terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Tiergarten - 17 - Palast der Republik

 


O rapaz acorda com um grito. Seu corpo estava todo suado e ele ofega constantemente. Passando a mão em seu peito, ele tenta encontrar o buraco da bala, mas não havia nada. Ele se confunde. Instantes atrás ele acabara de ser fuzilado por membros da SS, mas ao checar seu peito, ele não encontra nenhum ferimento. Entretanto, a dor explodia em seu tórax.

Enxugando o suor de sua testa, Gunther se convence de que foi só um sonho. Olhando ao redor, ele vê seu quarto escuro iluminado intermitentemente pelo holofote em sua janela. Era noite em Berlim. Algo o incomoda em seu braço. Verificando-o, ele encontra a braçadeira com o símbolo da suástica sobre seu cotovelo. Arrancando-a, ele a atira para longe.

Gunther respira fundo. Então outra coisa o incomoda. O apartamento estava com um cheiro forte de cigarro. “Impossível!”, pensa ele. “Eu não fumo!”. Levantando-se, ele caminha pelo quarto e enxerga a braçadeira nazista ao lado de outros objetos dos quais ele jamais vira ali. O rapaz encontra um elmo prussiano e um escudo medieval. “Relíquias do primeiro e segundo reich”, reconhece ele.

Ainda investigando a origem da fumaça, ele se aproxima da janela e sobe a persiana. Gunther tem uma grande surpresa. Sobre o peitoril, ele encontra um cigarro aceso. Virando-se, ele se dirige até a porta do quarto e, irritado, pergunta:

- Tem alguém aí?!

Mas o apartamento apenas lhe devolve o silêncio sinistro da madrugada. Sem coragem para investiga-lo, ele simplesmente fecha a porta, preferindo ficar escondido lá dentro.

Voltando à janela, ele pega o cigarro e o examina em suas mãos. Estranhamente o cigarro não se consumia, permanecendo em seu estado completo. Então Gunther sente o súbito desejo de experimenta-lo. “Afinal”, pensa ele, “eu tenho quase trinta anos e já sou responsável por minhas escolhas”.

O rapaz puxa a fumaça, prende-a em seus pulmões e então a solta. Imediatamente ele tosse, expelindo-a com dificuldade de sua garganta ardente. Gunther tenta de novo. Mais uma vez ele tosse, sentindo já o sabor da fumaça em seus dentes e sua língua. Irritado, ele diz:

- Quer saber? Dane-se essa porcaria!

Abrindo a janela, ele vê o Muro de Berlim abaixo. Colocando-o entre os dedos, ele o atira para longe. Então algo estranho acontece.

Entre seu prédio e o muro interno havia uma passagem escura que raramente recebia iluminação. O governo comunista aplicava o pouco de energia que a Alemanha Oriental produzia para iluminar apenas o muro, deixando os cidadãos comuns com um racionamento forçado de energia. Enquanto a faixa da morte era fortemente iluminada, abaixo a escuridão era completa e mesmo Gunther, residente daquele prédio, se sentia inseguro ao passear ali à noite.

O cigarro voa pelo ar e se dirige à passagem escura. Então, pouco antes de chegar ao chão, o cigarro para no ar e permanece levitando na escuridão. O rapaz se intriga, pois podia ver claramente a luz tênue de sua ponta parada no ar. Em seguida a luz se intensifica como se alguém estivesse fumando-o e a fumaça é liberada pelo ar. Gunther arregala os olhos.

Alguém fuma o cigarro lá embaixo e, apesar do brilho ficar mais forte a cada tragada, não era possível ver a figura humana fumando-o. Passados alguns minutos, o cigarro se esgota e então é lançado ao chão. Observando atentamente de sua janela, o rapaz está perplexo com a situação.

Passos são ouvidos e a figura desconhecida caminha pela escura passagem. No final da calçada há um poste de iluminação e, se a pessoa passar por ali, Gunther poderá vê-lo e até identifica-lo possivelmente. Mas, para o assombro de Gunther, os passos alcançam a parte iluminada e não havia ninguém. O rapaz se apavora.

Voltando para a cama, Gunther se esconde embaixo de sua coberta e treme até conseguir dormir.

 

§

 

No dia seguinte, Gunther passeia pela Marx-Engels-Platz. Ele soube que haveriam eventos no Palast der Republik[1] e decide visita-lo naquela tarde.

Passando pelo estacionamento, ele vislumbra o magnífico palácio. Inaugurado em 1976, o rapaz era ainda uma criança quando foi aberto ao público. Os comunistas, em seu apetite voraz por desconstruir tudo o que remetia ao velho Estado burguês, renomearam a antiga praça de Schloßplatz[2] para Marx-Engels-Platz, em seguida demolindo o antigo palácio, sede da família real prussiana, e construindo o atual Palast der Republik em seu lugar.

Projetado para promover a interação entre o povo e a cultura, o grandioso palácio continha restaurantes, pistas de boliche, discotecas, exposições, sorveterias, salas de leitura, bibliotecas e seus dois maiores destaques, o Grande e o Pequeno Hall.

O Grande Hall foi projetado para sediar os principais eventos culturais não apenas da cidade, mas de toda a Alemanha Oriental. Em formato hexagonal, o palco podia ser elevado para diferentes realizações, variando sua superfície de 170 a 1000 m2. Com pavimentos giratórios, tetos falsos e paredes flexíveis, a acomodação do público passava de 1000 a 4500 lugares. Ali eram recebidos artistas e celebridades internacionais.

O Pequeno Hall sediava a Volkskammer, o parlamento da RDA. O rapaz se fascinava com a ideia de que, em um lugar tão próximo do público, fossem tomadas as mais importantes decisões governamentais que influenciariam toda a população. Apesar da importância do local, o rapaz nunca teve a oportunidade de conhece-lo.

Ainda parado em frente ao palácio, Gunther olha para a fachada. Apesar de não ser comunista, ele não pode deixar de sentir orgulho cívico ao ver o brasão da RDA na entrada.

“O socialismo alemão”, pensa ele ao ver o brasão. “O martelo e o compasso, uma adaptação da foice e o martelo soviéticos... Vocês conseguiram, senhores russos. Finalmente conseguiram transformar uma nação industrializada e desenvolvida em uma nação socialista. Lênin, herdeiro da subdesenvolvida e camponesa Rússia, sentiria orgulho”.

- É um belo edifício, não?

Alguém interrompe sua reflexão. Ao olhar para o lado, ele vê um rapaz jovem sorrindo. Ele tinha a pele bronzeada, câmera fotográfica em seu pescoço e roupas tropicais e pouco comuns na RDA. Gunther responde:

- É sim.

- Se eu soubesse que era assim tão lindo, eu o teria conhecido antes. Valeu a pena esperar.

Gunther nota que o jovem falava com dificuldade a língua alemã.

- É verdade.

- Me chamo Luiz Carlos. Muito prazer.

O jovem lhe estende a mão e Gunther o cumprimenta. Ele estava fazendo muitos amigos ultimamente.

- Eu sou Gunther.

- Bem, eu preciso ir agora. Auf wiedersehen, herr Gunther!

Apressando-se, o jovem vai embora. Olhando para ele por um minuto, o rapaz finalmente sussurra: “Que nome estranho...!”, mas não lhe dá muita importância.

Ao chegar à entrada, o rapaz contempla o belíssimo interior. No teto haviam centenas de lâmpadas, dispostas circularmente como uma obra de arte. Ele nota o piso de mármore branco e as escadas rolantes para os pisos superiores. Muitos berlinenses passeavam ali, com amigos ou com a família. Gunther fica feliz em saber que, apesar da severa diferença de qualidade de vida com o ocidente, o alemão oriental também poderia ter acesso à cultura e ao entretenimento.

Crianças corriam pelo salão. Namorados conversavam enquanto tomavam sorvete e os pais observavam seus filhos brincarem ao longe. Passando pelos restaurantes, o rapaz vê os fregueses comendo deliciosas refeições. As pistas de boliche divertiam os amigos e familiares, competindo amistosamente enquanto aproveitavam suas folgas. Ouvindo batidas ao longe, Gunther avista os jovens dançando e se divertindo nas animadas discotecas.  

Um cartaz lhe chama a atenção. Nele está escrito que no pequeno hall está havendo uma palestra sobre a Internacional Comunista. A palestra era não oficial e destinada ao conhecimento cultural do movimento operário do século 20. Abaixo ele lê o nome dos grupos participantes, na maioria pequenos e de pouca importância.

Caminhando pelo palácio, ele chega à sede do parlamento. Lá ele contempla um belo salão com a bancada da presidência, duas alas com numerosos assentos e um vasto mezanino. Na parede adiante ele vê novamente o brasão da RDA, o compasso e o martelo imponentemente sobre o ambiente. Gunther se surpreende com a beleza da Volkskammer.

Os assentos eram ocupados por estudantes e ativistas enquanto que a bancada era ocupada pelos líderes dos movimentos sociais. Gunther vê várias faixas penduradas nas mesas, nelas estavam escritos os nomes dos grupos e frases famosas dos principais comunistas. Em uma faixa maior ele lê: “A Internacional Comunista”.

Sentando-se, ele ouve um professor discursar. A Internacional Comunista era comumente chamada de Kommintern pelos principais organizadores e ideólogos, mas ao contrário do que muitos pensavam, ela não se tratava da primeira, mas da Terceira Internacional Comunista.

Houveram duas anteriores. A primeira foi fundada no ano de 1864 em Londres pelo próprio Karl Marx, junto de seu amigo e colaborador Friedrich Engels. Naquele tempo se chamava Associação Internacional dos Trabalhadores e durou até 1876.   

A Segunda Internacional surgiu em 1899, desta vez em Paris, promovida por Friedrich Engels seis anos após a morte de Karl Marx. A segunda durou até 1916, já durante a Primeira Guerra Mundial. Porém, com as divergências entre os socialistas reformistas, apoiadores de seus respectivos governos e da guerra, e os revolucionários, apoiadores da união internacional operária e contrária a guerra, a Segunda Internacional falhou ao desencadear uma onda de revoluções.

A última e mais famosa Internacional foi criada em 1919, na cidade de Petrogrado, pelo próprio pai da revolução russa, Vladimir Lênin. A Terceira Internacional duraria longos 24 anos, com sete reuniões ao longo de sua existência até ser dissolvida por Josef Stalin.

Gunther se surpreende com o número de congressos realizados durante sua existência. Ele ouve que, a princípio, a Terceira Internacional procurava combater os elementos contrarrevolucionários dentro da própria Rússia, encerrar a guerra civil e consolidar o poder dos Sovietes. 

Mais tarde, durante o sexto congresso, a Terceira Internacional estabelece o conceito de “classe contra classe”, onde os membros propunham uma oposição irreconciliável com os social-democratas, uma facção mais branda e reformista do socialismo. O rapaz ouve que o sexto congresso tinha como objetivo fomentar a revolução nos países desenvolvidos, principalmente na Alemanha, espalhando-a pelo resto do ocidente.

- Ah, a Alemanha... – sussurra ele – Sempre no palco dos maiores eventos mundiais...

Enquanto o professor fala, Gunther vê que em uma das faixas está escrito “Liga das Mulheres Democráticas da Alemanha”. Imediatamente ele se anima, pois sua amada Anneliese poderia estar presente também.

“Mas onde?”, pensa ele, esticando seu pescoço para olhar a todos.

O professor diz que os contrarrevolucionários, também conhecidos como reacionários, são cães traidores a serviço da burguesia fascista. Ele os acusa ferozmente de serem exploradores da classe operária, julgando aceitável submete-los a campos de trabalhos forçados, prisões e fuzilamentos. “Sem misericórdia!”, vocifera ele, enfim.

“Isso já ocorreu antes” pensa Gunther. “Milhões foram deportados para trabalharem até a morte nos infames Gulags”. A abreviação de Administração Central dos Campos em russo, os gulags foram o túmulo dos inimigos do Estado soviético, culpados ou não por traição. Apesar do passado negro da Alemanha Nazista, seus campos de concentração e o Holocausto foram inspirados na deportação e extermínio em massa dos elementos indesejáveis praticados na Rússia. Ver ainda hoje um professor defender a deportação e o fuzilamento de seres humanos prova que o comunismo está muito longe de se afastar das práticas nazistas.

“De fato, os nazistas foram à União Soviética para aprenderem com os comunistas como construírem seus próprios campos”, reflete ele. Ao ver seu país inserido entre duas ideologias genocidas, ele se lamenta.

O professor volta a citar a história da Terceira Internacional. Ele informa que os comunistas foram os principais opositores da ascensão nazista na década de 30. Gunther se surpreende ao saber que, apesar das irreconciliáveis ideologias, o principal inimigo dos comunistas alemães não foram os nazistas e sim os social-democratas, dos quais governavam a Alemanha desde sua derrota na Primeira Guerra Mundial.

“Ora, essa!”, pensa ele. “Então a luta dos comunistas não era apenas contra os racistas arruaceiros de Hitler, mas contra todo o Estado Alemão”. Enquanto pensa a respeito, ele percebe que ambos os comunistas e nazistas eram subversivos, mas os primeiros demoraram um pouco mais para chegar ao poder. “Tiveram que esperar a devastação da Segunda Guerra”, lamenta-se ele.

O professor pede uma pausa e todos se levantam um pouco. Enquanto alguns descansam e vão ao banheiro, Gunther percorre discretamente o salão. As pessoas conversam, riem e caminham de um lado ao outro, ocupadas com seus assuntos. O rapaz está de costas quando uma voz inconfundível é ouvida atrás dele.

Gunther se vira impulsivamente, mas não tão rapidamente para não perder seu disfarce. Esquivando-se dos estudantes, ele se depara com a garota à sua frente. Ele exulta em alegria e seu coração dispara.

Anneliese se vestia com seu usual vestido até os joelhos e um singelo casaco. Ele repara em seus lindos cabelos castanhos. Olhando-a da cabeça aos pés, ele nota seu irresistível jeito feminino. Com as duas mãos, a garota segurava sua bolsa à frente de seu corpo como se transmitisse charme e classe aos interlocutores.

Aproximando-se, ele tenta controlar o estupor de emoções em sua mente. Timidez, nervosismo, medo, carência... tudo ao mesmo tempo. Ele sua constantemente, seu coração parece que vai sair pela boca. “Meu Deus...”, pensa ele. “Quando que essa sensação vai parar?”.

Abrindo sua boca, ele diz:

- Anneliese...?

A garota se vira e, arregalando os olhos, responde:

- Gunther?!

- Tudo bem?

Anneliese está perplexa, claramente desconfortável com a presença do rapaz.

- O que você quer?

A pergunta da garota foi curta e direta. Ela parecia estar acusando-o de segui-la.

- Eu... – ele olha ao redor, procurando algo para falar – vim assistir à palestra sobre a Internacional Comunista.

Ao ouvi-lo, um jovem estudante entra na conversa. 

- Mas que bom, meu irmão! Então você é um simpatizante de nossa causa revolucionária! Muito prazer em recebe-lo!

Em seguida o estudante começa a falar sem parar sobre a importância da revolução comunista. Enquanto ele fala, Gunther e Anneliese se entreolham em silêncio. A garota estava totalmente irritada com sua presença ali.

- Não se enganem, camaradas! O fascismo não está derrotado, na verdade ele se esconde na burguesia que sustenta o podre sistema capitalista no ocidente. Devemos enfrentar o fascismo. Mais ainda, devemos nos tornar Antifascistas! Junte-se a nós, camarada! Faça como a camarada Anneliese!

O estudante sorri empolgadamente. Gunther se intriga.

- Anneliese faz parte de um grupo antifascista? – interessa-se ele.

- Sim, faz! Na verdade, ela acabou de se voluntariar para espalharmos a mensagem anti-burguesa por toda a RDA com a gente. Não é verdade, camarada?

A garota arregala os olhos, parecendo repreender o inocente estudante com o olhar.

- Ora, eu adoraria! – responde Gunther – Na verdade, eu sempre odiei os fascistas nazi burgueses das democracias neoliberais do ocidente... – improvisa ele, quase em zombaria.

- Isso é ótimo! – alegra-se o jovem – Deixe-me anotar o seu nome em minha prancheta. Quando meu professor terminar seu discurso, organizaremos mais palestras e partiremos para doutrinar o país. E lembre-se: os antifascistas do passado lutaram com armas e bombas pela revolução. Hoje lutamos com ideias e inteligência... Por enquanto. Nunca confiem em um ocidental burguês. Até mais, camaradas!

O rapaz informa seu nome. Então o estudante agradece, se vira e vai embora. Gunther sorri, olhando alegremente para Anneliese em seguida. Ela estava vermelha de ódio.

- Parece que somos companheiros na luta pelo antifascismo, Anneliese. Ou melhor, camaradas.

Anneliese meneia negativamente a cabeça.

- Como você é patético.

Sem se importar, ele responde:

- Por que você é tão má assim? Eu só estou lutando pelo meu país.

A garota lhe faz um olhar de indignação e o rapaz sente vontade de beijar o pescoço dela.

- Você vem aqui por pura vadiagem, debocha de nossa causa política e afirma defender o nosso país?! Eu deveria denuncia-lo por assédio!

Gunther cinicamente discorda com a cabeça. Apesar dela só ter falado verdades, ele estava adorando conversar com ela.

- Vadiagem? E os ativistas políticos são “tão” trabalhadores... – ironiza ele – Me responda uma coisa: quantas toneladas de grãos, minérios de carvão ou peças de metalurgia vocês produziram esse mês para a Alemanha?

Anneliese se avilta. Ela nunca trabalhou em uma fábrica em toda sua vida. Indignada, ela é enfática ao responder:

- Pois fique você sabendo que nosso trabalho é burocrático e político! Nós e apenas nós representamos os interesses dos trabalhadores alemães!

- Sim, trabalhadores que não trabalham, burocratas que não produzem...

Perdendo a classe, a garota se enfurece ao responde-lo:

- Você é um sabotador e um fascista!

Imediatamente ele retruca:

- E você é o amor da minha vida! Te amo!

Aproximando-se, ele segura seu quadril e seu pescoço e a beija.

Nesse momento, o rapaz ouve o som de centenas de telefones tocando ao mesmo tempo. Estranhamente, com o toque ensurdecedor dos aparelhos, a luz parecia se apagar. Obstinado, ele só queria beija-la o máximo de tempo que conseguisse. Mas o tempo não parou e tampouco avançou normalmente.

Novamente, o tempo voltava para trás.

 



[1] Palácio da República em alemão

[2] Praça do Palácio

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