A megatorre da
Cúpula Corporativa estava em ruínas. Nathan nota que a entrada principal estava
protegida por uma barreira de aço. Na parte de trás, a fachada estava
totalmente devastada. Os ateístas bombardeavam as vidraças com seus drones de
nome “Yuri Gagarin”. Ativando seu comunicador, ele diz:
- Sr. Dawkins,
está me ouvindo?
Com sua voz
imponente, o líder da Frente Ateísta responde:
“Afirmativo,
Nathan. O que é?”.
- Interrompa o
ataque dos drones por um minuto. Eu e os robôs vamos entrar.
O líder demora um
pouco para responder. Então ele pergunta:
“Vocês vão
iniciar a invasão da Cúpula?”.
- Afirmativo.
Satisfeito, ele
responde:
“Nos vemos lá”.
Atravessando a
praça, Nathan e os robôs se aproximam do monólito de concreto e aço. Quatro
aeronaves os sobrevoam e, abrindo suas portas, tropas ateístas desembarcam,
preparando-se para a batalha.
Um homem sério e
imponente caminha entre eles. Nathan reconhece o líder.
- Você tem
certeza disso, Inimigo de Estado? A polícia ainda está defendendo a praça.
Sem se importar,
o rapaz responde:
- A polícia está
sobrecarregada com os manifestantes e logo ficarão sem munição.
Dawkins se
espanta com o rapaz mas, concentrado em seus objetivos, não diz nada.
Ao lado do prédio,
os ateístas plantam bombas na parede e as detonam, abrindo uma ruptura. Os
robôs entram primeiro e desarmam os sistemas de segurança, hackeando-os. Dentro
do prédio, Nathan e os ateístas percorrem o saguão principal. Eles o encontram
escuro e vazio. Alguns seguranças aparecem, mas são baleados rapidamente.
No lado de
dentro, eles veem a entrada principal bloqueada por mecanismos. Tiros e bombas
são ouvidos lá fora, mas é outra coisa que chama sua atenção. Os clérigos
entoavam hinos, tomados por seu furor religioso.
- Deixe-os morrer
por sua falsa religião. – diz Dawkins.
- Não. – objeta o
rapaz – Devemos ajuda-los a invadir o prédio. Precisaremos de sua ajuda também.
Ativando seu
comunicador, Nathan diz:
- Eminência, peça
para seus homens se afastarem da entrada, por favor.
Uma voz irritada
responde:
“Do que está
falando, moleque?”.
- Nós vamos
explodir os mecanismos e abri-la para o senhor.
O profeta ri.
“Rejeita a minha
ajuda e agora se oferece para me ajudar? Se esqueceu que eu tenho o braço forte
de Deus comigo?”.
Sem paciência, o
rapaz se mantém firme.
- Apenas se
afaste, por favor.
Um minuto depois,
bombas se explodem no saguão, destruindo os mecanismos e retraindo a proteção
metálica. A poeira se abaixa e os clérigos entram. Nathan vê os cardeais e
paladinos, todos com suas belíssimas armaduras vermelhas e cinzas em um misto
de alta tecnologia com vestimenta medieval.
John August permanece
em seu carrinho. Ao ver os ateístas ao lado de Nathan, ele se enche de inveja. Ele
diz:
- Agora sei por que
rejeitou minha ajuda. Você coaduna com os hereges! – acusa ele – Ambos são
cúmplices no sacrilégio!
Dawkins diz:
- Irônico o
senhor falar de heresia quando sua religião inteira é proveniente de uma. Pois o
seu deus... – conclui ele – Não existe!
O profeta se ira,
insultando-o. Os clérigos se iram também, fazendo ambas as facções se apontarem
suas armas. Nathan intervém.
- Senhores, agora
não é hora para isso. O inimigo é outro esta noite. Concentrem-se na Rebelião.
Então uma
explosão é ouvida nos andares de cima.
- As outras
facções já estão aqui. – afirma Apex – Nós devemos subir.
- Não
profanaremos nossas almas acompanhando estes cães! – diz John August.
- Não há
necessidade. – responde Nathan – Eu subirei com Dawkins. Peço que protejam a
retaguarda.
Desconfiado, o
profeta diz:
- É melhor não me
trair, Inimigo de Estado, se não a ira de Deus esmagará a sua alma até a
eternidade!
Então o rapaz se
vira e começa a subir.
Nos andares
superiores, os robôs vasculham as salas. O ambiente era vasto e assegura-lo
levava tempo. Os ateístas os ajudavam, mas careciam dos sensores robóticos,
tornando sua atividade mais demorada e perigosa. Os policiais deixaram
armadilhas pelo local. Os ateístas os ativam e bombas se explodem, eliminando
alguns facciosos.
Subindo mais um
andar, o grupo encontra uma forte resistência. Os policiais se escondiam nas
salas e corredores. Apex se apressa em combate-los e atira com suas armas.
Dawkins intervém.
- Afaste-se,
robô. Meus homens cuidam disso.
Os ateístas se
aproximam com lança-granadas. Ao ver os poderosos armamentos, Nathan se lembra.
São os mesmos usados no Ministério da Propaganda.
Perigosos
fragmentos de entulho se assopram pelo ar, seguidos de uma densa nuvem de
poeira. Os ateístas se protegem e recuperam o fôlego, porém os robôs avançam
normalmente pelos detritos. Espalhados pelo ambiente, os robôs encontram os
policiais atordoados e feridos. Ao lhes apontarem suas armas, os policiais se
rendem.
Apex pergunta:
- Mestre Nathan,
o que vamos fazer com eles?
Nathan pondera. O
rapaz olha ao redor e conta duas dúzias. A batalha avançava tão ferozmente que
ele não pensou que poderiam haver prisioneiros de guerra. Então ele diz:
- Execute-os.
Então Apex
destrava sua arma e atira. Ao mesmo tempo, os outros robôs também atiram,
executando-os a sangue frio.
O líder arregala
os olhos.
- Nathan! O que
está fazendo?
- Não há nenhum
campo de prisioneiros lá fora. Não houve tempo para isso. Esta noite só há
tempo para uma coisa: encerrar a Rebelião.
Então Dawkins
sorri.
- Vejo que os
religiosos te ensinaram bem. – responde ele, referindo-se ao terrorismo.
No andar
superior, eles se deparam com uma batalha ocorrendo nos escritórios. Tiros
atravessam as paredes e eles se abaixam. Nathan percorre um corredor e, ao
passar ao lado de uma porta, ela repentinamente se abre e um samurai se tromba
com ele. Ao reconhecê-lo, o rapaz exclama:
- Kyaputen
Yamada?!
O velho capitão
sorri e responde:
- Nathan-san!
Então uma dúzia
de samurais aparecem os cercam, vestindo suas arrojadas armaduras vermelhas.
Todos pareciam conhecer o rapaz.
Dawkins e seus
homens se tranquilizam, mas mantém sua postura de combate. Apesar de não terem
atritos com os japoneses, ainda assim eles eram rivais em sua luta pelo
controle da metrópole.
- Yamada,
precisamos de ajuda para subir a megatorre. Vai nos ajudar?
O japonês nota
como o rapaz estava mudado.
- Temos ordens
para assegurar este andar. Temos interesse no que está contido aqui.
Assentindo, ele
pergunta:
- Onde está o
xogum Tokugawa?
- Na retaguarda
com os robôs samurais.
- Entendido. Nós
ajudaremos a Bushido e, em seguida, seguiremos com o nosso caminho.
A polícia
oferecia feroz resistência. Naquele momento eles não apenas lutavam pelas
corporações, mas por suas próprias vidas. Tomando posições ofensivas, a Design
Inteligente, a Frente Ateísta e a Bushido contra-atacam. O ataque coordenado
esmaga a defesa policial, fazendo-os recuar lentamente.
Enquanto avançam,
muitos policiais se rendem aos invasores. Mesmo os presidiários se rendem,
desistindo da luta que supostamente os libertaria. Aos poucos, sua esperança se
desfalecia pelo chão.
Os samurais
lutavam com ímpeto e disciplina. Dawkins nota que, ao acabar sua munição, eles
sacavam suas espadas e se lançavam violentamente sobre o inimigo, quase em um
ataque suicida. Enojado, ele olha para seu tenente e diz:
- Deixe estes
animais raivosos lutarem. Pouparemos nossos homens assim.
A Bushido avança
e encontra uma sala ministerial no andar. Era um ministério menor, sem
necessidade de um prédio inteiro como aqueles tomados pela coalizão. Aproximando-se,
Nathan vê uma sala requintada e uma plaqueta na porta. “Ministério do
Urbanismo”, lê ele.
Ao irromperem
pela entrada, os samurais apontam suas armas e encontram o ministro.
Aterrorizado, ele imediatamente levanta suas mãos. Yamada saca sua espada e
ordena:
- Peça para seus
homens se renderem.
O ministro emite
a ordem e os policiais largam suas armas. Não havia mais razão para lutar,
insistir apenas prolongaria o inevitável fim.
Minutos depois,
os samurais enfileiram o inimigo de joelhos um ao lado do outro. Yamada caminha
ao redor e, com semblante frio como a morte, diz:
- A derrota os
desonra. Recuperem a honra perdida e tirem vocês mesmos as suas vidas.
Os policiais se
espantam. Olhando uns para os outros, eles irresistivelmente gargalham, rindo
do delirante samurai. Então o capitão se enfurece.
- Não é de nossa
tradição tratar os prisioneiros como seres humanos. Vocês são menos que gente;
vocês são a escória vencida. – olhando para um subordinado, ele ordena – Tragam
o ministro.
Arrastado pelos
braços, o ministro é lançado aos seus pés. Os samurais o colocam de joelhos e
Yamada levanta sua espada. Todos se silenciam para ver. Mesmo os ateístas
seguram o fôlego para presenciar o ritual. De repente o capitão golpeia e
decepa a cabeça do ministro, impressionando-os.
Nathan assiste a
tudo em silêncio, não esboçando reação. Dawkins se espanta, não reconhecendo o
mesmo rapaz que causou a Rebelião.
“A Design
Inteligente o transformou em uma aberração robótica!”, pensa ele.
Pegando outro
policial, Yamada se prepara para golpea-lo. Os derrotados exclamam e choram,
implorando por suas vidas. Os mercenários culpavam as corporações, a polícia e
até seus companheiros, tentando escapar da grotesca morte. Mas nada daquilo
adiantava. Os samurais não tinham compaixão.
Enquanto o
inimigo é sistematicamente decapitado, a sala se encharca de sangue. A imundície
era nauseante e abominável.
Ativando seu
comunicador, Nathan chama o xogum e diz:
- Xogum Tokugawa,
tomamos o andar ao lado de Yamada, mas nosso trabalho ainda não acabou. Pode
nos emprestar alguns samurais?
A batalha pela
praça ainda ocorria lá fora. Com sua inconfundível voz grossa, o xogum responde:
- Negativo,
Inimigo de Estado. Nós nos encontraremos no último andar. Desligo.
Passeando sobre o
sangue, Nathan se aproxima e diz:
- Perdoe-me
interrompê-lo, Kyaputen Yamada, mas ainda temos uma megatorre para conquistar. Até
breve.
Com a armadura
coberta de sangue, ele responde:
- É claro,
Nathan-san. Nos encontraremos lá em cima.
Vendo tudo de
longe, Dawkins percebe. Enquanto falava com Nathan, o tal Yamada sorria.
“Este é só mais
um psicopata desta facção sanguinária e saudosista, eu os desprezo”.
Então eles se
viram e vão embora.
Avançando pelas
escadas, eles chegam ao andar superior. Apex detecta algo e os interrompe,
dizendo:
- Meus sensores
detectam bombas instaladas pelo andar inteiro. Não podemos prosseguir.
- Há algum meio
de desarma-las? – pergunta o rapaz.
- As armadilhas
são numerosas e estão conectadas entre si. Se eu desarmar uma, outras se
acionarão.
Nathan não podia comprometer
a integridade de sua equipe. Pensando em como resolver o problema, ele tem uma
estranha ideia.
Ativando seu
comunicador, ele diz:
- Eminência, o
senhor está aí?
Em meio a tiros e
hinos religiosos, o profeta responde:
“O que deseja,
jovem Nathan?”.
- Tragam os
manifestantes para o meu andar. Diga que o caminho está livre para subirem.
Ao dizer isso, os
ateístas se intrigam.
“Como quiser”.
Enquanto esperam,
Dawkins comenta:
- Novamente
pretende exterminar as massas que jurou proteger? Você me surpreende.
Minutos depois,
uma multidão ensandecida sobe pelo prédio. Os facciosos viam cidadãos comuns
vestidos com capuzes e máscaras de gás. Eles portavam paus, coquetéis Molotov e
bandeiras com o rosto de Nathan. Os manifestantes se deparam com Nathan e
bradam o seu nome, chamando-o de “Salvador de Sonata”. O rapaz recebe a
homenagem, inflamando as massas. Espantados com tudo aquilo, os ateístas os
viam como uma manada de porcos.
Nathan sobe em
uma mesa e discursa:
- Cidadãos de
Sonata, tomem este edifício! Tomem a Cúpula Corporativa!
Os manifestantes
sorriem e empolgadamente sobem as escadas. Centenas de pessoas os acompanham,
obedecendo cegamente ao seu salvador. Alguns segundos depois, as bombas se
acionam e uma sequência de explosões se sucedem, estremecendo os andares e
piscando as luzes.
O brado empolgado
bruscamente se encerra. A seguir, começa um lamento de agonia e dor. Ao verem
seus amigos e irmãos mortos sobre o chão, os manifestantes choram aos berros.
Nathan olha para aquilo e não se comove, ao contrário, ele novamente se mantém
sério.
Indignados, os
manifestantes olham para seu salvador, cobrando-os satisfações. Então ele
sabiamente diz:
- As corporações
fizeram isso! As corporações devem pagar!
Os manifestantes
se enfurecem, desviando seu ódio deu quem realmente as matou. Como massa de
manobra, os cidadãos são habilmente manipulados pelo rapaz. Como um autêntico
ditador populista, Nathan friamente os usava.
Subindo pelos
andares, os manifestantes encontravam os policiais e os sobrepujavam com sua
fúria. Adiante, mais ministérios menores eram encontrados. A multidão invade suas
salas e lincha seus ministros em um espetáculo sangrento de horror. Mesmo o
requintado Dawkins arregala os olhos.
Com o caminho
limpo, Nathan e a Design Inteligente continuam a subida. O rapaz escuta um
ruído e, ao olhar pela janela, ele vê uma aeronave de combate metralhando o
prédio. Ele reconhece suas cores, era a 4 de Julho.
Uma voz no
comunicador diz:
“Nathan, aqui é
George. Não atire! Estamos subindo”.
Então dezenas de
soldados vestindo fardas cor de areia aparecem. Carregando um fuzil de modelo
SCAR-L, o General Washington se apresenta. Nathan pergunta:
- George, a praça
está segura?
O carismático
líder responde:
- Sim. Na praça
há apenas entulho, brasas e corpos para todos os lados.
- E quanto aos
clérigos?
- Estão orando ou
coisa parecida. Não sei você, mas eu quero distância desses pirados...
O rapaz assente.
- Estamos nos
aproximando da cobertura. Você vai nos ajudar?
George ri.
- Você pensou que
a gente não iria dar o troco? – pergunta ele, referindo-se a invasão da polícia
em seu território
No andar acima, os
robôs invadem uma sala e encontram policiais entocados. Esgotados pelo
confronto, eles prontamente se rendem. Avançando pelos andares, mais policiais
aparecem, levantando suas mãos e declarando sua rendição. E, assim, mais e mais
policiais se rendiam.
Dando ordens aos
seus robôs, o rapaz diz:
- Levem-nos para
a Bushido.
O americano
protesta:
- Nathan, você
tem certeza? Os japoneses estão cometendo um massacre lá embaixo.
Morbidamente o
rapaz permanece em silêncio. Então ele se afasta, protegido por sua escolta de
robôs.
Nos andares
finais, os demais ministros são encontrados. Devidos a sua não importância,
eles são mortos pelos facciosos. A 4 de Julho captura um ministro, em sua sala
eles leem “Ministério do Meio Ambiente”. Por décadas a metrópole sofria com a
poluição, prejudicando o ar e acumulando lixo na superfície. Indignado, o general
pergunta:
- Como o senhor
justifica sua incompetência?
- Por favor, eu
fui obrigado a ocupar esse cargo!
- Então você o
aceitou por corrupção?! – exclama ele.
O ministro apela
por sua vida.
- Por favor, eu
tenho família... Filhos...!
- Eles chorarão
por você. Para sempre.
Então os
americanos o agarram pelos braços e o atiram pela janela, lançando-o lá
embaixo. Ao ouvir seus gritos, o general diz:
- Respire a
poluição que você mesmo espalhou.
Tiros são ouvidos
acima. Os policiais ainda combatiam no topo do edifício. Uma voz no comunicador
diz:
“Nathan-san!
Estamos desembarcando as tropas! Não atire!”.
Olhando para os
americanos e os ateístas, o rapaz diz:
- A Bushido está
lá em cima. Precisamos ajuda-los. Algum voluntário?
Os americanos
rapidamente objetam.
- Deixem-nos se
matarem!
Com a
indisposição da 4 de Julho, os ateístas respondem:
- Daremos apoio
tático.
Avançando pelas
escadas, o grupo deixa a 4 de Julho para trás.
No andar
superior, eles o encontram com as luzes apagadas. Os policiais estavam recuados
e esgotados, mas defendiam ferozmente o acesso ao último andar. Nathan vê que
eles combatiam um inimigo assombroso, vestindo armaduras negras e máscaras de
demônios. Um homem grande de armadura avança pelos policiais, manuseando sua
espada reluzente. O rapaz o reconhece, é o Xogum Tokugawa.
Portando seus
lança-granadas, os ateístas os recarregam com bombas de gás e atiram. Os
policiais sufocam e deixam suas coberturas, tornando-se alvos fáceis para os
invasores. Repentinamente os samurais avançam bradando “banzai”.
Os ateístas se
impressionam ao verem os policiais sendo impalados brutalmente. Sufocados pelo
gás, alguns policiais caem no chão e pedem clemência, mas são transpassados
pelas espadas. Um samurai avança e crava um policial na parede, pendurando-o.
Outro tem sua cabeça decepada por Tokugawa. Dawkins sente como se estivesse
vendo um filme de terror.
Aproximando-se
com sua espada prateada, os ateístas se intimidam. Nathan, porém, permanece
imóvel, aguardando a chegada de seu aliado. Com voz grossa, o xogum diz:
- Nathan-san! O
inimigo está fraco e pronto para ser abatido! Devemos lançar o ataque final!
Assentindo, o
rapaz diz:
- É claro,
Tokugawa-san. Organize suas tropas.
- Mestre Nathan,
preciso falar com você. – interrompe Apex.
Os facciosos se intrigam,
olhando para o robô.
- O que foi,
Apex?
- Acabo de
receber informações de que os Trans-humanistas exterminaram a Resistência
Purista. Os puristas não existem mais.
Ao ouvi-lo, os
facciosos se espantam. Nathan, porém, se enche de indignação.
- Como isso é
possível? As facções não deveriam lutar entre si. O que houve?
- Não temos
certeza. Aparentemente eles caíram em uma armadilha. Seu amigo Maynard estava
envolvido.
Tokugawa cerra os
dentes. Após o mercenário ter invadido a sede de sua facção, ele o odiava.
- O que Maynard
fez?
- Após o
extermínio dos puristas, o mercenário viajou ao seu distrito e implodiu sua
sede.
Nathan se
espanta. A sede dos puristas era um hospital público.
Enquanto o rapaz
pensa a respeito, os facciosos sussurram entre si. Com o ataque
trans-humanista, estava encerrada a não-agressão.
Aproveitando-se
de sua indecisão, Dawkins diz:
- Devemos
continuar, Inimigo de Estado. O fim da Rebelião nos aguarda.
Percorrendo um
ambiente devastado, não havia mais inimigos a combater. As aeronaves ainda
voavam lá fora, combatendo os últimos focos de resistência. O vento sopra frio
pelas janelas quebradas, mas o rapaz era incapaz de senti-lo. A Rebelião se
aproximava do fim, mas as facções ainda tinham dezenas de planos.
No último andar,
o grupo se depara com a entrada da Cúpula Corporativa. Finalmente aquele
momento havia chegado; o rapaz o esperava há muito tempo. Ao apertar o botão,
as portas se abrem e revelam um salão escuro. Suas respostas estavam ali.
O rapaz se
prepara para entrar quando Tokugawa diz:
- Nathan-san, a
Bushido deve partir.
Intrigado, ele
pergunta:
- Por quê?
- Vamos assegurar
a praça e protege-la do inimigo.
O rapaz se
confunde. Com a clara derrota inimiga, aquele motivo não era nada convincente.
- Nós partiremos
também. – interrompe Dawkins – A tarefa da Frente Ateísta está concluída. Nosso
apoio termina aqui.
Subitamente,
Nathan se encontrava sozinho.
- Está bem. –
responde ele – Foi bom combater ao seu lado. Obrigado.
Tokugawa se curva
e Dawkins lhe encara, aceitando o agradecimento. Em seguida ambos se viram e
vão embora.
Apenas Apex e os robôs
estavam ao seu lado. Com sua servidão concedida por Deus Ex Machina, eles
jamais o abandonariam.
“Como fez a Laura”,
lembra-se ele, comiserando-se por dentro.
Controlando as
lágrimas, ele adentra o santuário interno, a misteriosa Cúpula Corporativa.
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