder – Vertigo é um hacker experiente. O melhor. Ele era o único
com as habilidades exigidas para invadir o núcleo.
Soldados
trans-humanistas sobem as escadas e informam.
- Senhor, a
suspeita foi confirmada. O laboratório foi destruído.
Com as mãos na
cabeça, Huxley se lamenta.
- Não pode
ser...!
O líder se
lamenta. Interrompendo-o, o capitão pergunta:
- O que faremos,
senhor?
Vendo que a
batalha fora vencida e que a Bio Prótesis estava sob seu controle, ele
responde:
- Vamos embora.
Mas mantenham os comunicadores ligados. Se Vertigo estiver vivo, enviem uma
equipe para busca-lo.
- Sim, senhor!
Enquanto os
soldados preparam as aeronaves, o capitão pergunta:
- Senhor, o que
faremos com os prisioneiros?
Então o líder se
lembra dos seguranças rendidos. Sem se importar, ele ordena:
- Elimine-os.
Dada a ordem, o
tenente alinha sua equipe e aponta seus rifles. Em seu sinal, todos atiram, atravessando
os seguranças com os poderosos lasers.
Nathan assiste a
tudo aquilo em choque. Os Trans-humanistas não eram apenas terroristas, eles
eram maus.
Aproximando-se,
Huxley toca seu ombro e diz:
- Até mais,
garoto. Outro dia continuaremos nossos assuntos.
O rapaz se
indigna.
- Outro dia?! Eu
espero não vê-lo nunca mais!
O líder ri.
- Mas você irá,
garoto. Você irá.
Dando-lhe as
costas, Huxley passa por aquela pilha de corpos e entra em seu aerocarro.
§
Acordando,
Vertigo sente dor e vê sangue em suas roupas. O cheiro de fumaça paira no ar
e ele vê o incêndio à distância. A Bio Prótesis ardia em chamas. Encolhendo-se, ele se vira para o
lado e tosse, ele estava sentindo muito frio.
- Ei, rapaz!
Acorde!
O hacker se vê
cercado por vários homens. Um deles aparentava ser o líder e falava com ele. O líder vestia casaco
marrom e sapatos sociais. Vertigo pergunta:
- Quem é você?
- Eu sou o Detetive Burton. Prazer em conhece-lo. - o detetive sorri, ele estava sendo irônico - Como se chama, meu jovem?
- Vertigo.
- Vertigo? - intriga-se ele - Por acaso você sofre de vertigem?
Revirando os olhos, ele responde:
- É só um codinome.
- E como se chama de verdade?
O hacker não responde. Olhando ao redor, ele se vê em um andar vazio de uma megatorre em construção.
- Onde é que eu
estou?
- Em um local
seguro.
Vertigo tenta se
levantar, mas o buraco de bala dói em sua barriga. Pressionando-o, ele tenta
estancar o sangue.
- Não se
preocupe. – diz Burton – Eu te dei um medicamento cicatrizante. Você não vai
morrer.
As pessoas ao redor
eram policiais disfarçados. Apesar de se vestirem como civis, sua postura
opressora e abusiva os denunciavam.
- O que vocês
querem?
- Te parabenizar.
Seu discurso realmente nos emocionou. Então você sempre quis ser um cidadão dos
níveis superiores? E para isso teve a brilhante ideia de se aliar a uma facção?
Os policiais
riem.
- Você estava me
observando?
- Eu sou um
detetive, não sou?
Eles ficam em
silêncio por um tempo. Então o hacker diz:
- O que quer que
esteja planejando, você perdeu. Vocês perderam a batalha essa noite e os
seguranças foram capturados pelos rebeldes. Acabou.
- Não, rapaz, não
acabou. Não estávamos aqui para batalhar, mas para mandar um recado.
Vertigo se
intriga.
- Um recado? Para
quem?
- Para o Inimigo
de Estado.
Então ele ri.
- O Nathan?! – admira-se ele – Ele é um marionete da superfície, das facções, do Submundo, de
todo o mundo...! Um cara emocional e impulsivo que sempre se prejudica por
isso. Se vocês lhe dão importância, vocês o superestimam.
Olhando para seus
companheiros, Burton comenta:
- E nós pensando
que vocês eram amigos... Que belo amigo você é.
Ao expor seu
cinismo, o hacker se constrange.
- O que vocês
querem de mim? – pergunta ele.
- O Inimigo de
Estado pode ser um cara patético como você diz, mas ele ainda tem o apoio do
povo. Na metrópole é o povo quem sustenta o comércio, os ministérios e as
corporações. Se perdermos o controle sobre ele, perderemos o nosso poder.
O hacker ri.
- Vocês querem o
poder? Já não o tem o suficiente? Por que se incomodar com o Inimigo de Estado,
então? Matem-no de uma vez e terão o que desejam.
- Não é tão
simples. Queremos sufocar a Rebelião, e não prolonga-la indefinidamente. Nós
queremos capturar o Inimigo de Estado, mas, para isso, precisamos que você o
envie um recado para nós.
Intrigado, ele
pergunta:
- E o que vocês
querem que eu o diga?
Os policiais riem
maliciosamente. Burton responde:
- Não, você não
precisa dizer nada. – o detetive saca sua arma e a aponta para sua cabeça –
Precisamos que você morra.
Vertigo arregala
os olhos.
- No que minha
morte fará diferença?
- Esta caçada
está demorando para terminar. Nathan é uma presa difícil de se abater, terroristas e delinquentes como você o protegem.
Raciocinando
rápido, Vertigo diz:
- Eu posso ser
mais útil para você vivo. Se me deixar ir, eu me tornarei um espião no
Submundo. Você terá informações valiosas.
- Você já traiu o
Submundo. Eles nunca te aceitarão de volta.
- Nathan ainda
confia em mim.
- O Inimigo de
Estado ama a garota e ela sabe a verdade sobre você. Quando sua traição for
revelada, ele ficará ao lado da runner.
- Minhas habilidades com sistemas de segurança são excepcionais. Sou o melhor hacker da superfície.
- Não podemos deixar alguém com suas habilidades livre por aí. Você seria uma ameaça até para nós.
O hacker desiste.
Respirando fundo, ele enxuga o suor de sua testa e ousadamente responde:
- Eu perdi a
superfície, as facções e meus amigos. Vá em frente. Eu aceito o
meu destino. Não resta mais nada em mim.
O detetive
responde:
- Você traiu a
superfície e seus amigos em prol dos seus objetivos. Se em algum dia houve
lealdade em você, foi com você mesmo.
Vertigo está de
joelhos com as mãos em sua ferida. Ao ver sua vida se desmoronando diante de
seus olhos, ele reconhece que a morte era a única saída aceitável a se
escolher.
- Eu aceito o meu destino. – sussurra ele.
- Algumas últimas palavras?
Ele se enche de desprezo.
- Eu não tenho medo de você.
Burton sorri.
- Qual é o seu nome, garoto? Sem codinomes desta vez.
Pesaroso, o hacker se distrai.
- Eliot. - responde ele - O meu nome é Eliot.
Burton assente. De repente ele puxa o gatilho. A bala atravessa a testa do hacker e ele cai no chão, sem vida. Uma poça de sangue se forma e seus olhos perdem o brilho. Satisfeito, o detetive guarda sua arma.
Nathan entenderá
o recado. Burton está perto. Seus amigos estão morrendo. Em sua caçada
implacável, ninguém está a salvo.
“Eu estou
chegando...”, pensa ele. “Inimigo de Estado”.

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