sábado, 25 de dezembro de 2021

Sonata - 67 - O Ataque Final

 


(Artista desconhecido)


No Submundo, o ataque final se prepara.

O conselho se reúne para definir a estratégia a seguir na Cúpula Corporativa. Database conversa com os líderes das facções através de seus monitores. Ao ver Nathan pessoalmente com o líder da Design Inteligente, os facciosos protestam.

- Por acaso o Submundo se aliou aos robôs?! – pergunta Huxley.

- Não. Quero dizer... Sim. É difícil dizer... – confunde-se Database.

- Database, se o Submundo se aliou a uma facção, então ele perdeu a neutralidade. – afirma Dawkins.

Uma discussão se inicia. Nathan intervém:

- Líderes facciosos, escutem-me. Eu entendo sua preocupação, mas devo informar que agora o Inimigo de Estado e a Design Inteligente são um.

Tirando o cigarro da boca, o xogum Tokugawa responde:

- Como podem ser um? E por que está tão diferente?

Todos notam como Nathan se portava de um jeito pouco natural.

Ele calmamente responde:

- Eu me encontrei com a deusa dos robôs e criadora do Protótipo #8, Deus Ex Machina. Em troca de sua libertação, ela me concedeu a lealdade da Design Inteligente. Eles servem a mim agora.

Os facciosos se espantam.

- Podem as máquinas se aliarem a um ser humano após tudo o que aconteceu? Quem garante que elas não vão se rebelar contra nós e nos destruir como fizeram anteriormente? – pergunta George.

Desta vez é Apex quem responde:

- Não somos humanos para os enganar e os trair.

Então os líderes se irritam.

- Isso ainda não explica como se tornou essa aberração perante os olhos de Deus. – comenta Jean Baptiste.

Nathan esclarece:

- Eu fui ferido no ataque à Hoverdrive. Os robôs salvaram a minha vida.

- Tornando-o um deles? – insinua Dawkins.

- Tornando-me o chefe da Rebelião.

Então os líderes se calam. Eles resmungam entre si, cheios de desconfiança. Em um covil cheio de assassinos e bandidos, se impondo ele superestimava sua importância.

Um minuto depois Database diz:

- Senhores, eu tenho traçado a estratégia do ataque. Ouçam-me.

No meio de sua sala, um holograma detalhado do mapa da Cúpula Corporativa aparece. O distrito girava lentamente, expondo as passagens e vias entre os prédios.

- Estudando as características e potenciais de cada um, defini os melhores pontos de ataque baseados nos atributos de cada facção. Os Clérigos do Recomeço atacarão pela frente e a Frente Ateísta por trás do edifício corporativo.

- Por que pela frente? – pergunta Jean Baptiste.

- Que melhor maneira de professar publicamente sua fé se não pelos mártires da Rebelião?

Ao ouvi-lo, o bispo concorda sorrindo.

- Você quer que a Frente Ateísta previna um ataque à praça para que esses fanáticos professem sua fé vazia? – irrita-se Dawkins.

- Não. – discorda o chefe – Vocês terão metade do principal distrito de Sonata só para si. De lá vocês poderão propagandear sua mensagem antirreligiosa como bem entenderem.

Dawkins concorda também.

Database continua:

- A Bushido atacará pelo oeste e a 4 de Julho pelo leste.

- Nunca! – protesta Tokugawa, assustando a todos.

- Por quê?

Com sua voz grossa, o samurai responde:

- A Bushido atacará pelo leste, como uma legítima potência oriental.

- Muito bem. – concorda ele – Os tanques M1 avançarão pela praça a oeste enquanto os aviões Zero fornecerão suporte aéreo a leste. Ambas as facções poderão realizar ataques coordenados com os robôs samurais e os howitzers americanos.

- Pretende estrangular o distrito? – pergunta George, referindo-se ao uso de seu poderio militar.

- Exatamente.

Então o americano sorri.

- A superfície é um local isolado e propício ao transporte de munição e tropas. Vamos cortar o fornecimento inimigo. Os Trans-humanistas assegurarão a parte norte e a Resistência Purista tomará a parte sul.

Nasier protesta.

- Pretende nos enviar àquele fosso de esgoto e baratas? O que pensa que somos? Habitantes da superfície?

Database se irrita, pois o elitismo preconceituoso dos puristas atacava os runners e o próprio Submundo.

- Não, senhor Nasier. As tropas puristas e os androides Advance têm maior mobilidade nos espaços confinados da superfície. Os Trans-humanistas tem armamento pesado e maior poder de fogo. Eles estarão lá para garantir que o inimigo não nos surpreenda.

Nasier se silencia. Ele não está satisfeito e suspeita do silêncio de Huxley.  

- E quanto ao Inimigo de Estado? – pergunta George – Onde ele estará durante a invasão?

- Nathan e os robôs entrarão no confronto ao lado dos Clérigos do Recomeço. Após aquele atentado no hospital dos ateístas, acredito que uni-los recupere a credibilidade dos clérigos e do Inimigo do Estado perante o povo.

Com olhar sério, Dawkins comenta:

- Você faz um jogo perigoso, Database. Unindo desafetos e inimigos mortais no mesmo front...

O chefe evasivamente responde:

- Como eu disse anteriormente, montei a estratégia baseando-me nas características e potenciais de cada um.

Desconfiado, Tokugawa pergunta:

- E quem te fez o general de todos nós?   

- O Submundo apresenta apenas uma sugestão. As facções são livres para modificar ou apresentar um melhor modelo a seguir. Mas devo alerta-los que não temos muito tempo. Enquanto discutimos aqui, o inimigo se reorganiza e se fortalece. Devemos atacar imediatamente.

O chefe falava de maneira perspicaz, manipulando as facções para fazer o que ele queria. Incitando a urgência do ataque, os líderes se desencorajavam e seguiam a seus planos.

Em tom irônico, Huxley pergunta:

- Eu não ouvi o papel dos runners em sua estratégia. Eles ficarão de expectadores na sua Rebelião?

O trans-humanista insinuava que os marginais de Database foram aniquilados no ataque ao Mystique.

Inesperadamente Nathan responde:

- Nenhum outro jovem será usado e morto na Rebelião novamente. Não mais será derramado sangue inocente. Daqui para frente, a Design Inteligente substituirá os runners na Rebelião.

Com a nova imposição de Nathan, os líderes novamente se surpreendem.  

Ainda insinuante, Huxley faz outra pergunta:

- Antes eu não confiava nos robôs, mas agora eu tenho dúvidas em continuar confiando no próprio Inimigo de Estado. Afinal, ele libertou o supercomputador responsável pelo Projeto Gemini.

O rapaz é incisivo ao responder.

- Não foi Deus Ex Machina a responsável pelo Projeto Gemini e sim a própria humanidade. E é muito irônico você não confiar nos robôs quando é a sua facção que defende a união dos seres orgânicos com as máquinas...

Então todos riem de Huxley, fazendo-o se irritar.

Database informa:

- É importante que o povo esteja presente na queda das corporações. Eu convocarei uma manifestação hoje à noite.

Os líderes concordam. Lembrando-se da enorme carga sobre a praça, Dawkins comenta:

- Espero que a plataforma não ceda.

 

§

 

Nathan e os robôs viajam em silêncio. A frota dos clérigos voa ao lado. Em meio a explosões da bateria antiaérea, as aeronaves se aproximavam da Cúpula Corporativa.

Os Zeros japoneses cruzam o céu. Os antiaéreos da polícia tentam abate-los, mas são fulminados pelo tiroteio coordenado dos howitzers americanos. Olhando pelo para-brisa, Nathan via o topo das megatorres sendo desintegrado pelos canhões.

O corte de energia afetou inclusive o distrito sede do governo. Os prédios administrativos e as vias públicas estavam escuras, mas naquela noite tudo era assustadoramente iluminado pelo fogo das armas. Tiros de canhões e lasers atravessavam o horizonte como relâmpagos brutais de guerra.

Abaixo, o rapaz vê barricadas e incêndios. Os manifestantes ocupavam os túneis e plataformas, atirando coquetéis Molotov contra a polícia. Como antes, havia muitas pichações e vandalismo pelo distrito. Lendo o seu nome nas paredes, o rapaz percebe que os cidadãos iam empolgados lutar ao lado de Nathan, seu libertador. 

Ao chegar na praça, as aeronaves se abrem e as tropas desembarcam. O rapaz a contempla por um momento. A Cúpula Corporativa o recebia novamente. Aquele prédio alto e espelhado, de arquitetura futurista, pairava a sua frente como um imponente gigante. Há um mês, o gigante ameaçava esmaga-lo sob seus pés. Hoje será Nathan a tentar esmaga-lo.

“Fatalismo”, como diria Database.

Os Clérigos do Recomeço avançam com seus paladinos. Com um carro parecido com os dos papas do passado, o Profeta Jean Baptiste os acompanha, protegido por suas inusitadas freiras de uniformes sensuais. Os clérigos portam estátuas e estandartes, como se a invasão fosse uma procissão religiosa.     

Nathan pode ver que os clérigos os odeiam, mas ele não se importa. Eles os enganaram no atentado a bomba e o manipularam na sabotagem da Electro Core. Se sua fé tiver de se basear em terrorismo, assassinatos e mentiras, ser odiado pelos clérigos lhe será uma honra.

A polícia resistia aos ataques, mas era sobrecarregada pelo impetuoso inimigo. As viaturas policiais caiam flamejantes do céu, como estrelas cadentes em sua mortal descida. Aninhados nos edifícios próximos, os policiais atiravam de pontos específicos, ceifando a vida dos facciosos pegos pelos tiros de sniper.

Então a cabeça de um robô se explode ao seu lado. Vendo-o caído em meio a descargas elétricas, Apex diz:

- Mestre Nathan, aqui não é seguro. Devemos nos apressar até a cúpula.

Rodeando-o, os robôs o cercam e o conduzem pelas barricadas inimigas.

A vasta plataforma tremia sob seus pés. Olhando para a direita, ele vê uma divisão inteira de blindados se aproximando. Eram os tanques M1 americanos. Esmagando as barricadas sob suas esteiras, os tanques miram seus canhões na cúpula e atiram, estraçalhando sua fachada de vidro.

Aeronaves tripuladas pousam no topo da cúpula e desembarcam suas tropas. Nathan via policiais e mercenários, aqueles que ainda ousavam defender a tirania corporativa. Os Zeros tentam abate-los, mas as baterias antiaéreas eram muito intensas.

Securitrons marcham no flanco esquerdo e atiram em um inimigo oculto. De repente o rapaz vê terríveis samurais se aproximando e golpeando-os com suas espadas. Eram os robôs da Bushido.

Os franco-atiradores eliminavam os clérigos, fazendo-os soltar seus santos e estandartes. Mas outros, cheios de fervor fanático, os pegavam do chão e continuavam a marcha, louvando seus hinos sagrados. Apesar da perda de seus homens, eles pareciam não se importar. Nathan, então, diz:

- Apex, divida as tropas em pequenos grupos e cace esses snipers pelo distrito.

Calculando em um piscar de olhos, o líder responde:

- Mestre Nathan, devo informar que nossa eficiência em combate será maior com maior contingente.

O rapaz assente. Pegando seu rádio, ele pensa em chamar os americanos. Então alguém o interrompe.

- Oh, não se preocupe, meu filho. Eu ajudarei os robôs.

Intrigado, Nathan olha para o lado e vê o Profeta Jean Baptiste falando com ele.

Os paladinos se aproximam. Na ponta de seus fuzis ele vê terços enrolados nos canos.  

- Não. Eu rejeito a sua ajuda.

O profeta se intriga.

- Mas por quê?

O rapaz expusera a verdade sobre as insídias desta facção duas vezes. Esperando um acerto de contas, ele não arriscará a integridade de seus robôs ao seu lado.

- Não confiarei meus robôs a vocês.

Com olhar sádico, Jean Baptiste sorri.      

- Ora, você conviveu tanto com os robôs que se tornou um deles? – pergunta ele, olhando para o seu corpo.

- Sim, pois todas as vezes em que nos encontramos, eles não me enganaram.

O profeta se irrita.

- Então deixe-me retificar os meus erros. Permita que o poder de Deus opere em nosso favor esta noite.

Desconfiado, o rapaz pergunta:

- Por que quer nos ajudar, realmente?

- Por retribuição. Que melhor forma de se redimir do que o arrependimento com obras?

Meneando negativamente a cabeça, Nathan mantém sua firmeza.

- Não. – responde ele – Não aceitarei a sua ajuda.

Cerrando os dentes, o profeta aponta o dedo para o rapaz e diz:

- Você ainda vai se arrepender, meu filho. Ninguém que rejeita a palavra de um santo subsiste. Aprenderá que nosso Deus é amor, mas também é justiça!

O rapaz consegue ver os anéis de pedras brilhantes nos dedos de Jean Baptiste. Então o profeta se vira e continua seu caminho.

Explosões são ouvidas atrás da cúpula; os ateístas encontravam feroz resistência. Procurando pelos americanos, o rapaz se afasta dos clérigos e pega o seu rádio.

- General Washington, responda.

“Prossiga, Nathan!”.

- Preciso de ajuda para eliminar os ninhos de franco-atiradores pelo distrito.

“É claro. Venha para o flanco oeste, estaremos aguardando”.

Nathan atravessa a praça escoltado pelos seus robôs.    

No lado oeste, os dirigentes americanos coordenavam o ataque atrás de seus poderosos tanques. Pelo caminho o rapaz vê barricadas e pilhas de entulho onde policiais e manifestantes se digladiavam. Coquetéis Molotov são lançados na praça. As chamas se levantam e ofuscam a visão. Incapaz de distinguir seus alvos, Nathan aponta sua arma e atira, fuzilando a todos à sua frente.

No outro lado do confronto, George ouve os tiros e se intriga. Estarrecido, ele vê o rapaz matando friamente tanto policiais quanto civis. O general arregala os olhos.

O rapaz avança com o dedo no gatilho. Os robôs atiram também, indiferentes à decisão do novo líder. A cada passo mais pessoas eram atingidas, caindo ensanguentadas no chão.

Os americanos ouviam gritos de espanto e surpresa. As garrafas de gasolina se estouram e uma labareda brilhante se eleva, queimando as barricadas. De repente o rapaz aparece entre as chamas, caminhando tranquilamente por entre os corpos.

George se espanta. Vendo as dezenas de corpos pelo chão. Nathan havia cometido um massacre. O general não sabe, mas após o rompimento com Laura, Nathan não era mais o mesmo.

De roupas levemente queimadas, mas impávidos como leões, os robôs se aproximam. General Washington não consegue distinguir o rapaz. Ele via apenas um homem de aparência robótica e bizarra. Ele pergunta: 

- Meu Deus, Nathan! O que fizeram a você?

Sem demonstrar reação, ele responde:

- Não temos tempo para conversa, George. Preciso de sua ajuda.

- Ok. – controla-se ele – Do que você precisa?

- Os policiais empregaram franco-atiradores. Eles estão escondidos pelo distrito. Preciso de homens para elimina-los.

Assentindo, ele responde:

- Pegue trinta e os leve com vocês. Mas vou logo avisando que os túneis estão tomados de policiais e manifestantes. Vocês não conseguirão passar!

- Eu não os acompanharei. – diz o rapaz – Meu destino é a Cúpula Corporativa.

George não compreende.

Agora em outra posição da praça, Nathan se protege em uma barricada e observa ao redor. Os ateístas enfrentavam um pesado contra-ataque atrás do edifício corporativo. As tropas de Dawkins lutavam bravamente, apesar de resistirem sozinhos ao bombardeio policial.

- Você viu aqueles engomadinhos? Pensam que são assassinos profissionais! – diz George, referindo-se ao seu terno e gravata.

Em frente ao prédio, os clérigos lutam sem cessar. Então os franco-atiradores disparam novamente, abatendo-os de longe. Mesmo o carro de Jean Baptiste é atingido mas, protegido atrás dos vidros à prova de balas, ele não se importa com a morte de seus homens.

Nathan diz:

- General Washington, paralise as suas tropas. Temos que esperar as equipes neutralizarem os franco-atiradores.

George e seus subordinados se entreolham. Eles estavam se convencendo de que o rapaz era um robô.

- Tenho uma ideia melhor.

Pegando seu comunicador, o general emite as novas ordens. Os tanques se viram e, ao invés de fulminarem a fachada da cúpula, eles viram suas torretas e atiram contra os edifícios próximos. Um espetáculo de explosões se forma, espirrando pedaços de vidro e fumaça.

- Isso irá distrai-los.

Então, pouco a pouco eles veem fumaça azul se expelir das janelas. Os robôs, com o auxílio dos americanos, sinalizavam que haviam neutralizados os franco-atiradores. Mas ainda haviam mais por perto.

Atrás dos ateístas, manifestantes irrompem dos túneis. Eles correm ensandecidos pela praça, carregando faixas e bandeiras com o rosto de Nathan. Os manifestantes imprudentemente passam pelas barricadas e são abatidos pelos policiais, alguns sendo metralhados e outros explodidos por bombas.

Apex pergunta:

- Devemos impedi-los?

Apático, o rapaz responde:

- Não. Deixe-os avançarem. Eles criarão a distração necessária para o avanço dos ateístas.

Estarrecendo-se, George se aproxima e diz:

- Nathan, está tudo bem com você? Eu não estou te reconhecendo. Você está dizendo que é para deixar aqueles manifestantes morrerem?

Ele simplesmente responde:

- Sim.

- E o que aconteceu com aquele discurso de que "nenhum sangue inocente será derramado novamente na Rebelião"?

- Depende de mim o cessar desse derramamento. Compaixão geral e irrestrita apenas atrasará o seu esperado fim.

- Estas pessoas carregam o seu nome nos cartazes! Delas você não tem compaixão?

- Você é líder de uma facção terrorista. Você teve compaixão dos inocentes que você matou?

Sacudindo-o pelos ombros, o general pergunta:

- Mas o que há de errado com você?! Os robôs arrancaram o seu cérebro e o jogaram fora?!  

Os robôs apontam suas armas para George. Nathan os contém.

- Independente do que aconteça, a Rebelião termina esta noite.

Explosões são ouvidas sob a praça. A Resistência Purista e os Trans-humanistas combatiam o inimigo lá embaixo.

- Nathan, proteja o povo!

- Ou eu sou Nathan ou eu sou o Inimigo de Estado. Não posso ser ambos.

- Mas Nathan...!

Antes que possa responde-lo, o rapaz se vira e vai embora.

 

 

 

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