Gunther olha para
o céu de Berlim. Novamente no presente, ele sente a brisa da manhã soprar por
sua jaqueta. As nuvens se desenrolavam suavemente e o vento assoprava a copa
das árvores. Então ele se pergunta:
“Como pode tudo ser
tão perfeito? Como pode tudo ser mera coincidência?”.
Caminhando ao
lado do Muro de Berlim, ele vaga perdido em pensamentos. As folhas assopram por
suas pernas e ele pensa estar o outono chegando. Os berlinenses passam por ele
e não percebem que o rapaz ora aparece, ora desaparece subitamente.
Gunther se
aproxima de um belo edifício. Apesar de se localizar entre o muro interno e o
externo, o rapaz reconhece a bela Igreja da Reconciliação. Ele então aprecia a igreja de tijolos vermelhos e arquitetura neogótica. Sua torre
de 75 metros se destacava sobre aquele hediondo muro.
O rapaz nota que
a igreja se localizava exatamente na faixa da morte. Admirado, ele pensa:
“Irônico como um local sagrado dedicado ao Criador da vida encontra-se
exatamente na faixa que te dará a morte”.
Parando
novamente, ele se pergunta:
“Por que Ele se
chama criador da vida?". Então ele responde para si mesmo: "Por que Ele mesmo o disse?”.
No alto da torre,
ele vê a cruz. Gunther era inimigo da cruz, pois agora combatia o veneno nocivo
do cristianismo. Um Super Homem de Nietzsche, que via no cristianismo a
imperdoável inversão de valores; e um marxista, pois aprendeu com Marx que a
religião alienava o Homem de si mesmo e aplacava seu ímpeto revolucionário, pois
era o ópio do povo.
“Eu sou a
Verdade, o Caminho e a Vida”, disse Cristo em João 14:6. “Pois para mim, mais se
parece a mentira, o erro e a morte dos ignorantes, fieis dessa cruz, impedidos
de mudar o mundo por culpa da doutrina enganadora”.
Sem que pudesse
perceber, uma abertura surge na lateral do impenetrável muro. Arregalando os
olhos, Gunther se espanta. “Como isso é possível?!”.
Sem nenhuma vigilância, a abertura simplesmente estava lá. Espiando cautelosamente, o
rapaz vê a parte de trás da igreja. Inacreditavelmente não haviam guardas. Não
conseguindo conter sua curiosidade, Gunther atravessa a passagem e dá a volta
pela lateral do edifício. Mais a frente, ele ouve o ruído do piso sendo
varrido. Dirigindo-se à fachada principal, ele se depara com um padre católico
de cabelos brancos varrendo a entrada.
- Bom dia, meu jovem.
O rapaz se
intriga.
- Bom dia... –
olhando para a igreja, o rapaz comenta – Não esperava ver um sacerdote católico
em uma igreja protestante.
O homem sorri.
- Ora, o local
chama-se Igreja da Reconciliação, não?
Sorrindo, Gunther
assente.
- Aliás –
continua o padre – Eu não sei como vim para aqui.
- Como assim?
- Eu deveria
estar na Diocese de Velletri-Segni.
O rapaz se
confunde.
- Eu nem sei onde
fica isso...
- Fica na Itália.
Gunther se
surpreende. Ele nunca esteve na Itália antes e, se depender do seu país, nunca
estará.
- Incrível...
- Muito prazer,
eu me chamo Joseph Aloisius Ratzinger.
O rapaz já ouviu
aquele nome antes, mas não consegue se lembrar de onde.
- Eu sou Gunther.
O padre o convida
para entrar e o rapaz rapidamente aceita. Há pelo menos duas décadas ele não
pisa em uma igreja.
Em seu interior,
Gunther vê um belo salão de arcos góticos, vitrais e um belo altar adiante.
Apesar de se encantar com a beleza do local, o rapaz não deixa de sentir desprezo
por tudo o que aquilo representa.
Ratzinger nota
que o rapaz olha fixamente para a estátua de Cristo crucificado sobre o altar.
Ele então pergunta:
- Por que está
atribulado, meu jovem?
Enrijecendo-se,
ele responde:
- Aprendi que não
devo mais suprimir minha Vontade de Potência com as doutrinas incapacitantes da
religião, e muito menos me entorpecer com suas mensagens de perdão e amor ao
próximo. E ao olhar para esse homem, eu vejo tudo o que devo combater.
O padre se
espanta com sua resposta.
- E onde você
aprendeu isso?
- Com os maiores
filósofos de todos os tempos.
Assentindo,
Ratzinger pergunta:
- Então você aprendeu
com filosofia e ideologia?
- Sim.
- Veja – começa
ele – quando eu ingressei no seminário, conheci um intelectual chamado Romano Guardini, que me influenciou em minha vida acadêmica. Mais tarde, me tornei professor na
Universidade de Bonn e minha primeira aula foi sobre “O Deus da Fé e o Deus da
Filosofia”. Apesar de às vezes conflitantes, teologia e filosofia podem ser
irmãs. Na busca pela verdade, é mais provável um filósofo se tornar um teólogo
do que o contrário. E a ideologia, ao citar a célebre frase de Marx, tende a
nos afastar de Deus e nos aproximar da intolerância, do ódio e da violência.
Por esse mesmo motivo eu me afastei do movimento estudantil marxista em
Tübingen, pois eles não queriam a justiça social e sim a eliminação sistemática dos
conservadores e da religião.
Ouvindo-o, o
rapaz argumenta:
- Mas a religião
inverte os valores dos fortes, tornando os humildes em nobres e os talentosos
em arrogantes, graças ao seu mestre que diz ter vindo aos fracos e pobres de espírito.
A religião é o alívio dos oprimidos, refreando, senão castrando, seu
potencial para a revolução. É uma doutrina falsa e insidiosa, que toma a força
dos poderosos e as concentra para si, monopolizando-a. Assim eles validam todo
o tipo de atrocidade, sob o pretexto da conversão e da salvação.
Com olhar sério,
o padre pergunta:
- A religião toma
a força dos poderosos e a concentra para si, monopolizando-a? Por acaso não é o
mesmo que fizeram os nazistas e os comunistas? E, apesar das discrepâncias, não
eram ambos socialistas?
Gunther reflete.
De fato, nacional-socialismo e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas
tinham algo em comum: o socialismo.
- Sim, mas o que
esses dois fizeram pode-se comparar ao Santo Ofício e a Inquisição. O que
faltou aos inquisidores foram os meios e a tecnologia para eles mesmos
empreenderem um massacre em larga escala, como fizeram os socialistas. Felizmente, eles estavam presos em
seu tempo.
- Ora, eu fiz
parte do Santo Ofício. Em 1981, eu me tornei o prefeito da Sagrada Congregação
para a Doutrina da Fé, que você chama de Santo Ofício, e posso assegurar que
hoje eles não são uns carrascos sanguinários como foram seus ancestrais. De fato, o Santo Ofício
foi o inventor do código penal e do modelo de julgamento que utilizamos nos tribunais até hoje. Não acho justo comparar os inquisidores com os regimes
ateístas. Os tribunais revolucionários assassinaram milhões de vezes mais.
Desafiante, Gunther
pergunta:
- Qual a
diferença entre as filosofias e ideologias ateístas com a teologia cristã, se
todos praticaram as mesmas atrocidades?
- E por acaso
consegue me dizer onde, no Novo Testamento, Jesus promoveu o assassinato em
massa dos infiéis?
Gunther não
consegue, pois é uma doutrina totalmente voltada à exortação, perdão e amor ao
próximo. Pelo mesmo motivo, Nietzsche se enojou dela, dizendo que, ao lerem, seus leitores
deveriam vestir luvas para não sujarem suas mãos.
- Acho que não...
– responde ele.
- Alguns
marxistas se aventuram chamando Jesus de marxista, apesar de ser uma comparação
bem cínica. Jesus multiplicou o pão e não a miséria e execução de milhões. –
ri ele.
Lamentando-se, o
rapaz diz:
- Me parece que
Deus valida o sofrimento dos Homens, deliberadamente entregando-os a uma
condição de existência com o único propósito de fazê-los sofrer.
Sorrindo, Ratzinger
responde:
- “Deus está
morto!”, disse o filósofo. Você acha mesmo que, se O matarmos, os Homens deixarão
de sofrer?
Então o rapaz
sente suas convicções tremerem.
- As ideologias
ateístas – continua o padre – prometem o paraíso na Terra. Hitler, o paraíso
aos arianos e os comunistas, o paraíso ao proletariado. Se todas essas utopias
prometem o paraíso, então eu prefiro ficar com a utopia de Cristo.
Novamente o rapaz
não tem o que responder.
- O Reino dos
Céus... – sussurra ele.
- Supondo que
Deus não exista, o cristão morre e se lamenta, tendo desperdiçado todos os
prazeres da vida. Porém, se o ateu morrer e Deus existir, meu amigo... – alerta
ele – ele terá problemas...
Gunther concorda.
Mas, lembrando-se de algo, ele comenta:
- Talvez essas
filosofias, ideologias e regimes queiram dar solução à miséria humana, coisa
que sua religião tarda dois mil anos para fazer.
Dessa vez, é
Ratzinger quem se cala.
- Confesso que eu também queria saber. É como a própria Bíblia diz, “um dia para o Senhor é como
mil anos, e mil anos é como um dia”[1].
- E como manter o
coração puro nesses mil anos que são um dia? Exposto a esse mundo, com todos os
seus prazeres e libertinagens, vaidades e riquezas? Nenhuma alma se salvará. As pessoas são más,
herr Ratzinger. Durante minha vida, eu abri meu coração a quem não merecia e
fui ferido. Consequentemente, eu o endureci quando não deveria e as pessoas se
feriram. Quando não é a religião dando alívio às nossas dores, é a ideologia
dando um propósito às nossas vidas. Estamos perdidos nesse mundo. Independente
ou não de Deus existir, não importa. Ele nos abandonou aqui. Não há salvação.
O padre responde
de forma compreensiva.
- Eu entendo o
seu ponto de vista.
- Às vezes eu
acho que, no último dia, Jesus dirá aos outros: “Servo fiel, entra na alegria
do teu Senhor”[2].
Mas a mim, Ele se enfurecerá, dizendo: “Apartai-vos de mim, vós que praticais a
iniquidade”[3].
De forma amorosa,
o padre sorri.
- Cristo não veio
para julgar o mundo, mas para salvá-lo[4].
Afaste esses pensamentos de sua cabeça, pois eles não são de Deus.
- E o que é de
Deus? Para mim, a religião é uma história bem contada, uma convicção incutida na
mente das pessoas. Mas será que os fieis tem noção do que eles mesmos
acreditam? Será que eles pararam para pensar que o Deus que acreditam é o mesmo
que abriu o Mar Vermelho? Ou que afogou todo o mundo no
dilúvio? Enquanto falamos aqui, eles sabem que seu Deus teve a incrível
façanha de parar o sol no céu, impedindo que o dia anoitecesse[5]?
Ou será que eles estão tão inebriados com essas mensagens de amor divino que
separaram o Deus do Velho e do Novo Testamento?
- O que quer
dizer?
- Quero dizer que
convicção não é o mesmo de noção. Doutrina religiosa pode contar as histórias
mais incríveis, mas nunca praticar o que contam, pois lhes faltam fé. Ou talvez
– o rapaz suspeita – veracidade em seus relatos bíblicos.
O padre pergunta
de maneira incisiva:
- Com que
frequência você tem orado?
Gunther nunca
orou em toda a sua vida.
- Com que
frequência – continua ele – você pediu a Deus direção em sua vida? Ou um
milagre para alguma situação crítica? Você tem buscado Sua presença ou
constantemente o rejeita com suas filosofias e ideologias ateístas?
Abaixando sua
cabeça, ele responde:
- Eu nunca pedi
nada a Deus, herr Ratzinger.
- Então como pode
falar em convicção e noção se nunca O buscou, jovem Gunther? – sorri ele – Fale
com Ele algum dia. Prove-O. Como diz em Salmos 34:8, “provai e vede que o
Senhor é bom”. Somente assim você criará a noção de que tanto precisa.
De alguma
maneira, aquelas palavras tocam o coração de Gunther.
- Vamos – diz o padre
– deixe-me orar por você.
Pedindo-o para
fechar os olhos, Ratzinger segura suas mãos e faz uma oração. Gunther ouve ele
falando o nome de Jesus, de Maria e do próprio Deus. O rapaz não sabe o que
pensar e acha aquilo muito estranho, afinal ele nunca frequentou uma igreja
antes.
O padre ora com
muito fervor e, de olhos fechados, Gunther espera ele terminar. Por fim,
Ratzinger pede:
- Diga amém,
jovem Gunther.
O rapaz responde:
- Amém.
Então as mãos do padre ficam leves e se evaporam lentamente. Intrigado, Gunther abre os olhos e
se espanta. Ratzinger havia desaparecido.
Levantando-se do
banco de madeira, o rapaz procura o padre pela igreja, mas não o encontra em
lugar algum. Ele estava novamente sozinho.
Lágrimas se
formam em seus olhos. Levando suas mãos ao rosto, ele se enche de tristeza
e revolta. Gunther estava se cansando de ficar sozinho.
Olhando para a
estátua de Cristo, ele finalmente exclama:
- Por que está
fazendo isso comigo?! – sua voz ecoa pela igreja vazia – O que foi que eu te
fiz?!
Mas não há
resposta. Nunca houve resposta. Apenas a solidão.
Sentando-se novamente,
ele pergunta:
- Por que eu sou
um paradoxo dimensional? Que tipo de experimentos os russos fizeram comigo?
Isso é um sonho? Eu estou em um estado de R.E.M assistido?
O rapaz se refere
ao Rapid Eye Movement[6],
uma fase do sono onde a atividade cerebral é tão intensa que pode-se compara-la
ao estado acordado.
- Por que o
Senhor fez isso comigo? – pergunta ele – Por quê?!
Sua voz ecoa pelo
salão, mas, ao terminar, novamente há silêncio.
- Se eu tiver que
continuar assim, eu prefiro morrer!
Então o rapaz
ouve estrondoso o som das paredes se quebrando. Assustado, ele olha para trás e vê um
buraco sendo feito, seguido de uma densa nuvem de poeira. Outro impacto é
ouvido e, ao olhar para cima, ele vê as telhas se caindo sobre os velhos
bancos.
- O que está
acontecendo?! – grita ele.
O rapaz pensa que
Berlim está sofrendo um bombardeio aéreo. Ele teme uma invasão soviética e uma reação
americana, com explosões logo sobre o muro que divide os blocos.
Algo estoura os
vitrais em milhares de pedaços. Protegendo-se dos estilhaços, Gunther olha para
cima e vê uma enorme esfera preta pendurada por um cabo de aço. Após outro
estrondo, ele vê outra esfera preta, dessa vez na parede à esquerda. A poeira dos
escombros se intensifica e pedaços de telha atingem seu corpo.
Encarando a
estátua de Cristo, ele clama:
- Salve-me,
Senhor!
Mas o teto cede e
desaba à sua frente, soterrando o altar e a estátua sob a sufocante poeira.
Gunther grita por
socorro, mas ouve apenas a velha igreja cair com golpes de
aço. Agora coberto de poeira, o rapaz corre pelo salão até a saída. Tropeçando nos
escombros, ele cai e se arrasta arduamente pelo chão. Então algo acontece.
Alguém vestido em
um uniforme cinza e esverdeado entra. Ao vê-lo ali, imediatamente ele o socorre.
- Mas o que é que
você está fazendo aí?! – pergunta ele.
O rapaz reconhece
um guarda da Grenztruppen.
- Me ajude! – pede
ele.
- Vamos logo! Esse
lugar vai desabar!
Arrastando-o para
fora, o guarda o tira da igreja pouco antes da porta cair atrás deles.
Gunther vê máquinas
de demolição ao lado da igreja. Guardas fronteiriços os recebem e se
surpreendem ao ver que havia alguém ali.
Um minuto depois,
as cargas de demolição são acionadas e o chão treme abaixo de si. Gunther se
espanta ao ver a alta torre desabar lateralmente ao chão, levantando uma enorme
nuvem de poeira e pólvora.
O guarda olha
para ele e diz:
- Eu ouvi gritos
lá dentro, mas não havia mais tempo de parar a demolição.
Mais guardas aparecem
e, desconfiados, o perguntam:
- Como é que você
entrou aqui?
Tossindo, o rapaz
responde:
- Havia uma
passagem no muro.
- Uma passagem?! – ri alguém.
- Quem é você?
- Eu sou Gunther.
- De onde você é?
- Sou de Berlim
Oriental.
Os guardas se
entreolham, pensando que ele é um fugitivo.
- Você está
preso.
- Por quê?! –
protesta ele.
- Você estará sob
custódia até maiores esclarecimentos.
- Eu não fiz nada!
Então,
segurando-o pelos braços, os guardas o levam pela densa poeira. Mas,
ao atravessarem-na, o rapaz simplesmente havia desaparecido no ar.
§
De volta ao seu
apartamento, Gunther se senta em sua poltrona e reflete sobre o ocorrido. Na pequena
mesa, ao lado do telefone, ele vê um cigarro. Pegando-o, ele se pergunta como
aquilo foi aparecer ali. Querendo fuma-lo, ele tenta acendê-lo quando o
telefone toca.
- Alô?
- Oi, Gunther. Você
não deveria fumar. Isso faz mal a você.
- Boa tarde, voz
na minha cabeça. Tudo bem com você?
- Depende. Se você
estiver bem, eu estou. Se não estiver, então não.
Respirando fundo,
o rapaz pergunta:
- Como aquilo foi
acontecer, moça? Como eu fui entrar naquela igreja proibida?
- Talvez seja a
quarta dimensão querendo te enviar uma mensagem.
- Que mensagem? – intriga-se ele.
- Talvez o
conceito de Super Homem de Nietzsche, e o revolucionário de Marx, não
sejam o caminho correto para conquistar Anneliese. Se você deseja mudar a realidade,
talvez devesse conhecer melhor o Criador dela.
Gunther reflete. A
filosofia e ideologia o afastaram da religião, a ponto dele rejeita-la. Ele responde:
- O Criador zomba
de mim. Em alguma dimensão eu vivo, morro e vivo de novo, como já aconteceu
antes. Ao que me parece, eu não posso morrer.
De maneira
obscura, a voz diz:
- Imagine sua existência
como um lustre. Quando a última luz da última lâmpada se apagar, aí será o seu
fim.
O rapaz entende
que cada lâmpada é uma diferente versão de si mesmo em outra dimensão. Ele comenta:
- Se algum desses
“eus” conquistar Anneliese, será o suficiente para mim.
A voz ri.
- Tem certeza?
- Sim. Haverá
pelo menos um Gunther feliz.
- E o que te faz
pensar que todos querem Anneliese, ou pior, que todos querem destruir o socialismo
na Alemanha?
Lembrando-se que
foi o socialismo que separou sua mãe de si, ele reafirma:
- Eu tenho
certeza que todos odeiam o socialismo tanto quanto eu.
Então a voz
responde:
- Espero que sim,
Gunther. Eu espero que sim.
Em seguida ele só
ouve estática. Colocando o receptor de volta no aparelho, ele olha para a janela
e relaxa um pouco.
O rapaz ouve algo
sendo arrastado debaixo de sua porta. Levantando-se, ele encontra uma carta na
soleira. Abrindo-a, ele vê que haverá um evento em Marzahn. Dando de ombros,
ele amassa o papel e o joga no lixo.
Sentando-se
novamente, ele acende o cigarro e o fuma até o anoitecer.

Nenhum comentário:
Postar um comentário