quarta-feira, 31 de março de 2021

Tiergarten - 24 - Uma Tarde Com Karl Marx

 


Aparecendo em uma estranha rua, Gunther vê vários prédios de tijolos marrons. Os prédios têm de dois a três andares e são repletos de janelas nas fachadas. Uma neblina cinzenta espreita a rua, era a fumaça vindo das fábricas. O movimento era intenso, o rapaz vê dezenas de pessoas e carruagens passando. Os homens vestem ternos, capas e icônicas cartolas. As mulheres vestem longos vestidos, capas e capuzes com fitas amarradas em seus queixos.

Mas um outro tipo de gente lhe chama a atenção.

Ao longe, o rapaz ouve um apito a vapor. Minutos depois, homens de trajes esfarrapados e semblantes cansados compõem a multidão. Eles vestem casacos surrados e boinas de operários. Em seus rostos, um olhar fatigado se esconde atrás de seus esfiapados bigodes. As mulheres, igualmente cansadas, caminham com lenços suados, cabelos desarrumados e aventais sujos. Gunther nota que há crianças também. Tanto meninos quanto meninas, elas caminham ao lado de suas mães, vestindo um improvisado uniforme de trabalho.

Aquela cena o deprime. Inevitavelmente o rapaz nota a desigualdade social naquela cidade, como um concomitante contraste entre as classes.

Os operários passam por ele de cabeça baixa, cansados e estressados demais para notar sua presença. Vestindo trajes melhores, dois homens com bengalas e cartolas se aproximam. Levantando suas cartolas, eles o cumprimentam dizendo:

- Good afternoon, sir! How are you going? Nice outfits you have, I must say. [1]

Gunther arregala os olhos. O outro diz:

- Another cold and foggy day today, isn´t it? I wonder how long will it takes until next summer...[2]

Paralisado, o rapaz apenas consegue gesticular que não compreende o que eles estão falando.

Subitamente, alguém aparece atrás dele e gentilmente o pergunta:

- O que foi, rapaz? Você não sabe falar inglês?    

O rapaz olha para trás e vê um senhor barbudo, de cabelos grisalhos e um pouco carrancudo sorrir para ele.

Envergonhado, ele ia dizer que não fala muito bem aquele idioma. Então a surpresa ecoa por sua cabeça, reverberando como um trovão. Mal conseguindo raciocinar, com muito esforço ele sussurra:

- Karl Marx...?!

O velho assente com a cabeça. Falando em inglês, Marx olha para os homens e responde:

- Cavalheiros, perdoem esse jovem alemão. Ele deve ser novo aqui, um exilado talvez. Vocês conhecem o meu país. Prússia e sua despótica monarquia...

Os homens sorriem cordialmente. Novamente levantando suas cartolas, eles se despedem e vão embora junto da multidão.

- E então? – pergunta ele – O que você faz aqui, meu jovem?

Ainda espantado, o rapaz responde:

- Marx, eu não posso acreditar...! O senhor está vivo!

Estranhando-o, Marx responde:

- Ora, mas é claro que eu estou vivo!  

Gunther não sabe o que pensar. Lembrando-se rapidamente do que a ideologia marxista causou, as revoluções, as perseguições e o terror vermelho, o rapaz hesita em se sentir honrado ou enojado ao conhece-lo.

Percebendo que o rapaz não reagia, o velho pergunta:

- Vai a algum lugar?

O rapaz olha ao redor, não fazendo a mínima ideia de onde estava.

- Eu não sei onde estou...

Batendo em seu ombro, Marx responde:

- Você está em Londres, meu jovem! Não reconhece a paisagem?

- Eu nunca vi esse lugar antes...

Suspeitando embriaguez, o velho ri.

- Vamos andando. Não é elegante caminhar bêbado por aí. Muito embora... – complementa ele, indicando o caminho – eu mesmo o faça de vez em quando...

Marx ri, expondo seus dentes amarelados.

Mais adiante, Gunther contempla um modesto prédio londrino de dois andares. Atravessado a rua, o rapaz vê o número do edifício, “28”.

- Espere um pouco. – interrompe ele – Por acaso estamos na Dean Street, Soho?

- Sim, por quê?

Novamente Gunther se estremece em surpresa. Ele vê a História se desenrolar diante dos seus olhos.

Os dois sobem as escadas até a entrada do apartamento. Ao abrir a porta, o rapaz vê uma sala escura, bagunçada e com uma camada de pó sobre os móveis. Imediatamente ele sente o cheiro forte de cigarro, fazendo-o se incomodar. Observando ao redor, ele vê garrafas vazias de bebidas alcóolicas jogadas pelo chão.

- Sinta-se em casa. – diz Marx.

“Difícil”, pensa ele.

Indicando-lhe um sofá, Gunther vê um móvel encardido e empoeirado. Hesitante, ele se senta, mas com muita relutância em sua mente.

- Desculpe não poder te oferecer muita coisa. – diz o filósofo – Mas eu estou passando por algumas dificuldades, como pode ver.

Marx referia-se aos seus graves problemas financeiros ao longo de sua vida, principalmente na Inglaterra.

- Não tem problema. – responde ele.

Uma mulher de longos cabelos negros aparece e lhe oferece uma xícara de café. O rapaz gentilmente a aceita.

- Essa é minha esposa, Jenny.

Apresentando-se, o rapaz diz:

- Muito prazer. Eu sou Gunther.

- Prazer. Seja bem-vindo.

 Os dois se cumprimentam. Ele se espanta ao conhecer pessoalmente Jenny von Westphalen, esposa do ilustre Karl Marx.

- Você fuma? – o filósofo oferece algo em sua mão.

Gunther vê um cigarro feio e de péssima qualidade. Levantando seu braço, o rapaz responde:

- Obrigado, herr Marx. Eu não fumo. - mente ele. 

Dando de ombros, o filósofo pega um fósforo, acende seu cigarro e solta uma fumaça de odor terrível.

Naquele momento Jenny fala com seu marido. Gunther percebe que ela tem um rosto triste e abatido.

- Karl, a comida acabou e o aluguel está atrasado de novo.

Suas palavras soam como uma lamentação. O filósofo responde:

- Eu escreverei para Engels de novo. Mais tarde eu enviarei uma carta.

Sua esposa assente e, despedindo-se, discretamente se retira.

- Minha esposa está triste. Ela já perdeu dois filhos e, no nascimento do terceiro, a criança veio morta ao mundo. – cabisbaixo, ele fuma seu cigarro – Jenny é uma mulher forte, mas não sei o quanto ela ainda suporta...

Consternado, Gunther responde:

- Eu lamento, senhor.

Mudando de assunto, o filósofo pergunta:

- De onde você é, meu jovem?

- Sou de Berlim.

- E o que você faz em Londres?

Improvisando uma resposta, ele diz:

- Vim conhecer aquele que criou a maior e mais importante ideologia de todos os tempos.

Lisonjeado, Marx ri.

- Por acaso o comunismo é tão popular assim na Alemanha?

Gunther sorri, admirando-se do futuro.

- Mais do que o senhor imagina.

Fumando seu cigarro, o filósofo comenta:

- Eu tenho plena certeza de que o proletariado de toda a Europa se unirá um dia, e então iniciaremos a tão sonhada Revolução. Nós implantaremos o socialismo, derrubando o sistema capitalista, erradicando a burguesia e abrindo caminho para o comunismo.

O rapaz se lembra que foi Marx quem criou o termo “capitalismo”. Até sua criação, os pensadores se referiam a esse modelo econômico como “liberalismo”.

- Como o senhor tem tanta certeza?

- O capitalismo é instável e está sujeito a crises periódicas. O trabalho gera riqueza e o preço da mercadoria é obrigatoriamente maior do que o preço do trabalho realizado. Essa diferença entre o custo e o preço seria o lucro da burguesia, o excedente lucrativo pelo trabalho. A isso eu chamo de “mais-valia”. Seu valor estaria sujeito à diminuição devido ao investimento contínuo em novas tecnologias. A burguesia fomentaria crises econômicas para refrear essa diminuição de lucros, assim protegendo seu capital e empobrecendo o proletariado. O crescimento econômico, assim como suas crises, seriam um ciclo engendrado para manter o domínio da classe burguesa sobre o capital.   

Assentindo, o rapaz pergunta:

- E como o senhor imagina a destruição desse ciclo?

- Veja, os meios de produção e o comércio dos quais a burguesia se sustenta surgiu no feudalismo. Em certo momento, os meios de produção se desenvolveram de tal forma que não eram mais compatíveis com o sistema feudal. Ao ser derrubado, o feudalismo foi substituído pela livre concorrência. O novo sistema criou uma constituição política adaptada para atender aos interesses da classe burguesa. Um movimento similar ocorre diante de nossos olhos. A força de trabalho não mais serve às condições da burguesia; ao contrário, ela se tornou tão poderosa a ponto de sublevar seu sistema e impor uma nova ordem, ameaçando a propriedade privada e sua exploração. 

Refletindo, Gunther reconhece que, de fato, a burguesia derrubou os obsoletos sistemas econômicos da Europa, principalmente após a Revolução Francesa. Passando pelo mercantilismo, com sua desigual relação entre metrópole e colônia, a burguesia alcançou o liberalismo econômico moderno, estabelecendo um comércio de livre concorrência, apesar da concorrência ser entre os próprios burgueses.

- O senhor identifica essa ruptura de sistemas com a Revolução Industrial?

- Certamente! – responde Marx – O desenvolvimento da indústria moderna arranca dos pés da burguesia a sua própria fundação, da qual ela produz e se apropria do que é produzido. O que a burguesia produz, sobretudo, são seus próprios coveiros. Sua queda e a vitória do proletariado são igualmente inevitáveis.

Marx estava convicto que, assim como os burgueses derrubaram seus antigos senhores feudais, o proletariado derrubará seus atuais senhores burgueses. Para ele, era iminente uma luta de classes.

- Gostaria que houvessem ideias pacíficas e não violentas para a sociedade em transição. - comenta Gunther. 

- Mas isso é uma grande besteira!

O filósofo se irrita, fazendo-o se assustar.

- Por quê?

- A transição de uma sociedade jamais será pacífica! Não importa o quão pacífica a ideia seja! Acreditar nisso é pura idiotice!

O rapaz não consegue entender a razão de tanta grosseria. De fato, Marx tinha um temperamento difícil, sendo rude e estúpido até com seu melhor amigo, o Engels.

- Eu não entendi.

- O proletariado jamais terá suas ideias ouvidas! Em todas as épocas, as ideias da classe dominante eram as ideias dominantes, isso é, a classe que é a força material dominante da sociedade é, ao mesmo tempo, sua força intelectual dominante. Não importa o quão brilhante seja o intelecto do proletário, nessa sociedade ele jamais será ouvido.

Nesse momento, Gunther percebe que a luta de classes também abrangia os círculos intelectuais.

- Há esperança para o proletário que deseja trilhar o caminho do intelecto para a mudança da sociedade?

- Muito pouca. – responde ele – Além de excluído, o proletariado também sofre com o que chamo de “alienação” do trabalho. O capitalismo media as relações trabalhistas através de commodities, incluindo a força de trabalho que é comprada e vendida no mercado. A possibilidade de alguém vender sua força de trabalho é um sinal de alienação de sua própria natureza e capacidade de mudar o mundo. Eu chamo tal ato de “fetichismo das commodities”, da qual a mercadoria produzida, ou commodities, parece ter vida própria e os humanos produtores se adaptam a elas. 

- Está dizendo que, para sobreviverem, os proletários alienam a si mesmo, sua força de trabalho e sua consciência?

- Exatamente. Os burgueses os alienam deliberadamente para que nunca se revoltem, assim não irrompendo uma luta de classes.

Achando aquilo tudo muito interessante, Gunther pergunta:

- Herr Marx, o que é uma luta de classes?

- O destino inevitável da sociedade capitalista. A História de toda sociedade até hoje é a história da luta de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestres e companheiros, em uma palavra, opressores e oprimidos, sempre estiveram em constante oposição uns aos outros, envolvidos em uma luta ininterrupta, ora disfarçada, ora aberta. Eis aí a base da minha ideologia.

O rapaz reflete. Para Marx e Engels, ideologia significa as ideias que refletiam os interesses de uma classe específica em um período específico da História, mas que seus contemporâneos a viam como universal e eterna. Os filósofos argumentavam que tais ideias não eram apenas meias verdades, mas que também serviam como uma importante função política. O controle que uma classe exercia sobre os meios de produção não incluíam apenas a produção de alimentos ou bens manufaturados, mas também a produção de ideias. Elas influenciavam a classe subalterna a adotarem ideias contrárias aos seus interesses, como a religião. 

- O senhor crê que a religião seja uma ferramenta burguesa para controlar a classe operária?

- O Estado e a sociedade produzem a religião. Ela é a teoria geral desse mundo, a sua sanção moral e sua base geral de consolação e justificação. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o ânimo de um mundo sem coração e a alma das situações sem alma. A religião é o ópio do povo.

Apesar de já conhecer a citação, Gunther se assusta ao ouvi-la de seu autor. Marx continua:

- A abolição da religião, enquanto felicidade ilusória dos homens, é a exigência da sua felicidade real. O apelo para que abandonem as ilusões a respeito de sua condição é o apelo para abandonarem uma condição que precisa de ilusões. A crítica da religião liberta o homem da ilusão, de modo que pense, atue e configure a sua realidade como um homem que perdeu as ilusões e reconquistou a razão, a fim de que ele gire em torno de si mesmo e, assim, em volta do seu verdadeiro sol. A religião é apenas o sol ilusório que gira em volta do homem enquanto ele não circula em torno de si mesmo. A tarefa da filosofia é desmascarar a auto-alienação humana nas suas formas mais sagradas.

O rapaz assente, pensando a respeito. Ao criticar a religião, Marx se assemelhava a Nietzsche, do qual, ao atacar a base moral da sociedade, atacava também a religião, assim propondo uma mudança.

Então o filósofo começa a tossir fortemente, tão forte a ponto de engasgar. Preocupado, o rapaz se levanta, intentando ajuda-lo. Marx acena com a mão, acalmando-o.

- Não se preocupe. Eu estou bem.

Gunther percebe que, além da poeira, aquele apartamento também denotava doença. Jenny permanecia deitada no outro quarto onde sua empregada, Lenchen, cuidava dela. Então o rapaz se lembra. A saúde daquela família era muito frágil, talvez devido à precariedade financeira. Infelizmente Jenny partiria primeiro, deixando o velho Marx sozinho e amargurado até o final de sua vida.

- O senhor quer água?

- Quero sim, obrigado.

O rapaz lhe dá uma caneca com água. O filósofo diz:

- Reconheço que meus problemas de saúde nunca foram capazes de sufocar minha paixão por filosofia.

Sendo um apreciador da dialética de Hegel, o filósofo sincretizou as teorias hegelianas com suas próprias, criando o que chamava de materialismo dialético.

- Creio que os filósofos clássicos foram muito importantes para o senhor, não?

- Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras. O que importa é modifica-lo! – exclama ele, empolgado.

- É por isso que o senhor é ferrenhamente contra a propriedade privada?

- Eu quero abolir a propriedade privada! Mas em nossa sociedade, ironicamente ela já está abolida para nove décimos de seus membros.

Marx se refere à gritante desigualdade social sob o liberalismo.

- O senhor tem razão. Há muita pobreza disseminada por aí. Mas a classe dominante não permitirá ser expropriada passivamente. Eles resistirão. E o único meio de libertar a classe operária é através da Revolução, como o senhor disse.

- As revoluções são a locomotiva da História. – responde ele, convictamente – E em nosso tempo, os trabalhadores não têm nada a perder em uma revolução comunista a não ser suas correntes.

Inspirando-se, o rapaz pergunta:

- Deixe-me perguntar uma coisa. O senhor se refere ao proletariado industrial em oposição ao sistema estatal burguês, mas e quanto às demais classes? Quero dizer, e quanto às regiões, e até países, mais atrasados que ainda não alcançaram maturação social suficiente a ponto de se industrializarem?

Calmamente o filósofo responde:

- O destino de todas as sociedades é a industrialização. A sociedade está passando por uma silenciosa revolução, da qual ela deve ser submetida, sem tomar conhecimento da existência humana que ela destrói. As classes e as nacionalidades fracas demais para dominar as novas condições de vida, devem ceder. Mas, citando principalmente o economista David Ricardo, pode haver algo mais pueril e míope do que os pontos de vista dos economistas que acreditam, sinceramente, que esse lastimável estado transitório não significa nada além da adaptação da sociedade às propensões aquisitivas dos capitalistas?

Desconcertado, Gunther apenas responde:

- Eu não sei.

- Na Grã-Bretanha – continua ele – o funcionamento desse processo é mais transparente. A aplicação da ciência moderna remove a terra dos seus habitantes, mas os concentra em cidades industriais.

Gunther entende que Marx enxerga a industrialização de todas as sociedades como inevitável. Ele discorda dos economistas, que afirmavam ser aquilo uma evolução do capitalismo, mas defendia que aquele processo provocaria uma transformação profunda na sociedade através da Revolução.

O filósofo tosse novamente, reclinando-se esgotado em sua poltrona. O rapaz deve deixá-los descansar agora.

Diferente do que Gunther pensou, não foi um monstro que criou a ideologia funesta do comunismo, mas uma pessoa normal, com problemas normais, como qualquer outro. Vê-lo definhar ali, com problemas de saúde, o intriga. Aquele homem, tossindo e ofegando à sua frente, foi o responsável pelo maior desastre sociopolítico do século XX, com um número de mortos se aproximando dos 100 milhões. Entretanto, ao analisarem o socialismo teorizado e o socialismo implantado, alguns estudiosos afirmam que, se Karl Marx estivesse vivo, ele não seria marxista.

“É como se comparar a teoria da república de Platão com sua atual implantação realizada”, pensa ele. “A realizada é defeituosa e radicalmente diferente”. Mas, como Philip Scheidemann lhe disse, a república platônica é, tanto quanto o comunismo marxista, uma utopia.

“Isso significa que erramos ao tentar implanta-las?”, pergunta-se ele.    

Gunther se confunde. “Matar Karl Marx preveniria um futuro sangrento? Certamente que não, pois na quarta dimensão inúmeros futuros existiriam”, reconhece ele. E o rapaz tornaria o filósofo um mártir, morto ao defender sua própria ideologia.

“Não, eu não faria isso”, pensa ele.

Marx foi um anticristo para alguns e um salvador para outros. Mas o que Gunther vê é um velho doente e miserável, vítima de seu próprio fervor político.

Mas sua ideologia claramente defendia o uso da violência, a revolucionária luta de classes e a ditadura do proletariado. “Sua revolução traria justiça para os oprimidos, mas até que ponto?”. A planificação econômica e o modelo autossustentável não erradicaram a pobreza, ao contrário, a multiplicaram.

“De quem é a culpa? Para onde foi a riqueza dos nobres, burgueses e eclesiásticos, supostamente intentada a saciar a fome dos miseráveis?”, pergunta-se ele. “Seus célebres sucessores, Lênin, Mao, Kim... aplicaram suas teorias sociopolíticas, e todos eles resultaram em desastrosos fracassos. Será que todos eles o deturparam?”. Gunther não sabe dizer.

De qualquer forma, uma coisa o rapaz reconhece. Apesar de todos os esforços, erros e acertos, ele afirma para si mesmo:

“Não se produz riqueza dividindo-a!”.

 

 



[1] “Boa tarde, senhor! Como vai? Belos trajes, eu devo dizer.” em inglês.  

[2] “Outro dia frio e nebuloso, não? Me pergunto quanto tempo até o próximo verão...”

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