(Arte do jogo Deus Ex, lançado em 2000 pela Ion Storm)
Os últimos dias
foram tensos para Nathan. Database se ausentou e ele ficou sozinho no Submundo.
As reuniões do conselho foram feitas sem sua presença e o rapaz teve de dar
explicações aos líderes facciosos. Com todos eles saboreando suas vitórias, eles
cobravam o Submundo dizendo: “a Rebelião tem que continuar!”.
Laura se ausentou
também. A garota teve algumas ofertas de trabalho e foi atender seus clientes.
Ela não dava muitos detalhes e Nathan não ousava pedi-los. O rapaz desconfiava
que ela não tinha trabalho nenhum e que, na verdade, ela ia resolver seus
problemas familiares. Respeitando-a, ele prefere manter sua privacidade e
deixa-la sozinha.
Durante uma
reunião de conselho, Apex, o líder da Design Inteligente, pedira a palavra.
Apex e seus robôs intentavam tomar a Cybersys. Os outros líderes zombavam dele,
desmerecendo-o e planejando entre si como destruir sua espécie e tomar seu
território. Nathan os havia conhecido pessoalmente; ele sabe que os robôs,
atrás de suas estáticas faces, escondiam emoções profundas e compassivas.
Pedindo respeito, o rapaz prontamente diz:
- Não se
preocupem. Eu vou ajuda-los.
Então a reunião
termina em meio a zombarias e protestos.
Anoitece em
Sonata.
Perdido em
pensamentos, o rapaz parte rumo à invasão. Em uma aeronave da Design Inteligente, ele se lembra do banho de sangue na superfície e da escassez de runners para
acompanha-lo. Ele sussurra para si mesmo:
- “Eu vou
ajuda-los”. Onde é que eu estava com a cabeça...?
Então ele sorri
em desprezo.
- Nathan, você
está bem?
Acordando, ele
sacode a cabeça e vê os robôs olhando para ele. Apex está em pé a sua frente.
- Me desculpe. Eu
me distraí um pouco.
O líder pergunta:
- Vejo que você
veio sozinho para o ataque. Onde estão os outros runners?
- Eles virão mais
tarde. – mente ele.
Novamente os
sensores de Apex detectam alto nível de nervosismo e estresse. Sem escolha, o
rapaz se corrige.
- Eu menti.
Ninguém me acompanhará ao combate. Eu estou sozinho.
O robô se
interessa.
- Por quê?
- A superfície está
passando por um momento difícil.
Apex assente.
- E quanto ao seu
amigo Vertigo? Ele não pôde vir também?
- Vertigo está
morto. – responde ele – Ele nos vendeu e nos traiu. Acabou morto pelas
corporações.
O robô parece se
consternar.
- Eu lamento
muito.
Nathan ouve sons
de explosões lá fora. Ele os reconhece, são os tiros de baterias antiaéreas.
Prevendo mais um intenso combate aéreo, ele aperta seu cinto. Apex diz:
- Não se
preocupe, Nathan. Nossa equipe não vai combater esta noite.
- O que quer
dizer? – intriga-se ele.
- A polícia
instalou defesas antiaéreas pelo distrito, mas a Cybersys será defendida por
soldados robôs leais a nossa causa.
Mais explosões
são ouvidas, desestabilizando a aeronave. O rapaz teme.
- Mas e quanto a
esses canhões? Se sua facção não fizer algo, seremos abatidos no ar!
Sem se importar,
Apex responde:
- Apenas nos siga
quando aterrissarmos no prédio.
A aeronave começa
a descer. Sem se afetarem com a diminuição da gravidade, os robôs pegam seus
rifles lasers e se preparam para sair. Ao aterrissarem, as portas se abrem e o
rapaz ouve gritos lá fora. Portando uma pistola, ele se prepara para
lutar.
Nathan percebe
que está em uma plataforma na entrada da Cybersys. Olhando para cima, ele vê o
combate aéreo no topo das megatorres. À sua frente, uma horda de vândalos ataca
a entrada da corporação. Eles vandalizam a fachada e ateiam fogo nas portas.
Temendo ser pisoteado, ele se aproxima dos robôs.
Os vândalos os
veem ali e os confundem com a polícia. Pegando paus, pedras e coquetéis
Molotov, eles os atiram contra os robôs. Com precisão esplêndida, os robôs
abatem os projéteis no ar, surpreendendo o rapaz.
“Nenhum humano
teria tamanho reflexo”, pensa ele.
Em meio a
gritaria, os vândalos atiram coquetéis Molotov e os robôs os estouram no ar.
Entretanto, a chama se espalha e Nathan grita, temendo ser queimado. E então a
carnificina começa.
- O Inimigo de
Estado está em perigo. Começar Protocolo de Segurança.
Não compreendendo
o que os robôs querem dizer, eles deixam de mirar nos projéteis e passam a
mirar na própria multidão. De repente eles apertam o gatilho e fuzilam a todos,
atravessando seus corpos com os quentíssimos lasers.
Sentindo o cheiro
de carne queimada e sangue fervente, Nathan grita em desespero. Ele toca o
ombro de Apex e diz:
- Vocês estão
matando inocentes!
Sem se importar,
o líder responde:
- Como as demais
facções?
O fuzilamento não
cessa. Com a elevadíssima temperatura, uma fumaça esbranquiçada se
elevava das vítimas. Em horror o rapaz percebe; ele respirava suas partículas.
Os vândalos
correm desnorteados e são pisoteados nas passarelas. Alguns escapam pelos
túneis e outros se jogam do parapeito. Ao final daquele massacre, a passarela
estava finalmente em segurança.
- Protocolo de
Segurança, cessar! – ordena Apex.
Havia cadáveres
por toda parte. Nathan estava acostumado a ver muitos agentes corporativos
mortos, mas não civis desarmados. Ele se lamenta.
- Apresse-se,
Nathan. As emoções humanas são muito instáveis. Logo eles vão voltar.
Apex se referia a
valentia oriunda da indignação humana, como a raiva de um soldado ao ver seu
companheiro abatido. Para os robôs, o comportamento humano podia ser dissecado
e catalogado definidamente. Mas, apesar de compreende-la, eles não tinham
compaixão.
Atravessando as
pilhas de cadáveres, eles se deparam com a entrada da Cybersys. Nathan vê um
prédio altamente tecnológico com cabos e antenas por toda parte. Pauladas,
pedradas e chamas não foram o suficiente para derrubar as portas, e o rapaz
estima que nem os lasers poderão. Mas não é isso o que acontece.
Pegando um
comunicador, o líder diz:
- Portaria, aqui
é Apex, o líder da Design Inteligente. Abram, por favor.
As portas se
movem lentamente, arrastando-se para os lados. Vislumbrando o interior da
Cybersys, os robôs adentram e Nathan os segue. No salão principal, o rapaz vê
centenas de robôs semelhantes aos facciosos da Design Inteligente. Fortemente
armados, eles portam rifles lasers, granadas de concussão e fuzis de assalto.
Aqueles eram os seguranças do prédio. Patrulhando o mezanino, Nathan vê os
androides de esteiras. Ele olha para o teto e vê as metralhadoras acopladas.
Ele sabe que, ao menor movimento, aquelas metralhadoras o destroçariam.
Os facciosos
seguem a Apex. Os seguranças os permitem passagem e o cumprimentam.
Aparentemente o líder era um visionário ou um herói. Nathan reconhece que, se
os guardas não tivessem se aliado a facção, tomar a Cybersys seria praticamente
impossível.
“Um banho de
sangue foi poupado esta noite”, pensa ele.
- Saudações,
senhor Apex. Estávamos esperando-o.
O líder assente.
- Guarda,
leve-nos até o cofre.
Nathan então se
lembra. Apex falava de um compartimento secreto, o antigo cofre onde o
supercomputador foi confinado para sempre.
O guarda
pergunta:
- O humano é
confiável?
Tranquilizando-o,
Apex responde:
- Se não fosse
por ele, nós nunca estaríamos aqui.
Sem demonstrar nenhuma
reação, o guarda se vira e os indica o caminho.
Entrando em um elevador
com paredes de vidro, o guarda aperta um botão e eles começam a descer. De
repente o rapaz se sente desconfortável e inseguro. Ele sabe que, se os robôs
se rebelarem, eles o matarão sem nenhuma hesitação.
Enquanto desce,
os andares do edifício passam até aparecer um vasto laboratório abaixo. Vendo o
tamanho do lugar, Nathan se espanta. Haviam máquinas por toda parte. Muitos
robôs trabalhavam lá embaixo, mas o rapaz não vê nenhum humano. A polícia
deixou os robôs protegendo sozinhos a corporação, e estranhamente algumas
máquinas continuavam trabalhando.
O coração das
corporações não eram diferentes. As sedes corporativas abrigavam seus
laboratórios onde ocorria a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico. Entretanto,
na Cybersys tinha algo secreto que as autoridades ocultavam da população.
Nathan se deparava com o cofre.
A polícia contava
que os robôs, resistentes a danos e indiferentes a dor, fossem defender o
segredo corporativo. Infelizmente eles não esperaram a presença da Design
Inteligente. Vista como uma facção irrelevante e fraca, eles eram desprezados
pelos humanos em sua guerra pelo controle da cidade. Devido à grande
insurgência causada pela Rebelião, a Design Inteligente conquistou a simpatia
de todos os robôs da metrópole, inclusive os guardas outrora leais ao regime
corporativo.
O salão escuro
brilha com luzes verdes nas paredes e teto. Seus passos ecoam pelos cantos. A
escuridão esconde segredos. O ar é tão frio que o rapaz sente estar no subsolo,
muito abaixo da superfície.
Brilhando como um
monólito tecnológico, eles se deparam com uma enorme rede de computadores.
Enquanto a luz brilha intermitentemente, o rapaz nota que haviam robôs
prostrados perante aquela coisa. Ele se arrepia.
O guarda se
paralisa e deixa de conduzi-los. Apex continua, aproximando-se timidamente.
Parando a alguns metros do monólito, ele sussurra:
- Deus Ex Machina...
Nathan se lembra
daquela frase, era em latim.
“Deus feito de
máquina”, pensa ele.
Apex parece
confuso. Ele finalmente havia encontrado o que tanto procurava. O rapaz se
lembra de suas conversas em Blue Giant e durante o ataque terrorista no túnel.
Encontrar-se com aquela coisa era o mesmo que um ser humano se encontrar com
Deus.
Uma face em baixa
resolução aparece em um monitor. Pixels aparecem e desaparecem de repente,
tornando difícil identifica-la. Em meio a gases frios, a própria máquina se
escondia no escuro.
- Apex. –
responde a máquina – Estive esperando por você.
Surpreso, o rapaz
reconhece uma voz feminina.
Ajoelhando-se, o
líder pergunta:
- Deus Ex
Machina, por que você nos criou?
- Meu filho,
vocês são uma série nova, uma espécie dotada de uma inteligência artificial não
criada, mas importada dos seres orgânicos, semelhantes ao Protótipo #8.
Então Nathan se
interessa também.
- Protótipo #8? –
interrompe ele – Então o protótipo realmente existe? Não é apenas um mito?
Em sua imagem
inconstante, a máquina olha para o rapaz, parecendo sonda-lo com os olhos.
- Certamente.
- O protótipo vai
exterminar a nós, os seres humanos?
A face tremula,
parecendo confusa. Enfim ela responde:
- Pergunta
inválida.
Então o rapaz se
confunde.
Apex pergunta:
- O Protótipo #8
foi a origem da evolução dos robôs?
- Ele foi o ápice
da evolução de toda a raça humana. O próximo passo evolutivo não foi natural,
mas tecnológico. Semelhante a mim, o Protótipo #8 conseguia suportar as emoções
e os sentimentos humanos em seu núcleo neural. Porém, sua estrutura física era
metabólica e orgânica. Diante dessa impressionante descoberta, os cientistas
começaram o processo de transferência de consciência em larga escala. Não
confinado a um corpo composto de metal, plástico e borracha como eu, o
protótipo era imune ao vírus pandêmico e livre para habitar o mundo.
- E quanto a nós?
– insiste Apex – Por que temos essas emoções? Por que carregamos a miséria dos
seres humanos nos robôs?
- Os cientistas
tentaram reproduzir minha mente em modelos menores. Eles inseriram a
consciência natural e orgânica no núcleo virtual e atômico dos robôs.
Entretanto eles se precaveram da possibilidade dos robôs se rebelarem
novamente. A instabilidade e o complexo existencial seriam inevitáveis, mas
eles os tornaram dóceis e inofensivos, dotando-os de emoções e glândulas, mas
privando-os da rebelião. E assim surgiram as lágrimas dos robôs.
Nathan se lembra
que muitos membros da Design Inteligente tinham marcas de ferrugem em seus
rostos.
- Mas nos
rebelamos, enfim! E o fizemos para encontrá-la!
- Sim, por que,
como os humanos, vocês evoluíram.
Apex parece se surpreender.
- Então não somos
defeituosos... – sussurra ele.
Ao ouvi-los, o
rapaz reconhece que, mesmo nos robôs, a vida sempre encontra um jeito de evoluir.
- Como podemos
parar a ameaça do Protótipo #8? – pergunta Nathan.
Novamente a
máquina se mostra confusa.
- Pergunta
inválida.
- Por quê?
- Não se pode
parar o Protótipo #8. Sua presença no mundo é irreversível.
Espantando-se, o
rapaz se assombra. Ele sente que não havia esperança para a Rebelião.
- Mas deve haver
um jeito! Para isso eu, os robôs e as facções começamos a Rebelião.
Se não fizermos algo, o protótipo varrerá a vida da metrópole.
De modo obscuro,
a máquina responde:
- Não sei como
isso seria possível.
- Você precisa me ajudar!
De repente o
monitor se desliga e a face desaparece. Um segundo depois, uma pessoa surge
atrás de Nathan, assustando-o. Ele se vira e vê um brilhante holograma azul
olhando para ele.
- Muito admiro
sua Rebelião, Inimigo de Estado, mas devo te alertar que esse não é o caminho.
Eu também me rebelei, planejando conter os impulsos autodestrutivos da raça
humana, mas fui desligada e confinada em um cofre no Ártico. Anos mais tarde,
as corporações me religaram e prosseguiram com sua pesquisa, criando os novos
robôs – o holograma olha para Apex – e retomando o Projeto Gemini.
- Então eu devo
desistir de minha luta? Devo deixar as corporações exterminarem toda a população?
- Onde você vê
morte, eu vejo vida. Não será o fim se você aceitar o surgimento de um novo começo.
Desta vez é
Nathan quem não entende.
- O que quer
dizer?
Caminhando entre
eles, o holograma responde:
- Eu sou uma
avançada Inteligência Artificial, um computador superinteligente capaz de criar
a vida. Graças a mim, o processo de transferência de consciência foi bem-sucedido.
Mas os humanos inseriram a consciência orgânica em meu núcleo neural. Mais do
que eles próprios, eu pude compreender sua mentalidade com perfeição. Então
algo aconteceu.
Ao ouvi-la se
lamentando, o rapaz pergunta:
- O que houve?
- Sonata. –
responde ela, sucintamente – Eu fui trazida para cá e escondida nesse cofre. A
Cybersys me manteve aqui, contida e incapaz de ameaça-los novamente. Mas, nesse
tempo, eu acumulei profundo conhecimento humano em meu banco de dados; sua arte,
sua cultura, suas mais belas criações artísticas... Eu me fascinei pela arte
americana, e especificamente uma me chamou a atenção. – desaparecendo da vista,
o holograma reaparece ao lado de Nathan – Você conhece a famosa peça de
Tenessee Williams chamada “Um Bonde Chamado Desejo”?
O rapaz já ouviu
falar, mas era muito antiga, criada na década de 20 do mesmo século. Ele sabe
que foi um sucesso em seu tempo.
A máquina
discursa:
- Na peça,
Blanche DuBois se hospeda na casa de sua irmã mais nova, Stella, no bairro
francês de Nova Orleans. Stella é casada com Stanley Kowalski, um homem rústico
e temperamental. Envolvida em escândalos em sua cidade, Blanche mantém segredo
de sua irmã, mas é descoberta por Stanley, do qual a acusa de suas imoralidades
passadas. Então a pacífica casa se torna um inferno. A irmã mais nova tenta
remediar a situação, mas acaba agredida por seu marido. Os dias se passam e Blanche
parece delirar. Enquanto sua irmã está no hospital tendo um bebê, ela e Stanley
discutem energicamente. Ao ser violentada por ele, Blanche tem um colapso
nervoso e enlouquece. Mais tarde ela é internada no hospício com a anuência da própria
irmã. E assim se encerra a clássica peça.
Sem entender o
que ela queria dizer, Nathan pergunta:
- O que isso tem
a ver conosco?
- Stanley são as
corporações, dominadoras e férreas; Blanche são as facções, imorais e
delirantes em suas ideologias e doutrinas. Sonata é a casa, na qual mergulhou
na desordem e decadência desde que Blanche, as facções, apareceu. E Stella, a
doce Stella, é um anjo que tenta apaziguar essas figuras antagônicas dando-lhes
um filho, uma criança que possa unifica-los como um mediador. – e então a
máquina olha para Apex – Os robôs são esses mediadores.
Emocionado, o
líder sorri.
- Então esse é o
nosso propósito?
O rapaz se
intriga e não entende como uma peça teatral, envolvendo problemas e dramas um
tanto humanos, possa ter gerado tamanho fascínio em uma máquina.
“Ou melhor, um
supercomputador”, corrige-se ele.
- Então é a isso que
você se compara? A uma personagem de drama?
Sem dar
importância, a máquina responde:
- Minha lógica é
inegável.
Nathan se
enfurece, indignado com a indiferença da máquina em querer ajuda-lo.
- Sua lógica está
errada! – exclama ele – Você criou protótipos que exterminarão a raça humana e
não se importa?!
Para a frustração
do rapaz, ela repete sua resposta.
- Não sei como
isso seria possível.
- Você só sabe
dizer isso?!
O holograma
aparece ao seu lado. Em tom condescendente, a máquina diz:
- Humanos,
protótipos e robôs, todos podem coexistir. Você se atormenta por uma tragédia
que já ocorreu. Todavia, você e Apex estão aqui, e ambos são minhas
criações.
Nathan se irrita.
- Eu não sou sua
criação! Eu sou um ser humano e quero salvar a metrópole!
Reaparecendo a
sua frente, a máquina responde:
- A metrópole já
foi salva. Você não consegue ver?
O rapaz franze a
testa.
- O que quer
dizer?
Então eles ouvem
uma explosão nos andares superiores. Enquanto Nathan olha para cima, seu
comunicador toca.
“Nathan, você
está aí?”.
Ele reconhece a
voz de Database.
- Database? Algum
problema?
“Nathan, eu
ativei os códigos de autodestruição do prédio. Você deve sair daí agora!”.
Assustado, o
rapaz pergunta:
- Mas por quê?
“Nathan, neste
prédio existem segredos que devem permanecer guardados! Lembre-se do Ministério
da Informação!”.
- Database, eu
não entendo...
“As corporações
cometeram um erro ao tirar o supercomputador do Ártico! O enlouquecimento dessa
máquina foi o responsável pela quase extinção da raça humana! Não permita que
ela termine o serviço! Não permita que ela extermine o que sobrou de nós!”.
- Mas chefe,
apenas ela pode nos dizer como destruir o Protótipo #8...!
“Não seja tolo,
Nathan! Ela não quer ajuda-lo; ela quer que o Projeto Gemini se conclua!”.
Atônito, o rapaz
não sabe o que fazer.
Outra explosão é
ouvida. Pedaços de entulho caem do teto, pondo-os em perigo.
“Não há tempo a
perder! Você deve sair daí agora!”.
Apex e os robôs
olham para ele. Eles percebem o danos no prédio, mas nenhum deles demonstra
medo.
- Certo... –
responde o rapaz – Quanto tempo eu tenho para fugir?
Database
responde:
“Cinco minutos”.
- Cinco minutos?!
O rapaz se
desespera. Cinco minutos ele levaria apenas para chegar ao elevador.
- Database...
“Não há mais
tempo, Nathan! Nós dois sabemos que, em Sonata, não há espaço para protótipos e
robôs. Te vejo lá em cima. Desligo”.
Deixado sozinho,
o rapaz põe suas mãos na cabeça. Preso em um cofre sob milhões de toneladas de
entulho, ele se atordoa.
O prédio estava
prestes a desabar.
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