Gunther
está atrasado. Apertando o botão no painel, ele chama o elevador. Enquanto
espera, ele arruma sua gravata e respira fundo, aliviando a tensão. Ele veio à
uma entrevista de emprego em uma promissora empresa, mas qual seria sua função
e de qual empresa se tratava ele não sabia dizer.
Ele
estava em Nova Iorque. Gunther podia ouvir os sons da cidade lá fora, com suas
buzinas, motores, vozes e sirenes. Mas no hall daquele edifício ele não vê
ninguém e tampouco se lembra de ter passado pelo recepcionista. Ali ele estava
completamente sozinho.
O
elevador chega, fazendo seu peculiar som. As portas se abrem e ele entra,
dirigindo-se ao painel em seguida. Aos olhar para os números, ele se lembra que
os novaiorquinos são bastante supersticiosos quanto ao número 13. O painel à
sua frente chegava ao número 12 e pulava diretamente ao 14. Gunther se
confunde, ele achava que essa regra valia apenas para o último andar. “Podia
ser 12 ou 14, mas nunca uma torre terminaria no andar 13”.
Apertando
o botão, as portas se fecham e o elevador começa a subir. “Número 13” pensa
ele. O número ainda está em sua cabeça. “Será que não é por isso que aquela
missão, a Apolo 13, terminou em fracasso?”. Afastando os pensamentos, ele
novamente respira fundo.
Então
algo estranho acontece.
Enquanto
o elvador passa pelos andares, seus respectivos botões no painel se acendem, indicando
sua localização. O número 1 brilha, e então o 2 e assim sucessivamente.
Chegando ao seu andar, o elevador passa e continua subindo, passando pelo 12,
pelo 14 e continuando a subir. Gunther se intriga. Pressionando novamente o
botão, o painel o ignora e continua subindo. Confuso, ele aperta mais uma vez e
não há resposta. Então ele se irrita. Agindo com ignorância, ele o golpeia,
afundando vários botões de uma vez. Mas nada muda.
Gunther
se confunde ainda mais. Sem opção, ele espera o elevador chegar até o último
andar para ele voltar a descer. Mas algo inacreditável acontece. Como se nunca
parasse, o número pula do último andar para o primeiro e a contagem se
reinicia. “Como isso é possível?!”, pensa ele. Assustado, ele golpeia várias e
várias vezes, mas o painel o ignora, subindo ininterruptamente em seu caminho.
Apavorado,
ele passa a golpear a porta, tentando fazê-la se abrir. Como se chegasse aos
andares, o elevador apita várias vezes, mas ele nunca para. O painel se
reinicia várias vezes, partindo do último ao primeiro em uma velocidade
impressionante. “O que está acontecendo?!” sussurra ele.
O pânico
o domina. Vendo o painel se reiniciar e o elevador apitar, ele se senta no chão
e põe suas mãos na cabeça. Gritando desesperadamente, ele balança para frente e
para trás, pedindo para que tudo aquilo pare.
Então o
elevador finalmente para, chegando a um andar. Intrigado, Gunther olha para o
painel, mas não vê numeração alguma, todos os números estavam apagados. Em
seguida as portas se abrem e ele se levanta, curioso para ver.
À sua
frente tudo está sinistramente escuro. Segurando-se no batente, ele põe sua
cabeça para fora e tenta enxergar. Olhando ao redor ele vê apenas escuridão,
alargando-se imensuravelmente para todos os lados. Confuso, ele pensa estar no
fosso do elevador, mas era muito mais do que isso. O elevador pairava no ar,
sem cabos ou correntes segurando-o. Como um isolado ponto de luz no meio do
nada, a lâmpada do elevador ilumina aquela misteriosa vastidão escura, escondida
em algum lugar debaixo do mundo. Em choque, Gunther se silencia. Estaria ele no
Limbo?
§
Gunther abre os
olhos. O telefone em seu quarto toca, acordando-o. Vendo que estava em seu
quarto, ele se tranquiliza. Foi só um sonho.
Mas nem tudo era
motivo para se tranquilizar assim. Aquele misterioso telefone ainda estava lá,
assombrando seu quarto com sua presença sinistra. Levantando-se, ele o atende,
já esperando não haver ninguém para respondê-lo.
- Alô? – desta
vez ele não será educado – Fale alguma coisa, maldito!
A estática se
silencia.
- Olá Gunther.
Então é isso o que você acha? Que estava no limbo?
O rapaz se
paralisa. Uma voz feminina falava com ele e inexplicavelmente conhecia seu
sonho. Sentindo seu corpo se esfriar, ele pergunta:
- Q-Quem é você?
- Você quer falar
a respeito? – responde ela com outra pergunta.
A voz referia-se
ao seu sonho. Ainda com medo, o rapaz não sabe o que dizer.
- O que você quer
de mim? Por que colocaram esse telefone aqui? Responda-me!
E então o
holofote da torre passa por sua janela, iluminando-a.
- Acalme-se,
Gunther. Eu sou sua amiga, a única que terá daqui para frente.
- O que quer
dizer? – intriga-se ele.
- Você foi para o
limbo, não é mesmo? Você vai precisar de alguém para tira-lo de lá.
- Isso é
ridículo! Aquilo foi só um sonho!
A voz ri.
- “Uma
irrealidade induzida dentro de uma realidade experimentada, a quarta dimensão.
Como em um sonho”?
Gunther se
espanta.
- Como você sabe
disso?
Demorando um
pouco para responder, a voz lhe diz:
- Até breve, sr.
Gunther. Entrarei em contato novamente. Boa noite.
Então ele só ouve
estática. Pondo o telefone no gancho, ele enxuga o suor de sua testa. Olhando
para o relógio, ele vê que horas são. Três e treze da manhã.
Alguém bate em
sua porta.
- Gunther...?
Uma senhora idosa
de cabelos loiros e grisalhos entra. Ele responde:
- Oi, mãe.
- Está tudo bem?
A mulher olha ao
redor, parecendo inspecionar o lugar.
- Sim, está. Ou
melhor, não está não. – responde ele, meio confuso – Mãe, quem pôs esse
telefone aqui? De onde ele veio?
A mulher observa
seu filho, parecendo haver dúvida em seu olhar. Então ela calmamente pergunta:
- Está realmente
tudo bem, meu filho? Há alguma coisa que eu possa fazer para te ajudar?
O rapaz continua.
- Estou recebendo
ligações neste telefone todas as noites. Não sei quem o colocou aqui e não
tenho coragem de me desfazer dele por medo de quem possa ter sido. Ou de quem
possa me ligar.
Gunther se refere
ao governo da República Democrática Alemã.
- Medo...?
- Sim. E se isso
for um experimento soviético? E se eu atrapalhar sua avaliação e eles me
prenderem. Ou pior ainda, prenderem a senhora! Não posso permitir que eles te
deportem para a Sibéria. – e então sua mãe lhe faz um olhar preocupado – É
claro... Eu sei que não existem mais gulags, mas depois do que os nazistas
fizeram, não sei se nos comunistas eu posso confiar.
Evasiva, sua mãe
o pergunta:
- Meu filho, você
ainda sente saudades do seu pai?
Mudando de
semblante, o rapaz hesita.
- Eu não gosto de
falar sobre isso.
Ainda preocupada,
a mulher responde:
- Eu sei meu
filho. Me desculpe. – ela demora um pouco e então diz – Vá dormir, está bem? Eu
acordarei cedo amanhã, vou resolver os papeis de minha aposentadoria. Finalmente
estarei livre para partir.
Gunther sabe do
que se trata.
- A senhora
pretende ir ao Tiergarten, não é?
Sua mãe responde:
- Você sabe que
sim.
Então os dois
ficam em silêncio por um momento.
- A senhora quer
que eu te acompanhe?
Normalmente um
jovem cidadão da Alemanha Oriental não teria tempo para faltar a um dia de
trabalho e acompanhar amigos e parentes em assuntos pessoais. Mas sua mãe não
podia dizer que seu filho era exatamente normal.
- É claro, meu
filho. Eu adoraria.
§
O resto da noite se passa com sonhos
aleatórios e insignificantes. O rapaz acorda aos poucos, mas sentia-se pesado.
O que acontecia toda noite era algo que ele tentava entender. Olhando para o
relógio, ele tem uma surpresa. Já eram quase onze horas.
Levantando-se,
ele caminha por seu apartamento e procura por sua mãe. Checando seu quarto, ela
não estava lá. Gunther não compreende, “por que ela foi sem mim?”.
Trocando de
roupas, ele veste seu casaco e deixa o apartamento.
Os ônibus são
velhos e barulhentos. Sendo verdadeiras relíquias russas, ele observa seu
estado deprimente ao ver o escapamento expelir uma fumaça preta e altamente
poluente. A maioria dos trabalhadores os usavam todos os dias. Quem pudesse
pagar podia usufruir de um carro próprio, desde que tivesse uma paciência
pétrea para aguardar os longos dez anos até o governo disponibilizá-lo um. Mas
Gunther não almejava um veículo, pois ele sabia que quem o compraria seria sua
mãe, tendo de utilizar-se de todas as suas economias para isso.
Cruzando a
cidade, ou a metade da qual pertencia aos orientais, ele atravessa a
movimentada avenida e avista ao longe o famoso Palast der Republik. Haviam muitos edifícios governamentais no
distrito de Mitte, e Gunther procura pelo
prédio da previdência social onde supostamente sua mãe estaria.
Encontrando seu
destino, ele passa pelas portas e observa o ambiente. No salão haviam muitos
idosos, homens de 65 anos e mulheres de 60, fazendo filas para pedirem a
aposentadoria. O rapaz acha um absurdo que alguém tenha de trabalhar até essa
idade para se aposentar, mas se lembra que quanto mais sua mãe envelhecia, mais
seus patrões lhe davam serviços leves. Sua mãe sempre trabalhou na indústria
têxtil, e no pós-guerra ela chegou a participar de um mutirão que reconstruiu
Berlim, ou pelo menos as partes que os soviéticos permitiram.
- Pois, não? –
cumprimenta o recepcionista.
- Bom dia.
O recepcionista
hesita por um segundo.
- Boa tarde.
Gunther fica
desconfortável.
- Perdoe-me. Não
notei que já passou do meio-dia. – ele sorri – Estou procurando por uma senhora
de nome Aida, ela veio iniciar o processo de aposentadoria.
- E o senhor é o
que dela?
- Sou seu filho.
- Como se chama?
- Gunther.
- Um minuto por
favor. – o homem checa um caderno em sua mesa – Ah, sim. Sua mãe esteve aqui,
mas temo que ela já foi embora. Lamento, sr. Gunther.
O rapaz assente.
- Tudo bem.
- Se ela não
tinha outro compromisso, ela deve estar a caminho de casa, talvez...?
- Oh, não se
preocupe. Não era nada de urgente. Danke
und Guten Abend! [1]
Em seu caminho de
volta, Gunther passa pela Wilhelmstrasse e vê um pequeno grupo de jovens da Deutscher Turn und Sportbund [2],
a famosa DTSB. Aquilo lhe suscita velhas memórias, de quando era um adolescente
e praticava atletismo no colégio. Ele nunca foi um bom atleta, mas admirava a
iniciativa alemã oriental de obrigar os jovens a praticarem esportes. Em uma
época de disputa ideológica cada vez mais acirrada, era fundamental para seu
país demonstrar boa condição física ao mundo.
- Camarada! Tem
um minuto, por favor?
Gunther olha para
trás, aquele grupo de jovens o chama. Aproximando-se, seis jovens vêm em sua
direção. O rapaz nota que dois deles carregam bandeiras vermelhas do Sozialistische Einheitspartei Deutschlands [3],
o SED.
- Boa tarde! Vejo
que tem boa aparência física. Gostaria de se inscrever para os treinos do DTSB?
Temos várias opções esportivas, você vai gostar!
Um jovem loiro e
sorridente fala com ele. Ao seu lado, os outros garotos também parecem bem
entusiasmados.
- Desculpe. Não
estou interessado.
- Se você tem
talento e quer provar seu potencial, um dia poderá participar das
Espartaquíadas!
Gunter sorri.
Nesse evento competem jovens de até 18 anos.
- Eu não sou tão
jovem assim...
- Perdoe minha
intromissão, camarada. Você tem quantos anos?
- Tenho 26.
O garoto arregala
os olhos.
- Uau! Você
parece ser bem mais jovem! De qualquer forma, sinta-se livre para prestigiar
nossos camaradas na próxima competição no mês que vem. Aqui, tome esse
panfleto. Nele estão as datas dos próximos eventos em Berlim. Obrigado e tenha
uma boa tarde!
O garoto lhe bate
continência e vai embora, acompanhado de seu entusiasmado grupo.
Em suas mãos está
o panfleto. Na capa Gunther vê o emblema da RDA e seu lema: “pronto para o
trabalho e à defesa da Pátria”. Desde 1951, na Alemanha Oriental, o esporte é
obrigatório nas escolas, colégios e universidades. Novamente ele se enche de
orgulho, pois apesar de parecer opressivo, a prática compulsória de esportes
apenas estimulava uma geração de jovens fortes e sadios. E desde as deserções
em massa na década de 60, seu país precisava muito de trabalhadores fortes e
sadios.
Guardando o
panfleto em seu casaco, ele continua em seu caminho.
Uma hora mais
tarde, Gunther chega à sua casa. Passando pela porta, ele encontra o
apartamento estranhamente silencioso. A televisão estava desligada e o sofá,
onde sua mãe comumente ficava, estava desocupado. Ele a chama:
- Mãe...?
Não há resposta.
Dirigindo-se ao quarto dela, ele também o encontra vazio. Sem se importar,
Gunther deduz que ela ainda não havia chegado. Abrindo a porta de seu quarto,
ele vê um curioso pedaço de papel sobre a mesa onde fica o telefone.
Sentando-se em sua poltrona, ele o pega e reconhece sua caligrafia. Ele então o
lê.
“Querido Gunther,
estou escrevendo essa carta porque decidi partir. Perdoe-me por não me
despedir, eu não podia mais perder tempo. Eu esperei mais de 40 anos por esse
momento. Com a aposentadoria, finalmente consegui meu passaporte para fora da
RDA. Realmente é como os ocidentais dizem, ‘a RDA é o único país no mundo em que
as pessoas podem ansiar pela velhice’. Estou partindo para a Berlim Ocidental,
para o Tiergarten como você já deve saber. Você também sabe que não poderia me
acompanhar, os guardas jamais o permitiriam atravessar a fronteira”.
“Não se preocupe,
meu filho. Apesar de pouco, deixo com você o dinheiro de minha aposentadoria.
Com ela você poderá sobreviver aí no leste. E quanto a mim, tenho parentes no
oeste, pelo menos os que ainda estão vivos. Eu ficarei bem”.
“Eu sei que você está
passando por maus momentos, meu filho. Estou muito preocupada com você. Eu sei
que você não gosta de falar de seu pai, mas isso foi há muito tempo e o que
aconteceu com ele aconteceu com milhares de outras pessoas. Não estou
justificando sua decisão, o que para mim foi imperdoável, mas prefiro acreditar
que ele fez aquilo na melhor das intenções e que no fundo só nos queria bem”.
“Novamente eu te
peço perdão, Gunther. Eu não podia me despedir pessoalmente. Tive medo que você
me atrapalhasse, ou pior, se lançasse nos guardas fronteiriços e tentasse
atravessar ilegalmente. Nós dois sabemos que você acabaria morto. E por favor,
meu filho, eu te imploro, não tente atravessar o muro atrás de mim. Afaste de
si essa ideia absurda, não queira terminar como o seu pai”.
“Mas agora eu
tenho de procurar o túmulo dos meus pais. Eu preciso encontra-los, estou
esperando há 40 anos por isso. Não estou de maneira alguma diminuindo sua dor,
mas você perdeu seu pai há 15 anos, e eu há 60. Espero que você me entenda”.
“Até breve,
Gunther. Eu te amarei para sempre”.
“Com amor Aida,
sua mãe”.
Ao terminar, o
rapaz abaixa o papel. Pensativo, seus olhos miram irresistivelmente para o
vazio. “Mãe...”, sussurra ele. “Você me deixou?”.
Lágrimas se
formam em seus olhos. Incapaz de se mexer ou de se levantar, ele chora sozinho
pelo resto da tarde, sentindo as lágrimas se escorrem pelo seu rosto.
§
À noite, Gunther
está parado em frente à janela. Ele observa aquele opressivo muro mutilando
toda Berlim. A torre de vigia também estava ali, imóvel como um símbolo de
morte contra quem ousasse se aventurar sob sua vigilância. O holofote em seu
topo faz seus turnos, passando sua luz lentamente pela janela de seu
apartamento.
Gunther lança
olhares odiosos contra aquela torre, não se importando com os guardas que
pudessem vê-lo parado ali de maneira suspeita. Ele deseja que aquela torre
desabe sobre suas cabeças, eliminando-os, e que o muro caia também, derrubado
pela fúria das multidões cansadas de serem oprimidas. “O mundo está dividido em
dois blocos”, pensa ele. “Separado por duas ideologias”. Gunther novamente
percebe que o front dessa nova guerra era a Alemanha e que a divisão dessas
duas antagônicas e irreconciliáveis ideologias tinha forma e até um nome, o
infame Muro de Berlim.
Observando a
mortífera “faixa da morte”, com suas malhas, trincheiras, fossos e arames
farpados, o rapaz sussurra para si mesmo: “Como é que eu vou atravessar esse
muro?”.
De repente o
telefone toca. Virando-se, ele atravessa o quarto escuro e o atende.
- Alô?
- Isso não é uma
boa ideia, Gunther.
Ele reconhece
aquela voz feminina. Irritado, ele responde:
- Você de novo? O
que você quer?
- Isso não é uma
boa ideia. Lembre-se do que sua mãe te falou na carta. Não queira terminar como
o seu pai.
Intrigado, ele
pergunta:
- Como você sabe
de tudo isso? Espere um pouco... – ele pensa – Você é uma espiã!
Gunther ouve um
riso.
- Eu não sou uma
espiã.
- Por que você
está me ligando? O que a Stasi quer comigo? Ou a KGB?
Desta vez a voz
dá uma bela risada. Apesar de não vê-la, por sua espontaneidade ele a acha muito
atraente.
- Gunther, eu só
quero o seu bem. Lembre-se que sua mãe acaba de ir embora e isso está te dando
ideias horríveis que, se não forem desencorajadas, você poderá realizá-las. Eu
não posso deixar isso acontecer. – ela pausa por um momento – Eu realmente lamento
te informar assim, Gunther, mas sua mãe não vai mais voltar.
Então o rapaz se
estremece.
- Oh, meu Deus!
Vocês a prenderam!
- Não, ninguém a
prendeu.
- Deixem ela ir!
Eu faço qualquer coisa...
- Eu já disse que
ela não foi presa.
- Por favor, eu
imploro...
Gunther parece
ouvir um sussurro de desânimo.
- Vejo que não
poderei conversar com você esta noite. Terei de liga-lo amanhã. Boa noite,
Gunther. E não se preocupe, sua mãe está bem.
A voz encerra a
ligação e novamente ele só ouve estática. Insistente, ele se mantém na linha.
- Alô...? Alô...?
Alô?!
Mas não há
resposta. Desistindo, ele finalmente desliga o aparelho e passa a noite pensando em sua mãe.
[1]
Obrigado e boa tarde em alemão
[2]
Federação alemã de esportes e ginástica
[3]
Partido Socialista da Unidade Alemã

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