(Arte de Anton Skeor)
Posicionados
sobre os terraços, os facciosos da 4 de Julho pacientemente aguardam. General
Washington caminha enquanto olha para seu relógio. Os runners estavam
atrasados.
No Setor N,
distrito de Orbital, a noite estava apenas começando. Os aerocarros voavam ao
redor e as passarelas se enchiam de transeuntes. Preocupado, ele se afasta.
Muitas pessoas morreriam no fogo cruzado, mas ele não se preocupava com suas
mortes e sim com a livre passagem de suas tropas.
De repente uma
aeronave aparece e pousa sobre o terraço. Ao abrir suas portas, os americanos
veem dezenas de runners vestindo armaduras balísticas e portando
fuzis de assalto. Eles se impressionam. Apesar de ainda vestirem suas roupas
coloridas, os runners exibiam mais disciplina e não mais portavam suas
submetralhadoras frágeis; desta vez eles portavam armas mais eficazes e
potentes.
Um homem de
sobretudo bege pega seu rifle de longo alcance, se levanta e deixa o veículo. Após
alguns segundos o general o reconhece. Não era um homem velho e sim o jovem
Nathan.
- Nathan! –
exclama George, feliz ao vê-lo – Mas o que aconteceu com vocês?
Ele se referia ao
claro aprimoramento do Submundo. O rapaz responde:
- Estamos
passando por mudanças, general. – estendendo-lhe a mão, ele o cumprimenta –
Como vai?
Então George o
puxa e o abraça. O líder da 4 de Julho era um homem bruto, mas afetuoso. Isso
ficou claro após Nathan salva-los do ataque da polícia há um mês.
- Perdoe minha
intromissão, mas de onde vocês tiraram tanto equipamento corporativo?
Sorrindo, o rapaz
responde:
- Nossos amigos
da Bushido os cederam. Havia um arsenal no Ministério da Segurança Pública,
então pegamos uma parte.
Assentindo,
George pergunta:
- E como foi a
batalha?
- Dramática... Sangrenta... Heroica... - lembra-se ele - Muita gente morreu, mas nasceu um novo
homem dentro de mim.
Os facciosos da 4
de Julho sabem que Nathan não é um terrorista como eles, mas um simples rapaz
dos níveis superiores de Sonata. Ao vê-lo tão diferente, o general comenta:
- Não sei o que
aqueles porcos feudais o fizeram, mas vejo que você realmente está mudado. Para
o melhor eu espero.
Ao seu redor, o
rapaz vê aqueles formidáveis soldados vestindo botas de combate e fardas cor de
areia. Em seus ombros haviam as gloriosas bandeiras dos Estados Unidos. Ele
pergunta:
- General
Washington, por que o senhor escolheu esse alvo, o Ministério da Informação?
Cruzando os
braços, George responde:
- A América é a
terra da liberdade de expressão, de imprensa, de religião, de circulação
e de comércio. Estes são os valores americanos garantidos constitucionalmente,
além do direito à propriedade privada e à autodefesa. Como podemos nós,
defensores da Liberdade, permitir a existência deste ministério
governamental fascista sem que façamos nada a respeito? Não toleraremos que as
corporações promovam a ditadura e a censura. É nossa missão destruí-la!
Com sua fervorosa
resposta, o rapaz se impressiona.
- Então é por
isso que quer toma-lo? Para dar liberdade à Sonata?
- Certamente.
- Mas muita gente
morreu por causa das informações contidas ali. E se elas forem realmente
prejudiciais, sendo melhores se mantidas em segredo? O senhor considerará esta
hipótese ao revela-las?
Sorrindo, o
general toca seus ombros e responde:
- Você verá.
Mais aeronaves
pousam nas megatorres próximas, trazendo os irreverentes runners. Caminhando
até o parapeito, o rapaz olha para o ministério e pergunta:
- General, as
tropas já estão posicionadas?
- Sim, elas
aguardam o sinal. Você vai liderar o ataque?
Pensando que ele
está brincando, o rapaz ri. Mas o general não estava brincando. Ele lhe oferece
o rádio comunicador e aguarda sua resposta. Surpreso, Nathan não compreende.
Diferente dos líderes das outras facções, George era, de fato, um bom homem.
Durante a Rebelião, Huxley se esforçara para fazer dele um assassino. Tokugawa,
por sua vez, tentou lhe incutir o espírito guerreiro. Mas George é o primeiro a
lhe dar moral, o tão esperado respeito conquistado pelos valorosos soldados. Pela
primeira vez ele se sente aceito.
Com mãos
trêmulas, ele aproxima o comunicador de sua boca e diz:
- Comecem o
ataque.
Empunhando seus
fuzis, os americanos atiram contra as antenas no topo do prédio.
Drones da 4 de Julho sobrevoam o local e atiram mísseis contra as fachadas,
destruindo os letreiros de neon. Pegando de volta seu comunicador, o general
ordena aos berros:
- Liberem os
tanques M1!
Intrigado, o
rapaz olha para ele e se pergunta:
“Tanques
M1...?”.
Saindo do túneis,
Nathan vê enormes veículos metálicos avançarem nas passarelas. Apesar do
tamanho reduzido se comparado ao original, os veículos apontam seus canhões para o
prédio e atiram, fulminando sua entrada.
Sabendo que a 4
de Julho precisaria de aeronaves grandes e barulhentas para transportar os
taques, Nathan pergunta:
- Como você
conseguiu trazer esses veículos para cá?
Meneando
negativamente a cabeça, George responde:
- Eu não os
trouxe, eu os montei pelo distrito.
Então o rapaz
compreende. A 4 de Julho vinha infiltrando secretamente suas partes pelo
distrito. De maneira estratégica, eles pretendiam monta-los apenas nas vésperas
do ataque.
Do interior do ministério aparece o inimigo. O rapaz vê dezenas de
Securitrons caminharem com suas imponentes armas e se assusta. Girando suas metralhadoras,
os robôs atiram e atingem os tanques.
Nos tanques, sua
armadura ricocheteia as balas e as desviam perigosamente
pelo ar. De seus canhões de ombro, os Securitrons disparam mísseis e danificam
os tanques, incapacitando-os em combate.
Tocando Nathan, o general se levanta e diz:
- Vamos, rapaz!
Vamos dar apoio às tropas terrestres!
Então os dois
descem as escadas.
Enquanto se
aproximam do confronto, o rapaz vê muitos corpos pelo chão. Eram os transeuntes
pegos no fogo cruzado. Controlando-se, ele tenta se acostumar com aquelas
brutais cenas de guerra. As tropas terrestres se protegiam atrás dos tanques,
seguindo-os enquanto os veículos se aproximavam da entrada do Ministério da
Informação.
Adentrando um
túnel, o General Washington se aproxima de um homem vestindo boné e farda cinza. Ele pergunta:
- Tenente, como
está a situação?
Mascando um
chiclete, o tenente o cospe e então responde:
- Os Securitrons
impediram o avanço, senhor! Precisamos de apoio aéreo!
Um míssil se
explode no teto do túnel, assustando-os.
- Negativo,
tenente! Perdemos a maior parte dos nossos drones durante o ataque da polícia.
A luta de um mês
atrás ainda custava à 4 de Julho.
- Estamos
aguardando o combate veicular. Não sei se os tanques suportarão o ataque
combinado por muito tempo!
O tanque dispara,
reverberando o ruído por todo o túnel.
- Os tanques não
podem destruir esses robôs de uma vez por todas?
- Negativo, senhor! Eles são muitos! Nossos tanques são pesados e largos e não conseguem revidar com a mesma cadência de fogo.
Observando o
ataque, George nota que, a cada disparo de um tanque, dez disparos de
Securitrons se sucedem.
- Precisamos
repensar a estratégia, senhor!
Um míssil atinge
o tanque, propagando uma onda de ar quente.
- Sugestões?
Os dois abrem um
mapa e discutem o plano. Então Nathan intervém e diz:
- General,
precisamos infiltrar o edifício!
Os dois olham
para ele e riem.
- Nathan, este
não é o Ministério da Segurança Pública. O Ministério da Informação é altamente
protegido por sistemas de segurança!
Discordando, o
rapaz diz:
- Eu tenho os
melhores hackers e infiltradores comigo! Dê-lhes uma chance e eles conseguirão neutralizar
esses robôs pelas costas!
O general e seu
tenente se entreolham.
- Você tem
certeza? Um passo em falso e eles ativarão a defesa do prédio,
estraçalhando-os com balas, lasers, bombas e até gás.
Nathan responde:
- Confie em mim.
Pegando seu
comunicador, o rapaz pede quatro runners para acompanha-lo. Em seguida, ele se
levanta e entre em uma megatorre residencial. Subindo pela escadaria, muitos
residentes passam por eles e fogem, deixando aquela zona de guerra para trás.
Três andares
acima, Nathan e seu grupo arrombam uma porta e invadem um apartamento. Seus moradores, um casal e dois filhos, olham para eles e se assustam. Um runner
diz:
- Este
apartamento está sendo solicitado pelo Inimigo de Estado. Sugiro que fiquem
abaixados ou fujam.
A janela da sala está
de frente para o Ministério da Informação. Apoiando seu rifle de precisão,
Nathan olha pela luneta e observa suas entradas.
O ministério
tinha três entradas, mas a principal encontrava-se no final de uma passarela.
Ele vê algumas grades dos tubos de ar condicionado, mas estavam inacessíveis
devido aos Securitrons. Subindo a luneta, ele nota como o edifício era alto.
Escala-lo seria custoso e arriscado. Descendo a luneta, ele vê mais entradas de
tubulação, ocultas sob as passarelas de acesso.
“Então foi por aí
que Laura invadiu o prédio?”, pergunta-se ele.
Laura precisou da
ajuda de Vertigo para invadi-lo. Infelizmente para Nathan, eles eram os melhores
runners da superfície. Após o roubo da informação era de se esperar que a
polícia fortificasse os sistemas de segurança. Invadi-lo agora seria condenar
seus runners à morte. Ele precisaria pensar melhor no que fazer a seguir.
- Espere um
pouco... – diz alguém atrás dele – Você é mesmo o Inimigo de Estado?
Virando-se, ele
vê o pai de família falando com ele.
- Sou.
Alegrando-se, o
homem se aproxima e, com as duas mãos, o cumprimenta calorosamente.
- Eu não posso
acreditar que é mesmo você, Nathan! É uma honra recebe-lo em minha casa!
O homem o via
como um herói. Os runners se confundem e não sabem o que fazer.
- Nathan, não
temos tempo a perder. Precisamos invadir o Ministério da Informação
imediatamente. – interrompe um deles.
- O que disse? –
pergunta o homem – Vocês querem invadir o Ministério da Informação?
- Exato. –
responde o rapaz.
- Eu trabalho lá!
Não como um espião, eu quero dizer. Não precisam se preocupar... – assegura-os ele
– Eu faço parte do serviço burocrático, nada mais.
Raciocinando,
Nathan pergunta:
- Precisamos
invadi-lo e neutralizar essas máquinas. Pode nos ajudar?
- É claro! Aqui,
tome meu cartão de acesso. – ele lhe passa um cartão amarelo com identificação
magnética – Com ele você poderá entrar no escritório. O problema é que fica no
86º andar. Se vocês invadirem por fora, vão precisar de um aerocarro.
Olhando para
cima, Nathan vê o andar onde o homem supostamente trabalha.
- Nós vamos ter
de quebrar as janelas. – comenta um runner.
- Uma vez dentro,
desliguem rapidamente o sistema de segurança senão as metralhadoras de teto se
ativarão.
Então Nathan se
assombra. Aquelas pessoas trabalhavam com metralhadoras apontadas para suas
cabeças.
Agradecendo-o, o
rapaz pega seu comunicador e chama pelo general.
- George, eu vou
precisar de um aerocarro para os meus runners.
Ouvindo-o, o
general responde:
“Negativo,
Nathan. Meus soldados estão em confronto no terraço dos
edifícios. Voar agora seria muito perigoso”.
- Entendido,
general. Vou subir para apoia-los. Desligo.
Deixando o
apartamento, eles pegam o elevador e sobem para o terraço. Ao saírem
ao ar livre, eles veem os batalhões policiais espalhados pelas megatorres
próximas. Do topo do ministério, franco-atiradores atiram nos americanos,
fazendo-os recuar.
Apoiando-se no
parapeito, o rapaz mira sua arma e se prepara para atirar. Os runners não
compreendem.
- Nathan, o que
você está fazendo?
- Vou abater o
inimigo.
Sabendo que ele
não é um assassino, um runner pergunta:
- Se você atirar, alguém pode morrer. Você tem certeza?
Sem olha-lo nos
olhos, ele responde:
- Absoluta.
Percorrendo o
terraço com sua luneta, o rapaz encontra um franco-atirador e, hesitante,
atira. A bala atravessa o céu noturno e o atinge, fazendo-o soltar sua arma e
cair. “Meu Deus...!”, espanta-se ele. “Eu o matei?”.
Abalado, ele
tenta disfarçar suas emoções e atirar novamente. Encontrando outro
franco-atirador, ele bravamente aperta o gatilho, mas o tiro se desvia e ele
erra o alvo. O policial nota sua presença e mira sua arma, pronto para revidar.
- Abaixe-se! – um
americano agarra suas roupas e o puxa, evitando que ele tivesse sua cabeça
atravessada pela bala – Ei, garoto! Você foi descoberto. Agora vai ter que
encontrar outro lugar.
Concordando, o
rapaz se limpa e procura por uma posição mais segura.
Apesar do
tiroteio, Nathan via poucas viaturas de polícia. Aparentemente a maioria foi
usada na defesa do Ministério da Segurança Pública. Entretanto, o espaço aéreo ainda
era perigoso e ambas as forças se equilibravam no confronto.
Nathan ouve uma
explosão. Olhando para as passarelas, ele vê um tanque M1 destruído pelos
Securitrons. Não havia tempo a perder.
Apontando sua
arma, ele encontra um franco-atirador e atira. O inimigo faz uma expressão de
dor e cai em seguida. Encontrando outro, o rapaz recarrega sua arma e atira
novamente. Aparentemente o tiro atinge a arma do inimigo, inutilizando-a. Antes
que pudesse encontrar um terceiro alvo, um americano o puxa e então diz:
- Já chega!
Procure outra posição!
Se arrastando
pelo terraço, ele vê um drone sobrevoar o distrito e lançar bombas contra o ministério.
As explosões eliminam a resistência policial, permitindo que os americanos e os
runners avancem.
Olhando para um
runner logo atrás, Nathan pergunta:
- Ei, você! Qual
é o seu nome?
- Retro.
- Ok. Você pode
nos conseguir um aerocarro?
Sorrindo, o
runner pergunta:
- Você quer dizer
roubar?
- Sim, eu acho. –
responde ele, encabulado.
- Com certeza,
cara!
Virando-se, o
runner pula sobre os terraços e se afasta.
Posicionando-se no parapeito, Nathan percorre o ministério com a luneta. Ele vê
apenas fogo e as torres de antenas caindo. Distraído, ele ouve o zunido agudo
de um projétil passar próximo ao seu rosto. O rapaz solta sua arma e se lança
ao chão, sentindo o calor da bala queimar sua pele.
Outro runner se
aproxima e pergunta:
- O que
aconteceu, Nathan?
Com as mãos no
rosto, o rapaz responde:
- Uma bala... –
sussurra ele – Quase me atingiu...!
Preocupado, o
runner responde:
- Você tem que
tomar cuidado, cara! Se não...
Então outra bala
cruza o céu e atravessa sua cabeça, fazendo-o se desabar sobre o chão. Em
pânico, Nathan olha para suas roupas e as vê cobertas de sangue. Ele se
desespera.
Um americano vê
aquilo e diz:
- Com licença,
Inimigo de Estado. Eu posso ficar com isso aqui? – ele se referia ao seu rifle
de precisão.
Ainda em choque,
o rapaz não responde. O americano pega sua arma e, posicionando-a, atira contra
o inimigo. Diferente de Nathan, ela a manuseava com maestria e perfeição.
Alguém o chama em
seu comunicador.
“Nathan! Consegue
me ver?”.
O runner de nome
Retro falava com ele.
- Eu...
“Nathan? Você está
aí?”.
Recuperando-se, o
rapaz responde:
- Onde você está?
Então um
aerocarro se eleva sobre o prédio, abrindo as portas em seguida.
- Acho que sua
carona chegou. – responde o americano enquanto risca na parede o número de
inimigos que ele abateu.
Levantando-se, o
rapaz corre e se joga no aerocarro. Ao fechar as portas, ele diz:
- Precisamos de
runners com armamento pesado.
Dirigindo-se aos seus
companheiros, eles pegam as armas e então seguem para o Ministério da
Informação. A fachada de vidro está toda destruída, mas os sistemas de
segurança ainda estavam ligados lá dentro. Pairando ao lado de uma janela,
Nathan e os runners desembarcam e adentram o prédio.
- Retro, abandone
o aerocarro e se proteja. Não queira combater no ar.
Rindo, o runner
responde:
- O que você
pensa que eu sou? Um Kamikaze?
Então as portas
se fecham e o aerocarro se afasta, voando sob o fogo cruzado.
Dentro do prédio,
Nathan procura pelo dispositivo de segurança. Ao chegar ao meio do escritório,
seis policiais os surpreendem e abrem fogo. As balas atingem suas armaduras, mas não são capazes de feri-los. Com seus fuzis de assalto, eles
revidam e os eliminam, atingindo-os com rajadas lasers.
Fogos de
artifício são ouvidos. Confuso, o rapaz se aproxima da janela e olha para
baixo. Outra manifestação se formava, ocupando as passarelas e atrapalhando o
avanço da polícia.
Correndo em
direção ao dispositivo de segurança, ele encontra um painel eletrônico. Nathan
coloca seu cartão e desativa as metralhadoras e os alarmes, liberando o andar.
Em seguida eles colocam uma bomba de fumaça azul na janela, sinalizando que o
andar estava seguro. Usando seu comunicador, o rapaz comunica:
- Atenção,
runners! Os sistemas de segurança do 86º andar foram desativados! Preciso que
se infiltrem e pacifiquem o interior do prédio!
Mais uma explosão
é ouvida, os Securitrons destruíram outro tanque.
- Temos que
descer e liberar o hall! – informa ele.
Pegando o rifle
de um policial, Nathan se dirige aos elevadores. Ele precisava ser cuidadoso,
pois o resto do prédio ainda era uma perigosa armadilha aos invasores. As
portas se abrem e os runners entram. Apertando o botão, eles começam a descer.
Enquanto descem,
tiros atravessam o teto e atingem um runner, fazendo-o cair morto no chão. O
grupo ergue suas armas e atira, estraçalhando o teto e apagando todas
as luzes. Agora eles se encontravam no escuro absoluto.
- Eles estão no
fosso do elevador! Nós devemos sair!
- Não! – proíbe
Nathan – Se sairmos, eles vão nos ver e atirar!
- Você não
percebeu, Inimigo de Estado? Eles já nos viram!
Mais tiros são
disparados, fazendo os fragmentos caírem sobre suas cabeças.
- Aguentem firme!
Se sairmos, teremos de nos pendurar até chegar lá embaixo!
- Isso se
conseguirmos chegar lá! – brinca um runner.
No escuro, o
grupo continua descendo no elevador. Agachando no assoalho, ele sente a poça de
sangue se espalhar sob os seus pés.
O elevador chega
ao hall de entrada. Antes que as portas se abrissem, disparos atravessam as
folhas e os runners se pressionam contra as paredes.
- Temos que sair
daqui!
As portas se
abrem e um runner se atira para fora. O grupo assiste atônito ele ser alvejado
por três metralhadoras de teto no hall de entrada.
- Protejam-se! –
ordena Nathan.
Correndo para
trás das mobílias, eles olham ao redor e veem um belo salão com um enorme
lustre no meio. À frente eles veem a entrada do ministério, com uma dezena de
Securitrons guardando-a.
- Rápido, destruam
essas metralhadoras!
Mas apenas dois
runners sobraram e eles estavam apavorados pelo confronto. Usando seu
comunicador, o rapaz diz:
- Preciso de
ajuda no hall de entrada! Como está a situação aí em cima?
Os runners nos terraços respondem:
“Nathan, estamos
encontrando forte resistência policial aqui!”.
- Conseguem me
dar apoia aqui embaixo?
“Sem chance!
Estamos presos em um impasse. Eles não conseguem repelir a invasão, mas nós não
conseguimos avançar! Você está sozinho, cara! Desculpe!”.
Lamentando-se,
ele desliga o comunicador.
Pegando sua arma,
ele mira em uma metralhadora e atira. Faíscas elétricas e curtos circuitos a desestabilizam,
neutralizando-a.
- Vocês dois! Eu
preciso de ajuda! Atirem em uma de cada vez e se protejam!
Os runners
apontam suas armas e atiram, destruindo uma metralhadora, mas um deles é ferido
e cai longe da cobertura. A metralhadora restante o detecta e atira, cobrindo
seu corpo de balas.
- Meu Deus...! –
exclama o runner – Eu tenho que tira-lo dali!
- Não se mexa! –
protesta Nathan – Fique onde está!
Mas, ignorando-o,
o runner deixa a cobertura e tenta resgatar seu amigo. A metralhadora o
detecta e o atinge também, estraçalhando seu corpo até ele se assemelhar a
carne moída.
O rapaz fecha os
olhos. Aonde quer que ele fosse, havia morte em toda a parte. Mas
ele não podia sucumbir, a Rebelião precisava do Inimigo de Estado. Ele havia
escolhido ser o Inimigo de Estado, deixando o bondoso Nathan para trás. Se ele
quisesse que aquele banho de sangue terminasse, ele deveria continuar.
Recarregando sua
arma, ele a aponta para a metralhadora e atira. Ela se explode em faíscas
elétricas, desligando-se. Agora sozinho, ele se levanta e enxuga o suor. O
cansaço começava a drena-lo.
“Eu tenho que
neutralizar os Securitrons...”, pensa ele.
Respirando fundo,
ele vasculha seus companheiros e encontra o que está procurando. Nathan empunha
um formidável lança-granadas de recarga giratória. Não sabendo bem como manuseá-lo,
ele apenas libera a trava de segurança e parte para o combate.
Os tanques M1
atiravam contra o prédio, estremecendo o hall. Os Securitrons estavam de costas
para ele, protegendo a entrada. O rapaz nota que apenas sete sobraram, mas conseguiam
impedir firmemente o avança dos tanques. Protegendo-se atrás do balcão,
ele respira fundo novamente.
Nas passarelas,
George se protege atrás de um tanque destruído. Os americanos combatiam os
policiais vindos dos túneis. O reforço inimigo os cercou e agora os pressionavam
contra o ministério. As passarelas haviam se tornado um cemitério de
corpos insepultos, tanto das facções quanto dos manifestantes. Naquele conflito,
a 4 de Julho e as corporações mostravam sua disposição para a chacina.
Aproximando-se de
seu tenente, o general pergunta:
- Onde estão os
runners?
- Estão ocupados
lá em cima, senhor!
- E onde estão os
drones?
- O último acabou
de ser abatido.
Irritando-se, o
general soca a parede.
- A única saída
agora é segurar a posição e recuar para dentro dos túneis.
Então algo
acontece.
Disparos são
ouvidos de dentro do prédio. Bombas metálicas caem aos pés dos Securitrons e se
explodem, desestabilizando-os e derrubando-os em seguida. Os robôs tentam se
levantar, mas são novamente avariados e destruídos. Seus compartimentos de
mísseis pegam fogo e então eles se explodem, propagando uma violenta onda de
choque pelo distrito.
- Mas que diabo
foi aquilo...?! – espanta-se George.
Fumaça azul se
expele de dentro do prédio, sinalizando sua tomada. De repente Nathan surge através
dela, todo sujo e segurando um lança granadas para cima. Enquanto
caminha, Securitrons destruídos jaziam sob seus pés.
O confronto
parece parar, todos queriam olhar para Nathan. O General Washington vê aquilo
e, exultante, se levanta exclamando:
- Viva o Inimigo
de Estado!
Então os facciosos fazem o típico brado do Exército americano, gritando:
- Hooah!

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