De armas em mãos,
os policiais observam os três terroristas desacordados. Ao ver o formato do aerocarro,
eles se impressionam; a Bushido o havia transformado em um avião. Eles discutem
o que fazer com as vítimas do ataque suicida e um deles sugere matar todos.
Concordando, eles apontam suas armas e se preparam para atirar.
Nathan acorda,
mas, enxergando com dificuldade, vê um grupo de policiais parados e apontando
suas armas para ele. De repente pessoas desconhecidas aparecem logo atrás e os
surpreendem, atirando em suas costas e eliminando-os um a um.
Correndo em
direção aos sobreviventes, os desconhecidos resgatam Nathan, Tokugawa e o
motorista dentro do aerocarro. Levando-os a uma distância segura, uma fagulha
de fogo se forma e o aerocarro se explode, iluminando o interior do edifício.
- Nathan, você
está bem?
O rapaz abre os
olhos e vê um jovem vestido de colete camuflado e máscara de goleiro de hóquei.
“Um runner”, reconhece ele.
- Sim. – responde
ele, apesar de dolorido – O que houve?
- Nós invadimos o
Ministério de Segurança Pública, mas não conseguimos neutralizar os canhões.
Perdemos muitos runners na invasão. Eu e meus companheiros somos tudo o que
sobrou.
Nathan olha para
o grupo e vê quinze runners ao seu redor.
- E a Bushido? Os
samurais conseguiram invadir?
O runner ri.
- Seus aerocarros
se transformaram em aviões em pleno ar e estavam dando uma surra na polícia!
Então chegaram reforços e eles começaram a se lançar contra o edifício, se
matando na colisão. Eles são loucos...!
Levantando-se, ele caminha pelo andar. Uma fileira de corpos encontrava-se contra a parede. Eram runners. Aproximando-se, ele olha para seus rostos e os reconhece. Nathan via aquela garota de jaqueta amarela e de cabelos azuis de horas atrás. Buracos de bala cobriam seu peito e sangue seco havia colado o cabelo em seu rosto. O rapaz se aflige. Ele também vê os outros runners de seu furgão, inclusive o motorista de nome Trent. Eles conseguiram invadir o ministério, mas não foram páreos para os policiais e seus armamentos corporativos.
O rapaz caminha
até o parapeito. No ar, a Bushido estava perdendo a batalha; a polícia estava
em maior número. Entretanto, os ataques kamikazes debilitaram a artilharia
antiaérea, destruindo-a.
Um Zero flamejante
cruza o céu noturno e colide contra o edifício. Nathan vê a explosão e outro
canhão sendo destruído pelo suicida.
- Meu Deus...! –
sussurra ele.
O rapaz se
estarrece com a determinação férrea e o desapego à própria vida dos samurais. Ele
percebe que nem mesmo o seu líder hesitou em fazer o mesmo e realizar um ataque suicida.
“Honra”, pensa
ele. “Para eles, a maior de todas as virtudes”.
Olhando para
baixo, Nathan vê as plataformas tomadas de manifestantes. Eles atacam a polícia
com bombas caseiras e fogos de artifício. Então algo chama sua atenção.
Marchando lado a lado, enormes robôs avançam entre eles. O rapaz os reconhece.
São Securitrons.
Repelidos pelas
enormes máquinas, os manifestantes são abatidos e esmagados pelas pesadas patas
de metal. Assim como na Cúpula Corporativa, Nathan sabe que aqueles cidadãos
estavam ali para apoia-lo. Mais do que ele, os cidadãos estavam sangrando pelo
fim das corporações. Então ele se consterna. O rapaz podia estar traumatizado e ferido, mas aquele não
era o momento dele se entregar e sucumbir. Não naquela batalha.
Retornando a
Tokugawa, ele o encontra ferido, mas acordado. Ele diz:
- Tokugawa-san! O
senhor está bem?
- Nathan-san? –
surpreende-se ele – Não era para estarmos vivos...
- E o motorista?
Meneando
negativamente a cabeça, o xogum responde:
- Ele não
sobreviveu.
O rapaz lamenta.
- O senhor consegue
lutar?
Tokugawa se
irrita.
- Apenas quando a
minha alma deixar o meu corpo eu não conseguirei lutar mais.
Nathan se anima.
- Ótimo. Temos
uma batalha para vencer.
Eles ainda ouvem
os disparos dos canhões acima.
- Temos que
destruir essa maldita artilharia! – vocifera o xogum.
- Certo. Eu tenho
os runners comigo. Vamos nos dividir e surpreende-los lá em cima.
Olhando para
aqueles moleques, Tokugawa sente pena.
- Tenho uma ideia
melhor. Você me segue em silêncio.
Os runners riem,
desprezando a autoconfiança do velho xogum. Porém, ele saca sua espada e a
maneja, fazendo-os se recuar.
Subindo pelas
escadarias, eles sobem cinco andares e encontram outro canhão. Os policiais
estavam cercados de munições, mas com os constantes ataques, as lâmpadas haviam
se estourado e eles tropeçavam nas cápsulas vazias.
Nathan e os
runners sacam suas armas. O rapaz dá um passo à frente e então Tokugawa o
interrompe, segurando-o com a palma de sua mão. Pedindo silêncio, ele caminha
sozinho em direção ao canhão.
O runner
mascarado diz:
- Ele está louco?
Há oito policiais ali!
O rapaz não pode
fazer nada senão observar.
O policial está
substituindo a cápsula quando uma espada atravessa suas costas. O grupo ouve o
grito e todos se assustam. De repente um robusto samurai de armadura negra
avança e golpeia outro homem no peito. Um policial tenta sacar sua arma quando
tem sua antebraço decepado. Tiros são disparados, mas, protegendo-se atrás do
canhão, o xogum os espera recarregarem suas armas e os ataca novamente. A
golpes de espada, os policiais caem e morrem aos seus pés, incapazes de
resistir ao poderoso samurai.
Um policial
consegue se esquivar e atira com sua pistola. As balas ricocheteiam na armadura
do samurai, surpreendendo-o. Irritado, o policial se desarma e corajosamente
inicia um combate mano a mano. Ao tentar soca-lo, o samurai se esquiva e decepa
sua cabeça, separando-a de seu corpo em um único golpe. Os runners se chocam.
Vendo a cabeça se
rolando em sons abafados e úmidos pelo chão, eles se emudecem. Antes que Nathan
pudesse dizer alguma coisa, um runner se encosta na parede e vomita.
Colocando a
espada na junta de seu braço, Tokugawa limpa o sangue da lâmina e diz:
- Diga ao seus
amigos da superfície para destruírem o canhão. E rápido. Não temos muito tempo.
Minutos depois,
uma voz no comunicador diz:
- Tokugawa-san, o
senhor está aí?
O xogum reconhece
a voz de seu capitão.
- Kyaputen
Yamada?! Prossiga!
- Os canhões
foram neutralizados. Os Kamikazes conseguiram.
Alegrando-se, o líder
responde:
- Ótimo. Envie as
aeronaves tripuladas. Vamos começar a invasão.
- Hai!
Com a ameaça
antiaérea eliminada, os Zeros retomam a vantagem. Mesmo em maior número, as
viaturas policiais não conseguiam abater os ágeis aviões de combate japoneses.
Olhando pelas
janelas, Nathan vê as aeronaves atravessarem o fogo cruzado e pousarem pelo
edifício. Ao abrirem suas portas, dezenas de samurais saem, vestindo armaduras
e portando katanas. Impressionado, o rapaz vê alguns deles portando
estandartes.
- Nathan-san! A
vitória se aproxima. Vamos subir à ponte e cortar a cabeça deste dragão.
O rapaz se
confunde novamente. O xogum misturava batalha naval com mitologia oriental.
O interior do
Ministério de Segurança Pública estava todo embarricado. Aguardando a
concentração de suas forças, o xogum planeja a estratégia a seguir. Enquanto
avançam por um corredor, um policial agarra Nathan e o puxa para dentro de uma
sala. Apontando uma arma para sua cabeça, ele diz:
- Abaixem as
armas ou ele morre!
Assustados, os
runners não sabem o que fazer. Nathan percebe que não era um policial comum e
sim um mercenário contratado para o serviço. “Mais criminosos protegidos pelo Estado corporativo”, pensa ele.
- Agora! – ordena
o policial.
Então os runners largam
suas metralhadoras. Porém, Tokugawa segura firmemente sua espada.
- Você também,
vovô! – ordena ele – Que velho patético! Pensou que podia entrar em um
confronto armado com uma espada? Não me faça rir...
Enquanto ri,
alguém aparece atrás dele e crava sua espada no topo de sua cabeça. O policial
perde os sentidos e cai irresistivelmente ao chão, expirando em uma horrenda
poça de sangue.
Virando-se, o
rapaz exclama em surpresa:
- Yamada!
Em sua belíssima
armadura vermelha, o velho samurai ajeita sua pontuda barba.
- Kon'nichiwa, Nathan-san. Como vai?
- Kyaputen! –
chama o xogum – Reporte!
- Tokugawa-san,
perdi todo o meu pelotão nos ataques Kamikazes. Caí não muito longe daqui e
tive que me esgueirar pelo local. A maioria dos Zeros foi destruída.
- Ainda vejo
viaturas lá fora. Temos o bastante para nos mantermos no combate?
- A Polícia
Corporativa mantém a superioridade aérea. As chances são baixas, mas com
determinação e disciplina nossos pilotos alcançarão a vitória.
Apesar das más
notícias, o xogum diz:
- Vamos. Temos um
porta-aviões para afundar.
Subindo as
escadas, eles chegam ao andar de estacionamento do edifício. A polícia combatia
o invasor no outro lado. Nathan vê os destemidos samurais atirarem com rifles
lasers, criando um espetáculo de luzes.
Enquanto se
aproximam, um policial avança contra o xogum e o golpeia com um cassetete.
Yamada intervém e ambos entram em luta corporal. O policial era alto e forte
enquanto que o capitão era velho e pequeno. Apesar da desvantagem, Yamada luta
bravamente e faz ágeis movimentos. O policial tenta golpear sua cabeça, mas o
capitão se esquiva e dá um impressionante chute giratório em seu rosto,
fazendo-o desmaiar estaticamente no chão. Nathan e os runners ficam
boquiabertos.
Aproximando-se de
seus subordinados, o xogum é reverenciado pelos samurais. Tokugawa ordena:
- Reportem!
O oficial de
maior patente responde:
- Tokugawa-san, o
exército corporativo não poderá mais repelir a invasão!
- Como assim?
- O combate aéreo
está penoso lá fora, mas já avançamos demais no coração desta fortaleza. Nós
não retrocederemos!
- As aeronaves
tripuladas conseguiram desembarcar os soldados?
- Hai! A
fortaleza foi infestada pela Bushido. Em breve nossos inimigos serão exterminados!
Satisfeito, o
xogum sorri. Vendo os policiais atirarem por detrás dos aerocarros, ele empunha
sua espada e diz:
- Vamos mostrar a
eles o verdadeiro espírito guerreiro japonês. – olhando para seus subordinados,
ele ordena – Samurais! Preparem-se!
Os soldados
largam seus rifles e desembainham suas espadas. Nathan não compreende. De
repente, Tokugawa faz um brado de guerra.
- Banzai!
Os samurais também bradam e avançam enfurecidamente contra a polícia. Enquanto
correm, muitos são alvejados e mortos, mas eles não retrocedem e continuam
avançando resolutamente. Surpresos, os policiais arregalam os olhos e recuam,
acuados pelo demoníaco inimigo de armadura.
Pulando por sobre
as defesas da polícia, um samurai enfia sua espada no tórax de seu inimigo,
atravessando-o até suas costas. Membros são decepados e sangue se espirra para
todos os lados, cobrindo os aerocarros e as paredes. Estarrecido, Nathan presencia
um massacre.
- Yamada!
Concentre as forças para o confronto final! Vamos para o último andar!
Assentindo, o
capitão usa seu comunicador.
A invasão a pé
mostrava seus resultados. Em toda parte eles ouviam gritos e explosões. O
prédio estava tomado pela Bushido. Os runners seguem os samurais, embora
protegidos na retaguarda e incapazes de tomar o mesmo ritmo de seus aliados.
Enquanto sobem, Nathan vê poças de sangue e respingos pelas paredes das salas.
Pelas janelas, ele ainda via o combate aéreo lá fora; os tiros atingiam o
prédio e os aerocarros voavam em chamas pelo céu.
Chegando ao
último andar, o capitão Yamada diz:
- O Ministério de
Segurança Pública será o cemitério da polícia!
Mas um runner
temerosamente diz:
- Ou da Bushido.
Olhe.
Protegendo a sala
do ministro, cem policiais guardam sua entrada. Ao vê-los, os samurais se posicionam.
Uma voz nos
alto-falantes diz:
“Xogum Tokugawa,
aqui é o Ministro Galileu. Renda-se agora e entreguem o Inimigo de Estado”.
- Me render? –
pergunta-se ele e então ele gargalha.
“Meus policiais
têm permissão para matar. Este banho de sangue não precisa continuar mais.
Renda-se agora e eu prometo bom tratamento nas prisões para a Bushido”.
Desta vez são os
samurais que riem.
As tropas se
convergem no último andar. Do teto, metralhadoras acopladas se formam e miram
nos samurais.
- Yamada! – chama
Tokugawa – As tropas estão prontas?
- Hai!
- Então vamos combater
com honra.
Novamente eles
empunham suas espadas. Em seguida as tropas se levantam e bradam:
- Banzai!
Insanamente
atacando policiais armados, os samurais avançam contra o
inimigo. Tiros são disparados e alguns caem, mas outros são poupados graças às
suas armaduras a prova de balas. As metralhadoras de teto atiram até avermelharem
seus canos. Protegendo-se atrás das mesas, Nathan temia outro massacre. Mas não
foi aquilo que ele viu.
Fumaça se ergue e
ele vê a silhueta de Tokugawa golpeando os inimigos. No meio da confusão, os
samurais gritam a cada ataque, apavorando os policiais desorientados. Eles
atiram para todos os lados, inclusive atingindo a si mesmos. Os samurais,
porém, mantém um ataque disciplinado no meio daquele caos.
Bombas de EMP se
estouram, criando um clarão azul. As metralhadoras de teto imediatamente param
de atirar, eliminando sua ameaça.
Alcançando a
porta, Tokugawa diz:
- Xogum Galileu
se encontra aqui dentro! Derrubem esta porta!
Instalando bombas
na madeira, os samurais se afastam e explodem a entrada da sala. Tokugawa e
Yamada entram, empunhando suas espadas gotejantes de sangue.
A sala continha
luxuosa mobília e belíssima decoração. Atrás de sua mesa, Galileu entra em um
pequeno compartimento e fecha a porta de vidro. Apertando um botão, o
compartimento começa a subir.
- Ele está
fugindo para o terraço! – alerta Yamada.
Rindo, o xogum
diz:
- O inimigo se
acovarda em sua fortaleza e agora pretende deixa-la! Subam para o terraço!
Os samurais
avançam para as escadas. Nathan os segue logo atrás, ansioso pelo fim da
batalha.
Saindo ao ar
livre, o rapaz olha para o céu e vê o intenso combate aéreo ao redor do prédio.
Os samurais formam posições ofensivas e procuram pelo ministro. Então eles se
assustam.
Ao lado de sua
aeronave, dez Securitrons protegem Galileu. Intimidados, os soldados sabem que
não podem atacar robôs blindados e ilesos a golpes de espada. O ministro diz:
- Xogum Tokugawa,
este é meu último aviso! Meus Securitrons têm permissão para matar quem ousar
me ferir. Pela última vez eu te peço. Renda-se agora e entregue o Inimigo de
Estado!
O ministro olha
para Nathan. As memórias tomam sua mente e ele se lembra. O rapaz o viu pela primeira vez antes de fugir da prisão com Maynard. O ministro era aquele homem
requintado e eloquente em seu interrogatório, ávido para extrair informações.
Tokugawa
responde:
- Xogum Galileu!
Seus samurais foram vencidos e sua fortaleza está em chamas! Bravatas não irão
salva-lo! Se tiver um pingo de honra em ti, tire sua própria vida!
Então o ministro
ri.
- Estes não são
os meus costumes, Tokugawa! Aliás, de ninguém com um mínimo de equilíbrio mental.
Olhando para
Yamada, o xogum pergunta:
- Quanto tempo
até a chegada dos robôs Kyoto?
“Robôs Kyoto?”,
pergunta-se Nathan.
- Um minuto,
senhor.
Novamente falando
com o ministro, Tokugawa responde:
- Sei o que você
pretende, Galileu-san! Você quer fugir! Mas antes pretende nos persuadir com um
blefe!
Astutamente ele pergunta:
- Xogum Tokugawa,
o Inimigo de Estado vale todo esse banho de sangue? Ele vale tanto assim?
Os samurais olham
para Nathan. Ele se sente menosprezado.
- Não se trata do
Inimigo de Estado, mas do plano hediondo de exterminar Sonata para a construção
de uma sociedade utópica! – responde o xogum.
- Hah! – indigna-se
ele – Você falando de utopia? O líder de uma facção terrorista
utópica que quer transformar Sonata em um Japão feudal?
- Trinta
segundos, senhor. – sussurra Yamada.
O xogum continua:
- Acho que ambos
temos planos parecidos, xogum Galileu, mas o Império Japonês não será detido
pelo hediondo Império Corporativo!
De repente um
Zero cruza o céu e atira contra a aeronave do ministro, danificando-a. Chamas
se formam, inutilizando o veículo atrás dele.
- Ora, essa! –
enfurece-se ele.
- Acabou! – diz
Tokugawa.
Galileu brada:
- Não! Eu ainda
não estou vencido! – olhando para seus Securitrons, ele ordena – Extermine-os!
As metralhadoras
começam a girar. Os samurais se intimidam. Prestes a estraçalha-los, aeronaves
da Bushido aparecem e liberam suas cargas. Nathan olha para trás e vê seis máquinas
se montando sozinhas e formando enormes robôs. Então ele os reconhece.
- Os robôs
samurais!
O rapaz via os
mesmos robôs samurais da noite em que ele e Maynard fugiram da sede da Bushido.
Os poderosos robôs se levantam e seus olhos brilham, preparando-se para o
combate.
Todos se afastam e lhes dão passagem. Nathan se assusta ao vê-los portando pesadas espadas.
Os Securitrons se mantém em posição defensiva, protegendo o ministro. O
conflito estava prestes a começar.
Do topo de seus
ombros, os robôs Kyoto disparam seus mísseis. Os Securitrons cambaleiam, mas
revidam com suas metralhadoras, estraçalhando as armaduras dos Kyotos. Montando
suas armas lasers, os robôs samurais atiram e derretem as armaduras dos
Securitrons. Mas a luta estava só começando.
Mísseis cruzam o
céu e destroem o restante das armaduras japonesas. Agora desprotegidos, eles
precisavam agir. Nathan vê os Kyotos avançarem contra o inimigo. Seus pesados
passos tremiam o piso, desequilibrando-os. Empunhando suas espadas, os Kyotos se
aproximam dos Securitrons e rasgam suas armaduras ainda fragilizadas após a saraivada
de lasers.
Apesar da
desvantagem numérica, os Kyotos lutam bem e derrubam alguns Securitrons. Os
robôs corporativos não foram projetados para o combate próximo e, ao terem suas
metralhadoras decepadas pelas espadas, não conseguem usar seus lança-mísseis.
- A vitória se
aproxima! – comemora Tokugawa.
Os Securitrons
disparam alguns mísseis, mas também sofrem dano devido a curta distância. Com
suas armaduras derretidas e seus membros decepados, eles caem e se explodem devido aos danos. Após sofrerem avarias, alguns
robôs japoneses caem e se explodem também, incapazes de resistir ao poderoso
armamento inimigo.
Ao final do
combate, apenas dois Kyotos restam. Em contrapartida, todos os Securitrons
haviam sido destruídos.
Aproximando-se de
sua aeronave, os samurais encontram Galileu deitado e ferido. O xogum aponta
sua espada para sua garganta e diz:
- Seus samurais
foram mortos e sua fortaleza foi destruída. Acho que você sabe o que deve
fazer.
Cuspindo sangue,
Galileu olha para o xogum e ri.
- Você espera que
eu cometa suicídio, não é? Para sua facção, esta é uma rendição aceitável?
Inflexível,
Tokugawa responde:
- Sua derrota o
desonra.
Nathan aparece ao
lado deles.
- Ora, aí está
você, Inimigo de Estado? Você deve estar orgulhoso, não? Se aliando às facções
que cometem os atentados mais covardes para promover sua Rebelião.
Vendo-o todo sujo
e humilhado no chão, ele responde:
- Olá, ministro
Galileu. Você está bem diferente da última vez em que nos vimos. Sinto falta da eloquência e do requinte de antes.
- Você não faz
ideia do que fez, moleque! Se as corporações caírem, Sonata cai também! Os ministérios
não são os governadores e sim os executores da vontade corporativa. A Cúpula é
a legisladora; nós aplicamos sua lei.
- Mesmo que isso
signifique cometer genocídio?
Discordando, o
ministro responde:
- Imagine Sonata
como o corpo. As corporações são a alma. Sem a alma o corpo morre.
Galileu não
queria ouvi-lo. Aproximando-se, o rapaz repete o que o próprio ministro disse meses atrás:
- Por acaso você
sabe o que está em jogo aqui?
Com olhar férreo,
Yamada diz:
- Devemos
executa-lo e fazer o que ele não tem coragem de fazer.
- Não! – intervém
Tokugawa – Vamos leva-lo prisioneiro.
Uma aeronave
pousa no terraço. Os samurais levantam o ministro e o levam dali. Nathan
assiste aquilo e acha tudo muito irônico. Da última vez ele era o prisioneiro e
agora o era Galileu. Sem querer admitir, o rapaz era o responsável pelas
mudanças mais profundas ultimamente.
O xogum e seus
samurais se preparam para partir. Nathan se aproxima e pergunta:
- Tokugawa-san, o
que vocês vão fazer com ele?
Escondendo suas
reais intenções, ele responde:
- Galileu-san tem
muitas informações. Vamos leva-lo ao interrogatório.
Desconfiado, o
rapaz faz outra pergunta:
- E depois vocês
o deixarão viver?
Evasivo, o xogum
pergunta:
- Nathan-san,
como você conquistou o respeito dos runners?
O rapaz não
entende a mudança brusca de assunto.
- Há apenas três
semanas você iniciou a Rebelião. Hoje você comanda um exército – se é que posso
chama-lo assim – de delinquentes e marginais que sofrem a cada dia para
sobreviver. Logo você, que era um cidadão dos confortáveis níveis
superiores. O que você fez?
Nathan não sabe o
que responder.
- Eu não sei.
Talvez eles vejam mérito em minha coragem para derrubar o governo.
Tokugawa sorri.
- Não,
Nathan-san. Os subordinados só respeitam quem eles temem. E se você nunca
sangrou para sobreviver, seja com eles ou sozinho, você não tem o direito de
envia-los para sangrarem combatendo por você.
Então o rapaz
teme estar sendo manipulado. Ele responde:
- Talvez o senhor
tenha razão.
- Eu e os
Trans-humanistas falhamos em torna-lo um guerreiro, mas a guerra passa
constantemente por você, cobrando-o de quem você deverá se tornar. Então você
deve escolher: quer continuar sendo o inocente e bondoso Nathan ou o obstinado
e implacável Inimigo de Estado?
Mais uma vez
Nathan se via pressionado a se sacrificar pela Rebelião. Ele ousadamente
pergunta:
- Eu não posso
ser os dois?
- Talvez. Mas em
um mundo dicotômico e dualista, você só pode escolher um, nunca os dois ao mesmo
tempo. – afastando-se, o xogum diz – Sayonara, Nathan-san.
Levantando sua
espada, o xogum brada:
- Banzai!
Em seguida os
samurais levantam bandeiras e entoam um poderoso coro capaz de estremecer todo o prédio.
“Banzai!”.

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