O rapaz acorda com
um grito. Seu corpo estava todo suado e ele ofega constantemente. Passando a
mão em seu peito, ele tenta encontrar o buraco da bala, mas não havia nada. Ele
se confunde. Instantes atrás ele acabara de ser fuzilado por membros da SS, mas
ao checar seu peito, ele não encontra nenhum ferimento. Entretanto, a dor
explodia em seu tórax.
Enxugando o suor
de sua testa, Gunther se convence de que foi só um sonho. Olhando ao redor, ele
vê seu quarto escuro iluminado intermitentemente pelo holofote em sua janela.
Era noite em Berlim. Algo o incomoda em seu braço. Verificando-o, ele encontra
a braçadeira com o símbolo da suástica sobre seu cotovelo. Arrancando-a, ele a
atira para longe.
Gunther respira
fundo. Então outra coisa o incomoda. O apartamento estava com um cheiro forte
de cigarro. “Impossível!”, pensa ele. “Eu não fumo!”. Levantando-se, ele
caminha pelo quarto e enxerga a braçadeira nazista ao lado de outros objetos
dos quais ele jamais vira ali. O rapaz encontra um elmo prussiano e um escudo medieval.
“Relíquias do primeiro e segundo reich”, reconhece ele.
Ainda
investigando a origem da fumaça, ele se aproxima da janela e sobe a persiana.
Gunther tem uma grande surpresa. Sobre o peitoril, ele encontra um cigarro
aceso. Virando-se, ele se dirige até a porta do quarto e, irritado, pergunta:
- Tem alguém aí?!
Mas o apartamento
apenas lhe devolve o silêncio sinistro da madrugada. Sem coragem para
investiga-lo, ele simplesmente fecha a porta, preferindo ficar escondido lá
dentro.
Voltando à
janela, ele pega o cigarro e o examina em suas mãos. Estranhamente o cigarro
não se consumia, permanecendo em seu estado completo. Então Gunther sente o
súbito desejo de experimenta-lo. “Afinal”, pensa ele, “eu tenho quase trinta
anos e já sou responsável por minhas escolhas”.
O rapaz puxa a
fumaça, prende-a em seus pulmões e então a solta. Imediatamente ele tosse,
expelindo-a com dificuldade de sua garganta ardente. Gunther tenta de novo.
Mais uma vez ele tosse, sentindo já o sabor da fumaça em seus dentes e sua
língua. Irritado, ele diz:
- Quer saber?
Dane-se essa porcaria!
Abrindo a janela,
ele vê o Muro de Berlim abaixo. Colocando-o entre os dedos, ele o atira para
longe. Então algo estranho acontece.
Entre seu prédio
e o muro interno havia uma passagem escura que raramente recebia iluminação. O
governo comunista aplicava o pouco de energia que a Alemanha Oriental produzia
para iluminar apenas o muro, deixando os cidadãos comuns com um racionamento
forçado de energia. Enquanto a faixa da morte era fortemente iluminada, abaixo
a escuridão era completa e mesmo Gunther, residente daquele prédio, se sentia inseguro
ao passear ali à noite.
O cigarro voa
pelo ar e se dirige à passagem escura. Então, pouco antes de chegar ao chão, o
cigarro para no ar e permanece levitando na escuridão. O rapaz se intriga, pois
podia ver claramente a luz tênue de sua ponta parada no ar. Em seguida a luz se
intensifica como se alguém estivesse fumando-o e a fumaça é liberada pelo ar. Gunther
arregala os olhos.
Alguém fuma o
cigarro lá embaixo e, apesar do brilho ficar mais forte a cada tragada, não era
possível ver a figura humana fumando-o. Passados alguns minutos, o cigarro se
esgota e então é lançado ao chão. Observando atentamente de sua janela, o rapaz
está perplexo com a situação.
Passos são
ouvidos e a figura desconhecida caminha pela escura passagem. No final da
calçada há um poste de iluminação e, se a pessoa passar por ali, Gunther poderá
vê-lo e até identifica-lo possivelmente. Mas, para o assombro de Gunther, os
passos alcançam a parte iluminada e não havia ninguém. O rapaz se apavora.
Voltando para a
cama, Gunther se esconde embaixo de sua coberta e treme até conseguir dormir.
§
No dia seguinte,
Gunther passeia pela Marx-Engels-Platz. Ele soube que haveriam eventos no
Palast der Republik[1]
e decide visita-lo naquela tarde.
Passando pelo
estacionamento, ele vislumbra o magnífico palácio. Inaugurado em 1976, o rapaz
era ainda uma criança quando foi aberto ao público. Os comunistas, em seu apetite
voraz por desconstruir tudo o que remetia ao velho Estado burguês, renomearam a
antiga praça de Schloßplatz[2]
para Marx-Engels-Platz, em seguida demolindo o antigo palácio, sede da família
real prussiana, e construindo o atual Palast der Republik em seu lugar.
Projetado para
promover a interação entre o povo e a cultura, o grandioso palácio continha
restaurantes, pistas de boliche, discotecas, exposições, sorveterias, salas de
leitura, bibliotecas e seus dois maiores destaques, o Grande e o Pequeno Hall.
O Grande Hall foi
projetado para sediar os principais eventos culturais não apenas da cidade, mas
de toda a Alemanha Oriental. Em formato hexagonal, o palco podia ser elevado
para diferentes realizações, variando sua superfície de 170 a 1000 m2. Com
pavimentos giratórios, tetos falsos e paredes flexíveis, a acomodação do
público passava de 1000 a 4500 lugares. Ali eram recebidos artistas e
celebridades internacionais.
O Pequeno Hall sediava
a Volkskammer, o parlamento da RDA. O rapaz se fascinava com a ideia de que, em
um lugar tão próximo do público, fossem tomadas as mais importantes decisões governamentais
que influenciariam toda a população. Apesar da importância do local, o rapaz
nunca teve a oportunidade de conhece-lo.
Ainda parado em
frente ao palácio, Gunther olha para a fachada. Apesar de não ser comunista,
ele não pode deixar de sentir orgulho cívico ao ver o brasão da RDA na entrada.
“O socialismo
alemão”, pensa ele ao ver o brasão. “O martelo e o compasso, uma adaptação da
foice e o martelo soviéticos... Vocês conseguiram, senhores russos. Finalmente
conseguiram transformar uma nação industrializada e desenvolvida em uma nação
socialista. Lênin, herdeiro da subdesenvolvida e camponesa Rússia, sentiria
orgulho”.
- É um belo
edifício, não?
Alguém interrompe
sua reflexão. Ao olhar para o lado, ele vê um rapaz jovem sorrindo. Ele tinha a
pele bronzeada, câmera fotográfica em seu pescoço e roupas tropicais e pouco
comuns na RDA. Gunther responde:
- É sim.
- Se eu soubesse
que era assim tão lindo, eu o teria conhecido antes. Valeu a pena esperar.
Gunther nota que
o jovem falava com dificuldade a língua alemã.
- É verdade.
- Me chamo Luiz
Carlos. Muito prazer.
O jovem lhe
estende a mão e Gunther o cumprimenta. Ele estava fazendo muitos amigos
ultimamente.
- Eu sou Gunther.
- Bem, eu preciso
ir agora. Auf wiedersehen, herr Gunther!
Apressando-se, o
jovem vai embora. Olhando para ele por um minuto, o rapaz finalmente sussurra: “Que
nome estranho...!”, mas não lhe dá muita importância.
Ao chegar à
entrada, o rapaz contempla o belíssimo interior. No teto haviam centenas de
lâmpadas, dispostas circularmente como uma obra de arte. Ele nota o piso de
mármore branco e as escadas rolantes para os pisos superiores. Muitos
berlinenses passeavam ali, com amigos ou com a família. Gunther fica feliz em
saber que, apesar da severa diferença de qualidade de vida com o ocidente, o
alemão oriental também poderia ter acesso à cultura e ao entretenimento.
Crianças corriam
pelo salão. Namorados conversavam enquanto tomavam sorvete e os pais observavam
seus filhos brincarem ao longe. Passando pelos restaurantes, o rapaz vê os
fregueses comendo deliciosas refeições. As pistas de boliche divertiam os
amigos e familiares, competindo amistosamente enquanto aproveitavam suas
folgas. Ouvindo batidas ao longe, Gunther avista os jovens dançando e se
divertindo nas animadas discotecas.
Um cartaz lhe
chama a atenção. Nele está escrito que no pequeno hall está havendo uma palestra sobre a Internacional Comunista. A palestra era não oficial e
destinada ao conhecimento cultural do movimento operário do século 20. Abaixo
ele lê o nome dos grupos participantes, na maioria pequenos e de pouca
importância.
Caminhando pelo
palácio, ele chega à sede do parlamento. Lá ele contempla um belo salão com a
bancada da presidência, duas alas com numerosos assentos e um vasto mezanino.
Na parede adiante ele vê novamente o brasão da RDA, o compasso e o martelo
imponentemente sobre o ambiente. Gunther se surpreende com a beleza da Volkskammer.
Os assentos eram
ocupados por estudantes e ativistas enquanto que a bancada era ocupada pelos
líderes dos movimentos sociais. Gunther vê várias faixas penduradas nas mesas,
nelas estavam escritos os nomes dos grupos e frases famosas dos principais
comunistas. Em uma faixa maior ele lê: “A Internacional Comunista”.
Sentando-se, ele
ouve um professor discursar. A Internacional Comunista era comumente chamada de
Kommintern pelos principais organizadores e ideólogos, mas ao contrário do que
muitos pensavam, ela não se tratava da primeira, mas da Terceira Internacional
Comunista.
Houveram duas
anteriores. A primeira foi fundada no ano de 1864 em Londres pelo próprio Karl
Marx, junto de seu amigo e colaborador Friedrich Engels. Naquele tempo se
chamava Associação Internacional dos Trabalhadores e durou até 1876.
A Segunda
Internacional surgiu em 1899, desta vez em Paris, promovida por Friedrich
Engels seis anos após a morte de Karl Marx. A segunda durou até 1916, já
durante a Primeira Guerra Mundial. Porém, com as divergências entre os
socialistas reformistas, apoiadores de seus respectivos governos e da guerra, e
os revolucionários, apoiadores da união internacional operária e contrária a
guerra, a Segunda Internacional falhou ao desencadear uma onda de revoluções.
A última e mais
famosa Internacional foi criada em 1919, na cidade de Petrogrado, pelo próprio
pai da revolução russa, Vladimir Lênin. A Terceira Internacional duraria longos
24 anos, com sete reuniões ao longo de sua existência até ser dissolvida por Josef Stalin.
Gunther se
surpreende com o número de congressos realizados durante sua existência. Ele
ouve que, a princípio, a Terceira Internacional procurava combater os elementos
contrarrevolucionários dentro da própria Rússia, encerrar a guerra civil e
consolidar o poder dos Sovietes.
Mais tarde,
durante o sexto congresso, a Terceira Internacional estabelece o conceito de
“classe contra classe”, onde os membros propunham uma oposição irreconciliável
com os social-democratas, uma facção mais branda e reformista do socialismo. O
rapaz ouve que o sexto congresso tinha como objetivo fomentar a revolução nos
países desenvolvidos, principalmente na Alemanha, espalhando-a pelo resto do
ocidente.
- Ah, a
Alemanha... – sussurra ele – Sempre no palco dos maiores eventos mundiais...
Enquanto o professor
fala, Gunther vê que em uma das faixas está escrito “Liga das Mulheres
Democráticas da Alemanha”. Imediatamente ele se anima, pois sua amada Anneliese
poderia estar presente também.
“Mas onde?”,
pensa ele, esticando seu pescoço para olhar a todos.
O professor diz
que os contrarrevolucionários, também conhecidos como reacionários, são cães
traidores a serviço da burguesia fascista. Ele os acusa ferozmente de serem
exploradores da classe operária, julgando aceitável submete-los a campos de
trabalhos forçados, prisões e fuzilamentos. “Sem misericórdia!”, vocifera ele,
enfim.
“Isso já ocorreu
antes” pensa Gunther. “Milhões foram deportados para trabalharem até a morte
nos infames Gulags”. A abreviação de Administração Central dos Campos em russo,
os gulags foram o túmulo dos inimigos do Estado soviético, culpados ou não por
traição. Apesar do passado negro da Alemanha Nazista, seus campos de
concentração e o Holocausto foram inspirados na deportação e extermínio
em massa dos elementos indesejáveis praticados na Rússia. Ver ainda hoje um
professor defender a deportação e o fuzilamento de seres humanos prova que o
comunismo está muito longe de se afastar das práticas nazistas.
“De fato, os
nazistas foram à União Soviética para aprenderem com os comunistas como
construírem seus próprios campos”, reflete ele. Ao ver seu país inserido entre
duas ideologias genocidas, ele se lamenta.
O professor volta
a citar a história da Terceira Internacional. Ele informa que os comunistas
foram os principais opositores da ascensão nazista na década de 30. Gunther se
surpreende ao saber que, apesar das irreconciliáveis ideologias, o principal
inimigo dos comunistas alemães não foram os nazistas e sim os
social-democratas, dos quais governavam a Alemanha desde sua derrota na
Primeira Guerra Mundial.
“Ora, essa!”, pensa ele. “Então a luta dos comunistas não era apenas contra os racistas
arruaceiros de Hitler, mas contra todo o Estado Alemão”. Enquanto pensa a
respeito, ele percebe que ambos os comunistas e nazistas eram subversivos, mas
os primeiros demoraram um pouco mais para chegar ao poder. “Tiveram que esperar
a devastação da Segunda Guerra”, lamenta-se ele.
O professor pede
uma pausa e todos se levantam um pouco. Enquanto alguns descansam e vão ao
banheiro, Gunther percorre discretamente o salão. As pessoas conversam, riem e
caminham de um lado ao outro, ocupadas com seus assuntos. O rapaz está de
costas quando uma voz inconfundível é ouvida atrás dele.
Gunther se vira
impulsivamente, mas não tão rapidamente para não perder seu disfarce. Esquivando-se
dos estudantes, ele se depara com a garota à sua frente. Ele exulta em alegria
e seu coração dispara.
Anneliese se
vestia com seu usual vestido até os joelhos e um singelo casaco. Ele repara em
seus lindos cabelos castanhos. Olhando-a da cabeça aos pés, ele nota seu
irresistível jeito feminino. Com as duas mãos, a garota segurava sua bolsa à frente de seu corpo como se transmitisse charme e classe aos interlocutores.
Aproximando-se,
ele tenta controlar o estupor de emoções em sua mente. Timidez, nervosismo,
medo, carência... tudo ao mesmo tempo. Ele sua constantemente, seu coração
parece que vai sair pela boca. “Meu Deus...”, pensa ele. “Quando que essa
sensação vai parar?”.
Abrindo sua boca,
ele diz:
- Anneliese...?
A garota se vira
e, arregalando os olhos, responde:
- Gunther?!
- Tudo bem?
Anneliese está
perplexa, claramente desconfortável com a presença do rapaz.
- O que você
quer?
A pergunta da
garota foi curta e direta. Ela parecia estar acusando-o de segui-la.
- Eu... – ele
olha ao redor, procurando algo para falar – vim assistir à palestra sobre a
Internacional Comunista.
Ao ouvi-lo, um
jovem estudante entra na conversa.
- Mas que bom,
meu irmão! Então você é um simpatizante de nossa causa revolucionária! Muito
prazer em recebe-lo!
Em seguida o
estudante começa a falar sem parar sobre a importância da revolução comunista.
Enquanto ele fala, Gunther e Anneliese se entreolham em silêncio. A garota
estava totalmente irritada com sua presença ali.
- Não se enganem,
camaradas! O fascismo não está derrotado, na verdade ele se esconde na
burguesia que sustenta o podre sistema capitalista no ocidente. Devemos
enfrentar o fascismo. Mais ainda, devemos nos tornar Antifascistas! Junte-se a
nós, camarada! Faça como a camarada Anneliese!
O estudante sorri
empolgadamente. Gunther se intriga.
- Anneliese faz
parte de um grupo antifascista? – interessa-se ele.
- Sim, faz! Na
verdade, ela acabou de se voluntariar para espalharmos a mensagem anti-burguesa
por toda a RDA com a gente. Não é verdade, camarada?
A garota arregala
os olhos, parecendo repreender o inocente estudante com o olhar.
- Ora, eu
adoraria! – responde Gunther – Na verdade, eu sempre odiei os fascistas nazi
burgueses das democracias neoliberais do ocidente... – improvisa ele, quase em zombaria.
- Isso é ótimo! –
alegra-se o jovem – Deixe-me anotar o seu nome em minha prancheta. Quando meu
professor terminar seu discurso, organizaremos mais palestras e partiremos
para doutrinar o país. E lembre-se: os antifascistas do passado lutaram com
armas e bombas pela revolução. Hoje lutamos com ideias e inteligência... Por
enquanto. Nunca confiem em um ocidental burguês. Até mais, camaradas!
O rapaz informa
seu nome. Então o estudante agradece, se vira e vai embora. Gunther sorri,
olhando alegremente para Anneliese em seguida. Ela estava vermelha de ódio.
- Parece que
somos companheiros na luta pelo antifascismo, Anneliese. Ou melhor, camaradas.
Anneliese meneia
negativamente a cabeça.
- Como você é
patético.
Sem se importar,
ele responde:
- Por que você é
tão má assim? Eu só estou lutando pelo meu país.
A garota lhe faz
um olhar de indignação e o rapaz sente vontade de beijar o pescoço dela.
- Você vem aqui
por pura vadiagem, debocha de nossa causa política e afirma defender o nosso
país?! Eu deveria denuncia-lo por assédio!
Gunther
cinicamente discorda com a cabeça. Apesar dela só ter falado verdades, ele
estava adorando conversar com ela.
- Vadiagem? E os
ativistas políticos são “tão” trabalhadores... – ironiza ele – Me responda uma
coisa: quantas toneladas de grãos, minérios de carvão ou peças de metalurgia
vocês produziram esse mês para a Alemanha?
Anneliese se
avilta. Ela nunca trabalhou em uma fábrica em toda sua vida. Indignada, ela é enfática ao responder:
- Pois fique você
sabendo que nosso trabalho é burocrático e político! Nós e apenas nós
representamos os interesses dos trabalhadores alemães!
- Sim,
trabalhadores que não trabalham, burocratas que não produzem...
Perdendo a
classe, a garota se enfurece ao responde-lo:
- Você é um
sabotador e um fascista!
Imediatamente ele
retruca:
- E você é o amor
da minha vida! Te amo!
Aproximando-se,
ele segura seu quadril e seu pescoço e a beija.
Nesse momento, o
rapaz ouve o som de centenas de telefones tocando ao mesmo tempo. Estranhamente, com o toque ensurdecedor dos aparelhos, a luz parecia se apagar. Obstinado, ele
só queria beija-la o máximo de tempo que conseguisse. Mas o tempo não parou e
tampouco avançou normalmente.
Novamente, o
tempo voltava para trás.

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