(Imagem do game Thief 4)
Caminhando pela
manhã nevoenta, Valentim chega à Trdinova
Ulica[1].
A estação da Gendarmerie está logo a frente e ele vê os guardas com seus
típicos uniformes austríacos. Eles vestiam fardas cinzas escuras e elmos pretos
com uma ponta de lança em seus topos. Em suas cinturas eles portavam porretes
de madeira. Haviam alguns carníolos entre os guardas, mas a maioria era
austríaca das forças de administração imperial na província.
Valentim entra
pela porta e encontra um ambiente movimentado. Cidadãos bêbados e
ensanguentados eram levados para as celas; aparentemente eles se envolveram em
brigas de rua. Donas de casa prestavam queixa contra vizinhos bagunceiros e
barulhentos. Ladrões eram levados presos e ele via muitas mulheres vítimas de
violência doméstica. Ver as crianças chorando e pedindo por suas mães lhe
partia o coração.
No balcão ele vê
um guarda entediado preenchendo os boletins de ocorrência. Por sorte não era um
austríaco, e isto deixaria a comunicação mais fácil. Havia uma longa fila e
aguardar sua vez o deixava muito impaciente; Valentim odiava esperar.
- Bom dia,
guarda. Gostaria de prestar uma queixa.
O guarda olha
para ele e vê um senhor mal vestido e com olheiras profundas em seu rosto.
- Bom
dia, cidadão. E do que seria essa queixa?
-
Desaparecimento.
O guarda ergue a
sobrancelha.
- Outro
desaparecimento? – sorri ele – E do que se trata? Fuga, sequestro, ocultação de
cadáver...
- Ocultação de
cadáver?! – exclama ele – Eu não ocultei nenhum cadáver! Minha esposa está
desaparecida e eu preciso encontrá-la!
- O senhor tem
certeza de que ela não fugiu? Vocês tinham problemas no casamento? Ela tinha
algum amante?
- O quê?! –
ofende-se ele.
- Ouça, cidadão.
Não sei o que está acontecendo, mas esta cidade ficou louca. Estou recebendo
queixas de desaparecimento todos os dias, e mais e mais desaparecem enquanto
falamos. É como se tivesse ocorrido o Arrebatamento e nós tivéssemos ficado
para penar na Tribulação. – argumenta ele – A Gendarmerie não tem investigadores
o suficiente para investigar os casos, e muitas vítimas aparecem mortas por aí.
Se o senhor puder me ajudar me esclarecendo o que houve, isso facilitaria muito
mais o meu trabalho.
Acalmando-se,
Valentim responde:
- Não há muito o
que dizer. Eu voltei para casa após o trabalho e minha esposa havia
desaparecido.
- E quando foi
que ela desapareceu.
- Um dia.
- Só um dia?
- Dois contando
com esse.
- Cidadão, eu registro
queixas de desaparecimento de no mínimo cinco dias, apenas.
- Cinco dias! –
exclama ele – Após cinco dias ela já deve estar morta!
- Como eu disse,
nós não temos efetivo o suficiente para investigar os casos. Veja as fichas. –
ele aponta para uma pilha enorme de papeis sobre o balcão – Estamos todos de
mãos cheias aqui.
- Então o que eu
devo fazer?
- Sugiro que
pergunte aos familiares, comerciantes e vizinhos. Alguém na vizinhança deve
tê-la visto pela última vez. Vejo que vocês não são da nobreza; isso descarta a
possibilidade de sequestro por resgate. Mude sua cabeça, aceite outras teorias.
Considere a possibilidade de fuga. Perdoe-me o atrevimento, senhor, mas o
traído é sempre o último a saber.
Valentim se
recusa a considerar aquilo.
- Não posso
perder mais um dia de trabalho. Eu já faltei dois dias na fábrica!
- O senhor não
tem parentes? Filhos? Alguém que possa te auxiliar nas buscas?
O marido não
tinha ninguém.
- Não posso
acreditar que está me pedindo para fazer o trabalho da Gendarmerie.
- Preciso de no
mínimo cinco dias, senhor. É o procedimento.
- Mas eu... – então
ele ouve os outros cidadãos reclamando da demora no fim da fila – Então está me
dizendo que vocês não farão nada?
- Lamento. Prazo
mínimo de cinco dias. Próximo!
Valentim é
insultado por um bando de plebeus atrás dele. Irritado, ele os xinga de volta e
volta a falar com o recepcionista.
- Espere! Eu
ainda tenho uma pergunta. Onde eu posso encontrar o Inspetor Tobias?
- O Tobias? – ri
ele – O que você quer com aquele palerma?
- Palerma? –
intriga-se ele – O bibliotecário Ambrož disse que ele é um dos seus alunos mais
brilhantes.
- Talvez na sala
de aula, por que aqui ele nos importuna com suas teorias fantasiosas e contos
de fada... Ninguém o respeita.
- E onde eu posso
encontra-lo?
- Se o senhor
insiste, suba as escadas e siga pelo corredor à direita. Tobias estará na sala
de evidências.
Satisfeito,
Valentim se vira e finalmente se afasta.
Percorrendo a
estação, os guardas estranham aquele operário maltrapilho passeando por ali.
Valentim se aproxima de uma sala e vê caixas empilhadas nas prateleiras. Havia
uma escrivaninha e um casaco pendurado na cadeira. Mais pessoas estavam lá
dentro, aparentando estarem em reunião. Ele bate na porta, mas ninguém se
importa em atende-lo.
Valentim vê um
jovem loiro conversando com inspetores mais velhos. Valentim nota que aqueles
eram o capitão e seu auxiliar. O inspetor expõe suas teorias indicando rabiscos
em uma lousa na parede. Devido ao seu forte sotaque, Valentim percebe que o
jovem era austríaco. Ele imediatamente o reconhece; era o inspetor de dias
atrás, aquele que ele viu na casa em chamas na mesma noite em que Danica
desapareceu.
- Mas do que é
que você está falando, Hessler? Como isso é possível? – pergunta um dos inspetores.
- O Plasma é o
responsável pelo aumento descontrolado do crime, capitão. Ele está no centro de
tudo. E não apenas dos crimes, mas dos casos sobrenaturais que os cidadãos
relatam também. E nós os negligenciamos por não sermos capazes de
compreende-los.
Os inspetores
riem.
- Inspetor, o
Plasma é uma substância apenas. Uma fonte de energia responsável pelo
reerguimento não apenas de Carníola, mas de todo o Império Austro-Húngaro.
- E de onde ele
surgiu? – pergunta ele – Alguns dizem que foi descoberto nas montanhas do Monte
Triglav, outros de que estava depositado na caverna de Postojna... E todos
falham em considerar minha provável hipótese. – ele pausa antes de concluir – O
Plasma surgiu dos pântanos ao sul de Liubliana.
- O quê?! –
intrigam-se eles.
- O Plasma não
surgiu de nenhuma montanha ou caverna, ele sempre esteve aqui. Através de sua
história, Liubliana sempre foi atacada por enchentes; inclusive o próprio
pântano fez parte do folclore da cidade. Diz a lenda que Jasão venceu um
monstro que vivia naquelas águas. Outros dizem que o monstro era, na verdade, o
dragão que cuspia fogo do topo do castelo sobre a cidade. Eu tenho a teoria de
que esta não é uma lenda, e sim o paganismo de Ilíria da antiguidade. Um paganismo
que precede o império de Alexandre, o Grande. – explica ele – O Plasma está
ligado diretamente aos atuais eventos. Esta substância tem poderes místicos
capazes de alterar a psique humana e preparar o mundo para o retorno de seres
sobrenaturais. Ou lendários, se preferirem.
- Lendários...?
- Sim, como o
dragão no brasão da cidade.
Os inspetores se
entreolham e, após um segundo, soltam uma bela gargalhada. O jovem, porém,
permanece com semblante sério.
- Então essa onda
de crimes é culpa de um dragão?! – debocha um deles.
- A sua Bíblia
também diz que o pecado é culpa de um dragão, que é aquela mesma serpente do
Éden. Por que minha teoria é uma piada e sua fé não é, e vocês a acreditam?
Então os inspetores,
que eram piamente devotos na igreja, se calam, irritados.
Continuando, o jovem
diz:
- Pensem comigo.
O Plasma é a parte líquida do sangue, constituída de soro e de fibrinogênio.
- Fibrino o quê?
– interrompe o auxiliar.
- Fibrinogênio é
uma proteína que participa da coagulação sanguínea e da agregação plaquetária.
- Ah... –
responde o guarda, fingindo que entendeu.
- Assim como o
Plasma é o sangue do corpo, ele é o sangue da terra. As águas do pântano
inundam a cidade, mas também irrigam os campos, favorecendo a agricultura.
Anualmente o nível da água sobe, notadamente no verão, que é a época das chuvas.
Porém neste ano não subiu, surgindo ao invés o Plasma, esta substância verde e
brilhante com espantoso potencial energético. A substância pode ser usada como
remédio, fertilizante do solo e na caldeira das máquinas. Nem mesmo a água
conseguiu tamanha eficiência. E eu vos digo o porquê: o Plasma é o sangue da
terra. – reitera ele – O sangue fresco atrai moscas; o Plasma atrai o lado
negro dos homens. Todas as vezes que ele aparece, algo macabro acontece. Hoje
presenciamos o aumento dos crimes. Eu tenho a teoria de que os grandes déspotas
do passado tiveram algum contato com ele, mas não o souberam. Entretanto, eles
exploraram o potencial sanguíneo, extraindo-o do próprio corpo humano, as suas
vítimas.
- Do que está
falando, Hessler?
- Além de nos
perverter, o Plasma nos dá poder! – exclama ele, assustando-os – Vlad, o
Empalador, percebeu o seu potencial enquanto o sangue de seus inimigos jorrava
pelas estacas. Estima-se que vinte mil vítimas foram empaladas por Vlad. Neste
método de execução, uma lança afiada era introduzida no ânus ou na vagina da
vítima, e então era erguida para cima, onde a lança atravessava seus corpos até
sair por suas bocas. A vítima morria lenta e dolorosamente, agonizando ao ter
seus órgãos dilacerados por dentro. Historiadores afirmam que, mesmo na prisão,
Vlad se divertia capturando ratos e pássaros para decapita-los ou empala-los em
pequenas lanças. Alguns eram esfolados e soltos ainda vivos para fugirem sem
suas peles e aumentarem a sua diversão. – explica ele, espantando os inspetores
– E também Elisabeth Bathory, a infame Condessa Sangrenta. Muitos foram os seus
crimes depravados e cheios de sadismo, mas o que ninguém reconhece é que
Bathory enxergou no sangue seu potencial rejuvenescedor. Ao espancar cruelmente
uma criada por ela acidentalmente puxar o seu cabelo, o sangue da vítima se
espirrou em sua pele, fazendo-a crer que as gotas a rejuvenesciam. Desde então
Bathory e seus cúmplices aliciavam moças virgens para o seu castelo, e lá eles
as prendiam e as sangravam até a morte. Conta-se que a condessa prendia as virgens
em gaiolas de lâminas enquanto seu cúmplice as espetavam com lanças, fazendo-as
se contorcerem na gaiola. As lâminas dilaceravam suas peles, e Bathory
permanecia embaixo, sentado nua em uma cadeira enquanto era banhada no sangue
quente. Outros dizem que ela se deitava em uma banheira enquanto esfolava a
vítima pendurada no teto com uma foice. Estima-se que 650 mulheres foram mortas
em seu castelo, algumas torturadas, tendo seus seios mutilados, e outras
lançadas nuas no gelo, onde Bathory se divertia banhando-as com água fria até
morrerem por congelamento.
- Meu Deus...! –
sussurra o capitão.
- Ambos têm uma
coisa em comum: o sangue. Vlad viu no sangue das vítimas o poder e Bathory o seu
potencial rejuvenescedor. Hoje esse sangue retorna na forma de uma fonte de
energia misteriosa e miraculosa. E notem que Bathory era descedente de Vlad. O
príncipe era líder de uma Ordem cujo animal, o mesmo animal lendário nunca
visto por nenhum homem, se encontra inclusive em vossa Bíblia: o dragão.
Pigarreando, o
auxiliar olha para o capitão e responde:
- Isto é loucura,
Hessler! A Ordem do Dragão era uma ordem de cavaleiros semelhante à Ordem de
São Jorge, e foi criada em 1408 por Sigismundo, na época imperador do Sacro
Império Romano! Ela precedia o próprio Vlad Dracul!
O inspetor se
surpreende com seu conhecimento.
- É claro. –
confirma ele – Mas será mera coincidência que Vlad e Bathory sejam parentes,
que ambos encontraram no sangue um poder místico, que o dragão lendário seja
uma lenda inclusive em Liubliana e que o Plasma apareça exatamente aqui?
Dando uma pausa
para eles pensarem, ele continua:
- A fragrância
sanguínea atiçou o sadismo dos tiranos. O Plasma instiga a violência em
Liubliana. Quantas vítimas de sequestro foram encontradas esfoladas na
floresta?
Ao ouvi-lo,
Valentim se apavora.
- Está dizendo
que os perpetradores queriam extrair o “potencial místico do sangue”? – zomba o
auxiliar.
Com convicção no
olhar, o inspetor responde:
- Exatamente. Não
estamos lidando com algo natural aqui. Há algo oculto no pântano, algo antigo e
sobrenatural... As refinarias inglesas estão extraindo algo perigoso de lá,
algo que deveria ser mantido longe da sociedade para sempre. Creio que se isso
não for parado, será tarde demais.
Então o capitão
responde:
- Estamos vivendo
uma época dourada de invenções e avanços tecnológicos. Mas você nos diz para
pararmos com a extração do Plasma por causa de sua teoria baseada em paganismo?!
- E o que é
paganismo, capitão? – pergunta ele – Esta palavra vem do latim “paganus”, que
significa camponês. Ela deriva de “pagus”, que significa aldeia. O paganismo é
o conjunto de crenças animistas que os camponeses cultuavam escondidos nas
florestas. Os romanos os chamavam de bárbaros; os cristãos de pagãos. Ambos
acreditavam que os pagãos viviam nas trevas e que era seu dever conquista-los,
forçando-os à conversão. Primeiro o império e depois a Igreja. “Roma é a luz!”,
eles diziam. Os cristãos empreenderam cruzadas e inquisições para erradicarem
as trevas do paganismo, mas se frustraram ao perceber que suas forças
ancestrais retornavam de tempos em tempos para o mundo, inclusive em terras
cristãs. Estamos vivendo este retorno. O mal ancestral está sobre nós.
As palavras do
jovem eram tão fascinantes que eles não conseguiam parar de perguntar.
- Mal ancestral?
- Vampiros,
lobisomens, demônios, aparições fantasmagóricas... O mal está solto e estamos
lidando imprudentemente com ele. Ele está nos remédios, nas carruagens, nas
ferrovias, nas máquinas das fábricas... Está inclusive em nossas casas! –
alerta ele – O Plasma deve ser banido, ou o sangue da terra irá nos tragar! E
então os pagãos retornarão de seu exílio nas florestas para retomar o que era
seu.
- Os pagãos foram
exilados nas florestas? – pergunta o capitão.
- As florestas
são os esconderijos das trevas pagãs. Lembre-se que Carníola e as demais
províncias ilírias são majoritariamente compostas por florestas. Vejam.
O inspetor se
vira e exibe um mapa na parede. Mas neste momento o capitão e seu auxiliar se entediam.
Então eles se viram e vão embora, meneando negativamente a cabeça e deixando o
jovem ali. O inspetor aponta para o mapa e fala sem perceber que eles haviam
saído.
- Liubliana é uma
cidade rodeada por florestas. Temo que os vampiros nos ataquem ao sul e lobisomens
ao norte. Vampiros espreitam à noite e podem se infiltrar nas cidades, tornando
os becos escuros perigosíssimos. Lobisomens são bestiais e não costumam deixar
seu campo de caça. Temo que os lenhadores, caçadores e agricultores estejam em
risco. Também devo salientar que...
Então o inspetor
se vira e não encontra ninguém. O capitão e seu auxiliar haviam saído. Desanimando-se,
ele abaixa seus braços e respira fundo.
Algo chama a sua
atenção. Parado atrás das prateleiras, ele avista alguém próximo à porta. Ele
vê um operário magro e mal vestido ali. O inspetor pergunta:
- Pois, não?
O homem se
aproxima.
- Bom dia,
senhor. Desculpe incomoda-lo. Estou procurando pelo Inspetor Tobias.
Olhando-o da
cabeça aos pés, o inspetor responde:
- Ora, mas sou eu
mesmo. Eu sou o Inspetor Tobias Hessler. E o senhor quem é?
- Eu me chamo
Valentim. Vim a pedido de Ambrož, o bibliotecário.
O inspetor se
lembra. Ambrož era seu professor do qual lhe ensinou muito sobre a cultura
carníola.
- E o que deseja,
senhor Valentim?
- Ambrož disse
que o senhor podia me ajudar a encontrar a minha esposa. Ela está desaparecida.
- O senhor tentou
prestar uma queixa?
- Sim, mas o
prazo é de no mínimo cinco dias. Não posso esperar tanto. Temo que ela esteja
em perigo, ou pior.
- Quais são as
características de sua esposa?
- Ela tem cabelos
pretos, é um pouco pálida, é magra e tem quarenta e dois anos.
O inspetor parece
pensar em algo. De repente ele pergunta:
- O senhor teve
contato com o Plasma?
Estranhando a
mudança abrupta de assunto, ele responde:
- Sim.
- Com que
frequência?
- Muita. Eu
trabalho em uma fábrica inglesa, uma tecelagem se preferir. As máquinas são
movidas por Plasma e às vezes eu volto para casa com as roupas respingadas
dessa substância. Quando eu passo nos becos à noite, elas brilham no escuro.
Tobias se
espanta.
- O senhor vem
sentindo impulsos violentos ultimamente?
- O que quer
dizer?
- Sim ou não?
- O senhor se
refere a essas teorias fantasiosas sobre monstros e paganismo? – zomba ele.
- O senhor quer
encontrar a sua esposa, não quer? – irrita-se ele – Quem aqui na Gendarmerie se
prontificou a ajuda-lo?
Valentim se
constrange.
- Ninguém.
- Então me mostre
mais respeito! – repreende ele – Vou te perguntar mais uma vez: o senhor vem
sentindo impulsos violentos?
- Não, senhor.
- O senhor tem
tido alucinações ultimamente? Pesadelos ou aparições fantasmagóricas?
- Sim! Na verdade,
eu sinto que não estou mais sozinho em casa.
O inspetor
pondera.
- Muito bem.
Ouça-me, senhor Valentim. Como pode ver, eu tenho inúmeros casos de
desaparecimento em minha mesa. Não tenho tempo para me dedicar exclusivamente
ao senhor, mas me comprometo a informa-lo quando encontrar alguém com as
características de sua esposa.
Valentim se
intriga. A mesa de Tobias ficava na sala de evidências. Logo ele nota que os
demais inspetores não o respeitavam, pois eles não dividiam suas salas com ele.
- Mas como o
senhor fará para me informar? – pergunta ele.
- Volte daqui a
três dias. Até lá eu terei algo para mostrar ao senhor. Nesse meio tempo,
sugiro consultar seus familiares e vizinhos. Eles poderão dar pistas do
paradeiro de sua esposa.
Constrangendo-se,
Valentim sabe que não terá tempo para isso. Seu desgastante trabalho tomava
todo o seu tempo; se é que ela ainda estava empregado.
- Está bem. –
responde ele, por fim.
- Certo, então. –
estendendo-lhe a mão, o inspetor se despede – Até breve, senhor Valentim. E boa
sorte.

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