(Artista Desconhecido)
Voando com suas
aeronaves, os puristas se aproximam da corporação Cellgenesis. Mirando a
entrada do prédio, eles apontam seus mísseis e atiram.
A manifestação
está em andamento. Os cidadãos depredam a fachada, picham as portas e atiram
bombas nos policiais. De repente tudo se explode violentamente,
levantando uma onda de chamas e lançando-os pelos ares. A entrada do prédio
está toda destruída, tendo suas portas pulverizadas pela explosão.
Em meio a fumaça
negra e aos corpos pelo chão, os sobreviventes enegrecidos pelas
chamas olham ao redor, confusos com o que aconteceu. Acima, aeronaves da
Resistência Purista voam em formação pelo céu.
Um piloto da
aeronave diz:
- Solicitando
permissão para lançamento, senhor.
Uma voz em seu comunicador responde:
- Lançamento
permitido.
As comportas se abrem e dezenas de bombas são liberadas, caindo sistematicamente
sobre o edifício corporativo.
Sob o som de assovios, os sobreviventes veem objetos metálicos caindo em sua direção. De repente as bombas se explodem e devastam o terraço da Cellgenesis, fulminando o telhado e os canhões em seu topo. Nas plataformas, centenas de manifestantes e policiais morrem atingidos pelo raio devastador das explosões. Para os cidadãos, uma perda trágica; para a facção, um efeito colateral do bombardeio.
Em um ataque
coordenado, as tropas avançam pelas plataformas até a entrada do
prédio. Os androides Advance marcham com enormes armas em seus braços,
pisoteando os manifestantes e policiais caídos no chão. Das janelas, alguns
policiais ainda tentam proteger o prédio, mas são desintegrados pelos
lasers dos androides.
No interior, as
equipes se dividem. Laura desligou os sistemas de segurança, mas alguns ainda estavam ligados em outras áreas. Metralhadoras de teto e bots
impõem certa resistência, mas são logo neutralizados pelo consistente avanço
purista. Escritórios, salas de reunião e corredores, tudo é detalhadamente
checado pelos invasores, pacificando o interior do edifício.
Os puristas sobem
as escadas e continuam até o final. Eles se surpreendem ao ver o último andar; ele estava em chamas e fora esmagado pelo mesmo teto onde os policiais estavam minutos atrás.
Tudo foi destruído. Se ali estava a sala da direção, ela foi certamente
destruída pelo bombardeio purista.
Com a parte superior do prédio pacificada, os invasores se
dirigem aos elevadores de acesso ao laboratório. Os canhões antiaéreos ainda
atiravam pelo distrito, mas não havia tempo a perder.
As equipes se
dividem, seguindo para os elevadores e para as escadas. O acesso ao laboratório
era altamente restrito, mas a runner conseguiu libera-lo. A primeira equipe
desce pelo elevador e as demais utilizam as escadas. No final da descida, as
equipes se reagrupam no saguão do laboratório. Atentas e com armas em mãos, o
grupo avança ao lado de uma alta parede branca. De repente algo irrompe
através da parede, levantando uma nuvem de
poeira com o estrondo. Revirando-se no entulho, duas pessoas erguem suas armas e
atiram desesperadamente na abertura.
Os
puristas se assustam. Eles reconhecem aqueles dois, eram Nasier e Laura. O
coronel diz:
- Senhor Nasier!
– espanta-se ele – O que é que está havendo?!
Os dois se
levantam e passam rapidamente por eles. O líder apenas diz:
- Fujam!
Os puristas se
entreolham, confusos. Atrás de si eles ouvem sons de passos sobre o entulho. Uma figura elevada surge através da poeira e então
eles contemplam o bizarro androide, alto e desforme, revelar-se
diante de seus olhos.
O gigante tem
pele cinzenta e sem pelos, como se estivesse morto. Bolhas surgem e se estouram
em sua pele, espalhando um pus azul. Eles viam enormes garras em sua mão
esquerda e seu braço direito estava mutilado, presumivelmente devido ao combate
com a runner e o líder. Então algo espantoso acontece.
Bolhas se
estouram sobre a ferida, estancando o sangramento e criando um novo tecido
orgânico. Após alguns segundos, um novo braço havia se formado, regenerando o
antigo membro. Perplexos, os puristas se paralisam.
De repente o
monstro avança contra eles, rasgando e mutilando-os com seus golpes.
Sangue jorra por toda parte, espirrando-se contra o chão e as paredes.
Assustando-se, o coronel exclama:
- Abram fogo!
As equipes
atiram, descarregando suas cargas lasers. O calor queima a pele do monstro,
liberando um cheiro horrível enquanto o despedaça. Ele cambaleia e, incapaz de
resistir, tomba perante os puristas. Eles recarregam suas armas e se
aliviam, o monstro fora derrotado.
Haviam muitos
soldados feridos no chão. Alguns sobreviveram, mas muitos estavam mortos com
cortes vertiginosos em seu corpos. Verificando os ferimentos, o coronel via um
corte afiado e limpo, semelhante ao golpe de espadas. Ele também constata que
foram golpes poderosos, pois atravessaram a armadura como se ela fosse de
papel. Com a quantidade tremenda de baixas, ele se lamenta.
Ocupados
socorrendo os feridos, os puristas se preparam para leva-los a um local
seguro. Eles se distraem, dando as costas ao monstro. Então, após alguns
minutos, seus músculos começam a se mover.
Bolhas se
estouram e regeneram sua pele queimada. Os buracos se fecham e o pus
deixa de escorrer pelas feridas. Em pequenos espasmos, o monstro reage e
abre os olhos, voltando à vida.
- Levem os mais
feridos pelo elevador! Os que conseguem andar, levem pelas escadas!
Enquanto ordena
seus homens, o coronel se distrai. De repente uma mão atravessa suas costas e sai pelo seu tórax. Seu grito esganiçado os assusta, chamando-lhes a atenção. Espantados, os
puristas assistem o coronel ser levantado no ar pelo poderoso braço em seu corpo. Seus olhos se arregalam.
Apavorados, eles
correm para as saídas, abandonando os feridos e pisoteando-os.
Nos andares acima, Nasier e Laura encontram as equipes responsáveis
por pacificarem o prédio. O líder ordena:
- Preciso que
fiquem aqui e não deixem nada subir pelas escadas ou pelo elevador, entenderam?
Os puristas veem
seu líder todo ferido e com as roupas rasgadas. Preocupados, eles perguntam:
- Algum problema,
senhor? O que aconteceu?
Nesse momento, a
runner o encara. Dependendo do que ele responder, aqueles fanáticos tentarão
matá-la.
- Apenas fiquem
aqui e guardem essa posição, está bem? Façam embarricadas se necessário, mas
não deixem nada subir!
- Mas e quanto as
equipes lá embaixo? – pergunta alguém.
- Estão mortos. –
responde ele, dando as costas em seguida.
Caminhando pelo
prédio, o líder pega seu comunicador e diz:
- Atenção, frota
de aeronaves! Nasier na escuta, respondam!
Alguns segundos
depois, o capitão da frota diz:
"Pode falar,
senhor Nasier!".
- Preciso de
aeronaves de extração no prédio da Cellgenesis agora!
"Negativo,
senhor! Estamos ocupados neutralizando os canhões!".
Irritado, ele
ordena:
- Abortar a
missão! Venham para a Cellgenesis imediatamente!
O piloto se
confunde.
"Eu... – ele
hesita por um segundo – Entendido, senhor! Devo chamar toda a frota para a sua
posição?".
Enxugando o suor
de sua testa, o líder fala para si mesmo:
- Não
precisaremos de tanto...
"O que disse,
senhor?".
- Traga metade!
As demais fiquem próximas e atentas. Quando extrairmos todos os soldados, se
preparem para deixar o distrito, entenderam?
"Entendido!".
Então o líder se
senta em uma cadeira e agoniza, sentindo dor.
Afastando-se, Laura
caminha até uma varanda e olha para o distrito. Apesar do evidente avanço
purista, a polícia não estava inteiramente derrotada. O espaço aéreo e os
terraços ainda eram perigosos. Olhando para baixo, só lhe
restava a escuridão da superfície. A garota se apoia e planeja como vai fugir.
- Você realmente
é arredia como dizem.
Acompanhado de
dez soldados, Nasier falava com ela. A runner revira os olhos de tédio.
- O que quer de
mim, Nasier? A Cellgenesis foi tomada. Acabou.
O líder ri.
- O que eu quero?
Por acaso pensa que eu sou estúpido? – pergunta ele – Há um androide sanguinário
se regenerando lá embaixo. A batalha ainda não acabou.
Ele se referia ao
Demiurgo.
- Isso não é
problema meu.
- Mas o que você
tem em sua bolsa é. Agora seja uma boa menina e me dê o que me pertence.
Respirando fundo,
a garota acata. Ela abre sua bolsa e tira o decodificador.
- Se eu te der
você vai manter sua palavra?
Laura esperava
que, ao cumprir sua parte no acordo, Nasier a deixasse em paz. Ele novamente
ri.
- É claro que
sim. Aliás, quem não tem palavra aqui é você. Se esqueceu que, agora há pouco,
você tentou abandonar a missão?
A garota não
responde, permanecendo séria. Ela não é nenhuma idiota. No distrito haviam
centenas de puristas; Laura sabe que, assim que o líder tivesse o que queria,
ela não seria mais necessária, podendo ele ordenar a sua execução. A garota hesita.
- O que está
esperando? – pergunta ele – Passe esse decodificador para cá!
O clima fica
tenso. Os soldados pareciam esperar o momento certo para apontarem suas armas e
estraçalha-la com as balas.
Então algo
acontece.
Uma explosão é ouvida lá dentro. Virando-se, os soldados vão averiguar. Laura aproveita
para deixar o prédio, mas o líder a interrompe novamente.
- Você vem
comigo, querida.
Aproximando-se,
os puristas se estarrecem ao ver um enorme androide surgir da poeira. Seu
corpo se revira por dentro como se tivessem tentáculos sob sua pele.
- Demiurgo...! –
sussurra o líder.
Os puristas abrem
fogo. O robô cambaleia, mas, protegendo-se, ele recua para dentro do elevador e pula para o alçapão.
A poeira se abaixa e eles tentam encontra-lo lá dentro. Inesperadamente o
androide não estava lá. Todos se confundem.
De repente o
monstro desce do forro, arrebentando-o. Pegos pelas costas, os soldados são
mutilados e decapitados pelas longas garras, espirrando sangue para todos os
lados. Nasier e Laura testemunhavam um horror.
Pegando seu
comunicador, o líder ordena:
- Chamem os
androides Advance!
Ouvindo os tiros,
mais soldados aparecem e se deparam com o monstro. Assustados, eles atiram
desesperadamente. Aproveitando a distração, os dois correm para as escadas e
sobem um andar.
Laura ouve gritos
lá embaixo, o monstro dizimava a todos. Nasier se aproxima de uma janela e
acende uma bomba de fumaça vermelha. A cor sinalizava que eles estavam em
perigo e necessitavam de reforços.
Um purista
aparece no andar e diz:
- Senhor Nasier!
O que está havendo? Eu ouvi tiros!
- Há algum
androide Advance aqui?
- Sim, senhor! Eles estão lá em cima nos terraços.
O soldado se referia às partes que não foram destruídas pelo bombardeio.
- Ótimo! Mande-os
para o andar inferior a...
Mas o líder não
teve tempo de terminar. O monstro subia as escadas e seu corpo estava lavado de
sangue.
Apavorado, o
purista pergunta:
- O que é esta
coisa?!
- É o Demiurgo! Fuja!
Os três correm
para o terraço. Perseguindo-os pelo escritório, o monstro golpeia as mesas e elas se repartem em dois. Pegando um vaso, Demiurgo a lança contra eles. O soldado é
atingido e imediatamente desmaia. Enquanto ele está desacordado no chão, o
monstro ergue sua mão e o golpeia, atravessando suas costas.
Passos pesados
são ouvidos. Às suas frentes, os dois veem três androides Advance se
aproximarem. O líder se alegra.
- Destruam aquele
monstro! – ordena ele.
Laura acha aquilo
irônico, pois os androides eram tão feios quanto o Demiurgo.
Os androides
avançam e golpeiam o monstro, fazendo-o cair no chão. Os três o rodeiam e
agarram seus braços, imobilizando-o. Demiurgo tenta se desvencilhar, mas é
incapaz de resistir à sua força. Segurando sua cabeça, o
androide violentamente a puxa. Laura consegue ouvir, enojada, os ossos, músculos e nervos do
monstro se rasgando aos poucos. Pus azul jorra para todos os lados e a
cabeça de Demiurgo é, finalmente, arrancada de seu corpo.
- Meu Deus...! –
sussurra a garota.
Então o Advance a segura entre suas mãos e, com grande força, a esmaga, fazendo seus olhos se saltarem para fora. O líder sorri.
- Vencemos!
Mas, ao olhar
para a runner, ela não havia resistido e vomitava no chão.
- Levante-se,
Laura. Ainda temos assuntos a resolver aqui.
Os androides
soltam seu corpo e se dirigem para o terraço. Nasier ajuda a garota e a leva
também.
- O que você está
fazendo? – irrita-se ela.
- Estou te
ajudando. Por quê?
- Tire as mãos de
mim!
- Você tem algo
que me pertence.
Enquanto
discutem, alguém se aproxima dos androides e os golpeiam pelas costas.
Assustados, o líder e a garota olham para trás e veem uma garra atravessada no
peito de um androide. Ele cai de joelhos e então se desaba, morrendo em
seguida. Então os dois conseguem ver.
A cabeça
desencarnada de Demiurgo se formava. Eles veem seu cérebro sendo gradualmente
coberto pela tampa do crânio e seus músculos faciais ocultando seus dentes.
As bolhas se estouravam e sua pele se regenerava, formando seu rosto.
Finalizado o processo, o monstro estava igual como antes.
Os dois se
espantam. Eles percebem que não podiam destruí-lo arrancando sua
cabeça.
Os androides
restantes avançam. Trocando golpes, claramente é visível que eles eram mais
fortes do que o monstro, mas sua desvantagem era de que eles não se regeneravam.
Demiurgo golpeia um androide, cortando seu tórax de cima a baixo. O corte
profundo se abre e seus intestinos se expelem para fora. O androide expira e
então cai no chão.
O último androide
segura um de seus braços e o quebra. Então o androide o agarra e o lança no chão. Antes que pudesse consertar seu braço, o androide o puxa e o arranca
de seu corpo. Agarrando sua cabeça, o androide intentava esmaga-la contra o
chão, mas Demiurgo o derruba e golpeia seu rosto, cegando-o.
Agora
desnorteado, o androide se levanta e tenta encontra-lo socando o ar. O monstro
se aproxima e, com um único golpe, arranca sua cabeça, cortando-a com suas
garras. O androide se desequilibra e cai em seguida. Diferente de Demiurgo, sua
cabeça não ia se regenerar.
- Corra, Laura...
– desespera-se o líder – Corra, agora!
Os dois fogem. Em
silêncio, o monstro olha para trás e os avista. Eles corriam para as escadas.
Saindo no
terraço, o vento frio assopra por suas roupas e eles veem os puristas, dois
androides Advance e as aeronaves de transporte. Nasier gritava enquanto corria,
intrigando a todos.
- Fujam! Fujam!
Mas os puristas
não entendem.
- O que está
havendo, senhor?
- Levantar voo,
agora!
Um pouco
confusos, os puristas começam a embarcar. Então alguém aparece.
Ao longe, eles
veem um androide alto e cinzento se aproximar. Um de seus braços borbulhava,
soltando um pus azul.
- Atirem! Atirem!
Mas, antes que
pudessem raciocinar, Demiurgo corre e se lança contra eles. Como um feroz leopardo, ele golpeia para todos os lados. O pandemônio se
forma e, no fogo cruzado, as balas atingem as turbinas da aeronave. Apavorado, Nasier ouve os motores se desligarem lentamente.
Demiurgo estava
todo perfurado pelos lasers. Os androides o golpeiam e ele voa longe. Segurando
suas pernas, eles as quebram e então as arrancam brutalmente. Agora aleijado, o
monstro se rastejava pelo chão.
- Ligue os
motores, rápido!
O piloto não entende.
- Senhor, por que
o desespero? Os androides acabaram de vencê-lo!
- Depressa!
Rastejando-se
para longe, Demiurgo aguarda suas pernas se regenerarem. Os androides o
perseguem e tentam esmaga-lo sob seus pés. Um androide tenta
pisoteá-lo e então tem sua canela partida em dois. Caindo, ele olha
confuso para sua perna e a vê pendurada pela pele.
O último androide
o pisoteia, mas era tarde demais. Suas pernas se regeneram e ele o derruba. Arrastando-se
sobre ele, Demiurgo agarra sua garganta e a puxa, rompendo suas jugulares e
arrancando-lhe a traqueia.
O androide sem
perna tenta fugir, mas tem sua fuga impedida pelo imponente monstro. Ele agarra
sua cabeça e a torce, virando-a totalmente para trás. Segundos depois, o Advance
expira sem vida.
Distraídos na
aeronave, o líder exclama:
- Depressa!
O piloto responde:
- Senhor, se
acalme! Está tudo bem! O monstro...
De repente um
braço atravessa o para-brisa e o empala violentamente. O piloto se
engasga em seu próprio sangue, perdendo sua vida. E então Demiurgo puxa seu braço de volta e o derruba na
cabine.
Olhando para os
lados, Nasier se desespera. Todos os puristas estavam mortos. Apenas um
sobrevivente restava. Laura.
A garota pega um
fuzil e o recarrega.
- Nasier, ponha
esse pássaro para voar.
- O que você vai
fazer?
Sem paciência,
ela grita:
- Anda logo!
§
Nathan estava tão
irritado que não conseguia ficar parado.
- Malditos clérigos!
Eles me usaram de novo! – ele soca a parede – E malditos puristas! Me boicotaram
em minha própria Rebelião! – e então ele soca novamente.
Furioso, ele soca
a parede repetidas vezes, fazendo-a tremer. De repente algo se balança e cai ao
seus pés. Intrigado, ele se agacha e pega um objeto, reconhecendo uma lente. Olhando
para cima, ele vê cabos e percebe que uma câmera havia se desconectado.
Então o rapaz
entende tudo. Database havia instalado câmeras em seu quarto para o espionar. Nathan
descobre que aquilo tudo era um teatro, um jogo engendrado para o chefe e as facções
o manipularem.
Furioso, o rapaz
percebe: quanto mais ele se debatia, mais as teias o prendiam. E haviam aranhas
demais naquela árvore. Ele pensa:
“Então eu vou por essa mosca para voar”.
Pegando uma
chave, ele deixa o Submundo. Um runner o vê e o pergunta:
- Ei, Nathan!
Aonde é que você vai?
Sem olha-lo nos
olhos, ele enigmaticamente responde:
- Vou matar uma
aranha.
Entrando em um aerocarro,
ele deixa a superfície.
§
Com o gatilho
pressionado, Laura grita. A rajada laser pica todo o corpo de Demiurgo como se
ele fosse de papel. De repente a carga se esgota e o fuzil deixa de atirar. Ferido,
o monstro se levanta e olha para ela. Ele parece irritado.
Demiurgo a
golpeia, mas, em uma sequência de estrelas, piruetas e rolamentos de tirar o fôlego,
a runner se esquiva de todos.
- Nasier! Como está
a aeronave?
Na cabine, o líder
responde:
- Eu estou
tentando! Só mais um pouco!
A garota encontra
uma arma de fogo. Recarregando-a, ela atira. O monstro se retarda, mas ele não vai
parar. A arma emperra e deixa de atirar, a bala havia travado na câmara de
fogo. Desconcentrando-se, ela tenta destrava-la e isso foi o tempo suficiente
para Demiurgo atingi-la com um golpe.
Laura é lançada
pelos ares, caindo rolando até a beirada do edifício. Tocando-se, ela procura
por ferimentos. A runner teve sorte, pois apenas o braço do monstro a atingiu. Se fossem suas garras, a garota agora estaria dividida em dois.
Demiurgo se
aproxima. Atordoada, ela se arrasta para a beirada. Olhando para baixo, ela vê a
queda infindável altura e se assusta. Não havia mais para onde fugir.
Voando em seu
aerocarro, Nathan vê canhões atirando perigosamente pelo ar. Aeronaves da
Resistência Purista os combatiam, atirando mísseis em suas posições.
Aproximando-se da
Cellgenensis, ela olha para o prédio e o vê avariado e em chamas. Então algo
chama a sua atenção.
Sobre o terraço,
um tipo bizarro de androide avança contra uma garota. Ela está acuada e sem
armas em suas mãos. Em espanto ele a reconhece.
- Laura!
Sem tempo para
pensar, o rapaz instintivamente alinha o veículo em direção àquele monstro. Pisando
no acelerador, ele embica o aerocarro e grita. Desesperado, ele tentava salvar
a sua vida.
Demiurgo levanta
suas garras e a garota se protege, virando o seu rosto. De repente um aerocarro
desce do céu e o atropela, esmagando-o contra o terraço. A garota se confunde.
Segundos depois, o
motorista abre a porta do veículo e se desvencilha do air-bag. Preocupado, ele corre em direção da garota e, com olhos
lacrimejando, exclama:
- Laura...!
A garota o reconhece.
- Nathan?!
O rapaz chorava
notando como ela estava ferida. Ajudando-a a se levantar, ele pergunta:
- Você está bem?
Mas não havia
tempo para conversar. Pegando-o pela mão, ela diz:
- Vamos!
O rapaz se
intriga.
- O que foi?
- Não há tempo
para falar. Apresse-se!
No terraço, Laura
vê que Nasier havia ligado a aeronave. Embarcando, ela fecha a porta e exclama:
- Voe logo! Rápido!
Olhando para a
cabine, Nathan se espanta. Atrás dos painéis lavados de sangue, ele reconhece ninguém
menos que Nasier, o líder da Resistência Purista.
- Você?! –
intriga-se ele.
O líder tinha
ferimentos e queimaduras por todo o corpo.
- Olá, Nathan. Que
noite, não?
A aeronave
levanta voo e se afasta do prédio. Olhando para baixo, Laura vê o monstro se
arrastando por debaixo do aerocarro. Ela diz:
- Dispare os
mísseis, rápido!
Ouvindo-a, ele responde:
- Tenho uma ideia
melhor. – contatando a frota, ele ordena – Aeronaves, ataque concentrado no
terraço da Cellgenesis! Agora!
“Entendido,
senhor!”.
Então uma dezena
de aeronaves aparecem e, mirando seus mísseis, os disparam simultaneamente
contra o prédio. Um espetáculo de explosões se levantam, iluminando
as megatorres próximas com sua coloração amarelada. Aturdido, Nathan se
impressiona com a potência das explosões. Era como se ele presenciasse uma erupção vulcânica.
Aliviando-se,
Nasier e Laura respiram fundo e então deixam o distrito.

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