domingo, 4 de abril de 2021

Tiergarten - 25 - A Igreja da Reconciliação

 


Gunther olha para o céu de Berlim. Novamente no presente, ele sente a brisa da manhã soprar por sua jaqueta. As nuvens se desenrolavam suavemente e o vento assoprava a copa das árvores. Então ele se pergunta:

“Como pode tudo ser tão perfeito? Como pode tudo ser mera coincidência?”.

Caminhando ao lado do Muro de Berlim, ele vaga perdido em pensamentos. As folhas assopram por suas pernas e ele pensa estar o outono chegando. Os berlinenses passam por ele e não percebem que o rapaz ora aparece, ora desaparece subitamente.

Gunther se aproxima de um belo edifício. Apesar de se localizar entre o muro interno e o externo, o rapaz reconhece a bela Igreja da Reconciliação. Ele então aprecia a igreja de tijolos vermelhos e arquitetura neogótica. Sua torre de 75 metros se destacava sobre aquele hediondo muro.

O rapaz nota que a igreja se localizava exatamente na faixa da morte. Admirado, ele pensa: “Irônico como um local sagrado dedicado ao Criador da vida encontra-se exatamente na faixa que te dará a morte”.

Parando novamente, ele se pergunta:

“Por que Ele se chama criador da vida?". Então ele responde para si mesmo: "Por que Ele mesmo o disse?”.

No alto da torre, ele vê a cruz. Gunther era inimigo da cruz, pois agora combatia o veneno nocivo do cristianismo. Um Super Homem de Nietzsche, que via no cristianismo a imperdoável inversão de valores; e um marxista, pois aprendeu com Marx que a religião alienava o Homem de si mesmo e aplacava seu ímpeto revolucionário, pois era o ópio do povo.

“Eu sou a Verdade, o Caminho e a Vida”, disse Cristo em João 14:6. “Pois para mim, mais se parece a mentira, o erro e a morte dos ignorantes, fieis dessa cruz, impedidos de mudar o mundo por culpa da doutrina enganadora”.

Sem que pudesse perceber, uma abertura surge na lateral do impenetrável muro. Arregalando os olhos, Gunther se espanta. “Como isso é possível?!”.

Sem nenhuma vigilância, a abertura simplesmente estava lá. Espiando cautelosamente, o rapaz vê a parte de trás da igreja. Inacreditavelmente não haviam guardas. Não conseguindo conter sua curiosidade, Gunther atravessa a passagem e dá a volta pela lateral do edifício. Mais a frente, ele ouve o ruído do piso sendo varrido. Dirigindo-se à fachada principal, ele se depara com um padre católico de cabelos brancos varrendo a entrada.

- Bom dia, meu jovem.

O rapaz se intriga.

- Bom dia... – olhando para a igreja, o rapaz comenta – Não esperava ver um sacerdote católico em uma igreja protestante.

O homem sorri.

- Ora, o local chama-se Igreja da Reconciliação, não?

Sorrindo, Gunther assente.

- Aliás – continua o padre – Eu não sei como vim para aqui.

- Como assim?

- Eu deveria estar na Diocese de Velletri-Segni.

O rapaz se confunde.

- Eu nem sei onde fica isso...

- Fica na Itália.

Gunther se surpreende. Ele nunca esteve na Itália antes e, se depender do seu país, nunca estará.

- Incrível...

- Muito prazer, eu me chamo Joseph Aloisius Ratzinger.

O rapaz já ouviu aquele nome antes, mas não consegue se lembrar de onde.

- Eu sou Gunther.

O padre o convida para entrar e o rapaz rapidamente aceita. Há pelo menos duas décadas ele não pisa em uma igreja.

Em seu interior, Gunther vê um belo salão de arcos góticos, vitrais e um belo altar adiante. Apesar de se encantar com a beleza do local, o rapaz não deixa de sentir desprezo por tudo o que aquilo representa.    

Ratzinger nota que o rapaz olha fixamente para a estátua de Cristo crucificado sobre o altar. Ele então pergunta:

- Por que está atribulado, meu jovem?

Enrijecendo-se, ele responde:

- Aprendi que não devo mais suprimir minha Vontade de Potência com as doutrinas incapacitantes da religião, e muito menos me entorpecer com suas mensagens de perdão e amor ao próximo. E ao olhar para esse homem, eu vejo tudo o que devo combater.

O padre se espanta com sua resposta.

- E onde você aprendeu isso?

- Com os maiores filósofos de todos os tempos.

Assentindo, Ratzinger pergunta:

- Então você aprendeu com filosofia e ideologia?

- Sim.

- Veja – começa ele – quando eu ingressei no seminário, conheci um intelectual chamado Romano Guardini, que me influenciou em minha vida acadêmica. Mais tarde, me tornei professor na Universidade de Bonn e minha primeira aula foi sobre “O Deus da Fé e o Deus da Filosofia”. Apesar de às vezes conflitantes, teologia e filosofia podem ser irmãs. Na busca pela verdade, é mais provável um filósofo se tornar um teólogo do que o contrário. E a ideologia, ao citar a célebre frase de Marx, tende a nos afastar de Deus e nos aproximar da intolerância, do ódio e da violência. Por esse mesmo motivo eu me afastei do movimento estudantil marxista em Tübingen, pois eles não queriam a justiça social e sim a eliminação sistemática dos conservadores e da religião.

Ouvindo-o, o rapaz argumenta:

- Mas a religião inverte os valores dos fortes, tornando os humildes em nobres e os talentosos em arrogantes, graças ao seu mestre que diz ter vindo aos fracos e pobres de espírito. A religião é o alívio dos oprimidos, refreando, senão castrando, seu potencial para a revolução. É uma doutrina falsa e insidiosa, que toma a força dos poderosos e as concentra para si, monopolizando-a. Assim eles validam todo o tipo de atrocidade, sob o pretexto da conversão e da salvação.

Com olhar sério, o padre pergunta:

- A religião toma a força dos poderosos e a concentra para si, monopolizando-a? Por acaso não é o mesmo que fizeram os nazistas e os comunistas? E, apesar das discrepâncias, não eram ambos socialistas?

Gunther reflete. De fato, nacional-socialismo e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas tinham algo em comum: o socialismo.

- Sim, mas o que esses dois fizeram pode-se comparar ao Santo Ofício e a Inquisição. O que faltou aos inquisidores foram os meios e a tecnologia para eles mesmos empreenderem um massacre em larga escala, como fizeram os socialistas. Felizmente, eles estavam presos em seu tempo.

- Ora, eu fiz parte do Santo Ofício. Em 1981, eu me tornei o prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, que você chama de Santo Ofício, e posso assegurar que hoje eles não são uns carrascos sanguinários como foram seus ancestrais. De fato, o Santo Ofício foi o inventor do código penal e do modelo de julgamento que utilizamos nos tribunais até hoje. Não acho justo comparar os inquisidores com os regimes ateístas. Os tribunais revolucionários assassinaram milhões de vezes mais.

Desafiante, Gunther pergunta:

- Qual a diferença entre as filosofias e ideologias ateístas com a teologia cristã, se todos praticaram as mesmas atrocidades?

- E por acaso consegue me dizer onde, no Novo Testamento, Jesus promoveu o assassinato em massa dos infiéis?

Gunther não consegue, pois é uma doutrina totalmente voltada à exortação, perdão e amor ao próximo. Pelo mesmo motivo, Nietzsche se enojou dela, dizendo que, ao lerem, seus leitores deveriam vestir luvas para não sujarem suas mãos.

- Acho que não... – responde ele.

- Alguns marxistas se aventuram chamando Jesus de marxista, apesar de ser uma comparação bem cínica. Jesus multiplicou o pão e não a miséria e execução de milhões. – ri ele.

Lamentando-se, o rapaz diz:

- Me parece que Deus valida o sofrimento dos Homens, deliberadamente entregando-os a uma condição de existência com o único propósito de fazê-los sofrer.

Sorrindo, Ratzinger responde:

- “Deus está morto!”, disse o filósofo. Você acha mesmo que, se O matarmos, os Homens deixarão de sofrer?

Então o rapaz sente suas convicções tremerem.

- As ideologias ateístas – continua o padre – prometem o paraíso na Terra. Hitler, o paraíso aos arianos e os comunistas, o paraíso ao proletariado. Se todas essas utopias prometem o paraíso, então eu prefiro ficar com a utopia de Cristo.

Novamente o rapaz não tem o que responder.

- O Reino dos Céus... – sussurra ele.

- Supondo que Deus não exista, o cristão morre e se lamenta, tendo desperdiçado todos os prazeres da vida. Porém, se o ateu morrer e Deus existir, meu amigo... – alerta ele – ele terá problemas...

Gunther concorda. Mas, lembrando-se de algo, ele comenta:

- Talvez essas filosofias, ideologias e regimes queiram dar solução à miséria humana, coisa que sua religião tarda dois mil anos para fazer.

Dessa vez, é Ratzinger quem se cala.

- Confesso que eu também queria saber. É como a própria Bíblia diz, “um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos é como um dia”[1].

- E como manter o coração puro nesses mil anos que são um dia? Exposto a esse mundo, com todos os seus prazeres e libertinagens, vaidades e riquezas? Nenhuma alma se salvará. As pessoas são más, herr Ratzinger. Durante minha vida, eu abri meu coração a quem não merecia e fui ferido. Consequentemente, eu o endureci quando não deveria e as pessoas se feriram. Quando não é a religião dando alívio às nossas dores, é a ideologia dando um propósito às nossas vidas. Estamos perdidos nesse mundo. Independente ou não de Deus existir, não importa. Ele nos abandonou aqui. Não há salvação.

O padre responde de forma compreensiva. 

- Eu entendo o seu ponto de vista.

- Às vezes eu acho que, no último dia, Jesus dirá aos outros: “Servo fiel, entra na alegria do teu Senhor”[2]. Mas a mim, Ele se enfurecerá, dizendo: “Apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade”[3].

De forma amorosa, o padre sorri.

- Cristo não veio para julgar o mundo, mas para salvá-lo[4]. Afaste esses pensamentos de sua cabeça, pois eles não são de Deus.

- E o que é de Deus? Para mim, a religião é uma história bem contada, uma convicção incutida na mente das pessoas. Mas será que os fieis tem noção do que eles mesmos acreditam? Será que eles pararam para pensar que o Deus que acreditam é o mesmo que abriu o Mar Vermelho? Ou que afogou todo o mundo no dilúvio? Enquanto falamos aqui, eles sabem que seu Deus teve a incrível façanha de parar o sol no céu, impedindo que o dia anoitecesse[5]? Ou será que eles estão tão inebriados com essas mensagens de amor divino que separaram o Deus do Velho e do Novo Testamento?

- O que quer dizer?

- Quero dizer que convicção não é o mesmo de noção. Doutrina religiosa pode contar as histórias mais incríveis, mas nunca praticar o que contam, pois lhes faltam fé. Ou talvez – o rapaz suspeita – veracidade em seus relatos bíblicos.

O padre pergunta de maneira incisiva:

- Com que frequência você tem orado?

Gunther nunca orou em toda a sua vida.

- Com que frequência – continua ele – você pediu a Deus direção em sua vida? Ou um milagre para alguma situação crítica? Você tem buscado Sua presença ou constantemente o rejeita com suas filosofias e ideologias ateístas?

Abaixando sua cabeça, ele responde:

- Eu nunca pedi nada a Deus, herr Ratzinger.

- Então como pode falar em convicção e noção se nunca O buscou, jovem Gunther? – sorri ele – Fale com Ele algum dia. Prove-O. Como diz em Salmos 34:8, “provai e vede que o Senhor é bom”. Somente assim você criará a noção de que tanto precisa.

De alguma maneira, aquelas palavras tocam o coração de Gunther.

- Vamos – diz o padre – deixe-me orar por você.

Pedindo-o para fechar os olhos, Ratzinger segura suas mãos e faz uma oração. Gunther ouve ele falando o nome de Jesus, de Maria e do próprio Deus. O rapaz não sabe o que pensar e acha aquilo muito estranho, afinal ele nunca frequentou uma igreja antes.

O padre ora com muito fervor e, de olhos fechados, Gunther espera ele terminar. Por fim, Ratzinger pede:

- Diga amém, jovem Gunther.

O rapaz responde:

- Amém.

Então as mãos do padre ficam leves e se evaporam lentamente. Intrigado, Gunther abre os olhos e se espanta. Ratzinger havia desaparecido.

Levantando-se do banco de madeira, o rapaz procura o padre pela igreja, mas não o encontra em lugar algum. Ele estava novamente sozinho.

Lágrimas se formam em seus olhos. Levando suas mãos ao rosto, ele se enche de tristeza e revolta. Gunther estava se cansando de ficar sozinho.

Olhando para a estátua de Cristo, ele finalmente exclama:

- Por que está fazendo isso comigo?! – sua voz ecoa pela igreja vazia – O que foi que eu te fiz?!

Mas não há resposta. Nunca houve resposta. Apenas a solidão.

Sentando-se novamente, ele pergunta:

- Por que eu sou um paradoxo dimensional? Que tipo de experimentos os russos fizeram comigo? Isso é um sonho? Eu estou em um estado de R.E.M assistido?

O rapaz se refere ao Rapid Eye Movement[6], uma fase do sono onde a atividade cerebral é tão intensa que pode-se compara-la ao estado acordado.

- Por que o Senhor fez isso comigo? – pergunta ele – Por quê?!

Sua voz ecoa pelo salão, mas, ao terminar, novamente há silêncio.

- Se eu tiver que continuar assim, eu prefiro morrer!

Então o rapaz ouve estrondoso o som das paredes se quebrando. Assustado, ele olha para trás e vê um buraco sendo feito, seguido de uma densa nuvem de poeira. Outro impacto é ouvido e, ao olhar para cima, ele vê as telhas se caindo sobre os velhos bancos.

- O que está acontecendo?! – grita ele.

O rapaz pensa que Berlim está sofrendo um bombardeio aéreo. Ele teme uma invasão soviética e uma reação americana, com explosões logo sobre o muro que divide os blocos.

Algo estoura os vitrais em milhares de pedaços. Protegendo-se dos estilhaços, Gunther olha para cima e vê uma enorme esfera preta pendurada por um cabo de aço. Após outro estrondo, ele vê outra esfera preta, dessa vez na parede à esquerda. A poeira dos escombros se intensifica e pedaços de telha atingem seu corpo.

Encarando a estátua de Cristo, ele clama:

- Salve-me, Senhor!

Mas o teto cede e desaba à sua frente, soterrando o altar e a estátua sob a sufocante poeira.

Gunther grita por socorro, mas ouve apenas a velha igreja cair com golpes de aço. Agora coberto de poeira, o rapaz corre pelo salão até a saída. Tropeçando nos escombros, ele cai e se arrasta arduamente pelo chão. Então algo acontece.

Alguém vestido em um uniforme cinza e esverdeado entra. Ao vê-lo ali, imediatamente ele o socorre.

- Mas o que é que você está fazendo aí?! – pergunta ele.

O rapaz reconhece um guarda da Grenztruppen.

- Me ajude! – pede ele.

- Vamos logo! Esse lugar vai desabar!

Arrastando-o para fora, o guarda o tira da igreja pouco antes da porta cair atrás deles.

Gunther vê máquinas de demolição ao lado da igreja. Guardas fronteiriços os recebem e se surpreendem ao ver que havia alguém ali.

Um minuto depois, as cargas de demolição são acionadas e o chão treme abaixo de si. Gunther se espanta ao ver a alta torre desabar lateralmente ao chão, levantando uma enorme nuvem de poeira e pólvora.  

O guarda olha para ele e diz:

- Eu ouvi gritos lá dentro, mas não havia mais tempo de parar a demolição.

Mais guardas aparecem e, desconfiados, o perguntam:

- Como é que você entrou aqui?

Tossindo, o rapaz responde:

- Havia uma passagem no muro.

- Uma passagem?! – ri alguém.

- Quem é você?

- Eu sou Gunther.

- De onde você é?

- Sou de Berlim Oriental.

Os guardas se entreolham, pensando que ele é um fugitivo.

- Você está preso.

- Por quê?! – protesta ele.

- Você estará sob custódia até maiores esclarecimentos.

- Eu não fiz nada!

Então, segurando-o pelos braços, os guardas o levam pela densa poeira. Mas, ao atravessarem-na, o rapaz simplesmente havia desaparecido no ar.

 

§

 

De volta ao seu apartamento, Gunther se senta em sua poltrona e reflete sobre o ocorrido. Na pequena mesa, ao lado do telefone, ele vê um cigarro. Pegando-o, ele se pergunta como aquilo foi aparecer ali. Querendo fuma-lo, ele tenta  acendê-lo quando o telefone toca.

- Alô?

- Oi, Gunther. Você não deveria fumar. Isso faz mal a você.

- Boa tarde, voz na minha cabeça. Tudo bem com você?

- Depende. Se você estiver bem, eu estou. Se não estiver, então não.

Respirando fundo, o rapaz pergunta:

- Como aquilo foi acontecer, moça? Como eu fui entrar naquela igreja proibida?

- Talvez seja a quarta dimensão querendo te enviar uma mensagem.

- Que mensagem? – intriga-se ele.

- Talvez o conceito de Super Homem de Nietzsche, e o revolucionário de Marx, não sejam o caminho correto para conquistar Anneliese. Se você deseja mudar a realidade, talvez devesse conhecer melhor o Criador dela.

Gunther reflete. A filosofia e ideologia o afastaram da religião, a ponto dele rejeita-la. Ele responde:

- O Criador zomba de mim. Em alguma dimensão eu vivo, morro e vivo de novo, como já aconteceu antes. Ao que me parece, eu não posso morrer.   

De maneira obscura, a voz diz:

- Imagine sua existência como um lustre. Quando a última luz da última lâmpada se apagar, aí será o seu fim.

O rapaz entende que cada lâmpada é uma diferente versão de si mesmo em outra dimensão. Ele comenta:

- Se algum desses “eus” conquistar Anneliese, será o suficiente para mim.

A voz ri.

- Tem certeza?

- Sim. Haverá pelo menos um Gunther feliz.

- E o que te faz pensar que todos querem Anneliese, ou pior, que todos querem destruir o socialismo na Alemanha?

Lembrando-se que foi o socialismo que separou sua mãe de si, ele reafirma:

- Eu tenho certeza que todos odeiam o socialismo tanto quanto eu.

Então a voz responde:

- Espero que sim, Gunther. Eu espero que sim.

Em seguida ele só ouve estática. Colocando o receptor de volta no aparelho, ele olha para a janela e relaxa um pouco.

O rapaz ouve algo sendo arrastado debaixo de sua porta. Levantando-se, ele encontra uma carta na soleira. Abrindo-a, ele vê que haverá um evento em Marzahn. Dando de ombros, ele amassa o papel e o joga no lixo.

Sentando-se novamente, ele acende o cigarro e o fuma até o anoitecer.

 

 



[1] 2 Pedro 3:8

[2] Mateus 25:23

[3] Mateus 7:23

[4] João 12:47

[5] Josué 10:13

[6] Movimento rápido dos olhos em inglês

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