(Imagem do filme O Quinto Elemento)
No distrito H,
uma batalha está em andamento. Nathan e a Design Inteligente atacam a
corporação Hoverdrive, responsável pela indústria automobilística de Sonata. O
Submundo planejava interromper a produção de aeronaves de combate e viaturas policiais,
assim comprometendo o esforço de guerra corporativo. Diferente das invasões
anteriores, o ataque ocorreria de dia, iluminado por um céu cinzento de fumaça
e explosões.
As máquinas ainda
operavam. Como esperado, as fábricas tinham linhas de produção automatizadas.
Apex esperava invadir os galpões industriais e acessar o computador principal.
Ele sabotaria as máquinas e reprogramaria os operários robóticos,
arregimentando-os à Rebelião.
Nathan, Laura e
Apex vão juntos ao ataque. Com comunicadores, eles coordenam a invasão. A
garota não confiava nos robôs, mas sabia que eles eram leais a Nathan. Apex
tinha uma visão estratégica bastante razoável, mas desconsiderava o caos e o pânico provocado nos humanos.
Em comum acordo,
os três definem os pontos de entrada. Nathan guiará os robôs pelo
interior do edifício, Laura invadirá pelos terraços e Apex coordenará o ataque
aéreo.
A polícia estava
praticamente esgotada. Após tantas derrotas, seu contingente estava severamente
reduzido. Nem mesmo seus mercenários, aqueles presidiários contratados para
combater por eles, impunham sólida resistência. Para compensar sua defasagem,
os policiais liberavam drones, canhões e Securitrons.
Avançando pelos
terraços, Laura encontra várias equipes de policiais operando canhões
antiaéreos. Ela não os enfrenta sozinha, mas recebe auxílio dos robôs sob seu
comando. Aquelas máquinas de combate eram esplêndidas, pois atacavam com
formidável coordenação; elas atiravam com extrema precisão e raramente
recuavam. A garota nota que, apesar de receberem danos, elas se levantavam e
seguiam em frente.
Um robô com o
rosto pela metade se aproxima e diz:
- Mestre Laura,
nossos sensores indicam uma rota mais viável a frente. Solicitamos permissão
para segui-la.
O robô falava
tranquilamente. Desconcertada, a garota sente seu estômago revirar.
- É claro. –
assente ela – Vamos por este caminho.
Laura não estava
costumada a correr durante o dia. A luz revela sua posição e o calor a esgota.
Com o suor se escorrendo em seu corpo, ela temia que suas mãos se escorregassem
no topo dos edifícios. Entretanto os robôs pulavam com extrema facilidade,
apoiados por propulsores hidráulicos em suas pernas. Ela reconhece que os
runners eram mais artísticos em seus movimentos, mas a eficiência dos robôs era
insuperável.
O tiroteio e as
bombas a confundem, a garota se atordoa com o barulho. Com os aerocarros
passando rápido e zunindo em seus ouvidos, Laura é obrigada a parar um pouco.
Mas os robôs não hesitam e nem se debilitam com distrações. Eles avançam
impetuosamente, esmagando a resistência e eliminando os humanos. Os policiais
os atingem, mas eles não param. A garota se espanta ao vê-los desmembrados e
desfigurados com suas armas em mãos. Ao olhar para o chão, ela vê um robô se
arrastando sem suas pernas.
- Meu Deus...! –
sussurra ela.
Ao neutralizar um
número considerável de canhões, Laura acende um sinalizador de fumaça azul e
acena para Apex. O líder agora tinha o espaço aéreo mais livre para a invasão.
Sem tempo a perder, a garota continua em seu caminho.
Avistando o
terraço da Hoverdrive, ela espera uma ocupação fácil. A garota olha para baixo
e vê as plataformas de entrada do prédio. A equipe de Nathan avançava pelas
barricadas inimigas, acompanhado dos robôs e de uma vasta multidão.
“Eles acompanham
o seu herói...”, pensa ela.
Liderando os
soldados robóticos, Laura pula pelos telhados e alcança a corporação. Enquanto
ela tenta acender outro sinalizador, algo imprevisto acontece. O telhado treme
ao ritmo de passos. A garota olha para frente e se espanta. Dezenas de Securitrons
aparecem. Ela se estarrece com tamanha
quantidade e arregala os olhos.
Imóvel diante do
inimigo, ela não sabe o que fazer. Os robôs inimigos começam a girar suas
metralhadoras e o medo a domina. E então os Securitrons atiram.
- Cuidado!
Um robô a empurra
e então tem seu corpo destroçado pelas balas. Laura cai no chão e se arrasta
para a cobertura. Ao olhar para trás, ela vê a cabeça do robô que a salvou
caída no piso. Um pouco confusa, ela diz:
- Obrigado.
Então o robô
sorri e seus olhos se apagam, desligando-se para sempre. Nesse momento a garota
percebe que, não importa a espécie, a morte sempre será uma tragédia.
O ataque massivo
dos Securitrons ameaçam a frota aérea de Apex. Eles também foram pegos de
surpresa. Checando sua bolsa, Laura encontra apenas duas bombas de EMP. Elas
seriam suficientes para abater apenas dois inimigos. Espiando pela cobertura,
ela conta vinte.
A Design
Inteligente resiste. Eles se levantam de suas coberturas e atiram contra o
inimigo. O efeito do laser consegue atrasa-los, mas não muito. Os Securitrons
ativam seus canhões de ombro e atiram seus mísseis. De repente uma chuva de
explosões devastam o telhado, assoprando fragmentos para todos os lados. A
garota põe suas mãos nos ouvidos e se encolhe, tentando salvar sua vida.
Finado o primeiro
ataque, os robôs jaziam em pedaços pelo chão. Os restantes se reorganizavam e
tentavam contra-atacar. Sabendo que seu esforço seria inútil, Laura ordena:
- Recuar!
Um dos robôs diz:
- Negativo,
mestre Laura! Não podemos recuar neste momento.
Intrigada, ela
pergunta:
- Por quê?
- Nossos sensores
indicam que, considerando o avanço dos robôs e seu número, a probabilidade de
você morrer na fuga é de 86%.
A garota se
espanta.
- Mas se ficarmos
será de 100%. Não é melhor tentarmos a sorte e fugir?
O robô olha sem
expressão para ela.
- Nós não
entendemos esse conceito de sorte.
- Então nós todos
vamos ficar?
- Afirmativo,
mestre Laura. Nós vamos ficar e protege-la até o fim.
Respirando fundo,
ela desiste. Não adianta discutir com robôs. Eles estavam decididos a se
sacrificar por ela se fosse preciso.
E então o ataque
dos Securitrons recomeça.
Mais abaixo, as
portas da corporação foram arrombadas por bombas e pontapés. Nathan liderava
uma horda de manifestantes furiosos e descontrolados. Prevendo uma morte
violenta, os policias abandonavam seus postos e se retraíam para dentro do
edifício.
Tudo era
saqueado. O que os manifestantes não conseguiam levar eles vandalizavam. Alguns
policiais feridos eram linchados. Em meio a tanta violência e destruição,
Nathan se sentia o Átila com os hunos.
De repente seu
comunicador toca.
“Nathan? Apex? Eu
preciso de ajuda!”.
Assustado, o
rapaz reconhece a voz de Laura.
- Laura! Eu estou
aqui! O que houve?
“Eu estou cercada
no telhado. Há um exército de Securitrons aqui em cima! Os robôs se recusam a
me deixar fugir e dizem que se eu partir eu serei morta!”.
- O quê?! –
espanta-se ele – Onde está Apex?
“No combate
aéreo. Mas ele está em perigo. Os Securitrons estão abatendo seus aerocarros no
ar!”.
O rapaz se
desespera, temendo pela vida da garota.
- Laura, espere!
Eu estou a caminho!
Atravessando o
saguão principal, Nathan alcança o elevador. Os robôs o acompanham, portando
seus potentes rifles lasers. Apertando os botões, uma mensagem no painel
aparece. Em pranto o rapaz percebe que os elevadores foram desligados por
motivos de segurança.
Voltando-se para
os robôs, ele pergunta:
- Alguns de vocês
consegue hackear o dispositivo?
Um robô abre um
compartimento em sua cabeça e conecta um fio no painel. Após uma breve análise,
o robô diz:
- Mestre Nathan,
os elevadores foram desligados no gerador. Apenas sua ativação manual é
possível.
- E onde se
encontra esse gerador?
- No subsolo, mas
está defendido por outros sistemas de segurança.
Colocando as mãos
na cabeça, o rapaz se apavora. Laura não tem muito tempo.
- O que podemos
fazer então?
- Eu posso abrir
as portas, mas teremos de subir o fosso pela escada.
- E quanto as
escadarias comuns?
- Muito perigoso.
Os policiais as embarricaram e estão espalhados por toda parte.
Sem tempo para
pensar, o rapaz diz:
- Abra a porta!
Então ele e seu
séquito robótico adentram o fosso.
Pelo comunicador,
Nathan ouve tiros e explosões vindos do terraço. Uma forte dose de adrenalina
corre em suas veias, acompanhada de uma coragem que ele nunca sentiu antes.
Ele segura as barras da escada e sobe sem se cansar. Ele estava determinado a
salvar Laura.
Fragmentos e
poeira caiam em seu corpo. Todo o prédio tremia com as explosões. Lá embaixo,
os manifestantes vandalizam o prédio; eles subiam impetuosamente pelos andares,
confrontavam a polícia e roubavam tudo o que encontravam. Acima, o rapaz ouve
os policiais conversando e fortificando suas defesas.
No comunicador,
Nathan ouve gritos. Assustando-se, ele chama pela garota, mas ela não responde.
Mais uma vez um forte impulso o domina e ele sobe incansavelmente a escada,
mais rápido até que os robôs.
Um robô o alerta.
- Mestre Nathan,
meus sensores detectam elevadas batidas cardíacas em seu peito. Se continuar
assim, o senhor irá desmaiar.
Ignorando-o, o
rapaz apenas pensa:
“Espere, Laura.
Eu estou chegando”.
Mas, ao olhar para
cima, ele via apenas uma imensidão vertical quase infinita.
No terraço, a
garota se protege atrás de uma pilha de entulho. Os robôs lutavam bravamente,
alguns sem braços e pernas, apenas auxiliando seus companheiros. Após tantos
ataques com mísseis, o chão se trincava e ameaçava ceder.
De fato, a defesa
de Securitrons pegou os invasores de surpresa. A frota de Apex passou fácil
pelos canhões antiaéreos, mas não consiguia passar pela tropa de Securitrons.
Olhando ao redor,
Laura reconhece que os robôs estavam certos. Não havia a menor chance de fugir
dali. Se ela deixasse a cobertura, ela teria seu corpo estraçalhado e espalhado
pelo chão.
Os aerocarros
caíam em chamas pelos ares. Alguns caiam sobre os próprios Securitrons, mas não
era o suficiente para destruí-los. A frota tentava arduamente combater o
inimigo, mas não podia resistir ao seu formidável poder de fogo. Ela se
pergunta onde estava Apex naquele momento, ou mesmo se ele estava vivo.
Enquanto se
protege, Nathan tentava falar com ela no comunicador, mas o barulho constante
abafava qualquer mensagem. Então Laura sorri. Ela nunca pensou que sua vida
dependeria do dócil Nathan. O Submundo e as facções os desprezavam tanto que
lhe dava pena. Mas, como ela mesmo aprendeu com sua mãe, o amor desconhecia a
razão.
Refletindo sobre
ele e os robôs, ela pensa:
“Irônico o fato
de um Inimigo de Estado fraco e a mais desprezada das facções se unirem...”.
E então algo
improvável acontece.
Acompanhado de
seus robôs, Nathan surge no terraço atirando freneticamente com a fúria do
inferno em seu olhar. Laura se espanta. Os robôs seguiam logo atrás, atirando
com lança-mísseis e lança-granadas. Pegos na confusão, alguns Securitrons são
abatidos irresistivelmente. A frota se alivia e se reorganiza, preparando uma
nova arremetida contra o inimigo.
- Laura! Onde
você está?! – exclama ele.
O rapaz olhava ao
redor e via um terraço devastado cheio de entulho e fumaça. O calor era
insuportável, a luz do sol e o fogo o esgotava. Mas não havia tempo a perder.
Caminhando
imprudentemente pelo local, ele chama pela garota. Ainda haviam muitos
Securitrons e ele podia ouvir seus pesados passos por perto. Do fundo de seus
pulmões ele a chama, abaixando sua arma e bloqueando o sol com sua mão.
Laura tenta se
levantar e então algo a incomoda; sua perna estava sangrando. Durante os
ataques a míssil, um fragmento perfurou sua perna e se alojou sob a pele, mas a tensão era tanta que ela nem percebeu.
Resistindo a dor,
ela se arrasta pela pilha de entulho e brada:
- Nathan, eu
estou aqui...!
O rapaz a ouve.
Caminhando pela fumaça, ela a encontra toda suja e ferida no chão.
Imediatamente ele corre em sua direção. Então um Securitron surge através da
fumaça e, notando o rapaz correndo ali, se prepara para atirar. Seu canhão de
ombro de forma. Laura arregala os olhos e grita:
- Cuidado!
Confuso, Nathan
olha para o lado e então ocorre a explosão. Fumaça se ergue e ofusca toda a
visão. Ao mesmo tempo, a frota da Design Inteligente faz um rasante e lança
suas bombas, levantando uma enorme chama e eliminando grande parte dos
Securitrons.
Finado aquele
espetáculo horrendo, a garota se levanta e manca pelo terraço. Procurando pelo
rapaz, ela vê apenas um poça de sangue fresco e empoeirado. Em pânico, ela
percebe que ele foi arremessado pelo ar.
- Nathan! – chama
ela.
A frota retorna,
atacando novamente o prédio. Agora os Securitrons se ocupavam do ataque aéreo,
esquecendo-a por enquanto. Laura tenta se apressar mas sua perna dói; seu
sangue se escorre de sua coxa até o pé.
A fumaça era
muito densa. Ela chama constantemente pelo rapaz, mas ouvia apenas a frota, os
robôs e os Securitrons ao longe. Ela se pergunta:
“Nathan, onde é
que você está...?”.
Esgotando-se, ela
cai de joelhos e suspira, ofegando em exaustão. Suor se escorre por seu corpo e
seu ferimento sangra. Minutos se passam. A garota luta para não desmaiar. Ainda
exausta, ela teme pelo seu próprio fim.
Então alguém se aproxima.
Através da fumaça,
a silhueta de um homem se forma e ela pergunta:
- Nathan...?
Mas não era Nathan
e sim Apex quem se aproximava. Com sua face simétrica e seu olhar estático, o
líder pergunta:
- Laura, você
está bem?
Arfando, ela
responde:
- Nathan... Temos
que encontrar o Nathan...
Apex não
demonstra reação. Ao invés, ele apenas diz:
- Me acompanhe,
por favor.
Dando-lhe a mão,
o líder a ajuda a se levantar e a carrega pelo terraço.
Atravessando a
fumaça, Laura encontra um grupo de robôs. Eles estão ao redor de algo sobre o
chão. A garota se intriga. Abrindo-lhes passagem, ela vê um corpo coberto de
sangue e poeira. Acreditando se tratar de um policial, ela observa melhor e o
reconhece. É Nathan.
Laura se
desvencilha e se lança ao chão. Ela chama pelo rapaz e então se horroriza.
Nathan teve seus membros mutilados. Arregalando os olhos, a garota põe suas
mãos na boca.
Apex diz:
- Nathan foi
atingido em cheio pelos Securitrons. Infelizmente chegamos tarde e não tivemos
tempo de protege-lo.
Ainda
horrorizada, a garota pergunta:
- Ele está vivo?
- Por enquanto.
As injeções de adrenalina estão o mantendo vivo, mas ele não durará muito.
Então lágrimas se
formam e a garota chora. Ajoelhando-se sobre o rapaz, ela acaricia o seu rosto.
Alguns robôs choram intensamente e outros se mantém morbidamente estáticos, mas
a cena era igualmente comovente a todos.
Laura pergunta:
- Vocês podem
salva-lo?
Os robôs se
entreolham.
- Há uma chance.
– responde Apex – Existe um método experimental para a restauração física, mas
ele só foi testado em robôs.
Sem pensar duas
vezes, ela diz:
- Façam.
- Laura, não é
tão simples. Como eu disse, ele só foi testado em robôs. Em humanos pode haver
efeitos colaterais como perda de memória, apatia, desorientação, sequelas,
dissonância cognitiva, perda de coordenação motora...
Enquanto o líder
lista os efeitos, a garota acaricia o rapaz e chora sobre seu rosto. Nathan
sussurra intensamente, lutando para se manter vivo. Mas, apesar de seu esforço,
o rapaz perdera totalmente o contato com a realidade, inconsciente das pessoas
paradas ali.
Laura repete:
- Façam.
Temeroso, o líder
pergunta:
- Você tem
certeza?
- Absoluta.
Satisfeito, Apex
diz:
- Que assim seja.
§
Dois dias atrás,
a superfície recebe uma visita inesperada. Nathan havia trazido o ilustre líder
da Design Inteligente ao Submundo. Pelas câmeras, Database via um exército de
robôs fortemente armados andando pelos becos escuros. Sinistramente seus olhos
brilhavam na escuridão.
Alguém bate em
sua porta. Dando-lhe permissão, Nathan entrava com seu convidado. Database
apenas os observava em silêncio enquanto eles ousadamente invadiam seu
território. Em seguida, Laura entra também. Ela e o chefe se entreolham, ela também
não confiava nos robôs.
- Boa noite,
Database. – cumprimenta Apex – Prazer em conhece-lo.
O chefe fuma seu
charuto. Expondo seu desprezo, ele nega o mesmo prazer.
- Nathan, trazer
Apex aqui nos coloca em risco diplomático com as outras facções.
- Não. – discorda
ele – Não existe mais separação entre mim e esta facção. A Design Inteligente
se aliou ao Inimigo de Estado. Agora eu e os robôs somos um.
Database parece
corar de ódio.
- O que quer
dizer?
- A Design
Inteligente me salvou da demolição da Cybersys, demolição esta que você causou
estando eu ainda lá dentro. – acusa ele, com rancor em sua voz – Mas felizmente
os robôs me salvaram.
Considerando que
os robôs não se importem com quem vive ou quem morre, o chefe pergunta:
- Por quê?
- Por gratidão. Eu
os levei ao cofre de seu deus, assim cumprindo a minha parte no acordo. E então eu
fiz outro acordo com Deus Ex Machina. Em troca da servidão da Design
Inteligente... – hesita ele, prevendo um ataque de fúria de Database – Eu a libertei
de sua prisão.
Conforme esperado,
o chefe esmurra sua mesa fazendo a própria madeira se afundar.
- Você o quê?! –
enfurece-se ele – Nathan, você libertou um supercomputador perigoso em troca da
servidão destes patéticos robôs?! Você se esqueceu que o Projeto Gemini e o
Protótipo #8 são criações diretas do Deus Ex Machina?!
- Stella. – interrompe
Apex.
- O quê?
- O
supercomputador se chama Stella agora.
Sacando sua arma,
ele a aponta para o líder. Imediatamente os robôs reagem, apontando seus fuzis para ele.
- Você cale a sua
boca, sua máquina maldita! Vocês nunca serão benvindos aqui!
- Então por que você
os cria? – pergunta Laura.
O chefe se intriga.
Ele não esperava que ela intervisse.
- Do que você
está falando, Lótus?
- Eu entrei em
seu laboratório. Você criava um robô diferente, um sintético avançado e sobre-humano.
Como ele se chamava mesmo? Protótipo #9?
Desmascarado, ele
tenta ganhar tempo.
- Ora, será que não
posso ter um pouco de privacidade em minhas pesquisas?
- Como a
privacidade que você tirou de mim ao instalar câmeras em meu quarto? – pergunta
Nathan.
Database é pego
mais uma vez.
- Aquilo era só
uma medida de segurança.
- Mentira. –
objeta ele – Você esconde suas intenções de todos, mas todos são constantemente
vigiados por você. Você nos usa e nos manipula, assim como as dezenas de
runners mortos em seus serviços.
- Então é isso? –
surpreende-se ele – Vocês planejaram um complô contra mim?
Nathan e Laura
riem. Apex, porém, se mantém sério.
- Já existe uma rebelião
e ela está ocorrendo lá em cima. Mas você não fará dela seu tabuleiro e
tampouco seremos os seus peões. Temos coisas mais importantes para fazer
primeiro. – responde Nathan
Database se sente
ameaçado.
- Vai tomar o meu
lugar?
- É claro que não,
mas o Submundo teve uma queda irrecuperável de contingente. Perdemos praticamente
todos os runners. Por isso, eu e os robôs vamos substitui-los na Rebelião.
- Está cometendo
um grande erro. Os robôs não servem a você, eles servem àquele maldito supercomputador... – então ele se corrige – Stella... Que os robôs chamam pateticamente
de deus. Eles estão te enganando!
- Enganando? – interrompe
Apex – O que pensa que somos? Humanos?
- De qualquer
forma, a Rebelião deve continuar. – continua Nathan – Nós já temos nosso próximo
alvo. A corporação Hoverdrive.
Ao ouvi-los,
Database entende tudo. Nathan e a Design Inteligente pretendem interromper e produção de aerocarros.
- Como pretende
fazer isso?
- Os robôs aliados
à Design Inteligente informaram que existe um mainframe que controla os operários
robóticos lá dentro. Se Apex conseguir sabota-lo, cessaremos a produção e
traremos mais robôs para a Rebelião. Entretanto, eles só conseguirão diminuir
as defesas do prédio durante o dia. Eis a nossa chance.
Database assente.
- E quando você
deverá partir?
- Imediatamente.
O chefe ri.
- Você arriscará
sua vida ao lado de máquinas sem consciência e emoção? – sorri ele – Saiba que
você não terá nenhum runner para te proteger desta vez, rapaz. Boa sorte.
Laura intervém novamente.
- Ele terá a mim.
Surpreendendo-se,
ele pergunta:
- Não acredito
que você irá acompanha-lo com esses robôs...!
- Já está
decidido. – responde ela.
Maliciosamente o
chefe pergunta:
- Você também não
confia neles, não é?
A garota não responde,
ao invés ela se vira e vai embora. Apex e os robôs se retiram também. Antes que
Nathan pudesse sair, o chefe o interrompe, dizendo:
- Parece que você
cresceu em poder e influência, Nathan. Mas lembre-se de uma coisa: em um jogo
de pôquer, não são apenas as boas cartas que te garantem a vitória. – explica ele
– Também vence quem tiver o maior blefe.
Então o rapaz
percebe. Apesar de combalido, Database ainda é poderoso.
Em silêncio, ele
se vira e finalmente vai embora.
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