(Artista desconhecido)
O prazo para
rever Tobias finalmente havia chegado. Ao chegar na estação da Gendarmerie,
Valentim se dirige ao balcão de recepção. Ele percebe que a estação estava mais
cheia; ele vê cidadãos prestando queixas e outros sendo levados presos. A onda
de crimes só aumentava.
Ele pergunta por
Tobias e o guarda o indica a sala de evidências. Ao subir as escadas, ele
caminha pelo corredor repleto de cidadãos feridos por agressão. Eram tantos que
Valentim pensa estar em um hospital. Ao vê-los com o rosto coberto de sangue,
ele nota como a violência estava fora de controle.
A porta da sala de
evidências estava aberta. Ao entrar, ele vê três pessoas lá dentro; eram guardas
comuns de patrulha. Os guardas eram mais velhos e aparentavam ter anos de
experiência nas ruas. Perto deles, Tobias era só um jovem acadêmico, um recruta
inexperiente e impetuoso.
Os guardas
zombavam dele. Tobias se defendia com bons argumentos, mas eram todos ignorados
pelos zombadores. Valentim percebe que ele está profundamente irritado, mas se
controla perante os guardas. Irritar-se seria pior.
- Ei, Tobias! É
você o palerma que acredita em “vampiros e lobisomens”?
- Certamente que
não! – nega ele – O que eu disse é que o Plasma possibilita o ressurgimento dessas
criaturas. Até um estudo apropriado, não posso afirmar se elas são reais ou não.
Outro guarda diz:
- Eu tenho um
corpo bem peludo! Se eu correr pelado por aí, você vai chamar a Gendarme ou a
carrocinha?
Eles riem. O
terceiro guarda diz:
- Inspetor, ontem
em minha ronda noturna, eu vi uma fada em um telhado! Devo me preocupar?
Tobias se
interessa.
- Uma aparição?
Pode me dar mais detalhes?
- Eu não disse
que ele acreditava?!
Eles riem mais
uma vez.
- O que você
esteve fazendo lá em Viena, hein Tobias? Esteve estudando criminalística ou
lendo livros de fantasia?
- Por favor,
cavalheiros! Eu levo muito a sério o meu trabalho! Sou bastante profissional
aqui!
- Profissional?!
Semana passada você nos importunava com histórias de criaturas folclóricas e
mitológicas! Minha Nossa Senhora, Tobias! Isto aqui não é o jardim de infância!
– exclama um guarda.
- Os senhores não
entendem! É o Plasma que viabiliza as aparições! Esta substância tem
propriedades místicas e alucinógenas que criam alucinações na mente das
pessoas! Não estou certo de que tais criaturas existam, mas as alucinações podem
ocorrer naqueles que tiveram contato direto com a substância, como um narcótico
altamente potente!
Um guarda
responde sarcasticamente:
- Com certeza
alguém usou um narcótico potente aqui...!
Outro diz:
- Eu trabalho como
Gendarme há vinte e cinco anos e nunca vi nenhum crime cometido por seres
“folclóricos e mitológicos”. Os culpados eram seres bem reais! Homens de carne
e ossos como eu e você!
O guarda falava
com indignação em sua voz. Então Tobias pergunta:
- Os demônios são
reais, guarda?
Os três se
intrigam.
- O que disse?
- Eu perguntei se
os demônios são reais.
- Ora! –
confunde-se ele – Certamente que eles são reais!
- Mas o senhor ao
menos os viu?
- Não, mas isso é
diferente! Demônios são seres espirituais! Nós não podemos vê-los!
- Mas o senhor
disse que os crimes são cometidos por pessoas reais, e não espirituais.
Entretanto, sua religião prega que os homens são influenciados pelos demônios
para fazer o mal, e até possuídos por eles! Então diga-me: os culpados são os
homens ou os demônios?
Percebendo que
Tobias os havia encurralado, um guarda exclama:
- São os vampiros
e os lobisomens!
Então todos gargalham.
Tobias insiste
como uma criança injustiçada.
- Os muçulmanos
também acreditam em demônios, mas os chamam de djinns. Mas vocês, cristãos, os descredibilizam, acusando-os de
heresia. Esta é a vossa verdade? Dois pesos e duas medidas?
Um guarda diz:
- Um djinn? Eu
acho que você andou lendo livros demais...
- Dragão,
beemote, leviatã, demônios, querubins... Tudo isso está na vossa Bíblia! Vocês
não a questionam? Não acham isso tudo uma fantasia?
- Ele pensa que a
Bíblia é fantasia! – ri um deles.
E assim o debate
prosseguia, com o inspetor tentando argumentar e os guardas levando-o ao
ridículo.
Minutos depois os
guardas vão embora. Tobias se senta, respirando fundo e limpando os olhos,
desanimado. Ao notar um homem parado ali, ele pergunta:
- O que você
quer? Veio aqui zombar de mim também?
Valentim
protesta:
- Não! Eu não vim
aqui zombar de ninguém! Sou eu, Valentim! Vim aqui a seu pedido, de uma semana
atrás!
- Pedido?
- Minha esposa,
Danica, está desaparecida! O senhor disse que podia me ajudar se eu voltasse
após cinco dias...
Tobias se esforça
para se lembrar.
- Oh, senhor
Valentim. – responde ele – Como está?
Valentim acha
aquilo um pouco difícil de responder. Sua vida estava desmoronando, sua esposa
desaparecida e ele não tinha mais o que comer. Resumindo sua situação, ele diz:
- Fui demitido do
meu trabalho e agora como com os mendigos em uma igreja para não morrer de
fome.
- Ora, mas isso é
terrível! – espanta-se Tobias – Como isso foi acontecer?
- Eu não faço a
menor ideia. – pretendendo manter o foco, ele diz – Inspetor, escute. Eu
preciso encontrar a minha esposa agora, está bem? Isso é tudo o que importa.
Assentindo com a
cabeça, Tobias respira fundo e diz:
- Senhor
Valentim, infelizmente eu não recebi nada sobre sua esposa em minha mesa. –
responde ele enquanto mexe em seus arquivos – Mas recebi de muitas outras
mulheres que foram encontradas mortas e não foram identificadas.
- O quê?! – exclama ele.
- Não, espere! –
corrige-se ele – Nenhuma delas correspondia com as descrições que o senhor deu.
Tobias não se
lembrava das descrições de Danica, mas finge sabe-las para não preocupar
Valentim.
- Entendo...
Então após todo esse tempo o senhor ainda não tem nenhuma pista de minha esposa?
– pergunta ele, pressionando-o.
- Antes de eu
responde-lo, diga-me uma coisa: o que o senhor andou fazendo durante todos esses
dias? Lembrou-se de perguntar por sua esposa aos seus vizinhos?
Disfarçando, ele
responde:
- Perguntei a
algumas pessoas.
Mas Valentim
respondia de maneira evasiva. Ele não perguntou a ninguém sobre Danica. Na
verdade, ele esteve lutando para ele e seu gato não morrerem de fome.
- E o senhor
obteve algum êxito?
- Obtive o quê?
Ele não entendia
aquelas palavras difíceis. Tobias esclarece:
- Quis dizer se o
senhor conseguiu alguma coisa.
- Não, senhor.
Tobias põe a mão
no queixo, parecendo pensar em alguma coisa.
Nesse momento
alguém bate na porta. Os dois se viram e veem o capitão acompanhado de um homem
mais velho. Segurando uma pasta, o capitão diz:
- Inspetor
Tobias, eu tenho um caso para você. Recebemos pistas de outra mulher
desaparecida. Seu nome é Valerija[1].
- Valerija? –
pergunta ele, enquanto folheia a pasta.
- Este aqui é
Mirko, o pai da desaparecida. Ele tem informações que poderão ser úteis em suas
investigações.
- Está bem.
Obrigado, senhor.
O capitão se vira
e vai embora. Tobias olha para o velho e diz:
- Bom dia, senhor
Mirko. Como vai?
Valentim o
observa. Mirko tinha os cabelos calvos e grisalhos, e usava roupas de camponês.
Seus olhos eram azuis, mas, devido à idade, estavam descoloridos e
acinzentados.
- Bom dia,
inspetor. Eu estou bem, obrigado.
- Então o senhor
tem informações que pode nos ajudar?
- Sim. Eu tenho
uma fazenda ao sul do Monte Santa Maria; lá nos cultivamos trigo. Há seis dias
minha filha saiu para fazer compras no vilarejo de Šmartno pod Šmarno Goro
durante a tarde. Não temos mais carroça; meu cavalo foi picado por uma cobra e
não pode mais cavalgar, então a maior parte de nossas tarefas fazemos a pé. –
explica ele – No trajeto, há um trecho de densa floresta. Minha filha passou
por lá e nunca mais foi vista. – lágrimas se escorrem de seu rosto – Meu
cachorro farejou seu cheiro pelo caminho, mas ele se perde entre as árvores.
Estranhamente o cheiro parece desaparecer ali.
Tobias assente.
- Senhor Mirko,
deixe-me fazer algumas perguntas. O senhor teve contato com o Plasma?
O velho estranha
a súbita mudança de assunto.
- Sim, eu o uso
como fertilizante.
Anotando em sua
caderneta, ele pergunta novamente:
- E como está a
colheita? Boa? Má?
- Está excelente!
– exclama ele, empolgado – Nunca antes tivemos uma colheita tão boa! E acredito
que foi tudo devido a esse miraculoso fertilizante!
Tobias assente
novamente.
- Com esse
aumento tão notável, o senhor deve ter precisado de muitos ajudantes, não? Por
acaso o senhor contratou agricultores para ajudá-lo?
- Certamente! Eu
chamei cinco para trabalhar em minha propriedade.
- E o senhor os
conhece?
- Três são
parentes e dois são amigos. Todos de confiança.
O inspetor anota
em sua caderneta.
- Perdoe minha
ignorância, senhor Mirko, mas nas plantações os ajudantes têm contato com o
Plasma?
- Diariamente. Eu
guardo os fertilizantes nos alojamentos dos ajudantes.
Tobias arregala
os olhos.
- E essas
florestas... Ao lado do monte... Vocês conhecem bem a região?
- Somos nascidos
e crescidos lá, senhor inspetor. Nós conhecemos as florestas como a palma de
nossas mãos. Apesar de que... – corrige-se ele – A paisagem está mudando,
ultimamente. Estão construindo fábricas inglesas por toda parte e linhas
férreas cruzam a região. O progresso está chegando em nossa Carníola.
O inspetor
concorda.
- Deixe-me
perguntar outra coisa. Ultimamente o senhor vem tendo experiências paranormais
em seu trabalho ou em sua casa?
Mais uma vez o
velho estranha a mudança de assunto.
- Eu não sei, eu
não acredito muito nessas coisa... Mas o que isso tem a ver com o assunto? –
irrita-se ele.
- Apenas me
responda a pergunta, senhor Mirko. O senhor não se lembra de ter visto nada de
estranho? Ou ouvido vozes, passos, risos...? Sombras e aparições?
Mirko meneia
negativamente a cabeça.
- Não, eu não vi
nada.
Assentindo com a
cabeça, Tobias conclui:
- Isso é tudo.
Ele termina suas
anotações e fecha sua caderneta.
O capitão passa
pela porta caminhando no corredor. Tobias se levanta e imediatamente o chama.
- Capitão Vilko!
Preciso falar com o senhor.
Voltando-se, o
capitão pergunta:
- O que deseja,
Tobias?
- Eu já tenho as
pistas necessárias para começar a investigação. Trata-se de um novo caso de
sequestro envolvendo o Plasma. Estimo que a vítima ainda esteja na área e, por
isso, vou precisar de uma equipe de buscas.
Desanimando-se, Vilko
pergunta:
- Inspetor, você
não está relacionando o Plasma com suas teorias de novo, não é?
- A família da
vítima teve contato direto com a substância, capitão. Eram todos homens de
confiança, residentes da área desde a infância. O que poderia ter causado a
súbita mudança de comportamento?
O capitão não se
convence, mas se mostra mais favorável, para a surpresa de Tobias.
- Está bem. Pelo
menos desta vez você não acha que os culpados foram os “lobisomens e
fantasmas”. Verei o que...
- Espere! –
interrompe Mirko, surpreendendo-os – Agora que os senhores comentaram, há sim
algo estranho acontecendo em minha casa.
Interessando-se,
Tobias se silencia para ouvi-lo.
- O que houve?
- Há algumas
noites eu ouvi passos na escada. Eu estava sentado em frente à lareira quando
algo tocou o meu pescoço, algo frio e suave como a morte. Assustado, eu olhei
ao redor e não vi nada, mas a sensação de estar sendo observado não me deixou
em paz! – exclama ele – Então eu peguei minha lamparina e caminhei pela sala. E
foi então que eu vi.
Todos o ouviam
atentamente, inclusive Valentim.
- Prossiga,
senhor Mirko.
- Uma mulher de
vestido branco estava parada no meio da escada. Porém seus vestidos e seus
cabelos estavam estranhos! Eles balançavam como se fossem assoprados pela brisa
suave de outono... – descreve ele – Seus olhos eram brancos e vazios, e sua
face pálida como a neve. A desconhecida continuou subindo até desaparecer na
escuridão. Eu não sei quem ela era, mas com certeza não era deste mundo...
Valentim e Tobias
se arrepiam. Porém o capitão interrompe o suspense para dizer:
- Tobias, você acha
que isso tem alguma relação com o Plasma?
-
Definitivamente, senhor capitão. Todos que tem contato com a substância relatam
terem visto aparições.
- Todos? – duvida
ele – As pessoas são diferentes, inspetor! Elas não podem ter os mesmos
sintomas!
- Eu também tive,
senhor capitão.
Os guardas olham
para trás, intrigados.
- O que disse,
senhor?
- Eu vi algumas
aparições em minha casa. E tive pensamentos assaz violentos também, se me
permite dizer. – responde Valentim.
Ainda intrigado, Vilko
pergunta:
- Quem é este
senhor, Tobias?
- Este é... – ele
não se lembra o nome.
- Valentim. –
lembra ele.
- Valentim,
senhor. – responde ele – Ele também teve alguém sequestrado em sua família, e
veio aqui para pedir ajuda.
- Há pistas no
caso dele?
- Não, senhor.
Nenhuma.
Ao ouvi-lo,
Valentim se desanima.
- Muito bem. Como
estávamos conversando, eu não tenho homens o suficiente para montar a sua
equipe. Mas eu tenho um novo recruta, um jovem vindo de uma província ocupada
do império.
O capitão se
dirige ao corredor e chama por alguém. Pouco tempo depois um jovem ruivo de
uniforme novíssimo entra na sala. Com peito estufado e olhar fixo, ele bate
continência e responde:
- Apresento-me
para o dever, senhor!
- Inspetor, quero
que conheça o nosso novo recruta. Este é o guarda Davud. Ele veio da Bósnia e
Herzegovina.
Valentim vê
apenas um garoto de menos de vinte anos com roupas da Gendarme. Tobias
protesta.
- Um novato da
Bósnia e Herzegovina?! Capitão Vilko, a região a ser investigada é perigosa! Eu
preciso de guardas experientes para me ajudar!
O inspetor tinha
razão. Eles partiriam para as florestas ao redor do Monte Santa Maria aquela
tarde. Qualquer erro pode ser fatal.
- Está bem. Eu
vou disponibiliza-lo mais um guarda.
O capitão chama
alguém e um guarda de cabelos e bigodes castanhos aparece. Valentim percebe que
era um dos que zombavam de Tobias minutos atrás.
- Pois não,
capitão?
- Guarda Mladen,
quero que auxilie o Inspetor Tobias em sua investigação.
- O quê?! – protesta ele – Eu acompanhando
este lunático?!
O capitão o
repreende.
- Contenha-se,
guarda! Quero que faça a segurança de Tobias em suas buscas.
Contrariado, ele
irritadamente pergunta:
- E onde serão essas
buscas? No “maravilhoso mundo da fantasia”?
Valentim ri, mas
se silencia ao perceber que todos olhavam para ele.
- Nas florestas
ao redor do Monte Santa Maria. Quero que faça sua proteção lá.
Tobias novamente
intervém.
- Dois não serão
o bastante, capitão! É uma área vasta! Precisarei de mais homens!
Irritando-se, Vilko
responde:
- Você está me
cansando, Tobias! Eu já disse que não posso mais disponibilizar homens a você.
– olhando para o lado, o capitão diz – Aqui! Leve estes dois com você.
O capitão olhava
para Valentim e Mirko. Tobias se espanta.
- Mas capitão!
Eles são apenas civis!
- Isso é tudo o
que você terá, inspetor! – exclama ele – Após tanta baboseira sobrenatural,
você tem sorte de ainda estar na Gendarmerie! Agora recomponha-se eu volte ao
trabalho!
Dando-lhe as
costas, o capitão intenta sair.
- Mas capitão...
- Eu disse ao
trabalho, homem! – e então ele sai da sala.
Humilhado na
frente dos subordinados e dos civis, Tobias se senta. Ele põe as mãos em seu
rosto em seguida.
Mirko não sabe o
que fazer. Mladen dá de ombros e acende um cigarro. Tobias permanece em sua
mesa, lamentando-se em silêncio. Irritado com sua descompostura, Valentim
segura seu ombro e diz:
- Ei, inspetor!
Você não ouviu o capitão? É hora de trabalhar!
Tobias se espanta
com sua ousadia.
- Como ousa
desrespeitar-me! Esta é uma investigação criminal! Não tolerarei a presença de
civis.
- Mas o senhor
vai! – impõe-se ele – Levante-se, sim? Nós temos um trabalho para fazer.
- O quê?! Estou
eu recebendo ordens de um civil? – indigna-se ele – Eu o ordeno que me
respeite!
Perdendo a
paciência, Valentim o agarra pelas roupas e o levanta da cadeira. Com olhar
cheio de raiva, ele vocifera ao jovem inspetor.
- Escute aqui,
seu moleque! Aquele dia você me pediu por respeito, mas me parece que eu sou o
único que te respeita por aqui! Então comece aceitando o fato de que, aqui
nesta estação, eu serei o único que te apoiará em suas buscas baseadas em seus “mirabolantes
contos de fada”! – esclarece ele – Portanto eu vou dizer só mais uma vez: vamos trabalhar!
Tobias está
perplexo, totalmente intimidado por Valentim. De olhos arregalados, ele assente
com a cabeça e responde:
- Está bem.
Então Valentim o
empurra e o solta. Extasiados com a cena, os demais sorriem, elogiando o ousado
Valentim.
Confuso, o
inspetor procura por seu material de trabalho. Em seguida ele pede aos demais
para se prepararem para sair. Vendo que tudo estava indo de acordo com sua
vontade, Valentim sorri.
Impondo-se, ele
conseguia o que queria mais uma vez.

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