terça-feira, 14 de abril de 2020

Os Fracos - 32 - Fragmento 16



Fragmento 16

Pode a força vencer a inteligência? Pode a esperteza da estratégia vencer a truculência da força? A lei do mais forte pode aterrorizar a mente de alguns, mas para outros é a maior oportunidade que pode ocorrer na vida. Dale viu essa oportunidade, e como muitos outros iguais a ele, a abraçou.
Dale sempre foi um homem violento. Sendo um alcoólatra fracassado, ele extravasava sua raiva batendo em sua esposa. Dale também era violento com prostitutas, abusando sexualmente de seu enteado e indo preso várias vezes por agressão. Enquanto sua esposa trabalhava, ele passava o dia arrumando brigas no bar ou roubando carros.
Quando era adolescente, Dale era um típico bully de escola americana. Batia nos alunos, andava com gangues, pichava paredes e furtava mercados. Certa vez ele espancou um aluno da escola por denunciá-lo à polícia, mas só foi expulso por agredir o diretor.
Todas as noites ele voltava bêbado para casa. O álcool parecia estimular sua natureza violenta. Os hematomas no rosto de sua esposa aumentavam e se espalhavam por seu corpo, até que um dia Dale exagerou. Ao lhe dar um soco em seu rosto, ela caiu e bateu a cabeça na mesa. Vendo que ela não se levantava, Dale a sacode com a ponta de seu pé. Sangue escorria de sua nuca e se espalhava pelo chão. Dale fica confuso. Seu enteado viu tudo, mas estava apavorado demais para socorrê-la. O menino ficou agachado, abraçado às suas pernas enquanto seu padrasto batia em sua mãe mais uma vez. A esposa de Dale morreu aquela noite, e isso foi um ano antes da guerra.
As ruínas eram um inferno. Cidades inteiras foram destruídas, os incêndios se espalhavam e muitos ficaram desabrigados. Os que sobreviveram morriam de radiação e as vítimas eram empilhadas nas ruas. Foi então que Dale percebeu que teria de lutar para sobreviver.
Juntando-se a um bando de ladrões, assassinos, vagabundos e molestadores iguais a ele, Dale encontrou uma nova família. Roubando sobreviventes que vagavam pelas ruínas, eles se sustentavam do quanto conseguiam roubar. Não existia mais polícia, não havia ninguém para contê-los, muitas vezes seus companheiros estupravam mulheres e matavam pessoas a golpes de martelo por pura diversão.
Enquanto saqueavam, eles encontravam equipamentos de proteção e uniformes da polícia, dos bombeiros e do exército. Assim eles passaram a se vestir com fardas, botas, ombreiras, cotoveleiras, joelheiras e outros materiais que encontravam por aí. Logo a aparência do grupo ficou grotesca, estimulada por suas mentes doentias que desconheciam limites. Espancamentos, assassinatos e estupros eram comuns, o grupo se embriagava com o senso de liberdade que se alargava diante de seus olhos.
O jovem grupo de saqueadores sai à caça. Dale carrega uma barra de aço em sua mão. Ele caminha arrogantemente pelas ruas, como se fosse um rei e sua barra, o cetro real. Era assim que eles se sentiam, os donos das ruínas.
Ao passar ao lado de uma casa, eles ouvem alguém pedir por socorro. Atravessando o gramado alto, eles abrem cuidadosamente a porta. A casa estava escura e cheirava a mofo. As janelas foram pregadas com tábuas e cortinas as cobriam por dentro. Havia muita poeira nos móveis, aparentemente os antigos donos abandonaram a casa muito antes da guerra começar.
Dale atravessa a sala e é o primeiro a ver. Uma garota estava sentada no chão e pedia por socorro. Ela chorava e parecia estar muito assustada. Dale nota que ela veste apenas um lençol e que seus seios estão descobertos. Ele sorri. Usando sua barra de aço, ele ergue o lençol da garota e vê que ela está completamente nua.
Os outros saqueadores se aproximam. Ao ver a garota nua no chão, eles riem maliciosamente. Claramente eles não tinham a menor intenção de ajudá-la. Os saqueadores a acariciam, fazendo-a se arrastar até a parede. Dale participa daquele abuso e ri também, excitando-se com o sexo que virá a seguir. Então algo acontece.
Pessoas encapuzadas aparecem e atacam os homens. O ataque foi rápido e furtivo. Ao serem golpeados na cabeça, eles imediatamente desmaiam.
Dale e seus companheiros são amarrados pelos pulsos e forçados a caminhar pelas ruínas. As pessoas encapuzadas nada falam, ao invés elas apenas os conduzem pelas ruas. Eles atravessam um estacionamento e Dale vê a entrada de um bar. As lâmpadas de neon vermelho, agora apagadas para sempre, formam as palavras Strip Club.
No interior do bar eles veem várias mulheres com vestidos curtos, minissaias, decotes e outras roupas sexualmente sugestivas. “São strippers” pensa ele. As pessoas encapuzadas tiram seus capuzes. São todas mulheres!
Uma mulher assenta-se no centro do salão como se fosse uma rainha. Levantando-se, ela diz:
- Ora, ora, ora... Vocês trouxeram mais homens para nos divertir?
Dale nota que ela usa maquiagens fortes, um vestido indecente, cinta-liga e salto alto. Ela se aproxima e Dale consegue sentir o cheiro forte de cigarro em suas roupas.
- Divertir? – diz um dos capturados – Vamos para o quarto e eu te mostro o que é diversão.
- Foi esse que te achou? – pergunta a mulher.
Aparecendo atrás deles, a garota vestida com um lençol responde:
- Não. Foi esse aqui. – ela aponta seu dedo para Dale.
- Ótimo. – então a chefe faz um gesto com a cabeça, permitindo algo.
Pegando tacos de baseball, as outras mulheres espancam o homem que falou primeiro. Elas batem violentamente em sua cabeça, fazendo seu crânio amolecer como um saco de lixo úmido. Sangue espirra pelo salão, tocando o rosto de Dale. Os homens se desesperam.
- Por favor! Eu te imploro! Poupe nossas vidas! – diz outro.
- Mate esse também. – ordena a chefe.
O espetáculo sangrento recomeça. As mulheres não tem compaixão.
Então ninguém mais ousa abrir a boca. O restante dos saqueadores é levado para os fundos. Dale é deixado de joelhos em frente à chefe. Os corpos ensanguentados de seus ex-companheiros lhe dão nojo.
- Então é você que gosta de estuprar meninas indefesas?
- Eu não tenho medo de você e nem desse seu bando de putas.
A chefe sorri.
- Não seja inflexível. Somos iguais a você. Fazemos o que for preciso para sobreviver.
Dale olha ao redor e vê mochilas, bolsas e outros pertences roubados dos peregrinos.
- Vocês não são sobreviventes comuns. Vocês são Saqueadoras...
- Gostou de nossa armadilha? Homens violentos e dominadores como vocês não resistem ao sexo. É o seu ponto fraco. Não é preciso muita inteligência para perceber isso. Sou uma puta, lembra-se?
Dale sente ódio.
- Pois mate-me se quiser! Eu vou te estuprar no inferno.
- Matar? Acho que você não entendeu por que o capturamos.
- O que quer dizer?
- A comida está bem escassa nesses dias. Você já deve saber.
Levando-o pelo bar, Dale passa pela cozinha e vê ossadas inteiras dentro do forno. A mesa de preparo está lavada de sangue e manchas pretas de fumaça sujam as paredes. As mulheres abrem a porta do refrigerador e lançam Dale lá dentro. Os outros saqueadores estão ali também e gritam de desespero. Então a porta se fecha e eles são deixados na escuridão.
A inteligência venceu a força, afinal. As mulheres, sempre descritas como fracas e indefesas, subjugaram aqueles homens terríveis. Elas exploraram o seu ponto fraco. Dale, tão forte fisicamente, saciará a fome das mulheres com seus músculos que o ajudaram a matar e a estuprar nas ruínas.
O fim merecido para quem foi fraco.




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