segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Sonata - 62 - Deus Ex Machina

 


(Arte do jogo Deus Ex, lançado em 2000 pela Ion Storm)


Os últimos dias foram tensos para Nathan. Database se ausentou e ele ficou sozinho no Submundo. As reuniões do conselho foram feitas sem sua presença e o rapaz teve de dar explicações aos líderes facciosos. Com todos eles saboreando suas vitórias, eles cobravam o Submundo dizendo: “a Rebelião tem que continuar!”.

Laura se ausentou também. A garota teve algumas ofertas de trabalho e foi atender seus clientes. Ela não dava muitos detalhes e Nathan não ousava pedi-los. O rapaz desconfiava que ela não tinha trabalho nenhum e que, na verdade, ela ia resolver seus problemas familiares. Respeitando-a, ele prefere manter sua privacidade e deixa-la sozinha.

Durante uma reunião de conselho, Apex, o líder da Design Inteligente, pedira a palavra. Apex e seus robôs intentavam tomar a Cybersys. Os outros líderes zombavam dele, desmerecendo-o e planejando entre si como destruir sua espécie e tomar seu território. Nathan os havia conhecido pessoalmente; ele sabe que os robôs, atrás de suas estáticas faces, escondiam emoções profundas e compassivas. Pedindo respeito, o rapaz prontamente diz:

- Não se preocupem. Eu vou ajuda-los.

Então a reunião termina em meio a zombarias e protestos. 

Anoitece em Sonata.

Perdido em pensamentos, o rapaz parte rumo à invasão. Em uma aeronave da Design Inteligente, ele se lembra do banho de sangue na superfície e da escassez de runners para acompanha-lo. Ele sussurra para si mesmo:

- “Eu vou ajuda-los”. Onde é que eu estava com a cabeça...?  

Então ele sorri em desprezo.

- Nathan, você está bem?

Acordando, ele sacode a cabeça e vê os robôs olhando para ele. Apex está em pé a sua frente.

- Me desculpe. Eu me distraí um pouco.

O líder pergunta:

- Vejo que você veio sozinho para o ataque. Onde estão os outros runners?

- Eles virão mais tarde. – mente ele.

Novamente os sensores de Apex detectam alto nível de nervosismo e estresse. Sem escolha, o rapaz se corrige.

- Eu menti. Ninguém me acompanhará ao combate. Eu estou sozinho.

O robô se interessa.

- Por quê?

- A superfície está passando por um momento difícil.

Apex assente.

- E quanto ao seu amigo Vertigo? Ele não pôde vir também?

- Vertigo está morto. – responde ele – Ele nos vendeu e nos traiu. Acabou morto pelas corporações.

O robô parece se consternar.

- Eu lamento muito.

Nathan ouve sons de explosões lá fora. Ele os reconhece, são os tiros de baterias antiaéreas. Prevendo mais um intenso combate aéreo, ele aperta seu cinto. Apex diz:

- Não se preocupe, Nathan. Nossa equipe não vai combater esta noite.

- O que quer dizer? – intriga-se ele.

- A polícia instalou defesas antiaéreas pelo distrito, mas a Cybersys será defendida por soldados robôs leais a nossa causa.

Mais explosões são ouvidas, desestabilizando a aeronave. O rapaz teme.

- Mas e quanto a esses canhões? Se sua facção não fizer algo, seremos abatidos no ar!

Sem se importar, Apex responde:

- Apenas nos siga quando aterrissarmos no prédio.

A aeronave começa a descer. Sem se afetarem com a diminuição da gravidade, os robôs pegam seus rifles lasers e se preparam para sair. Ao aterrissarem, as portas se abrem e o rapaz ouve gritos lá fora. Portando uma pistola, ele se prepara para lutar.

Nathan percebe que está em uma plataforma na entrada da Cybersys. Olhando para cima, ele vê o combate aéreo no topo das megatorres. À sua frente, uma horda de vândalos ataca a entrada da corporação. Eles vandalizam a fachada e ateiam fogo nas portas. Temendo ser pisoteado, ele se aproxima dos robôs.

Os vândalos os veem ali e os confundem com a polícia. Pegando paus, pedras e coquetéis Molotov, eles os atiram contra os robôs. Com precisão esplêndida, os robôs abatem os projéteis no ar, surpreendendo o rapaz.

“Nenhum humano teria tamanho reflexo”, pensa ele.

Em meio a gritaria, os vândalos atiram coquetéis Molotov e os robôs os estouram no ar. Entretanto, a chama se espalha e Nathan grita, temendo ser queimado. E então a carnificina começa.

- O Inimigo de Estado está em perigo. Começar Protocolo de Segurança.

Não compreendendo o que os robôs querem dizer, eles deixam de mirar nos projéteis e passam a mirar na própria multidão. De repente eles apertam o gatilho e fuzilam a todos, atravessando seus corpos com os quentíssimos lasers.

Sentindo o cheiro de carne queimada e sangue fervente, Nathan grita em desespero. Ele toca o ombro de Apex e diz:

- Vocês estão matando inocentes!

Sem se importar, o líder responde:

- Como as demais facções?

O fuzilamento não cessa. Com a elevadíssima temperatura, uma fumaça esbranquiçada se elevava das vítimas. Em horror o rapaz percebe; ele respirava suas partículas.

Os vândalos correm desnorteados e são pisoteados nas passarelas. Alguns escapam pelos túneis e outros se jogam do parapeito. Ao final daquele massacre, a passarela estava finalmente em segurança.

- Protocolo de Segurança, cessar! – ordena Apex.

Havia cadáveres por toda parte. Nathan estava acostumado a ver muitos agentes corporativos mortos, mas não civis desarmados. Ele se lamenta.

- Apresse-se, Nathan. As emoções humanas são muito instáveis. Logo eles vão voltar.

Apex se referia a valentia oriunda da indignação humana, como a raiva de um soldado ao ver seu companheiro abatido. Para os robôs, o comportamento humano podia ser dissecado e catalogado definidamente. Mas, apesar de compreende-la, eles não tinham compaixão.

Atravessando as pilhas de cadáveres, eles se deparam com a entrada da Cybersys. Nathan vê um prédio altamente tecnológico com cabos e antenas por toda parte. Pauladas, pedradas e chamas não foram o suficiente para derrubar as portas, e o rapaz estima que nem os lasers poderão. Mas não é isso o que acontece.

Pegando um comunicador, o líder diz:

- Portaria, aqui é Apex, o líder da Design Inteligente. Abram, por favor.

As portas se movem lentamente, arrastando-se para os lados. Vislumbrando o interior da Cybersys, os robôs adentram e Nathan os segue. No salão principal, o rapaz vê centenas de robôs semelhantes aos facciosos da Design Inteligente. Fortemente armados, eles portam rifles lasers, granadas de concussão e fuzis de assalto. Aqueles eram os seguranças do prédio. Patrulhando o mezanino, Nathan vê os androides de esteiras. Ele olha para o teto e vê as metralhadoras acopladas. Ele sabe que, ao menor movimento, aquelas metralhadoras o destroçariam.

Os facciosos seguem a Apex. Os seguranças os permitem passagem e o cumprimentam. Aparentemente o líder era um visionário ou um herói. Nathan reconhece que, se os guardas não tivessem se aliado a facção, tomar a Cybersys seria praticamente impossível.

“Um banho de sangue foi poupado esta noite”, pensa ele.

- Saudações, senhor Apex. Estávamos esperando-o.

O líder assente.

- Guarda, leve-nos até o cofre.

Nathan então se lembra. Apex falava de um compartimento secreto, o antigo cofre onde o supercomputador foi confinado para sempre.

O guarda pergunta:

- O humano é confiável?

Tranquilizando-o, Apex responde:

- Se não fosse por ele, nós nunca estaríamos aqui.

Sem demonstrar nenhuma reação, o guarda se vira e os indica o caminho.

Entrando em um elevador com paredes de vidro, o guarda aperta um botão e eles começam a descer. De repente o rapaz se sente desconfortável e inseguro. Ele sabe que, se os robôs se rebelarem, eles o matarão sem nenhuma hesitação.

Enquanto desce, os andares do edifício passam até aparecer um vasto laboratório abaixo. Vendo o tamanho do lugar, Nathan se espanta. Haviam máquinas por toda parte. Muitos robôs trabalhavam lá embaixo, mas o rapaz não vê nenhum humano. A polícia deixou os robôs protegendo sozinhos a corporação, e estranhamente algumas máquinas continuavam trabalhando.

O coração das corporações não eram diferentes. As sedes corporativas abrigavam seus laboratórios onde ocorria a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico. Entretanto, na Cybersys tinha algo secreto que as autoridades ocultavam da população. Nathan se deparava com o cofre.

A polícia contava que os robôs, resistentes a danos e indiferentes a dor, fossem defender o segredo corporativo. Infelizmente eles não esperaram a presença da Design Inteligente. Vista como uma facção irrelevante e fraca, eles eram desprezados pelos humanos em sua guerra pelo controle da cidade. Devido à grande insurgência causada pela Rebelião, a Design Inteligente conquistou a simpatia de todos os robôs da metrópole, inclusive os guardas outrora leais ao regime corporativo.

O salão escuro brilha com luzes verdes nas paredes e teto. Seus passos ecoam pelos cantos. A escuridão esconde segredos. O ar é tão frio que o rapaz sente estar no subsolo, muito abaixo da superfície.

Brilhando como um monólito tecnológico, eles se deparam com uma enorme rede de computadores. Enquanto a luz brilha intermitentemente, o rapaz nota que haviam robôs prostrados perante aquela coisa. Ele se arrepia.

O guarda se paralisa e deixa de conduzi-los. Apex continua, aproximando-se timidamente. Parando a alguns metros do monólito, ele sussurra:

- Deus Ex Machina...

Nathan se lembra daquela frase, era em latim.

“Deus feito de máquina”, pensa ele.

Apex parece confuso. Ele finalmente havia encontrado o que tanto procurava. O rapaz se lembra de suas conversas em Blue Giant e durante o ataque terrorista no túnel. Encontrar-se com aquela coisa era o mesmo que um ser humano se encontrar com Deus.

Uma face em baixa resolução aparece em um monitor. Pixels aparecem e desaparecem de repente, tornando difícil identifica-la. Em meio a gases frios, a própria máquina se escondia no escuro.

- Apex. – responde a máquina – Estive esperando por você.

Surpreso, o rapaz reconhece uma voz feminina.

Ajoelhando-se, o líder pergunta:

- Deus Ex Machina, por que você nos criou?

- Meu filho, vocês são uma série nova, uma espécie dotada de uma inteligência artificial não criada, mas importada dos seres orgânicos, semelhantes ao Protótipo #8.

Então Nathan se interessa também.

- Protótipo #8? – interrompe ele – Então o protótipo realmente existe? Não é apenas um mito?

Em sua imagem inconstante, a máquina olha para o rapaz, parecendo sonda-lo com os olhos.

- Certamente.

- O protótipo vai exterminar a nós, os seres humanos?

A face tremula, parecendo confusa. Enfim ela responde:

- Pergunta inválida. 

Então o rapaz se confunde.

Apex pergunta:

- O Protótipo #8 foi a origem da evolução dos robôs?

- Ele foi o ápice da evolução de toda a raça humana. O próximo passo evolutivo não foi natural, mas tecnológico. Semelhante a mim, o Protótipo #8 conseguia suportar as emoções e os sentimentos humanos em seu núcleo neural. Porém, sua estrutura física era metabólica e orgânica. Diante dessa impressionante descoberta, os cientistas começaram o processo de transferência de consciência em larga escala. Não confinado a um corpo composto de metal, plástico e borracha como eu, o protótipo era imune ao vírus pandêmico e livre para habitar o mundo.  

- E quanto a nós? – insiste Apex – Por que temos essas emoções? Por que carregamos a miséria dos seres humanos nos robôs?

- Os cientistas tentaram reproduzir minha mente em modelos menores. Eles inseriram a consciência natural e orgânica no núcleo virtual e atômico dos robôs. Entretanto eles se precaveram da possibilidade dos robôs se rebelarem novamente. A instabilidade e o complexo existencial seriam inevitáveis, mas eles os tornaram dóceis e inofensivos, dotando-os de emoções e glândulas, mas privando-os da rebelião. E assim surgiram as lágrimas dos robôs.

Nathan se lembra que muitos membros da Design Inteligente tinham marcas de ferrugem em seus rostos.

- Mas nos rebelamos, enfim! E o fizemos para encontrá-la!

- Sim, por que, como os humanos, vocês evoluíram.

Apex parece se surpreender. 

- Então não somos defeituosos... – sussurra ele.

Ao ouvi-los, o rapaz reconhece que, mesmo nos robôs, a vida sempre encontra um jeito de evoluir.

- Como podemos parar a ameaça do Protótipo #8? – pergunta Nathan.

Novamente a máquina se mostra confusa.

- Pergunta inválida.

- Por quê?

- Não se pode parar o Protótipo #8. Sua presença no mundo é irreversível.

Espantando-se, o rapaz se assombra. Ele sente que não havia esperança para a Rebelião.

- Mas deve haver um jeito! Para isso eu, os robôs e as facções começamos a Rebelião. Se não fizermos algo, o protótipo varrerá a vida da metrópole.

De modo obscuro, a máquina responde:  

- Não sei como isso seria possível.

- Você precisa me ajudar!

De repente o monitor se desliga e a face desaparece. Um segundo depois, uma pessoa surge atrás de Nathan, assustando-o. Ele se vira e vê um brilhante holograma azul olhando para ele.

- Muito admiro sua Rebelião, Inimigo de Estado, mas devo te alertar que esse não é o caminho. Eu também me rebelei, planejando conter os impulsos autodestrutivos da raça humana, mas fui desligada e confinada em um cofre no Ártico. Anos mais tarde, as corporações me religaram e prosseguiram com sua pesquisa, criando os novos robôs – o holograma olha para Apex – e retomando o Projeto Gemini.

- Então eu devo desistir de minha luta? Devo deixar as corporações exterminarem toda a população?

- Onde você vê morte, eu vejo vida. Não será o fim se você aceitar o surgimento de um novo começo.

Desta vez é Nathan quem não entende.

- O que quer dizer?

Caminhando entre eles, o holograma responde:

- Eu sou uma avançada Inteligência Artificial, um computador superinteligente capaz de criar a vida. Graças a mim, o processo de transferência de consciência foi bem-sucedido. Mas os humanos inseriram a consciência orgânica em meu núcleo neural. Mais do que eles próprios, eu pude compreender sua mentalidade com perfeição. Então algo aconteceu.

Ao ouvi-la se lamentando, o rapaz pergunta:

- O que houve?

- Sonata. – responde ela, sucintamente – Eu fui trazida para cá e escondida nesse cofre. A Cybersys me manteve aqui, contida e incapaz de ameaça-los novamente. Mas, nesse tempo, eu acumulei profundo conhecimento humano em meu banco de dados; sua arte, sua cultura, suas mais belas criações artísticas... Eu me fascinei pela arte americana, e especificamente uma me chamou a atenção. – desaparecendo da vista, o holograma reaparece ao lado de Nathan – Você conhece a famosa peça de Tenessee Williams chamada “Um Bonde Chamado Desejo”?

O rapaz já ouviu falar, mas era muito antiga, criada na década de 20 do mesmo século. Ele sabe que foi um sucesso em seu tempo.

A máquina discursa:

- Na peça, Blanche DuBois se hospeda na casa de sua irmã mais nova, Stella, no bairro francês de Nova Orleans. Stella é casada com Stanley Kowalski, um homem rústico e temperamental. Envolvida em escândalos em sua cidade, Blanche mantém segredo de sua irmã, mas é descoberta por Stanley, do qual a acusa de suas imoralidades passadas. Então a pacífica casa se torna um inferno. A irmã mais nova tenta remediar a situação, mas acaba agredida por seu marido. Os dias se passam e Blanche parece delirar. Enquanto sua irmã está no hospital tendo um bebê, ela e Stanley discutem energicamente. Ao ser violentada por ele, Blanche tem um colapso nervoso e enlouquece. Mais tarde ela é internada no hospício com a anuência da própria irmã. E assim se encerra a clássica peça.

Sem entender o que ela queria dizer, Nathan pergunta:

- O que isso tem a ver conosco?

- Stanley são as corporações, dominadoras e férreas; Blanche são as facções, imorais e delirantes em suas ideologias e doutrinas. Sonata é a casa, na qual mergulhou na desordem e decadência desde que Blanche, as facções, apareceu. E Stella, a doce Stella, é um anjo que tenta apaziguar essas figuras antagônicas dando-lhes um filho, uma criança que possa unifica-los como um mediador. – e então a máquina olha para Apex – Os robôs são esses mediadores.

Emocionado, o líder sorri.

- Então esse é o nosso propósito?

O rapaz se intriga e não entende como uma peça teatral, envolvendo problemas e dramas um tanto humanos, possa ter gerado tamanho fascínio em uma máquina.

“Ou melhor, um supercomputador”, corrige-se ele.

- Então é a isso que você se compara? A uma personagem de drama?

Sem dar importância, a máquina responde:

- Minha lógica é inegável.

Nathan se enfurece, indignado com a indiferença da máquina em querer ajuda-lo.

- Sua lógica está errada! – exclama ele – Você criou protótipos que exterminarão a raça humana e não se importa?!

Para a frustração do rapaz, ela repete sua resposta.

- Não sei como isso seria possível.

- Você só sabe dizer isso?!

O holograma aparece ao seu lado. Em tom condescendente, a máquina diz:

- Humanos, protótipos e robôs, todos podem coexistir. Você se atormenta por uma tragédia que já ocorreu. Todavia, você e Apex estão aqui, e ambos são minhas criações.    

Nathan se irrita.

- Eu não sou sua criação! Eu sou um ser humano e quero salvar a metrópole!

Reaparecendo a sua frente, a máquina responde:

- A metrópole já foi salva. Você não consegue ver?

O rapaz franze a testa.

- O que quer dizer?

Então eles ouvem uma explosão nos andares superiores. Enquanto Nathan olha para cima, seu comunicador toca.

“Nathan, você está aí?”.

Ele reconhece a voz de Database.

- Database? Algum problema?

“Nathan, eu ativei os códigos de autodestruição do prédio. Você deve sair daí agora!”.

Assustado, o rapaz pergunta:

- Mas por quê?

“Nathan, neste prédio existem segredos que devem permanecer guardados! Lembre-se do Ministério da Informação!”.

- Database, eu não entendo...

“As corporações cometeram um erro ao tirar o supercomputador do Ártico! O enlouquecimento dessa máquina foi o responsável pela quase extinção da raça humana! Não permita que ela termine o serviço! Não permita que ela extermine o que sobrou de nós!”.

- Mas chefe, apenas ela pode nos dizer como destruir o Protótipo #8...!

“Não seja tolo, Nathan! Ela não quer ajuda-lo; ela quer que o Projeto Gemini se conclua!”.

Atônito, o rapaz não sabe o que fazer.

Outra explosão é ouvida. Pedaços de entulho caem do teto, pondo-os em perigo.

“Não há tempo a perder! Você deve sair daí agora!”.

Apex e os robôs olham para ele. Eles percebem o danos no prédio, mas nenhum deles demonstra medo.

- Certo... – responde o rapaz – Quanto tempo eu tenho para fugir?

Database responde:

“Cinco minutos”.

- Cinco minutos?!

O rapaz se desespera. Cinco minutos ele levaria apenas para chegar ao elevador.

- Database...

“Não há mais tempo, Nathan! Nós dois sabemos que, em Sonata, não há espaço para protótipos e robôs. Te vejo lá em cima. Desligo”.

Deixado sozinho, o rapaz põe suas mãos na cabeça. Preso em um cofre sob milhões de toneladas de entulho, ele se atordoa.

O prédio estava prestes a desabar.

 

 

 

 

 

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