sábado, 18 de abril de 2020

Tiergarten - 02 - O Telefone




Gunther está atrasado. Apertando o botão no painel, ele chama o elevador. Enquanto espera, ele arruma sua gravata e respira fundo, aliviando a tensão. Ele veio à uma entrevista de emprego em uma promissora empresa, mas qual seria sua função e de qual empresa se tratava ele não sabia dizer.
Ele estava em Nova Iorque. Gunther podia ouvir os sons da cidade lá fora, com suas buzinas, motores, vozes e sirenes. Mas no hall daquele edifício ele não vê ninguém e tampouco se lembra de ter passado pelo recepcionista. Ali ele estava completamente sozinho.
O elevador chega, fazendo seu peculiar som. As portas se abrem e ele entra, dirigindo-se ao painel em seguida. Aos olhar para os números, ele se lembra que os novaiorquinos são bastante supersticiosos quanto ao número 13. O painel à sua frente chegava ao número 12 e pulava diretamente ao 14. Gunther se confunde, ele achava que essa regra valia apenas para o último andar. “Podia ser 12 ou 14, mas nunca uma torre terminaria no andar 13”.
Apertando o botão, as portas se fecham e o elevador começa a subir. “Número 13” pensa ele. O número ainda está em sua cabeça. “Será que não é por isso que aquela missão, a Apolo 13, terminou em fracasso?”. Afastando os pensamentos, ele novamente respira fundo.
Então algo estranho acontece.
Enquanto o elvador passa pelos andares, seus respectivos botões no painel se acendem, indicando sua localização. O número 1 brilha, e então o 2 e assim sucessivamente. Chegando ao seu andar, o elevador passa e continua subindo, passando pelo 12, pelo 14 e continuando a subir. Gunther se intriga. Pressionando novamente o botão, o painel o ignora e continua subindo. Confuso, ele aperta mais uma vez e não há resposta. Então ele se irrita. Agindo com ignorância, ele o golpeia, afundando vários botões de uma vez. Mas nada muda.
Gunther se confunde ainda mais. Sem opção, ele espera o elevador chegar até o último andar para ele voltar a descer. Mas algo inacreditável acontece. Como se nunca parasse, o número pula do último andar para o primeiro e a contagem se reinicia. “Como isso é possível?!”, pensa ele. Assustado, ele golpeia várias e várias vezes, mas o painel o ignora, subindo ininterruptamente em seu caminho.
Apavorado, ele passa a golpear a porta, tentando fazê-la se abrir. Como se chegasse aos andares, o elevador apita várias vezes, mas ele nunca para. O painel se reinicia várias vezes, partindo do último ao primeiro em uma velocidade impressionante. “O que está acontecendo?!” sussurra ele. 
O pânico o domina. Vendo o painel se reiniciar e o elevador apitar, ele se senta no chão e põe suas mãos na cabeça. Gritando desesperadamente, ele balança para frente e para trás, pedindo para que tudo aquilo pare.
Então o elevador finalmente para, chegando a um andar. Intrigado, Gunther olha para o painel, mas não vê numeração alguma, todos os números estavam apagados. Em seguida as portas se abrem e ele se levanta, curioso para ver.
À sua frente tudo está sinistramente escuro. Segurando-se no batente, ele põe sua cabeça para fora e tenta enxergar. Olhando ao redor ele vê apenas escuridão, alargando-se imensuravelmente para todos os lados. Confuso, ele pensa estar no fosso do elevador, mas era muito mais do que isso. O elevador pairava no ar, sem cabos ou correntes segurando-o. Como um isolado ponto de luz no meio do nada, a lâmpada do elevador ilumina aquela misteriosa vastidão escura, escondida em algum lugar debaixo do mundo. Em choque, Gunther se silencia. Estaria ele no Limbo?      

§

Gunther abre os olhos. O telefone em seu quarto toca, acordando-o. Vendo que estava em seu quarto, ele se tranquiliza. Foi só um sonho.
Mas nem tudo era motivo para se tranquilizar assim. Aquele misterioso telefone ainda estava lá, assombrando seu quarto com sua presença sinistra. Levantando-se, ele o atende, já esperando não haver ninguém para respondê-lo.
- Alô? – desta vez ele não será educado – Fale alguma coisa, maldito!
A estática se silencia. 
- Olá Gunther. Então é isso o que você acha? Que estava no limbo?
O rapaz se paralisa. Uma voz feminina falava com ele e inexplicavelmente conhecia seu sonho. Sentindo seu corpo se esfriar, ele pergunta:
- Q-Quem é você?
- Você quer falar a respeito? – responde ela com outra pergunta.
A voz referia-se ao seu sonho. Ainda com medo, o rapaz não sabe o que dizer.
- O que você quer de mim? Por que colocaram esse telefone aqui? Responda-me!
E então o holofote da torre passa por sua janela, iluminando-a.
- Acalme-se, Gunther. Eu sou sua amiga, a única que terá daqui para frente.
- O que quer dizer? – intriga-se ele.
- Você foi para o limbo, não é mesmo? Você vai precisar de alguém para tira-lo de lá.
- Isso é ridículo! Aquilo foi só um sonho!
A voz ri.
- “Uma irrealidade induzida dentro de uma realidade experimentada, a quarta dimensão. Como em um sonho”?
Gunther se espanta.
- Como você sabe disso?
Demorando um pouco para responder, a voz lhe diz:
- Até breve, sr. Gunther. Entrarei em contato novamente. Boa noite.
Então ele só ouve estática. Pondo o telefone no gancho, ele enxuga o suor de sua testa. Olhando para o relógio, ele vê que horas são. Três e treze da manhã.  
Alguém bate em sua porta.
- Gunther...?
Uma senhora idosa de cabelos loiros e grisalhos entra. Ele responde:
- Oi, mãe.
- Está tudo bem?
A mulher olha ao redor, parecendo inspecionar o lugar.
- Sim, está. Ou melhor, não está não. – responde ele, meio confuso – Mãe, quem pôs esse telefone aqui? De onde ele veio?
A mulher observa seu filho, parecendo haver dúvida em seu olhar. Então ela calmamente pergunta:
- Está realmente tudo bem, meu filho? Há alguma coisa que eu possa fazer para te ajudar?
O rapaz continua.
- Estou recebendo ligações neste telefone todas as noites. Não sei quem o colocou aqui e não tenho coragem de me desfazer dele por medo de quem possa ter sido. Ou de quem possa me ligar.
Gunther se refere ao governo da República Democrática Alemã.
- Medo...?
- Sim. E se isso for um experimento soviético? E se eu atrapalhar sua avaliação e eles me prenderem. Ou pior ainda, prenderem a senhora! Não posso permitir que eles te deportem para a Sibéria. – e então sua mãe lhe faz um olhar preocupado – É claro... Eu sei que não existem mais gulags, mas depois do que os nazistas fizeram, não sei se nos comunistas eu posso confiar.
Evasiva, sua mãe o pergunta:
- Meu filho, você ainda sente saudades do seu pai?
Mudando de semblante, o rapaz hesita.
- Eu não gosto de falar sobre isso.
Ainda preocupada, a mulher responde:
- Eu sei meu filho. Me desculpe. – ela demora um pouco e então diz – Vá dormir, está bem? Eu acordarei cedo amanhã, vou resolver os papeis de minha aposentadoria. Finalmente estarei livre para partir.
Gunther sabe do que se trata.
- A senhora pretende ir ao Tiergarten, não é?
Sua mãe responde:
- Você sabe que sim.
Então os dois ficam em silêncio por um momento.
- A senhora quer que eu te acompanhe?
Normalmente um jovem cidadão da Alemanha Oriental não teria tempo para faltar a um dia de trabalho e acompanhar amigos e parentes em assuntos pessoais. Mas sua mãe não podia dizer que seu filho era exatamente normal.
- É claro, meu filho. Eu adoraria. 

§
 
 O resto da noite se passa com sonhos aleatórios e insignificantes. O rapaz acorda aos poucos, mas sentia-se pesado. O que acontecia toda noite era algo que ele tentava entender. Olhando para o relógio, ele tem uma surpresa. Já eram quase onze horas.
Levantando-se, ele caminha por seu apartamento e procura por sua mãe. Checando seu quarto, ela não estava lá. Gunther não compreende, “por que ela foi sem mim?”.
Trocando de roupas, ele veste seu casaco e deixa o apartamento.
Os ônibus são velhos e barulhentos. Sendo verdadeiras relíquias russas, ele observa seu estado deprimente ao ver o escapamento expelir uma fumaça preta e altamente poluente. A maioria dos trabalhadores os usavam todos os dias. Quem pudesse pagar podia usufruir de um carro próprio, desde que tivesse uma paciência pétrea para aguardar os longos dez anos até o governo disponibilizá-lo um. Mas Gunther não almejava um veículo, pois ele sabia que quem o compraria seria sua mãe, tendo de utilizar-se de todas as suas economias para isso.   
Cruzando a cidade, ou a metade da qual pertencia aos orientais, ele atravessa a movimentada avenida e avista ao longe o famoso Palast der Republik. Haviam muitos edifícios governamentais no distrito de Mitte, e Gunther procura pelo prédio da previdência social onde supostamente sua mãe estaria.
Encontrando seu destino, ele passa pelas portas e observa o ambiente. No salão haviam muitos idosos, homens de 65 anos e mulheres de 60, fazendo filas para pedirem a aposentadoria. O rapaz acha um absurdo que alguém tenha de trabalhar até essa idade para se aposentar, mas se lembra que quanto mais sua mãe envelhecia, mais seus patrões lhe davam serviços leves. Sua mãe sempre trabalhou na indústria têxtil, e no pós-guerra ela chegou a participar de um mutirão que reconstruiu Berlim, ou pelo menos as partes que os soviéticos permitiram.
- Pois, não? – cumprimenta o recepcionista.
- Bom dia.
O recepcionista hesita por um segundo.
- Boa tarde.
Gunther fica desconfortável.
- Perdoe-me. Não notei que já passou do meio-dia. – ele sorri – Estou procurando por uma senhora de nome Aida, ela veio iniciar o processo de aposentadoria.
- E o senhor é o que dela?
- Sou seu filho.
- Como se chama?
- Gunther.
- Um minuto por favor. – o homem checa um caderno em sua mesa – Ah, sim. Sua mãe esteve aqui, mas temo que ela já foi embora. Lamento, sr. Gunther.
O rapaz assente.
- Tudo bem.
- Se ela não tinha outro compromisso, ela deve estar a caminho de casa, talvez...?
- Oh, não se preocupe. Não era nada de urgente. Danke und Guten Abend! [1]
Em seu caminho de volta, Gunther passa pela Wilhelmstrasse e vê um pequeno grupo de jovens da Deutscher Turn und Sportbund [2], a famosa DTSB. Aquilo lhe suscita velhas memórias, de quando era um adolescente e praticava atletismo no colégio. Ele nunca foi um bom atleta, mas admirava a iniciativa alemã oriental de obrigar os jovens a praticarem esportes. Em uma época de disputa ideológica cada vez mais acirrada, era fundamental para seu país demonstrar boa condição física ao mundo.
- Camarada! Tem um minuto, por favor?
Gunther olha para trás, aquele grupo de jovens o chama. Aproximando-se, seis jovens vêm em sua direção. O rapaz nota que dois deles carregam bandeiras vermelhas do Sozialistische Einheitspartei Deutschlands [3], o SED.
- Boa tarde! Vejo que tem boa aparência física. Gostaria de se inscrever para os treinos do DTSB? Temos várias opções esportivas, você vai gostar!
Um jovem loiro e sorridente fala com ele. Ao seu lado, os outros garotos também parecem bem entusiasmados.
- Desculpe. Não estou interessado.
- Se você tem talento e quer provar seu potencial, um dia poderá participar das Espartaquíadas!
Gunter sorri. Nesse evento competem jovens de até 18 anos.
- Eu não sou tão jovem assim...
- Perdoe minha intromissão, camarada. Você tem quantos anos?
- Tenho 26.
O garoto arregala os olhos.
- Uau! Você parece ser bem mais jovem! De qualquer forma, sinta-se livre para prestigiar nossos camaradas na próxima competição no mês que vem. Aqui, tome esse panfleto. Nele estão as datas dos próximos eventos em Berlim. Obrigado e tenha uma boa tarde!
O garoto lhe bate continência e vai embora, acompanhado de seu entusiasmado grupo.
Em suas mãos está o panfleto. Na capa Gunther vê o emblema da RDA e seu lema: “pronto para o trabalho e à defesa da Pátria”. Desde 1951, na Alemanha Oriental, o esporte é obrigatório nas escolas, colégios e universidades. Novamente ele se enche de orgulho, pois apesar de parecer opressivo, a prática compulsória de esportes apenas estimulava uma geração de jovens fortes e sadios. E desde as deserções em massa na década de 60, seu país precisava muito de trabalhadores fortes e sadios.      
Guardando o panfleto em seu casaco, ele continua em seu caminho.
Uma hora mais tarde, Gunther chega à sua casa. Passando pela porta, ele encontra o apartamento estranhamente silencioso. A televisão estava desligada e o sofá, onde sua mãe comumente ficava, estava desocupado. Ele a chama:
- Mãe...?
Não há resposta. Dirigindo-se ao quarto dela, ele também o encontra vazio. Sem se importar, Gunther deduz que ela ainda não havia chegado. Abrindo a porta de seu quarto, ele vê um curioso pedaço de papel sobre a mesa onde fica o telefone. Sentando-se em sua poltrona, ele o pega e reconhece sua caligrafia. Ele então o lê.
“Querido Gunther, estou escrevendo essa carta porque decidi partir. Perdoe-me por não me despedir, eu não podia mais perder tempo. Eu esperei mais de 40 anos por esse momento. Com a aposentadoria, finalmente consegui meu passaporte para fora da RDA. Realmente é como os ocidentais dizem, ‘a RDA é o único país no mundo em que as pessoas podem ansiar pela velhice’. Estou partindo para a Berlim Ocidental, para o Tiergarten como você já deve saber. Você também sabe que não poderia me acompanhar, os guardas jamais o permitiriam atravessar a fronteira”.
“Não se preocupe, meu filho. Apesar de pouco, deixo com você o dinheiro de minha aposentadoria. Com ela você poderá sobreviver aí no leste. E quanto a mim, tenho parentes no oeste, pelo menos os que ainda estão vivos. Eu ficarei bem”.
“Eu sei que você está passando por maus momentos, meu filho. Estou muito preocupada com você. Eu sei que você não gosta de falar de seu pai, mas isso foi há muito tempo e o que aconteceu com ele aconteceu com milhares de outras pessoas. Não estou justificando sua decisão, o que para mim foi imperdoável, mas prefiro acreditar que ele fez aquilo na melhor das intenções e que no fundo só nos queria bem”.
“Novamente eu te peço perdão, Gunther. Eu não podia me despedir pessoalmente. Tive medo que você me atrapalhasse, ou pior, se lançasse nos guardas fronteiriços e tentasse atravessar ilegalmente. Nós dois sabemos que você acabaria morto. E por favor, meu filho, eu te imploro, não tente atravessar o muro atrás de mim. Afaste de si essa ideia absurda, não queira terminar como o seu pai”.
“Mas agora eu tenho de procurar o túmulo dos meus pais. Eu preciso encontra-los, estou esperando há 40 anos por isso. Não estou de maneira alguma diminuindo sua dor, mas você perdeu seu pai há 15 anos, e eu há 60. Espero que você me entenda”.
“Até breve, Gunther. Eu te amarei para sempre”.
“Com amor Aida, sua mãe”.
Ao terminar, o rapaz abaixa o papel. Pensativo, seus olhos miram irresistivelmente para o vazio. “Mãe...”, sussurra ele. “Você me deixou?”.
Lágrimas se formam em seus olhos. Incapaz de se mexer ou de se levantar, ele chora sozinho pelo resto da tarde, sentindo as lágrimas se escorrem pelo seu rosto.

§

À noite, Gunther está parado em frente à janela. Ele observa aquele opressivo muro mutilando toda Berlim. A torre de vigia também estava ali, imóvel como um símbolo de morte contra quem ousasse se aventurar sob sua vigilância. O holofote em seu topo faz seus turnos, passando sua luz lentamente pela janela de seu apartamento.
Gunther lança olhares odiosos contra aquela torre, não se importando com os guardas que pudessem vê-lo parado ali de maneira suspeita. Ele deseja que aquela torre desabe sobre suas cabeças, eliminando-os, e que o muro caia também, derrubado pela fúria das multidões cansadas de serem oprimidas. “O mundo está dividido em dois blocos”, pensa ele. “Separado por duas ideologias”. Gunther novamente percebe que o front dessa nova guerra era a Alemanha e que a divisão dessas duas antagônicas e irreconciliáveis ideologias tinha forma e até um nome, o infame Muro de Berlim.
Observando a mortífera “faixa da morte”, com suas malhas, trincheiras, fossos e arames farpados, o rapaz sussurra para si mesmo: “Como é que eu vou atravessar esse muro?”.
De repente o telefone toca. Virando-se, ele atravessa o quarto escuro e o atende.
- Alô?
- Isso não é uma boa ideia, Gunther.
Ele reconhece aquela voz feminina. Irritado, ele responde:
- Você de novo? O que você quer?
- Isso não é uma boa ideia. Lembre-se do que sua mãe te falou na carta. Não queira terminar como o seu pai.
Intrigado, ele pergunta:
- Como você sabe de tudo isso? Espere um pouco... – ele pensa – Você é uma espiã!
Gunther ouve um riso.
- Eu não sou uma espiã.
- Por que você está me ligando? O que a Stasi quer comigo? Ou a KGB?
Desta vez a voz dá uma bela risada. Apesar de não vê-la, por sua espontaneidade ele a acha muito atraente.
- Gunther, eu só quero o seu bem. Lembre-se que sua mãe acaba de ir embora e isso está te dando ideias horríveis que, se não forem desencorajadas, você poderá realizá-las. Eu não posso deixar isso acontecer. – ela pausa por um momento – Eu realmente lamento te informar assim, Gunther, mas sua mãe não vai mais voltar.
Então o rapaz se estremece.
- Oh, meu Deus! Vocês a prenderam!
- Não, ninguém a prendeu.
- Deixem ela ir! Eu faço qualquer coisa...
- Eu já disse que ela não foi presa.
- Por favor, eu imploro...
Gunther parece ouvir um sussurro de desânimo.
- Vejo que não poderei conversar com você esta noite. Terei de liga-lo amanhã. Boa noite, Gunther. E não se preocupe, sua mãe está bem.
A voz encerra a ligação e novamente ele só ouve estática. Insistente, ele se mantém na linha.
- Alô...? Alô...? Alô?!
Mas não há resposta. Desistindo, ele finalmente desliga o aparelho e passa a noite pensando em sua mãe.






[1] Obrigado e boa tarde em alemão
[2] Federação alemã de esportes e ginástica
[3] Partido Socialista da Unidade Alemã



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