sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Sonata - 69 - A Cúpula Corporativa

 




(Arte de Mark Graham aka Behindspace99)


A megatorre da Cúpula Corporativa estava em ruínas. Nathan nota que a entrada principal estava protegida por uma barreira de aço. Na parte de trás, a fachada estava totalmente devastada. Os ateístas bombardeavam as vidraças com seus drones de nome “Yuri Gagarin”. Ativando seu comunicador, ele diz:

- Sr. Dawkins, está me ouvindo?

Com sua voz imponente, o líder da Frente Ateísta responde:

“Afirmativo, Nathan. O que é?”.

- Interrompa o ataque dos drones por um minuto. Eu e os robôs vamos entrar.

O líder demora um pouco para responder. Então ele pergunta:

“Vocês vão iniciar a invasão da Cúpula?”.

- Afirmativo.

Satisfeito, ele responde:

“Nos vemos lá”.

Atravessando a praça, Nathan e os robôs se aproximam do monólito de concreto e aço. Quatro aeronaves os sobrevoam e, abrindo suas portas, tropas ateístas desembarcam, preparando-se para a batalha.

Um homem sério e imponente caminha entre eles. Nathan reconhece o líder.

- Você tem certeza disso, Inimigo de Estado? A polícia ainda está defendendo a praça.

Sem se importar, o rapaz responde:

- A polícia está sobrecarregada com os manifestantes e logo ficarão sem munição.

Dawkins se espanta com o rapaz mas, concentrado em seus objetivos, não diz nada.

Ao lado do prédio, os ateístas plantam bombas na parede e as detonam, abrindo uma ruptura. Os robôs entram primeiro e desarmam os sistemas de segurança, hackeando-os. Dentro do prédio, Nathan e os ateístas percorrem o saguão principal. Eles o encontram escuro e vazio. Alguns seguranças aparecem, mas são baleados rapidamente.

No lado de dentro, eles veem a entrada principal bloqueada por mecanismos. Tiros e bombas são ouvidos lá fora, mas é outra coisa que chama sua atenção. Os clérigos entoavam hinos, tomados por seu furor religioso.

- Deixe-os morrer por sua falsa religião. – diz Dawkins.

- Não. – objeta o rapaz – Devemos ajuda-los a invadir o prédio. Precisaremos de sua ajuda também.

Ativando seu comunicador, Nathan diz:

- Eminência, peça para seus homens se afastarem da entrada, por favor.

Uma voz irritada responde:

“Do que está falando, moleque?”.

- Nós vamos explodir os mecanismos e abri-la para o senhor.

O profeta ri.

“Rejeita a minha ajuda e agora se oferece para me ajudar? Se esqueceu que eu tenho o braço forte de Deus comigo?”.

Sem paciência, o rapaz se mantém firme.

- Apenas se afaste, por favor.

Um minuto depois, bombas se explodem no saguão, destruindo os mecanismos e retraindo a proteção metálica. A poeira se abaixa e os clérigos entram. Nathan vê os cardeais e paladinos, todos com suas belíssimas armaduras vermelhas e cinzas em um misto de alta tecnologia com vestimenta medieval.

John August permanece em seu carrinho. Ao ver os ateístas ao lado de Nathan, ele se enche de inveja. Ele diz:

- Agora sei por que rejeitou minha ajuda. Você coaduna com os hereges! – acusa ele – Ambos são cúmplices no sacrilégio!

Dawkins diz:

- Irônico o senhor falar de heresia quando sua religião inteira é proveniente de uma. Pois o seu deus... – conclui ele – Não existe!

O profeta se ira, insultando-o. Os clérigos se iram também, fazendo ambas as facções se apontarem suas armas. Nathan intervém.

- Senhores, agora não é hora para isso. O inimigo é outro esta noite. Concentrem-se na Rebelião.

Então uma explosão é ouvida nos andares de cima.

- As outras facções já estão aqui. – afirma Apex – Nós devemos subir. 

- Não profanaremos nossas almas acompanhando estes cães! – diz John August.

- Não há necessidade. – responde Nathan – Eu subirei com Dawkins. Peço que protejam a retaguarda.

Desconfiado, o profeta diz:

- É melhor não me trair, Inimigo de Estado, se não a ira de Deus esmagará a sua alma até a eternidade!

Então o rapaz se vira e começa a subir.

Nos andares superiores, os robôs vasculham as salas. O ambiente era vasto e assegura-lo levava tempo. Os ateístas os ajudavam, mas careciam dos sensores robóticos, tornando sua atividade mais demorada e perigosa. Os policiais deixaram armadilhas pelo local. Os ateístas os ativam e bombas se explodem, eliminando alguns facciosos.

Subindo mais um andar, o grupo encontra uma forte resistência. Os policiais se escondiam nas salas e corredores. Apex se apressa em combate-los e atira com suas armas. Dawkins intervém.

- Afaste-se, robô. Meus homens cuidam disso.

Os ateístas se aproximam com lança-granadas. Ao ver os poderosos armamentos, Nathan se lembra. São os mesmos usados no Ministério da Propaganda.  

Perigosos fragmentos de entulho se assopram pelo ar, seguidos de uma densa nuvem de poeira. Os ateístas se protegem e recuperam o fôlego, porém os robôs avançam normalmente pelos detritos. Espalhados pelo ambiente, os robôs encontram os policiais atordoados e feridos. Ao lhes apontarem suas armas, os policiais se rendem.    

Apex pergunta:

- Mestre Nathan, o que vamos fazer com eles?

Nathan pondera. O rapaz olha ao redor e conta duas dúzias. A batalha avançava tão ferozmente que ele não pensou que poderiam haver prisioneiros de guerra. Então ele diz:

- Execute-os.

Então Apex destrava sua arma e atira. Ao mesmo tempo, os outros robôs também atiram, executando-os a sangue frio.

O líder arregala os olhos.

- Nathan! O que está fazendo? 

- Não há nenhum campo de prisioneiros lá fora. Não houve tempo para isso. Esta noite só há tempo para uma coisa: encerrar a Rebelião.   

Então Dawkins sorri.

- Vejo que os religiosos te ensinaram bem. – responde ele, referindo-se ao terrorismo.

No andar superior, eles se deparam com uma batalha ocorrendo nos escritórios. Tiros atravessam as paredes e eles se abaixam. Nathan percorre um corredor e, ao passar ao lado de uma porta, ela repentinamente se abre e um samurai se tromba com ele. Ao reconhecê-lo, o rapaz exclama:

- Kyaputen Yamada?!

O velho capitão sorri e responde:

- Nathan-san!

Então uma dúzia de samurais aparecem os cercam, vestindo suas arrojadas armaduras vermelhas. Todos pareciam conhecer o rapaz.

Dawkins e seus homens se tranquilizam, mas mantém sua postura de combate. Apesar de não terem atritos com os japoneses, ainda assim eles eram rivais em sua luta pelo controle da metrópole.

- Yamada, precisamos de ajuda para subir a megatorre. Vai nos ajudar?

O japonês nota como o rapaz estava mudado.

- Temos ordens para assegurar este andar. Temos interesse no que está contido aqui.

Assentindo, ele pergunta:

- Onde está o xogum Tokugawa?

- Na retaguarda com os robôs samurais.

- Entendido. Nós ajudaremos a Bushido e, em seguida, seguiremos com o nosso caminho.

A polícia oferecia feroz resistência. Naquele momento eles não apenas lutavam pelas corporações, mas por suas próprias vidas. Tomando posições ofensivas, a Design Inteligente, a Frente Ateísta e a Bushido contra-atacam. O ataque coordenado esmaga a defesa policial, fazendo-os recuar lentamente.

Enquanto avançam, muitos policiais se rendem aos invasores. Mesmo os presidiários se rendem, desistindo da luta que supostamente os libertaria. Aos poucos, sua esperança se desfalecia pelo chão.

Os samurais lutavam com ímpeto e disciplina. Dawkins nota que, ao acabar sua munição, eles sacavam suas espadas e se lançavam violentamente sobre o inimigo, quase em um ataque suicida. Enojado, ele olha para seu tenente e diz:

- Deixe estes animais raivosos lutarem. Pouparemos nossos homens assim.

A Bushido avança e encontra uma sala ministerial no andar. Era um ministério menor, sem necessidade de um prédio inteiro como aqueles tomados pela coalizão. Aproximando-se, Nathan vê uma sala requintada e uma plaqueta na porta. “Ministério do Urbanismo”, lê ele.

Ao irromperem pela entrada, os samurais apontam suas armas e encontram o ministro. Aterrorizado, ele imediatamente levanta suas mãos. Yamada saca sua espada e ordena:

- Peça para seus homens se renderem.

O ministro emite a ordem e os policiais largam suas armas. Não havia mais razão para lutar, insistir apenas prolongaria o inevitável fim.

Minutos depois, os samurais enfileiram o inimigo de joelhos um ao lado do outro. Yamada caminha ao redor e, com semblante frio como a morte, diz:

- A derrota os desonra. Recuperem a honra perdida e tirem vocês mesmos as suas vidas.

Os policiais se espantam. Olhando uns para os outros, eles irresistivelmente gargalham, rindo do delirante samurai. Então o capitão se enfurece.

- Não é de nossa tradição tratar os prisioneiros como seres humanos. Vocês são menos que gente; vocês são a escória vencida. – olhando para um subordinado, ele ordena – Tragam o ministro.

Arrastado pelos braços, o ministro é lançado aos seus pés. Os samurais o colocam de joelhos e Yamada levanta sua espada. Todos se silenciam para ver. Mesmo os ateístas seguram o fôlego para presenciar o ritual. De repente o capitão golpeia e decepa a cabeça do ministro, impressionando-os.

Nathan assiste a tudo em silêncio, não esboçando reação. Dawkins se espanta, não reconhecendo o mesmo rapaz que causou a Rebelião.

“A Design Inteligente o transformou em uma aberração robótica!”, pensa ele.

Pegando outro policial, Yamada se prepara para golpea-lo. Os derrotados exclamam e choram, implorando por suas vidas. Os mercenários culpavam as corporações, a polícia e até seus companheiros, tentando escapar da grotesca morte. Mas nada daquilo adiantava. Os samurais não tinham compaixão.

Enquanto o inimigo é sistematicamente decapitado, a sala se encharca de sangue. A imundície era nauseante e abominável.

Ativando seu comunicador, Nathan chama o xogum e diz:

- Xogum Tokugawa, tomamos o andar ao lado de Yamada, mas nosso trabalho ainda não acabou. Pode nos emprestar alguns samurais?

A batalha pela praça ainda ocorria lá fora. Com sua inconfundível voz grossa, o xogum responde:

- Negativo, Inimigo de Estado. Nós nos encontraremos no último andar. Desligo.

Passeando sobre o sangue, Nathan se aproxima e diz:

- Perdoe-me interrompê-lo, Kyaputen Yamada, mas ainda temos uma megatorre para conquistar. Até breve.

Com a armadura coberta de sangue, ele responde:

- É claro, Nathan-san. Nos encontraremos lá em cima.

Vendo tudo de longe, Dawkins percebe. Enquanto falava com Nathan, o tal Yamada sorria.

“Este é só mais um psicopata desta facção sanguinária e saudosista, eu os desprezo”.

Então eles se viram e vão embora.  

Avançando pelas escadas, eles chegam ao andar superior. Apex detecta algo e os interrompe, dizendo:

- Meus sensores detectam bombas instaladas pelo andar inteiro. Não podemos prosseguir.

- Há algum meio de desarma-las? – pergunta o rapaz.

- As armadilhas são numerosas e estão conectadas entre si. Se eu desarmar uma, outras se acionarão.

Nathan não podia comprometer a integridade de sua equipe. Pensando em como resolver o problema, ele tem uma estranha ideia.

Ativando seu comunicador, ele diz:

- Eminência, o senhor está aí?

Em meio a tiros e hinos religiosos, o profeta responde:

“O que deseja, jovem Nathan?”.    

- Tragam os manifestantes para o meu andar. Diga que o caminho está livre para subirem.

Ao dizer isso, os ateístas se intrigam.

“Como quiser”.

Enquanto esperam, Dawkins comenta:

- Novamente pretende exterminar as massas que jurou proteger? Você me surpreende.

Minutos depois, uma multidão ensandecida sobe pelo prédio. Os facciosos viam cidadãos comuns vestidos com capuzes e máscaras de gás. Eles portavam paus, coquetéis Molotov e bandeiras com o rosto de Nathan. Os manifestantes se deparam com Nathan e bradam o seu nome, chamando-o de “Salvador de Sonata”. O rapaz recebe a homenagem, inflamando as massas. Espantados com tudo aquilo, os ateístas os viam como uma manada de porcos. 

Nathan sobe em uma mesa e discursa:

- Cidadãos de Sonata, tomem este edifício! Tomem a Cúpula Corporativa!

Os manifestantes sorriem e empolgadamente sobem as escadas. Centenas de pessoas os acompanham, obedecendo cegamente ao seu salvador. Alguns segundos depois, as bombas se acionam e uma sequência de explosões se sucedem, estremecendo os andares e piscando as luzes.

O brado empolgado bruscamente se encerra. A seguir, começa um lamento de agonia e dor. Ao verem seus amigos e irmãos mortos sobre o chão, os manifestantes choram aos berros. Nathan olha para aquilo e não se comove, ao contrário, ele novamente se mantém sério. 

Indignados, os manifestantes olham para seu salvador, cobrando-os satisfações. Então ele sabiamente diz:

- As corporações fizeram isso! As corporações devem pagar!

Os manifestantes se enfurecem, desviando seu ódio deu quem realmente as matou. Como massa de manobra, os cidadãos são habilmente manipulados pelo rapaz. Como um autêntico ditador populista, Nathan friamente os usava.

Subindo pelos andares, os manifestantes encontravam os policiais e os sobrepujavam com sua fúria. Adiante, mais ministérios menores eram encontrados. A multidão invade suas salas e lincha seus ministros em um espetáculo sangrento de horror. Mesmo o requintado Dawkins arregala os olhos.

Com o caminho limpo, Nathan e a Design Inteligente continuam a subida. O rapaz escuta um ruído e, ao olhar pela janela, ele vê uma aeronave de combate metralhando o prédio. Ele reconhece suas cores, era a 4 de Julho.

Uma voz no comunicador diz:

“Nathan, aqui é George. Não atire! Estamos subindo”.

Então dezenas de soldados vestindo fardas cor de areia aparecem. Carregando um fuzil de modelo SCAR-L, o General Washington se apresenta. Nathan pergunta:

- George, a praça está segura?

O carismático líder responde:

- Sim. Na praça há apenas entulho, brasas e corpos para todos os lados.

- E quanto aos clérigos?

- Estão orando ou coisa parecida. Não sei você, mas eu quero distância desses pirados...

O rapaz assente.

- Estamos nos aproximando da cobertura. Você vai nos ajudar?

George ri.

- Você pensou que a gente não iria dar o troco? – pergunta ele, referindo-se a invasão da polícia em seu território

No andar acima, os robôs invadem uma sala e encontram policiais entocados. Esgotados pelo confronto, eles prontamente se rendem. Avançando pelos andares, mais policiais aparecem, levantando suas mãos e declarando sua rendição. E, assim, mais e mais policiais se rendiam.

Dando ordens aos seus robôs, o rapaz diz:

- Levem-nos para a Bushido.

O americano protesta:

- Nathan, você tem certeza? Os japoneses estão cometendo um massacre lá embaixo.

Morbidamente o rapaz permanece em silêncio. Então ele se afasta, protegido por sua escolta de robôs.

Nos andares finais, os demais ministros são encontrados. Devidos a sua não importância, eles são mortos pelos facciosos. A 4 de Julho captura um ministro, em sua sala eles leem “Ministério do Meio Ambiente”. Por décadas a metrópole sofria com a poluição, prejudicando o ar e acumulando lixo na superfície. Indignado, o general pergunta:

- Como o senhor justifica sua incompetência?

- Por favor, eu fui obrigado a ocupar esse cargo!

- Então você o aceitou por corrupção?! – exclama ele.

O ministro apela por sua vida.

- Por favor, eu tenho família... Filhos...!

- Eles chorarão por você. Para sempre.

Então os americanos o agarram pelos braços e o atiram pela janela, lançando-o lá embaixo. Ao ouvir seus gritos, o general diz:

- Respire a poluição que você mesmo espalhou.

Tiros são ouvidos acima. Os policiais ainda combatiam no topo do edifício. Uma voz no comunicador diz:

“Nathan-san! Estamos desembarcando as tropas! Não atire!”.

Olhando para os americanos e os ateístas, o rapaz diz:

- A Bushido está lá em cima. Precisamos ajuda-los. Algum voluntário?

Os americanos rapidamente objetam.

- Deixem-nos se matarem!

Com a indisposição da 4 de Julho, os ateístas respondem:

- Daremos apoio tático.

Avançando pelas escadas, o grupo deixa a 4 de Julho para trás.

No andar superior, eles o encontram com as luzes apagadas. Os policiais estavam recuados e esgotados, mas defendiam ferozmente o acesso ao último andar. Nathan vê que eles combatiam um inimigo assombroso, vestindo armaduras negras e máscaras de demônios. Um homem grande de armadura avança pelos policiais, manuseando sua espada reluzente. O rapaz o reconhece, é o Xogum Tokugawa.

Portando seus lança-granadas, os ateístas os recarregam com bombas de gás e atiram. Os policiais sufocam e deixam suas coberturas, tornando-se alvos fáceis para os invasores. Repentinamente os samurais avançam bradando “banzai”.

Os ateístas se impressionam ao verem os policiais sendo impalados brutalmente. Sufocados pelo gás, alguns policiais caem no chão e pedem clemência, mas são transpassados pelas espadas. Um samurai avança e crava um policial na parede, pendurando-o. Outro tem sua cabeça decepada por Tokugawa. Dawkins sente como se estivesse vendo um filme de terror.

Aproximando-se com sua espada prateada, os ateístas se intimidam. Nathan, porém, permanece imóvel, aguardando a chegada de seu aliado. Com voz grossa, o xogum diz:

- Nathan-san! O inimigo está fraco e pronto para ser abatido! Devemos lançar o ataque final!

Assentindo, o rapaz diz:

- É claro, Tokugawa-san. Organize suas tropas.

- Mestre Nathan, preciso falar com você. – interrompe Apex.

Os facciosos se intrigam, olhando para o robô.

- O que foi, Apex?

- Acabo de receber informações de que os Trans-humanistas exterminaram a Resistência Purista. Os puristas não existem mais.

Ao ouvi-lo, os facciosos se espantam. Nathan, porém, se enche de indignação.

- Como isso é possível? As facções não deveriam lutar entre si. O que houve?

- Não temos certeza. Aparentemente eles caíram em uma armadilha. Seu amigo Maynard estava envolvido.

Tokugawa cerra os dentes. Após o mercenário ter invadido a sede de sua facção, ele o odiava.

- O que Maynard fez?

- Após o extermínio dos puristas, o mercenário viajou ao seu distrito e implodiu sua sede.

Nathan se espanta. A sede dos puristas era um hospital público.

Enquanto o rapaz pensa a respeito, os facciosos sussurram entre si. Com o ataque trans-humanista, estava encerrada a não-agressão.

Aproveitando-se de sua indecisão, Dawkins diz:

- Devemos continuar, Inimigo de Estado. O fim da Rebelião nos aguarda.

Percorrendo um ambiente devastado, não havia mais inimigos a combater. As aeronaves ainda voavam lá fora, combatendo os últimos focos de resistência. O vento sopra frio pelas janelas quebradas, mas o rapaz era incapaz de senti-lo. A Rebelião se aproximava do fim, mas as facções ainda tinham dezenas de planos.  

No último andar, o grupo se depara com a entrada da Cúpula Corporativa. Finalmente aquele momento havia chegado; o rapaz o esperava há muito tempo. Ao apertar o botão, as portas se abrem e revelam um salão escuro. Suas respostas estavam ali.

O rapaz se prepara para entrar quando Tokugawa diz:

- Nathan-san, a Bushido deve partir.

Intrigado, ele pergunta:

- Por quê?

- Vamos assegurar a praça e protege-la do inimigo.

O rapaz se confunde. Com a clara derrota inimiga, aquele motivo não era nada convincente.

- Nós partiremos também. – interrompe Dawkins – A tarefa da Frente Ateísta está concluída. Nosso apoio termina aqui.

Subitamente, Nathan se encontrava sozinho.

- Está bem. – responde ele – Foi bom combater ao seu lado. Obrigado.

Tokugawa se curva e Dawkins lhe encara, aceitando o agradecimento. Em seguida ambos se viram e vão embora.

Apenas Apex e os robôs estavam ao seu lado. Com sua servidão concedida por Deus Ex Machina, eles jamais o abandonariam.

“Como fez a Laura”, lembra-se ele, comiserando-se por dentro.

Controlando as lágrimas, ele adentra o santuário interno, a misteriosa Cúpula Corporativa.

 

 

 

 

 

 

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