quinta-feira, 10 de março de 2022

Liubliana - 01 - Introdução

 


(Foto de D. Wedam)


Em 1760 a Inglaterra vivia o nascimento da Primeira Revolução Industrial. Com a invenção das máquinas movidas a carvão e a vapor, a indústria, principalmente a têxtil, floresceu, aumentando a produção de bens e serviços como nunca antes. No ano de 1840 a Inglaterra vivia sua Segunda Revolução Industrial, com a descoberta da eletricidade e do aço. 

Adotando o chamado “Isolamento Esplêndido”, o Império Britânico se manteve longe dos constantes conflitos da Europa continental, reservando-se ao seu desenvolvimento interno e enriquecendo sua burguesia. Entretanto a descoberta de uma nova fonte de energia mudaria o rumo da Europa para sempre.

Em uma província obscura do Império Austro-Húngaro, uma nova fonte de energia surge. Exploradores descobriram um misterioso líquido verde cuja consistência se assemelhava à agua, mas que curiosamente brilhava no escuro. Cientistas o estudaram e constataram suas impressionantes características; além do potencial energético, o líquido tinha propriedades fertilizantes e medicinais.

Maravilhados com sua incrível descoberta, os cientistas o batizaram de “Plasma”, uma metáfora ao sangue da terra.

Interessados na nova energia, a burguesia inglesa pressionou o Parlamento e logo o Império Britânico se aproximou dos austro-húngaros, propondo-lhes uma aliança. Assim, em 1875, os britânicos e os austro-húngaros firmaram um acordo de cooperação mútua, destacando o desenvolvimento técnico e industrial para ambos os povos. Enraivecido, Bismarck prontamente se opôs à aliança, mas nada pode fazer. O chanceler não quis arriscar a existência do recém-criado Império Alemão confrontando os ingleses.    

Assim a rural e atrasada Carníola surgia no mapa. Outrora uma relíquia da Idade Média, Carníola passou a receber nobres, burgueses e engenheiros de toda a Europa. Todos queriam conhecer a miraculosa fonte energética capaz de mover máquinas, fertilizar o solo e curar doenças. Populações inglesas inteiras se assentaram na província, tornando-os uma minoria étnica. Os burgueses financiaram a indústria, os engenheiros montaram as máquinas e os operários treinaram a população local. Do dia para a noite, Carníola rivalizava com os prussianos e os franceses, tornando-se referência na produção industrial. Com a nova energia, o futuro do Império Austro-Húngaro estava garantido.

O ano é 1889. Carníola, a obscura província, agora se assemelhava à própria Inglaterra. Superpopulosa, multiétnica e poluída por centenas de chaminés industriais, a província pagava o preço pelo progresso. Violência e miséria se alastravam pelas ruas. Becos escuros eram evitados à noite. No céu, uma fumaça esverdeada de Plasma subia às nuvens. Carníola se tornara o coração negro do império, uma consequência à industrialização rápida e irresponsável promovida por seus governantes.

Alguns culpavam os britânicos, outros o próprio Império Austro-Húngaro, mas não haviam culpados ou inocentes. Na incessante busca pela riqueza, a ganância corrompia a todos.

Mas a violência não era tudo em Carníola; um novo horror surge para assombrar as ruas da antiga capital provinciana:

Liubliana.         

 

 

 

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