(Foto de D. Wedam)
Em 1760 a
Inglaterra vivia o nascimento da Primeira Revolução Industrial. Com a invenção
das máquinas movidas a carvão e a vapor, a indústria, principalmente a têxtil,
floresceu, aumentando a produção de bens e serviços como nunca antes. No ano de
1840 a Inglaterra vivia sua Segunda Revolução Industrial, com a descoberta da
eletricidade e do aço.
Adotando o chamado “Isolamento Esplêndido”, o Império Britânico se manteve longe dos
constantes conflitos da Europa continental, reservando-se ao seu
desenvolvimento interno e enriquecendo sua burguesia. Entretanto a descoberta
de uma nova fonte de energia mudaria o rumo da Europa para sempre.
Em uma província
obscura do Império Austro-Húngaro, uma nova fonte de energia surge. Exploradores descobriram um misterioso líquido
verde cuja consistência se assemelhava à agua, mas que curiosamente brilhava no
escuro. Cientistas o estudaram e constataram suas impressionantes
características; além do potencial energético, o líquido tinha propriedades
fertilizantes e medicinais.
Maravilhados com
sua incrível descoberta, os cientistas o batizaram de “Plasma”, uma metáfora ao
sangue da terra.
Interessados na
nova energia, a burguesia inglesa pressionou o Parlamento e logo o Império
Britânico se aproximou dos austro-húngaros, propondo-lhes uma aliança. Assim,
em 1875, os britânicos e os austro-húngaros firmaram um acordo de cooperação
mútua, destacando o desenvolvimento técnico e industrial para ambos os povos.
Enraivecido, Bismarck prontamente se opôs à aliança, mas nada pode fazer. O chanceler não
quis arriscar a existência do recém-criado Império Alemão confrontando os
ingleses.
Assim a rural e
atrasada Carníola surgia no mapa. Outrora uma relíquia da Idade Média, Carníola
passou a receber nobres, burgueses e engenheiros de toda a Europa. Todos
queriam conhecer a miraculosa fonte energética capaz de mover máquinas,
fertilizar o solo e curar doenças. Populações inglesas inteiras se assentaram
na província, tornando-os uma minoria étnica. Os burgueses financiaram a
indústria, os engenheiros montaram as máquinas e os operários treinaram a
população local. Do dia para a noite, Carníola rivalizava com os prussianos e os
franceses, tornando-se referência na produção industrial. Com a nova energia, o
futuro do Império Austro-Húngaro estava garantido.
O ano é 1889. Carníola, a obscura província, agora se assemelhava à própria Inglaterra. Superpopulosa,
multiétnica e poluída por centenas de chaminés industriais, a província pagava
o preço pelo progresso. Violência e miséria se alastravam pelas ruas. Becos escuros
eram evitados à noite. No céu, uma fumaça esverdeada de Plasma subia às nuvens. Carníola
se tornara o coração negro do império, uma consequência à industrialização
rápida e irresponsável promovida por seus governantes.
Alguns culpavam
os britânicos, outros o próprio Império Austro-Húngaro, mas não haviam culpados
ou inocentes. Na incessante busca pela riqueza, a ganância corrompia a todos.
Mas a violência
não era tudo em Carníola; um novo horror surge para assombrar as ruas da antiga
capital provinciana:
Liubliana.
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