segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Sonata - 49 - O Ataque ao Ministério da Informação

 


(Arte de Anton Skeor)


Posicionados sobre os terraços, os facciosos da 4 de Julho pacientemente aguardam. General Washington caminha enquanto olha para seu relógio. Os runners estavam atrasados.

No Setor N, distrito de Orbital, a noite estava apenas começando. Os aerocarros voavam ao redor e as passarelas se enchiam de transeuntes. Preocupado, ele se afasta. Muitas pessoas morreriam no fogo cruzado, mas ele não se preocupava com suas mortes e sim com a livre passagem de suas tropas.

De repente uma aeronave aparece e pousa sobre o terraço. Ao abrir suas portas, os americanos veem dezenas de runners vestindo armaduras balísticas e portando fuzis de assalto. Eles se impressionam. Apesar de ainda vestirem suas roupas coloridas, os runners exibiam mais disciplina e não mais portavam suas submetralhadoras frágeis; desta vez eles portavam armas mais eficazes e potentes.

Um homem de sobretudo bege pega seu rifle de longo alcance, se levanta e deixa o veículo. Após alguns segundos o general o reconhece. Não era um homem velho e sim o jovem Nathan.

- Nathan! – exclama George, feliz ao vê-lo – Mas o que aconteceu com vocês?

Ele se referia ao claro aprimoramento do Submundo. O rapaz responde:

- Estamos passando por mudanças, general. – estendendo-lhe a mão, ele o cumprimenta – Como vai?

Então George o puxa e o abraça. O líder da 4 de Julho era um homem bruto, mas afetuoso. Isso ficou claro após Nathan salva-los do ataque da polícia há um mês.

- Perdoe minha intromissão, mas de onde vocês tiraram tanto equipamento corporativo?

Sorrindo, o rapaz responde:

- Nossos amigos da Bushido os cederam. Havia um arsenal no Ministério da Segurança Pública, então pegamos uma parte.

Assentindo, George pergunta:

- E como foi a batalha?

- Dramática... Sangrenta... Heroica... - lembra-se ele - Muita gente morreu, mas nasceu um novo homem dentro de mim.

Os facciosos da 4 de Julho sabem que Nathan não é um terrorista como eles, mas um simples rapaz dos níveis superiores de Sonata. Ao vê-lo tão diferente, o general comenta:

- Não sei o que aqueles porcos feudais o fizeram, mas vejo que você realmente está mudado. Para o melhor eu espero.

Ao seu redor, o rapaz vê aqueles formidáveis soldados vestindo botas de combate e fardas cor de areia. Em seus ombros haviam as gloriosas bandeiras dos Estados Unidos. Ele pergunta:

- General Washington, por que o senhor escolheu esse alvo, o Ministério da Informação?

Cruzando os braços, George responde:

- A América é a terra da liberdade de expressão, de imprensa, de religião, de circulação e de comércio. Estes são os valores americanos garantidos constitucionalmente, além do direito à propriedade privada e à autodefesa. Como podemos nós, defensores da Liberdade, permitir a existência deste ministério governamental fascista sem que façamos nada a respeito? Não toleraremos que as corporações promovam a ditadura e a censura. É nossa missão destruí-la!

Com sua fervorosa resposta, o rapaz se impressiona.

- Então é por isso que quer toma-lo? Para dar liberdade à Sonata?

- Certamente.

- Mas muita gente morreu por causa das informações contidas ali. E se elas forem realmente prejudiciais, sendo melhores se mantidas em segredo? O senhor considerará esta hipótese ao revela-las?

Sorrindo, o general toca seus ombros e responde:

- Você verá.

Mais aeronaves pousam nas megatorres próximas, trazendo os irreverentes runners. Caminhando até o parapeito, o rapaz olha para o ministério e pergunta:

- General, as tropas já estão posicionadas?

- Sim, elas aguardam o sinal. Você vai liderar o ataque?

Pensando que ele está brincando, o rapaz ri. Mas o general não estava brincando. Ele lhe oferece o rádio comunicador e aguarda sua resposta. Surpreso, Nathan não compreende. Diferente dos líderes das outras facções, George era, de fato, um bom homem. Durante a Rebelião, Huxley se esforçara para fazer dele um assassino. Tokugawa, por sua vez, tentou lhe incutir o espírito guerreiro. Mas George é o primeiro a lhe dar moral, o tão esperado respeito conquistado pelos valorosos soldados. Pela primeira vez ele se sente aceito.

Com mãos trêmulas, ele aproxima o comunicador de sua boca e diz:

- Comecem o ataque.

Empunhando seus fuzis, os americanos atiram contra as antenas no topo do prédio. Drones da 4 de Julho sobrevoam o local e atiram mísseis contra as fachadas, destruindo os letreiros de neon. Pegando de volta seu comunicador, o general ordena aos berros:

- Liberem os tanques M1!

Intrigado, o rapaz olha para ele e se pergunta:

“Tanques M1...?”. 

Saindo do túneis, Nathan vê enormes veículos metálicos avançarem nas passarelas. Apesar do tamanho reduzido se comparado ao original, os veículos apontam seus canhões para o prédio e atiram, fulminando sua entrada.

Sabendo que a 4 de Julho precisaria de aeronaves grandes e barulhentas para transportar os taques, Nathan pergunta:

- Como você conseguiu trazer esses veículos para cá?

Meneando negativamente a cabeça, George responde:

- Eu não os trouxe, eu os montei pelo distrito.

Então o rapaz compreende. A 4 de Julho vinha infiltrando secretamente suas partes pelo distrito. De maneira estratégica, eles pretendiam monta-los apenas nas vésperas do ataque.

Do interior do ministério aparece o inimigo. O rapaz vê dezenas de Securitrons caminharem com suas imponentes armas e se assusta. Girando suas metralhadoras, os robôs atiram e atingem os tanques.

Nos tanques, sua armadura ricocheteia as balas e as desviam perigosamente pelo ar. De seus canhões de ombro, os Securitrons disparam mísseis e danificam os tanques, incapacitando-os em combate.

Tocando Nathan, o general se levanta e diz:

- Vamos, rapaz! Vamos dar apoio às tropas terrestres!

Então os dois descem as escadas.

Enquanto se aproximam do confronto, o rapaz vê muitos corpos pelo chão. Eram os transeuntes pegos no fogo cruzado. Controlando-se, ele tenta se acostumar com aquelas brutais cenas de guerra. As tropas terrestres se protegiam atrás dos tanques, seguindo-os enquanto os veículos se aproximavam da entrada do Ministério da Informação.

Adentrando um túnel, o General Washington se aproxima de um homem vestindo boné e farda cinza. Ele pergunta:

- Tenente, como está a situação?

Mascando um chiclete, o tenente o cospe e então responde:

- Os Securitrons impediram o avanço, senhor! Precisamos de apoio aéreo!

Um míssil se explode no teto do túnel, assustando-os.

- Negativo, tenente! Perdemos a maior parte dos nossos drones durante o ataque da polícia.

A luta de um mês atrás ainda custava à 4 de Julho.

- Estamos aguardando o combate veicular. Não sei se os tanques suportarão o ataque combinado por muito tempo!

O tanque dispara, reverberando o ruído por todo o túnel.

- Os tanques não podem destruir esses robôs de uma vez por todas?

- Negativo, senhor! Eles são muitos! Nossos tanques são pesados e largos e não conseguem revidar com a mesma cadência de fogo.

Observando o ataque, George nota que, a cada disparo de um tanque, dez disparos de Securitrons se sucedem.

- Precisamos repensar a estratégia, senhor!

Um míssil atinge o tanque, propagando uma onda de ar quente.

- Sugestões?

Os dois abrem um mapa e discutem o plano. Então Nathan intervém e diz:

- General, precisamos infiltrar o edifício!

Os dois olham para ele e riem.

- Nathan, este não é o Ministério da Segurança Pública. O Ministério da Informação é altamente protegido por sistemas de segurança!

Discordando, o rapaz diz:

- Eu tenho os melhores hackers e infiltradores comigo! Dê-lhes uma chance e eles conseguirão neutralizar esses robôs pelas costas!

O general e seu tenente se entreolham.

- Você tem certeza? Um passo em falso e eles ativarão a defesa do prédio, estraçalhando-os com balas, lasers, bombas e até gás.

Nathan responde:

- Confie em mim.

Pegando seu comunicador, o rapaz pede quatro runners para acompanha-lo. Em seguida, ele se levanta e entre em uma megatorre residencial. Subindo pela escadaria, muitos residentes passam por eles e fogem, deixando aquela zona de guerra para trás.

Três andares acima, Nathan e seu grupo arrombam uma porta e invadem um apartamento. Seus moradores, um casal e dois filhos, olham para eles e se assustam. Um runner diz:

- Este apartamento está sendo solicitado pelo Inimigo de Estado. Sugiro que fiquem abaixados ou fujam.

A janela da sala está de frente para o Ministério da Informação. Apoiando seu rifle de precisão, Nathan olha pela luneta e observa suas entradas.

O ministério tinha três entradas, mas a principal encontrava-se no final de uma passarela. Ele vê algumas grades dos tubos de ar condicionado, mas estavam inacessíveis devido aos Securitrons. Subindo a luneta, ele nota como o edifício era alto. Escala-lo seria custoso e arriscado. Descendo a luneta, ele vê mais entradas de tubulação, ocultas sob as passarelas de acesso.

“Então foi por aí que Laura invadiu o prédio?”, pergunta-se ele.

Laura precisou da ajuda de Vertigo para invadi-lo. Infelizmente para Nathan, eles eram os melhores runners da superfície. Após o roubo da informação era de se esperar que a polícia fortificasse os sistemas de segurança. Invadi-lo agora seria condenar seus runners à morte. Ele precisaria pensar melhor no que fazer a seguir.

- Espere um pouco... – diz alguém atrás dele – Você é mesmo o Inimigo de Estado?

Virando-se, ele vê o pai de família falando com ele.

- Sou.

Alegrando-se, o homem se aproxima e, com as duas mãos, o cumprimenta calorosamente.

- Eu não posso acreditar que é mesmo você, Nathan! É uma honra recebe-lo em minha casa!

O homem o via como um herói. Os runners se confundem e não sabem o que fazer.

- Nathan, não temos tempo a perder. Precisamos invadir o Ministério da Informação imediatamente. – interrompe um deles.

- O que disse? – pergunta o homem – Vocês querem invadir o Ministério da Informação?

- Exato. – responde o rapaz.

- Eu trabalho lá! Não como um espião, eu quero dizer. Não precisam se preocupar... – assegura-os ele – Eu faço parte do serviço burocrático, nada mais.

Raciocinando, Nathan pergunta:

- Precisamos invadi-lo e neutralizar essas máquinas. Pode nos ajudar?

- É claro! Aqui, tome meu cartão de acesso. – ele lhe passa um cartão amarelo com identificação magnética – Com ele você poderá entrar no escritório. O problema é que fica no 86º andar. Se vocês invadirem por fora, vão precisar de um aerocarro.

Olhando para cima, Nathan vê o andar onde o homem supostamente trabalha.

- Nós vamos ter de quebrar as janelas. – comenta um runner.

- Uma vez dentro, desliguem rapidamente o sistema de segurança senão as metralhadoras de teto se ativarão.

Então Nathan se assombra. Aquelas pessoas trabalhavam com metralhadoras apontadas para suas cabeças.

Agradecendo-o, o rapaz pega seu comunicador e chama pelo general.

- George, eu vou precisar de um aerocarro para os meus runners.

Ouvindo-o, o general responde:

“Negativo, Nathan. Meus soldados estão em confronto no terraço dos edifícios. Voar agora seria muito perigoso”.

- Entendido, general. Vou subir para apoia-los. Desligo.

Deixando o apartamento, eles pegam o elevador e sobem para o terraço. Ao saírem ao ar livre, eles veem os batalhões policiais espalhados pelas megatorres próximas. Do topo do ministério, franco-atiradores atiram nos americanos, fazendo-os recuar.

Apoiando-se no parapeito, o rapaz mira sua arma e se prepara para atirar. Os runners não compreendem.

- Nathan, o que você está fazendo?

- Vou abater o inimigo.

Sabendo que ele não é um assassino, um runner pergunta:

- Se você atirar, alguém pode morrer. Você tem certeza?

Sem olha-lo nos olhos, ele responde:

- Absoluta.

Percorrendo o terraço com sua luneta, o rapaz encontra um franco-atirador e, hesitante, atira. A bala atravessa o céu noturno e o atinge, fazendo-o soltar sua arma e cair. “Meu Deus...!”, espanta-se ele. “Eu o matei?”.

Abalado, ele tenta disfarçar suas emoções e atirar novamente. Encontrando outro franco-atirador, ele bravamente aperta o gatilho, mas o tiro se desvia e ele erra o alvo. O policial nota sua presença e mira sua arma, pronto para revidar.

- Abaixe-se! – um americano agarra suas roupas e o puxa, evitando que ele tivesse sua cabeça atravessada pela bala – Ei, garoto! Você foi descoberto. Agora vai ter que encontrar outro lugar.

Concordando, o rapaz se limpa e procura por uma posição mais segura.

Apesar do tiroteio, Nathan via poucas viaturas de polícia. Aparentemente a maioria foi usada na defesa do Ministério da Segurança Pública. Entretanto, o espaço aéreo ainda era perigoso e ambas as forças se equilibravam no confronto.

Nathan ouve uma explosão. Olhando para as passarelas, ele vê um tanque M1 destruído pelos Securitrons. Não havia tempo a perder.

Apontando sua arma, ele encontra um franco-atirador e atira. O inimigo faz uma expressão de dor e cai em seguida. Encontrando outro, o rapaz recarrega sua arma e atira novamente. Aparentemente o tiro atinge a arma do inimigo, inutilizando-a. Antes que pudesse encontrar um terceiro alvo, um americano o puxa e então diz:

- Já chega! Procure outra posição!

Se arrastando pelo terraço, ele vê um drone sobrevoar o distrito e lançar bombas contra o ministério. As explosões eliminam a resistência policial, permitindo que os americanos e os runners avancem.

Olhando para um runner logo atrás, Nathan pergunta:

- Ei, você! Qual é o seu nome?  

- Retro.

- Ok. Você pode nos conseguir um aerocarro?

Sorrindo, o runner pergunta:

- Você quer dizer roubar?

- Sim, eu acho. – responde ele, encabulado.

- Com certeza, cara!

Virando-se, o runner pula sobre os terraços e se afasta.

Posicionando-se no parapeito, Nathan percorre o ministério com a luneta. Ele vê apenas fogo e as torres de antenas caindo. Distraído, ele ouve o zunido agudo de um projétil passar próximo ao seu rosto. O rapaz solta sua arma e se lança ao chão, sentindo o calor da bala queimar sua pele.

Outro runner se aproxima e pergunta:

- O que aconteceu, Nathan?

Com as mãos no rosto, o rapaz responde:

- Uma bala... – sussurra ele – Quase me atingiu...!

Preocupado, o runner responde:

- Você tem que tomar cuidado, cara! Se não...

Então outra bala cruza o céu e atravessa sua cabeça, fazendo-o se desabar sobre o chão. Em pânico, Nathan olha para suas roupas e as vê cobertas de sangue. Ele se desespera.

Um americano vê aquilo e diz:

- Com licença, Inimigo de Estado. Eu posso ficar com isso aqui? – ele se referia ao seu rifle de precisão.

Ainda em choque, o rapaz não responde. O americano pega sua arma e, posicionando-a, atira contra o inimigo. Diferente de Nathan, ela a manuseava com maestria e perfeição.

Alguém o chama em seu comunicador.

“Nathan! Consegue me ver?”.

O runner de nome Retro falava com ele.

- Eu...

“Nathan? Você está aí?”.

Recuperando-se, o rapaz responde:

- Onde você está?

Então um aerocarro se eleva sobre o prédio, abrindo as portas em seguida.

- Acho que sua carona chegou. – responde o americano enquanto risca na parede o número de inimigos que ele abateu.

Levantando-se, o rapaz corre e se joga no aerocarro. Ao fechar as portas, ele diz:

- Precisamos de runners com armamento pesado.

Dirigindo-se aos seus companheiros, eles pegam as armas e então seguem para o Ministério da Informação. A fachada de vidro está toda destruída, mas os sistemas de segurança ainda estavam ligados lá dentro. Pairando ao lado de uma janela, Nathan e os runners desembarcam e adentram o prédio.

- Retro, abandone o aerocarro e se proteja. Não queira combater no ar.

Rindo, o runner responde:

- O que você pensa que eu sou? Um Kamikaze?

Então as portas se fecham e o aerocarro se afasta, voando sob o fogo cruzado.

Dentro do prédio, Nathan procura pelo dispositivo de segurança. Ao chegar ao meio do escritório, seis policiais os surpreendem e abrem fogo. As balas atingem suas armaduras, mas não são capazes de feri-los. Com seus fuzis de assalto, eles revidam e os eliminam, atingindo-os com rajadas lasers.

Fogos de artifício são ouvidos. Confuso, o rapaz se aproxima da janela e olha para baixo. Outra manifestação se formava, ocupando as passarelas e atrapalhando o avanço da polícia.

Correndo em direção ao dispositivo de segurança, ele encontra um painel eletrônico. Nathan coloca seu cartão e desativa as metralhadoras e os alarmes, liberando o andar. Em seguida eles colocam uma bomba de fumaça azul na janela, sinalizando que o andar estava seguro. Usando seu comunicador, o rapaz comunica:

- Atenção, runners! Os sistemas de segurança do 86º andar foram desativados! Preciso que se infiltrem e pacifiquem o interior do prédio!

Mais uma explosão é ouvida, os Securitrons destruíram outro tanque.

- Temos que descer e liberar o hall! – informa ele.

Pegando o rifle de um policial, Nathan se dirige aos elevadores. Ele precisava ser cuidadoso, pois o resto do prédio ainda era uma perigosa armadilha aos invasores. As portas se abrem e os runners entram. Apertando o botão, eles começam a descer.

Enquanto descem, tiros atravessam o teto e atingem um runner, fazendo-o cair morto no chão. O grupo ergue suas armas e atira, estraçalhando o teto e apagando todas as luzes. Agora eles se encontravam no escuro absoluto.

- Eles estão no fosso do elevador! Nós devemos sair!

- Não! – proíbe Nathan – Se sairmos, eles vão nos ver e atirar!

- Você não percebeu, Inimigo de Estado? Eles já nos viram!

Mais tiros são disparados, fazendo os fragmentos caírem sobre suas cabeças.

- Aguentem firme! Se sairmos, teremos de nos pendurar até chegar lá embaixo!

- Isso se conseguirmos chegar lá! – brinca um runner.

No escuro, o grupo continua descendo no elevador. Agachando no assoalho, ele sente a poça de sangue se espalhar sob os seus pés.

O elevador chega ao hall de entrada. Antes que as portas se abrissem, disparos atravessam as folhas e os runners se pressionam contra as paredes.

- Temos que sair daqui!

As portas se abrem e um runner se atira para fora. O grupo assiste atônito ele ser alvejado por três metralhadoras de teto no hall de entrada.

- Protejam-se! – ordena Nathan.

Correndo para trás das mobílias, eles olham ao redor e veem um belo salão com um enorme lustre no meio. À frente eles veem a entrada do ministério, com uma dezena de Securitrons guardando-a.

- Rápido, destruam essas metralhadoras!

Mas apenas dois runners sobraram e eles estavam apavorados pelo confronto. Usando seu comunicador, o rapaz diz:

- Preciso de ajuda no hall de entrada! Como está a situação aí em cima?

Os runners nos terraços respondem:

“Nathan, estamos encontrando forte resistência policial aqui!”.

- Conseguem me dar apoia aqui embaixo?

“Sem chance! Estamos presos em um impasse. Eles não conseguem repelir a invasão, mas nós não conseguimos avançar! Você está sozinho, cara! Desculpe!”.

Lamentando-se, ele desliga o comunicador.

Pegando sua arma, ele mira em uma metralhadora e atira. Faíscas elétricas e curtos circuitos a desestabilizam, neutralizando-a.

- Vocês dois! Eu preciso de ajuda! Atirem em uma de cada vez e se protejam!

Os runners apontam suas armas e atiram, destruindo uma metralhadora, mas um deles é ferido e cai longe da cobertura. A metralhadora restante o detecta e atira, cobrindo seu corpo de balas.

- Meu Deus...! – exclama o runner – Eu tenho que tira-lo dali!

- Não se mexa! – protesta Nathan – Fique onde está!

Mas, ignorando-o, o runner deixa a cobertura e tenta resgatar seu amigo. A metralhadora o detecta e o atinge também, estraçalhando seu corpo até ele se assemelhar a carne moída.

O rapaz fecha os olhos. Aonde quer que ele fosse, havia morte em toda a parte. Mas ele não podia sucumbir, a Rebelião precisava do Inimigo de Estado. Ele havia escolhido ser o Inimigo de Estado, deixando o bondoso Nathan para trás. Se ele quisesse que aquele banho de sangue terminasse, ele deveria continuar.

Recarregando sua arma, ele a aponta para a metralhadora e atira. Ela se explode em faíscas elétricas, desligando-se. Agora sozinho, ele se levanta e enxuga o suor. O cansaço começava a drena-lo.

“Eu tenho que neutralizar os Securitrons...”, pensa ele.

Respirando fundo, ele vasculha seus companheiros e encontra o que está procurando. Nathan empunha um formidável lança-granadas de recarga giratória. Não sabendo bem como manuseá-lo, ele apenas libera a trava de segurança e parte para o combate.

Os tanques M1 atiravam contra o prédio, estremecendo o hall. Os Securitrons estavam de costas para ele, protegendo a entrada. O rapaz nota que apenas sete sobraram, mas conseguiam impedir firmemente o avança dos tanques. Protegendo-se atrás do balcão, ele respira fundo novamente.

Nas passarelas, George se protege atrás de um tanque destruído. Os americanos combatiam os policiais vindos dos túneis. O reforço inimigo os cercou e agora os pressionavam contra o ministério. As passarelas haviam se tornado um cemitério de corpos insepultos, tanto das facções quanto dos manifestantes. Naquele conflito, a 4 de Julho e as corporações mostravam sua disposição para a chacina.

Aproximando-se de seu tenente, o general pergunta:

- Onde estão os runners?

- Estão ocupados lá em cima, senhor!

- E onde estão os drones?

- O último acabou de ser abatido.

Irritando-se, o general soca a parede.

- A única saída agora é segurar a posição e recuar para dentro dos túneis.

Então algo acontece.

Disparos são ouvidos de dentro do prédio. Bombas metálicas caem aos pés dos Securitrons e se explodem, desestabilizando-os e derrubando-os em seguida. Os robôs tentam se levantar, mas são novamente avariados e destruídos. Seus compartimentos de mísseis pegam fogo e então eles se explodem, propagando uma violenta onda de choque pelo distrito.

- Mas que diabo foi aquilo...?! – espanta-se George.

Fumaça azul se expele de dentro do prédio, sinalizando sua tomada. De repente Nathan surge através dela, todo sujo e segurando um lança granadas para cima. Enquanto caminha, Securitrons destruídos jaziam sob seus pés.

O confronto parece parar, todos queriam olhar para Nathan. O General Washington vê aquilo e, exultante, se levanta exclamando:

- Viva o Inimigo de Estado!

Então os facciosos fazem o típico brado do Exército americano, gritando:

- Hooah!

 

    

   

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