segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Sonata - 55 - Demiurgo

 


(Artista Desconhecido)


Voando com suas aeronaves, os puristas se aproximam da corporação Cellgenesis. Mirando a entrada do prédio, eles apontam seus mísseis e atiram.

A manifestação está em andamento. Os cidadãos depredam a fachada, picham as portas e atiram bombas nos policiais. De repente tudo se explode violentamente, levantando uma onda de chamas e lançando-os pelos ares. A entrada do prédio está toda destruída, tendo suas portas pulverizadas pela explosão.

Em meio a fumaça negra e aos corpos pelo chão, os sobreviventes enegrecidos pelas chamas olham ao redor, confusos com o que aconteceu. Acima, aeronaves da Resistência Purista voam em formação pelo céu.

Um piloto da aeronave diz:

- Solicitando permissão para lançamento, senhor.

Uma voz em seu comunicador responde:

- Lançamento permitido.

As comportas se abrem e dezenas de bombas são liberadas, caindo sistematicamente sobre o edifício corporativo.

Sob o som de assovios, os sobreviventes veem objetos metálicos caindo em sua direção. De repente as bombas se explodem e devastam o terraço da Cellgenesis, fulminando o telhado e os canhões em seu topo. Nas plataformas, centenas de manifestantes e policiais morrem atingidos pelo raio devastador das explosões. Para os cidadãos, uma perda trágica; para a facção, um efeito colateral do bombardeio.

Em um ataque coordenado, as tropas avançam pelas plataformas até a entrada do prédio. Os androides Advance marcham com enormes armas em seus braços, pisoteando os manifestantes e policiais caídos no chão. Das janelas, alguns policiais ainda tentam proteger o prédio, mas são desintegrados pelos lasers dos androides.          

No interior, as equipes se dividem. Laura desligou os sistemas de segurança, mas alguns ainda estavam ligados em outras áreas. Metralhadoras de teto e bots impõem certa resistência, mas são logo neutralizados pelo consistente avanço purista. Escritórios, salas de reunião e corredores, tudo é detalhadamente checado pelos invasores, pacificando o interior do edifício.

Os puristas sobem as escadas e continuam até o final. Eles se surpreendem ao ver o último andar; ele estava em chamas e fora esmagado pelo mesmo teto onde os policiais estavam minutos atrás. Tudo foi destruído. Se ali estava a sala da direção, ela foi certamente destruída pelo bombardeio purista.

Com a parte superior do prédio pacificada, os invasores se dirigem aos elevadores de acesso ao laboratório. Os canhões antiaéreos ainda atiravam pelo distrito, mas não havia tempo a perder.

As equipes se dividem, seguindo para os elevadores e para as escadas. O acesso ao laboratório era altamente restrito, mas a runner conseguiu libera-lo. A primeira equipe desce pelo elevador e as demais utilizam as escadas. No final da descida, as equipes se reagrupam no saguão do laboratório. Atentas e com armas em mãos, o grupo avança ao lado de uma alta parede branca. De repente algo irrompe através da parede, levantando uma nuvem de poeira com o estrondo. Revirando-se no entulho, duas pessoas erguem suas armas e atiram desesperadamente na abertura.

Os puristas se assustam. Eles reconhecem aqueles dois, eram Nasier e Laura. O coronel diz:

- Senhor Nasier! – espanta-se ele – O que é que está havendo?!

Os dois se levantam e passam rapidamente por eles. O líder apenas diz:

- Fujam!

Os puristas se entreolham, confusos. Atrás de si eles ouvem sons de passos sobre o entulho. Uma figura elevada surge através da poeira e então eles contemplam o bizarro androide, alto e desforme, revelar-se diante de seus olhos.

O gigante tem pele cinzenta e sem pelos, como se estivesse morto. Bolhas surgem e se estouram em sua pele, espalhando um pus azul. Eles viam enormes garras em sua mão esquerda e seu braço direito estava mutilado, presumivelmente devido ao combate com a runner e o líder. Então algo espantoso acontece.

Bolhas se estouram sobre a ferida, estancando o sangramento e criando um novo tecido orgânico. Após alguns segundos, um novo braço havia se formado, regenerando o antigo membro. Perplexos, os puristas se paralisam.

De repente o monstro avança contra eles, rasgando e mutilando-os com seus golpes. Sangue jorra por toda parte, espirrando-se contra o chão e as paredes. Assustando-se, o coronel exclama:

- Abram fogo!

As equipes atiram, descarregando suas cargas lasers. O calor queima a pele do monstro, liberando um cheiro horrível enquanto o despedaça. Ele cambaleia e, incapaz de resistir, tomba perante os puristas. Eles recarregam suas armas e se aliviam, o monstro fora derrotado.

Haviam muitos soldados feridos no chão. Alguns sobreviveram, mas muitos estavam mortos com cortes vertiginosos em seu corpos. Verificando os ferimentos, o coronel via um corte afiado e limpo, semelhante ao golpe de espadas. Ele também constata que foram golpes poderosos, pois atravessaram a armadura como se ela fosse de papel. Com a quantidade tremenda de baixas, ele se lamenta.   

Ocupados socorrendo os feridos, os puristas se preparam para leva-los a um local seguro. Eles se distraem, dando as costas ao monstro. Então, após alguns minutos, seus músculos começam a se mover.

Bolhas se estouram e regeneram sua pele queimada. Os buracos se fecham e o pus deixa de escorrer pelas feridas. Em pequenos espasmos, o monstro reage e abre os olhos, voltando à vida.

- Levem os mais feridos pelo elevador! Os que conseguem andar, levem pelas escadas!

Enquanto ordena seus homens, o coronel se distrai. De repente uma mão atravessa suas costas e sai pelo seu tórax. Seu grito esganiçado os assusta, chamando-lhes a atenção. Espantados, os puristas assistem o coronel ser levantado no ar pelo poderoso braço em seu corpo. Seus olhos se arregalam.

Apavorados, eles correm para as saídas, abandonando os feridos e pisoteando-os.

Nos andares acima, Nasier e Laura encontram as equipes responsáveis por pacificarem o prédio. O líder ordena:

- Preciso que fiquem aqui e não deixem nada subir pelas escadas ou pelo elevador, entenderam?

Os puristas veem seu líder todo ferido e com as roupas rasgadas. Preocupados, eles perguntam:

- Algum problema, senhor? O que aconteceu?

Nesse momento, a runner o encara. Dependendo do que ele responder, aqueles fanáticos tentarão matá-la.

- Apenas fiquem aqui e guardem essa posição, está bem? Façam embarricadas se necessário, mas não deixem nada subir!

- Mas e quanto as equipes lá embaixo? – pergunta alguém.

- Estão mortos. – responde ele, dando as costas em seguida.

Caminhando pelo prédio, o líder pega seu comunicador e diz:

- Atenção, frota de aeronaves! Nasier na escuta, respondam!

Alguns segundos depois, o capitão da frota diz:

"Pode falar, senhor Nasier!".

- Preciso de aeronaves de extração no prédio da Cellgenesis agora!

"Negativo, senhor! Estamos ocupados neutralizando os canhões!".

Irritado, ele ordena:

- Abortar a missão! Venham para a Cellgenesis imediatamente!

O piloto se confunde.

"Eu... – ele hesita por um segundo – Entendido, senhor! Devo chamar toda a frota para a sua posição?".

Enxugando o suor de sua testa, o líder fala para si mesmo:

- Não precisaremos de tanto...

"O que disse, senhor?".

- Traga metade! As demais fiquem próximas e atentas. Quando extrairmos todos os soldados, se preparem para deixar o distrito, entenderam?

"Entendido!".

Então o líder se senta em uma cadeira e agoniza, sentindo dor.

Afastando-se, Laura caminha até uma varanda e olha para o distrito. Apesar do evidente avanço purista, a polícia não estava inteiramente derrotada. O espaço aéreo e os terraços ainda eram perigosos. Olhando para baixo, só lhe restava a escuridão da superfície. A garota se apoia e planeja como vai fugir.

- Você realmente é arredia como dizem.

Acompanhado de dez soldados, Nasier falava com ela. A runner revira os olhos de tédio.

- O que quer de mim, Nasier? A Cellgenesis foi tomada. Acabou.

O líder ri.

- O que eu quero? Por acaso pensa que eu sou estúpido? – pergunta ele – Há um androide sanguinário se regenerando lá embaixo. A batalha ainda não acabou.

Ele se referia ao Demiurgo.

- Isso não é problema meu.

- Mas o que você tem em sua bolsa é. Agora seja uma boa menina e me dê o que me pertence. 

Respirando fundo, a garota acata. Ela abre sua bolsa e tira o decodificador.

- Se eu te der você vai manter sua palavra?

Laura esperava que, ao cumprir sua parte no acordo, Nasier a deixasse em paz. Ele novamente ri.

- É claro que sim. Aliás, quem não tem palavra aqui é você. Se esqueceu que, agora há pouco, você tentou abandonar a missão?

A garota não responde, permanecendo séria. Ela não é nenhuma idiota. No distrito haviam centenas de puristas; Laura sabe que, assim que o líder tivesse o que queria, ela não seria mais necessária, podendo ele ordenar a sua execução. A garota hesita.

- O que está esperando? – pergunta ele – Passe esse decodificador para cá!

O clima fica tenso. Os soldados pareciam esperar o momento certo para apontarem suas armas e estraçalha-la com as balas.

Então algo acontece.

Uma explosão é ouvida lá dentro. Virando-se, os soldados vão averiguar. Laura aproveita para deixar o prédio, mas o líder a interrompe novamente.

- Você vem comigo, querida.

Aproximando-se, os puristas se estarrecem ao ver um enorme androide surgir da poeira. Seu corpo se revira por dentro como se tivessem tentáculos sob sua pele.

- Demiurgo...! – sussurra o líder.

Os puristas abrem fogo. O robô cambaleia, mas, protegendo-se, ele recua para dentro do elevador e pula para o alçapão. A poeira se abaixa e eles tentam encontra-lo lá dentro. Inesperadamente o androide não estava lá. Todos se confundem.

De repente o monstro desce do forro, arrebentando-o. Pegos pelas costas, os soldados são mutilados e decapitados pelas longas garras, espirrando sangue para todos os lados. Nasier e Laura testemunhavam um horror.

Pegando seu comunicador, o líder ordena:

- Chamem os androides Advance!

Ouvindo os tiros, mais soldados aparecem e se deparam com o monstro. Assustados, eles atiram desesperadamente. Aproveitando a distração, os dois correm para as escadas e sobem um andar.

Laura ouve gritos lá embaixo, o monstro dizimava a todos. Nasier se aproxima de uma janela e acende uma bomba de fumaça vermelha. A cor sinalizava que eles estavam em perigo e necessitavam de reforços.

Um purista aparece no andar e diz:

- Senhor Nasier! O que está havendo? Eu ouvi tiros!

- Há algum androide Advance aqui?

- Sim, senhor! Eles estão lá em cima nos terraços. 

O soldado se referia às partes que não foram destruídas pelo bombardeio.

- Ótimo! Mande-os para o andar inferior a...

Mas o líder não teve tempo de terminar. O monstro subia as escadas e seu corpo estava lavado de sangue.

Apavorado, o purista pergunta:

- O que é esta coisa?!

- É o Demiurgo! Fuja!

Os três correm para o terraço. Perseguindo-os pelo escritório, o monstro golpeia as mesas e elas se repartem em dois. Pegando um vaso, Demiurgo a lança contra eles. O soldado é atingido e imediatamente desmaia. Enquanto ele está desacordado no chão, o monstro ergue sua mão e o golpeia, atravessando suas costas.

Passos pesados são ouvidos. Às suas frentes, os dois veem três androides Advance se aproximarem. O líder se alegra.

- Destruam aquele monstro! – ordena ele.

Laura acha aquilo irônico, pois os androides eram tão feios quanto o Demiurgo.

Os androides avançam e golpeiam o monstro, fazendo-o cair no chão. Os três o rodeiam e agarram seus braços, imobilizando-o. Demiurgo tenta se desvencilhar, mas é incapaz de resistir à sua força. Segurando sua cabeça, o androide violentamente a puxa. Laura consegue ouvir, enojada, os ossos, músculos e nervos do monstro se rasgando aos poucos. Pus azul jorra para todos os lados e a cabeça de Demiurgo é, finalmente, arrancada de seu corpo.

- Meu Deus...! – sussurra a garota.

Então o Advance a segura entre suas mãos e, com grande força,  a esmaga, fazendo seus olhos se saltarem para fora. O líder sorri.

- Vencemos!

Mas, ao olhar para a runner, ela não havia resistido e vomitava no chão.

- Levante-se, Laura. Ainda temos assuntos a resolver aqui.

Os androides soltam seu corpo e se dirigem para o terraço. Nasier ajuda a garota e a leva também.

- O que você está fazendo? – irrita-se ela.

- Estou te ajudando. Por quê?

- Tire as mãos de mim!

- Você tem algo que me pertence.

Enquanto discutem, alguém se aproxima dos androides e os golpeiam pelas costas. Assustados, o líder e a garota olham para trás e veem uma garra atravessada no peito de um androide. Ele cai de joelhos e então se desaba, morrendo em seguida. Então os dois conseguem ver.

A cabeça desencarnada de Demiurgo se formava. Eles veem seu cérebro sendo gradualmente coberto pela tampa do crânio e seus músculos faciais ocultando seus dentes. As bolhas se estouravam e sua pele se regenerava, formando seu rosto. Finalizado o processo, o monstro estava igual como antes.

Os dois se espantam. Eles percebem que não podiam destruí-lo arrancando sua cabeça.

Os androides restantes avançam. Trocando golpes, claramente é visível que eles eram mais fortes do que o monstro, mas sua desvantagem era de que eles não se regeneravam. Demiurgo golpeia um androide, cortando seu tórax de cima a baixo. O corte profundo se abre e seus intestinos se expelem para fora. O androide expira e então cai no chão.

O último androide segura um de seus braços e o quebra. Então o androide o agarra e o lança no chão. Antes que pudesse consertar seu braço, o androide o puxa e o arranca de seu corpo. Agarrando sua cabeça, o androide intentava esmaga-la contra o chão, mas Demiurgo o derruba e golpeia seu rosto, cegando-o.

Agora desnorteado, o androide se levanta e tenta encontra-lo socando o ar. O monstro se aproxima e, com um único golpe, arranca sua cabeça, cortando-a com suas garras. O androide se desequilibra e cai em seguida. Diferente de Demiurgo, sua cabeça não ia se regenerar.

- Corra, Laura... – desespera-se o líder – Corra, agora!

Os dois fogem. Em silêncio, o monstro olha para trás e os avista. Eles corriam para as escadas.  

Saindo no terraço, o vento frio assopra por suas roupas e eles veem os puristas, dois androides Advance e as aeronaves de transporte. Nasier gritava enquanto corria, intrigando a todos.

- Fujam! Fujam!

Mas os puristas não entendem.

- O que está havendo, senhor?

- Levantar voo, agora!

Um pouco confusos, os puristas começam a embarcar. Então alguém aparece.

Ao longe, eles veem um androide alto e cinzento se aproximar. Um de seus braços borbulhava, soltando um pus azul.

- Atirem! Atirem!

Mas, antes que pudessem raciocinar, Demiurgo corre e se lança contra eles. Como um feroz leopardo, ele golpeia para todos os lados. O pandemônio se forma e, no fogo cruzado, as balas atingem as turbinas da aeronave. Apavorado, Nasier ouve os motores se desligarem lentamente.

Demiurgo estava todo perfurado pelos lasers. Os androides o golpeiam e ele voa longe. Segurando suas pernas, eles as quebram e então as arrancam brutalmente. Agora aleijado, o monstro se rastejava pelo chão.

- Ligue os motores, rápido!

O piloto não entende.

- Senhor, por que o desespero? Os androides acabaram de vencê-lo!

- Depressa!

Rastejando-se para longe, Demiurgo aguarda suas pernas se regenerarem. Os androides o perseguem e tentam esmaga-lo sob seus pés. Um androide tenta pisoteá-lo e então tem sua canela partida em dois. Caindo, ele olha confuso para sua perna e a vê pendurada pela pele.

O último androide o pisoteia, mas era tarde demais. Suas pernas se regeneram e ele o derruba. Arrastando-se sobre ele, Demiurgo agarra sua garganta e a puxa, rompendo suas jugulares e arrancando-lhe a traqueia.

O androide sem perna tenta fugir, mas tem sua fuga impedida pelo imponente monstro. Ele agarra sua cabeça e a torce, virando-a totalmente para trás. Segundos depois, o Advance expira sem vida.

Distraídos na aeronave, o líder exclama:

- Depressa!

O piloto responde:

- Senhor, se acalme! Está tudo bem! O monstro...

De repente um braço atravessa o para-brisa e o empala violentamente. O piloto se engasga em seu próprio sangue, perdendo sua vida. E então Demiurgo puxa seu braço de volta e o derruba na cabine.

Olhando para os lados, Nasier se desespera. Todos os puristas estavam mortos. Apenas um sobrevivente restava. Laura.

A garota pega um fuzil e o recarrega.

- Nasier, ponha esse pássaro para voar.

- O que você vai fazer?

Sem paciência, ela grita:

- Anda logo!  

 

§

 

Nathan estava tão irritado que não conseguia ficar parado.

- Malditos clérigos! Eles me usaram de novo! – ele soca a parede – E malditos puristas! Me boicotaram em minha própria Rebelião! – e então ele soca novamente.

Furioso, ele soca a parede repetidas vezes, fazendo-a tremer. De repente algo se balança e cai ao seus pés. Intrigado, ele se agacha e pega um objeto, reconhecendo uma lente. Olhando para cima, ele vê cabos e percebe que uma câmera havia se desconectado.  

Então o rapaz entende tudo. Database havia instalado câmeras em seu quarto para o espionar. Nathan descobre que aquilo tudo era um teatro, um jogo engendrado para o chefe e as facções o manipularem.

Furioso, o rapaz percebe: quanto mais ele se debatia, mais as teias o prendiam. E haviam aranhas demais naquela árvore. Ele pensa:

“Então eu vou por essa mosca para voar”.

Pegando uma chave, ele deixa o Submundo. Um runner o vê e o pergunta:

- Ei, Nathan! Aonde é que você vai?

Sem olha-lo nos olhos, ele enigmaticamente responde:

- Vou matar uma aranha.

Entrando em um aerocarro, ele deixa a superfície.

 

§

  

Com o gatilho pressionado, Laura grita. A rajada laser pica todo o corpo de Demiurgo como se ele fosse de papel. De repente a carga se esgota e o fuzil deixa de atirar. Ferido, o monstro se levanta e olha para ela. Ele parece irritado.

Demiurgo a golpeia, mas, em uma sequência de estrelas, piruetas e rolamentos de tirar o fôlego, a runner se esquiva de todos.

- Nasier! Como está a aeronave?

Na cabine, o líder responde:

- Eu estou tentando! Só mais um pouco!

A garota encontra uma arma de fogo. Recarregando-a, ela atira. O monstro se retarda, mas ele não vai parar. A arma emperra e deixa de atirar, a bala havia travado na câmara de fogo. Desconcentrando-se, ela tenta destrava-la e isso foi o tempo suficiente para Demiurgo atingi-la com um golpe.

Laura é lançada pelos ares, caindo rolando até a beirada do edifício. Tocando-se, ela procura por ferimentos. A runner teve sorte, pois apenas o braço do monstro a atingiu. Se fossem suas garras, a garota agora estaria dividida em dois.

Demiurgo se aproxima. Atordoada, ela se arrasta para a beirada. Olhando para baixo, ela vê a queda infindável altura e se assusta. Não havia mais para onde fugir.

Voando em seu aerocarro, Nathan vê canhões atirando perigosamente pelo ar. Aeronaves da Resistência Purista os combatiam, atirando mísseis em suas posições.

Aproximando-se da Cellgenensis, ela olha para o prédio e o vê avariado e em chamas. Então algo chama a sua atenção.

Sobre o terraço, um tipo bizarro de androide avança contra uma garota. Ela está acuada e sem armas em suas mãos. Em espanto ele a reconhece.

- Laura!

Sem tempo para pensar, o rapaz instintivamente alinha o veículo em direção àquele monstro. Pisando no acelerador, ele embica o aerocarro e grita. Desesperado, ele tentava salvar a sua vida.

Demiurgo levanta suas garras e a garota se protege, virando o seu rosto. De repente um aerocarro desce do céu e o atropela, esmagando-o contra o terraço. A garota se confunde.

Segundos depois, o motorista abre a porta do veículo e se desvencilha do air-bag. Preocupado, ele corre em direção da garota e, com olhos lacrimejando, exclama:

- Laura...!

A garota o reconhece.

- Nathan?!

O rapaz chorava notando como ela estava ferida. Ajudando-a a se levantar, ele pergunta:

- Você está bem?

Mas não havia tempo para conversar. Pegando-o pela mão, ela diz:

- Vamos!

O rapaz se intriga.

- O que foi?

- Não há tempo para falar. Apresse-se!

No terraço, Laura vê que Nasier havia ligado a aeronave. Embarcando, ela fecha a porta e exclama:

- Voe logo! Rápido!

Olhando para a cabine, Nathan se espanta. Atrás dos painéis lavados de sangue, ele reconhece ninguém menos que Nasier, o líder da Resistência Purista.

- Você?! – intriga-se ele.

O líder tinha ferimentos e queimaduras por todo o corpo.

- Olá, Nathan. Que noite, não?

A aeronave levanta voo e se afasta do prédio. Olhando para baixo, Laura vê o monstro se arrastando por debaixo do aerocarro. Ela diz:

- Dispare os mísseis, rápido!

Ouvindo-a, ele responde:

- Tenho uma ideia melhor. – contatando a frota, ele ordena – Aeronaves, ataque concentrado no terraço da Cellgenesis! Agora!

“Entendido, senhor!”.

Então uma dezena de aeronaves aparecem e, mirando seus mísseis, os disparam simultaneamente contra o prédio. Um espetáculo de explosões se levantam, iluminando as megatorres próximas com sua coloração amarelada. Aturdido, Nathan se impressiona com a potência das explosões. Era como se ele presenciasse uma erupção vulcânica.  

Aliviando-se, Nasier e Laura respiram fundo e então deixam o distrito.

 

 

 

 

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