quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Sonata - 13 - Estado Policial

 

(Imagem de Milosz Wojtasik)

Com o fim dos governos mundiais, a megacorporação Sonata fundou sua própria metrópole das ruínas do mundo antigo. A massa de trabalhadores responsáveis pela reconstrução logo perceberia que sua salvação teria um pesado preço. Para manter a ordem foi criada a Polícia de Sonata, uma organização militar baseada no controle e na repreensão. Mas sua atuação ia muito além de apenas manter a ordem e aplicar a lei. Com a ausência de qualquer regulamentação do Estado, logo a organização direcionou-se ao controle social e político, orquestradas pela alta cúpula corporativa.

A macro-jaula estava criada. Operando em conjunto com a mídia, a Polícia de Sonata ajudava controlar todo tipo de informação, alienando e doutrinando as pessoas segundo os interesses da própria cúpula. Dessa maneira, não havia mais questionamentos, descontentamentos e dissidências. As forças de segurança não agiam mais em defesa do povo. Seu lema “Servir e Proteger” foi substituído por proteger e servir os interesses corporativos. Liberdades civis foram sistematicamente suprimidas, e a pena para quem violasse o rígido código de conduta seria o aprisionamento, a execução e o banimento.

O banimento era algo misterioso até para a polícia. Atrás do extenso muro que rodeia a metrópole, nem mesmo os patrulheiros sabem o que se passa no exterior. Haviam divisões distintas encarregadas de supervisionar o perímetro metropolitano, e essas divisões respondiam diretamente às corporações. Os habitantes foram obrigados a acreditar que não havia mais vida na Terra. Eles acreditavam que o mundo estava destruído e que Sonata era o único bastião da humanidade.

Mas os humanos são indômitos e rebeldes, e essa rebeldia nem mesmo as corporações conseguiram controlar. Revoltas se generalizaram pela metrópole, motivados por liberdades civis e condições mais dignas. Após sangrentos confrontos, todas foram brutalmente reprimidas, mas o banho de sangue não suprimiu a insatisfação popular, ao contrário, a estimulou. Facções surgiram, defendendo crenças e ideologias políticas.

Os policiais consideravam as facções como organizações criminosas e terroristas, desprezando qualquer visão ideológica que elas pudessem ter. Detetive Burton é um desses homens. Atuando na polícia há dez anos, ele ascendeu de soldado recém-formado ao cargo de detetive. Ele esteve presente quando os cidadãos se revoltaram, vendo-os adotar as causas mais absurdas e cometendo os primeiros atentados. Mas, apesar da repressão policial, os atentados só aumentaram.

Famoso por caçar terroristas, Burton era designado para as operações antiterrorismo. Interromper os ataques e evitar os atentados era essencial. Para o sucesso das operações, elas deveriam ser precisas e cautelosas. Ao terem seus planos frustrados, os terroristas estavam ficando cada vez mais agressivos. Levando isso em conta, o detetive era o mais eficiente dos agentes de segurança, pois sua coragem era inigualável.

 

§

 

Detetive Burton está parado em frente à janela. Ele olha para uma passarela abaixo, iluminada por luzes amarelas. Acima, nas janelas de outra megatorre, franco-atiradores posicionam suas armas. Todos estão à postos.

Era uma noite movimentada. Haviam muitos aerocarros passando e qualquer ruído tirava sua concentração. Ele já estava esperando por duas horas. Atrás dele, mais quatro policiais aguardavam. Um deles estica seu braço e pergunta:

- Vocês querem cigarro?

Burton aceita e, juntamente com os outros três, começam a fumar. Em seguida eles começam uma conversa.

- Que saco.... Estamos há quantas horas aqui?

- Umas duas horas.... Alguém está com fome? Eu estou morrendo de fome.

- Eu tenho algumas barras energéticas comigo.

O policial rasga a fina embalagem e comenta:

- Realmente não me inscrevi para isso. Eu quero estar nas ruas, fazendo patrulhas e prendendo criminosos. Não aguento mais esperar por algo que, provavelmente, nem vai acontecer.

- Temos que confiar na Polícia Secreta. Só eles têm acesso às informações.

- Polícia Secreta? Eis aí uma divisão que eu adoraria participar. – comenta outro.

- Espionagem é um trabalho perigoso. Você se infiltra no meio deles e nunca sabe se voltará para casa. O meu jeito é melhor. Armar um exército e atacar ostensivamente onde os terroristas se escondem. Queimando tudo, atirando em todo mundo e fazendo a maior festa.

- O que planeja é um banho de sangue. Esses terroristas têm armas, e armas avançadas e potentes como as da própria polícia. Ataca-los abertamente resultaria em enormes perdas para ambos os lados.

- É isso o que eu não entendo. – argumenta outro – Como eles têm armas? Quem os fornece armamento? Não é estranho eles terem tanto poder de fogo?

O policial tem razão. Burton também não consegue entender de onde vem o arsenal dos terroristas.

Uma voz lhe fala pelo headset:

“Detetive Burton, temos contato visual”.

Olhando pela janela, ele vê um homem encapuzado carregando uma volumosa mochila.

- Preparem-se! – ordena ele.

Os policiais se prontificam.

O franco-atirador liga seu laser e percorre as costas de seu alvo. Ao chegar na cabeça, ele pergunta:

“Alvo na mira. Aguardando permissão para atirar”.

Burton lhe responde:

- Permissão concedida.

O franco-atirador puxa o gatilho. Um aerocarro passa no exato momento e o intercepta, fazendo o veículo se descontrolar. Assustando-se com os aerocarros buzinando acima, o encapuzado olha para trás e vê o laser ofuscar os seus olhos. Havia uma dezena de lasers mirando seu rosto, todos prontos para apertar o gatilho. Apavorado, ele começa a correr.

“Alvo não eliminado! Repito! Alvo não eliminado!”.

Detetive Burton diz:

- Fomos descobertos! Avançar!

Os policiais vestem seus capacetes e imediatamente deixam o apartamento. Burton segue à frente, empunhando uma pistola. Os policiais seguem atrás, portando fuzis.

Na passarela, as pessoas obstruem sua passagem, mas o detetive avança obstinadamente. O alvo está mais à frente, mas é difícil vê-lo entre a multidão. Eles entram em um túnel. O barulho alto e os neons coloridos o confundem.

“Detetive Burton, informe!” – ordena a voz no headset.

- Estou em um túnel na megatorre. Não consigo ver o suspeito.

Os policiais se separam e vasculham o local. Com truculência, eles agarram alguns transeuntes e pedem seus documentos. Enquanto revistam os suspeitos, Burton observa ao redor. Ao longe ele vê um homem se escondendo atrás de uma barraca de comida chinesa.

- Ei, você!

O homem se assusta e novamente corre. Saindo do túnel, eles chegam a uma passarela maior, ramificada em quatro direções entre as megatorres. Abaixo há a linha de aerometrô, onde os trens passam esporadicamente. Avançando bruscamente pelas pessoas, o encapuzado tropeça, caindo ao lado do parapeito.

- Parado!

O detetive aponta sua arma, mas o homem toma uma atitude impensável. Subindo pelo parapeito, ele se joga da passarela. Escorando-se no corrimão, Burton olha para baixo e o vê na linha de aerometrô, recuperando-se e correndo em seguida. Guardando sua arma no coldre, Burton sobe pelo parapeito e se joga também.

Para sua sorte, era linha dupla e os trens iam e voltavam. O encapuzado corria heroicamente apesar de seus ferimentos. Burton ia logo atrás, decidido e implacável. Um trem avança pela linha e buzina, assustando-os. Eles se jogam para a esquerda pouco antes do gigante de aço atropelá-los com grande ímpeto.

- Não adianta fugir! Pare agora!

O homem o ignora e continua correndo. De repente aparece outro trem, dessa vez atrás deles. Com a forte buzina, Burton instintivamente pula para a direita. O suspeito não desiste e corre até parar sobre uma passarela abaixo dele. Haviam muitas pessoas nela, mas isso não o contém. O suspeito pula sobre elas, causando grande confusão. Sem ter outra escolha, o detetive pula também.

A queda machuca seu pé, Burton não consegue mais correr. Irritado por tentar apanhá-lo e não conseguir, o detetive toma uma decisão imprudente. Sem se importar com os transeuntes, ele saca sua arma e atira. O homem, que fugia desesperadamente aos tropeços, grita ao sentir o laser atravessando sua panturrilha.

Aproximando-se lentamente, Burton diz:

- Você está preso! Pela lei vigente de resistência à prisão, você teve todos os seus direitos revogados.

Deitado enquanto segura sua perna ensanguentada, o suspeito vira seu rosto. Então o detetive se espanta. Era apenas um garoto.

- Eu me rendo...

Burton observa sua aparência, era um jovem asiático. O garoto sua e ofega intensamente, não demonstrando qualquer sinal de agressão. Os demais policiais aparecem, apontando seus rifles para o suspeito.

- Ora, mas é um jovem japonês? – pergunta alguém.

Inspecionando a mochila, os policiais encontram explosivos enrolados em grossas roupas. Ao tirá-las, Burton reconhece um quimono. Os explosivos têm dois cilindros contendo líquidos coloridos. Eles não estão armados e, por não acompanharem o detonador, são perfeitamente seguros.

- Responda-me, rapaz. Você é membro da Bushido?

O garoto recusa-se a responder. Outro policial diz:

- Negar-se a cooperar pode resultar em execução.

Irritado, o garoto responde:

- Vocês não me assustam! São apenas ferramentas do sistema, o braço armado das corporações. São cães treinados pelo Estado para a repressão civil e política. Vocês não contêm a violência, vocês a praticam. Foi a sua violência que provocou o surgimento das facções, e vocês sabem disso. Mais do que os nossos rivais na revolução, vocês são os nossos principais inimigos.

Os policiais se entreolham. Burton conhece aquele discurso, a mesma baboseira ideológica e fanática dos terroristas.

- Nós somos seus inimigos? – pergunta um policial.

- É óbvio que sim! As corporações alienam suas mentes, manipulando-os para nos aterrorizar e nos oprimir. Mas quando elas forem destruídas e tomarmos o poder, vocês morrerão também.

O garoto demonstra ódio e convicção em suas palavras, a facção o doutrinou bem. “Mais um jovem manipulado, mais uma juventude perdida, até quando isso vai durar?”. Burton então reflete. “Onde termina o dever e começa a alienação? E se, em meu combate aos terroristas, eu estive me alienando também?”. Afastando os maus pensamentos, ele se acalma. Aqueles eram pensamentos perigosos.

Outro policial zomba, dizendo:

- Ele pensa que vai destruir a polícia...

- A polícia é o símbolo da intolerância em Sonata. Vocês veem a metrópole como um cativeiro e tratam a população como reféns. Vocês invadem residências e oprimem os inocentes. Desconfiam de qualquer movimento e jamais arcam com as consequências. “Servir e proteger...” – ironiza ele – Com vocês nas ruas, a liberdade não é mais do que uma ilusão.

Burton intervém.

- É ilusão dar segurança ao trabalhador contra gente igual a você?

- Segurança?! – indigna-se ele – Que segurança? Sua privacidade é tirada, seus direitos violados e sua liberdade proibida. De que segurança está falando? Certamente é aquela que protege as próprias corporações. Não há onde se esconder, vocês imputam em nossas mentes que “todos devem aceitar e todos devem aderir”. Querem nos conformar, nos sufocar e nos submeter às autoridades. Essa é a opressão reinante na metrópole. As corporações emitem o aviso, vocês vão e aplicam o castigo.

Eles ficam em silêncio por alguns minutos. Os policiais isolam a área e várias viaturas sobrevoam o local. Um policial se aproxima e pergunta ao detetive:

- Burton, você está bem?

- Sim. Machuquei o tornozelo na queda, mas vou ficar bem.

- A ajuda médica já está a caminho.

- Burton, não é? – pergunta o suspeito – Deve estar muito orgulhoso de si mesmo. Me perseguindo como um bom soldado, um bom agente, um “super policial”... Você acha que ganhou alguma coisa aqui? Espera receber algum prêmio? Se você soubesse o que eu defendo, os direitos e liberdades que eu acredito, estaria do meu lado agora.

Impressionado com sua ousadia, o detetive responde:

- Não me interessa. Você está preso. Seu atentado terrorista falhou. Não há mais nada a dizer aqui.

Sorrindo, o garoto pergunta:

- Falhou?

Segurando sua mão esquerda, o garoto a puxa e ela se desencaixa. Era uma prótese. Apertando um botão em sua base, eles ouvem um bipe em algum lugar. Então Burton exclama:

- É o detonador! Corram!

Os líquidos nos cilindros borbulham e os explosivos se ativam. Três segundos depois vem a explosão. A bola de fogo se eleva, fazendo o detetive e os policiais voarem pelos ares. O fogo se expande pelas vias virtuais, obstruindo o trânsito. Rachaduras aparecem. As estruturas foram  danificadas e a passarela começa a tremer.

- Rápido! Saiam da passarela!

Ao dar dois passos, o pavimento se solta e inclina-se para trás. Um policial está caído ao seu lado. Vendo que ele não se mexe, o detetive ordena:

- Levante-se! Temos que sair daqui!

O policial não se move. Virando-o, o detetive vê um enorme fluxo de sangue em seu rosto. O policial estava morto. A passarela se inclina ainda mais e Burton tenta arduamente se agarrar no piso. Ele não pode fazer nada a não ser ver o policial morto se deslizar e cair no fosso abaixo.

- Detetive Burton! Segure minha mão!

Um policial tenta segura-lo. O detetive tenta se impulsionar com sua perna direita quando tem uma agonizante surpresa. Uma de suas pernas foi mutilada pela explosão. Entrando em choque, ele começa a tremer. Puxando-o rapidamente, o policial o salva pouco antes da plataforma ruir e cair entre as megatorres.

Deitado à beira do precipício, ele se recupera. Os policiais veem uma enorme fumaça vermelha colorindo o ambiente. Na bomba foi instalado um corante, a Bushido havia deixado sua marca.

Burton está ofegante. A dor lentamente domina o seu corpo. Sua visão está um pouco embaçada, mas ele consegue ver as ambulâncias chegando. Atrás dele, em meio à fumaça vermelha, aparecem silhuetas ameaçadoras e horripilantes. Em passos precisos e sincronizados, a imagem se revela. São robôs. Burton sussurra para si mesmo: “Securitrons”.

O detetive não entende. “Por que a polícia havia chamado aquelas implacáveis máquinas de matar?”. Sem tempo para pensar a respeito, os paramédicos se aproximam e o informam:

- Não se preocupe, detetive. O senhor vai ficar bem.

Minutos depois, ele é posto em uma ambulância e os paramédicos o levam dali, encerrando a operação.

 

§

 

No dia seguinte, um homem caminha pelo hospital. Abrindo a porta, ele encontra o detetive Burton deitado em um leito. O homem o cumprimenta e pergunta:

- Olá, detetive. Como está?

Sorrindo, Burton o cumprimenta. Os dois são detetives no mesmo departamento de polícia.

- Olá, detetive Cazares. Estou bem, obrigado.

- E sua perna? Ocorreu tudo bem o transplante?

Burton ergue o lençol e revela uma prótese biomecânica idêntica à uma perna original. Ele responde:

- Não sei explicar, mas eu não senti dor na explosão.

- Fico feliz em saber que está bem.

No alto da parede, a televisão informa os ocorridos da noite anterior.

“Ontem à noite houve um atentado terrorista no Setor B. Um garoto de apenas dezesseis anos, identificado como residente do local, detonou uma bomba no meio de uma passarela de pedestres. A explosão foi tão intensa que conseguiu desestabilizar a estrutura e derrubá-la entre as megatorres. As autoridades tentaram evitar o atentado, mas sem sucesso. Três agentes de segurança pública se feriram, e dois vieram a óbito no local. A facção Bushido, famosa por seu tradicionalismo cultural japonês, assumiu a autoria do atentado, publicando um vídeo no ciberespaço. Imagens a seguir”.

O noticiário exibe um vídeo caseiro. Um homem vestindo belíssimas armaduras samurais fala à câmera:

“Povo de Sonata, aqui é o Xogum Tokugawa, líder da organização Bushido. Como devem saber, um dos nossos kamikazes detonou uma bomba no Setor B. Com seu sacrifício, esperamos passar uma mensagem clara às autoridades e aos nossos inimigos. Não vamos parar! Tomaremos o poder pelo sacrifício e pela honra dos valiosos guerreiros samurais. Sonata, pela primeira vez, experimentará a tão sonhada liberdade da qual nosso povo tanto anseia. Acabaremos com o xogunato opressivo das corporações e unificaremos a sociedade na instauração do império japonês. Em breve, queridos compatriotas, Sonata resplandecerá sob o grandiosíssimo Sol Nascente!”.

Com o fim do vídeo, a apresentadora continua o jornal. Os detetives assistem indignados, até Cazares dizer:

- Canalhas! A metrópole está na mão desses loucos e desequilibrados...!

- As autoridades vão instaurar um Toque de Recolher? – pergunta Burton.

- O atentado já foi consumado, não acho que vá adiantar alguma coisa... – então seu amigo pergunta algo incômodo – Você acha que o Estado Policial das corporações está perto do fim?

Vociferando com ódio, o Detetive Burton responde:

- Eu prefiro morrer ao ver a metrópole livre delas! 

Abrindo sua pasta, o homem diz:

- Eu esperava que me dissesse isso. Veja esse dossiê, neles contém informações secretas sobre sua nova missão.

- Nova missão? Mas eu ainda estou me recuperando dos meus ferimentos.

- Eu sei, mas o Departamento de Polícia me pediu para chama-lo imediatamente. Alguém fugiu de um presídio de segurança máxima e está foragido em algum lugar de Sonata. O nome dele é Nathan Hill, ele tem 30 anos e trabalhava na Electro Core. Essa pessoa tem informações secretas, sendo um risco enorme à nossa sociedade. Não há tempo a perder, precisamos do melhor para essa missão e você é o melhor que temos. – ele conclui dizendo – As corporações precisam de você.

Burton desconfia.

- As corporações? Você não disse que a ordem veio do departamento?

- Foram ordens diretas, passando pelo Ministério de Segurança Pública até chegar a nós. Você conhece o procedimento.

O detetive não se convence.

- Você está trabalhando direto para as corporações, não está? Na verdade, é por isso que está aqui. Responda-me, para qual agência você trabalha?

Seu amigo lhe faz um olhar misterioso. Caminhando até a porta, ele diz:

- Nós vimos o suspeito pela última vez no Setor J, e acreditamos que ele ainda esteja lá. Apresse-se, Detetive Burton. – ele gira a maçaneta – E boa sorte.

Então ele se vira e vai embora.

 


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