domingo, 8 de maio de 2022

Liubliana - 09 - Plasma

 


(Imagem do game Thief 4)


Caminhando pela manhã nevoenta, Valentim chega à Trdinova Ulica[1]. A estação da Gendarmerie está logo a frente e ele vê os guardas com seus típicos uniformes austríacos. Eles vestiam fardas cinzas escuras e elmos pretos com uma ponta de lança em seus topos. Em suas cinturas eles portavam porretes de madeira. Haviam alguns carníolos entre os guardas, mas a maioria era austríaca das forças de administração imperial na província.

Valentim entra pela porta e encontra um ambiente movimentado. Cidadãos bêbados e ensanguentados eram levados para as celas; aparentemente eles se envolveram em brigas de rua. Donas de casa prestavam queixa contra vizinhos bagunceiros e barulhentos. Ladrões eram levados presos e ele via muitas mulheres vítimas de violência doméstica. Ver as crianças chorando e pedindo por suas mães lhe partia o coração.

No balcão ele vê um guarda entediado preenchendo os boletins de ocorrência. Por sorte não era um austríaco, e isto deixaria a comunicação mais fácil. Havia uma longa fila e aguardar sua vez o deixava muito impaciente; Valentim odiava esperar.         

- Bom dia, guarda. Gostaria de prestar uma queixa.

O guarda olha para ele e vê um senhor mal vestido e com olheiras profundas em seu rosto.

 -  Bom dia, cidadão. E do que seria essa queixa?

- Desaparecimento.

O guarda ergue a sobrancelha.

- Outro desaparecimento? – sorri ele – E do que se trata? Fuga, sequestro, ocultação de cadáver...

- Ocultação de cadáver?! – exclama ele – Eu não ocultei nenhum cadáver! Minha esposa está desaparecida e eu preciso encontrá-la!

- O senhor tem certeza de que ela não fugiu? Vocês tinham problemas no casamento? Ela tinha algum amante?

- O quê?! – ofende-se ele.

- Ouça, cidadão. Não sei o que está acontecendo, mas esta cidade ficou louca. Estou recebendo queixas de desaparecimento todos os dias, e mais e mais desaparecem enquanto falamos. É como se tivesse ocorrido o Arrebatamento e nós tivéssemos ficado para penar na Tribulação. – argumenta ele – A Gendarmerie não tem investigadores o suficiente para investigar os casos, e muitas vítimas aparecem mortas por aí. Se o senhor puder me ajudar me esclarecendo o que houve, isso facilitaria muito mais o meu trabalho.

Acalmando-se, Valentim responde:

- Não há muito o que dizer. Eu voltei para casa após o trabalho e minha esposa havia desaparecido.

- E quando foi que ela desapareceu.

- Um dia.

- Só um dia?

- Dois contando com esse.

- Cidadão, eu registro queixas de desaparecimento de no mínimo cinco dias, apenas.

- Cinco dias! – exclama ele – Após cinco dias ela já deve estar morta!

- Como eu disse, nós não temos efetivo o suficiente para investigar os casos. Veja as fichas. – ele aponta para uma pilha enorme de papeis sobre o balcão – Estamos todos de mãos cheias aqui.

- Então o que eu devo fazer?

- Sugiro que pergunte aos familiares, comerciantes e vizinhos. Alguém na vizinhança deve tê-la visto pela última vez. Vejo que vocês não são da nobreza; isso descarta a possibilidade de sequestro por resgate. Mude sua cabeça, aceite outras teorias. Considere a possibilidade de fuga. Perdoe-me o atrevimento, senhor, mas o traído é sempre o último a saber.

Valentim se recusa a considerar aquilo.

- Não posso perder mais um dia de trabalho. Eu já faltei dois dias na fábrica!

- O senhor não tem parentes? Filhos? Alguém que possa te auxiliar nas buscas?

O marido não tinha ninguém.

- Não posso acreditar que está me pedindo para fazer o trabalho da Gendarmerie.

- Preciso de no mínimo cinco dias, senhor. É o procedimento.

- Mas eu... – então ele ouve os outros cidadãos reclamando da demora no fim da fila – Então está me dizendo que vocês não farão nada?

- Lamento. Prazo mínimo de cinco dias. Próximo!

Valentim é insultado por um bando de plebeus atrás dele. Irritado, ele os xinga de volta e volta a falar com o recepcionista.

- Espere! Eu ainda tenho uma pergunta. Onde eu posso encontrar o Inspetor Tobias?

- O Tobias? – ri ele – O que você quer com aquele palerma?

- Palerma? – intriga-se ele – O bibliotecário Ambrož disse que ele é um dos seus alunos mais brilhantes.

- Talvez na sala de aula, por que aqui ele nos importuna com suas teorias fantasiosas e contos de fada... Ninguém o respeita.

- E onde eu posso encontra-lo?

- Se o senhor insiste, suba as escadas e siga pelo corredor à direita. Tobias estará na sala de evidências.

Satisfeito, Valentim se vira e finalmente se afasta.

Percorrendo a estação, os guardas estranham aquele operário maltrapilho passeando por ali. Valentim se aproxima de uma sala e vê caixas empilhadas nas prateleiras. Havia uma escrivaninha e um casaco pendurado na cadeira. Mais pessoas estavam lá dentro, aparentando estarem em reunião. Ele bate na porta, mas ninguém se importa em atende-lo. 

Valentim vê um jovem loiro conversando com inspetores mais velhos. Valentim nota que aqueles eram o capitão e seu auxiliar. O inspetor expõe suas teorias indicando rabiscos em uma lousa na parede. Devido ao seu forte sotaque, Valentim percebe que o jovem era austríaco. Ele imediatamente o reconhece; era o inspetor de dias atrás, aquele que ele viu na casa em chamas na mesma noite em que Danica desapareceu.

- Mas do que é que você está falando, Hessler? Como isso é possível? – pergunta um dos inspetores.

- O Plasma é o responsável pelo aumento descontrolado do crime, capitão. Ele está no centro de tudo. E não apenas dos crimes, mas dos casos sobrenaturais que os cidadãos relatam também. E nós os negligenciamos por não sermos capazes de compreende-los.

Os inspetores riem.

- Inspetor, o Plasma é uma substância apenas. Uma fonte de energia responsável pelo reerguimento não apenas de Carníola, mas de todo o Império Austro-Húngaro.

- E de onde ele surgiu? – pergunta ele – Alguns dizem que foi descoberto nas montanhas do Monte Triglav, outros de que estava depositado na caverna de Postojna... E todos falham em considerar minha provável hipótese. – ele pausa antes de concluir – O Plasma surgiu dos pântanos ao sul de Liubliana.

- O quê?! – intrigam-se eles.

- O Plasma não surgiu de nenhuma montanha ou caverna, ele sempre esteve aqui. Através de sua história, Liubliana sempre foi atacada por enchentes; inclusive o próprio pântano fez parte do folclore da cidade. Diz a lenda que Jasão venceu um monstro que vivia naquelas águas. Outros dizem que o monstro era, na verdade, o dragão que cuspia fogo do topo do castelo sobre a cidade. Eu tenho a teoria de que esta não é uma lenda, e sim o paganismo de Ilíria da antiguidade. Um paganismo que precede o império de Alexandre, o Grande. – explica ele – O Plasma está ligado diretamente aos atuais eventos. Esta substância tem poderes místicos capazes de alterar a psique humana e preparar o mundo para o retorno de seres sobrenaturais. Ou lendários, se preferirem.

- Lendários...?

- Sim, como o dragão no brasão da cidade.

Os inspetores se entreolham e, após um segundo, soltam uma bela gargalhada. O jovem, porém, permanece com semblante sério.

- Então essa onda de crimes é culpa de um dragão?! – debocha um deles.

- A sua Bíblia também diz que o pecado é culpa de um dragão, que é aquela mesma serpente do Éden. Por que minha teoria é uma piada e sua fé não é, e vocês a acreditam?

Então os inspetores, que eram piamente devotos na igreja, se calam, irritados.

Continuando, o jovem diz:

- Pensem comigo. O Plasma é a parte líquida do sangue, constituída de soro e de fibrinogênio.

- Fibrino o quê? – interrompe o auxiliar.

- Fibrinogênio é uma proteína que participa da coagulação sanguínea e da agregação plaquetária.

- Ah... – responde o guarda, fingindo que entendeu.

- Assim como o Plasma é o sangue do corpo, ele é o sangue da terra. As águas do pântano inundam a cidade, mas também irrigam os campos, favorecendo a agricultura. Anualmente o nível da água sobe, notadamente no verão, que é a época das chuvas. Porém neste ano não subiu, surgindo ao invés o Plasma, esta substância verde e brilhante com espantoso potencial energético. A substância pode ser usada como remédio, fertilizante do solo e na caldeira das máquinas. Nem mesmo a água conseguiu tamanha eficiência. E eu vos digo o porquê: o Plasma é o sangue da terra. – reitera ele – O sangue fresco atrai moscas; o Plasma atrai o lado negro dos homens. Todas as vezes que ele aparece, algo macabro acontece. Hoje presenciamos o aumento dos crimes. Eu tenho a teoria de que os grandes déspotas do passado tiveram algum contato com ele, mas não o souberam. Entretanto, eles exploraram o potencial sanguíneo, extraindo-o do próprio corpo humano, as suas vítimas.

- Do que está falando, Hessler?

- Além de nos perverter, o Plasma nos dá poder! – exclama ele, assustando-os – Vlad, o Empalador, percebeu o seu potencial enquanto o sangue de seus inimigos jorrava pelas estacas. Estima-se que vinte mil vítimas foram empaladas por Vlad. Neste método de execução, uma lança afiada era introduzida no ânus ou na vagina da vítima, e então era erguida para cima, onde a lança atravessava seus corpos até sair por suas bocas. A vítima morria lenta e dolorosamente, agonizando ao ter seus órgãos dilacerados por dentro. Historiadores afirmam que, mesmo na prisão, Vlad se divertia capturando ratos e pássaros para decapita-los ou empala-los em pequenas lanças. Alguns eram esfolados e soltos ainda vivos para fugirem sem suas peles e aumentarem a sua diversão. – explica ele, espantando os inspetores – E também Elisabeth Bathory, a infame Condessa Sangrenta. Muitos foram os seus crimes depravados e cheios de sadismo, mas o que ninguém reconhece é que Bathory enxergou no sangue seu potencial rejuvenescedor. Ao espancar cruelmente uma criada por ela acidentalmente puxar o seu cabelo, o sangue da vítima se espirrou em sua pele, fazendo-a crer que as gotas a rejuvenesciam. Desde então Bathory e seus cúmplices aliciavam moças virgens para o seu castelo, e lá eles as prendiam e as sangravam até a morte. Conta-se que a condessa prendia as virgens em gaiolas de lâminas enquanto seu cúmplice as espetavam com lanças, fazendo-as se contorcerem na gaiola. As lâminas dilaceravam suas peles, e Bathory permanecia embaixo, sentado nua em uma cadeira enquanto era banhada no sangue quente. Outros dizem que ela se deitava em uma banheira enquanto esfolava a vítima pendurada no teto com uma foice. Estima-se que 650 mulheres foram mortas em seu castelo, algumas torturadas, tendo seus seios mutilados, e outras lançadas nuas no gelo, onde Bathory se divertia banhando-as com água fria até morrerem por congelamento.     

- Meu Deus...! – sussurra o capitão.

- Ambos têm uma coisa em comum: o sangue. Vlad viu no sangue das vítimas o poder e Bathory o seu potencial rejuvenescedor. Hoje esse sangue retorna na forma de uma fonte de energia misteriosa e miraculosa. E notem que Bathory era descedente de Vlad. O príncipe era líder de uma Ordem cujo animal, o mesmo animal lendário nunca visto por nenhum homem, se encontra inclusive em vossa Bíblia: o dragão.

Pigarreando, o auxiliar olha para o capitão e responde:

- Isto é loucura, Hessler! A Ordem do Dragão era uma ordem de cavaleiros semelhante à Ordem de São Jorge, e foi criada em 1408 por Sigismundo, na época imperador do Sacro Império Romano! Ela precedia o próprio Vlad Dracul!

O inspetor se surpreende com seu conhecimento.

- É claro. – confirma ele – Mas será mera coincidência que Vlad e Bathory sejam parentes, que ambos encontraram no sangue um poder místico, que o dragão lendário seja uma lenda inclusive em Liubliana e que o Plasma apareça exatamente aqui?

Dando uma pausa para eles pensarem, ele continua:

- A fragrância sanguínea atiçou o sadismo dos tiranos. O Plasma instiga a violência em Liubliana. Quantas vítimas de sequestro foram encontradas esfoladas na floresta?

Ao ouvi-lo, Valentim se apavora.

- Está dizendo que os perpetradores queriam extrair o “potencial místico do sangue”? – zomba o auxiliar.

Com convicção no olhar, o inspetor responde:

- Exatamente. Não estamos lidando com algo natural aqui. Há algo oculto no pântano, algo antigo e sobrenatural... As refinarias inglesas estão extraindo algo perigoso de lá, algo que deveria ser mantido longe da sociedade para sempre. Creio que se isso não for parado, será tarde demais.

Então o capitão responde:

- Estamos vivendo uma época dourada de invenções e avanços tecnológicos. Mas você nos diz para pararmos com a extração do Plasma por causa de sua teoria baseada em paganismo?!

- E o que é paganismo, capitão? – pergunta ele – Esta palavra vem do latim “paganus”, que significa camponês. Ela deriva de “pagus”, que significa aldeia. O paganismo é o conjunto de crenças animistas que os camponeses cultuavam escondidos nas florestas. Os romanos os chamavam de bárbaros; os cristãos de pagãos. Ambos acreditavam que os pagãos viviam nas trevas e que era seu dever conquista-los, forçando-os à conversão. Primeiro o império e depois a Igreja. “Roma é a luz!”, eles diziam. Os cristãos empreenderam cruzadas e inquisições para erradicarem as trevas do paganismo, mas se frustraram ao perceber que suas forças ancestrais retornavam de tempos em tempos para o mundo, inclusive em terras cristãs. Estamos vivendo este retorno. O mal ancestral está sobre nós.

As palavras do jovem eram tão fascinantes que eles não conseguiam parar de perguntar.   

- Mal ancestral?

- Vampiros, lobisomens, demônios, aparições fantasmagóricas... O mal está solto e estamos lidando imprudentemente com ele. Ele está nos remédios, nas carruagens, nas ferrovias, nas máquinas das fábricas... Está inclusive em nossas casas! – alerta ele – O Plasma deve ser banido, ou o sangue da terra irá nos tragar! E então os pagãos retornarão de seu exílio nas florestas para retomar o que era seu.

- Os pagãos foram exilados nas florestas? – pergunta o capitão.

- As florestas são os esconderijos das trevas pagãs. Lembre-se que Carníola e as demais províncias ilírias são majoritariamente compostas por florestas. Vejam.

O inspetor se vira e exibe um mapa na parede. Mas neste momento o capitão e seu auxiliar se entediam. Então eles se viram e vão embora, meneando negativamente a cabeça e deixando o jovem ali. O inspetor aponta para o mapa e fala sem perceber que eles haviam saído.

- Liubliana é uma cidade rodeada por florestas. Temo que os vampiros nos ataquem ao sul e lobisomens ao norte. Vampiros espreitam à noite e podem se infiltrar nas cidades, tornando os becos escuros perigosíssimos. Lobisomens são bestiais e não costumam deixar seu campo de caça. Temo que os lenhadores, caçadores e agricultores estejam em risco. Também devo salientar que...

Então o inspetor se vira e não encontra ninguém. O capitão e seu auxiliar haviam saído. Desanimando-se, ele abaixa seus braços e respira fundo.

Algo chama a sua atenção. Parado atrás das prateleiras, ele avista alguém próximo à porta. Ele vê um operário magro e mal vestido ali. O inspetor pergunta:

- Pois, não?

O homem se aproxima.

- Bom dia, senhor. Desculpe incomoda-lo. Estou procurando pelo Inspetor Tobias.

Olhando-o da cabeça aos pés, o inspetor responde:

- Ora, mas sou eu mesmo. Eu sou o Inspetor Tobias Hessler. E o senhor quem é? 

- Eu me chamo Valentim. Vim a pedido de Ambrož, o bibliotecário.

O inspetor se lembra. Ambrož era seu professor do qual lhe ensinou muito sobre a cultura carníola.

- E o que deseja, senhor Valentim?

- Ambrož disse que o senhor podia me ajudar a encontrar a minha esposa. Ela está desaparecida.

- O senhor tentou prestar uma queixa?

- Sim, mas o prazo é de no mínimo cinco dias. Não posso esperar tanto. Temo que ela esteja em perigo, ou pior.

- Quais são as características de sua esposa?

- Ela tem cabelos pretos, é um pouco pálida, é magra e tem quarenta e dois anos.

O inspetor parece pensar em algo. De repente ele pergunta:

- O senhor teve contato com o Plasma?

Estranhando a mudança abrupta de assunto, ele responde:

- Sim.

- Com que frequência?

- Muita. Eu trabalho em uma fábrica inglesa, uma tecelagem se preferir. As máquinas são movidas por Plasma e às vezes eu volto para casa com as roupas respingadas dessa substância. Quando eu passo nos becos à noite, elas brilham no escuro.

Tobias se espanta.

- O senhor vem sentindo impulsos violentos ultimamente?

- O que quer dizer?

- Sim ou não?

- O senhor se refere a essas teorias fantasiosas sobre monstros e paganismo? – zomba ele.

- O senhor quer encontrar a sua esposa, não quer? – irrita-se ele – Quem aqui na Gendarmerie se prontificou a ajuda-lo?

Valentim se constrange.

- Ninguém.

- Então me mostre mais respeito! – repreende ele – Vou te perguntar mais uma vez: o senhor vem sentindo impulsos violentos?

- Não, senhor.

- O senhor tem tido alucinações ultimamente? Pesadelos ou aparições fantasmagóricas?

- Sim! Na verdade, eu sinto que não estou mais sozinho em casa.

O inspetor pondera.

- Muito bem. Ouça-me, senhor Valentim. Como pode ver, eu tenho inúmeros casos de desaparecimento em minha mesa. Não tenho tempo para me dedicar exclusivamente ao senhor, mas me comprometo a informa-lo quando encontrar alguém com as características de sua esposa.

Valentim se intriga. A mesa de Tobias ficava na sala de evidências. Logo ele nota que os demais inspetores não o respeitavam, pois eles não dividiam suas salas com ele.

- Mas como o senhor fará para me informar? – pergunta ele.

- Volte daqui a três dias. Até lá eu terei algo para mostrar ao senhor. Nesse meio tempo, sugiro consultar seus familiares e vizinhos. Eles poderão dar pistas do paradeiro de sua esposa.

Constrangendo-se, Valentim sabe que não terá tempo para isso. Seu desgastante trabalho tomava todo o seu tempo; se é que ela ainda estava empregado.

- Está bem. – responde ele, por fim.

- Certo, então. – estendendo-lhe a mão, o inspetor se despede – Até breve, senhor Valentim. E boa sorte.

 

 



[1] Rua Trdinova 

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