domingo, 28 de junho de 2020

Tiergarten - 09 - Uma Noite em Prenzlauer Berg



Precisando se descontrair e se esquecer do rumo ilógico que tomou sua vida, Gunther procura por um bar em Berlim Oriental. Ele esteve andando sem rumo pela cidade desde o dia anterior e, lembrando-se dos alegres bares alemães, decide visitar um e tentar conversar um pouco. No outro lado da rua, ele avista uma porta com um modesto letreiro na fachada, era um pequeno bar no distrito de Prenzlauer Berg.
Adentrando-o, ele vê o balcão com suas banquetas circundando-o. Atrás do balcão há uma estante de vidro com várias garrafas de bebidas alcoólicas, a maioria de marcas que ele nunca ouviu falar. Há mais mesas ao lado da parede, todas com a luminária bem próxima dos clientes. Os frequentadores estão espalhados pelo local, bebendo e fumando tranquilamente sem se importarem com a chegada do novo visitante.
Caminhando até o balcão, ele se senta em uma banqueta e pede por uma cerveja.
- Ein Bier, bitte![1]
O balconista, que também era o dono do bar, estava parado, de braços cruzados, assistindo à televisão no alto da parede. Ao vê-lo, Gunther observa seu volumoso bigode loiro e seus lisos cabelos caindo próximo aos olhos. Pegando um guardanapo em seu ombro, ele limpa um copo, se dirige a uma torneira e o enche com a espumante cerveja. Trazendo-a ao rapaz, ele bebe um gole e imediatamente reconhece o adorável sabor. Ele bebia a Radeberger Pilsner, a famosa cerveja criada na Saxônia.
“E eu pensando que ia me esquecer de Anneliese por um instante, e aqui estou eu bebendo uma cerveja criada na terra dela...”, ironiza-se ele, um pouco jocoso consigo mesmo.     
Atrás dele, os fregueses bebem e conversam em voz alta, já embriagados pelo efeito do álcool. Gunther nota como seus rostos avermelhados riem alegremente, exibindo seus dentes amarelados por anos de tabagismo. “Se parecem com os cervejeiros bávaros do sul. Não é à toa que os americanos jamais tirarão esse estereótipo ridículo de que todos os alemães são assim”.
Ouvindo a conversa, já que era impossível não ouvi-la devido à voz alta, ele fica sabendo que muitos ali pertenciam à diversas organizações, como clubes de artesãos, jogadores de xadrez e até de futebol de botão. Realmente era notável a cultura organizacional alemã.
Meia hora se passa e o bar fica mais cheio. As pessoas entram e não encontram lugar para se sentarem, ficando em pé ao lado e atrás de Gunther. Então um freguês entra e, ao ver um homem sentado ao seu lado, o cumprimenta dizendo:
- Ei, Wolfgang! Como vai você?
O tal Wolfgang olha para o lado e se vira. Sua aparência era de um homem mais velho, de longos cabelos castanhos e bigodes. O rapaz também nota como havia uma discreta calvície sob os cabelos.
- Boa tarde, Klaus. Eu vou bem, e você?
Klaus era um homem alto, loiro e de olhos azuis. Seus cabelos lisos caíam na lateral de seus olhos, semelhante ao dono do bar.
- Não esperava encontra-lo aqui. Está de folga no trabalho?
- Na verdade não. Eu me aposentei há alguns dias.
O homem se felicita.
- Ora, mas isso é ótimo! Meus parabéns!
Ele lhe aperta a mão.
- Obrigado, Klaus. – virando-se rapidamente para o balcão, ele lhe pergunta – Desculpe meus maus modos. Você quer uma cerveja?
- Quero sim, mas hoje eu pago, para comemorar sua aposentadoria.
Os dois começam a beber. Passados alguns minutos, Gunther nota como o homem alto, Klaus, é mais alegre e conversador. O mais velho, Wolfgang, por sua vez, é mais reativo e sorri discretamente. O efeito do álcool fica notável aos poucos, pois ambos começam a discursar e filosofar sobre os detalhes da vida.
- “La buona fortuna!”, como diria Machiavel. O que é a fortuna, da qual nós, aqui na Alemanha, chamamos de Glück[2]? É sorte receber o que é de obrigação do Estado dar de volta a você?
- Do que está falando, velho amigo?
- Me refiro ao sofrimento de esperar que nos deem o que é nosso por direito. Do jeito que nossa economia é gerida, uns recebem, mas outros podem não ter a mesma sorte.
Sem querer, o rapaz vai se interessando pela conversa dos dois amigos.
- Você quer mais uma, meu jovem?
Gunther se assusta. Olhando para o balcão, o balconista está parado diante dele. Apontando para o seu copo, ele se referia à cerveja. Um pouco confuso, o rapaz assente e ele lhe traz mais. Arrumando seus cabelos, Gunther se debruça e volta a beber mais um pouco.
Os dois amigos continuam:
- Não sei se concordo. Temos casa, emprego e, apesar de pouco, alimento em nossas mesas. Se eu tivesse que medir pela qualidade de vida, não criticaria nossa Wirtschaft[3].
- Não se trata apenas de economia, mas da vida em si. Lebensqualität[4] você diz, mas você pode me dizer qual é o sentido da vida?
- Posso, é claro! Empenhar-se na Revolução! Como diria Karl Marx, “as revoluções são a locomotiva da história”.
Wolfgang sorri.
- Não estou me referindo à vida sob a ótica marxista, mas a algo mais pessoal e profundo. Por exemplo, o que é sobreviver?
Ao ouvir a pergunta, Klaus interrompe o gole de sua cerveja e parece se desanimar, embora bem-humoradamente.
- E lá vamos nós para mais uma dose de filosofia prussiana e pessimista. – percebendo como Gunther prestava atenção em sua conversa, o homem alto diz – Ei, meu jovem, veja meu amigo Wolfgang. Ele trabalhou trinta anos como ferramenteiro em uma grande indústria metalúrgica estatal. Apenas há alguns instantes eu fiquei sabendo que ele se aposentou, uma grande sorte já que a escassa mão de obra extingue nossa minguada economia. Ainda assim há algo que perturba seu velho coração alemão. – voltando-se para seu amigo, Klaus lhe pergunta – Pois nos diga, herr Wolfgang. O que é sobreviver?
Enxugando seu bigode, o velho responde:
- Sobreviver é viver em função do fantasma da fome.
Franzindo a testa, Klaus pergunta:
- O fantasma da fome...?
- Sim. É viver sob a ameaça dela. Ou melhor ainda, é controlar e reduzir sua constante presença. É manter-se vivo!
Então ele bebe um longo gole de sua cerveja. Em seguida ele discursa.
“Vejam essa condição de vida. Vivemos em função da ameaça da fome. A Revolução girou em torno dela, quando prometeram expropriar os bens da burguesia e distribuir o pão para todos. E para afastarmos a fome, o que fazemos? Nos submetemos a humilhações, moléstias e degradações, assim conquistando nosso alimento e sobrevivendo mais um dia. E eu vou dizer do que se trata essa degradação física, mental e emocional de que eu estou falando: o trabalho. Trabalhar é a forma mais conveniente que o explorador encontra de explorar o necessitado. Para que trabalhamos se não para não morrermos de fome? Os ocidentais, em sua sociedade egoísta e capitalista, o romantizam, simbolizando o trabalho como uma forma de ascensão social, carreira bem-sucedida e enriquecimento financeiro. Nós, porém, do leste, não temos essas máscaras do ocidente. Aqui nós trabalhamos, única e exclusivamente, pelo nosso próprio pão”.
- Está dizendo que, em nosso sistema tão baseado na foice da agricultura, e no martelo da indústria, você não gosta de trabalhar?
- E por acaso o trabalho é um prazer? – retruca Wolfgang – Ora, não me faça esse olhar. Você me acha um vagabundo, não é? Se esqueceu de que eu tenho trinta anos de profissão na indústria? Não, meu amigo, eu não sou um vagabundo, mas tampouco gosto de trabalhar. Não foi o próprio Karl Marx que disse: “O trabalhador só se sente à vontade no seu tempo de folga, porque o seu trabalho não é voluntário, é imposto, é forçado?”.
“Marx, o pai da ideologia comunista, esteve atento às necessidades do povo, pois este estava explorado, oprimido e assombrando pela ameaça da fome. E a burguesia estava ciente disso, aproveitando-se e mantendo essa situação. ‘O trabalho não é a satisfação de uma necessidade, mas apenas um meio para satisfazer outras necessidades’, também disse Marx. A burguesia, junto de seu aparato industrial capitalista, explorava o trabalhador, aprisionando-o pelo estômago. E continuaria assim se não fosse por Lênin, o pai da Revolução, nos livrando dos grilhões dos quais os burgueses nos prendiam. Mas, lições de história à parte, a fome sempre esteve por trás da sobrevivência do homem, pois na miséria cometemos os atos mais terríveis”.
Klaus, não tão alegre quanto antes, parece discordar de seu amigo.
- De fato, a Revolução teve por objetivo destruir a velha ordem autocrática e conservadora do czarismo, mas não creio que ela possa ser reduzida a uma visão simplista baseada ultimamente na fome. Do jeito que fala, me parece que está insinuando que a heroica causa comunista se aproveitou cinicamente da miséria operária para destituir o governo e conquistar o poder.
- E como estava a classe operária nos tempos do czarismo? Se estivessem bem alimentados, nem com seus melhores discursos Lênin os convenceria a segui-lo. Ou mesmo aqui, na famigerada Alemanha. Como estava a classe operária na República de Weimar? Hitler conseguiria arregimentar tantos seguidores se houvesse fartura de bens antes do nazismo?  
“A fome é a arma do explorador e a prisão do explorado. Ou pior ainda, é uma ferramenta na mão dos mal intencionados. Todos a temem, e quem não a teme a usa para fazê-lo temer. Eis a raiz do totalitarismo. A promessa da fartura é mantida pelo ditador, enquanto o povo famélico morre aos milhões. A fome deve ser combatida em um ciclo de produção incessante, onde os produtores alimentam a si mesmos e aqueles não produzem. Ironicamente, quem não produz tem mais fartura em suas mesas, e eu me refiro aos nobres, clérigos, burocratas e burgueses. De fato, essa foi a razão por trás da Revolução Francesa. Para que o mundo sobreviva, a ameaça da fome deve ser controlada e reduzida, mas para isso os poderosos devem forçar, através do estômago, a maioria pobre e ignorante a trabalhar”.
Enxugando sua testa, Klaus argumenta sacudindo o copo de cerveja em sua mão:
- O trabalho dignifica o Homem, mesmo os parasitas do ocidente perceberam isso. Não é apenas uma questão de eliminar a fome, mas de contribuir para a evolução e sobrevivência da sociedade. Você não concorda, jovem rapaz?
Klaus olha para Gunther, praticamente convidando-o para a conversa. O rapaz disfarça, assentindo com a cabeça e bebendo mais um gole de sua cerveja, assim evitando falar.
- Então voltamos à nossa questão inicial, meu amigo. – responde Wolfgang – “O que é sobreviver?” eu perguntei. Não é se não a necessidade permanente de trabalhar, já que não existe a eliminação permanente da fome?
Com a pergunta, o alto homem parece entender.
“Os ocidentais romantizaram o trabalho, promovendo a meritocracia como uma forma de enriquecimento pessoal. Nós, os comunistas, também o romantizamos, promovendo a ideia de expropriação dos ricos e a distribuição de sua riqueza a todos. O nazismo não fez diferente, subjugando e escravizando as raças inferiores em favorecimento da raça ariana. Trabalhe para si mesmo, para o Estado ou para a raça. De qualquer forma, alguém tem de trabalhar para alimentar seus senhores, e nós somos aqueles que, através do trabalho forçado, alimentamos.  
Klaus sorri.
- Trabalho forçado? Acho que no ocidente eles não são forçados a trabalhar.
- Você não me entendeu. A condição da vida em si nos força a trabalhar, se não morreremos de fome. A própria Bíblia atesta isso. “No suor do teu rosto comerás o pão, até que te tornes à terra, porque dela foste tomado, porquanto és pó e em pó te tornarás”[5]. Onde há fome não há vida.
Wolfgang olha para Gunther, também convidando-o à conversa. O rapaz, porém, novamente assente e bebe mais um pouco de cerveja.
- Mas há recompensa para alguém que se esforça e trabalha. Como o minerador soviético Alexey Stakhanov, condecorado com a Ordem de Lênin e a Ordem da Bandeira Vermelha do Trabalho na União Soviética.
- Pura propaganda. – discorda Wolfgang, balançando a cabeça – O Estado quer que você se mate trabalhando com um único propósito: o de sustenta-lo. E nada mais.
“O Estado ilude você, fazendo-o trabalhar para não morrer de fome quando na verdade você trabalha para que o regime não morra da mesma maneira. Como pode um regime que promete a fartura matar de fome seu próprio povo aos milhões? A Rússia leninista viveu isso, a stalinista também, mas nós, os alemães orientais, tivemos sorte de nascermos anos mais tarde. Trabalhamos a vida inteira para sustentar os iluminados ideólogos do partido em sua sagrada cruzada contra o sistema financeiro internacional e os banqueiros. E para quê? Para ganharmos uma semana de férias em um resort de trabalhadores na Romênia? Eu que não quero me matar só para nadar em uma bela piscina de um belo hotel no bloco soviético. Trabalhamos incessantemente para o regime, mas a revolução mundial não aconteceu. A Komintern[6] fracassou na libertação dos trabalhadores. E agora do que se trata a produção de bens? Na farta alimentação do proletariado? Não, mas na indústria bélica para a defesa e sobrevivência do próprio regime. Estamos desnutridos e fracos, mas armados até os dentes”.
Desta vez é Gunther quem passa a entender o velho. Mas antes que eles olhem para ele, novamente ele bebe um gole de cerveja.
Um pouco zonzo, Klaus responde:
- Apesar de sua visão pessimista de tudo, eu ainda acredito que, com um pouco de esforço e trabalho, chegaremos lá.
A resposta de Klaus foi abrangente e vaga. Wolfgang parece se surpreender.
- O que quis dizer com chegar lá? – pergunta ele, quase afrontando-o – Chegar lá onde? A aposentadoria? Ora, assim você novamente dá razão a minhas palavras! Não há prêmio nenhum a alguém que trabalha, apenas a expectativa de que, em sua terceira idade, você não trabalhará mais.
“Nisso consiste a moléstia do trabalho, na expectativa de não ter de trabalhar mais, seja na aposentadoria ou mesmo nos fins de semana, da qual a sexta-feira é o dia mais esperado dos trabalhadores. Queremos muito o dinheiro, queremos muito o alimento, mas, sinceramente, não queremos trabalhar para obtê-los. Por isso flertamos com a falsa ilusão de ganharmos muito dinheiro e ficarmos ricos um dia. Quão sortudos são os ocidentais por terem a loteria para sonharem com isso. Aqui nem isso temos. Aqui só temos o trabalho árduo, o alimento escasso, o entretenimento limitado e as benditas férias na porcaria do bloco soviético. Eu trabalhei trinta anos na metalurgia, minhas mãos calejadas comprovam isso, mas se eu pudesse trocar por não ter trabalhado nenhum, como os secretários-gerais do partido comunista, eu trocaria”.
A tontura do efeito do álcool estava bem forte e Gunther tinha de se conter para não rir involuntariamente. Klaus bebe sua cerveja e pergunta:
- Então está dizendo que preferiria sim ser um vagabundo? Viver ociosamente em um país que preza o trabalho árduo e o socialismo?
- Mesmo Marx defendia a ociosidade, da qual os filósofos chamavam de ócio criativo. – explica Wolfgang.
“Marx dizia que o trabalhador só pode ter cultura e descanso quando a produção atingir um excedente, ou seja, quando a produção de um dia for o suficiente para alimentar as pessoas por dois dias. O segundo dia seria reservado para as pessoas pensarem, amarem, descansarem e inovarem. Para ele, o intelectual, o artista e o burocrata só podem existir porque o sistema produz excedentes. Em seu livro ‘O Capital’, Marx escreveu que ‘quanto mais o operário se esgota no trabalho, mais poderoso se torna o mundo estranho e objetivo que ele cria perante si. Mais ele se torna pobre e menos o mundo interior lhe pertence’. Por esta razão, ele usou o termo ‘alienação’ para se referir ao processo de estranhamento do trabalhador em relação ao sentido da atividade produtiva, quando o trabalho deixa de ser a satisfação de uma necessidade para se tornar apenas um meio de satisfazer as necessidades externas a ele. Não sou diferente do pai de nossa ideologia, pois acredito que se tivéssemos mais tempo livre, teríamos mais qualidade de vida”.
Gunther e Klaus se entreolham. As palavras de Wolfgang eram seríssimas, ele já havia criticado Marx, Lênin, o regime e o partido. Apesar do profundo conhecimento em Karl Marx, ele soava claramente um contrarrevolucionário.
O rapaz desvia o olhar. Estava ficando arriscado demais para ele permanecer ali. Querendo encerrar aquela perigosa conversa, Klaus diz:
- De qualquer forma, eu fico feliz por você, velho amigo. – responde ele, abraçando o ombro de Wolfgang – Após anos de trabalho, agora você poderá realizar seu desejo de finalmente descansar.
O velho sorri e os dois se distraem por um momento. Gunther aproveita para pagar a conta e deixar o bar. Mas, ao se levantar, a tontura o domina e ele cambaleia um pouco.
- Ei, meu jovem! Parece que o álcool fez efeito, hein? – brinca Klaus.
- Acho que sim... – responde ele, sorrindo timidamente.
Gunther caminha com muito esforço para a porta e, ao sair, nota que havia anoitecido em Berlim. O vento frio soprava por sua jaqueta e ele sentia o cheiro de carvão saindo dos apartamentos.
Zonzo e embriagado, ele abruptamente se encosta na parede e espera o efeito passar um pouco. Ele se felicita, afinal não estava mais na companhia de duas pessoas de assuntos tão perigosos como Wolfgang e Klaus.
Minutos se passam. O vento sopra pelas árvores e ele vê os apertados carros soviéticos percorrendo a avenida. De repente a porta do bar se abre e alguém sai. Para sua surpresa, era Wolfgang saindo.
Vestindo uma boina em sua cabeça, Wolfgang olha para ele e, levantando-a, lhe diz:
- Guten Nacht, mein Jugend. Auf Wiedersehen![7]      
Então o velho lhe dá as costas e vai embora, caminhando tranquilamente pela calçada com suas mãos enfiadas nos bolsos. Para sua sorte, o velho desaparece à distância, Gunther não queria ouvi-lo mais.
Recuperando as forças, o rapaz caminha na direção oposta e também deixa o local. Enquanto avança pelas ruas, ele observa a paisagem. Apesar da tontura, ele nota como o bairro era frio e monótono devido à idêntica arquitetura comunista, seus prédios cúbicos e retilíneos o provocavam isso. Bêbado demais para manter em sua mente seus pensamentos, ele diz:
- Prenzlauer Berg...! – saúda ele – Espero que no futuro você seja mais alegre do que é hoje, velho amigo...!
Gunther manda um beijo para os prédios e então continua sua caminhada, finalmente indo embora para casa.
 



[1] Uma cerveja, por favor
[2] Sorte
[3] Economia
[4] Qualidade de vida
[5] Gênesis 3:19
[6] Internacional Comunista, uma organização fundada em 1919 por Vladimir Lênin e os bolcheviques para a implantação do socialismo ao redor do mundo.
[7] Boa noite, meu jovem. Até a vista!

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