quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Sonata - 44 - O Destino de Vertigo

 


No terraço do edifício, Nathan e os trans-humanistas se reúnem no heliponto. Após o duro combate, as forças policiais fugiram e os seguranças corporativos foram deixados para trás, caindo nas mãos de seus inimigos. Agora capturados, os remanescentes são postos de joelhos diante dos invasores. Huxley caminha pelo heliponto e encara todos eles. Com uma arma em sua mão, ele tenta intimida-los e extrair informação.

Aproximando-se do rapaz, ele pergunta:

- Ei, garoto. Até onde você vai para encerrar sua rebelião?

Nathan está cansado e ferido. Chamando no comunicador, Vertigo não responde. Os runners estão presentes, mas nenhum pode fazer nada contra os poderosos mecanicistas.

- O que quer dizer? – confunde-se ele.

- Escolha um deles, aponte sua arma e atire.

O líder insistia em fazer do rapaz um assassino.

- Eu não vou fazer isso.

- Faça. – ordena ele – Se não você não sairá daqui.

- Huxley... Eu não sou um assassino!

- E o que eles são? – pergunta ele, irritado – Você se esqueceu do Projeto Gemini? As corporações querem exterminar a população para depois substitui-la. Eles não são assassinos, eles são genocidas!

- As corporações são as responsáveis, mas estes homens são inocentes...

- Inocentes?! – indigna-se ele – Mercenários contratados para matar em prol dos interesses corporativos. Por séculos as corporações promoveram seu plano genocida, protegidas por pessoas inescrupulosas que reprimiam quem ousasse denuncia-las. Eles são cúmplices! Não há diferença entre eles e seus dirigentes!

O líder tinha razão.

- Mas eu não preciso ser igual a eles.

- Não, você precisa ser pior. – retruca Huxley, surpreendendo-o – Operando acima da lei, as corporações matam, roubam e destroem. Sabendo disso, as pessoas ignoram e fecham os olhos, pois dependem delas para sobreviverem. Então eu te pergunto: quem são os terroristas? Aqueles que praticam o terrorismo psicológico e aprisionador ou aqueles que combatem e libertam?

Huxley relativizava suas ações, demonizando seus inimigos e justificando a si mesmo.

- Eu não posso fazer isso.

Irritando-se, o líder agarra um runner e aponta uma arma para sua cabeça.

- Vamos mudar o jogo. Se você não atirar, seu amigo delinquente da superfície morre. A vida dele está em suas mãos. A escolha é sua.

Pressionado, o rapaz ergue sua arma. Enquanto olha para o segurança diante de si, suor escorre de seu rosto e suas mãos tremem. Seu coração bate tão rápido que parece que vai sair por sua boca.

Destravando sua arma, Huxley diz:

- O tempo está passando, Nathan. Devo contar até três?

O rapaz põe o dedo no gatilho. Ele está prestes a atirar.

 

§

     

Longe dali, Laura caminha pelos salões do laboratório principal. Ao seu redor, ela vê as sofisticadas próteses biomecânicas em desenvolvimento. Pegando seus aparelhos de hackeamento, ela desarma os sistemas de segurança e entra em uma câmara protegida.

Rodeada por paredes brancas, a garota caminha por laboratórios onde eram desenvolvidos componentes simbióticos a nível celular. Em frascos de vidro, ela sabia para que aquelas substâncias serviam. Ao serem enxertadas no corpo, as próteses sofriam rejeição por parte do organismo vivo. A Bio Prótesis desenvolvia uma droga capaz de driblar as barreiras fisiológicas e adaptar o hospedeiro. Era um processo de assimilação tecnológica e orgânica, como um simbionte.   

Neblina branca passa por suas pernas. Laura se sentia em uma bizarra nave alienígena. Aproximando-se de seu objetivo, ele avista um monitor tão frio que cristais de gelo se formavam em suas pontas. Prestes a toca-lo, uma voz atrás de si diz:

- Afaste-se deste console, Laura.

Assustada, ela reconhece a voz. Então ela se vira.

- Vertigo...?!

O hacker apontava uma arma para ela.

- Foi por isso que você veio, não é?

A garota não compreende.

- Do que você está falando?

- Você não veio para ajudar o Submundo, a Rebelião ou a mim. Você nem mesmo se importa com a nossa causa! Você veio para roubar a Bio Prótesis.

Vendo que ele não abaixava a arma, Laura diz:

- Vertigo, o que você pensa que está fazendo?

- Eu? – ri ele – Eu poderia perguntar o mesmo. Para quem você está trabalhando? Para o Database?

- Não é para o Database.

- Então para quem?

A garota não responde. De fato, ela não tinha a menor obrigação de responde-lo. Ao invés, ela faz outra pergunta.

- E você, Vertigo? Invadindo uma área corporativa restrita... Tenho certeza de que não foi para me seguir. Então responda-me: para quem você trabalha?

- Eu não estou trabalhando, eu me aliei a eles.

- Quem?

Diferente dela, o hacker não guardaria segredos.

- Os Trans-humanistas.

Surpresa, a garota gargalha.

- Essa é mais uma de suas piadinhas?

Ainda sério, Vertigo meneia negativamente a cabeça.

- Os Trans-humanistas me deram um motivo para lutar.

Rindo, Laura diz:

- Vertigo... Essas pessoas são terroristas! Por que você se aliaria a esses assassinos?

- E o que somos nós, Laura? – protesta ele – O que são os ousados runners da superfície? Por dinheiro e prestígio nós roubamos e matamos aqui em cima. Você mais do que ninguém sabe isso. Quando fugimos do Ministério da Informação, você matou gente! Vi com meus próprios olhos você fazer isso. E agora eu te pergunto: onde nós somos diferentes?  

Laura não sabe o que dizer. Passando alguns segundos, ela confronta:

- Então foi essa a razão da sua mudança de comportamento, não é mesmo? Você aderiu à causa do mecanicistas!

- Eu tentei te dizer que não queria mais fazer parte da superfície. Eu queria algo que desse sentido à minha vida. Muitos me chamam de habilidoso e inteligente, mas poucos sabem da miséria onde vivemos e do que fazemos para sobreviver. Eu não quero ser um rato dos túneis para sempre. Sou apaixonado pela tecnologia e também o são os mecanicistas! Então, entre escolher em viver vagando pela superfície, ou com um objetivo claro nos níveis superiores, não foi uma escolha difícil a se fazer.

Sem acreditar no que ouve, a garota responde:

- Mas Vertigo, você era meu amigo! Nós crescemos juntos e passamos por muitas situações juntos! Você é mais do que isso!

- Sim, sou! – confirma ele – Mas não muito, afinal eu ainda sou um delinquente suburbano com ambições de crescimento social...!

Mais palavras criativas de seu velho amigo. Desconcertada, Laura pergunta:

- Por quê, Vertigo? Por quê?

- Por uma série de fatores. Minhas teorias da conspiração não são tão teorias agora que o Projeto Gemini existe, não é? Aliás, eu amo a tecnologia e acredito honestamente que a humanidade progredirá com seu avanço. Não é exatamente isso o que os Trans-humanistas acreditam?

Amargurada, ela comenta:

- Eu me arrisquei para resgata-lo de sua sede. Eu inclusive pedi ajuda aos psicopatas da pior espécie. E é assim que você me retribui?

Intrigado, o hacker insiste:

- De que psicopatas está falando?

A garota finalmente revela.

- A Resistência Purista.

Desta vez é Vertigo quem se desconcerta.

- Laura...! Você e os nazistas da pureza física? Por quê?!

- E não é óbvio? Quem são seus arqui-inimigos?

Ponderando, o rapaz diz:

- Você se aliou a eles para te ajudarem a me resgatar. E é por isso você está aqui hoje, para pagar o favor.

- Eu faria tudo por um amigo.      

- E o que eles te pediram em troca? Espionagem industrial? Sabotagem? Uma agente dupla no Submundo?

Interrompendo-o, ela responde:

- Eles me pediram para explodir a Bio Prótesis.

O hacker arregala os olhos. Ponderando mais uma vez, ele entende o plano. Laura intentava destruir a tecnologia corporativa para que ela não caísse nas mãos dos Trans-humanistas. É por isso que ela estava ali. A garota estava usando Nathan e a rebelião como uma cortina de fumaça, uma distração necessária para invadir o laboratório da corporação e explodi-lo.

- Eu aderi à causa Trans-humanista enquanto que você se aliou à Resistência Purista. E foi assim que nossos caminhos se separaram. Separados por dois inimigos mortais. Que ironia...

- Não! – protesta ela – Eu me aliei aos puristas para te salvar. Eu não aderi à sua causa!

- Mas é irônico ainda assim. Como um destino fatalista.

A garota sorri.

- Você está começando a soar como o Database.

Vertigo também sorri.

- Talvez sim. Na verdade, eu aprendi isso com ele...

Os dois riem. Apesar de tudo, os dois ainda eram amigos. A garota diz:

- Abaixe sua arma, por favor.

- Não posso. – responde ele – Assim como você, eu também tenho assuntos aqui.

O hacker estava lá para roubar a tecnologia corporativa. Nasier tinha razão. Os Trans-humanistas queriam rouba-la o tempo todo, por isso desejavam atacar a Bio Prótesis.

Laura pega algo em sua bolsa. Vertigo destrava sua arma. Acenando, a garota tira um objeto e o põe sobre o console. Era uma bomba.

O hacker pergunta:

- Você sabe que, se destruir este lugar, você estará atrasando a tecnologia em Sonata em pelo menos vinte anos, não é?

- Eu não me importo.

- Cegos não enxergarão, surdos não ouvirão, paraplégicos não andarão... Tem certeza que não se importa?

Cheia de desprezo, ela responde:

- Não seja cínico! Você também não se importa! Cegos, surdos e paraplégicos morrerão igualmente em atentados terroristas cometidos pelos Trans-humanistas e sua nova tecnologia corporativa.

Laura tinha razão. Vertigo não tinha o que responder.

Explosões são ouvidas lá fora. Então o hacker comenta:

- Está ouvindo? A população está se manifestando a favor da rebelião. Eles acreditam em Nathan e querem derrubar as corporações também. Nos ajude a vencê-las!

Desinteressada, ela responde:

- Eu tenho mais o que fazer.

- Eu me aliei ao Trans-humanistas para salva-los...

- E eu aos puristas para te salvar. – interrompe ela, acusando-o.

A garota intenta ativar a bomba. Vertigo intervém.

- Eu estou aqui para roubar a tecnologia. Não posso deixar você destruí-la.

- Vertigo... – ameaça ela – Não tente me impedir.

- Pensei que nossa amizade fosse importante!

A garota estava se cansando daquela conversa.

- Ela é. – responde ela – Mas minha reputação é mais.

Outra explosão ocorre lá fora, desconcentrando-o. Rápida como um relâmpago, Laura saca sua arma e atira no hacker, derrubando-o no meio dos frascos.

Virando-se, ela ativa a bomba e deixa a câmara protegida. Antes de passar pela porta, ela vislumbra Vertigo pela última vez. O hacker estava caído no chão, não demonstrando sinal de vida. Lágrimas se escorrem de seus olhos e ela se desanima. Ela, então, diz:

- Desculpe-me, Vertigo. Mas fazendo-se amigo das facções, você se fez meu inimigo. Adeus, meu amigo.

Ao sair, as portas se fecham e ela vai embora.

 

§

 

- Qual é o problema?! É tão difícil você fazer isso?

Então Huxley aperta o gatilho. O segurança cai no chão, sem vida. Nathan se horroriza. As facções eram covis de assassinos.

Agarrando novamente um runner, o líder ameaça:

- Última chance!

Com o ultimato, o rapaz pergunta:

- Se eu apertar o gatilho, você deixa os runners e os seguranças viverem?

Encarando-o, Huxley responde:

- Você tem a minha palavra.

Enxugando o suor de sua testa, Nathan aponta sua arma e fecha seus olhos. Então algo acontece.

Uma explosão balança todo o prédio, estourando as janelas abaixo. Os Trans-humanistas se desequilibram, caindo no chão do heliponto. Confuso, o líder se levanta e pergunta:

- Mas o que foi isso?!

O capitão da facção responde:

- Senhor, a explosão veio do laboratório!

- O quê?! – exclama ele – O Vertigo está lá embaixo!

Então Nathan se intriga. “Como ele sabia que Vertigo estava lá embaixo no laboratório?”.

- Não é possível contatá-lo, senhor! O comunicador está desligado!

Huxley se preocupa, ele pensava em toda a tecnologia oculta no laboratório corporativo. O capitão pergunta:

- Será que ele ativou algum sistema de segurança explosivo?

- Impossível! – responde o líder – Vertigo é um hacker experiente. O melhor. Ele era o único com as habilidades exigidas para invadir o núcleo.

Soldados trans-humanistas sobem as escadas e informam.

- Senhor, a suspeita foi confirmada. O laboratório foi destruído.

Com as mãos na cabeça, Huxley se lamenta.

- Não pode ser...!

O líder se lamenta. Interrompendo-o, o capitão pergunta:

- O que faremos, senhor?

Vendo que a batalha fora vencida e que a Bio Prótesis estava sob seu controle, ele responde:

- Vamos embora. Mas mantenham os comunicadores ligados. Se Vertigo estiver vivo, enviem uma equipe para busca-lo.

- Sim, senhor!

Enquanto os soldados preparam as aeronaves, o capitão pergunta:

- Senhor, o que faremos com os prisioneiros?

Então o líder se lembra dos seguranças rendidos. Sem se importar, ele ordena:

- Elimine-os.

Dada a ordem, o tenente alinha sua equipe e aponta seus rifles. Em seu sinal, todos atiram, atravessando os seguranças com os poderosos lasers.

Nathan assiste a tudo aquilo em choque. Os Trans-humanistas não eram apenas terroristas, eles eram maus.

Aproximando-se, Huxley toca seu ombro e diz:

- Até mais, garoto. Outro dia continuaremos nossos assuntos.

O rapaz se indigna.

- Outro dia?! Eu espero não vê-lo nunca mais!

O líder ri.

- Mas você irá, garoto. Você irá.

Dando-lhe as costas, Huxley passa por aquela pilha de corpos e entra em seu aerocarro.   

 

§

 

Acordando, Vertigo sente dor e vê sangue em suas roupas. O cheiro de fumaça paira no ar e ele vê o incêndio à distância. A Bio Prótesis ardia em chamas. Encolhendo-se, ele se vira para o lado e tosse, ele estava sentindo muito frio.

- Ei, rapaz! Acorde!

O hacker se vê cercado por vários homens. Um deles aparentava ser o líder e falava com ele. O líder vestia casaco marrom e sapatos sociais. Vertigo pergunta:

- Quem é você?

- Eu sou o Detetive Burton. Prazer em conhece-lo. - o detetive sorri, ele estava sendo irônico - Como se chama, meu jovem?

- Vertigo. 

- Vertigo? - intriga-se ele - Por acaso você sofre de vertigem?

Revirando os olhos, ele responde:

- É só um codinome. 

- E como se chama de verdade?

O hacker não responde. Olhando ao redor, ele se vê em um andar vazio de uma megatorre em construção.

- Onde é que eu estou?

- Em um local seguro.

Vertigo tenta se levantar, mas o buraco de bala dói em sua barriga. Pressionando-o, ele tenta estancar o sangue.

- Não se preocupe. – diz Burton – Eu te dei um medicamento cicatrizante. Você não vai morrer.

As pessoas ao redor eram policiais disfarçados. Apesar de se vestirem como civis, sua postura opressora e abusiva os denunciavam.

- O que vocês querem?

- Te parabenizar. Seu discurso realmente nos emocionou. Então você sempre quis ser um cidadão dos níveis superiores? E para isso teve a brilhante ideia de se aliar a uma facção?

Os policiais riem.

- Você estava me observando?

- Eu sou um detetive, não sou?

Eles ficam em silêncio por um tempo. Então o hacker diz:

- O que quer que esteja planejando, você perdeu. Vocês perderam a batalha essa noite e os seguranças foram capturados pelos rebeldes. Acabou.

- Não, rapaz, não acabou. Não estávamos aqui para batalhar, mas para mandar um recado.

Vertigo se intriga.

- Um recado? Para quem?

- Para o Inimigo de Estado.

Então ele ri.

- O Nathan?! – admira-se ele – Ele é um marionete da superfície, das facções, do Submundo, de todo o mundo...! Um cara emocional e impulsivo que sempre se prejudica por isso. Se vocês lhe dão importância, vocês o superestimam.

Olhando para seus companheiros, Burton comenta:

- E nós pensando que vocês eram amigos... Que belo amigo você é.

Ao expor seu cinismo, o hacker se constrange.

- O que vocês querem de mim? – pergunta ele.

- O Inimigo de Estado pode ser um cara patético como você diz, mas ele ainda tem o apoio do povo. Na metrópole é o povo quem sustenta o comércio, os ministérios e as corporações. Se perdermos o controle sobre ele, perderemos o nosso poder.

O hacker ri.

- Vocês querem o poder? Já não o tem o suficiente? Por que se incomodar com o Inimigo de Estado, então? Matem-no de uma vez e terão o que desejam.

- Não é tão simples. Queremos sufocar a Rebelião, e não prolonga-la indefinidamente. Nós queremos capturar o Inimigo de Estado, mas, para isso, precisamos que você o envie um recado para nós.

Intrigado, ele pergunta:

- E o que vocês querem que eu o diga?

Os policiais riem maliciosamente. Burton responde:

- Não, você não precisa dizer nada. – o detetive saca sua arma e a aponta para sua cabeça – Precisamos que você morra.

Vertigo arregala os olhos.

- No que minha morte fará diferença?

- Esta caçada está demorando para terminar. Nathan é uma presa difícil de se abater, terroristas e delinquentes como você o protegem.

Raciocinando rápido, Vertigo diz:

- Eu posso ser mais útil para você vivo. Se me deixar ir, eu me tornarei um espião no Submundo. Você terá informações valiosas.

- Você já traiu o Submundo. Eles nunca te aceitarão de volta.

- Nathan ainda confia em mim.

- O Inimigo de Estado ama a garota e ela sabe a verdade sobre você. Quando sua traição for revelada, ele ficará ao lado da runner.

- Minhas habilidades com sistemas de segurança são excepcionais. Sou o melhor hacker da superfície. 

- Não podemos deixar alguém com suas habilidades livre por aí. Você seria uma ameaça até para nós. 

O hacker desiste. Respirando fundo, ele enxuga o suor de sua testa e ousadamente responde:

- Eu perdi a superfície, as facções e meus amigos. Vá em frente. Eu aceito o meu destino. Não resta mais nada em mim.

O detetive responde:

- Você traiu a superfície e seus amigos em prol dos seus objetivos. Se em algum dia houve lealdade em você, foi com você mesmo.

Vertigo está de joelhos com as mãos em sua ferida. Ao ver sua vida se desmoronando diante de seus olhos, ele reconhece que a morte era a única saída aceitável a se escolher.   

- Eu aceito o meu destino. – sussurra ele.

- Algumas últimas palavras?

Ele se enche de desprezo.

- Eu não tenho medo de você. 

Burton sorri. 

- Qual é o seu nome, garoto? Sem codinomes desta vez. 

Pesaroso, o hacker se distrai.

- Eliot. - responde ele - O meu nome é Eliot. 

Burton assente. De repente ele puxa o gatilho. A bala atravessa a testa do hacker e ele cai no chão, sem vida. Uma poça de sangue se forma e seus olhos perdem o brilho. Satisfeito, o detetive guarda sua arma.

Nathan entenderá o recado. Burton está perto. Seus amigos estão morrendo. Em sua caçada implacável, ninguém está a salvo.

“Eu estou chegando...”, pensa ele. “Inimigo de Estado”.

 

 

 

 

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